quinta-feira, março 22, 2007

Revolta

Uma mulher perde o marido e o filho e vem para Portugal. No dia em que ia buscar a licença para permanecer no país é morta num ataque perpetuado por três ou quatro rottweilers... (A GNR foi avisada na véspera de que andavam alguns cães perigosos à solta na Várzea de Sintra)
Quantas mais vidas é preciso perder nas bocas destes cães assassinos, treinados por donos mentecaptos, para se começar a ponderar na eficácia da respectiva legislação actual?

O Destak parece que é

“... uma espécie de notícia viria (e veio) no Público que tem cada vez menos leitores, dá cada vez mais prejuízo e tem cada vez mais a mania.”

Foi isto que o director do Destak escreveu no editorial (título: 'O Público tem a mania') do seu jornal na passada segunda-feira. Não tenho grande interesse em aprofundar as causas desta “guerrinha” entre os dois jornais, mas achei muito curiosa esta forma de acusação: “ter a mania”. Esta expressão deixada assim ao “abandono” dá azo a tantas interpretações...
Tem a mania que é esperto? Tem a mania que é parvo? Tem a mania que é o Guardian português? Tem a mania de publicar frases completas? Tem a mania de achar que fazem concorrência a um jornal de distribuição gratuita de vinte e poucas páginas em que metade delas é preenchida com publicidade e classificados? Tem a mania de não achar muito normal usar fotos da agência Lusa para fazer livremente fotomontagens, mantendo o nome da fotógrafa (das fotos originais)? O Público tem, afinal, a mania de quê?

Eu se fosse director do Público não ficava calado e respondia-lhes na mesma moeda. Colocava como título do editorial: “O Destak parece que é” e depois lá pelo meio escreveria: “quem diz é quem é (toma, toma)!”

quarta-feira, março 21, 2007

Transparências

Uma das medidas anunciadas pelo Conselho de Ministros durante o “Dia do Consumidor”, celebrado na passada semana, diz respeito a uma maior transparência na publicidade das tarifas aéreas. De futuro, além do montante das tarifas, todos os impostos, taxas e encargos que repercutam no preço das viagens, devem ser comunicados ao consumidor.
Pela “clareza” dos dados que li, ou muito me engano ou irá suceder o que acontece actualmente com toda a informação adicional que costuma passar em rodapé em alguns anúncios de automóveis para televisão. A única diferença, é que tal informação, por uma questão de coerência, em vez de passar a 120, deve passar, para aí, a 900 Km/hora!

segunda-feira, março 19, 2007

O Daniel cresceu, mas tanto?


O “Harry Potter” despiu, literalmente, por uns tempos, a sua capa de feiticeiro para participar na peça de teatro “Equus”. Consta que o Gielgud Theatre, em Londres, onde o actor Daniel Radcliffe actua, tem tido continuas sessões esgotadas. Segundo um artigo no último Ípsilon (suplemento cultural do Público), tal facto deve-se à grande afluência das fãs do herói dos livros de J. K. Rowling para ver o Daniel representar como gente grande e (talvez!?) despir-se. Segundo algumas críticas da imprensa britânica, a peça não é lá grande coisa, mas a prestação do já-não-tão-pequeno “Harry” é brilhante. No mínimo, temos que congratular este jovem actor (17 anos) por ter aceite este grande desafio. Já imaginaram se alguém pega nesta fenómeno por cá? Não me parece assim tão utópico de vir acontecer. Pedir a uma “Floribela” para actuar de uma forma marcante ao mesmo tempo que se vai despindo? Humm... Esqueçam a parte da representação e a revista Maxmen pega já na deixa.

“... alguém já reparou que o Daniel cresceu?”
É mais ou menos assim que termina o texto de Joana Gorjão Henriques (Ípsilon).
Sim, Joana, é notório e aposto que há muita gente que sai daquele teatro com vontade o ver crescer ainda mais. Já agora penso ser importante esclarecer: a bela foto que usou no seu artigo foi manipulada. Veja e leia isto:
http://herbertvonkoln.livejournal.com/1004.html

quarta-feira, março 14, 2007

Já?


Então não dormiram, trocaram "bons conselhos". A linguagem do mundo futebolístico está cheia de metáforas.

Apocalipse Newes



Nunca imaginei poder vir a dizer isto nesta vida, mas vou ter que o fazer: concordo com algumas linhas escritas pelo senhor Prof. César das Neves. Pelo menos até ao momento em que começa a relacionar os novos meios de comunicação com o aumento dos divórcios, a destabilização familiar e a precariedade no emprego. Mas só quem não conhece as suas teorias ridiculó-conservadoras é que ainda se pode deixar surpreender pelo o homem que consegue ver o apocalipse em todos os fenómenos sociais.

Vamos então supor que estava eu na minha casa, muito bem casado e bem empregado. Sento-me em frente ao meu computador e aparece-me, “por mero acaso”, no monitor, o convite de uma fulana para adicionar o meu contacto ao seu Messenger. Eu ainda resisto mas por fim acabo por ceder. De um momento para o outro ela liga a sua (e a minha... impressionante os dotes destas novas cibernautas!) webcam e começa-se a despir para mim sem eu ter-lhe sequer piscado um olho. Começa a fazer insinuações de que pretendia fazer coisas comigo que eu nunca faria com a minha esposa... Esta subitamente aparece e depara-se com um cenário muito pouco “familiar”, zanga-se comigo, pede o divórcio, os meus filhos saem de casa e perco o emprego. Enfim toda uma óptima e estável vida se desmorona, só porque uma “boazona de mamas grandes” persuadiu-me a cometer actos de prevaricação virtual que eu ainda consegui resistir... por mais de meia-hora! Conclusão: a culpa é da internet.

segunda-feira, março 12, 2007

Neo-tesourinho-deprimente

Ontem depois de ver um “gatos” fraquinho – safou-se as imitações do RAP e o incontornável “tesourinho deprimente" - ao fazer zapping por alguns canais, fixei-me num em que mostrava uma bela morena de mini-saia sentada em cima de uma secretária, com as suas belas pernas de frente para uma câmara insistente em focá-las. Mais a trás, sentado na cadeira, estava um rapaz de óculos com uma farta cabeleira encaracolada. Bastou olhar para os cantos superiores do meu televisor para entender, em dois segundos, o que via: uma “estreia” chamada “A bela e o mestre” na (surpresa!) TVI. Temi o pior, mas este canal consegue sempre, surpreendentemente, superar as minhas piores expectativas.
Aparece-me o apresentador à frente. Um autêntico fenómeno de versatilidade, num minuto vejo-o numa publicidade a montar e a levar coices de um burro, no minuto seguinte vejo-o apresentar um novo programa da TVI. Entretanto fico a saber que a jovem é uma ex-miss, vem da Ilha da Madeira e tem o dom de fazer o público masculino “grunhir” sempre que mexe as pernas. O apresentador goza com a situação e pede para a “ex-miss” voltar a subir para a secretária e cruzar as pernas e sucede o consequente “grunhido” da assistência. Confesso que já não via uma cena tão parola na TV desde os “saudosos” tempos do “Big Show Sic” do João Adriano e do Macaco Baião, ou qualquer coisa assim parecida.
O “concurso” arranca. Aparece uma foto de Fidel Castro num ecrã gigante e a rapariga tem que adivinhar quem é.
- É um militar... – Avança ela.
- Certo, mas quem é ele? – Questiona o apresentador.
- ... Ah se eu conseguisse ver melhor as medalhas...
- Olhe como se chama o cocktail que se faz com Whisky e Cola?
- Whisky-Cola.
- Não... Cuba Livre!
- ...
- Então ainda não está a ver?
- Não.
- Olhe fiel... como se diz em espanhol fiel?
- ...
A assistência fica mais exaltada e ela aproveita a distracção do apresentador e pergunta, quem é aquele homem, ao tal “bisneto do Einstein” que se encontrava junto dela...
- Fidel Castro!
- Ah... Muito bem!
(Muitos aplausos)
Entretanto aparece na imagem o conceituado jornalista Carlos Quevedo (!!), envergonhadíssimo, para esclarecer o apresentador que uma Cuba Livre não se faz com Whiskey mas com Rum. Depois ouve-se uma gargalhada e aparece o “mestre” Rui Zink (!!) no ecrã e mesmo ao lado dele... a mulher das grandes traduções (umas mais legais que outras) Clara Pinto Correia! E para completar o quadro... Marisa Cruz (!!). WHAT THE FUCK?! No momento em que já deduzia que iria aparecer o Paulo Portas e a Romana, fiquei a saber que aqueles quatro elementos constituíam o júri fixo.

Siga. Nova bela concorrente, novo intelectual a acompanhá-la, a mesma secretária, novas pernas, os mesmos “grunhidos” do público e o mesmo apresentador. Desta vez aparece a foto de Agustina Bessa-Luís.
- Então sabe?
- Humm...
- Olhe lembre-se do mês que mais gosta...
- ...?!
- Agosto, o verão, a praia...
- ...
- Agust...
- Agust...
- Agustina...
- Agustina.
- Vá, o segundo nome é o nome de um estádio...
- Agustina Benfica?
- Não...

Sobrevivi até aqui. Mudei de canal, pois já tinha provas mais do que suficientes de que a “bela” TVI é actualmente uma “mestre” na produção de “tesourinhos deprimentes” para uma próxima geração. Nessa altura, então, cá estarei para os saborear. Ou não.

sexta-feira, março 09, 2007

A "Reforma"

Como não podia deixar de ser - e quem me conhece sabe perfeitamente que este é um dos meus “cavalos de batalha” - não poderia ficar calado face ao resultado final da tão esperada reforma “revolucionária” da tributação automóvel que o governo actual tanto prometera.
Recapitulando. Actualmente recaem sobre os veículos: o Imposto Automóvel (IA) e o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) respectivo, Imposto Municipal sobre Veículos (IMV, vulgo “imposto de selo”) – estes primeiros três perfazem a, já referida num anterior post meu, “tripla tributação”, a tal que a Comunidade Europeia se actuasse coerentemente sobre todos os estados membros já sido alvo de penalização – e especificamente sobre os veículos afectos ao transporte de mercadorias recaem ainda: o Imposto de Circulação (ICi) e o Imposto de Camionagem (ICa).
A proposta de lei foi finalmente aprovada pelo Executivo e afinal o que muda? Muda tudo: extingue-se o IA, o IMV, o ICi e o ICa e cria-se dois novos impostos: o Imposto sobre Veículos (ISV) – que substitui o IA e, sendo assim, o IVA vai continuar a incidir sobre o preço base acrescido deste novo imposto, como aliás já acontece com o IA – e o Imposto Único de Circulação (IUC) – que substitui o IMV, o ICi e o ICa. Então, se eu fiz bem as contas, hoje ao comprar um carro novo paga-se 3 impostos e com esta reforma tributária irá pagar-se... 3 impostos? “Muda tudo”? O legislador explica: “as mudanças vão no sentido de privilegiar a utilização de energias renováveis e a opção por veículos e tecnologias menos poluentes”. Esta preocupação ambiental agrada-me bastante e parece que o peso das emissões de dióxido de carbono (CO2) terá cada vez uma maior influência – juntando-se, assim, à cilindrada (Tabela A) que continua a ser aplicada (exclusivamente) sobre os restantes automóveis que não podem ser tributados com base nas emissões de CO2 (Tabela B) - tanto logo no momento da compra do veículo, no cálculo do ISV, como a longo prazo, sempre que se efectivar o respectivo pagamento anual do IUC. Segundo o Executivo: “estão garantidas reduções nos preços dos veículos superiores a 10%, em alguns casos, face aos preços actuais”. Uau!
“Uau”, se não houvesse dois pormenores importantes que não foram devidamente explicados.
1) Esta possibilidade de redução nos preços concretiza-se unicamente no momento da compra do veículo. A longo prazo, com a incidência do IUC, já foi demonstrado que a carga fiscal vai subir.
2) De acordo com um estudo da Comissão Europeia, o investimento das marcas para produzir os carros para que reduzam ao máximo as emissões de CO2 vai encarecer o preço de produção em cerca de 18%, nomeadamente nos veículos de gama baixa.

A partir de Julho deste ano (quando esta “nova” tributação automóvel entrar em vigor) saímos do stand com o nosso novo carro e com uma agradável sensação que fizemos um óptimo negócio, simultaneamente, pensando que estamos a contribuir para um melhor ambiente e nem nos preocupamos em confirmar se estas generosas “reduções” que o “Executivo” nos ofereceu estão efectivamente correctas. É bom que assim seja, se não queremos ficar, para além de, triplamente tributados, triplamente desiludidos.
Todas as informações actualizadas neste excelente blogue.

quinta-feira, março 08, 2007

Toda a verdade?

Quem reconhece a verdadeira influência da comunicação social neste país também poderá explicar, por exemplo, a razão pela qual um dos melhores anúncios para televisão nunca tenha passado... na televisão.

Faça o obséquio:
http://www.ad-awards.com/commercials/directory/categories/non-profit/alzheimers/commercials-6-218.html

terça-feira, março 06, 2007

Ou não sorrir

Durante uma sessão de fotos para uma revista italiana, Helen Swedin, companheira de Figo, pousava nua e houve alguém que aproveitou o momento para tirar umas fotos para uso pessoal. Como o “uso pessoal” pode ser um conceito muito lato para algumas pessoas, nada egoístas por sinal, tais fotos clandestinas acabaram por chegar a caixa de correio electrónico de milhões de pessoas, eu incluído.
Comparativamente com as fotos oficiais, aquelas que saíram na revista, é garantido que estas mostram mais. Muito mais. Tanto que quase me atrevo a chamar-lhes uma desilusão. Nada de confusões, ela é lindíssima, com ou sem photoshop. Nestas só está menos bonita porque não sorri. E é isso que mais se evidencia no resultado desta “sessão clandestina”: os seus lábios. Porque toda ela é lábios! Quando vemos estas fotos quase que dá vontade de lhe dizer: “Helen pá, sorri, você está no monitor de milhões de espectadores!”.


segunda-feira, março 05, 2007

Sorrir...

Logo no início do curto vídeo caseiro, ouve-se a voz de uma rapariga com um nítido sotaque do norte:
- Não se vê que é ieu... Ah pois não!
Numa cama vê-se, a meia-luz, uma rapariga (nua) ajoelhada a fazer (qualquer coisa semelhante a, mas que eu nunca denominaria) sexo oral a um rapaz, enquanto este a filma.
Ela faz uma pausa nunca deslargando o pénis semi-erecto do rapaz. O diálogo continua:
- Nãoe... – ouve-se a voz do rapaz, também com um sotaque claramente nortenho - ... Ohh, mas aprobeita e chupa mesmo! – continua ele, com um tom de voz mais imperativo.
E ela “chupa”.
- Assim biêsse que és tu! Posso tirare?? – Continua ele, no momento que entende-se melhor o contexto da “mise-en-scene” (lol).
O que ela tem na mão é o que se vê no video. O que ele tem na mão é, afinal, um telemóvel. Ela nem percebe que está a ser filmada e concentra todos os seus receios na possibilidade de ele poder vir a tirar-lhe a foto e, pior, que se veja o seu rosto (enquanto lhe faz sexo oral). Os silêncios e este curto diálogo são constantemente interrompidos pelos “berros” de um “relatador” de futebol durante a transmissão de um jogo na TV. (Penso que era importante acrescentar este detalhe da “banda sonora”.)
- Não sei se debes. – diz ela. E sorri, sem nunca deixar de fazer o que estava a fazer. E estava a fazer tudo muito mal, porque nem a melhor porno-star conseguirá “chupar” decentemente ao mesmo tempo que ri e posa para uma foto.
- Mas com’é que é, posso tirar ou não?
- O qu’é que vais fazer com a fotografia? – questiona ela, sem nunca parar de sorrir e abandonar a sua pose mais fotogénica.
- Oh... é para guárdar’né?!
- Mas não é para mostrar a ninguêim, han?!
- Sim... mas tens que chupar mesmo!
– E ela continua a “chupar” (mal). Mais uma pausa e diz:
- Desde que não se beija a minha cara.
E ela continua, sorrindo sempre...

O macho para se assumir como tal, perante ele e, fundamentalmente, perante os outros (machos) – o facto de o video ter chegado à minha caixa de correio, ou seja, ter tido uma exposição pública, pode explicar esse facto - engana a fêmea e esta, interpreta bem e sem contrariar o seu papel de enganada.
No ano 2143 este vídeo vai passar no canal National Geographic. Isto se em 2143 ainda houver National Geographic e se, até lá, a espécie humana evoluir alguma coisa.

Eis a questão

O que há em comum as fotos da Britney Spears sem lingerie a sair de um carro, pedidos de dadores de sangue de um tipo incomum, as fotos de raparigas nuas em poses ousadas colocadas em circuito de distribuição por ex-namorados, a oferta de Labradores, o vídeo de uma sósia da Fernanda Serrano a fazer sexo com um matulão qualquer, um comunicado da PSP a informar da existência de um bando cujo os seus elementos fingem ser surdos-mudos (do leste) e que assaltam junto das caixas de multibanco, as fotos nos bastidores do carnaval no Brasil (“Orgia no trio elétrico – parte 56”?), as últimas informações fiscais da DGCI, algumas fotos de praias paradisíacas cheias de azul e verde “photoshop”, a enésima denúncia sobre lojas e restaurantes chineses, as fotos de algumas finalistas do ISCAL sem os trajes académicos, os pedidos desesperados de localização de um(a) filho(a) desaparecido(a) por parte dos pais, a alerta para uma "droga" que se coloca nos copos nas discotecas que provoca uma submissão total da vítima (hum... álcool?), ...?

Partilham a minha caixa de entrada do E-mail. Uma verdadeira "salada russa" de emoções. Acreditar ou não acreditar, apagar ou não apagar, reenviar ou não reenviar,...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Uma máfia

Este post será mais dirigido a quem é (ou pense vir a ser) inquilino de um prédio com elevador e que está, de certa forma, descontente com a actuação da empresa que faz a sua manutenção.

Seguem-se dez conselhos (muito) práticos.

1) Por mais que aliciantes sejam os preços propostos nunca aceitem contratos de manutenção com uma validade superior a 3 anos. Já me passou pelas mãos um contrato da Otis com um prazo de 20 anos (!), correspondente a um prédio de 2001 de 4 pisos, com o custo de uma prestação de 410 euros trimestrais (!). A administração do condomínio se pretender terminar este contrato, segundo a respectiva cláusula de rescisão, terá que indemnizar a empresa Otis no valor de cerca de 7.800 euros (25% do valor total das prestações a vencer). Não sei como, nem sob efeito de que substâncias (ou “aliciantes naturais”), mas alguém assinou um contrato destes.

2) Atenção a contratos de manutenção celebrados entre o construtor e a empresa que forneceu e/ou faz a manutenção dos elevadores. Não se deixem enganar. Não é um contrato válido para futuros condóminos. Artigo 268º, nº1 do Código Civil diz: “O negócio que uma pessoa, sem poderes de representação, celebre em nome de outrem é ineficaz em relação a este, se não for por ele ratificado”.

3) Verificar o método de aumentos anuais. Confirmem, no contrato, se estará indexado ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ou à Taxa de Inflação. Consultem o Instituto Nacional de Estatística (INE) ou outro organismo similar e verifiquem se os aumentos estão correctos. Caso contrário: razão plausível para mudar de empresa e/ou pedir a correcção no montante correspondente à soma das diferenças, entre a taxa correcta e a taxa usada que incidiram sobre as prestações.

4) Para rescindir um contrato, por regra (consultar o contrato), é necessária uma antecedência de 90 dias. Conselho: enviem a carta para a empresa de manutenção de elevadores, mencionando o cancelamento do contrato e a dispensa completa, a partir desse momento, dos seus serviços, mas mudem de imediato a fechadura nas casas das máquinas. Perdem 3 meses de contrato mas ganham em alguns dissabores com avarias que, por muita “coincidência”, só acontecem neste último período de vigência de assistência técnica.

5) Se acharem que o serviço de manutenção é medíocre e os problemas com o elevador mantém-se constantemente, procurem no contrato se não há uma cláusula que dirá que havendo um inequívoco incumprimento definitivo por parte do prestador do serviço, pode-se invocar justa causa para imediata rescisão do contrato.

6) Receberam facturas com valores astronómicos e com reparações muito questionáveis? Enviem uma carta com aviso de recepção para a empresa fornecedora do serviço, informando que, a partir desta data, toda e qualquer reparação terá sempre que ser previamente orçamentada sob pena de não liquidação da factura.

7) Segundo o Decreto-Lei nº320/2002, de 28 de Dezembro, durante o primeiro ano de uso do elevador as avarias e a manutenção é gratuita. Regra geral, a garantia dada pelo fabricante só cobre as reparações e substituições de peças que por desgaste ou defeito de fabrico avariem e nunca a manutenção normal.
No primeiro ano, TUDO é gratuito, logo não aceitem qualquer factura.

8) Parece que existe uma lei que obriga a haver no elevador um sistema de comunicação bidireccional. Regra geral os fabricantes de elevadores sugerem uma linha instalada no próprio elevador para um contacto directo com eles. Se essa linha for cobrada, ao condomínio, pela Portugal Telecom terá uma mensalidade como qualquer assinatura mensal de um telefone fixo. Consultem outras alternativas menos dispendiosas. Sabiam que um telemóvel é um sistema de comunicação bidireccional?

9) Para rescindir ou renegociar contratos, apresentar sempre propostas de outras empresas. Consultar as páginas amarelas, secção: Empresas de Manutenção de Ascensores e preparar para ouvir, da parte da empresa actual, todas os defeitos que uma empresa concorrente pode ter. Não ceder. A resistência por aqui faz sempre milagres. Uma renegociação, às vezes, também.
Muita atenção na comparação de preços: ter em conta que existe vários tipos de manutenções (geralmente existem: normal, com consumíveis e completa) e o que inclui e exclui cada uma.

10) Qualquer queixa ou esclarecimento pode e deve ser dirigida às seguintes entidades:
- Direcção-Geral de Geologia e Energia (DGGE)
- Instituto do Consumidor (IC)
- DECO
- Autoridade da Concorrência
- Direcção-Geral da Empresa (DGE)

Para finalizar, duas notas (muito) rápidas:

. Só para não haver algumas “caídas em tentação” por parte de alguns construtores e para não levantar suspeições por parte dos respectivos condóminos, eu diria que viveríamos num mundo mais justo se as empresas instaladoras de ascensores não pudessem (legalmente) fazer a sua manutenção.

. Os acordos secretos entre os principais fabricantes de elevadores começam desde da cláusula incluída no contrato exigindo que as peças a utilizar sejam sempre do próprio fabricante (na minha opinião: a salvaguarda da exclusividade do negócio camuflada por uma questão de segurança) até aos negócios milionários que a Comunidade Europeia (nem o seu próprio edifício escapou, lol, leiam esta notícia) detectou e multou. Eles chamam-lhe um cartel, eu chamo-lhe uma máfia.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Kinsey II

“Entre os chimpanzés pigmeus, o primata mais próximo de nós, é o sexo que cimenta a paz e a coesão social. Liberto de noções de amor romântico, de religião, de moralidade, a sociedade deles mantém-se, como unidade coerente de condicionamento biológico. (...)
Segundo as experiências de mulheres que deram a sua contribuição, notamos uma variada motivação para o coito extraconjugal. Por vezes é uma tentativa consciente ou não de subir socialmente. Noutras proporciona-lhes uma variedade de experiências com parceiros sexuais mais viris que os cônjuges. Há alturas em que é praticado como retaliação por relações extra-matrimoniais do cônjuge. Certas mulheres descobrem novas fontes de satisfação emocional enquanto para outras é impossível partilhar uma relação tão íntima com mais de um parceiro.
Existe também um considerável número de casos em que são os próprios maridos a encorajá-las a variar, para que elas gozem de um adicional prazer sexual.”

Alfred C. Kinsey

Em Nova Iorque quando Kinsey preparava-se para entrevistar todo o elenco de “Um eléctrico chamado desejo” e promover um segundo livro dedicado exclusivamente à sexualidade feminina, confrontado com alguns jornalistas que o esperavam no Aeroporto disse:
“Se querem escrever sobre uma coisa com utilidade estudem as leis relacionadas com as ofensas sexuais; a maioria dos criminosos presos não tem nada no seu historial que se diferencie do resto da população, o seu único crime é não terem dinheiro para pagar um bom advogado. E é injusto: o pecado que todos cometem deixa de o ser e o crime cometido por todos deixa de o ser (it’s unfair: everybody sin is nobody sin and everybody crime isn’t crime at all)!”
Não foi tanto o facto de se ter revelado que as mulheres americanas, afinal, tinham uma vida sexual própria e independente da vontade masculina, mas foram acima de tudo estas últimas palavras, que acabaram por sair nas primeiras páginas dos jornais, que pôs termo à ligação Kinsey - Fundação Rockefeller.
O nosso polémico cientista começou a trabalhar por conta própria mas nunca desistiu das suas pesquisas e entrevistas.

Um dos homens mais controversos que Kinsey entrevistou, admitia que mantinha relações sexuais com menores e durante a descrição dos seus actos, um dos seus assistentes que o acompanhava, revoltadíssimo, saiu da sala. No filme “Relatório Kinsey” relata-se o diálogo que perseguiu entre o pedólilo (P) e Kinsey (K).
P - Pensei que os tinha ensinado a ser imparciais?
K - Às vezes isso é difícil.
P - Alguém como eu deve provar o que o senhor acredita?
K - Como?
P - Que toda a gente deve poder fazer o que quer.
K - Nunca disse isso. Ninguém deve fazer nada contra vontade, ou ser magoado.
P - É muito mais convencional do que eu pensei...

Eu, hoje, divido-me entre vergar-me perante este grande senhor e as suas palavras e uma nova realidade sexual. Estou convicto de que o desfasamento de ideias e princípios entre as pessoas, em tudo o que toca à sexualidade, é cada vez maior. Neste momento, num mesmo planeta, continuam a existir os mais conservadores que até estes estudos dos finais dos anos 40 do século passado são difíceis de digerir, que convivem abertamente (ou não) com outros, para o qual o sexo é livre e não deve ter qualquer tipo de tabus. Consta que é a moralidade que os separa e eu sempre pensei que nestas coisas do sexo, quem mandava era o desejo e o prazer, sempre vigiados pela razão e pelo coração (claro).
Estamos então num novo século e já quase nada no plano sexual é proibido. Para quem acredita nisto, como eu, agora o desafio será mais de nos mantermos nós próprios no meio desta espécie de “anarquia sexual” (chamem-me "convencional"!). Seria com isto que Kinsey teria que se confrontar e de ter em consideração nos seus estudos, se ainda andasse por cá a investigar o que andamos a fazer na nossa intimidade.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Vou só ali penitenciar-me e já venho

Um homem deixa de ser visto durante mais de um ano, (entretanto) morre na sala da sua casa em frente à televisão (o Hora H, nessa altura, ainda nem estava em projecto, suas mentes diabólicas!) e o seu corpo só é descoberto, por acaso, por um polícia que passa pela casa dele só para investigar um problema com um cano da água.
Bela civilização humanista esta que andamos a construir.

Leiam e vejam o vídeo desta triste história aqui:

http://www.cnn.com/2007/US/02/17/death.television.reut/index.html

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

No campo do inimigo

Se não tivesse suficientes provas dadas que me contrariavam, ainda pensaria que o facto do Nuno Markl fazer parte da assistência de um dos melhores programas de humor português dos últimos tempos (Diz que é uma espécie de magazine - são muito inconstantes, mas o do último domingo foi especialmente genial) seria para obter inspiração para tentar elevar o nível da qualidade dos textos de um dos piores programas de humor português dos últimos tempos (Hora H - excluindo o sketch dos “graffiteiros de cascais”, um grande e duradoiro bocejo).

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Kinsey I

Nas décadas de 40/50, um homem chocou o mundo ao estudar o comportamento sexual humano como os outros animais na sua cadeia evolutiva. Os problemas para a sociedade mais conservadora americana começaram quando esse homem, zoólogo, cientista, Alfred C. Kinsey (1894-1956), decidiu deixar registado todos os resultados das suas pesquisas em livros e vídeos.
Um dos resultados “chocantes”, por exemplo, foi de que o sexo no matrimónio, o único que seria socialmente aceite por todos à época, era só uma das nove maneiras que o americano típico usava para chegar ao orgasmo. “Sexual Behavior in the Human Male” (1948) foi o seu primeiro livro editado, sobre o tema, com base nas suas primeiras pesquisas e com o apoio da prestigiada Fundação Rockefeller.
“Um cientista só generaliza com algum grau de certeza se possuir suficiente informação estatística”, dizia ele. Por isso dividiu a população americana em 200 subgrupos sociais; obtendo 400 a 1000 historiais para cada grupo, com o objectivo final de conseguir fazer cerca de 100.000 entrevistas, cara-a-cara, com o auxílio de um grupo de técnicos especializados e previamente preparados.
O maior interesse destes estudos estaria no facto de incidir sobre um país que sempre teve a cultura mais libertina do mundo (desde da época Romana) e simultaneamente a mais puritana. Kinsey sabia disso e achou que esta fonte de tensões poderia ser usado a favor das suas experiências e tornaria os seus resultados ainda mais curiosos.
Kinsey era um homem de gráficos, grelhas e números. Um dos seus contributos para o léxico americano sobre sexo foi a “Escala de Kinsey”. Classificação da sexualidade de cada um numa escala de 0 a 6, em que o 0 significaria “exclusivamente heterossexual” e o 6 “exclusivamente homossexual”. Esta escala é baseada na teoria de que a sexualidade é um continuum. Ele que, classificava-se em 3 na sua escala, considerava a bissexualidade como o estado natural da sexualidade humana. Não deixa de ser interessante que este, entre outros, continue actualmente a ser um tema tão polémico. Kinsey, hoje em dia, continuaria a ter muitas dificuldades em defender a sua escala, nomeadamente junto de uma comunidade gay e hetero mais relutante em aceitar a existência de “meio termos”, ou seja, da bissexualidade.

Na mesma proporção que para muitos, Kinsey foi uma figura seminal do século XX, para outros, ele não passou de um predador que gostava de chafurdar no “lixo das depravações”, chamando-lhe a isto, “ciência do sexo”. Entrevistou um pedófilo assumido, criminosos sexuais e encorajava os seus subordinados a trocarem de mulheres. Como basta “pecar” por uma parte para que o seu todo seja afectado, tal acabou por facilitar o trabalho de descredibilização das suas teorias junto de várias organizações ultraconservadoras americanas. Para estes, Kinsey, nunca passou de um doente mental que só se interessava por actividades sexuais bizarras e sadomasoquistas. Muito menos nos deve surpreender que assim seja, se pensarmos que a América dos “bons e velhos costumes” tinha acabado de descobrir que 92% dos seus homens e 62% das suas mulheres se masturbava com regularidade, 50% dos casados tinham sexo extra-conjugal e que 37% dos homens e 13% das mulheres já tinham tido pelo menos uma relação homossexual. Para o Instituto Kinsey, actualmente isto continuam a ser dados científicos, tudo o resto que seja dito sobre o seu autor, não passam de puras especulações com intuitos descredibilizantes.

De uma das suas aulas sobre a sexualidade humana na Universidade de Indiana, onde conheceu a mulher com quem esteve casado durante 35 anos e lhe deu quatro filhos e onde fundou o Instituto de Pesquisa sobre o Sexo (hoje chamado Instituto Kinsey), retirei um fragmento do seu discurso, que também pode ser encontrado, em parte, no filme “Relatório Kinsey” de Bill Condon:

Muita gente acha que faz sexualmente o que todos fazem, ou que deviam fazer. Mas faço notar que todas as ditas perversões sexuais, caem sobre a alçada da normalidade biológica. Por exemplo, a masturbação, o contacto bocal-genital e actos homossexuais que são comuns entre a maioria dos mamíferos, incluindo os seres humanos. Talvez a sociedade condene as tais práticas por razões morais mas é ridículo classificá-las como antinatura. Mas com base na opinião pública e no Livro de Géneses, apenas existe uma correcta equação sexual: Homem + Mulher = Bébé; tudo o resto constitui vício. Mas basta verificar apenas o historial masturbatório dos homens desta sala para provar a ineficácia das restrições sociais e o imperiosas que são as exigências biológicas.
Porque são algumas vacas activas sexualmente enquanto outras se limitam a ficar por ali a pastar? Porque precisam alguns homens de trinta orgasmos por semana e outros, nenhum? Por toda a gente ser diferente. O problema está na maioria querer ser igual. Acham mais fácil ignorar simplesmente este aspecto fundamental da condição humana. Têm tais ânsias de ser parte do grupo que traem a própria natureza para lá chegar.
O problema surge porque se uma coisa der prazer ou for fortemente desejada mas proibida, ela torna-se numa obsessão.
Pensem nisso.

sábado, fevereiro 17, 2007

Procura-se uma “cara-metade” ou um “corpo-metade”?

Platão n’O Banquete, pela boca de Aristófanes, explica porque buscamos, através do amor, a outra metade que perdemos algures.
No início, homens e mulheres eram redondos, como o sol e a lua, eram ambos macho e fêmea e tinham dois órgãos genitais. Em alguns casos ambos os orgãos eram machos... E o mito continuava. Estes eram seres auto-suficientes e orgulhosos. Desafiaram os Deuses de Olimpo, que os puniram cortando-os ao meio. Foi esta a mutilação que a humanidade sofreu. De modo que, geração após geração, buscamos a outra metade, ansiando ser de novo inteiros.
Mais à frente Aristófanes também diz que o encontro sexual permite um esquecimento de nós próprios, mas a dolorosa consciência da nossa mutilação é permanente.
E pouco fica por dizer.