Mãããee, eu quero um detector, de um detector, de um detector... de radares!
Estamos? Obviamente que neste país ninguém gosta de fazer figura de parvo, muito menos a 50 Km/H. Não é que afinal já encontraram solução para isto. Eureka: os detectores de radares! Já se vende por tudo o que é lado. Um amigo meu comprou um sistema Home Cinema por um sítio de venda online e não é que veio um aparelhito desses como oferta? E não é que eu experimentei-o? E não é que aquilo funciona mesmo? Pelo menos apita que se dana, aliás, qual Júlia Pinheiro em dia de menstruação, o meu carro com aquele aparelho passou a ser oficialmente a viatura com mais barulhos irritantes à face da terra. São os sensores de estacionamento, são os sensores de portas e vidros abertos, de chave na ignição, de cintos não encaixados, de luzes acesas... Não há um quilómetro percorrido, uma manobra feita, em que não se oiça um barulho agudo! Aquele detector detecta mesmo tudo: radares fixos e móveis, nem os radares das portagens escapam – não fossemos nós esquecer de pagar a portagem. Para quem não quiser arriscar e tentar fazer a coisa menos “ilegal”, há quem já tenha tido a ideia de inserir toda a informação das coordenadas dos radares espalhados pelo país nos mui úteis sistemas GPS. Para isso basta fazer o download dos packs disponíveis em alguns sites da net. Pode ser um meio menos ilegal mas é, também, certamente o método menos eficaz.
Claro que a polícia sempre atenta a todos os meios de fuga não podia ficar a ver-nos passar (literalmente, a apitar) e ficar de braços cruzados. (Como se aqueles apitos estridentes não fossem por si só uma forma de auto-denúncia.) Consta que já há por aí carros da BT artilhados com detectores de detectores de radares!
E por aí a fora... Vamos chegar a um ponto em que um carro irá deixar de ser somente avaliado pelo seu motor, segurança e conforto de condução, para ser escolhido com base na capacidade de detecção dos detectores, dos detectores, dos detectores... de radares. Ah, e tudo começou com os malditos radares!

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