quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Uma máfia

Este post será mais dirigido a quem é (ou pense vir a ser) inquilino de um prédio com elevador e que está, de certa forma, descontente com a actuação da empresa que faz a sua manutenção.

Seguem-se dez conselhos (muito) práticos.

1) Por mais que aliciantes sejam os preços propostos nunca aceitem contratos de manutenção com uma validade superior a 3 anos. Já me passou pelas mãos um contrato da Otis com um prazo de 20 anos (!), correspondente a um prédio de 2001 de 4 pisos, com o custo de uma prestação de 410 euros trimestrais (!). A administração do condomínio se pretender terminar este contrato, segundo a respectiva cláusula de rescisão, terá que indemnizar a empresa Otis no valor de cerca de 7.800 euros (25% do valor total das prestações a vencer). Não sei como, nem sob efeito de que substâncias (ou “aliciantes naturais”), mas alguém assinou um contrato destes.

2) Atenção a contratos de manutenção celebrados entre o construtor e a empresa que forneceu e/ou faz a manutenção dos elevadores. Não se deixem enganar. Não é um contrato válido para futuros condóminos. Artigo 268º, nº1 do Código Civil diz: “O negócio que uma pessoa, sem poderes de representação, celebre em nome de outrem é ineficaz em relação a este, se não for por ele ratificado”.

3) Verificar o método de aumentos anuais. Confirmem, no contrato, se estará indexado ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ou à Taxa de Inflação. Consultem o Instituto Nacional de Estatística (INE) ou outro organismo similar e verifiquem se os aumentos estão correctos. Caso contrário: razão plausível para mudar de empresa e/ou pedir a correcção no montante correspondente à soma das diferenças, entre a taxa correcta e a taxa usada que incidiram sobre as prestações.

4) Para rescindir um contrato, por regra (consultar o contrato), é necessária uma antecedência de 90 dias. Conselho: enviem a carta para a empresa de manutenção de elevadores, mencionando o cancelamento do contrato e a dispensa completa, a partir desse momento, dos seus serviços, mas mudem de imediato a fechadura nas casas das máquinas. Perdem 3 meses de contrato mas ganham em alguns dissabores com avarias que, por muita “coincidência”, só acontecem neste último período de vigência de assistência técnica.

5) Se acharem que o serviço de manutenção é medíocre e os problemas com o elevador mantém-se constantemente, procurem no contrato se não há uma cláusula que dirá que havendo um inequívoco incumprimento definitivo por parte do prestador do serviço, pode-se invocar justa causa para imediata rescisão do contrato.

6) Receberam facturas com valores astronómicos e com reparações muito questionáveis? Enviem uma carta com aviso de recepção para a empresa fornecedora do serviço, informando que, a partir desta data, toda e qualquer reparação terá sempre que ser previamente orçamentada sob pena de não liquidação da factura.

7) Segundo o Decreto-Lei nº320/2002, de 28 de Dezembro, durante o primeiro ano de uso do elevador as avarias e a manutenção é gratuita. Regra geral, a garantia dada pelo fabricante só cobre as reparações e substituições de peças que por desgaste ou defeito de fabrico avariem e nunca a manutenção normal.
No primeiro ano, TUDO é gratuito, logo não aceitem qualquer factura.

8) Parece que existe uma lei que obriga a haver no elevador um sistema de comunicação bidireccional. Regra geral os fabricantes de elevadores sugerem uma linha instalada no próprio elevador para um contacto directo com eles. Se essa linha for cobrada, ao condomínio, pela Portugal Telecom terá uma mensalidade como qualquer assinatura mensal de um telefone fixo. Consultem outras alternativas menos dispendiosas. Sabiam que um telemóvel é um sistema de comunicação bidireccional?

9) Para rescindir ou renegociar contratos, apresentar sempre propostas de outras empresas. Consultar as páginas amarelas, secção: Empresas de Manutenção de Ascensores e preparar para ouvir, da parte da empresa actual, todas os defeitos que uma empresa concorrente pode ter. Não ceder. A resistência por aqui faz sempre milagres. Uma renegociação, às vezes, também.
Muita atenção na comparação de preços: ter em conta que existe vários tipos de manutenções (geralmente existem: normal, com consumíveis e completa) e o que inclui e exclui cada uma.

10) Qualquer queixa ou esclarecimento pode e deve ser dirigida às seguintes entidades:
- Direcção-Geral de Geologia e Energia (DGGE)
- Instituto do Consumidor (IC)
- DECO
- Autoridade da Concorrência
- Direcção-Geral da Empresa (DGE)

Para finalizar, duas notas (muito) rápidas:

. Só para não haver algumas “caídas em tentação” por parte de alguns construtores e para não levantar suspeições por parte dos respectivos condóminos, eu diria que viveríamos num mundo mais justo se as empresas instaladoras de ascensores não pudessem (legalmente) fazer a sua manutenção.

. Os acordos secretos entre os principais fabricantes de elevadores começam desde da cláusula incluída no contrato exigindo que as peças a utilizar sejam sempre do próprio fabricante (na minha opinião: a salvaguarda da exclusividade do negócio camuflada por uma questão de segurança) até aos negócios milionários que a Comunidade Europeia (nem o seu próprio edifício escapou, lol, leiam esta notícia) detectou e multou. Eles chamam-lhe um cartel, eu chamo-lhe uma máfia.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Kinsey II

“Entre os chimpanzés pigmeus, o primata mais próximo de nós, é o sexo que cimenta a paz e a coesão social. Liberto de noções de amor romântico, de religião, de moralidade, a sociedade deles mantém-se, como unidade coerente de condicionamento biológico. (...)
Segundo as experiências de mulheres que deram a sua contribuição, notamos uma variada motivação para o coito extraconjugal. Por vezes é uma tentativa consciente ou não de subir socialmente. Noutras proporciona-lhes uma variedade de experiências com parceiros sexuais mais viris que os cônjuges. Há alturas em que é praticado como retaliação por relações extra-matrimoniais do cônjuge. Certas mulheres descobrem novas fontes de satisfação emocional enquanto para outras é impossível partilhar uma relação tão íntima com mais de um parceiro.
Existe também um considerável número de casos em que são os próprios maridos a encorajá-las a variar, para que elas gozem de um adicional prazer sexual.”

Alfred C. Kinsey

Em Nova Iorque quando Kinsey preparava-se para entrevistar todo o elenco de “Um eléctrico chamado desejo” e promover um segundo livro dedicado exclusivamente à sexualidade feminina, confrontado com alguns jornalistas que o esperavam no Aeroporto disse:
“Se querem escrever sobre uma coisa com utilidade estudem as leis relacionadas com as ofensas sexuais; a maioria dos criminosos presos não tem nada no seu historial que se diferencie do resto da população, o seu único crime é não terem dinheiro para pagar um bom advogado. E é injusto: o pecado que todos cometem deixa de o ser e o crime cometido por todos deixa de o ser (it’s unfair: everybody sin is nobody sin and everybody crime isn’t crime at all)!”
Não foi tanto o facto de se ter revelado que as mulheres americanas, afinal, tinham uma vida sexual própria e independente da vontade masculina, mas foram acima de tudo estas últimas palavras, que acabaram por sair nas primeiras páginas dos jornais, que pôs termo à ligação Kinsey - Fundação Rockefeller.
O nosso polémico cientista começou a trabalhar por conta própria mas nunca desistiu das suas pesquisas e entrevistas.

Um dos homens mais controversos que Kinsey entrevistou, admitia que mantinha relações sexuais com menores e durante a descrição dos seus actos, um dos seus assistentes que o acompanhava, revoltadíssimo, saiu da sala. No filme “Relatório Kinsey” relata-se o diálogo que perseguiu entre o pedólilo (P) e Kinsey (K).
P - Pensei que os tinha ensinado a ser imparciais?
K - Às vezes isso é difícil.
P - Alguém como eu deve provar o que o senhor acredita?
K - Como?
P - Que toda a gente deve poder fazer o que quer.
K - Nunca disse isso. Ninguém deve fazer nada contra vontade, ou ser magoado.
P - É muito mais convencional do que eu pensei...

Eu, hoje, divido-me entre vergar-me perante este grande senhor e as suas palavras e uma nova realidade sexual. Estou convicto de que o desfasamento de ideias e princípios entre as pessoas, em tudo o que toca à sexualidade, é cada vez maior. Neste momento, num mesmo planeta, continuam a existir os mais conservadores que até estes estudos dos finais dos anos 40 do século passado são difíceis de digerir, que convivem abertamente (ou não) com outros, para o qual o sexo é livre e não deve ter qualquer tipo de tabus. Consta que é a moralidade que os separa e eu sempre pensei que nestas coisas do sexo, quem mandava era o desejo e o prazer, sempre vigiados pela razão e pelo coração (claro).
Estamos então num novo século e já quase nada no plano sexual é proibido. Para quem acredita nisto, como eu, agora o desafio será mais de nos mantermos nós próprios no meio desta espécie de “anarquia sexual” (chamem-me "convencional"!). Seria com isto que Kinsey teria que se confrontar e de ter em consideração nos seus estudos, se ainda andasse por cá a investigar o que andamos a fazer na nossa intimidade.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Vou só ali penitenciar-me e já venho

Um homem deixa de ser visto durante mais de um ano, (entretanto) morre na sala da sua casa em frente à televisão (o Hora H, nessa altura, ainda nem estava em projecto, suas mentes diabólicas!) e o seu corpo só é descoberto, por acaso, por um polícia que passa pela casa dele só para investigar um problema com um cano da água.
Bela civilização humanista esta que andamos a construir.

Leiam e vejam o vídeo desta triste história aqui:

http://www.cnn.com/2007/US/02/17/death.television.reut/index.html

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

No campo do inimigo

Se não tivesse suficientes provas dadas que me contrariavam, ainda pensaria que o facto do Nuno Markl fazer parte da assistência de um dos melhores programas de humor português dos últimos tempos (Diz que é uma espécie de magazine - são muito inconstantes, mas o do último domingo foi especialmente genial) seria para obter inspiração para tentar elevar o nível da qualidade dos textos de um dos piores programas de humor português dos últimos tempos (Hora H - excluindo o sketch dos “graffiteiros de cascais”, um grande e duradoiro bocejo).

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Kinsey I

Nas décadas de 40/50, um homem chocou o mundo ao estudar o comportamento sexual humano como os outros animais na sua cadeia evolutiva. Os problemas para a sociedade mais conservadora americana começaram quando esse homem, zoólogo, cientista, Alfred C. Kinsey (1894-1956), decidiu deixar registado todos os resultados das suas pesquisas em livros e vídeos.
Um dos resultados “chocantes”, por exemplo, foi de que o sexo no matrimónio, o único que seria socialmente aceite por todos à época, era só uma das nove maneiras que o americano típico usava para chegar ao orgasmo. “Sexual Behavior in the Human Male” (1948) foi o seu primeiro livro editado, sobre o tema, com base nas suas primeiras pesquisas e com o apoio da prestigiada Fundação Rockefeller.
“Um cientista só generaliza com algum grau de certeza se possuir suficiente informação estatística”, dizia ele. Por isso dividiu a população americana em 200 subgrupos sociais; obtendo 400 a 1000 historiais para cada grupo, com o objectivo final de conseguir fazer cerca de 100.000 entrevistas, cara-a-cara, com o auxílio de um grupo de técnicos especializados e previamente preparados.
O maior interesse destes estudos estaria no facto de incidir sobre um país que sempre teve a cultura mais libertina do mundo (desde da época Romana) e simultaneamente a mais puritana. Kinsey sabia disso e achou que esta fonte de tensões poderia ser usado a favor das suas experiências e tornaria os seus resultados ainda mais curiosos.
Kinsey era um homem de gráficos, grelhas e números. Um dos seus contributos para o léxico americano sobre sexo foi a “Escala de Kinsey”. Classificação da sexualidade de cada um numa escala de 0 a 6, em que o 0 significaria “exclusivamente heterossexual” e o 6 “exclusivamente homossexual”. Esta escala é baseada na teoria de que a sexualidade é um continuum. Ele que, classificava-se em 3 na sua escala, considerava a bissexualidade como o estado natural da sexualidade humana. Não deixa de ser interessante que este, entre outros, continue actualmente a ser um tema tão polémico. Kinsey, hoje em dia, continuaria a ter muitas dificuldades em defender a sua escala, nomeadamente junto de uma comunidade gay e hetero mais relutante em aceitar a existência de “meio termos”, ou seja, da bissexualidade.

Na mesma proporção que para muitos, Kinsey foi uma figura seminal do século XX, para outros, ele não passou de um predador que gostava de chafurdar no “lixo das depravações”, chamando-lhe a isto, “ciência do sexo”. Entrevistou um pedófilo assumido, criminosos sexuais e encorajava os seus subordinados a trocarem de mulheres. Como basta “pecar” por uma parte para que o seu todo seja afectado, tal acabou por facilitar o trabalho de descredibilização das suas teorias junto de várias organizações ultraconservadoras americanas. Para estes, Kinsey, nunca passou de um doente mental que só se interessava por actividades sexuais bizarras e sadomasoquistas. Muito menos nos deve surpreender que assim seja, se pensarmos que a América dos “bons e velhos costumes” tinha acabado de descobrir que 92% dos seus homens e 62% das suas mulheres se masturbava com regularidade, 50% dos casados tinham sexo extra-conjugal e que 37% dos homens e 13% das mulheres já tinham tido pelo menos uma relação homossexual. Para o Instituto Kinsey, actualmente isto continuam a ser dados científicos, tudo o resto que seja dito sobre o seu autor, não passam de puras especulações com intuitos descredibilizantes.

De uma das suas aulas sobre a sexualidade humana na Universidade de Indiana, onde conheceu a mulher com quem esteve casado durante 35 anos e lhe deu quatro filhos e onde fundou o Instituto de Pesquisa sobre o Sexo (hoje chamado Instituto Kinsey), retirei um fragmento do seu discurso, que também pode ser encontrado, em parte, no filme “Relatório Kinsey” de Bill Condon:

Muita gente acha que faz sexualmente o que todos fazem, ou que deviam fazer. Mas faço notar que todas as ditas perversões sexuais, caem sobre a alçada da normalidade biológica. Por exemplo, a masturbação, o contacto bocal-genital e actos homossexuais que são comuns entre a maioria dos mamíferos, incluindo os seres humanos. Talvez a sociedade condene as tais práticas por razões morais mas é ridículo classificá-las como antinatura. Mas com base na opinião pública e no Livro de Géneses, apenas existe uma correcta equação sexual: Homem + Mulher = Bébé; tudo o resto constitui vício. Mas basta verificar apenas o historial masturbatório dos homens desta sala para provar a ineficácia das restrições sociais e o imperiosas que são as exigências biológicas.
Porque são algumas vacas activas sexualmente enquanto outras se limitam a ficar por ali a pastar? Porque precisam alguns homens de trinta orgasmos por semana e outros, nenhum? Por toda a gente ser diferente. O problema está na maioria querer ser igual. Acham mais fácil ignorar simplesmente este aspecto fundamental da condição humana. Têm tais ânsias de ser parte do grupo que traem a própria natureza para lá chegar.
O problema surge porque se uma coisa der prazer ou for fortemente desejada mas proibida, ela torna-se numa obsessão.
Pensem nisso.

sábado, fevereiro 17, 2007

Procura-se uma “cara-metade” ou um “corpo-metade”?

Platão n’O Banquete, pela boca de Aristófanes, explica porque buscamos, através do amor, a outra metade que perdemos algures.
No início, homens e mulheres eram redondos, como o sol e a lua, eram ambos macho e fêmea e tinham dois órgãos genitais. Em alguns casos ambos os orgãos eram machos... E o mito continuava. Estes eram seres auto-suficientes e orgulhosos. Desafiaram os Deuses de Olimpo, que os puniram cortando-os ao meio. Foi esta a mutilação que a humanidade sofreu. De modo que, geração após geração, buscamos a outra metade, ansiando ser de novo inteiros.
Mais à frente Aristófanes também diz que o encontro sexual permite um esquecimento de nós próprios, mas a dolorosa consciência da nossa mutilação é permanente.
E pouco fica por dizer.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

A Maldição da Papoila



Quem viu ontem à noite o documentário exibido na 2:, antes de mais um episódio de “Sete Palmos de Terra”, ficou a entender melhor que o interesse ocidental no Afeganistão vai muito para além da luta antiterrorista.
A partir do momento que se chegou à conclusão de que 85% da heroína que entra na Europa é proveniente daquele país do subcontinente indiano, é natural que muitos pressupostos, relacionados com o tráfico e comércio actual das drogas duras no velho continente, sejam colocados em causa.
Para quem associava este país unicamente às imagens da guerra contra Bin Laden e o seu regime talibã, as mulheres de burka (etc.) , não deixou de se surpreender com o que viu neste documentário. Mostrou-se, desta vez, um grande número de afegãos toxicodependentes a vaguear pelas ruas de Cabul e a injectarem (nos braços) heroína comprada a 1 euro a dose, a poucos metros de uma população (indiferente) que circulava entre aqueles; as várias dezenas de hectares de campos de cultivo de papoila, não muito distantes do centro da capital; e as grandes mansões situadas num dos bairros mais protegidos da cidade, que têm como proprietários os principais “empresários” da papoila na região e alguns membros do actual governo. Há quem tenha provas que a sua ligação ultrapasse a de simples vizinhança.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O lado lúdico da vida de um administrador de condomínio

“Olá, estás bom? Era só para avisar que esta noite devo chegar mais tarde a casa. Podes pôr o lixo lá fora? Amanhã compenso-te.”

Mensagem escrita recebida, ontem à noite, no meu telemóvel.
Antes que tais palavras dêem azo a más interpretações, eu passo a explicar: este ano calhou-me a vez de ser co-administrador do condomínio do prédio onde vivo, e partilho tal função com o meu vizinho do primeiro andar (esquerdo). A mensagem era dele, pois calhava-lhe a tarefa de colocar o caixote de lixo na rua. Tarefa esta que nem está no “top ten” das tarefas mais chatinhas deste “importante” cargo. Assim sendo, para os mais atónitos ainda digo: nem queiram conhecer as piores!
Já vou começando a estar habituado a sms deste género provenientes deste meu vizinho e “sócio” da administração do prédio. É que o pobre rapaz, para além de ser co-administrador do prédio nos “tempos livres”, também dá uma “mãozinha” (e com certeza, mais qualquer coisa, para o mal de alguns e o bem de outros) na "força de elite" da nossa GNR e faz uns “biscates” na secção de “minas e armadilhas”. Como de vez em quando alguém apetece-lhe ligar para o aeroporto confessando que terá deixado por lá uma mala com um conteúdo digamos... explosivo, faz com que o “desgraçado” tenha que ir até lá indagar da situação. Depois, é claro, torna-se impossível cumprir as responsabilidades que assumiu perante os outros condóminos na última reunião - que ficaram lavradas em acta, registada (esclareça-se) - e estou cá eu para o substituir! Entretanto, claro, no dia seguinte ele compensa-me... Isto é giro: “ai e tal faz-me isto que eu depois faço-te aquilo”. Como diz uma amiga minha brasileira: “parece coisa de casal”.
Estávamos nós, eu e o meu vizinho-policia-calmeirão-co-administrador, uma manhã destas, no banco para fazer a mudança de assinaturas da conta do condomínio, quando nos é informado ao balcão, depois de mais de um quarto de hora de fila, que tal teria que ser tratado com “a colega que está ali sentada, da secção de empresas”. Também é gira esta segregação: os “pobrezinhos” dos depósitos de 10 euros ou a gente das cadernetas por actualizar para um lado (que é como quem diz, para a fila), os cromos das empresas – mesmo que seja um mero condomínio de um prédio – para o outro (que é como quem diz, atendimento rápido e personalizado, sentadinhos numa confortável cadeira). Dirigimo-nos à tal “colega”, cumprimentamo-nos e sentamo-nos à sua frente, entregando o livro de actas. Ela faz uma breve leitura da última acta, sorri e pergunta-nos:
- Então, vêm fazer a mudança dos titulares da conta de condomínio?
E eu, rezingão como costumo andar por estas horas da manhã e depois do tempo perdido numa fila desnecessária, lembrando-me do comentário da minha amiga, fiquei com alguma vontade de responder:
- Não, isso que acabou de ler é o registo do nosso casamento e viemos pedir um empréstimo para comprar casa e para pagar a viagem de lua-de-mel à Nova Zelândia.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Jura que é tempo de viver as nossas paixões proibidas, minha doce flor-e-bela fugitiva?

A fotonovela de horário nobre.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Adultos em crescimento


“Little Children”, título original, ou “Pecados íntimos”, na versão nacional, é um filme incómodo. Nem quero imaginar a quantidade de pessoas presentes naquela sala de cinema, onde fui ver este magnífico filme, que se reviram em qualquer um dos protagonistas da história.
Parece, à partida, um filme feito de encomenda para pessoas à beira da ruptura (qual terapia de grupo!), saturados com a sua vida familiar cheia de rotinas e de vícios, tudo aparentemente normalizado. Em “Little Children”, torna-se óbvio que estes “donos(as) de casa desesperados(as)” necessitam “desesperadamente” de algo mais para lhes dar algum ânimo e outro sentido às suas (tristes) existências. O adultério poderá ser uma solução? Aparentemente sim. Mas na derradeira parte do filme, quando todos julgávamos que a felicidade tinha sido alcançada com um caso extraconjugal, e que este poderia ser, de facto, a alternativa óbvia a uma vida familiar cinzenta, o seu argumentista, surpreendentemente, decide que as suas personagens tomem um outro rumo, no sentido de explorar as verdadeiras causas das suas angústias e frustrações. Em resumo, uma preciosa lição de vida para quem embarque nesta verdadeira aventura cinematográfica. É que afinal, os tais “pecados íntimos”, que alguém teve a infelicidade de lhes chamar e de nomear um filme destes, não passam de um mero pretexto para que os seus “pecadores” (e nós) entendam(os) que os problemas pessoais não se resolvem com traições ou com outros tipos de “pecados”. Para além de que é habitual, quando algo não funciona e comecem os conflitos, em vez de assumirmos as nossas próprias culpas e fragilidades, preferirmos, antes, descartar as responsabilidades para cima de algo tão abstracto como o “casamento”, o “casal”, a “relação”, o “pedófilo”, ...
Aprende-se tanto com este filme. Sempre que o seu narrador comentava, ficava na dúvida se estava a contemplar um documentário sobre a vida de uma nova espécie de macacos (algures no meio de uma floresta na América Latina) no Discovery Channel, ou a assistir a um filme com seres humanos idênticos a todos nós.
Então o que mais nos ensina, em concreto, esta película?
Que às vezes é preciso ver e ouvir as crianças para nos entendermos como adultos, que é preciso sermos imaturos e irresponsáveis para sabermos crescer, que é preciso sacrificar alguma coisa ou alguém para sabermos, não só o seu verdadeiro valor mas, o quanto realmente valemos.
No fim, para os mais pragmáticos, aqueles que se acomodam à vida que não queriam ter (caramba, o meu post sobre as “filas de trânsito” faz aqui tanto sentido), o narrador ainda tem tempo para lhes dizer: “Não podemos fazer nada com o nosso passado, mas com o futuro já é outra história. E terá que se começar em qualquer lugar.” Num parque infantil, como em “Little Children”, ou em qualquer outro sítio. Depois é preciso saber crescer e evoluir e não ficar por lá eternamente, como Brad, no parque dos skaters.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

World Press Photo of the Year


de Spencer Platt, BEIRUT, Líbano - 15 de Agosto de 2006
Foto muito curiosa. Os contrastes e a banalização da destruição (e da violência) nos nossos tempos.

Lá ao fundo, o que terá o gajo a dizer ao telemóvel?
Pá ... adiante, a minha casa foi-se!... Xiii, tá agora a passar aqui a Roula e as primas. Tá cada vez mais boa, a gaja, que bomba, dasse!... tá-se?

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Petacol

Colocar actores famosos a fazer publicidade de um produto lácteo para reduzir o colestrol está longe de ser uma grande ideia.
Hey... eles passam a vida a mentir, representando, e até fazem sexo de cuecas! Quem é que ainda cai na “cantiga” deles? Devem ter menos credibilidade do que uma promessa de “no more gafes" feita pelo nosso ministro da Economia.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Notícia do dia/mês/ano/...


Beastie Boys (finalmente) em Portugal!

Em Lisboa, no dia 10 de Junho, no "Alive Festival" (cheira-me, também, a Pearl Jam). Depois de Nine Inch Nails, Bloc Party, ... Salvé, 2007!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Boas acções

João Jardim diz que os apoios que dá ao "Jornal da Madeira" só servem para manter o pluralismo.

Seguindo o exemplo:
Pinto da Costa acaba de confessar que todos os presentes que oferece(u) aos árbitros servem só para promover o fair-play.
Isaltino Morais não dá aumentos aos seus empregados da Câmara, mas serviu-lhes uma saborosa (pelo menos foi essa a ideia com que se ficou depois de se ver as reportagens nos vários noticiários) feijoada.
O meu boss diz que só dá aumentos até 3%, face às condições instáveis do mercado e yadayada..., e que tal nos sirva de consolo.
E eu, se assim for, não lhe dou mais de dois meses para o mandar, a bordo do seu novo iate, dançar o corridinho para a Ilha do Ti’Alberto. Se não lhe servir, que plante bananas!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Esta gente das filas


Quando passo ao lado daquelas filas de quilómetros de carros, para além da grande sensação de alívio (por lá não estar), penso o quanto distante estou desta “gente das filas”. É também nestes momentos que percebo que nasci demasiado rebelde e contestatário para me manter alinhado em filas ou para ter uma vida com uma trajectória pré-definida.
A vida pode ser feita de opções e quando há mesmo essa possibilidade... escolhe-se. E para evitar tal “fado”, por entre outras razões, acabei por escolher viver e trabalhar fora de Lisboa. Se não tivesse essa possibilidade de escolha e tivesse mesmo que trabalhar na capital, optaria por usar um transporte público ou ir de mota. Há sempre outras opções! Sei que há uma que nunca optaria: a (evitável) fila.
Até poderia haver dezenas de atalhos e percursos alternativos, que qualquer uma destas pessoas acabaria por optar (inconscientemente?) pelo caminho habitual, mesmo sabendo que lá mais à frente irá ser inevitável o abrandamento e a paragem, simplesmente porque não foi a única a não quebrar a rotina. Todos os dias é a mesma coisa, sempre com uma vaga esperança de que é naquele dia que tudo vai melhorar. Casos sem redenção possível de pura ilusão ou de um optimismo frustrante?
As pessoas não mudam, os seus problemas também não. Minto. Elas mudam. Mudam de faixa de rodagem porque acham que a outra anda sempre mais depressa. E é esse o seu maior desafio. Para estes indivíduos, os congestionamentos deixaram de ser um problema e passaram a ser um autêntico modo de vida.
Esta imensa maioria que opta sempre pelos mesmos caminhos e que está dependente de uma valente dose de “calor humano” para sobreviver, é a mesma que organiza autênticas “excursões” e passeatas para os centros comercias, que faz do parque das nações, ao fim-de-semana, uma feira popular sem carrosséis, da Caparica, no Verão, um verdadeiro inferno (mesmo sem estar muito calor) e da inauguração de uma ponte, um acontecimento para a posteridade – e porque não parar e tirar umas fotos? Parece que agora nem os museus escapam.
Intimidam-se com o desconhecido e acham que os riscos só lhes dão prejuízo. Gente de hábitos e tradições inquebráveis, que fazem das “regras” que lhes foram incutidas desde criança e da “lei” popular, o seu código civil. Nada se questiona, nada se coloca em causa, tudo lhes parece demasiado óbvio para tal. Acomodando-se, seguem pelo caminho, certo ou errado (para eles será sempre o certo, se têm à sua frente toda uma imensidão de pessoas que optaram pelo o mesmo, logo, só poderão estar no correcto!), previamente definido e delineado, nem sempre pelos próprios. Como uma fila de trânsito.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

O “vosso” banco já mudava de agência publicitária


O novo spot televisivo do Banco Santander Totta, num rácio qualidade/custo, deve ser dos piores anúncios que já vi até hoje.
Para além de estar tão mal dobrado que faz parecer qualquer dobragem de série italiana dos anos 80/90, uma campeã na sincronização (das “falas” com as “bocas” dos actores), trata-se de uma cópia “chapadinha” do videoclip “Seven Nation Army” dos White Stripes. Nem nas cores conseguiram ser originais...
Ainda por cima, participa aquele actor/apresentador “betinho” que se emocionou com o discurso de Santana Lopes, quando este perdeu as últimas eleições para o Sócrates. Só faltou convidar o “humorista” Aldo Lima e era o “pleno”.
Consta que esta “brincadeira” custou 2,5 milhões de euros. Parece que o “vosso” banco, para além de gostar de "superar as vossas expectativas", está rico!