sexta-feira, agosto 04, 2006

Culpa, eu?

Ainda referente ao caso "Gis", “transcrevo” na íntegra um dos melhores artigos de opinião que li nos últimos tempos. Saiu na edição de ontem do Público e é da autoria de Madalena Barbosa, especialista em igualdade e género.


Que futuro vai ser o destas crianças, que cometeram um crime grave e sério e que dele são desculpadas? Serão inimputáveis, terão pensado que Gisberta voaria para fora do poço sozinha? Que cidadãos vão ser estes?

Com certeza já toda a gente assistiu a este tipo de cena edificante: o menino, ou menina, anda correndo pela sala. Na alegria do movimento, esquece onde está e bate com a cabeça na cadeira. A mãe, ou pai, corre preocupada. Parar o choro é a urgência, o remédio é a vingança. Assiste-se então ao triste espectáculo, a mãe diz: "Má, feia cadeira que magoou o meu menino!" E bate na cadeira. A compensação oferecida à criança é, portanto, a vingança num móvel imóvel. Não se lhe diz: "Tenha cuidado, olhe para onde vai, veja o que está na sua frente, não se esqueça de onde está." Lição aprendida: a culpa é da cadeira, a consolação é a vingança. Eu não sou responsável. É o mundo material contra a "inocência".
Assim educadas as gentes, não é de espantar que ninguém nesta terra seja responsável por coisa nenhuma.
Há um acidente de estrada? A culpa é da estrada. Ou da árvore que ali estava e não devia. Há fugas de informação do Ministério Público? A culpa é dos jornalistas, ou da informação que tinha pernas. Há descalabro nas finanças? A culpa é das finanças, ou seja de ninguém, o dinheiro corre. Hoje existe mesmo uma "culpada por excelência", a informática. Foi o computador. A máquina enganou-se, eu não. E, se for caso disso, encontra-se um ou uma empregada qualquer, de preferência na base da carreira, que é responsável pelo engano. Erros de informática, erros na feitura de testes de exame, erros nas contas públicas, culpa de alguém? Nem pensar, estas coisas acontecem.
Houve já um acórdão de tribunal sobre um caso de violação de uma menina de 14 anos, em que o violador, apanhado em flagrante delito pelo pai da criança, não foi considerado culpado porque a menina era muito alta. Um metro e setenta e cinco. Logo era culpada por não se ter defendido, mesmo com 14 anos, mesmo sendo o violador um adulto da sua família. Portanto atenção meninas e meninos: acima de um metro e sessenta não há violação.
No célebre caso da criança que apanhou um choque ao carregar num botão de semáforo para atravessar a rua, a culpa foi do semáforo.
E chegamos ao absurdo. A mulher morta pelo marido, vítima de homicídio provado, foi a culpada por ter queimado o jantar. E Gisberta, espancada e atirada a um poço por um grupo de "inocentes criancinhas", foi culpada por ser o que era, pobre e transexual. Mas não só ela, o poço teve grande parte de responsabilidade. Estava ali, tinha 15 metros, era acolhedor. Sugiro que se instaure um processo ao poço. As crianças assim aprendem mais uma lição: não têm culpa, não são responsáveis. Não querem estragar-lhes o futuro.
Que futuro vai ser o destas crianças, que cometeram um crime grave e sério e que dele são desculpadas? Serão inimputáveis, terão pensado que Gisberta voaria para fora do poço sozinha? Que consciência, que cidadãos vão ser estes? Como ficará marcado este episódio na sua memória? Lição aprendida: a culpa é de Gisberta, diferente e inferior, sem importância e que não devia, à partida, existir.
Quando se trata deste tipo de crime, crimes de ódio e de género, baseados no sexo que uma pessoa ostenta ou na sua orientação sexual, é costume, brando costume, culpar-se a vítima. Normalmente mulheres, são culpadas por estar ali, por estarem assim vestidas, por não se defenderem como deveriam, por ter sorrido, ou por estarem sérias, por ter aceite uma boleia ou um convite para um copo. São culpadas e é esta a descendência de Eva.
Isto é tanto mais óbvio quanto as manifestações populares o provam: a família do agressor defende-o acerrimamente, todos dizem "não vão estragar a vida ao homem por uma coisa destas" (coisa que é estragar a vida a uma mulher). Tal como no caso das prostitutas de Bragança, a culpa é das mulheres prostitutas e não dos numerosos clientes que lá vão. A culpa é da amante e não do marido, esse que faltou à palavra, que mentiu, que enganou. Ou da circunstância: "Um homem não é de ferro." Que equivale a dizer que um homem não tem querer, nem vontade, nem capacidade de escolha. É antes governado por instintos. E por isso é um coitado. Não lhes estraguem a vida. Não têm culpa. A culpa é da cadeira.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Nova campanha da Galp & M.A.I.

Menores devem ser tratados como adultos em casos de crime de sangue?

SIM
O conceito de idade da razão ajuda a ver claro: adolescentes de 12, 15 e 16 anos sabem distinguir o bem do mal, seja qual for o meio social em que vivem. Divertir-se à custa do sofrimento alheio, desrespeitar a vida humana causando ofensas à integridade física, recusar auxílio, profanar um cadáver não são brincadeiras de mau gosto. São crimes, cometidos com maldade consciente – e exigem castigo.
João Ferreira, Editor de Sociedade

NÃO
As crianças são as principais vítimas dos adultos – que, normalmente, se esquecem que também foram crianças. São fruto de uma sociedade que não as sabe acarinhar e, muitas vezes, de famílias completamente desestruturadas. Mergulhadas nesta inconsciência colectiva, andam ao deus dará. Algumas, tornam-se perigosas. Devem ser punidas, obviamente. Mas na devida proporção.
Paulo João Santos, Grande Repórter

No Caso Gisberta votava "sim", sem pestanejar.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Enquanto uns se divertem...

A “causa do costume”

A propósito da nova campanha sensibilizadora para a sinistralidade nas nossas estradas, do Ministério da Administração Interna, contra o “excesso de velocidade”, com um avião cheio de criancinhas pelo meio...
Será tal causa suficiente para explicar a nossa desgraça nas estradas?

Concordo com quase todas as penalizações legais aplicadas no código da estrada, no que diz respeito ao “excesso de velocidade”, mas não consigo conduzir devagar. O facto de possuír um cadastro limpo, a nível de sinistros, com 10 anos de carta na categoria B e quase 4 anos na categoria A, não me dá o direito de cometer qualquer ilegalidade por excesso de velocidade, mas para além de enriquecer a minha companhia de seguros, tal sempre pode explicar alguma coisa... nem que seja a nível estatístico.
Eu conduzo nas estradas portuguesas. Actualmente faço em média cerca de 150 Km diários e continuo a achar que os verdadeiros assassinos em potência nas nossas estradas não mais os condutores que andam a pouco mais de 120 Km/H nas nossas auto-estradas e a pouco mais de 50 Km/H dentro das nossas localidades (informação adicional: segundo o Plano Nacional de Prevenção Rodoviária do MAI, a maioria dos acidentes dentro das localidades ocorrem por colisão e os acidentes com peões ocorrem durante o período nocturno), que aqueles que insistem em manter-se numa faixa à esquerda quando possuem uma faixa livre mais à direita, ou os que acham que o manípulo que sinaliza a mudança de direcção é um mero objecto de decoração do tablier, como o cd ou a santinha pendurados no espelho retrovisor, só para dar dois exemplos. Claro que um automobilista ou um motociclista que venha em “excesso de velocidade” e seja confrontado com uma destas “transgressões menores”, mais dificilmente conseguirá corrigir uma manobra. E quando a asneira antecedente é grande, o acidente torna-se inevitável, quer-se venha em “excesso de velocidade” a 60Km/H ou a 140Km/H, os estragos consequentes é que podem ser bem diferentes. Mas porque será que em tais situações o motivo apontado será sempre o “excesso de velocidade” e nunca uma “alergia crónica à faixa da direita” ou uma “mudança de direcção sinalizada por telepatia”, por exemplo?
Continuar a apontar a “causa do costume” como única justificação para a nossa alta taxa de sinistralidade, é o mesmo que dizer convictamente que o Benfica vai ter um início de época prometedor. Só acredita quem quer.

quinta-feira, julho 27, 2006

Porcos vs Porcas



Toda a gente conhece o Hi5! O sucesso deste meio, que dá a conhecer alguém e os seus respectivos amigos – quem diz conhecer, também pode dizer engatar - deve-se, acima de tudo, ao facto de se poder colocar, no nosso perfil, um número de fotos (quase) sem limites, inclusivé de bom-senso. Há quem se apresente com a sua própria foto, do seu vizinho, do seu carro, do carro do vizinho, da sua praia, do seu cão, do seu pirilau, do pirilau do vizinho... enfim, há para tudo e todos os gostos. Também há quem faça do Hi5 uma espécie de catálogo erótico em início de actividade e em “homenagem” a isso, há quem se tenha lembrado de criar um blog: http://hi5porcas.blogspot.com/.

Sinceramente não sei o que é pior:
- os “porcos” armados em púdicos, que dizem coisas tão curiosas como: “elas mostram as mamas porque sabem que isso rende... e quem as for comer ja nao acha graça nenhuma porque ja viu tudo”, o que só prova que estes novos “porcos” cibernautas andam cada vez mais exigentes, pois só “comem” aquilo que não vêm, ou seja, na prática: nada! Eu se fosse “porca” ainda respondia-lhes: “Dahhhhh... e se transarmos de luz apagada?”
- ou as próprias “porcas”, que se limitam a apresentar-se publicamente pelo o seu lado mais provocante e fútil, competindo, umas com as outras, para conseguirem os perfis mais visualizados do Hi5. E basta-lhes isso para atingirem um estado de felicidade tal que me ultrapassa. Sim... porque o silicone “rende”, muito! Um cirurgião plástico que o diga.

Por onde andava mesmo a peste suína?

terça-feira, julho 25, 2006

A Maria contra-ataca


Conheço mulheres com ciúmes da empregada do café da esquina, da amiga dela (que anda no mesmo ginásio e tem os mesmos horários do seu marido... só por mera coincidência), da colega de trabalho... mas da cadela da vizinha é mesmo inédito para mim.

segunda-feira, julho 24, 2006

Papinha toda feita

“Puto até 16 anos pra kota. Manda toke ou sms pra 9 X X X X X X X X”
“Se és teen e sentes-te sozinho e carente, liga-me 9 X X X X X X X X. Sou o homem que te dará tudo o que precisas.”


Deixo aqui uma sugestão à nossa PJ. Não necessita de envolver grandes meios técnicos, financeiros e humanos. Basta, tão somente, contratarem um estagiário que tenha como única e exclusiva função, ler e anotar alguns números de telefone que vão passando pela página 603 do teletexto da SIC.

Melhor que isto: só se os pedófilos começarem a apresentar-se directamente nas nossas esquadras!

terça-feira, julho 18, 2006

Coisa feia, a inveja

Já o Presidente da "ilha das bananas pequenas" dizia: "Não há muitos Cristianos Ronaldos no Mundo!” e a Merche neste momento, melhor que ninguém, sabe disso. Bem como deve saber que há quem não a suporte por tal facto ou outro qualquer.

O Monstro


A vida é engraçada. É dura e ao mesmo tempo é estranho como as coisas podem ser tão diferentes como imaginamos.

Era apenas uma criança quando o clube 4-H montou uma linda e gigante “roda gigante” que iluminava o céu à noite. Chamavam-lhe “O Montro”.
Achei que era a coisa mais fixe que já tinha visto.
E eu estava ansiosa por andar nela. Mas quando pude fazê-lo, fiquei com tanto medo e enjoada, que me vomitei toda, antes mesmo de ter completado uma volta.

Eu amava-a.
E uma coisa que jamais alguém conseguiu perceber em mim... ou acreditar, é que eu era capaz de aprender. Eu era capaz de me treinar para qualquer coisa.
As pessoas sempre desconfiaram das prostitutas. Nunca nos deram hipóteses, acham que escolhemos o caminho mais fácil. Mas ninguém podia imaginar a força da vontade necessária para fazer o que nós fazemos. Andar pelas ruas, noite após noite... sermos agredidas e levantarmo-nos de novo. Mas eu sabia. E passou-lhes completamente ao lado.
Não faziam ideia que eu era capaz de me disciplinar quando acreditava em algo. E eu acreditava nela.

O amor conquista tudo...
Tudo tem um lado positivo...
A fé pode mover montanhas...
O amor encontra sempre um caminho...
Tudo acontece por uma razão...
Enquanto há vida, há esperança...
Têm de nos dizer qualquer coisa, não é?

Ailleen Wuornos, prostituta, interpretada brilhantemente neste filme por Cherlize Theron, foi executada em Outubro de 2002, depois de ter confessado o assassínio de seis homens, seus clientes (incluindo um polícia). Há quem a recorde por ter sido a primeira mulher serial killer na história dos E.U.A., eu prefiro recordá-la com este filme e acima de tudo com estas palavras.

sexta-feira, julho 14, 2006

Nós, os hipertensos

O pior das sensações que se pode ter é percebermos que o mundo que nos rodeia não circula ao nosso ritmo.

A hipertensão arterial não é mais que o aumento da pressão com que o sangue circula pelas artérias do corpo humano. É, por isso, mais uma doença circulatória e nem tanto, e ao contrário do que à partida se poderia julgar, uma doença “cardíaca”. Para além de que, cerca de 95% dos casos de hipertensão, não é identificada a sua causa e chamam-na, por isso, de “essencial”.
Os hipertensos são pessoas normais, só que vivem tudo com mais intensidade e, simultaneamente, precaução que as outras pessoas, digamos, mais “normais”. Eu sou hipertenso.
Não conseguimos lidar com as situações com calma ou ligeireza. Para nós tudo é mais complexo do que aquilo que aparenta e tudo tem que ser feito o mais rapidamente e o melhor possível. Os hipertensos também são perfeccionistas e digerem os erros e as falhas de uma maneira bem diferente das outras pessoas que possuem uma tensão arterial normal ou baixa. Nós fazemos uma auto-avaliação dos nossos actos e raramente essa setença nos é favorável. O stress já nem é um problema, é um modo de vida.
Uma das piores consequências da hipertensão é a ansiedade. É terrível! Um ataque cardíaco pode matar-nos de uma vez, a ansiedade mata-nos aos poucos. É muito instável a nível da sua intensidade, mas está sempre presente e só é controlável, tal como a doença que a origina, através do uso de medicação.
E ainda há quem diga que a tensão arterial alta não causa qualquer sintoma... ou que, de certa forma, não se sinta nada?
A minha hipertensão é hereditária e essencial, não está relacionada com qualquer outra doença, tenho colesterol baixo, não tenho diabetes, nem excesso de peso, não gosto de comida salgada e os meus consumos de álcool e de tabaco sou pouco relevantes. As minhas análises, que faço dois em dois anos, são um mimo. Sou um rapazinho bastante saudável, só que ao contrário de outros em que o seu pai lhes herda um duplex num condomínio de luxo no Algarve, ou um conjunto bem razoável de dívidas para pagar, o meu passou-me uma doença incurável mas, quase, perfeitamente controlável.

Às vezes quando me sinto mais exaltado e deveria procurar acalmar-me, nem penso nos riscos consequentes desse estado de euforia. Sinto o meu coração a bater, forte e depressa, e também nem penso que ele possa estar tão perto de parar de vez.

quarta-feira, julho 12, 2006

Os Keane

Os Keane lançaram há cerca de um mês atrás um disco novo. Como seria de esperar, e tal como tinha sucedido com “Hopes and Fears”, foi completamente arrasado pela crítica especializada. Houve algumas excepções como a Entertainment Weekly e a Slant Magazine, que não fazem parte do grupo de revistas mais credíveis no mercado.
“Under the Iron Sea” é um disco pop, simples, modesto e despretencioso. Aliás, tal como o seu disco anterior. Ou seja, não desilude (mas também não surpreende).
Os Keane têm tudo para ser uma boa banda a abater. A odiar, portanto. Fazem melodias que dificilmente esquecemos e as suas canções são fáceis de trautear, são um sucesso junto do grande público e isso, consequentemente ou não, assusta a crítica, mesmo aquela que acaba por passar os seus ouvidos pelos discos deste trio e afasta os ouvintes mais exigentes de música, nem que seja pelo simples facto de que os seus singles passam na RFM! No entanto, estes elitistas esquecem-se que essa mesma estação também inclui ou já incluiu nas suas playlists Pixies, Lloyd Cole e Prefab Sprout...
Ainda está para nascer alguém que me explique, sem ser por motivos preconceituosos, que não é possível gostar da pop melancólica dos Keane e simultaneamente vibrar com coisas tão díspares como o post-metal dos Isis, o art-punk dos Les Savy Fav ou indie-rock dos Tapes n’Tapes.
A penúltima faixa de “UTIS”, “Broken Toy”, com uma letra (ainda) mais deprimente e cantada por Thom Yorke seria o single alternativo do ano, mas como é cantada por um tipo que parece ter saído directamente de uma história popular da autoria de J. R. R. Tolkien, não passará, para os experts musicais, de lixo pop.
Há claras influências de U2? Sim e daí? Também me pareceu que os moços andaram a ouvir, com alguma regularidade, os discos dos anos 80 dessa banda irlandesa e não me parece que tenham tido assim uma tão má opção – no entanto, para mim, o melhor álbum dos U2 só apareceu na década seguinte e baptizaram-no de “Achtung Baby”. Continuando esta onda de comparações e por mais que custe admiti-lo, a verdade tem que ser dita: a pop dos Keane é bem mais interessante que a pop ou o rock (ou aquilo que quiserem chamar; eu tinha um nome giro, mas não se costuma inserir na classe das categorias musicais) que os U2 fazem actualmente.

segunda-feira, julho 10, 2006

Ganda Crómio

A grande máquina lucrativa de encher chouriços da TVI, que é a novela “Morangos com Açúcar”, também já é a maior "escola" de onde sai os nossos novos “cantores”. Nem o Crómio escapou!

quinta-feira, julho 06, 2006

terça-feira, julho 04, 2006

Brenda & Billy

"Ao longo desta vida ficamos cada vez mais sozinhos e... tornamo-nos cada vez mais indisponíveis."

Six Feet Under termina já para a semana, dia 10, às 22:30 na 2:.

sexta-feira, junho 30, 2006

Post do Ano!

Se não é, anda lá perto. Ora espreitemos:


AS MULHERES E AS FOTOS
A Mulher é um animal que adora ver fotos. Não há qualquer dúvida nisso. Mas gosta principalmente de ver fotografias das amigas e seus filhos na praia. Ora, os filhos nesses instantâneos são um acessório, pois o que realmente as mulheres querem ver são as colegas ou amigas de fato de banho ou biquini! E pergunta o incauto leitor: “Para quê? Será que se esconde uma lésbica dentro de todas as mulheres!?”
Não seja estúpido, com mil repolhos! A respostas é simples. Para se aperceberem se as mães têm pneus na barriga ou celulite nas nádegas. As fotografias vão-lhes parar à mão e, enquanto tecem rasgados elogios à crinaça, dizendo que está grande, observam minuciosamente as partes de acumulação de gordura nas mães. Bicho versátil, a Mulher, que consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo. Nos homens é tudo muito mais simples. Um gajo diz logo: “a tua mulher está gorda!” ou “a tua mulher é toda boa!” e acabou-se o assunto. Pode também dizer “a tua filha tá crescida”, o que pode não ser um elogio, mas antes um comentário rebarbado. São visões...
posted by capitulo @
20:19

3 Cometários:

Catia said...
very true... :)
22 Maio, 2006 01:35

capitulo said...
Cara Cátia:Quem é a leitora? Identifique-se por favor! É que uma mulher reconhecer isso é fora do comum. Ou será antes um travesti...?Saudações blogosféricas
22 Maio, 2006 22:48

agent said...
Eu não tenho problemas desses porque nem eu nem as minhas amigas temos celulite. Por isso, geralmente, quando vemos as fotos umas das outras limitamo-nos a apreciar somente a paisagem, os fatos de banho e as pernas dos namorados, claro.
PS - Um esclarecimento adicional: Agent é só um pseudónimo, o meu nome verdadeiro é Suzy Star. Não me vai perguntar se também sou um travesti, pois não? Não... também não sou da família de um ponta de lança do Benfica na reforma.
30 Junho, 2006 13:37

quarta-feira, junho 28, 2006

Ana Meloa(s)



Não deixem de visitar o site desta artista. Recomendo as fotos.
O meu sobrinho (de 11 anos), que nem é grande apreciador de música popular nacional, gosta muito dela. Agora percebo melhor porquê. Fiquei "buérérés" esclarecido!

sexta-feira, junho 23, 2006

1 ano

Entretanto este blog celebra o seu primeiro aniversário. Há um ano atrás, de manhã, batiam-me no carro e á tarde, chocava de frente com um militar de um metro e noventa de altura, numa praia semi-deserta. Passados 365 dias já só peço que não me façam riscos na alma e amachuquem o coração!
Sinais dos tempos.

Conversa entre duas mulheres... de verdade

- Estás com bom aspecto hoje...
- Porquê?... nos outros dias não estou?
- Não é isso, é que hoje pareces mesmo uma mulherzinha de verdade! Não exageraste na maquilhagem... Estás cada vez mais parecida comigo. Até na maneira de vestir...
- Sabes que sempre foste a minha referência para a mulher que nunca serei... mas vou tentando. O facto de sermos irmãos também ajuda.
- Eu perdi o meu irmão querido mas ganhei uma irmã quase gémea e uma grande amiga. E tu, o que ganhaste?
- Juízo, se calhar não foi. Sei lá... ganhei um novo género e capacidade de resistência para suportar algumas adversidades consequentes.
- E homens?
- Também.
- Mas para isso não precisava de mudar de nome e colocar mamas de silicone.
- Homens de verdade?
- O que são homens de verdade?
- Mais que ninguém tu sabes... a tua transformação... ou estou enganada?
- Se um homem de verdade é aquele em que a sua mente nunca entra em conflito com o seu próprio corpo, então não estás. Não sou um homem de verdade, nem sou uma mulher de verdade! Mas na verdade, que merda serei eu?
- Se calhar podes ser isso tudo simultâneamente...
- Vê la se te decides, querida.
- Esquece... sabes bem do que falo. Tu própria já usaste este termo em conversas comigo, na tua pré-história, quando andaste perdida pelo meio gay. Não podes negar aquilo que efectivamente procuras... mas o que queria saber, é se tens encontrado?
- Não e sinceramente tenho medo que encontre um, que me apaixone por ele de tal forma que fique sujeita a fazer-lhe todas as vontades, a suportar todos os seus vícios, a desculpar todas as suas infidelidades e por aí adiante. Tudo isto sem reclamar e correndo o risco de um dia te aparecer à frente com um olho negro.
- Credo... que exagerada! Para ti todos os homens de verdade são uns filhos da puta, autoritários, infiéis...
- Não são... Tu conheces bem o homem com quem partilhas a tua cama?
- Acho que sim. Se não confiasse no Rodrigo não viveria com ele, não achas?
- Não basta confiar Sara! É preciso conhecê-lo e não te deixes impressionar pelas aparências e o que deseja à tua frente... tens que ir mais além.
- Aonde?
- Eu ia muito ao Conde Redondo e conheci muitos homens de verdade.
- Conheceste ou fodeste?
- Ambas.
- Mas como é que eu que partilho uma vida com um hà 2 anos conheço pior os homens que tu, que só lhes proporcionavas prazer por escassos minutos?
- A única diferença é que para eles é muito mais fácil revelar os seus mais intímos desejos à traveca da esquina do que com quem dormem todas as noites. Os mais intímos segredos não se contam, ou então contam-se a alguém pago para isso e predisposto a aceitá-los com mais facilidade. E o facto de se ser de um sexo incógnito ajuda muito. Podemos ser o que tu quiseres, posso ser homem ou ser mulher. Realizamos-te a tua mais secreta fantasia... Conseguimos ter essa versatilidade que tanta gente repudia ou atrai, mas que ninguém fica indiferente.
- Lindo! Assim como estás... nunca poderás ser uma mulher completa.
- Não serei. Falta-me ainda aquilo que faz a diferença entre a mulher que eu sou e a mulher que tu és. No fundo uma das razões pela qual o Rodrigo te escolheu para companheira a ti e não a mim.
- Aquilo que faz muita diferença. Ahahah...
- Isso faz uma relativa diferença, mas sinceramente não me preocupa o facto de ser preterida só pelo o facto de não ter uma racha entre as pernas. Prefiro que me admirem por outros atributos.
- Ai... Os homens só se interessam pelas nossas rachas?
- Isso é uma dúvida ou uma lamentação, querida? Não és tu que conheces melhor os tais "homens de verdade"?

sábado, junho 17, 2006

"Homophobic Thuggery"

Acabei de regressar de uma viagem de trabalho a Londres e esta era uma das notícias do dia.
Fico a pensar se não é mais seguro viver num país mais pobre e menos civilizado, mas em que os seus criminosos ainda não escolhem as suas vítimas pela sua orientação sexual ou qualquer outro motivo que lhes despertem um ódio sem limites... e sem (aparente) explicação.

domingo, junho 11, 2006

Oh Nelly!


Quem diria que esta senhora poderia fazer um dos discos mais viciantes deste início de verão? A mãozinha de Timbaland explica grande parte da proeza, mas ela também está a cantar melhor que nunca. Tem uma faixa com o Juanes, duas baladitas, para não variar, mas desta vez nem há hinos a pedir uma forca.

terça-feira, junho 06, 2006

Para além de ser estúpido, é burro!

PSP deteve dirigente da organização de extrema-direita Frente Nacional Lisboa, 06 Jun (Lusa) - Mário Machado, dirigente da organização de extrema-direita Frente Nacional, foi detido hoje, após uma reportagem emitida pela RTP, onde defendeu a ideologia de extrema- direita e o uso de armas, disse à Lusa fonte ligada ao processo.
Fonte da direcção nacional da PSP confirmou à Lusa a detenção de um homem, que não identificou, na sequência da promoção da reportagem "Existe extrema-direita?" transmitida ao longo do dia nos blocos noticiosos da estação estatal."
A PSP através de mandado judicial procedeu hoje à tarde em Lisboa a uma busca domiciliária da qual resultou a detenção de um homem e a apreensão de uma espingarda caçadeira e de um revólver, além de outros materiais proibidos", disse à Agência Lusa Hipólito Cunha, das Relações Públicas da PSP.
CFF.
Lusa/Cont.Agência LUSA"

Espero que lhe arranjem para companheiros de cela uns africanos ou uns emigrantes de leste... só para discutir uma meia-dúzia de ideias sobre emigração.

sábado, junho 03, 2006

Vocabimobiliário

Para além de ter ficado a saber que uma “box” não é mais que uma garagem, acrescentei ao meu curto vocabulário do ramo imobiliário as seguintes designações:

Apartamento com vista total de mar e de serra => Apartamento que dispõe no último andar do prédio um terraço comum que possibilita ver ao fundo do horizonte, qualquer coisa que se pode identificar como um “mar” e uma “serra” mas também, com mais alguma imaginação, pode ser as maldivas e os pirinéus;
Apartamento com vista desafogada => Apartamento com vista desafogada se não estivesse em projecto construir na sua frente mais um aglomerado de prédios das mesmas dimensões do prédio aonde este se insere;
Apartamento remodelado por um arquitecto => Apartamento bem pintado, com tectos falsos e luzes embutidas, recheado com móveis modernos;
Apartamento a precisar de pequenas obras => Apartamento irremediavelmente precisa de ser reconstruído na sua totalidade (canalizações, electricidade, tectos, ...)
Apartamento numa zona calma => Apartamento localizado em zona sossegada por períodos de 10 em 10 minutos, enquanto não passa o comboio a 30 metros de distância do prédio em questão;
E por aí adiante...

As casas e as pessoas

Regresso após ter terminado o meu processo de compra de casa. Foi um período fértil em novos conhecimentos. Como se costuma dizer, está-se sempre a aprender e eu, de facto, aprendi muito neste último mês. Acima de tudo em assuntos imobiliários e em matéria de confiança e credibilidade. Quando tiver algum tempo aprofundo mais qualquer coisa sobre o assunto. Por agora, fico-me só por isto:

A procura de uma casa é um processo muito semelhante á procura de uma pessoa para a nossa vida. Quando se faz uma visita a um imóvel, o seu aspecto exterior é muito importante e faz com que fiquemos logo com uma opinião generalizada de como é a casa no seu todo, mas no entanto e tal como as pessoas, depois o seu interior acaba, sempre, por nos revelar algumas surpresas, boas ou más. E não nos podemos esquecer que é lá dentro que vamos habitar.
Chegou a haver dias que visitei mais de cinco imóveis num só dia e como se pode imaginar, não é fácil memorizar todas as características de cada casa e por tal, chegava a tirar alguns apontamentos dos pormenores mais importantes para mais tarde poder fazer comparações. No entanto, não deixava ser curioso que quando saía de um imovel após a visita, conseguia com muita facilidade fazer uma análise muito prática do que tinha acabado de ver. No fundo, tudo se resumia a um gostei/não gostei. Não era necessário reflectir e, afinal de contas, não era necessário sequer ponderar os prós e os contras. Mas para além desta avaliação primária, havia todo um processo de criação de ideias que se fazia depois, já longe do meu campo visual, a nível do inconsciente. Com o conhecimento de pessoas acontece exactamente o mesmo, o primeiro contacto é fundamental na criação da nossa opinião acerca dela e quando saímos de junto dela, o nosso subconsciente trata do resto.
Isto, obviamente, permite a criação de ilusões sem limites. Basicamente quando uma casa me interessava, o que fazia posteriormente era ver-me dentro dela, habitá-la. E neste plano imaginário, tudo é irreal, sobretudo as áreas. Assim sendo, uma sala que na verdade tinha uns 26m2 cresce pelo menos mais uns 10m2 na nossa imaginação. Também há a questão dos detalhes: se uma pequena racha numa parede pode desgraçar por completo a avaliação global de uma casa, também aquele sinalzito na testa daquela pessoa, transforma-se, em segundos, numa verruga de proporções assustadoras.
Sou realista e tenho consciência que as casas, tal como as pessoas, poderão não ser para toda a vida, mas já que temos essa possibilidade de as escolher, que façamos o melhor e para o mais longo tempo possível. Por isso há que ser selectivo, mas atenção, com uns certos limites! Pois tal como dizia um dos agentes imobiliários que me mostrou casas: “se as pessoas não são perfeitas como querem encontrar uma casa nessas condições?”.

sábado, maio 06, 2006

1,423 euros

... foi quanto paguei, hoje, por cada litro de gasolina sem chumbo 98 que coloquei no depósito do meu carro. A 95 está a 1,358 e o gasóleo está quase nos 1,1 euros por litro.
No espaço de um mês, esta é já a quinta subida consecutiva dos preços dos combustíveis. Segundo o «Diário de Notícias», desde 1 de Janeiro de 2004 (data que entrou em vigor a liberalização do preço dos combustíveis), o preço do gasóleo em Portugal já subiu 57,8%, tendo o custo da gasolina encarecido em 42,94%.
Acham que vai ficar por aqui?
Tudo isto ainda se torna mais revoltante, ao sabermos que cerca de 63% do nosso dinheiro, deixado nas gasolineiras, vão directamente para os cofres do nosso estado, através do ISP e IVA. E é exactamente isto que justifica as diferenças de preços nos combustíveis em Portugal e Espanha, por exemplo.
Conclusão: se sobre o preço do barril de petróleo, pouco ou nada podemos fazer, já o mesmo não acontece com a parcela de impostos que sobre ele (preço do petróleo) recai. Percebe, Senhor Engenheiro Sócrates?

sexta-feira, maio 05, 2006

Ganhe como nós!


Se há coisa que não se pode acusar nesta nova publicidade do BPI, é de não serem sinceros.
"Ganhe como nós", dizem as nossas vedetas. E eu respondo: "Eu até queria... mas o Banco não convida os seus clientes para aparecerem na sua publicidade".

Entretanto o BES também já aderiu a esta modalidade de pôr os seus clientes a pagar parte dos honorários do jet-set tuga.
Cada um ganha da maneira que lhe der mais jeito e só os posso censurar, se não for feito de forma honesta. No entanto, não vou deixar de ter esta situação em conta quando fizer a renegociação do meu crédito hipotecário.

quinta-feira, maio 04, 2006

ETA fashion



E o que me dizem desta nova tendência de sweat com capuz e dois buraquinhos? É roupinha para se usar assim numa ida ao banco ou à ourivesaria?
Encomendar aqui.

sexta-feira, abril 28, 2006

A Bola (jornal)


Quando a parcialidade e o mau gosto andam de mãos dadas, o resultado nunca pode ser grande coisa.
Ver o resto da história aqui: http://odragao.blogspot.com/

Serra de Sintra Witch Project

Insólito. (clicar para ver o vídeo)

Evolução


"Igreja dá luz verde aos preservativos"


“Um mal menor”?
Daqui a uns anos vão concluir que o sexo sem objectivos de procriação até “pode ser giro”, a homossexualidade pode ser “tão natural como a sua sede” e a pedofilia, para além de ser um crime, é “um pecado”!

quarta-feira, abril 26, 2006

Whitney



I learned from the best...

Chegou o verão (e o escaldão)


Oficialmente, para mim, a época balnear começou hoje. Começou bem: com um belo escaldão! A única vantagem deste deprimente estado "avermelhado" em que me encontro, é que posso ficar constrangido com qualquer situação, pois a minha cara não me vai denunciar.

sábado, abril 22, 2006

O que eu gosto destes "estudos"!

Está provado: “Mulheres que sorriem são mais inteligentes”!

Um outro estudo vai comprovar que a burrice dos homens é directamente proporcional ao volume da sua conta bancária (ou dos cartões de crédito), da cilindrada do seu carro, do valor das roupas que veste e por aí fora... e inversamente proporcional ao tamanho do seu pirilau.

O Michael Moore que se cuide...

Poderá ser só mais um documentarista com a mania das conspirações, mas esta análise não deixa de ter o seu interesse. No mínimo mostra-nos uma outra perspectiva, bem “pormenorizada”, do que aconteceu no trágico dia 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque.

http://video.google.com/videoplay?docid=-2023320890224991194

terça-feira, abril 18, 2006

A TVI e as audiências I

Há quem se emocione, há quem critique, há quem fique naquela... seja uma telenovela, seja um funeral em directo. Para eles é indiferente, desde que não deixem de ver!
Respeito? Bom senso? O que é isso?

domingo, abril 16, 2006

As pessoas que nunca deviam ter nascido:

- Adolf Hitler
- Benito Mussolini
- António O. Salazar
- Augusto Pinochet
- Pol Pot
- Mao Tsé-Tung
- Saddam Hussein
- Slobodan Milosovic
- Alexander Lukashenko
...
- o gajo responsável pela a auto-promoção na SIC; especificamente as promoções ao mundial de futebol e ao Rock in Rio. Já não posso ouvir mais aquelas músicas da treta e ainda falta tanto tempo... e nem a maioria dos canais temáticos escaparam. Acho que vou dessintonizar os canais até aos respectivos eventos. Trata-se de uma ditadura pelo o bom gosto e à minha maneira!

quinta-feira, abril 13, 2006

O Mário e a Susana

Mário tem 25 anos, trabalha numa oficina de raparação de carros e é pugilista nos tempos livres. Susana tem 23 anos e é funcionária num hipermercado. Conheceram-se há pouco tempo, sentiram-se atraídos um pelo outro e decidiram morar juntos, algures nos arredores de Lisboa. Não casaram, “juntaram-se”.
O Mário adora lutar e a adrenalina pela competição corre-lhe nas veias. O dinheiro dos prémios também é um bom incentivo. Susana gosta de o ver nos treinos mas evita os combates “a sério”, pois sofre com ele. Mário não é um “peso-pesado”, mas é um boxeur acima da média. O que lhe falta em força e em técnica, tem em agilidade e resistência. Foi vencendo algumas competições e tornou-se num atleta muito respeitado, a nível local e até mesmo a nível nacional, na categoria em que competia. No entanto, havia algo que o preocupava: “Estes gajos do leste são duros, pá... nunca lutei com nenhum, mas já os vi lutar, dentro e fora do ringue e digo-te: são fodidos!” – dizia ele aos amigos, enquanto Susana o ouvia, como sempre, impressionada. Mas Mário evitava mostrar sinais de insegurança face ao que mais temia e acrescentava: “Se tiverem o azar de me aparecerem à frente... caem no chão da mesma maneira como os outros. Ainda por cima não vou nada à bola com eles. Lá na terra deles é que estão bem...”. Susana concordava. Não compreendia como era possível que com tantas pessoas desempregadas em Portugal se desse emprego a estrangeiros. E a entidade para a qual trabalhava fazia-o deliberadamente. Eram brasileiros, russos, moldavos, eslovenos,... todos em competição directa com os portugueses. E isso perturbava e intimidava Susana.
Quis o destino que num dos torneios em que Mário participou tivesse que enfrentar um ucraniano. Este tinha um razoável historial de vitórias, tanto no seu país de origem como já na sua (curta) estadia por cá. Mas Mário não tinha um currículo inferior e como ambos tinham uma estrutura física similar, tudo levava a crer que poderiam proporcionar um combate interessante e, acima de tudo, justo.
Susana, ao contrário do que era habitual, foi assistir ao combate. Estava nervosa, aliás, estavam ambos muito nervosos. O combate decorreu nomalmente, mas notava-se uma clara superioridade na performance do boxeur de leste. Era acima de tudo mais certeiro nas investidas que fazia. Enquanto Mário, usava a sua rapidez para tentar alcançar a cara do adversário, este usava a inteligência e aproveitava todos os momentos em que Mário se descontrolava e desprotegia a cabeça para desferir golpes brutais. Mário estava nitidamente esgotado e já se socorria a golpes na nuca, nos rins e nas costas para tentar lesionar o adversário da forma menos correcta. Por isso, o árbito puniu-o várias vezes, com faltas, ao longo dos 6 assaltos em que decorreu o combate, contra a vontade da assistência que estava, na sua maioria, do lado do pugilista nacional. Terminou o combate e o ucraniano venceu, claramente, por pontos. Mário sentia-se revoltado e o seu problema não estava tanto na derrota, mas mais no individuo que o tinha derrotado. Sentiu-se humilhado e jurou vingar-se num próximo combate com outro atleta do leste europeu.
Susana, em casa, ouvia as lamentações e os desabafos do companheiro e dava-lhe todo o apoio. No trabalho, não só evitava dialogar com as duas colegas russas que tinha por perto, como tentou virar algumas outras colegas contra elas.

Tudo isto para entender as causas da xenofobia ou de qualquer outro tipo de preconceito. Há quem tenha medo de “enfrentar o outro - o desconhecido, o diferente”, mas também há quem simplesmente se deixe influenciar pelos primeiros. Todos erram por pura ignorância e estupidez.

terça-feira, abril 11, 2006

Uma história de violência


No seu último filme, David Cronenberg mostra-nos a dualidade entre o bem e o mal nos seres humanos. O bem é visível, o mal é camuflado e a violência é a exteriorização desse mal.
A inteligente cena final do filme, com o regresso de Tom/Joey a casa, mais que um perdão, representa a compreensão dos restantes membros da sua família. Ou seja, Cronenberg, diz-nos que é fácil de aceitarmos o lado mau dos outros porque não há ninguém que deixe de ter essa faceta mais obscura. Que a violência gera violência, já todos nós sabemos, mas o que aqui tenta-se demonstrar é que esse lado mais dissimulado que gera a violência, não é criado nem adquirido, é inato!
Não sei se concordo com esta ideia generalizada de uma raça naturalmente hipócrita, mas fiquei mais tranquilo ao lembrar-me que sempre que choro, verto lágrimas dos dois olhos e não só de um. Como o Joey.

quarta-feira, abril 05, 2006

Eu denuncio-me!

Relativamente ao que para aí se fala, fica a pergunta: se a Netcabo for competente no fornecimento de IP’s dos seus clientes, porque não o é a resolver os problemas relacionados com os mesmos?
Já agora, fica o aviso, se receber qualquer multa ou notificação, que não tenha como remetente um tribunal com um processo judicial em anexo, a Netcabo terá que me explicar muito bem como é que forneceu os meu dados, sem ter infringido a cláusula da confindencialidade que está no nosso contrato.

segunda-feira, abril 03, 2006

Professor X e suas muchachas

O canal "Viver", o canal mais inútil de sempre da TV Cabo, tem um programa sobre sexologia chamado "Consultório Sentimental".
Tem um repórter de rua completamente imbecil, denominado "Professor X",

que faz perguntas do género:

- Atão pá... prontes e se ela se começar a despir a tua frente e tu... man... o que fazias?... Gostas pouco, gostas! Ahahaha...

- Já alguma vez lá na empresa o seu patrão fez-lhe uma prosposta... assim tipo, para subir horizontalmente, percebe?

- E penetrações duplas, gostas... hein?

Note-se que estas perguntas são feitas ao acaso, a qualquer transuente, de qualquer idade ou sexo, que tenha o azar de se cruzar com ele.


Como apresentadoras tem:

uma portuguesa e...

uma brasileira, muito "simpáticas", mas que nunca deviam ter saído do clube de strip.

quinta-feira, março 30, 2006

Sexos

Aqui deixo um beijão e a minha resposta (feita à pressa) à B.I.T.C.H.
A revolução sexual trouxe coisas muito boas e uma delas é passarmos a encarar com carácter normativo a ideia de que uma mulher que goste tanto de sexo quanto um homem, não deixe de ser uma mulher, para ser uma ninfomaníaca ou uma “puta”. Portanto longe estamos dos tempos da censura moralista e dos ideais tradicionalistas da mulher domesticada e submissa ao seu homem, felizmente, “penso eu de que”. No entanto, o extremo disto também não me parece que seja a situação mais viável. Claro, o sexo é muito bom e a variedade, desde que em segurança (sempre!), nunca fez mal a ninguém! Agora é necessário perceber quando acaba a vontade e o desejo e começa a vulgaridade e a futilidade. E nestes assuntos da “sedução” desde há muito tempo para cá que as mulheres têm sido líderes e dado grandes lições ao sexo oposto. Por isso se o sexo feminino decidir agora enveredar por uma competição desenfriada, com os homens, pelo primeiro lugar na “corrida para a meta” da promiscuidade, as consequências disso podem ser nefastas. Perde-se muito do bom senso e da estabilidade que as mulheres dão a qualquer relação, bem como está em causa tudo aquilo que elas conquistaram no plano sexual (e não só) e que alcançaram com muita luta pela mudança de mentalidades.
Esta nova e revolucionária postura das mulheres face ao sexo, que à partida se julga ser mais um nível de emancipação, atenção, pois pode ser tão somente uma forma inconsciente de obsessão em tentar agradar os homens. E isto, para mim, tem um nome: submissão. Não tenho nada contra a submissão, como já disse por aqui, desde que seja por mútuo acordo e encarada como uma mera fantasia, mas NUNCA como uma regra imposta e inquestionável.

quinta-feira, março 23, 2006

Anúncio

Andava eu na minha pesquisa de anúncios (de imóveis) pelo o Ocasião, quando me deparo com este:

A onda dos azulejos coloridos não faz bem o meu género, mas no entanto como parece-me ser uma boa oportunidade (a um preço "negociável"), decidi partilhá-lo.

terça-feira, março 21, 2006

1 poema

Um poema para este dia e para todos os outros que hão-de vir.

Há-de flutuar uma cidade

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

Al Berto

segunda-feira, março 20, 2006

Viva o momento, ou não!?

Recebido por e-mail:

MAIL ORIGINAL:
Exmos. Senhores,
Por falecimento da V. cliente Maria Fernanda V**** de M****** Teles, no passado dia 28 de Novembro, queiram por favor proceder ao cancelamento do respectivo contrato, a partir do corrente mês de Dezembro inclusive.
A mesma informação será enviada por correio, conforme carta anexa.
Sem outro assunto,
Alda Teles

RESPOSTA:
mailto: apoiocliente@vodafone.pt > wrote:
Muito boa tarde, como está?
Para podermos efectuar a desactivação definitiva é necessário que nos envie uma cópia da certidão de óbito do titular.
Deverá confirmar o nº de contribuinte ou nº de conta Vodafone.
Boas festas. Viva o momento, Now!
Paula Santos
Apoiocliente@vodafone.pt

Nota: Caso necessite contactar-nos novamente sobre o mesmo assunto agradecemos que faça reply deste e-mail.

NOVO MAIL DA CLIENTE:
-----Original Message----- Sent: sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005 19:12
To:apoiocliente@vodafone.pt
Subject mailto: apoiocliente@vodafone.pt
Subject Re: Cancelamento de contrato- telefone 91*******

Boa tarde. estou bem, muito obrigada. A minha mãe faleceu, por isso estou óptima e vivo o momento, now!
Agradecia que me indicasse a morada para onde deve ser enviada a certidão de óbito.
Boas festas também para si.

sexta-feira, março 17, 2006

Ética

Tenho o meu apartamento para venda. Num destes dias, fui contactado por uma “senhora” que estaria interessada em visitá-lo. Fizemos a marcação para o dia seguinte, às 15:00. Não era uma hora muito favorável para mim, mas tendo em conta o objectivo final, pareceu-me que o tempo que teria de me ausentar do meu posto de trabalho para fazer a deslocação ao meu apartamento (e o mostar) compensava tudo o resto.
Então no dia seguinte, bem antes da hora marcada já estava no meu apartamento a aguardar pela visita de mais um potencial comprador. Esperei mais de 45 minutos e ninguém apareceu, nem me contactaram para desmarcar a visita. Fiquei furioso. Tinha o nome da pessoa que me tinha contactado e fui aos registos do meu telemóvel para verificar o seu número. Era um número de rede fixa. Liguei. Alguém atendeu: “PhoneHouse de Miraflores, Boa Tarde, está a falar com...”. Era uma voz masculina, era outra pessoa, perguntei pela senhora que me tinha deixado pendurado uma hora à sua espera no meu apartamento e o rapaz, gentilmente, disse-me que a colega estava de folga e só regressava no dia seguinte. Deixei-lhe um recado para me contactar e caso tivesse acontecido algum contratempo o próprio colega disponiblizou-se para me informar, porque, e acima de tudo, só precisava de uma justificação. As pessoas são livres de mudar de ideias quando quiserem e mais lhes apetecerem, mas há que ser responsável e entender que sobre aquela ideia inicial pode recaír um ou mais compromissos que necessitam de ser resolvidos antes de partir para a outra. Tão simples quanto isto.
Passaram dois dias e, como já calculava, ninguém me contactou. Decidi escrever um e-mail dirigido ao departamento de Recursos Humanos da empresa de onde veio aquela chamada, dando-lhes conhecimento do caso. Não gosto de misturar assuntos particulares com trabalho, mas por outro lado, também considero que a ética (ou falta dela) tanto vale para a nossa vida pessoal como profissional.

Se há pessoas que me irritam, são aquelas que são dotadas de um certo tipo de despreocupação em relação às responsabilidades e compromissos que assumem nesta vida... e o pior é que se ninguém disser nada, elas continuam a achar que o que fizeram até nem foi muito grave e não têm consciência do quanto prejudicaram as outras pessoas. Como nunca são chamadas à responsabilidade, nunca são "penalizadas", também nunca irão saber a falta de civismo que isso representa.

quinta-feira, março 16, 2006

terça-feira, março 14, 2006

Hostel


Este filme, ainda por estrear no nosso país, foi um fenómeno de bilheteiras nos E.U.A. e conta com uma “mãozinha” (produção executiva) de Quentin Tarantino. Está longe de ser um dos melhores filmes de terror de sempre, mas contém uma das sequências finais (de 30 minutos) mais aterradoras e angustiantes da história do cinema do género. E, já agora, é o pior “cartão de visita” que Bratislava (Eslováquia) poderia ter.
(700, mais mega menos mega ;) )

Era mais uma OPAzinha!

e esta:
"A presidente da Câmara Municipal de Felgueiras garantiu hoje em Tribunal viver apenas do ordenado de autarca e de uma pensão. Por isso, diz não ter meios para pagar a multa de 12.500 euros a que foi condenada por difamação."

fico a pensar se não éramos todos muito mais felizes se o Tio Belmiro pudesse lançar, também, uma OPAzinha, de vez em quando, sobre as autarquias deste país. Bem... todos todos não, alguns autarcas não deveriam achar muita piada à ideia e o próprio empresário já deve ter inimigos que cheguem na PT.

Se calhar aquelas milhares de reclamações...

Mais que não seja a OPA do Belmiro serviu para isto: Governo preocupado com qualidade do serviço da TV Cabo e da Cabovisão. Agora é só preciso ir até ao fim, perceber que não se trata de meia dúzia de reclamações e que, ao contrário do que provavelmente alguns senhores deste governo julgavam, não se trata de uma conspiração nacional organizada contra as empresas do grupo PT.

sexta-feira, março 10, 2006

Aonde?

Família do transexual morto no Porto admite processar Estado português 10.03.2006 - 10h43 Lusa

A família do transexual que terá sido agredido até à morte por um grupo de jovens, no Porto, admite processar o Estado português com o apoio jurídico da Associação Abraço, avança hoje o "Diário de Notícias".
"Estamos a ponderar a hipótese de entrar num processo de pedido de reparação", declarou ao DN um sobrinho do transexual, conhecido na localidade por "Gisberta". "Temos falado em entrar com um processo de reparação porque quando a Gis saiu daqui o sonho dela era comprar uma casa para a mãe. E achamos que faz sentido pedir uma indemnização para cumprir esse sonho dela", comentou Abimael Salce, que diz assumir o papel de porta-voz da família brasileira. De acordo com o DN, os familiares da vítima já solicitaram ao Governo brasileiro ajuda no acompanhamento do processo, mas ainda não terão obtido resposta.No entanto, o apoio jurídico poderá vir a ser encontrado em Portugal, através da associação Abraço que, de acordo com o DN, prestou auxílio ao transexual devido à sua infecção pelo HIV.Nas declarações prestadas ao "Diário de Notícias", o porta-voz da família do transexual manifesta-se insatisfeito com "o rumo que as coisas estão a tomar".
Fonte: http://www.publico.clix.pt/

Aonde estava a família de Gis, se era um “sem-abrigo” e a Abraço, se era seropositivo, antes de lhe ter acontecido tal fatalidade?

sábado, março 04, 2006

Renascer


O final do filme “Requiem for a dream” (2000) é magnífico. Todas as personagens principais acabam deitadas e, ao contrário do que supostamente iria acontecer, vivos, em posição embrionária.
Pareceu-me bastante óbvio que Darren Aronofsky, o realizador, quisesse passar a ideia de que aquelas quatro pessoas estariam a nascer de novo, o que não deixa de ser surpreendente, já que tudo indicava que na continuação da espiral de loucura e de sofrimento (por quatro motivos distintos) incontrolável, que eram aquelas vidas, a tragédia seria o inevitável. Mas depois há aquele pequeno “milagre” mesmo no fim, que não é mais do que um sinal de esperança para todos.
E como se traduz isto para a nossa realidade? O que parece fácil de dizer mas não tanto de fazer: a solução para uma morte predeterminada, um suicídio, passa por dar uma nova oportunidade a esta vida (única, até prova em contrário). Renascer, portanto.

quinta-feira, março 02, 2006

Preocupante

Quando alguém diz que os jogos de computador podem ser perigosos para as crianças, referia-se a isto?

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Humanização

Relativo ao filme Transamérica que estreou a semana passada por cá, o “crítico” de cinema João Tomé do "jornal" Destak (o "jornal" com mais tiragem em Portugal e que faz concorrência directa com o Metro... em todos os caixotes do lixo do país) escreveu, numa das edições da semana passada: "...Existem, assim, semelhanças com o filme Brokeback Mountain, na tentativa de humanizar, agora, a transexualidade. Bree é uma mulher transexual..."

Eu, por outro lado, já tenho algumas dúvidas de que o senhor João Tomé seja "humanizável".

Vícios

Em resposta ao desafiado lançado pela I., aqui ficam os meus cinco principais vícios diários.

.Ginásio
Deve ser o meu único vício, realmente, saudável. Mais que qualquer outra vantagem, nada se compara à boa disposição com que fico depois de uns bons 50 minutos de treino... talvez nem o sexo! Eu disse “talvez”.

.Internet
Há quem chegue ao trabalho e comece logo a discutir se o Vitor Baía já devia estar na reforma, ou se uma das colegas dos Recursos Humanos está grávida ou comeu mais que o normal no fim-de-semana ou qualquer outra razão que possa explicar aquele “inchaço” súbito... eu abstraio-me disto e ligo-me à internet! Blogues, fóruns de música, site de classificados (não... não é a secção “pessoal”, neste momento é mesmo a secção imobiliária – quero vender e comprar casa), notícias... são um dos meus maiores vícios matinais.

.Cigarros
Não sou viciado em tabaco. Desde que comecei a fumar, há 6 anos atrás, que tenho mantido a média de 2/3 cigarros diários e não faço intenções, para já, de parar. Fumo por prazer e isso só acontece, geralmente, após as refeições. Sendo assim aqueles cigarrinhos que fumo após o almoço e o jantar, valem por todos os outros que podia, eventualmente, fumar ao longo do resto do dia.

.Messenger
Os meus amigos não são um vício mas as nossas conversão são. Cada vez há menos tempo para combinar “cafés”, as sms’s e os telefonemas também nos “custam um certo tempo”, por tal recorre-se à maior invenção dos últimos tempos logo a seguir aos silicone: o messenger. Conversa-se sobre tudo e sobre nada, troca-se juras de amor e insultos, beijos e porrada, fotos do gatinho e da ratinha. Ou seja faz/diz-se tudo, ou quase tudo, que não se conseguiria fazer/dizer cara-a-cara. Hipocrisias à parte e este convívio virtual acaba até por ter o seu lado positivo...

.Seinfeld
Haveria melhor forma de acabar um dia sem ser a rir com as peripécias dos quatro malucos que compôem o elenco da melhor série cómica de sempre? A TVI passou-a há uns anos e a SIC Comédia já está a passar pela 2ª vez consecutiva, ou seja, já vi cada episódio desta série três vezes (sem contar com as repetições dos episódios, aos sábados de manhã...) e não me consigo saturar. Isto não é um vício, confesso, é uma obsessão.

Alguém que faça o obséquio de continuar... cinco boguistas, por favor. Obrigado.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

O bom senso segue dentro de momentos...


Em resposta a este artigo de uma revista d’O Independente, recebi este e-mail:

"Minha Cara,
Tenho, sinceramente, muita pena de si...Em primeiro lugar, tive a pena de constatar que só se sentiu realizada, ou minimamente realizada, em 20% dos minetes que lhe fizeram. Concordo consigo quando diz que os homens devem perguntar às respectivas se estão contentes com o seu desempenho. Nesse caso, porque é que assume claramente que finge os seus orgasmos?
Das duas uma, ou a menina nunca foi "comida" como devia, ou então, coitadinha, não tem mesmo jeitinho nenhum para o sexo. Nós, homens, também lhe podemos fazer, por exemplo uma estatística de quantas mulheres são ou não boas na cama. Ou quantas fazem ou não, bons broches.
O que nunca lhe vamos poder fazer é fingir um orgasmo. Isto, claro, se conseguir que atinjamos um. Acredite que há muitos homens que perguntam as parceiras se estão contentes com o seu desempenho. E acredite também que a maior parte dos homens não teve que ler um manual para fazer bons minetes. Apenas teve que os fazer, uma e outra e outra vez. Só com treino se consegue melhorar a performance minha cara. Em segundo lugar, informo-a que, caso ainda não tenha percebido, o que você está a fazer é, muito simplesmente, a aumentar o número de homens que pratica mau sexo. Você e as mulheres como você.
Ora repare: se você finge um orgasmo de cada vez que está com um homem, em primeiro lugar, está a fazer com que o homem acredite que realmente percebe do assunto (Sim, há homens que não percebem). Em segundo lugar, está a fazer com que este mesmo homem, não se esforce o suficiente para agradar a parceira na relação seguinte.Penso que estamos ambos de acordo, quando digo que uma situação destas não é agradável, nem tão pouco desejável,certo?O meu conselho, se o quiser aceitar, é: Faça mais sexo!!! A sério, penso que você precisa. Mas faça mais sexo sem fingir orgasmos. Vai ver que a sua vida sexual vai melhorar exponencialmente, e escusa de se vir queixar para as revistas. É obvio que nem todos os homens lhe vão dar um orgasmo, ambos sabemos isso. Mas vão tentar, isso,eu garanto... E já agora. Informo-a também que não é assim tão raro uma mulher pedir ao"querido" para fazer assim ou assado. Não julgue todas as mulheres por si,"Dra.Ruth".
Um Cordial abraço,
Miguel Sousa Tavares"

Depois de ler coisas como: sou heterossexual «full time»; fumo, incluindo charutos; bebo; como coisas como pezinhos de coentrada, joaquinzinhos fritos e tordos em vinha d'alhos; vibro com o futebol; jogo cartas, quando arranjo três parceiros para o «bridge» ou quando, de dois em dois anos, passo à porta de um casino e me apetece jogar «black-jack»; não troco por quase nada uma caçada às perdizes entre amigos; acho a tourada um espectáculo deslumbrante, embora não perceba nada do assunto... até nem deveria achar assim tão estranho que tal texto pudesse vir do MST, mas mesmo assim tenho dúvidas de que estas linhas sejam de sua autoria.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Ficção estereotipada

Vi recentemente um episódio da série “Sexo na Cidade”, que se chamava “Boy, Girl, Boy, Girl...”, em que a principal protagonista da série, a Carrie, andava a curtir com um rapazinho bem mais novo do que ela. Tal não a incomodava, nem às suas três amigas mais chegadas e sempre presentes na série. No entanto, o moço, mais tarde, conta-lhe que antes de ela, houve um ele e aí foi quase o fim do mundo... Era bissexual, portanto. E isso já fazia toda a diferença, mais uma vez: tanto para ela, como para as amigas, excepto para a Sam, claro, a personagem mais liberal da série. Depois de ouvir alguns conselhos das amigas, a cabeça de Carrie ficou ainda mais baralhada e nem mesmo depois de o seu recente boyfriend ter-lhe explicado que não se sentia atraído por sexos, mas sim por pessoas e que naquele momento só tinha olhinhos para ela, a loirinha ficou convencida.
Ambos vão a uma festa de aniversário de um amigo do rapaz e aonde ela acaba por conhecer o ex-namorado dele e mais uma série de amigos deles, tudo bissexual (diz que é uma coisa que se pega!). Um desses amigos é, imagine-se, a Alanis Morissette (já a vi fazer de Deus, agora interpreta uma amiga freak – estava ainda no seu período de cabelo extra-longo e de regresso da sua viagem espiritual à India - bissexual, next?)! No final do episódio, Carrie, o namorado e os seus "novos amigos", terminam todos sentados no chão, entretidos com o “jogo da garrafa”. E no que consiste este jogo? É simples: alguém roda uma garrafa no chão e esta ao parar, indicará quem a rodou irá beijar (rimou... mas foi sem intenção). Chega a vez da nossa "Alanis" e quem lhe calha? A nossa Carrie, óbvio. E ela aceita? Pois claro que não, mas a “cantora” avança e dá-lhe uma grande beijoca... a actriz principal nem mexe os lábios. Sente-se incomodada, envergonhada e desiste do jogo, dizendo que vai sair para comprar tabaco (típico!). The end.

Um episódio que começou com uma interessante alusão à confusão dos géneros e à nossa predisposição para a dualidade masculina/feminina, ao ponto de Carrie perguntar: “se podermos aproveitar o melhor do outro sexo, tornando-o nosso, o sexo oposto torna-se obsoleto?”, mas que depois acaba só por propagandear uma mensagem assustadora desta nova geração (representada pelo o novo namorado) que aí vem, a que ela denominou: “geração bi”.
É triste que tenham transformado a Carrie em tão preconceituosazita personagem. Uma suposta nova-iorquina toda modernaça em que os únicos desvios à sexualidade normalizada com que (con)vive, limita-se a um simpático amigo homossexual, carequinha, rechonchudinho e cheio de tiques... parece-me pouco.
Mas o que mais me traumatizou foi aquele beijo. Foda-se! Quem é que recusa um beijo da Morissette?! Nem que seja, e em última instância, uma boa razão para que ela feche a boca e pare de cantar.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Desabafo de segunda-feira


Fuck me? Fuck you! Fuck you and this whole city and everyone in it. Fuck the panhandlers, grubbing for money, and smiling at me behind my back. Fuck squeegee men dirtying up the clean windshield of my car. Get a fucking job! Fuck the Sikhs and the Pakistanis bombing down the avenues in decrepit cabs, curry steaming out their pores and stinking up my day. Terrorists in fucking training. Slow the fuck down! Fuck the Chelsea boys with their waxed chests and pumped up biceps. Going down on each other in my parks and on my piers, jingling their dicks on my Channel 35. Fuck the Korean grocers with their pyramids of overpriced fruit and their tulips and roses wrapped in plastic. Ten years in the country, still no speaky English? Fuck the Russians in Brighton Beach. Mobster thugs sitting in cafes, sipping tea in little glasses, sugar cubes between their teeth. Wheelin' and dealin' and schemin'. Go back where you fucking came from! Fuck the black-hatted Chassidim, strolling up and down 47th street in their dirty gabardine with their dandruff. Selling South African apartheid diamonds! Fuck the Wall Street brokers. Self-styled masters of the universe. Michael Douglas, Gordon Gecko wannabe motherfuckers, figuring out new ways to rob hard working people blind. Send those Enron assholes to jail for fucking life! You think Bush and Cheney didn't know about that shit? Give me a fucking break! Tyco! Inclone! Adelphia! WorldCom! Fuck the Puerto Ricans. 20 to a car, swelling up the welfare rolls, worst fuckin' parade in the city. And don't even get me started on the Dom-in-i-cans, because they make the Puerto Ricans look good. Fuck the Benson Hurst Italians with their palmaded hair, their nylon warm-up suits, and their St. Anthony medallions. Swinging their, Jason Giambi, Louisville slugger, baseball bats, trying to audition for the Sopranos. Fuck the Upper East Side wives with their Armani scarves and their fifty-dollar Balducci artichokes. Overfed faces getting pulled and lifted and stretched, all taut and shiny. You're not fooling anybody, sweetheart! Fuck the uptown brothers. They never pass the ball, they don't want to play defence, they take fives steps on every lay-up to the hoop. And then they want to turn around and blame everything on the white man. Slavery ended one hundred and thirty seven years ago. Move the fuck on! Fuck the corrupt cops with their anus violating plungers and their 41 shots, standing behind a blue wall of silence. You betray our trust! Fuck the priests who put their hands down some innocent child's pants. Fuck the church that protects them, delivering us into evil. And while you're at it, fuck JC! He got off easy! A day on the cross, a weekend in hell, and all the hallelujahs of the legioned angels for eternity! Try seven years in fuckin' Otisville, Jay! Fuck Osama Bin Laden, Alqueda, and backward-ass, cave-dwelling, fundamentalist assholes everywhere. On the names of innocent thousands murdered, I pray you spend the rest of eternity with your seventy-two whores roasting in a jet-fuelled fire in hell. You towel headed camel jockeys can kiss my royal, Irish ass! (Edward Norton, 25th Hour)

Segunda-feira é o melhor dia da semana para um bom desabafo. Agora dei a vez ao Eduardito, que o fez em frente a um espelho no filme do Spike Lee. Para a próxima serei eu, em frente a um monitor. Vai ser só descomprimir...

sábado, fevereiro 18, 2006

Os otários do costume

“Os Pedreiros do Costume” (Sic Radical, seg, ter, qua e sex às 01.30, sáb às 04.30 e dom às 03.30) assume-se como um “jogo interactivo cuja participação por telefone dos telespectadores é incentivada e onde há raparigas pouco vestidas que vão se insinuando atrás de tijolos digitais estrategicamente colocados no ecrã que impedem uma visão perfeita de todo o terreno de jogo... Quanto mais vezes ligarem, menos capacidade de resistência terão os tijolos que lá vão deixando umas brechas marotas”.

O que eles chamam um jogo interactivo, eu chamo-lhe uma chulice, o que eles chamam telespectadores eu chamo-lhes otários e as “raparigas pouco vestidas que vão se insinuando” chamam-se, na minha terra e não só, simplesmente: strippers.
Pensando bem, esqueçam a parte dos “otários”. O preço da imbecilidade parece-me justo e não vou ser eu a explicar-lhes que sai mais caro passar os serões a fazer chamadas de valor acrescentado, enquanto se tenta ver uma ucraniana semi-despida num écran de TV, do que uma entrada directa no Passerelle e aonde sempre se pode ver o que de facto querem ver, ao vivo e a cores, e sem “tijolos digitais” pelo o meio.

Family Guy

A Sic Radical é de extremos. Continua a apostar na infantilidade e o nonsense do "Curto Circuito" (de onde veio aquele - imberbe - novo apresentador e para aonde foram o Diogo Beja e o Markl?), o inenarrável Wrestling americano e a chulice d' "Os Pedreiros do Costume" (ver o meu próximo post). Mas por outro lado, continua, e bem, com o "Gato Fedorento", o "Ali G", o "South Park", "Médicos e Estagiários" e as novas apostas: "Shameless" e o grande "Family Guy". Fico-me por esta última, na minha modesta opinião, uma das melhores séries cómicas de animação dos tempos mais recentes. Relata as peripécias da família Griffin, nomeadamente do seu chefe de família: Peter, o family guy em pessoa, uma espécie de Homer Simpson ainda mais carismático e barrigudo. Passa às sextas, às 20:30 e repete, pelo menos, aos sábados, às 11:30.


Peter: Oh my god!!! Brian, there's a message in my cornflakes. It says, 'Oooooo.'
Brian: Peter, those are Cheerios.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

MEC e o seu "Elogio ao Amor"

"Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas, da lavandaria.
...
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo, de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
...
Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
...
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Amém!

A programação da nossa estação pública, pertencente ao nosso (suposto) Estado laico, para o próximo Domingo, dia 19, é a seguinte:

06:55 BOLETIM DAS PESCAS
07:00 OS MISTÉRIOS DE FÁTIMA
08:30 OS TRÊS PASTORINHOS: IRMÃ LÚCIA
09:00 TRANSLADAÇÃO DO CORPO DA IRMÃ LÚCIA
13:00 JORNAL DA TARDE
inclui: O TEMPO
14:10 TRANSLADAÇÃO DO CORPO DA IRMÃ LÚCIA
18:00 DANÇA COMIGO
20:00 TELEJORNAL
21:15 AS ESCOLHAS DE MARCELO REBELO DE SOUSA
21:45 CONTRA-INFORMAÇÃO FIM-DE-SEMANA
22:15 LOTAÇÃO ESGOTADA
DOCE NOVEMBRO
00:15 CASOS ARQUIVADOS
01:15 PERDIDOS
02:00 ÚLTIMA SESSÃO
TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA
04:00 TELEVENDAS

Nem quero imaginar, como seria esta mesma programação, se não o fosse (laico)...
Mas, por outro lado, estou a imaginar a cobertura, mais que completa, dada ao evento pelos noticiários, o Marcelo a rezar o terço, em directo, com a Ana Sousa Dias, os bonecos do Contra só com piadas sobre o Maomé e, no final de emissão, um Televendas especial Fátima, aonde podemos comprar velinhas e santinhos em saldos. "Perdidos", podia bem ser uma série sobre a história de uns investigadores que tinham como missão ir ao Vaticano averiguar o destino de grande parte das contribuições dos seus fiéis, mas não é.
E aquela última sessão também cai ali que nem ginjas!

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Os cowboys também choram


Mudem os nomes ou os géneros das personagens se quiserem. Este é um tipo de filme que toda a gente se pode relacionar, mais ainda, se tiverem passado por alguma situação em que deviam ter dito/feito algo a alguém e que só muito tempo mais tarde percebem da importância dessa acção/palavras na vida da outra pessoa e nas vossas próprias vidas.
“O Segredo de Brokeback Mountain” para além de ser uma arrebatadora história de amor, também nos dá uma grande lição sobre sentimentos contidos (e o respectivo arrependimento).
Estreou, finalmente, ontem.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Comunicar

Nós, portugueses, para comunicarmos indirectamente uns com os outros, sabemos usar um telefone, o correio, normal e electrónico, colocamos um anúncio no jornal, ou mandamos o recado por alguém, por exemplo. Há dias que não estamos muito bem para aí virados e somos mais originais.


quarta-feira, fevereiro 08, 2006

That's somebody else's daughter!


O programa do Dr. Phill já chegou ao nosso país. Assim sendo, não posso deixar de agradecer ao canal Sic Mulher por mais um grande momento de televisão.

Durante um zapping, paro no dito canal e encontro o Sô Dôtor a conversar com um homem (aparentemente) normal:
...
Dr. Phil : Você sabe que isto da pornografia é um problema. Você tem de lutar contra ele!
Homem (aparentemente) normal: Sim, eu sei... mas é difícil.
Dr. Phil : Tenho uma fórmula simples e eficaz para você nunca mais abusar de pornografia... pense que aquelas raparigas que vê nos filmes são filhas de alguém...!!!
Público: OOOOOOOOOhh!!!
*Palmas*

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

O Exorcista (versão reduzida)

Para quem, como eu, não teve paciência para ver o original, aqui fica uma versão de 30 segundos do filme O Exorcista, animada e reinterpretada por uns coelhinhos com muito mais piada. Deliciem-se:

http://www.angryalien.com/0204/exorcistbunnies.html

-is there someone inside you!?
-sometiiimes...

As piores capas de sempre III

And the oscar goes to...

1.
Literalmente e não só, estamos mesmo perante uma obra de merda. Refiro-me só à capa, obviamente... e quem olha para isto fica com alguma vontade de ouvir o que a Millie tem para nos cantar?

sábado, fevereiro 04, 2006

As piores capas de sempre II

5.
4.
3.

2.

Decidi não colocar, para já, o primeiro lugar. Só para criar mais algum suspense...

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

As piores capas de sempre

Sempre tive um grande fascínio por capas de discos/cd's ao ponto de chegar, algumas vezes, a comprar albuns sem saber minimamente do que era composto o seu conteúdo. Já tive algumas boas supresas mas outras bem desagradáveis.
Por outro lado, há capas, que por sua vez, cumprem logo muito bem o seu papel dissuasor. Juntei umas quantas e fiz um top. \o/



10.
9.
8.
7.

6.

Os restantes cinco discos ficarão para um próximo post. Era muita emoção (e beleza) junta.

Queres procriar comigo?

... a noção constitucional de casamento (art. 36º da CRP) pressupõe claramente uma união conjugal e a possibilidade de filhos comuns, o que não dá cobertura ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. (Vital Moreira)


Jorge Miranda limita-se a confrontar esse artigo 13.º com os artigos 36.º e 67.º da mesma Constituição, que relacionam casamento e filhos, os quais só serão possíveis num casamento heterossexual, ou seja, entre um homem e uma mulher.


Com esta “trapalhada” toda, pelo menos, fiquei a perceber que todos os casamentos heterossexuais já celebrados em Portugal em que, por qualquer razão, o casal não possa ter filhos, são inconstitucionais.
Cá está e mais uma vez a teoria das prioridades a funcionar. Típico. Na ausência de outro tipo de argumentação e sempre que alguém avança com uma proposta inovadora neste país, pergunta-se: e que tal antes de pensar-se em casar os paneleiros e as fufas resolverem o problema das listas de espera nos hospitais? Ou a sinistralidade rodoviária nas nossas estradas?... até acabarem com aquilo que verdadeiramente lhes interessa: que desculpa vou arranjar lá na bancada para explicar as férias da próxima semana no Brasil?
Também é esta a teoria que se pode aplicar à interpretação dada ao Casamento, na nossa Constituição, por alguns Exmos. Srs. Drs. Constitucionalistas do nosso país: primeiro é preciso saber se o pessoal está apto para procriar... o resto logo se vê. Eu, depois do que li e ouvi nos ultimos dias, humildamente, ainda questiono: afinal de contas, há alguém que case por amor neste país?