sábado, outubro 01, 2005

Dor maior




O grande destaque do 50º World Press Photo é o trabalho vencedor da autoria do fotógrafo indiano Arko Datta. A foto foi tirada em Cuddalore, Tamil Nadu, em 28 de dezembro de 2004. A imagem mostra uma indiana lamentando a perda de um parente morto na catástrofe do Tsunami Asiático. Mais que lágrimas ou choros demonstra um tal sofrimento elevado ao expoente máximo de desespero. Uma foto belíssima, portanto.

A exposição do W.P.P. está patente no Centro Cultural de Belém em Lisboa a partir de hoje até dia 23 de Outubro, juntamente com as fotos do Prémio Fotojornalismo Visão/BES.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Amor de estimação II


Brokeback Mountain
“Acaba de caír um dos últimos bastiões heterossexuais no cinema, o western. O responsável é o realizador taiwanês Ang Lee (“A Tempestade de Gelo”, “O Tigre e Dagrão”) ...”

Assim começava o texto/crítica de Eurico de Barros (Diário de Notícias, 3/10/2005) por alturas do Festival de Veneza deste ano. O filme em questão chama-se “Brokeback Mountain” e acabou por ganhar o prémio máximo desse festival: o Leão de Ouro. Descrito pela crítica como o primeiro western gay, este filme conta uma história de amor homossexual entre dois cowboys no Estado de Wyoming, nos Estados Unidos, que tem início em 1963 e termina 20 anos depois e é protagonizado por Heath Ledger e Jake Gyllenhaal.
Trata-se de um filme que foge dos clichés habituais de películas com homossexuais e aprofunda a relação de dois homens aproximados pela solidão e pela natureza. Finalmente se fez um filme com homossexuais não estereótipado, sem ser um "histérico" manifesto gay ou a habitué história sobre a auto-repressão homossexual. Aleluia! Por outro lado, representa um desafio à figura do lendário e indomável vaqueiro “macho” americano, num local e numa altura em que se corria o risco de vida se tal sexualidade fosse revelada.

Por tudo isto e não é pouco, arrisco e digo: “Brokeback Mountain” é já um "amor de estimação", mesmo sem o ter visto e nem sequer ter estreia prevista (fala-se no final do ano para os EUA e no início do próximo para a Europa) nas salas de cinema.

"Trabalhei com o coração. O amor é igual para todos. Todos temos nossa Brokeback Mountain particular, um lugar para nos refugiarmos e encontrarmos o próprio passado". Ang Lee

segunda-feira, setembro 19, 2005

A ditadura do relativismo


A extrema-direita sempre existiu e se manifestou no nosso país, seja através de inexpressivos partidos ou associações, seja através de actos isolados tomados a cargo pelos “cabeças rapadas” ou por outras personagens menos indiscretas e menos mediáticas. No entanto, o que os destingue na actualidade é que se tornaram mais activos e, consequentemente, mais visíveis. Neste momento, e ao contrário do que acontecia há 20 anos atrás, dão a cara e mostram orgulhosamente os seus slogans. De certa forma, os seus objectivos primários estão a ser cumpridos e esta mediatização já ninguém lhes tira.

Se não houvesse nada mais criticável na sua luta, poder-nos-íamos limitar a hipocrisia da forma como ela é demonstrada. Vejamos o caso, da sua última manifestação realizada, ontem, no Parque Eduardo VII em Lisboa. Uma manifestação contra a cada vez maior visibilidade dos gays na sociedade actual e um tal “lobby gay”, mais especificamente junto dos meios de comunicação social (como se tal, de certa forma, pudesse converter toda a gente – nomeadamente as crianças, pois pelas palavras de ordem e respectivos cartazes, são elas a razão de todas as suas preocupações neste momento; é caso para perguntar: também servirão de justificação para o ataque que alguns desses senhores efectuaram no dia de 10 de Junho de 1995 no Bairro Alto que vitimou um imigrante cabo verdiano? - ao “homossexualismo”. E como travam tal digna batalha? Com visibilidade e mediatismo, pois então.

A estratégia é, aparentemente, simples mas pode ser perigosamente eficaz. Pega-se em diversos temas, uns amplamente condenáveis e de cariz popular outros nem tanto, mas todos no mínimo polémicos, tudo que irá “contra esta sistemática e intencional destruição dos valores e imposição da ditadura do relativismo”, mistura-se tudo e tenta-se estabelecer uma relação entre eles de forma a causar qualquer impacto junto das pessoas, nem que seja a perplexidade pela sua capacidade de imaginação. Utiliza-se o chavão da “insegurança nas nossas ruas e nas nossas praias” culpabilizando as minorias étnicas e a nossa política liberalista de imigração, usa-se o muito discutível tema da “adopção de crianças por casais homossexuais” e, como não podia deixar de ser, a pedofilia (sim? Dizem que cerca de 80% dos homossexuais são pedófilos, mesmo que depois não o consigam comprovar para além de um “li na internet”, como respondeu um dos manifestantes entrevistados num dos noticiários da SIC) para atacar os homossexuais em todas as frentes. Estes são só dois exemplos, mais se seguirão, pois irão continuar a usar quaisquer outros assuntos que sirvam de mote para restabelecer a ordem, não a nossa, a deles e dos seus ideais. Mesmo que tais palavras de ordem façam tudo, menos qualquer sentido.

Nada disto seria mais estúpido, nada disto seria mais assustador se não estivéssemos num país com uma larga percentagem de analfabetismo, moderadamente conservador, mediaticamente influenciável e pior do que tudo isto: com memória curta.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Até...

...ao meu regresso. São só duas semanas, mais coisa menos coisa.

quinta-feira, agosto 25, 2005

A descoberta da pólvora

"Nas mais diversas câmaras do País há projectos imobiliários que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais"... "as estruturas corporativas são hoje muito mais fortes porque têm uma aparente legitimidade democrática. Se os vereadores do Urbanismo são os coveiros da democracia, os partidos são as casas mortuárias"... "os pelouros do Urbanismo das maiores câmaras são o local onde tudo se joga"... "Existe uma preocupante promiscuidade entre diversas forças políticas, dirigentes partidários, famosos escritórios de advogados e certos grupos empresariais".

Paulo Morais, vice-presidente da Câmara do Porto, revista Visão (edição desta semana)

quarta-feira, agosto 24, 2005

Uma infidelidade para ti, uma infidelidade para mim

Quem é que hoje em dia ainda pensa que um divórcio seja uma experiência enriquecedora? Bom, para além dos advogados...
Pelo que tenho presenciado junto de alguns casais amigos, se antes uma deslealdade matrimonial desencadeava imediatamente um processo de divórcio (em parte dos casos e porque a revolta era de tal ordem que só se resolvia no litígioso), hoje em dia, um encornanço paga-se com... outro encornanço.

Vejamos o caso de um caro amigo que mantinha uns contactos escaldantes com umas “amigas virtuais” no messenger. Um dia, a sua esposa (estranhando o facto de ele passar, de uma forma continuada, muitos serões a “trabalhar” no seu computador lá de casa) alterou uma das opções do dito programa de forma a passar a gravar para o disco rígido, instantaneamente e sem que o seu utilizador se aperceba, todas as conversas que por lá sejam mantidas. O resto da história se não se sabe, imagina-se, já que se confirmaram as suas desconfianças: o seu marido era-lhe infiel, virtualmente infiel, com mais do que uma mulher. Este contou-me que “as coisas ainda andaram meio tremidas durante uns tempos” mas ele acabou por convence-la, mesmo tendo ela suficientes provas de que haveria combinações e detalhes que a induziam a pensar o contrário, de que nunca estaria fisicamente com qualquer uma daquelas raparigas e de que uma possível separação poderia trazer muita instabilidade emocional aos seus filhos e restante família. Consta, também, que não passou muito tempo para que a situação voltasse ao “normal” mas com umas ligeiras alterações: ele continua ocupado algumas noites com “horas extras” no computador e ela não anda menos desconfiada que anteriormente, no entanto, parece que ocupa mais do seu tempo a cuidar de si e que arranjou um novo colega de trabalho com quem partilha muitas afinidades, profissionais e não só.

De certa forma esta “evolução” das relações monogâmicas para além de ser mais justa, parece-me ser, acima de tudo, mais cómoda. Até poderíamos receber um prémio pela originalidade da ideia, se todos os outros animais (irracionais?) que partilham connosco este planeta não a praticasse desde há muitos milhões de anos atrás.
O que é verdadeiramente importante é que ninguém se chateia, continua-se por aí a proclamar o amor eterno e os tradicionais valores da família de boca e barriga cheias... mas com a cabeça mais pesada, é certo, mas consentida... E estas modernices até a Igreja Católica aprova, digo eu.

sexta-feira, agosto 19, 2005

O amor é fodido

O amor entre dois homens pode ser das coisas mais belas e raras deste mundo mas pode ser também das coisas mais destrutivas que por aí há, nomeadamente quando não há sintonia e algum consenso.

Um conhecido meu (o Zé) engatou um gajo na cidade universitária e iludido, apaixonou-se. Ainda mantiveram uma relação mais ou menos estável durante 2 meses. Entretanto, parece que o outro rapaz se foi afastando gradualmente e a relação degradou-se. Encontrei-o há dias, completamente abatido, sob o efeito de antidepressivos (receitados por um médico) e fisica e psicológicamente desgastado. O Zé nem é, aparentemente, um rapaz muito dado a sentimentos mais profundos, pelo menos é essa a imagem que tenta passar aos que lhe rodeiam. Mantém aquela postura de rapaz muito forte, independente e imune a estas partidas do coração. Encontro-o neste estado e eu, desprevenido, fico (quase) sem saber o que lhe dizer. Que conselho se dá uma pessoa neste estado, nestas condições? Qual é a melhor forma de explicar a alguém que não se deve tentar governar aquilo que é ingovernável... como o amor de outrém?
O Zé sofre em silêncio pois são muito poucos os amigos com quem partilhou a sua orientação sexual (como se isso fosse algo obrigatoriamente “partilhável”), mas até os outros e familiares já se vão apercebendo da sua angústia.

Penso que ainda pior que todo este seu transtorno físico e psicológico actual causado por este desgosto amoroso, serão as suas respectivas consequências: deixar de acreditar... Ou seja, pior que um presente depressivo e desorientado será sempre um futuro sem esperanças.

terça-feira, agosto 16, 2005

Amor de estimação I

Sigur Rós
Banda islandesa de post-rock, pop/rock ambiental ou qualquer outro estilo a definir. Tendo em conta tudo aquilo que se ouve e se sonha por aqui, pouco interessa a sua catalogação. Quem não se arrepiar e/ou emocionar ao ouvir isto não tem sentimentos e vale mais tranformar-se num calhau, sempre serve de arma de arremesso.


Von (1997)


Von Brigdi (recycle bin) (1998)


Ágaetis Byrjun (1999)

( ) (2002)

Takk... (2005)

O album de 1999 (Ágaetis Byrjun) é o mais conhecido e elogiado pela crítica, será também aquele que recomendo como ponto de partida para conhecer esta banda. Entretanto já ouvi os mp3's de Takk... que só sairá para as lojas, salvo erro, no próximo mês e feitas duas ou três audições, concluo que a fórmula mantém-se e não me parece que vá desiludir os apreciadores dos discos anteriores, nomeadamente dos dois últimos.

sábado, agosto 13, 2005

O cúmulo da negação

... E mais uma vez oiço: "Não dou para isto... Pá, esta é mesmo a última vez!"

terça-feira, agosto 09, 2005

I’m so sexy!

O sexy in é um sítio de engate virtual nacional como muitos outros espalhados pela net. Mas este destaca-se, para além do seu razoável bom aspecto gráfico e da qualidade de alguns conteúdos, pelo o facto de ser bastante frequentado e participado. Possui uma secção de anúncios, subdividido por categorias, sendo as mais requisitadas, as óbvias e habituais: “homem procura mulher”, “homem procura homem”, “homem procura casal” e “casal procura mulher”. Só por aqui torna-se fácil de chegar ao denominador comum entre todas elas! Os homens, pois então.
Mesmo relativamente aos casais, quem estará por detrás dos anúncios? A resposta a esta pergunta é sugerida pelo o número muito reduzido de anúncios na secção “casal procura homem”. Mas é melhor ficar-me por aqui e não me debruçar mais sobre este assunto pois se o desenvolvesse, chegaria, certamente, à evolução do papel da mulher na sociedade e a sua emancipação perante o homem e o risco que tudo isto corre se esta prática se começar a generalizar. Sou optimista e julgo estar perante uma minoria.
A secção “homem procura mulher” é a secção com mais anúncios. São todos eles muito semelhantes, uns mais curtos, directos e desinspirados que outros mas o objectivo final é o mesmo: a queca com uma “amiga” seja ela colorida ou por colorir e os que apresentam fotos, é raro aquele que não contém pelo menos uma do seu pénis erecto. É o que eu chamo: um paraíso virtual para os gays mais dessimulados. Também é curioso (ou nem por isso) averiguar o seu número de respostas, ou melhor, a ausência delas. Sortudo aquele que obtém uma resposta, um hiper-felizardo aquele que chega às 2 e mais que isto, será mais certo ganhar o primeiro prémio do Euromilhões. Mesmo assim, tenho sérias dúvidas que os seus remetentes sejam mesmo mulheres.
Mas porquê que isto acontece? Será que as mulheres não gostam também de sexo? Adoram! Então as minhas poucas dúvidas e mais certezas continuam: o problema não estará no tipo de abordagem? Não será que as mulheres serão suficientemente inteligentes para se deixar impressionar e sensibilizar com meia dúzia de palavras tontas e banais acompanhadas, mesmo ali ao lado por uma foto, com um marsápio em riste apontado na sua direcção, quase a querer parecer dizer “meninas, aqui estou eu para vos satisfazer e caso não tenham percebido foi com a minha cabeça que essa mensagem foi escrita, a outra está ocupada com coisas bem menos importantes, como por exemplo, arranjar uma desculpa a dar a esposa para chegar mais tarde a casa”?
A secção “homem procura homem” também contém muitos anúncios, mas pelo o que me constou e apesar de ser um departamento bastante animado, parece que o grau de sucesso não é muito maior que o anterior. Consta que há por lá muitos homens que começaram inicialmente por colocar anúncios à procura de mulher, passaram pela secção de “casais” e acabaram por ficar ali, à procura da tal “primeira experiência”. Que versatilidade, penso eu. Também me disseram qualquer coisa do género: “alguns anúncios e respostas são claro fruto da tesão do momento e nada mais...”. Eu acho que compreendi e questiono: quem é que ainda tem paciência para perder tempo com cromos difícieis e casos, logo à partida, perdidos?

segunda-feira, agosto 08, 2005

Ódio de estimação II




Programas de entretenimento na TV

Todos em geral, os de Verão em particular.
Um exemplo?

sexta-feira, agosto 05, 2005

Deshibernação

Já começou a silly season. A época que serve de desculpas para muitas pessoas fazerem ainda menos do que já fazem habitualmente durante o ano. Pouco ou nada se faz e tudo o resto se adia para o mês seguinte.
Todo um país estagna. Não ficaria preocupado se não estivesse em Portugal e o desconforto aumenta, se pensar que este país necessita de tudo menos de (mais) períodos “silly”. E este calor sufocante, como o de hoje, também não ajuda, é certo.
Estamos num período de férias por natureza, em que as zonas balneares e outros locais veraneantes se enchem de multidões. Sítios a evitar, portanto. Entretanto as grandes cidades ficam mais habitáveis, calmas, com menos trânsito e pessoas (a afluência de turistas nestas alturas não chega geralmente para compensar o número de pessoas que deixaram os centros urbanos). Este mês é o tal, aquele que mais visito Lisboa, seja para ir ao cinema ou para visitar alguns amigos que quase não me põem a vista em cima ao longo do resto do ano (exagero, claro, mas não assim tão longe da verdade). Amava ainda mais esta cidade se fosse sempre assim.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Ódio de estimação I

Condutores que são alérgicos à faixa da direita
Não faço a mínima ideia se será só uma característica exclusiva dos automobilistas portugueses, mas, definitivamente, estes devem possuir qualquer trauma face à faixa de direita de rodagem pois só mesmo em último caso é que a utilizam. Entretanto as autoridades competentes (sejam elas quais foram) preferem continuar a optar pelas razões e explicações mais fáceis e popularuchas e apontam, sempre, as mesmas causas para a grande sinistralidade em Portugal. O excesso de velocidade encabeça todas as listas possíveis. As vezes pergunto a mim mesmo se os senhores que chegam a estas rápidas e brilhantes conclusões circulam nas mesmas estradas que eu? Ou até, se circulam em qualquer estrada nacional?
Imaginamos um carro a circular a 120 Km/h na faixa central de uma auto-estrada, ao deparar-se com uma viatura na mesma faixa, a circular a, suponhamos, metade (sim, já presenciei tal situação) da quilometragem horária daquele, o seu condutor tenta desviar-se para a faixa da esquerda (não esquecer que é proíbido ultrapassar pela direita) só que não repara que circulava já outro veículo e o acidente acontece. Causa do sinistro: excesso de velocidade, pois claro!
Exmº Governo, numa época de contenção de custos públicos mesmo com TGV’s e mega-aeroportos à mistura, pondere-se melhor então na criação ou aumento de mais faixas de rodagem, pois as que temos presentemente, pelos vistos, chegam e sobram.

terça-feira, julho 26, 2005

Poluição Sonora

Nunca tive paciência para bichas e bichices e cada vez que me aparecem à frente tal paciência vai-se esgotando cada vez mais.
Estava eu bem instalado numa tranquila esplanada a tomar uma cervejola quando de repente se instalam, numa das mesas que ainda se encontravam vazias, três rapazes, relativamente novos (vintes e tais, pelas minhas idades, portanto), cobertos por uns “trapinhos” da moda: umas t-shirts com cores que deviam dispensar a utilização dos coletes retrorrelectores NP EN 471 (actualmente obrigatórios sempre que seja exigida a utilização do triângulo de pré-sinalização de perigo) e umas bermudas claras. Para compor a toilette, uns óculos enormes mas muito fashion.
Começa a palhaçada.
Falam de amigos, namorados, ex-namorados, familiares... tudo no feminino!? Era fácil de perceber o género a que se estavam a referir, já que seria mais evidente acreditar que o ministro Campos e Cunha se tenha demitido por razões familiares do que um deles ter “feito aquela” (sendo esta uma rapariga e não um rapaz, como se subentende pela linguagem deles).
Falam também das últimas compras, das marcas de roupas, das viagens a Paris...
Nada contra... se nada disto me interessasse e fosse obrigado a ouvir as suas estórias dado o alto volume de voz que usam para intercomunicar, já para não falar da forma como demonstram, essencialmente, por gestos muito detalhados, como as suas novas aquisições se encaixam, na perfeição, nas suas silhuetas. Nem eu, nem o resto das pessoas que se encontravam naquela esplanada alfacinha!

quinta-feira, julho 21, 2005

O monstro quer um amigo!

Hoje apeteceu-me recuperar este disco dos Ornatos.
Estas letras dizem-me tanto que até fico com vontade de exclamar: Oh Manel partilha um pouco comigo essa dor, rapaz!

Isto é só um exemplo do que se pode encontrar por aqui:



Ouvi dizer que o nosso amor acabou.
Pois eu não tive a noção do seu fim!
Pelo que eu já tentei,
Eu não vou vê-lo em mim:
Se eu não tive a noção de ver nascer um homem.
E ao que eu vejo,
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi!
E eu fiquei com tanto para dar!
E agora
Não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva!

E pudesse eu pagar de outra forma!

Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã,
E eu tinha tantos planos pra depois!
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós;
Sem tirar das palavras seu cruel sentido!
Sobre a razão estar cega:
Resta-me apenas uma razão,
Um dia vais ser tu
E um homem como tu;
Como eu não fui;

Um dia vou-te ouvir dizer:
E pudesse eu pagar de outra forma!
Sei que um dia vais dizer:
E pudesse eu pagar de outra forma!

A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga! ora doce!
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!

Ouvi dizer, do album O monstro precisa de amigos - Ornatos Violeta




sábado, julho 16, 2005

O país das maravilhas

Era uma vez um país cheio de falcatrueiros e de pessoas honestas. Todos julgavam que os segundos estavam a maioria e questionavam-se simultâneamente: "porquê que este país não anda para frente?"...

Lembrei-me de começar a contar esta estória após ter lido a magnífica crónica de Miguel Sousa Tavares no Público, na edição de ontem. Ele falava sobre o Brasil e eu talvez não.

quarta-feira, julho 13, 2005

Escritoras ultra-light

Não há país ocidental que não tenha pelo menos uma! Refiro-me ao surgimento dessa nova vaga de "escritoras" irreverentes e ousadas que revelam a sua vida sexual de uma forma muito detalhada. Aposto que Catherine Millet enquando escrevia a sua autobiografia sexual não lhe passou pela a cabeça de que estava a criar escola...
Portugal não poderia deixar de ser excepção.
Geralmente são fases da vida, para fazer face a qualquer problema, implícita ou explicítamente revelado, na maioria dos casos, de ordem financeira. A época em que se trocou os cafés e uns queques com as amigas por umas quecas com os amigos. Básicamente é isto.
Resta saber se esta putanhice súbita já existia dentro delas ou se foi só um pretexto para escrever o livro. Se for esta a situação, estamos perante casos de um claro subaproveitamento de talento e quem de direito devia tomar mais atenção a estas meninas. Claro que não estou a dirigir o meu apelo aos donos de casas de alterne!

Nota: Obviamente que não são os comportamentos que estão aqui em causa mas sim o seu fim.

segunda-feira, julho 11, 2005

A gargalhada do dia

Na semana passada passei por uma banca e não pude ficar indiferente à quantidade de revistas que davam capa ao que uma chamou: "o casamento do ano". Pois é, parece que a boazona (mas não tão boa apresentadora) Catarina Furtado casou-se.
Peguei numa dessas revistas ao acaso e ao esfolhea-la deparei-me com algumas fotos dos convidados à entrada do local aonde decorreu a cerimónia... mas ainda dentro das suas respectivas viaturas. Junto a tais fotos, dessa gente mais ou menos conhecida, encontravam-se as respectivas legendas: Beltrano com a sua esposa e filhos, Fulana e o seu namorado, Xismano e a sua companheira... e "Diogo Infante e um amigo"!

quinta-feira, julho 07, 2005

Cobardes!

Mais um dia negro na história deste planeta e um dia triste por todos os que lutam pela paz... e mais uma vez são os inocentes e indefesos que pagam pelos desentendimentos entre os chefes de estado dos principais países ricos e os fundamentalistas islâmicos originários de países, igualmente, ricos, mas só num recurso natural e que não é, definitivamente, a inteligência!
Qual é o nome que se costuma dar às pessoas capazes de tal atitude? Para estes, fica a sugestão, se querem brincar às guerras deixem o mundo lá fora e divirtam-se por aqui.

segunda-feira, julho 04, 2005

A gente não é burra, é distraída!

Acabei de passar pela zona de engates junto ao estádio nacional. Logo quando entrei na zona, com o meu carro, raparei que se encontravam num local bem previlegiado de contemplação de toda a área, nada mais nada menos, que um carro da polícia (sim, não vá um arrastão súbito aparecer ali por engano, pensando que aquela zona de descanso seja uma praia bastante frequentada!).
Um pouco mais abaixo e sem se aperceberem de que estavam a ser observados, estavam dois homens (aparentava um deles os seus trintas e poucos e o outro com, pelo menos, mais dez anos) com as suas respectivas viaturas paradas uma atrás da outra. O mais novo encontrava-se fora do seu carro, circundando, com alguma distância de segurança, o outro automóvel. Haveria certamente qualquer coisa que lhe interessava no outro carro ou mais propriamente no seu dono, ou mais específicamente: no que este tinha entre as mãos. Ainda passei pelo o local na tentativa de alertar o que se encontrava fora do carro de que estaria a ser observado por alguém que provavelmente não iria gostar de o ver a fazer aquilo que se aprontava para fazer, mas foi em vão... Já que tal rapaz não só me ignorou como ainda lhe consegui ver alguns vestígios de repulsa na sua cara, pois certamente pensava que estaria ali para lhe estragar o seu desejo. Nem hesitei mais, acelarei para bem longe daquele local.