segunda-feira, outubro 31, 2005

sábado, outubro 29, 2005

Chatices

(...)
agent:> e tu?
anónimo:> sou só um pouco mais velho, 32
agent:> então e o que fazes por aqui?
anónimo:> nada de especial, só quero conversar
agent:> uma conversa as vezes tem tudo para ser especial
anónimo:> lol
anónimo:> é verdade
anónimo:> pah... procuro conhecer pessoas e tb melhor a mim próprio, claro
agent:> Fixe!
agent:> e tens conhecido muito?
anónimo:> pessoas ou de mim?
agent:> ambos
anónimo:> nunca conheci ninguém através de chats, porque o meu interesse nestas coisas é so virtual...
agent:> pk?
anónimo:> pah, não sou gay mas tenho algumas curiosidades
anónimo:> quero saber como é que funciona
agent:> o k?
anónimo:> a cena entre dois homens
anónimo:> tu és gay? bi?
agent:> sei lá... atrai-me mais as pessoas e os seus corpos, do que propriamente os sexos... não quer dizer que o sexo dele(a) não seja importante, mas coloco-o noutro patamar... que terá a sua devida importância no acto em si ;)
anónimo:> acho que compreendi
anónimo:> e se calhar tb sou assim um pouco, não sei
agent:> se calhar somos todos...
anónimo:> pois
anónimo:> é assim vou abrir o jogo ctg
anónimo:> eu sou casado mas de vez em qd penso em estar com um h, ou pelo menos tenho a curiosidade de saber como me comportaria se estivesse com um h
agent:> se terias tusa?
anónimo:> sim
agent:> mas excita-te a ideia?
anónimo:> s
agent:> hum...
anónimo:> pah mas uma coisa é o pensamento outra coisa é a realidade
agent:> ?? realidade?
anónimo:> sim ao vivo
agent:> exacto
agent:> tabus... quem os não tem?!
anónimo:> deve ser isso
anónimo:> as tantas deves julgar que sou um tipo anormal, frustado que já devia ter idade para saber o que quer
agent:> eheh... nada disso
agent:> és um tipo perfeitamente normal com os preconceitos e tabus normais desta sociedade
agent:> há quem os consiga ultrapassar, há quem não
anónimo:> tu já os ultrapassaste então?
agent:> não colocaria as coisas dessa forma,
agent:> digamos que estas coisas relacionadas com a nossa sexualidade depende acima de tudo do meio que nos rodeia, da família, da cultura, da religião, ... tudo o que nos posso directa ou indirectamente influenciar
anónimo:> e tu não és influenciável?
agent:> sou como quase toda a gente, acho
agent:> mas tenho as minhas prioridades... o que é mais importante para ti na TUA vida?
anónimo:> se la
anónimo:> ser feliz
agent:> ora bem! ;)
agent:> tb é a minha
anónimo:> então e os nosso genes e essas merdas? não influenciam?
agent:> eheh.. O XY (fórmula de cromossomas do h) é de facto a primeira condição do ser humano masc. mas isso não chega para o caracterizar
agent:> a masculinização põe em jogo varios factores (aquilo que te falei antes) q nada têm a ver com a genética e que pelo menos na minha opinião têm mt + peso e uma acção determinante nisso.
(...)
anónimo:> ya mas há coisas que ainda me fazem confusão
agent:> por ex.
anónimo:> olha por exemplo acho que nunca conseguiria levar no cu
agent:> pk?
anónimo:> dasse não dava, gosto muito do meu cuzinho e não se vê mas tem lá um sinal a dizer "sentido unico"
anónimo:> sabes como cá se diz? quem quer um rabito bom.... que estime o seu!!!
agent:> hum... já pensaste na fome que passavas se toda a gente pensasse assim?
anónimo:> lol
anónimo:> matava a fome noutro sítio lollll
agent:> eu referia-me a TODAS as vias que poderiam muito bem só ser usadas em sentido único! ;)
anónimo:> lolll
anónimo:> olha tenho que saír
agent:> ok
anónimo:> gostei de tclr ctg
agent:> tb, espero pelo menos que "tivesses-te conhecido" mais um pouco
anónimo:> oh sim!!!
anónimo:> abraço
agent:> foi um prazer...

sexta-feira, outubro 28, 2005

Amor de estimação III


Seat Leon 2.0 TFSI

"O novo propulsor de quatro cilindros e 2.0 litros com tecnologia FSI de injecção directa, sobrealimentado por um turbo, está associado a uma caixa de seis velocidades, debita 185cv e um binário máximo de 270 Nm obtidos desde as 1800 até às 5000 rpm. Atinge uma velocidade máxima de 221 km/h, acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 7,8 segundos e dos 0 aos 1000 metros em 28,4 segundos.
Disponível exclusivamente na versão Sport-up, incorporando de série um equipamento muito completo: jantes de liga leve de 17 polegadas, pneus 225/45, suspensão desportiva, bancos desportivos e interior específico, volante de pele ajustável em altura e profundidade, faróis de nevoeiro, retrovisores eléctricos exteriores, aquecidos com recolhimento eléctrico e na cor da carroçaria, dupla saída de escape, sigla "TFSI" (o "T" em cor prateada e as letras "FSI" em encarnado) localizadas por debaixo dos piscas laterais, ar condicionado climatronic, computador de bordo, cruise control, vidros eléctricos, dianteiros e traseiros, rádio com oito colunas e comandos no volantes."
Sai já no próximo mês e para o trazer para casa só (?) tem que se desembolsar 31.115 €. Entretanto, aproxima-se o natal e tal... Pode ser em Preto!

quinta-feira, outubro 27, 2005

A "Maria" está diferente

Por cortesia do Sr. Engenheiro:


Conheço muito boa gente que para além de falar com o dele, passa muito tempo à conversa com o dos outros. Grandes comunicadores natos!

terça-feira, outubro 25, 2005

Os "novos" super-heróis

Alguém ainda tem paciência para assistir a combates com super-heróis tão desinteressantes?


VS

segunda-feira, outubro 24, 2005

Divinos & Gays

Agora que estava justamente a pensar em casar-me e ir comprar o meu “vestido” na Dolce & Gabbana, deparo-me com esta notícia tão desanimadora.

Será que percebi bem? Resumidamente: o Domenico e o Stefano, divorciaram-se há um ano mas ainda se amam muito, não têm ciúmes um do outro pois são duas pessoas inteligentes, continuam a viver no mesmo prédio e querem ter mais de uma dezena de filhos (?). Por outro lado dizem que são contra o casamento e adopção de crianças por duas pessoas do mesmo sexo, que estes deviam mudar a sua postura face à Igreja Católica e que o novo Papa, o Cardeal Ratzinger, é baril!

Entretanto, fui ao site oficial da marca que representam e deparei-me com as novas colecções, surpreendeu-me especialmente a grande ênfase dada à colecção de criança, que só por muita coincidência poderiam explicar, em parte ou no seu todo, o que anteriormente foi dito. Ora essa...

quarta-feira, outubro 19, 2005

O desejo e as artes


Ele está por todo o lado. Todos nós o sentimos ao longo dos nossos dias e das nossas noites. Mas haverá forma de o transformar em algo de mais estático, algo que se pudesse ver e rever, ler, tocar...? É possível materializar o desejo? Recorri a algumas formas de arte para o tentar demonstrar. Proponho de seguida três exemplos que julgo conseguirem responder afirmativamente a tais questões e, ao mesmo tempo, justificá-las.

Literatura

Retirado do livro “Esfolado Vivo” de Edmund White, deixo este breve e admirável trecho:
“(...)
O cheiro a madressilva era muito forte e ele pensou que nunca tivera realmente os tipos que queria, os grandes matulões do liceu, os louros com fortes vozes de tenor, hálito de cerveja, sorrisos cruéis, ancas magras, de olhar fixo e insolente, os tipos com quem era impossível fazer amizade se não se fosse exactamente como eles. Pensou que com tantos milhões de pessoas no mundo devia haver uma possibilidade de ele ter agradado pelo menos a um tipo assim, mas as coisas não se tinham passado desse modo. É claro, mesmo quando se tinha alguém, o que é que se tinha?(...)
Depois lembrou-se de que fora por ali que o rapaz ruivo mijara um circulo castanho e Luke procurou vestígios dessa mancha debaixo de uma árvore. Tocou mesmo na terra, sentindo a humidade. Perguntou a si mesmo se o simples facto de alimentar aquele chocante pensamento não seria suficiente para o seu objectivo; mas não, ele preferia a cerimónia de fazer qualquer coisa real.
Achou o Lugar – ou assim julgou – e levou a terra aos lábios. Recomeçou a correr, mastigando o saibro como se isso pudesse ajudá-lo a recuperar o passado, se não a saúde. A transfusão de terra húmida deu-lhe mesmo um novo acesso de energia.”


Escultura





“Os Pugilistas” de Giochino Chiesa
Qualquer escultura poderá moldar ideias e sentimentos em sentido figurado mas por vezes, e como acontece com esta, em sentidos opostos. Vemos dois boxeurs, numa sessão de luta (a violência, o ódio?) mas num momento em que parecem auxiliar-se mutuamente, de tal forma que sugere um abraço (o afecto). Para baralhar mais as nossas ilações: estes homens lutam nus! Serei o único a ver desejo neste combate?

Cinema


Só com muita ignorância e incompreensão se pode rotular esta obra como um filme gay!
“O Fantasma” de João Pedro Rodrigues é um dos mais interessantes e complexos filmes portugueses dos últimos tempos. Acompanha a rotina de Sérgio, tanto no seu trabalho (recolha de lixo – profissão não escolhida ao acaso: haveria outra melhor para representar alguém que existe e que parece não se ver? A Profissão-Fantasma?) como em deambulações solitárias pela noite na cidade de Lisboa. Mas este filme não é só isto, também é um ensaio sobre a natureza animal do ser humano. A personagem principal vive em constante desejo, seja em relação a outros homens, a uma mulher (Fátima; neste caso, parece-me, é ele que se torna o objecto de desejo), por determinados objectos ou até por si próprio. Ele não parece ter (nem deseja conseguir) qualquer controlo sobre os seus sentidos.

Não deixa de ser curioso que a personagem com quem Sérgio se relaciona melhor afectivamente, seja, nem mais nem menos, que o seu próprio cão. E encontramos o sentido mais profundo desta relação nos seus comportamentos "caninos" através dos quais Sérgio dá corpo à sua pulsão sexual: a marcação de terreno com a urina, as brincadeiras iniciais com Fátima, ou as lambidelas no balneário (cena magnífica).

A máscara, na qual o personagem se refugia, também poderá adquirir múltiplos significados. No entanto torna-se evidente que é com ela que Sérgio avança para concretizar os seus mais íntimos desejos, seja para invadir a privacidade do rapaz que tanto quer (“Ninguém pode viver sem amor”, a frase que curiosamente surge no topo do cartaz deste filme... sim, “O Fantasma” também é sobre o amor e a solidão) ou na sequência final, em que parece perder todo o contacto com a racionalidade e deambula, já quadrúpede, numa lixeira, mas sempre atrás de algo desejado (um coelho, por exemplo). A máscara do desejo, portanto. Todos temos a nossa mas todos o saberão?

terça-feira, outubro 18, 2005

Baby Boom

Todos sabemos que tantos os homens como as mulheres têm os seus melhores períodos de fertilidade. Sendo assim, deduzo que daqui a 9 meses haverá um aumento de nascimentos, com uma especial incidência em lares aonde o chefe de família seja benfiquista.

terça-feira, outubro 11, 2005

O "deslumbrante mundo aberto" do Sr. Navarro e do Sr. Neves

"(...) Num outro espaço, o Fórum Lisboa, vivem-se tempos incertos. O edifício pode não ser o mais atraente dos espaços, mas parecia estar a dinamizar-se com a realização regular de concertos e festivais de cinema, depois de anos votado ao esquecimento. A gestão estava confiada à EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural), passando agora a ser exercida pela Câmara Municipal em concertação com a Assembleia Municipal, que ali se reúne semanalmente.
As primeiras declarações de intenções deixam antever o pior. À imprensa, António Modesto Navarro, presidente da ASL, disse que a ocupação do local "tem sido um pouco exagerada, com actividades pouco dignas e respeitosas." Por esclarecer ficam que actividades seriam essas. Ao longo dos últimos meses por ali tocaram Lhasa, Josh Rouse, Feist, Rodrigo Leão e tantos outros e ali se realizaram festivais como o Indielisboa, Cosmopolis ou Gay e Lésbico. O Fórum parecia afirmar-se definitivamente como plataforma de encontro e criação. (...)"
Vítor Belanciano, Publico, 9.10.05
"(...) As televisões assumem que quem os vê é estúpido e bruto. Esse desdém pelo cliente sente-se, desde logo, no descuido com que os canais violam os seus próprios horários de programação. Mas o principal sinal está na opção arrogante pela indoutrinação da massa ignara. É curioso, mas triste, voltar a ver a atitude paternalista do salazarismo, agora com propósitos opostos.Por exemplo, dizem-me que nestes meses vários concursos e novelas decidiram outorgar ao país um curso catequético completo sobre homossexualidade. Impondo os dogmas do género e elaborando as doutrinas da seita, querem apresentar essa visão como a única verdade aceitável. O pedantismo é o mesmo dos antigos programas do Movimento Nacional Feminino sobre lavores ou economia doméstica; a subtileza é igual à das Conversas em Família, de Marcelo Caetano. Só que sobre sodomia.Que se pode dizer acerca disto? Que esta fase não vai durar muito. Num mundo aberto, o mau gosto raramente domina a totalidade. O deslumbramento libertário acabará por ceder ao enjoo, à reacção dos bons profissionais, à frescura da nova geração. Aliás, contando com a ajuda da tecnologia. A TV por cabo traz verdadeira liberdade e os programas aí têm de ser bons para segurar os subscritores. Com a penetração desta última, não tarda que os canais generalistas tenham de mudar. Senão passarão a meros canais temáticos da obscenidade."
João César das Neves, Diário de Notícias, 11.10.05

Parece que o Sr. Modesto Navarro e o Professor César das Neves, ultimamente, têm andado a partilhar qualquer outra coisa para além de ideias.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Ego vs Eros

Já me passaram homens pelas "mãos" que nunca amarão ninguém nesta vida, nem outros homens nem a(s) sua(s) própria(s) mulher(es), a não ser eles próprios. No entanto, parecem-me mais felizes que quaisquer outras pessoas...

segunda-feira, outubro 03, 2005

O eclipse "analar"

Alegra-me o facto de um eclipse causar mais excitação que qualquer campanha para as eleições autárquicas (excepto as participadas pelos candidatos Rui Rio e Fátima Felgueiras, em sentidos inversos de excitação, claro), mesmo que tal raro fenómeno não traga qualquer contrapartida material para fazer concorrência ao avental, à caneta ou ao autocolante...
Quando liguei a TV hoje de manhã e deparo-me, num dos directos, com um senhor munido de uma máscara de soldar a berrar: "está todo lá dentro!" é que percebi a real dimensão da "coisa".

sábado, outubro 01, 2005

Dor maior




O grande destaque do 50º World Press Photo é o trabalho vencedor da autoria do fotógrafo indiano Arko Datta. A foto foi tirada em Cuddalore, Tamil Nadu, em 28 de dezembro de 2004. A imagem mostra uma indiana lamentando a perda de um parente morto na catástrofe do Tsunami Asiático. Mais que lágrimas ou choros demonstra um tal sofrimento elevado ao expoente máximo de desespero. Uma foto belíssima, portanto.

A exposição do W.P.P. está patente no Centro Cultural de Belém em Lisboa a partir de hoje até dia 23 de Outubro, juntamente com as fotos do Prémio Fotojornalismo Visão/BES.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Amor de estimação II


Brokeback Mountain
“Acaba de caír um dos últimos bastiões heterossexuais no cinema, o western. O responsável é o realizador taiwanês Ang Lee (“A Tempestade de Gelo”, “O Tigre e Dagrão”) ...”

Assim começava o texto/crítica de Eurico de Barros (Diário de Notícias, 3/10/2005) por alturas do Festival de Veneza deste ano. O filme em questão chama-se “Brokeback Mountain” e acabou por ganhar o prémio máximo desse festival: o Leão de Ouro. Descrito pela crítica como o primeiro western gay, este filme conta uma história de amor homossexual entre dois cowboys no Estado de Wyoming, nos Estados Unidos, que tem início em 1963 e termina 20 anos depois e é protagonizado por Heath Ledger e Jake Gyllenhaal.
Trata-se de um filme que foge dos clichés habituais de películas com homossexuais e aprofunda a relação de dois homens aproximados pela solidão e pela natureza. Finalmente se fez um filme com homossexuais não estereótipado, sem ser um "histérico" manifesto gay ou a habitué história sobre a auto-repressão homossexual. Aleluia! Por outro lado, representa um desafio à figura do lendário e indomável vaqueiro “macho” americano, num local e numa altura em que se corria o risco de vida se tal sexualidade fosse revelada.

Por tudo isto e não é pouco, arrisco e digo: “Brokeback Mountain” é já um "amor de estimação", mesmo sem o ter visto e nem sequer ter estreia prevista (fala-se no final do ano para os EUA e no início do próximo para a Europa) nas salas de cinema.

"Trabalhei com o coração. O amor é igual para todos. Todos temos nossa Brokeback Mountain particular, um lugar para nos refugiarmos e encontrarmos o próprio passado". Ang Lee

segunda-feira, setembro 19, 2005

A ditadura do relativismo


A extrema-direita sempre existiu e se manifestou no nosso país, seja através de inexpressivos partidos ou associações, seja através de actos isolados tomados a cargo pelos “cabeças rapadas” ou por outras personagens menos indiscretas e menos mediáticas. No entanto, o que os destingue na actualidade é que se tornaram mais activos e, consequentemente, mais visíveis. Neste momento, e ao contrário do que acontecia há 20 anos atrás, dão a cara e mostram orgulhosamente os seus slogans. De certa forma, os seus objectivos primários estão a ser cumpridos e esta mediatização já ninguém lhes tira.

Se não houvesse nada mais criticável na sua luta, poder-nos-íamos limitar a hipocrisia da forma como ela é demonstrada. Vejamos o caso, da sua última manifestação realizada, ontem, no Parque Eduardo VII em Lisboa. Uma manifestação contra a cada vez maior visibilidade dos gays na sociedade actual e um tal “lobby gay”, mais especificamente junto dos meios de comunicação social (como se tal, de certa forma, pudesse converter toda a gente – nomeadamente as crianças, pois pelas palavras de ordem e respectivos cartazes, são elas a razão de todas as suas preocupações neste momento; é caso para perguntar: também servirão de justificação para o ataque que alguns desses senhores efectuaram no dia de 10 de Junho de 1995 no Bairro Alto que vitimou um imigrante cabo verdiano? - ao “homossexualismo”. E como travam tal digna batalha? Com visibilidade e mediatismo, pois então.

A estratégia é, aparentemente, simples mas pode ser perigosamente eficaz. Pega-se em diversos temas, uns amplamente condenáveis e de cariz popular outros nem tanto, mas todos no mínimo polémicos, tudo que irá “contra esta sistemática e intencional destruição dos valores e imposição da ditadura do relativismo”, mistura-se tudo e tenta-se estabelecer uma relação entre eles de forma a causar qualquer impacto junto das pessoas, nem que seja a perplexidade pela sua capacidade de imaginação. Utiliza-se o chavão da “insegurança nas nossas ruas e nas nossas praias” culpabilizando as minorias étnicas e a nossa política liberalista de imigração, usa-se o muito discutível tema da “adopção de crianças por casais homossexuais” e, como não podia deixar de ser, a pedofilia (sim? Dizem que cerca de 80% dos homossexuais são pedófilos, mesmo que depois não o consigam comprovar para além de um “li na internet”, como respondeu um dos manifestantes entrevistados num dos noticiários da SIC) para atacar os homossexuais em todas as frentes. Estes são só dois exemplos, mais se seguirão, pois irão continuar a usar quaisquer outros assuntos que sirvam de mote para restabelecer a ordem, não a nossa, a deles e dos seus ideais. Mesmo que tais palavras de ordem façam tudo, menos qualquer sentido.

Nada disto seria mais estúpido, nada disto seria mais assustador se não estivéssemos num país com uma larga percentagem de analfabetismo, moderadamente conservador, mediaticamente influenciável e pior do que tudo isto: com memória curta.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Até...

...ao meu regresso. São só duas semanas, mais coisa menos coisa.

quinta-feira, agosto 25, 2005

A descoberta da pólvora

"Nas mais diversas câmaras do País há projectos imobiliários que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais"... "as estruturas corporativas são hoje muito mais fortes porque têm uma aparente legitimidade democrática. Se os vereadores do Urbanismo são os coveiros da democracia, os partidos são as casas mortuárias"... "os pelouros do Urbanismo das maiores câmaras são o local onde tudo se joga"... "Existe uma preocupante promiscuidade entre diversas forças políticas, dirigentes partidários, famosos escritórios de advogados e certos grupos empresariais".

Paulo Morais, vice-presidente da Câmara do Porto, revista Visão (edição desta semana)

quarta-feira, agosto 24, 2005

Uma infidelidade para ti, uma infidelidade para mim

Quem é que hoje em dia ainda pensa que um divórcio seja uma experiência enriquecedora? Bom, para além dos advogados...
Pelo que tenho presenciado junto de alguns casais amigos, se antes uma deslealdade matrimonial desencadeava imediatamente um processo de divórcio (em parte dos casos e porque a revolta era de tal ordem que só se resolvia no litígioso), hoje em dia, um encornanço paga-se com... outro encornanço.

Vejamos o caso de um caro amigo que mantinha uns contactos escaldantes com umas “amigas virtuais” no messenger. Um dia, a sua esposa (estranhando o facto de ele passar, de uma forma continuada, muitos serões a “trabalhar” no seu computador lá de casa) alterou uma das opções do dito programa de forma a passar a gravar para o disco rígido, instantaneamente e sem que o seu utilizador se aperceba, todas as conversas que por lá sejam mantidas. O resto da história se não se sabe, imagina-se, já que se confirmaram as suas desconfianças: o seu marido era-lhe infiel, virtualmente infiel, com mais do que uma mulher. Este contou-me que “as coisas ainda andaram meio tremidas durante uns tempos” mas ele acabou por convence-la, mesmo tendo ela suficientes provas de que haveria combinações e detalhes que a induziam a pensar o contrário, de que nunca estaria fisicamente com qualquer uma daquelas raparigas e de que uma possível separação poderia trazer muita instabilidade emocional aos seus filhos e restante família. Consta, também, que não passou muito tempo para que a situação voltasse ao “normal” mas com umas ligeiras alterações: ele continua ocupado algumas noites com “horas extras” no computador e ela não anda menos desconfiada que anteriormente, no entanto, parece que ocupa mais do seu tempo a cuidar de si e que arranjou um novo colega de trabalho com quem partilha muitas afinidades, profissionais e não só.

De certa forma esta “evolução” das relações monogâmicas para além de ser mais justa, parece-me ser, acima de tudo, mais cómoda. Até poderíamos receber um prémio pela originalidade da ideia, se todos os outros animais (irracionais?) que partilham connosco este planeta não a praticasse desde há muitos milhões de anos atrás.
O que é verdadeiramente importante é que ninguém se chateia, continua-se por aí a proclamar o amor eterno e os tradicionais valores da família de boca e barriga cheias... mas com a cabeça mais pesada, é certo, mas consentida... E estas modernices até a Igreja Católica aprova, digo eu.

sexta-feira, agosto 19, 2005

O amor é fodido

O amor entre dois homens pode ser das coisas mais belas e raras deste mundo mas pode ser também das coisas mais destrutivas que por aí há, nomeadamente quando não há sintonia e algum consenso.

Um conhecido meu (o Zé) engatou um gajo na cidade universitária e iludido, apaixonou-se. Ainda mantiveram uma relação mais ou menos estável durante 2 meses. Entretanto, parece que o outro rapaz se foi afastando gradualmente e a relação degradou-se. Encontrei-o há dias, completamente abatido, sob o efeito de antidepressivos (receitados por um médico) e fisica e psicológicamente desgastado. O Zé nem é, aparentemente, um rapaz muito dado a sentimentos mais profundos, pelo menos é essa a imagem que tenta passar aos que lhe rodeiam. Mantém aquela postura de rapaz muito forte, independente e imune a estas partidas do coração. Encontro-o neste estado e eu, desprevenido, fico (quase) sem saber o que lhe dizer. Que conselho se dá uma pessoa neste estado, nestas condições? Qual é a melhor forma de explicar a alguém que não se deve tentar governar aquilo que é ingovernável... como o amor de outrém?
O Zé sofre em silêncio pois são muito poucos os amigos com quem partilhou a sua orientação sexual (como se isso fosse algo obrigatoriamente “partilhável”), mas até os outros e familiares já se vão apercebendo da sua angústia.

Penso que ainda pior que todo este seu transtorno físico e psicológico actual causado por este desgosto amoroso, serão as suas respectivas consequências: deixar de acreditar... Ou seja, pior que um presente depressivo e desorientado será sempre um futuro sem esperanças.

terça-feira, agosto 16, 2005

Amor de estimação I

Sigur Rós
Banda islandesa de post-rock, pop/rock ambiental ou qualquer outro estilo a definir. Tendo em conta tudo aquilo que se ouve e se sonha por aqui, pouco interessa a sua catalogação. Quem não se arrepiar e/ou emocionar ao ouvir isto não tem sentimentos e vale mais tranformar-se num calhau, sempre serve de arma de arremesso.


Von (1997)


Von Brigdi (recycle bin) (1998)


Ágaetis Byrjun (1999)

( ) (2002)

Takk... (2005)

O album de 1999 (Ágaetis Byrjun) é o mais conhecido e elogiado pela crítica, será também aquele que recomendo como ponto de partida para conhecer esta banda. Entretanto já ouvi os mp3's de Takk... que só sairá para as lojas, salvo erro, no próximo mês e feitas duas ou três audições, concluo que a fórmula mantém-se e não me parece que vá desiludir os apreciadores dos discos anteriores, nomeadamente dos dois últimos.

sábado, agosto 13, 2005

O cúmulo da negação

... E mais uma vez oiço: "Não dou para isto... Pá, esta é mesmo a última vez!"