segunda-feira, outubro 31, 2005
sábado, outubro 29, 2005
Chatices
agent:> e tu?
anónimo:> sou só um pouco mais velho, 32
agent:> então e o que fazes por aqui?
anónimo:> nada de especial, só quero conversar
agent:> uma conversa as vezes tem tudo para ser especial
anónimo:> lol
anónimo:> é verdade
anónimo:> pah... procuro conhecer pessoas e tb melhor a mim próprio, claro
agent:> Fixe!
agent:> e tens conhecido muito?
anónimo:> pessoas ou de mim?
agent:> ambos
anónimo:> nunca conheci ninguém através de chats, porque o meu interesse nestas coisas é so virtual...
agent:> pk?
anónimo:> pah, não sou gay mas tenho algumas curiosidades
anónimo:> quero saber como é que funciona
agent:> o k?
anónimo:> a cena entre dois homens
anónimo:> tu és gay? bi?
agent:> sei lá... atrai-me mais as pessoas e os seus corpos, do que propriamente os sexos... não quer dizer que o sexo dele(a) não seja importante, mas coloco-o noutro patamar... que terá a sua devida importância no acto em si ;)
anónimo:> acho que compreendi
anónimo:> e se calhar tb sou assim um pouco, não sei
agent:> se calhar somos todos...
anónimo:> pois
anónimo:> é assim vou abrir o jogo ctg
anónimo:> eu sou casado mas de vez em qd penso em estar com um h, ou pelo menos tenho a curiosidade de saber como me comportaria se estivesse com um h
agent:> se terias tusa?
anónimo:> sim
agent:> mas excita-te a ideia?
anónimo:> s
agent:> hum...
anónimo:> pah mas uma coisa é o pensamento outra coisa é a realidade
agent:> ?? realidade?
anónimo:> sim ao vivo
agent:> exacto
agent:> tabus... quem os não tem?!
anónimo:> deve ser isso
anónimo:> as tantas deves julgar que sou um tipo anormal, frustado que já devia ter idade para saber o que quer
agent:> eheh... nada disso
agent:> és um tipo perfeitamente normal com os preconceitos e tabus normais desta sociedade
agent:> há quem os consiga ultrapassar, há quem não
anónimo:> tu já os ultrapassaste então?
agent:> não colocaria as coisas dessa forma,
agent:> digamos que estas coisas relacionadas com a nossa sexualidade depende acima de tudo do meio que nos rodeia, da família, da cultura, da religião, ... tudo o que nos posso directa ou indirectamente influenciar
anónimo:> e tu não és influenciável?
agent:> sou como quase toda a gente, acho
agent:> mas tenho as minhas prioridades... o que é mais importante para ti na TUA vida?
anónimo:> se la
anónimo:> ser feliz
agent:> ora bem! ;)
agent:> tb é a minha
anónimo:> então e os nosso genes e essas merdas? não influenciam?
agent:> eheh.. O XY (fórmula de cromossomas do h) é de facto a primeira condição do ser humano masc. mas isso não chega para o caracterizar
agent:> a masculinização põe em jogo varios factores (aquilo que te falei antes) q nada têm a ver com a genética e que pelo menos na minha opinião têm mt + peso e uma acção determinante nisso.
(...)
anónimo:> ya mas há coisas que ainda me fazem confusão
agent:> por ex.
anónimo:> olha por exemplo acho que nunca conseguiria levar no cu
agent:> pk?
anónimo:> dasse não dava, gosto muito do meu cuzinho e não se vê mas tem lá um sinal a dizer "sentido unico"
anónimo:> sabes como cá se diz? quem quer um rabito bom.... que estime o seu!!!
agent:> hum... já pensaste na fome que passavas se toda a gente pensasse assim?
anónimo:> lol
anónimo:> matava a fome noutro sítio lollll
agent:> eu referia-me a TODAS as vias que poderiam muito bem só ser usadas em sentido único! ;)
anónimo:> lolll
anónimo:> olha tenho que saír
agent:> ok
anónimo:> gostei de tclr ctg
agent:> tb, espero pelo menos que "tivesses-te conhecido" mais um pouco
anónimo:> oh sim!!!
anónimo:> abraço
agent:> foi um prazer...
sexta-feira, outubro 28, 2005
Amor de estimação III
Seat Leon 2.0 TFSI
"O novo propulsor de quatro cilindros e 2.0 litros com tecnologia FSI de injecção directa, sobrealimentado
por um turbo, está associado a uma caixa de seis velocidades, debita 185cv e um binário máximo de 270 Nm obtidos desde as 1800 até às 5000 rpm. Atinge uma velocidade máxima de 221 km/h, acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 7,8 segundos e dos 0 aos 1000 metros em 28,4 segundos.
aquecidos com recolhimento eléctrico e na cor da carroçaria, dupla saída de escape, sigla "TFSI" (o "T" em cor prateada e as letras "FSI" em encarnado) localizadas por debaixo dos piscas laterais, ar condicionado climatronic, computador de bordo, cruise control, vidros eléctricos, dianteiros e traseiros, rádio com oito colunas e comandos no volantes." quinta-feira, outubro 27, 2005
A "Maria" está diferente

Conheço muito boa gente que para além de falar com o dele, passa muito tempo à conversa com o dos outros. Grandes comunicadores natos!
terça-feira, outubro 25, 2005
Os "novos" super-heróis
VS
segunda-feira, outubro 24, 2005
Divinos & Gays
Será que percebi bem? Resumidamente: o Domenico e o Stefano, divorciaram-se há um ano mas ainda se amam muito, não têm ciúmes um do outro pois são duas pessoas inteligentes, continuam a viver no mesmo prédio e querem ter mais de uma dezena de filhos (?). Por outro lado dizem que são contra o casamento e adopção de crianças por duas pessoas do mesmo sexo, que estes deviam mudar a sua postura face à Igreja Católica e que o novo Papa, o Cardeal Ratzinger, é baril!
Entretanto, fui ao site oficial da marca que representam e deparei-me com as novas colecções, surpreendeu-me especialmente a grande ênfase dada à colecção de criança, que só por muita coincidência poderiam explicar, em parte ou no seu todo, o que anteriormente foi dito. Ora essa...
quarta-feira, outubro 19, 2005
O desejo e as artes
Ele está por todo o lado. Todos nós o sentimos ao longo dos nossos dias e das nossas noites. Mas haverá forma de o transformar em algo de mais estático, algo que se pudesse ver e rever, ler, tocar...? É possível materializar o desejo? Recorri a algumas formas de arte para o tentar demonstrar. Proponho de seguida três exemplos que julgo conseguirem responder afirmativamente a tais questões e, ao mesmo tempo, justificá-las.
Literatura
Retirado do livro “Esfolado Vivo” de Edmund White, deixo este breve e admirável trecho:
“(...)
O cheiro a madressilva era muito forte e ele pensou que nunca tivera realmente os tipos que queria, os grandes matulões do liceu, os louros com fortes vozes de tenor, hálito de cerveja, sorrisos cruéis, ancas magras, de olhar fixo e insolente, os tipos com quem era impossível fazer amizade se não se fosse exactamente como eles. Pensou que com tantos milhões de pessoas no mundo devia haver uma possibilidade de ele ter agradado pelo menos a um tipo assim, mas as coisas não se tinham passado desse modo. É claro, mesmo quando se tinha alguém, o que é que se tinha?(...)
Depois lembrou-se de que fora por ali que o rapaz ruivo mijara um circulo castanho e Luke procurou vestígios dessa mancha debaixo de uma árvore. Tocou mesmo na terra, sentindo a humidade. Perguntou a si mesmo se o simples facto de alimentar aquele chocante pensamento não seria suficiente para o seu objectivo; mas não, ele preferia a cerimónia de fazer qualquer coisa real.
Achou o Lugar – ou assim julgou – e levou a terra aos lábios. Recomeçou a correr, mastigando o saibro como se isso pudesse ajudá-lo a recuperar o passado, se não a saúde. A transfusão de terra húmida deu-lhe mesmo um novo acesso de energia.”
Escultura

“Os Pugilistas” de Giochino Chiesa
Qualquer escultura poderá moldar ideias e sentimentos em sentido figurado mas por vezes, e como acontece com esta, em sentidos opostos. Vemos dois boxeurs, numa sessão de luta (a violência, o ódio?) mas num momento em que parecem auxiliar-se mutuamente, de tal forma que sugere um abraço (o afecto). Para baralhar mais as nossas ilações: estes homens lutam nus! Serei o único a ver desejo neste combate?
Cinema

Só com muita ignorância e incompreensão se pode rotular esta obra como um filme gay!
“O Fantasma” de João Pedro Rodrigues é um dos mais interessantes e complexos filmes portugueses dos últimos tempos. Acompanha a rotina de Sérgio, tanto no seu trabalho (recolha de lixo – profissão não escolhida ao acaso: haveria outra melhor para representar alguém que existe e que parece não se ver? A Profissão-Fantasma?) como em deambulações solitárias pela noite na cidade de Lisboa. Mas este filme não é só isto, também é um ensaio sobre a natureza animal do ser humano. A personagem principal vive em constante desejo, seja em relação a outros homens, a uma mulher (Fátima; neste caso, parece-me, é ele que se torna o objecto de desejo), por determinados objectos ou até por si próprio. Ele não parece ter (nem deseja conseguir) qualquer controlo sobre os seus sentidos.
Não deixa de ser curioso que a personagem com quem Sérgio se relaciona melhor afectivamente, seja, nem mais nem menos, que o seu próprio cão. E encontramos o sentido mais profundo desta relação nos seus comportamentos "caninos" através dos quais Sérgio dá corpo à sua pulsão sexual: a marcação de terreno com a urina, as brincadeiras iniciais com Fátima, ou as lambidelas no balneário (cena magnífica).
A máscara, na qual o personagem se refugia, também poderá adquirir múltiplos significados. No entanto torna-se evidente que é com ela que Sérgio avança pa
ra concretizar os seus mais íntimos desejos, seja para invadir a privacidade do rapaz que tanto quer (“Ninguém pode viver sem amor”, a frase que curiosamente surge no topo do cartaz deste filme... sim, “O Fantasma” também é sobre o amor e a solidão) ou na sequência final, em que parece perder todo o contacto com a racionalidade e deambula, já quadrúpede, numa lixeira, mas sempre atrás de algo desejado (um coelho, por exemplo). A máscara do desejo, portanto. Todos temos a nossa mas todos o saberão?
terça-feira, outubro 18, 2005
Baby Boom
terça-feira, outubro 11, 2005
O "deslumbrante mundo aberto" do Sr. Navarro e do Sr. Neves
As primeiras declarações de intenções deixam antever o pior. À imprensa, António Modesto Navarro, presidente da ASL, disse que a ocupação do local "tem sido um pouco exagerada, com actividades pouco dignas e respeitosas." Por esclarecer ficam que actividades seriam essas. Ao longo dos últimos meses por ali tocaram Lhasa, Josh Rouse, Feist, Rodrigo Leão e tantos outros e ali se realizaram festivais como o Indielisboa, Cosmopolis ou Gay e Lésbico. O Fórum parecia afirmar-se definitivamente como plataforma de encontro e criação. (...)"
Vítor Belanciano, Publico, 9.10.05
Parece que o Sr. Modesto Navarro e o Professor César das Neves, ultimamente, têm andado a partilhar qualquer outra coisa para além de ideias.
sexta-feira, outubro 07, 2005
Ego vs Eros
segunda-feira, outubro 03, 2005
O eclipse "analar"
sábado, outubro 01, 2005
Dor maior

O grande destaque do 50º World Press Photo é o trabalho vencedor da autoria do fotógrafo indiano Arko Datta. A foto foi tirada em Cuddalore, Tamil Nadu, em 28 de dezembro de 2004. A imagem mostra uma indiana lamentando a perda de um parente morto na catástrofe do Tsunami Asiático. Mais que lágrimas ou choros demonstra um tal sofrimento elevado ao expoente máximo de desespero. Uma foto belíssima, portanto.
A exposição do W.P.P. está patente no Centro Cultural de Belém em Lisboa a partir de hoje até dia 23 de Outubro, juntamente com as fotos do Prémio Fotojornalismo Visão/BES.
sexta-feira, setembro 23, 2005
Amor de estimação II
Assim começava o texto/crítica de Eurico de Barros (Diário de Notícias, 3/10/2005) por alturas do Festival de Veneza deste ano. O filme em questão chama-se “Brokeback Mountain” e acabou por ganhar o prémio máximo desse festival: o Leão de Ouro. Descrito pela crítica como o primeiro western gay, este filme conta uma história de amor homossexual entre dois cowboys no Estado de Wyoming, nos Estados Unidos, que tem início em 1963 e termina 20 anos depois e é protagonizado por Heath Ledger e Jake Gyllenhaal.
Por tudo isto e não é pouco, arrisco e digo: “Brokeback Mountain” é já um "amor de estimação", mesmo sem o ter visto e nem sequer ter estreia prevista (fala-se no final do ano para os EUA e no início do próximo para a Europa) nas salas de cinema.
"Trabalhei com o coração. O amor é igual para todos. Todos temos nossa Brokeback Mountain particular, um lugar para nos refugiarmos e encontrarmos o próprio passado". Ang Lee
segunda-feira, setembro 19, 2005
A ditadura do relativismo

Se não houvesse nada mais criticável na sua luta, poder-nos-íamos limitar a hipocrisia da forma como ela é demonstrada. Vejamos o caso, da sua última manifestação realizada, ontem, no Parque Eduardo VII em Lisboa. Uma manifestação contra a cada vez maior visibilidade dos gays na sociedade actual e um tal “lobby gay”, mais especificamente junto dos meios de comunicação social (como se tal, de certa forma, pudesse converter toda a gente – nomeadamente as crianças, pois pelas palavras de ordem e respectivos cartazes, são elas a razão de todas as suas preocupações neste momento; é caso para perguntar: também servirão de justificação para o ataque que alguns desses senhores efectuaram no dia de 10 de Junho de 1995 no Bairro Alto que vitimou um imigrante cabo verdiano? - ao “homossexualismo”. E como travam tal digna batalha? Com visibilidade e mediatismo, pois então.
A estratégia é, aparentemente, simples mas pode ser perigosamente eficaz. Pega-se em diversos temas, uns amplamente condenáveis e de cariz popular outros nem tanto, mas todos no mínimo polémicos, tudo que irá “contra esta sistemática e intencional destruição dos valores e imposição da ditadura do relativismo”, mistura-se tudo e tenta-se estabelecer uma relação entre eles de forma a causar qualquer impacto junto das pessoas, nem que seja a perplexidade pela sua capacidade de imaginação. Utiliza-se o chavão da “insegurança nas nossas ruas e nas nossas praias” culpabilizando as minorias étnicas e a nossa política liberalista de imigração, usa-se o muito discutível tema da “adopção de crianças por casais homossexuais” e, como não podia deixar de ser, a pedofilia (sim? Dizem que cerca de 80% dos homossexuais são pedófilos, mesmo que depois não o consigam comprovar para além de um “li na internet”, como respondeu um dos manifestantes entrevistados num dos noticiários da SIC) para atacar os homossexuais em todas as frentes. Estes são só dois exemplos, mais se seguirão, pois irão continuar a usar quaisquer outros assuntos que sirvam de mote para restabelecer a ordem, não a nossa, a deles e dos seus ideais. Mesmo que tais palavras de ordem façam tudo, menos qualquer sentido.
Nada disto seria mais estúpido, nada disto seria mais assustador se não estivéssemos num país com uma larga percentagem de analfabetismo, moderadamente conservador, mediaticamente influenciável e pior do que tudo isto: com memória curta.
quarta-feira, agosto 31, 2005
quinta-feira, agosto 25, 2005
A descoberta da pólvora
Paulo Morais, vice-presidente da Câmara do Porto, revista Visão (edição desta semana)
quarta-feira, agosto 24, 2005
Uma infidelidade para ti, uma infidelidade para mim
Pelo que tenho presenciado junto de alguns casais amigos, se antes uma deslealdade matrimonial desencadeava imediatamente um processo de divórcio (em parte dos casos e porque a revolta era de tal ordem que só se resolvia no litígioso), hoje em dia, um encornanço paga-se com... outro encornanço.
Vejamos o caso de um caro amigo que mantinha uns contactos escaldantes com umas “amigas virtuais” no messenger. Um dia, a sua esposa (estranhando o facto de ele passar, de uma forma continuada, muitos serões a “trabalhar” no seu computador lá de casa) alterou uma das opções do dito programa de forma a passar a gravar para o disco rígido, instantaneamente e sem que o seu utilizador se aperceba, todas as conversas que por lá sejam mantidas. O resto da história se não se sabe, imagina-se, já que se confirmaram as suas desconfianças: o seu marido era-lhe infiel, virtualmente infiel, com mais do que uma mulher. Este contou-me que “as coisas ainda andaram meio tremidas durante uns tempos” mas ele acabou por convence-la, mesmo tendo ela suficientes provas de que haveria combinações e detalhes que a induziam a pensar o contrário, de que nunca estaria fisicamente com qualquer uma daquelas raparigas e de que uma possível separação poderia trazer muita instabilidade emocional aos seus filhos e restante família. Consta, também, que não passou muito tempo para que a situação voltasse ao “normal” mas com umas ligeiras alterações: ele continua ocupado algumas noites com “horas extras” no computador e ela não anda menos desconfiada que anteriormente, no entanto, parece que ocupa mais do seu tempo a cuidar de si e que arranjou um novo colega de trabalho com quem partilha muitas afinidades, profissionais e não só.
De certa forma esta “evolução” das relações monogâmicas para além de ser mais justa, parece-me ser, acima de tudo, mais cómoda. Até poderíamos receber um prémio pela originalidade da ideia, se todos os outros animais (irracionais?) que partilham connosco este planeta não a praticasse desde há muitos milhões de anos atrás.
sexta-feira, agosto 19, 2005
O amor é fodido
Um conhecido meu (o Zé) engatou um gajo na cidade universitária e iludido, apaixonou-se. Ainda mantiveram uma relação mais ou menos estável durante 2 meses. Entretanto, parece que o outro rapaz se foi afastando gradualmente e a relação degradou-se. Encontrei-o há dias, completamente abatido, sob o efeito de antidepressivos (receitados por um médico) e fisica e psicológicamente desgastado. O Zé nem é, aparentemente, um rapaz muito dado a sentimentos mais profundos, pelo menos é essa a imagem que tenta passar aos que lhe rodeiam. Mantém aquela postura de rapaz muito forte, independente e imune a estas partidas do coração. Encontro-o neste estado e eu, desprevenido, fico (quase) sem saber o que lhe dizer. Que conselho se dá uma pessoa neste estado, nestas condições? Qual é a melhor forma de explicar a alguém que não se deve tentar governar aquilo que é ingovernável... como o amor de outrém?
O Zé sofre em silêncio pois são muito poucos os amigos com quem partilhou a sua orientação sexual (como se isso fosse algo obrigatoriamente “partilhável”), mas até os outros e familiares já se vão apercebendo da sua angústia.
Penso que ainda pior que todo este seu transtorno físico e psicológico actual causado por este desgosto amoroso, serão as suas respectivas consequências: deixar de acreditar... Ou seja, pior que um presente depressivo e desorientado será sempre um futuro sem esperanças.
terça-feira, agosto 16, 2005
Amor de estimação I
Von (1997)
Von Brigdi (recycle bin) (1998)
Ágaetis Byrjun (1999)O album de 1999 (Ágaetis Byrjun) é o mais conhecido e elogiado pela crítica, será também aquele que recomendo como ponto de partida para conhecer esta banda. Entretanto já ouvi os mp3's de Takk... que só sairá para as lojas, salvo erro, no próximo mês e feitas duas ou três audições, concluo que a fórmula mantém-se e não me parece que vá desiludir os apreciadores dos discos anteriores, nomeadamente dos dois últimos.
sábado, agosto 13, 2005
terça-feira, agosto 09, 2005
I’m so sexy!
Mesmo relativamente aos casais, quem estará por detrás dos anúncios? A resposta a esta pergunta é sugerida pelo o número muito reduzido de anúncios na secção “casal procura homem”. Mas é melhor ficar-me por aqui e não me debruçar mais sobre este assunto pois se o desenvolvesse, chegaria, certamente, à evolução do papel da mulher na sociedade e a sua emancipação perante o homem e o risco que tudo isto corre se esta prática se começar a generalizar. Sou optimista e julgo estar perante uma minoria.
A secção “homem procura mulher” é a secção com mais anúncios. São todos eles muito semelhantes, uns mais curtos, directos e desinspirados que outros mas o objectivo final é o mesmo: a queca com uma “amiga” seja ela colorida ou por colorir e os que apresentam fotos, é raro aquele que não contém pelo menos uma do seu pénis erecto. É o que eu chamo: um paraíso virtual para os gays mais dessimulados. Também é curioso (ou nem por isso) averiguar o seu número de respostas, ou melhor, a ausência delas. Sortudo aquele que obtém uma resposta, um hiper-felizardo aquele que chega às 2 e mais que isto, será mais certo ganhar o primeiro prémio do Euromilhões. Mesmo assim, tenho sérias dúvidas que os seus remetentes sejam mesmo mulheres.
Mas porquê que isto acontece? Será que as mulheres não gostam também de sexo? Adoram! Então as minhas poucas dúvidas e mais certezas continuam: o problema não estará no tipo de abordagem? Não será que as mulheres serão suficientemente inteligentes para se deixar impressionar e sensibilizar com meia dúzia de palavras tontas e banais acompanhadas, mesmo ali ao lado por uma foto, com um marsápio em riste apontado na sua direcção, quase a querer parecer dizer “meninas, aqui estou eu para vos satisfazer e caso não tenham percebido foi com a minha cabeça que essa mensagem foi escrita, a outra está ocupada com coisas bem menos importantes, como por exemplo, arranjar uma desculpa a dar a esposa para chegar mais tarde a casa”?
A secção “homem procura homem” também contém muitos anúncios, mas pelo o que me constou e apesar de ser um departamento bastante animado, parece que o grau de sucesso não é muito maior que o anterior. Consta que há por lá muitos homens que começaram inicialmente por colocar anúncios à procura de mulher, passaram pela secção de “casais” e acabaram por ficar ali, à procura da tal “primeira experiência”. Que versatilidade, penso eu. Também me disseram qualquer coisa do género: “alguns anúncios e respostas são claro fruto da tesão do momento e nada mais...”. Eu acho que compreendi e questiono: quem é que ainda tem paciência para perder tempo com cromos difícieis e casos, logo à partida, perdidos?
segunda-feira, agosto 08, 2005
sexta-feira, agosto 05, 2005
Deshibernação
Todo um país estagna. Não ficaria preocupado se não estivesse em Portugal e o desconforto aumenta, se pensar que este país necessita de tudo menos de (mais) períodos “silly”. E este calor sufocante, como o de hoje, também não ajuda, é certo.
Estamos num período de férias por natureza, em que as zonas balneares e outros locais veraneantes se enchem de multidões. Sítios a evitar, portanto. Entretanto as grandes cidades ficam mais habitáveis, calmas, com menos trânsito e pessoas (a afluência de turistas nestas alturas não chega geralmente para compensar o número de pessoas que deixaram os centros urbanos). Este mês é o tal, aquele que mais visito Lisboa, seja para ir ao cinema ou para visitar alguns amigos que quase não me põem a vista em cima ao longo do resto do ano (exagero, claro, mas não assim tão longe da verdade). Amava ainda mais esta cidade se fosse sempre assim.
segunda-feira, agosto 01, 2005
Ódio de estimação I
Imaginamos um carro a circular a 120 Km/h na faixa central de uma auto-estrada, ao deparar-se com uma viatura na mesma faixa, a circular a, suponhamos, metade (sim, já presenciei tal situação) da quilometragem horária daquele, o seu condutor tenta desviar-se para a faixa da esquerda (não esquecer que é proíbido ultrapassar pela direita) só que não repara que circulava já outro veículo e o acidente acontece. Causa do sinistro: excesso de velocidade, pois claro!
Exmº Governo, numa época de contenção de custos públicos mesmo com TGV’s e mega-aeroportos à mistura, pondere-se melhor então na criação ou aumento de mais faixas de rodagem, pois as que temos presentemente, pelos vistos, chegam e sobram.
terça-feira, julho 26, 2005
Poluição Sonora
Estava eu bem instalado numa tranquila esplanada a tomar uma cervejola quando de repente se instalam, numa das mesas que ainda se encontravam vazias, três rapazes, relativamente novos (vintes e tais, pelas minhas idades, portanto), cobertos por uns “trapinhos” da moda: umas t-shirts com cores que deviam dispensar a utilização dos coletes retrorrelectores NP EN 471 (actualmente obrigatórios sempre que seja exigida a utilização do triângulo de pré-sinalização de perigo) e umas bermudas claras. Para compor a toilette, uns óculos enormes mas muito fashion.
Começa a palhaçada.
Falam de amigos, namorados, ex-namorados, familiares... tudo no feminino!? Era fácil de perceber o género a que se estavam a referir, já que seria mais evidente acreditar que o ministro Campos e Cunha se tenha demitido por razões familiares do que um deles ter “feito aquela” (sendo esta uma rapariga e não um rapaz, como se subentende pela linguagem deles).
Falam também das últimas compras, das marcas de roupas, das viagens a Paris...
quinta-feira, julho 21, 2005
O monstro quer um amigo!
Hoje apeteceu-me recuperar este disco dos Ornatos.Estas letras dizem-me tanto que até fico com vontade de exclamar: Oh Manel partilha um pouco comigo essa dor, rapaz!
Isto é só um exemplo do que se pode encontrar por aqui:
Ouvi dizer que o nosso amor acabou.
Pois eu não tive a noção do seu fim!
Pelo que eu já tentei,
Eu não vou vê-lo em mim:
Se eu não tive a noção de ver nascer um homem.
E ao que eu vejo,
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi!
E eu fiquei com tanto para dar!
E agora
Não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva!
E pudesse eu pagar de outra forma!
Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã,
E eu tinha tantos planos pra depois!
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós;
Sem tirar das palavras seu cruel sentido!
Sobre a razão estar cega:
Resta-me apenas uma razão,
Um dia vais ser tu
E um homem como tu;
Como eu não fui;
Um dia vou-te ouvir dizer:
E pudesse eu pagar de outra forma!
Sei que um dia vais dizer:
E pudesse eu pagar de outra forma!
A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga! ora doce!
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!
sábado, julho 16, 2005
O país das maravilhas
Lembrei-me de começar a contar esta estória após ter lido a magnífica crónica de Miguel Sousa Tavares no Público, na edição de ontem. Ele falava sobre o Brasil e eu talvez não.
quarta-feira, julho 13, 2005
Escritoras ultra-light
Portugal não poderia deixar de ser excepção.
Geralmente são fases da vida, para fazer face a qualquer problema, implícita ou explicítamente revelado, na maioria dos casos, de ordem financeira. A época em que se trocou os cafés e uns queques com as amigas por umas quecas com os amigos. Básicamente é isto.
Resta saber se esta putanhice súbita já existia dentro delas ou se foi só um pretexto para escrever o livro. Se for esta a situação, estamos perante casos de um claro subaproveitamento de talento e quem de direito devia tomar mais atenção a estas meninas. Claro que não estou a dirigir o meu apelo aos donos de casas de alterne!
Nota: Obviamente que não são os comportamentos que estão aqui em causa mas sim o seu fim.
segunda-feira, julho 11, 2005
A gargalhada do dia
Peguei numa dessas revistas ao acaso e ao esfolhea-la deparei-me com algumas fotos dos convidados à entrada do local aonde decorreu a cerimónia... mas ainda dentro das suas respectivas viaturas. Junto a tais fotos, dessa gente mais ou menos conhecida, encontravam-se as respectivas legendas: Beltrano com a sua esposa e filhos, Fulana e o seu namorado, Xismano e a sua companheira... e "Diogo Infante e um amigo"!
quinta-feira, julho 07, 2005
Cobardes!
segunda-feira, julho 04, 2005
A gente não é burra, é distraída!
sexta-feira, julho 01, 2005
O sucesso?

"O sucesso do Salão Erótico de Lisboa está a ser tal que os organizadores já dobraram o número de visitantes esperados para os quatro dias do evento para 40 mil. Ontem, nas primeiras duas horas de abertura, o Pavilhão 4 da FIL recebeu quase o dobro de pessoas que o evento em Barcelona no ano passado, no mesmo período." in Destak
Os portugueses sempre gostaram deste tipo de manifestações culturais? Sim! Adoram sexo? Sim! Gostam de ver e apalpar umas maminhas, nomeadamente de senhoras que não partilhem consigo o mesmo tecto? Sim! Então afinal de contas: qual é o espanto?
quarta-feira, junho 29, 2005
Enfim virgem de novo
quinta-feira, junho 23, 2005
Não há belo sem senão...
Sendo assim, das duas uma, ou se escolhe um "borrachão" conscientemente de que se poderá vir a sofrer com as possíveis (e impossíveis) infidelidades futuras com muita desconfiança e instabilidade pelo o meio, ou se opta por um rapazolas pacato, sem grandes qualidades físicas aparentes e de preferência: visíveis, mas que lhes proporcionará sem dúvidas a probabilidade de encontrar a tal felicidade eterna. Não é que estes sejam mais fieis, mas as hipóteses de o não ser e do aliciamento por parte de "terceiros", cai, no mínimo, para metade.
quarta-feira, junho 22, 2005
Sexo Vegetal
Um rapaz com o qual mantenho algum (cada vez menos, felizmente) contacto pelo o messenger, pseudo-hetero-maxo que tinha colocado um anuncio a procura de outros pseudo-hetero-maxos para um encontro real que não inclua sexo oral, beijos e outras "demonstrações de maior afectividade", explicou-me hoje que: "um gajo que faz broxes a outro não pode depois andar aí a comer gajas". Este mesmo rapaz já me tinha confessado, entretanto, que enquanto se masturba gosta de enfiar cenouras e pepinos pelo cu adentro.
Não acho justo. Malditos especialistas que souberam tão bem dar nome aos paneleiros que se beijam e se broxam entre eles e esqueceram-se de apelidar estes gajos que se consolam sexualmente com legumes.
Um dia nim
Assim mesmo, momentos extremos, sem qualquer tipo de causa óbvia mas que surgem na nossa vida como uma espécie de jogo de compensações. O meu melhor yin e yang dos ultimos tempos surgiu na semana passada. Estava a gozar um belo dia de férias e mais uma vez aproveitei a boa onda de S. Pedro para ir até à praia, mas a minha felicidade foi subitamente abalada quando uma senhora brasileira (distraída) e a sua respectiva viatura vieram contra a minha. Resultado: muita chapa batida no meu carro e dois riscos no pára-choques na outra viatura, é justo!? "Prontos, já tenho o dia fodido!", pensei eu. Enfim, tratou-se das papeladas ("Senhora temos que preencher a declaração amigável?"... "Oi?... oh meu lindo, o que é que é isso?"...), trocou-se contactos e mais meia dúzia de palavras e passado meia-hora e já tinha retomado o meu caminho para a praia, pelo menos na tentativa de tentar esquecer este triste e chato acontecimento.
Estava um dia de praia 5 estrelas: céu limpo, o mar calminho (para a praia que eu costumo frequentar isto significa ondas não superiores a um metro e não desnorteadas) e poucas pessoas espalhadas pelo longo areal. Logo que cheguei ao meu poiso, tratei de me por logo de "molho", para logo depois estender-me ao sol. Estava uma ligeira brisa, o que fazia com que o sol abrasador característico das 2 da tarde destes dias de fim de primavera não se sentisse tanto e por tal, também, não terá dificultado o facto de ter adormecido logo de seguida.
Passado algum tempo acordei e julgo que o meu despertador terá sido os ruídos das gaivotas que pairavam sobre a areia junto ao mar na tentativa desesperada de capturar os peixes mortos que davam à costa, provavelmente presos por qualquer rede de um barco que terá passado por ali.
Ainda com os olhos semi-cerrados, olho para o extenso areal que me circundava e consigo destinguir com algum esforço para além da meia-duzia de banhistas que se encontravam igualmente estendidos pela a areia, alguém que corria ao longo da praia na minha direcção. Fico ali sentado na toalha a contemplar tal personagem, que à medida que as nossas distâncias encurtavam o meu interesse e curiosidade aumentavam. Passados mais alguns segundos já o conseguia visualizar nitídamente e entenderia melhor o meu interesse por tal pessoa. Tinha um porte atlético maravilhoso, um bom tronco, um belo par de pernas, usava na altura uns calções vermelhos curtos, largos e muito sexys. Quando passou por mim, abrandou a corrida e acabou mesmo por parar bem perto de mim. Continuou a olhar para mim e eu também não desviei o olhar. Parece ter sido tão intenso e eficaz ao ponto de ele ter tirado os calções e ter-se ido refrescar no mar. Deu um mergulho e passado alguns minutos ja estava junto da sua toalha que entretanto tinha deixado na areia. Usou-a para secar aquele belo "corpanzil" e continuou a olhar-me. E eu retribuía. Começou a subir pelo o areal acima, passando por mim e nunca tirando aqueles largos olhos sobre os meus. Refugiou-se na vegetação que ficava para além da estrada pedonal que dava acesso à praia. Eu, excitadíssimo, em todos os sentidos possíveis e imagináveis, vesti os meus calções e segui-o. O resto imagina-se... Saliento unicamente o aperto do primeiro abraço e os saborosos beijos que me deu. Era acima de tudo aquilo que necessitava naquele dia. Também fodemos, pois trouxe um preservativo na sua carteira. Depois trocamos nomes (Paulo), idades (38, aparentava ter menos idade), profissões (militar, explicou muita coisa), estado civis (casado, explicaria a aliança?!) e contactos ("Que rede tens?" - aparentemente parecia ter um telefone para cada rede... típico!), entre outras informações. Ele seguiu o seu caminho e eu voltei para a toalha com um enorme sorriso na minha cara. Passados 2 dias voltamo-nos a encontrar na minha casa e apesar de até o ter achado ainda mais atraente, estava bem vestido, com o cabelo cortado (à militar, pois então), sem areia e menos salgado achei este encontro... insonso, menos intenso, mais frio e foi estranhamente rápido. Não o voltei a convidar a vir a minha casa e ele também não deu mais notícias.
Entretanto continuo a aguardar pelo o contacto da companhia de seguros para marcação da peritagem a fazer ao meu carro para avaliação dos prejuízos do acidente (que não serão pagos por mim, obviamente) deste estranho dia.


