segunda-feira, março 31, 2008

Uma pizza só combina com uma salada de espinafres se ninguém ver


Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?
A pergunta arrepiou-me por sentir que ultrapassava a realidade da peça que via. Assistia a: “A Gorda” (Fat Pig, escrita pelo americano Neil LaBute), que está em cena no renovado Teatro Villaret, em Lisboa, até 1 de Junho. Relata a história de Tomás (Ricardo Pereira), um rapaz magro e elegante, um yuppie dos nossos tempos, que se atrai e apaixona por uma rapariga gorda, Helena (Carla Vasconcelos), bem como todas as respectivas peripécias em volta deste relacionamento. Obviamente que o assunto principal desta peça passa pela forma como ambos reagem ao verem-se confrontados com os preconceitos da sociedade contemporânea, obcecada com a imagem, que rejeita todos quanto fujam aos padrões de beleza instituídos.
Uma tragicomédia. Há muitos momentos humorísticos, sobretudo com as intervenções de Castro (Carlos António), o amigo e colega de escritório de Tomás, sexualmente activo e muito exigente face ao sexo oposto; mas também há momentos dramáticos quando o casal é confrontado com a realidade e os estigmas do meio social envolvente. É, inclusive, este realismo cruel que torna esta peça incómoda. Porque uma relação só adquire realidade se tiver uma face social, caso contrário não passa de uma fantasia a dois. Não é fácil de assumir e tornar visível um relacionamento que não seja socialmente bem visto, pois teme-se a responsabilidade que advém dessa parte social. Daí a importância da pergunta que saiu da boca de Helena, ao perceber que o seu companheiro evitava aparecer publicamente com ela, em locais onde poderia ser reconhecido por amigos e colegas de trabalho: “Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?” Ela parecia adivinhar a resposta dele pois tinha perfeita consciência da sua condição física e até brincava com ela (“gozando com eles é uma forma de contornar os nossos problemas”). O que ela certamente não estaria à espera era do seu depoimento confessional final, quando Tomás assume toda a sua fraqueza e incapacidade de levar o relacionamento adiante.
Personagens estereotipadas e superficiais, realismo cultural americano, problemas universais (preconceito, falta de princípios e de “tomates” para assumi-los, fraqueza das convicções). É sobretudo disto que é feito esta recomendável peça.

sábado, março 29, 2008

Basicamente, é isto

O Que Há, Fernando Pessoa

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

quinta-feira, março 27, 2008

Um elefante maior que a lua

Ou então estar quase quase para bloquear um' "a marquesa" como o nome oficial do hino francês. Vá lá, "a bolonhesa", estando lá como outra hipótese, escapou por pouco.

Por exemplo. (II)


terça-feira, março 25, 2008

A Outra:

é a que acaba por sempre a mais bem comida.

segunda-feira, março 24, 2008

Por exemplo.


domingo, março 23, 2008

O que tu contribuis para a minha infelicidade

Como ser socialmente influenciável que sou - copio modelos de vida e dependo naturalmente de conselhos e orientações dos outros - acabo por ser sempre, no momento, o resultado da soma do meu estado espírito natural com o de quem estou – e que me influencia. Nesta socialização, para além de chegar à conclusão que existem pessoas infinitamente mais infelizes que eu, percebo que elas podem tornar a minha existência mais infeliz.
Karma ou vocação? Parece mesmo que há pessoas que só me escolhem ou procuram para partilhar tristezas e desgraças. O que eu mais oiço é: “ainda bem que te conheci nesta fase menos boa da minha vida... Felizmente tenho-te a ti!”. Curiosamente nunca ouvi: “acabei de ganhar o euromilhões, sou uma pessoa emocionalmente muito equilibrada e tenho uma saúde para dar e vender, queres-me conhecer?” Acredito que para quem tenha esse “espírito missionário” de solidariedade obsessiva perante a desgraça alheia, este tipo de partilhas seja muito emocionante, mas para quem anda por aqui a tentar obter alguma estabilidade e viver uma vida sem grandes “dramalhões”, este tipo de situações não lhes são de todo favoráveis. Por onde andavam estas pessoas na tal outra fase boa, feliz e próspera? Na fase em que faziam isto, aquilo e aqueloutro e tinham forças mentais e físicas para ir até ao cume do Evereste se fosse preciso. Agora que entram em depressão sempre que um (pequeno) obstáculo lhes surge à frente e não conseguem dar um passo em frente com receio de cair, é que precisam de alguém mais forte para se sentirem seguros. Seguros ou equilibrados mas sempre pouco confiantes. Porque essa característica dificilmente lhes posso passar ou não dependesse exclusivamente delas.
Estes pólos opostos atraem-se? Por mim, dispenso já esta teoria. Acredito mais numa que demonstre que uma forte oposição entre os dois pólos, produzindo uma luz baça, acaba por consumir energia desnecessariamente. Retenha-se isto: ninguém sai ileso destas (con)vivências muito desequilibradas.

quinta-feira, março 20, 2008

Insane Clown Posture

Era uma vez um palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio. Este palhaço nunca pôde ser mais do que aquilo para o qual dizia ter aptidão: dizer/fazer umas “palhaçadas”, em que a parte imberbe da assistência se ia rindo, enquanto a outra ficava indiferente, à espera de um número mais aliciante. Não podia domar animais, não podia fazer acrobacias de alto risco, não podia ser contorcionista, porque não teria competência para tal. Não deixava de ser um artista, mas querendo ser “o” artista – e para os outros ele era só um palhaço -, o destino fez dele um profissional sem consciência das suas limitações.
Num dia, quando o dono do circo disse que iria proceder a um reajustamento nos royalties, em função da rentabilidade de cada um dos seus trabalhadores, o palhaço foi o único que contestou. Desesperado, com receio de perder certas regalias que até então nunca lhe tinham sido sequer questionadas, ameaçou ir-se embora, sem não antes ter pedido um parecer ao seu público mais fiel. Como era de calcular: as crianças berraram pelo seu palhaço! Pretendeu com isto, nem tanto, um reforço da (sua) razão, mas sobretudo do ego - que inchava na mesma proporção da sua barriga e dos seus bolsos. Foi à conta dele (o seu ego) – e nem tanto do seu profissionalismo e atributos - que fez carreira.
Como um espectáculo com polémicas e sem um palhaço de serviço não vende bilhetes, o director do circo acabou por abandonar a sua irreverente iniciativa. A vida deste circo prossegue, sustentado por alguns números novos e com o velho número do palhaço velho lá pelo meio. O palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio.

terça-feira, março 18, 2008

Limites (III)


segunda-feira, março 17, 2008

Fuck of Death

Há terminologias e há fenómenos que eu preferia simplesmente desconhecer. Não acho, no entanto, que a atitude de ignorá-los ou tentar desculpabilizá-los pela sua pequena adesão ou popularidade seja um caminho a seguir. Essa foi uma das opções tomadas face à extrema-direita ou à anorexia - só para dar dois exemplos distintos - e no entanto o número dos seus “simpatizantes” nunca deixou de aumentar. No seguimento de algumas reportagens publicadas em revistas portuguesas e estrangeiras, tomei conhecimento da existência de orgias homossexuais de Barebacking, de Bug Chasers e de Gift Givers. Em poucas palavras, por Barebacking entende-se a prática sexual sem uso de preservativo, a Bug Chasers Party, são festas onde há indivíduos que procuram ser infectados pelo HIV, e os Gift Givers são os respectivos doadores do mesmo. A “Gift”, como já se percebeu, é - tão-somente a doença que matou milhares de pessoas no final do Século XX e prossegue a sua chacina pelo Século XXI, sem uma solução para a sua cura à vista - a Sida.
Comecemos pela vertente mais “soft”. O Barebacking, como bem se sabe, não é uma prática exclusiva de alguns homossexuais. A prática de sexo inseguro está enraizada na cultura da humanidade e afecta todas as vertentes sexuais. Está mais relacionada com instintos básicos e “provas de confiança” inquestionáveis, do que com fenómenos bem localizados. As pequenas orgias, a que a revista Sábado se debruçou, demonstram isso. Para se participar nelas não é necessário a apresentação de resultados de testes recentes de despistagem do HIV, basta a confirmação verbal num qualquer “chat” (onde se começa a planear estas festas): “tou limpo”. Portanto: a luz verde para participar em orgias, onde se pratica sexo desprotegido, só entre “gente de confiança”, é fornecida por meio deste meio virtual em que uma verdade pode deambular no meio de um deserto de mentiras e ilusões para cativar o próximo, dominado por “heteros” e “casados curiosos”, dos eternos “virgens”, dos “activos” imunes ao HIV, etc.
Mas, incrivelmente, há pior que isto. Se há quem participe nestas festas com a (in)consciência de que pode ser infectado e mesmo assim arrisque. Também há quem procure exactamente essa fatalidade. As festas onde os Bug Chasers são convertidos em Gift Givers, são populares nos EUA. Conversion’s Party, Russian Roulette Party, Gang Bang Party. Os nomes são diferentes, de forma a distinguir o número de participantes portadores do vírus, mas o objectivo final nem por isso. Mas que razões justificam esta espécie de suicídio lento e perverso? A principal arma de defesa dos adeptos destas “modalidades” é a liberdade de escolha e a suprema autonomia sobre o que fazer com o próprio corpo e com a sua existência. Para além de que banalizou-se uma certa de ideia de que a Sida poderá ser uma doença crónica e que com a evolução da medicina nesta área, poderá-se fazer uma vida completamente saudável e normal. Sobretudo esta gente acredita que ser infectado com o HIV não é transtorno suficiente para levar uma vida sexual dependente do preservativo. É importante, para eles, verem-se desprovidos de responsabilidades na prática sexual seja com quem for, melhorando, assim, a sua qualidade de vida sexual. No sexo ninguém - e sobretudo estes grupos - gosta de pensar em doenças e responsabilidades. Isto explica, em parte, essa glamourização do Bareback.
Pois, ninguém pensará também, com a continuação da prática sexual desprotegida com outros elementos contaminados, que a reinfecção viral pode precipitar de forma drástica o avanço da doença. E muito menos pensarão que esse tal voluntarismo e autonomia para contrair uma doença mortal ultrapassam a barreira da questão da “liberdade de escolha pessoal”, quando a medicação e tratamentos a que vão estar sujeitos, não serão pagos (na totalidade) por eles, mas por todos nós, contribuintes.
Para além da referida irresponsabilidade, a mais importante ilação a retirar destes casos parece-me estar na forma como estes homens resumem a sua existência ao prazer que tiram do sexo. Não me parece haver grandes perspectivas, grandes ambições, grande auto-estima e muito menos inteligência. Há apenas sexo e essa missão de querer espalhar deliberadamente uma doença que uma parte do mundo acha que só infecta os outros e outra que se esforça em combater.

sexta-feira, março 14, 2008

Ouvir dizer que...

... um homem é como um soalho flutuante: se for bem montado pode ser pisado durante mais de 30 anos.

Bichos

As traças e as calorias são bichos que convivem pacificamente nos nossos roupeiros, apesar até de possuírem funções similares junto da na nossa roupa. Os primeiros comem-na, os segundos apertam-na.

quinta-feira, março 13, 2008

Ajuda preciosa à distância de um X e nove números

O estado português permite que 0,5 por cento – não é muito, mas sempre é melhor que nada – do IRS liquidado reverta a favor de uma instituição de solidariedade social ou de apoio humanitário sem fins lucrativos. Para contribuir basta escrever, no Anexo H - Quadro 9 - Campo 901, o Número de Identificação de Pessoa Colectiva (NIPC) da instituição que pretendemos ajudar. Portanto, sem qualquer custo ou imposto acrescido pode-se estar a tirar a barriga da miséria de algumas pessoas ou animais.

Exemplos:
Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome – NIPC: 504 335 642
Liga Portuguesa dos Direitos do Animal - NIPC: 501 626 921
Associação ABRAÇO - NIPC: 503 170 151
(Nota importante. Antes de colocar o NIPC de qualquer entidade, será necessário confirmar previamente se ela pode beneficiar com tal regalia. Não esquecer que há associações nacionais que ainda não lhes foram atribuído o estatuto de utilidade pública. Por serem "demasiado polémicas", por exemplo, como acontece (infelizmente) com a Associação ANIMAL).

quarta-feira, março 12, 2008

O desespero

Num mesmo dia fui contactado por duas empresas de call center, devidamente apresentadas mas do qual os nomes não me recordo, que representavam, respectivamente, a TV Cabo e a revista Sábado. A primeira contactou-me com o objectivo de tentar uma reconciliação com aquela operadora de internet e TV por cabo. Passaram-me o “recado” de que a “galinha dos ovos de ouro” do grupo PT está interessada em ter-me novamente como cliente, pedindo para esquecer os conflitos que tivemos no passado em consequência de um mau serviço que prestaram - mas que nunca deixaram de o facturar, apesar de todas as reclamações por escrito que lhes enviei e das respostas ou interesse, da sua parte, em solucionar os meus problemas, que nunca obtive. Apresentaram-me condições de tal forma vantajosas e “excepcionais” que tive quase para mandar o meu orgulho “leonino” para as urtigas. Na próxima vez que implorarem talvez ceda, mas por enquanto o meu coração só tem espaço para uma empresa incompetente. A Brisa, pode ficar aliviada pois, mantém, por enquanto, o seu lugar cativo.
Para não variar, o contacto da parte da revista Sábado, também tinha um cariz promocional. Questionavam-me se estaria interessado em receber em casa os quatro próximos números desta revista semanal por 1€ cada. Sem compromissos – onde é que eu já ouvi isto antes? Uma boa oportunidade, sem dúvida. No entanto, rejeitei a proposta por considerar um negócio demasiado arriscado. Pois se há números em que me parece perfeitamente justo o valor pedido na banca, há outros que nem oferecido os queria.

terça-feira, março 11, 2008

Fotogenia

Uma foto só representa uma imagem estática. Portanto parece-me normal quando não nos identificamos com ela. É muito redutor restringirmos o nosso reflexo a uma única imagem, quando somos todos muito mais que isso - e nem me refiro a tudo o que ultrapassa o nosso aspecto físico e que uma máquina fotográfica nunca alcançará. Mais do que ninguém, só nós próprios devemos ter consciência disto. Os outros, que têm o privilégio de poder comparar o original com a cópia (foto), desiludem-se ou surpreendem-se, ao sabor dos seus próprios critérios de beleza e da manipulação da imagem que foi fornecida. Tal explica, em muito, o sucesso ou insucesso deste mundo virtual.

domingo, março 09, 2008

Sou tão normalzinho, graças a Deus (dos estudos de hábitos)!

Para que servem os inquéritos de hábitos? São credíveis? Quem os supervisiona e audita?
Estes estudos, para além de encher as páginas dos jornais, também obrigam as pessoas a fazer uma reavaliação das suas rotinas sociais. Tenho um crédito sobre um crédito por regularizar? Já fui assediado(a) no emprego? Por dia, ando quantos metros a pé? Estou profundamente insatisfeito(a) com algum organismo público em particualr ou todos em geral? O/A meu/minha companheiro(a) dá-me porrada com uma certa regularidade? Faço sexo mais ou menos de quatro vezes por semana? Tenho diabetes? Levantam-se o mais variadíssimo tipo de questões e com base nas respostas, chega-se à conclusão se somos assim tão normaizinhos, graças a Deus ou graças ao Nosso Senhor que inventou estes estudos, ou nem por isso. O mais grave é que poderá haver quem regularize a sua (in)felicidade com base em tais conclusões e (des)governe a vida em função delas.
Nunca fui contactado no sentido de saber se estou satisfeito com a minha vida sexual. A menos que uma proposta de passar um fim-de-semana no Algarve patrocinada por uma agência de viagens menos conhecida - “mas que teria todo o gosto em oferecer esta estadia, só precisando de se deslocar ao local X para levantar o vale promocional, sem qualquer contrapartida” - seja, afinal de contas, uma espécie de teste à minha capacidade de resistência a um convite implícito à prevaricação e deduzir a partir daí todo meu historial penitente. Custa a acreditar, por uma simples razão: não há empresas com fins lucrativos que ofereçam os seus produtos, nem há convites implícitos à prevaricação, “sem qualquer contrapartida”! Para comprovar isso fica a forma camuflada como as propostas são feitas: “tem só de assistir a uma pequena reunião sobre...” e “é só uma lembrancinha de 50 euros”.

sexta-feira, março 07, 2008

"Aqueles pratos no lava-loiça são a prova de que na vida as coisas só mudam para ficarem na mesma"

(...) Não é que ela se importe com o trabalho, o trabalho descobre-o ela em todo o lado, há sempre ordem para pôr numa casa, no mundo. A mãe soubera ensinar-lhe os deveres da mulher. Nisso fora ela boa. Só tarde demais lhe dissera alguma coisa sobre rapazes. Essa conversa viera atrapalhada e aos solavancos, ela já de véu e grinalda e, inevitavelmente, prenha. Mais que pronta para se levantar da estreita cama de solteira e subir a larga escadaria da igreja.
Mas isso não fora culpa da mãe. A culpa fora do ócio, que é invenção do Diabo. Tivesse ela ocupado as tardes livres do liceu a esfregar chão e não teria caído nas cantigas do Manel, nas palavras meladas que ele lhe sussurrara ao ouvido, na praça do jardim, e que lhe tinham aberto o coração. Tinham sido só meio caminho para lhe abrir as pernas. Depois, quando as fechara, estava o mal feito e não levara muito mais tempo até que se lhe fechasse o coração também.
Casava com um traste, sabia-o. Mas era um traste dono de um establecimento comercial, bem parecido e que a emprenhara. Com a mesma convicção com que pegava num balde e numa esfregona, dissera-lhe, ou te casas comigo ou nunca mais fodes ninguém. Fora a única vez que lhe tinha saído uma palavra destas da boca. E ele lá aparecera na igreja.
(...)
Este trecho faz parte do capítulo 12 de um livro em construção de Daniel J. Skråmestø. Ainda não tem nome mas já tem muito conteúdo e é um enorme privilégio poder lê-lo em primeira mão. Capítulo a capítulo.

quinta-feira, março 06, 2008

Limites (II)


terça-feira, março 04, 2008

Ahh isto sim!

Buraka Som Sistema feat. M.I.A. - Sound of Kuduro
e o video aqui.

4 minutos para danificar a reputação de três artistas

Até ontem pensaria que uma colaboração entre a rainha da pop, o rei do r&b e um dos melhores produtores de música da actualidade só pudesse resultar em qualquer coisa de excepcional. Hoje, infelizmente, tenho que admitir o contrário.
(antes que me apareça por aqui mais um camarada americano a "impugnar-se" pela propriedade desta música, fica já a referência de que retirei o link daqui. Tanque iú veri mache, pawl!)

segunda-feira, março 03, 2008

Limites


O humor tem limites. Pelo menos é o que todos dizem. Mesmo que a situação seja de tal forma ridícula ou surpreendentemente bizarra, e se deixe soltar uma breve gargalhada, para logo depois, salvar a consciência e, dizer: "pá, isto é de mau gosto".