quinta-feira, abril 26, 2007

O meu ponto R(acional)

Só me foi dada a conhecer através do sítio do Markl. Felina é criticada – quase na mesma proporção que é elogiada – porque expõe a sua intimidade num blogue. Basicamente limita-se a descrever, com muita sensualidade, os jogos sexuais com o seu parceiro e o melhor que se pode tirar disto, é entender este seu orgulho com que o faz. Orgulho por ter uma vida sexual intensa e completa, saudavelmente partilhada em forma de prosa erótica. Não se trata de uma ideia original mas, ao contrário de outros blogues da mesma “família”, há que a congratular por fazê-lo através de uma linguagem cuidada e nada vulgar. O sucesso do seu “Ponto G” já deu frutos: há um livro publicado com os relatos da sua autoria. De resto nada mais nos devia surpreender ou não fosse o sexo, nas suas múltiplas vertentes, sinónimo de sucesso em qualquer tipo de “negócio”.

Do meu ponto de vista, Felina só falha num ponto. Não está directamente relacionado com as suas “histórias quentes” e está longe de ser uma falha consciente. O erro passa acima de tudo pela percepção que os seus leitores possam ter das suas palavras, nomeadamente quando a Felina-sexual se transforma na Felina-sexóloga. Um exemplo. Num dos seus últimos posts, ela responde a um e-mail de um “fã” que lhe solicita ajuda para tentar convencer a sua parceira a fazer sexo anal. Felina aborda, e bem (há que dizê-lo), o preconceito de algumas mulheres face a esta prática sexual, digamos, menos convencional. Entrando por uma vertente pedagógica – ela assume que não tem formação na área mas em contrapartida possui uma “experiência muito sólida” – acaba por dar conselhos bastante práticos que faziam corar a mais desinibida das conselheiras do diário da “Maria”. O “problema” começa aqui. Quem lê aquelas palavras e se reveja no caso, interpreta que a recusa da namorada em fazer sexo anal é um mero problema de tabus a ultrapassar. Pode ser... mas também pode não ser. Pode haver medo... mas também pode não haver qualquer prazer. Assumir por palavras bonitas e corajosas que todo o sexo é um dogma e que o preconceito é a resposta “chapa 5” para todos os “traumas” sexuais é pura fantasia e especulação. O prazer (mutuo) deve ser a base para uma relação sexual saudável e é só isso que está aqui em questão.
Por fim, e como já disse à Felina, se uma relação entra em crise só porque alguém não tolera a não predisposição do outro para submeter-se a uma “pequena dor” durante uma prática sexual, é porque há por aí algo bem mais importante em jogo que deve ser ponderado. Mas se há acordo de ambas as partes para que o masoquismo light ou a submissão compulsiva (e inconsciente) entre na sua vida íntima, já cá não está quem escreveu isto!

terça-feira, abril 24, 2007

Olha a série fresquinha!



Só há pouco tempo tive conhecimento de que a TVI andava a passar esta bela e premiada série. Já vai na segunda época e passa por volta das 2h30! Chamaram-lhe “De mal a pior”!

Com algumas traduções de títulos de filmes e séries que aparecem por aí, fico com a sensação que a pessoa que dava nome às revistas do Parque Mayer fez uma grande escola.
Assim deixo algumas sugestões para novas séries a ser adquiridas pela TVI, a passar no próximo horário que ficar livre entre as 4 e as 5 da manhã, ou pela RTP, a passar depois da hora de almoço no primeiro e quarto domingo de cada mês ou nos dias e nas horas em que o Nuno Santos lhe apetecer.

Entourage (HBO) – A vida é lindaaa
Oleg the taxi man (Fox) – O´leg olhó taxista
Are you smarter than a 5th grader? (Fox) – És esperto como o Sócrates?
Thank God You’re here (NBC) – Valha-me Deus, tás aqui tás ali!
Drive (Fox) – Prego-a-fundo
Law & Order: Criminal Intent (NBC) – O advogado é que decide
Medium (NBC) – Esfrega-me a bola de cristal

segunda-feira, abril 23, 2007

Monday bloody monday

Não adianta mantermo-nos pacificamente no nosso lugar porque qualquer pequeno passo que possamos dar já pudemos, inconscientemente, estar no meio de mais uma batalha. Pior do que estarmos desprevenidos para uma guerra não provocada, é confrontar com um inimigo que nos estende uma mão para cumprimentar e com a outra aplica o primeiro golpe.
E as batalhas mais sangrentas não são as que se limitam a abrir novos golpes, mas aquelas que reabrem as feridas que levaram tanto tempo a sarar.

sexta-feira, abril 20, 2007

Causa e consequência


A forte competitividade e a (consequente) desintegração social nas sociedades ocidentais têm destas terríveis consequências.
Os suicídios, entre outros comportamentos radicais, já provaram não serem suficientemente eficazes para tomarmos consciência disto. Às vezes é preciso apontarem-nos uma arma.

quarta-feira, abril 18, 2007

O melhor do pior

O balanço do mês de Março da oferta televisiva, realizado pela Associação de Telespectadores (ATV), uma das associações que representa o espectador (qual espectador?!), realça pela positiva programas como "Príncipes do nada" (RTP), "Missa dominical" (TVI) e "Livro de Reclamações" (SIC). Pela negativa, critica "Festival da canção" (RTP), "Hora H" (SIC) e "A bela e o mestre" (TVI).

Eles deviam ter que apontar um programa "menos mau" para cada canal e a "Missa" deve ser mesmo o melhor que a TVI tem para nos mostrar. Para além das pernas da Marisa Cruz, os olhos da Joana Solnado e o corpo de José Fidalgo.

segunda-feira, abril 16, 2007

É um Nissan "Cascai(s)" tá-a-ver?


A Nissan depara-se com um fenómeno anormal de procura de um veículo para o qual não estava minimamente preparada. Não estamos a falar nem de um típico veículo ligeiro, nem de um jipe, nem de um SUV… é uma mistura disto tudo! “O Melhor de vários mundos”, dizem eles. O Qashqai é um carro versátil, não catalogável, que não deixa ninguém indiferente e que acaba por abranger vários tipos de potenciais compradores. E o brilhante anúncio do “carro-skate” também marca a diferença.
Este carro tem tudo para ser um sucesso estrondoso (pelo menos enquanto não tiver concorrência) e ainda por cima tem um preço que não nos faz desaparecer do stand à mesma velocidade com que o Mourinho muda de ideias se quer ou não ficar no Chelsea. Está longe de ser um carro barato, principalmente se compararmos com os preços praticados em Espanha, mas, digamos, para o carro que é e o motor e o equipamento que tem, é menos caro. No entanto sejamos sinceros, a Nissan é uma marca nipónica bastante conceituada mas não é uma marca de “volumes”. Acomodou-se a vender veículos para nichos de mercado bastante específicos e as suas últimas apostas têm sido exclusivamente para veículos 4X4, tinha que vir agora uma espécie de carro TT, com um nome, na mesma proporção, esquisito e chique, “Cascai(s)”, quebrar-lhes a rotina.
Quer queiramos, quer não, este é o modelo mais importante que a Nissan lança nos últimos 10 anos.
O meu cunhado, vendedor da marca, disse-me que neste momento os pedidos de encomenda são tantos – para o habitual volume da Nissan – que o novo sistema informático que fornece as previsões de entregas entrou em colapso e deixou de dar dados minimamente coerentes. De qualquer forma, ele, disse-me que já houve alguém que aceitou encomendar um Qashqai com uma possível entrega para Setembro (!?). Para mim ainda mais difícil de entender que alguém aceite esperar 6 meses pela entrega de um carro, é compreender como nos nossos tempos, com tantos estudos de mercado e técnicas de produção tão desenvolvidas, uma multinacional que já anda neste negócio há tantos anos, não consegue responder eficazmente à procura de um novo modelo.
Também poderemos estar perante uma situação denominada na gíria dos vendedores por, e perdoem-me a expressão, “tesão do mijo” – a procura desenfreada no momento do lançamento dos veículos – mas há quem garanta que se trata de uma “erecção” demasiado prolongada para ser um mero fenómeno pontual.

Para quem acha que um carro destes – mais alto e pesado que os “ditos” normais – perde em aerodinâmica, estabilidade e potência (mesmo só com os 106 cavalos, nas versões com motor 1.5 dCi), nomeadamente nas curvas, sugiro que faça um test-drive. Quem já tenha conduzido este ou um Scenic ou mesmo uma Megane (penso que o motor, se não é o mesmo, deve ser muito semelhante) saberá certamente do que falo.
Existem 3 modelos: o Vísia, o Acenta e o Tekna. Do primeiro para o último, a diferença está nos equipamentos de série e opcionais, e, claro, nos preços: pode ir dos 23.949 euros, o Vísia 4X2 1.6 a gasolina, até ao Tekna 4X4 com um motor a diesel 2.0 que custa no mínimo 36.390 euros (preços de catálogo) – sem querer ferir susceptibilidades e provocar a frustração a alguém, acrescento ainda que este modelo 4X4 mais completo pode ser adquirido pelos espanhóis, mais ou menos, ao mesmo preço que um português compra um Vísia, sem extras. Informo, também, que a partir do modelo Acenta é possível encomendar este carro com tecto panorâmico e como já estive dentro de um, posso garantir-vos: é de sonho.

Mas vamos ao mais importante: a utilidade. Para que serve então este crossover, quase SUV quase jipe, se não pode sair das estradas? Serve para o resto e servirá para embelezar o nosso parque automóvel. Nem que seja para “combater” esta “praga” de carrinhas “familiares” francesas e alemãs que se vendem como pãezinhos quentes por cá. Fica então provado que a escolha de um carro, pode estar por vezes muito mais condicionada por “emoções” do que por “razões”. Como quase tudo nesta vida.

sexta-feira, abril 13, 2007

A/C de J. Marcelino (novo director do DN, ex-director do CM)

- O João César das Neves deveria passar a ter uma rubrica diária, entre os classificados "Convívio" e a secção "Polícias e Ladrões", com os seus contos e/ou opiniões que passaria a chamar-se: "Não há almoços grátis, nem jornais isentos e muito menos deve haver desvios às normas sociais que eu defendo, Amén".
- Seguindo a lógica dos novos suplementos DN Televisão, DN Bolsa, DN Sport, DN Gente, eu sugeria, também, um DN Culinária, DN Escândalos, DN Crime à facada, DN Crime à machadada, DN Outros Crimes (menos interessantes mas que contenham muito sangue).
Para já é tudo. Obrigado.

quinta-feira, abril 12, 2007

Angústia

Não acreditava que um dia destes chegasse. E agora, Março de 2007, veio com a brutalidade de uma explosão no peito. Não imaginava que fosse assim, tão doloroso e, ao mesmo tempo, tão pouco digno como a velhice e a decadência. Tão reles. O olhar de pena dos outros, palavras de esperança em que não têm fé.
O escritor António Lobo Antunes revela na sua crónica semanal na revista "Visão" - escrita no hospital - como recupera de uma operação, depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro.

Eternos solteiros

A opção de partilhar uma vida com mais de uma pessoa pode não ser, ou não é mesmo, sinónimo de promiscuidade, de alguma forma de desequilíbrio emocional ou até de receio de se sentir preso a uma rotina.
Senão vejamos. Já está mais que provado que a promiscuidade não é uma característica exclusiva dos solteiros (antes pelo o contrário) e que um equilíbrio emocional pode ser alcançado sem que haja, pelo meio, a bênção de um padre e/ou a presença de testemunhas. E rotinas, quer queiramos quer não, inconscientemente, todos temos. Não somos uns animais racionais de hábitos irracionais?

Há quem seja solteiro por circunstâncias da vida ou por vontade própria. Há quem procure eternamente a “pessoa certa”, há quem simplesmente nada procure. Há quem procure tudo e todos e há quem prefira nem sequer ser achado. Aqui não se deve aplicar generalizações. Estamos a falar de pessoas autónomas, heterogéneas, com características muito diversificadas. Estereotipá-las seria um crime. Apelidá-las (a todas) de egocêntricas faz tanto sentido como chamar acomodados a todos os casados ou unidos de facto.
Houve quem me tenha alertado para o facto dos solteiros serem menos tolerantes à diferença, justificando o facto de que só alguém casado tolera viver e partilhar a sua vida com um ser diferente ou, até em última instância, com o oposto. Poderá não ser mentira, mas será a partilha o maior trauma de qualquer solteiro? A partilha de bens, de um espaço, de uma cama pode ser algo que até não os incomode, mas certamente quando tal é feito de uma forma forçada e inconsciente acaba por tirar, mais tarde ou mais cedo, o sono a muitos solteirões inatos. É este tipo de “pressões” que eles não toleram. Pois de resto, parece-me a mim que: “mi casa es tu casa e já agora tenho ali umas camisas para passar a ferro...”!

Também há quem afirme que os solteiros são menos socializáveis. Na realidade estes não estão tão dependentes do carácter social como os que mantêm uma relação oficializada e é preciso relembrar que, aos olhos de muitos, um relacionamento só tem valor, exclusivamente, se for revelado aos olhos dos outros. Há uma espécie de interdependência que produz uma certa estabilidade social, mesmo que esta, por vezes, seja só aparente.
Há, por um lado, “zonas de acesso restrito” que são mais comuns para quem opta por “juntar os trapinhos”. Por norma, um casal forma um espaço subconscientemente delimitado e socialmente respeitado. Caso contrário, qualquer interferência abusiva no seu espaço poderia ser visto como um indício de instabilidade. Existe, no entanto, situações em que tal interferência é consentida ou mesmo incentivada por uma ou as duas partes do casal. Criou-se, por exemplo, a troca de casais e os mais variados tipos de “aventuras” extraconjugais. O sucesso destas últimas deve-se sobretudo à rapidez com que se converteu uma vontade de “variar o prato” e a adrenalina de “saltar a cerca” numa “nova” fantasia sexual. À mesma velocidade com que uma jóia no dedo anelar passa de um símbolo social a respeitar, para ser o principal pólo de atracção no “mercado do sexo”. O que faz com que, hoje em dia, há quem leve a sua adrenalina ao rubro por se envolver com alguém casado, julgando estar a cometer uma tal proeza, como se aquela “espécie”, condicionada pelo seu respectivo estado civil, tivesse poderes excepcionais na cama, que outra - aquela que não quis “brincar aos casamentos” - não tem. Poderá ser o poder da “queca bem cronometrada”, porque o tempo é limitado e uma reunião ou um jantar de negócios não podem durar uma eternidade. Enfim, o fruto proibido também pode ser o mais aborrecido.
Por outro lado, há que ter em consideração a grande pressão desta sociedade, de grandes tradições e costumes, que cria automaticamente suspeições sobre a orientação sexual de todos os homens solteiros e de colocar em causa a honra das mulheres que optaram igualmente por uma vida independente.

A liberdade é um dos factores fundamentais na motorização dos relacionamentos humanos. São os seus limites que vão gerir o nosso grau de relacionamento com o outro. E o facto de não se ser solteiro significará possuir uma maior restrição de liberdades? Aparentemente sim, mas na prática não. Não há menos liberdades, há mais responsabilidades. Se assim não fosse - e passando por cima de toda a matéria fiscal que não é para aqui chamada mas que é, e há que dizê-lo sem receios, escandalosamente desfavorável para quem opta por seguir uma “vida a solo” - não fazia qualquer sentido haver distinção no estatuto de ser “solteiro” e de ser “comprometido”. Um facto: os divórcios estão mais relacionados com as responsabilidades do que com as liberdades. A restrição da liberdade num casamento pode ser castradora e meio caminho andado para a infidelidade ou a perversão, mas o relacionamento raramente termina. Já as irresponsabilidades inerentes a uma relação ditam, mais tarde ou mais cedo, o seu inevitável fim.

Solteiros ou casados, juntos ou separados, há algo que a todos é comum: ninguém gosta de se sentir isolado, alienado ou “fora de jogo”. Pois ainda não conheci alguém que não goste de se sentir identificado com outro (ou outros). Esteja(m) este(s), aqui ao nosso lado ou algures noutro sítio qualquer, mas para nos mantermos emocionalmente vivos, precisamos de ter consciência que existe(m).

terça-feira, abril 10, 2007

Obrigado?

Esta campanha publicitária do Ministério das Finanças a solicitar aos consumidores portugueses que peçam a factura até pode ser muito pedagógica mas tenho algumas dúvidas em relação à sua eficácia.
Entendo que o cumprimento das obrigações fiscais, em geral, depende essencialmente da vitalidade cívica do nosso país, mas há que relembrar que tal campanha é exclusivamente destinada aos compradores e não aos potenciais prevaricadores: os vendedores. E há que esclarecer, ao contrário da mensagem que se está a tentar passar, o acto de “passar a factura” não deve ser um mero favor a fazer a quem compra, mas sim antes uma obrigação de quem vende (de forma a oficializar o acto comercial).
Para ser sincero parece-me que o nosso “fisco”, não conseguindo controlar e fiscalizar eficazmente quem teria a obrigação de emitir tais facturas, está a tentar passar essa “batata quente” para o consumidor final.

E os resultados práticos de tudo isto? O vendedor vai continuar a ter a possibilidade de dar como alternativa, ao comprador, a não emissão da factura em contrapartida do pagamento de um serviço/bem razoavelmente mais barato (21%, a nossa taxa normal de IVA) e consequentemente não declarar todos os seus rendimentos. E o comprador, por sua vez, das duas uma, ou pede a factura, pagando o respectivo imposto, solidarizando-se com a campanha do M.F., com esperanças de receber muitos "agradecimentos" e de ver a “obra feita”, ou reforça as suas poupanças, temendo que tal quantia pudesse eventualmente financiar um qualquer projecto megalómano do actual executivo, com o qual discorda absolutamente.
Se com estes comerciantes não vamos lá (aproveitando ainda o slogan dos “gatos”) e se continuarem a fazer campanhas tendo como público-alvo os consumidores, não seria mais eficaz mostrar a estes o benefício de ter em sua posse a tal factura, nomeadamente como o único meio a recorrer caso tenham qualquer reclamação a fazer em relação ao serviço prestado ou pretendam trocar ou devolver o bem comprado, ou seja, caso pretendam accionar a garantia inerente aquela compra? Tão simples quanto isto.

Há alguns anos atrás criou-se um benefício fiscal no IRS para quem faça a proeza de juntar uma boa dezena de facturas de alguns tipos de despesas, pois poderá no ano seguinte deduzir 25% do IVA pago. Este benfício tem um limite de 50 euros (!). Ou seja, o nosso estado para além de estar a tentar passar para nós, consumidores, a função de controlar obrigações fiscais que não nos dizem directamente respeito, também parece querer passar-nos um atestado de estupidez.

segunda-feira, abril 09, 2007

Actor completo


Fiquei deveras espantado com a interpretação de Christian Bale no filme “O Maquinista” (de Brad Anderson), que só agora tive oportunidade de ver em DVD. Para além da fabulosa interpretação deste actor, é impressionante a forma como o seu corpo se transformou numa espécie de esqueleto andante. A magreza do protagonista principal é um dos pontos marcantes deste filme e o realizador soube tirar partido dela, mostrando-a sem censura e moderação. Ora conhecendo este actor (e o seu corpo) de outros filmes como “Psicopata Americano”, “Batman - O Início”, “Shaft”, “Equilibrium”..., a minha estupefacção torna-se ainda maior. É caso para se perguntar: entre a sua performance e esta capacidade de auto-transformar o seu corpo, com que proporção se avalia a qualidade de um actor?
Bill Murray é um actor de culto e no entanto não me parece que seja muito versátil, parece-me aliás que salta de filme para filme e a única coisa que faz é ter que estudar o guião e trocar de guarda-roupa. O consagrado Jack Nicholson também. Por exemplo, já a lindíssima Charlize Theron surpreendeu tudo e todos quando sacrificou o seu belo corpo para interpretar o difícil papel de uma prostituta psicopata em o “Monstro” (Patty Jenkins). Estava irreconhecível. Valeu-lhe o óscar para melhor actriz e uma das interpretações mais marcantes de sempre do cinema americano. Por falar em grandes interpretações, óscares e sacrifício do corpo (mas que nunca chega ao extremismo do corpo esquelético de Bale), também se torna inevitável fazer referência a Adrien Brody em “O Pianista” de Roman Polanski. Atenção, não estou a falar de efeitos especiais ou de caracterização a la Eddie Murphy, mas dessa capacidade de mutação ou sacrificar o seu próprio corpo em prol de uma encarnação integral de um personagem. Tal não está altura de qualquer actor e o cachet que paga um sacrifício deste calibre não envolve só dinheiro mas também entrega, dedicação e amor sem limites ao trabalho que se tem.
Neste momento não me incomoda tanto a injustiça de Christian Bale não ter um óscar a decorar a lareira de sua sala, mas muito mais a sua imagem na minha memória com aquelas vértebras e costelas assustadoramente salientes, a dois milímetros de romperem a pele.

quinta-feira, abril 05, 2007

Contracartaz


Numa Rotunda do Marquês mais perto de si.

quarta-feira, abril 04, 2007

Pequeno ensaio sobre a cegueira (ou a lucidez)

Não vale a pena fingir que não vemos gravidade nisto. As pessoas esquecem-se, mas desde o tempo das FP-25 - como o nome indica, uma excrescência do período pós-revolucionário - que há mais de vinte anos a violência política em Portugal veio sempre desta extrema-direita. Espancaram um actor, esfaquearam até à morte um sindicalista, fizeram uma "caça ao negro" pelas ruas de Lisboa, e em matilha assassinaram o português Alcino Monteiro pelo crime de ser mulato e passear pela cidade. Recentemente foram provocar imigrantes para o Martim Moniz, apostaram forte no concurso dos Grandes Portugueses e passaram para a fase da propaganda xenófoba. Mudam de sigla, contornam cuidadosamente a lei, fazem da desonestidade a táctica principal. Quem tiver estômago para os procurar na Internet verá que se estão a organizar. Os jornalistas que se dão ao trabalho de os investigar ficam assustados com histórias de tráfico de drogas e extorsão. Mas quando eles vieram empunhar orgulhosamente as suas armas ilegais na TV, o mesmo Pacheco Pereira que vê sinais alarmantes em todo o lado minimizou o assunto para inventar fantasiosas equivalências com a esquerda. A mesma tese que continua a reciclar.
Rui Tavares

terça-feira, abril 03, 2007

"O jornal com as tuas medidas"

O “Jornal Inside” só me foi dado a conhecer pela notícia relativa ao post da Teresa-Apresentadora-Cantora-Actriz-Comediante-Engomadeira-vai-ao-domicílio-Guilherme. Entretanto, fui lá hoje verificar se havia desmentido de tal notícia e deparei-me com esta notícia:

Mar destrói paredão na Caparica

Junto dela a seguinte foto:



Estou a tentar imaginar que foto vai ser colocada junto de uma notícia de um maremoto. Pela via das dúvidas, vou estar atento.

segunda-feira, abril 02, 2007

Teresa Guilhermuni?

Por quem? Júlia Pinheiro, Manuel Luís Goucha, ...? Isso agora não interessa nada... Lá isso é verdade.