Para quem viu ontem o programa “Centro de Saúde” (RTP1), emotivo mas muito esclarecedor, já não tem desculpas para não entender a ultima campanha publicitária da Coordenação Nacional de Infecção VIH/Sida (CNIVS). “E você, sabe o que trás consigo para casa hoje?”
A campanha do preservativo está completamente vulgarizada: toda a gente já sabe que o deve usar mas quando chega o acto em si, toda a gente usa mesmo ou deixa-se levar pelos seus instintos mais básicos? Este é um assunto demasiado importante (e fatal) para ser tratado com campanhas meramente lúdicas e/ou informativas. Deve-se pegar nas principais causas do problema e usá-las sem rodeios nos anúncios, não tendo receios de poder vir a chocar as mentes mais pudicas, como aquelas que ainda acreditam, por exemplo, que “o casamento tem contribuído para a regulação dos impulsos sexuais”. Penso que estamos no caminho certo. Que venham, então, mais “Centros de Saúde” e campanhas como esta.
Entretanto lembrei-me de um excerto de uma crónica de Frederico Lourenço que a Sandra publicou no seu blogue e que se pode julgar, à partida, completamente descabido enquanto se aborda este tema. Mas, acreditem, isto faz sentido. Passa sobretudo por uma questão fundamental e que poderia ser o sub-slogan da campanha da CNIVS : “E você, conhece verdadeiramente a pessoa com quem se deita todas as noites?”. Isto será só um dos potenciais exemplos.
A campanha do preservativo está completamente vulgarizada: toda a gente já sabe que o deve usar mas quando chega o acto em si, toda a gente usa mesmo ou deixa-se levar pelos seus instintos mais básicos? Este é um assunto demasiado importante (e fatal) para ser tratado com campanhas meramente lúdicas e/ou informativas. Deve-se pegar nas principais causas do problema e usá-las sem rodeios nos anúncios, não tendo receios de poder vir a chocar as mentes mais pudicas, como aquelas que ainda acreditam, por exemplo, que “o casamento tem contribuído para a regulação dos impulsos sexuais”. Penso que estamos no caminho certo. Que venham, então, mais “Centros de Saúde” e campanhas como esta.
Entretanto lembrei-me de um excerto de uma crónica de Frederico Lourenço que a Sandra publicou no seu blogue e que se pode julgar, à partida, completamente descabido enquanto se aborda este tema. Mas, acreditem, isto faz sentido. Passa sobretudo por uma questão fundamental e que poderia ser o sub-slogan da campanha da CNIVS : “E você, conhece verdadeiramente a pessoa com quem se deita todas as noites?”. Isto será só um dos potenciais exemplos.
Não é necessário passar a desconfiar de tudo e de todos mas há que, pelo menos, questionar ideias feitas como a que expus aqui há dias e fiz referência no parágrafo anterior.
«(...) A intenção de Yourcenar era dizer que a esfera íntima da mulher é inacessível ao homem: nunca nenhum homem saberá ao certo o que se passa na vida de uma mulher. Só que o reverso também é válido. Sobretudo no nosso país, no qual se verifica que, nos pontos de encontro onde homens se reúnem com outros homens para convívio e sexo desportivo, a maioria deles tem aliança de casamento. Logo, está em causa uma esfera íntima inacessível às respectivas mulheres; se calhar, felizmente inacessível, do ponto de vista dos maridos para quem tal desporto não põe em causa a vida familiar.
Aliás, talvez nem ponha em causa a própria heterossexualidade. Se essas mulheres perguntassem aos maridos "és gay?", eles responderiam, veementes, que não. Na verdade, um homem que vive, satisfeito, uma vida familiar heterossexual, mas que gosta de se divertir sexualmente com outros homens "entre parênteses", não é gay.
É o quê, então? (...)»
["O Seu Marido É Gay?". Valsas Nobres e Sentimentais. Frederico Lourenço. 2007]
«(...) A intenção de Yourcenar era dizer que a esfera íntima da mulher é inacessível ao homem: nunca nenhum homem saberá ao certo o que se passa na vida de uma mulher. Só que o reverso também é válido. Sobretudo no nosso país, no qual se verifica que, nos pontos de encontro onde homens se reúnem com outros homens para convívio e sexo desportivo, a maioria deles tem aliança de casamento. Logo, está em causa uma esfera íntima inacessível às respectivas mulheres; se calhar, felizmente inacessível, do ponto de vista dos maridos para quem tal desporto não põe em causa a vida familiar.
Aliás, talvez nem ponha em causa a própria heterossexualidade. Se essas mulheres perguntassem aos maridos "és gay?", eles responderiam, veementes, que não. Na verdade, um homem que vive, satisfeito, uma vida familiar heterossexual, mas que gosta de se divertir sexualmente com outros homens "entre parênteses", não é gay.
É o quê, então? (...)»
["O Seu Marido É Gay?". Valsas Nobres e Sentimentais. Frederico Lourenço. 2007]







