segunda-feira, junho 25, 2007

O homem mais infeliz do mundo

Mário tem actualmente 32 anos, conheceu a Sónia ainda no período do liceu e casaram-se assim que arranjaram um primeiro emprego. Consta que houve, entretanto, um período de namoro que supostamente terá sido curto. Demasiado curto, talvez. Ele casou com a primeira rapariga com quem namorou. Pelo que conheço do Mário, não justifico isto por pressões de ordem externa, acredito mais em actos premeditados e em vidas demasiado lineares onde não haja sequer tempo e espaço para serem colocadas, como mera hipótese, outras probabilidades de rumo a seguir.

A felicidade é um conceito ambíguo. No início deste mês foi a minha casa desabafar. No início da conversa, arremessa-me logo com isto: “aparento ser um homem muito feliz mas, na verdade, sou o homem mais infeliz do mundo”. Se havia modelo de vida feliz, a todos os níveis, seria aquela que Mário levava. Por tal, imagine-se o tamanho do meu espanto!
Mário não será certamente o homem mais infeliz do mundo mas compreendo-lhe a sua frustração, da vida que tem e que não quer ter. O problema nem é pensar que podia ser mais feliz se tivesse optado por outra hipótese de vida, o problema é pensar que não tinha, ou que não tem, outras hipóteses de vida. E de facto tinha e tem. Mas nem todas pessoas encaram essa opção de mudança com a mesma facilidade. Ele é altruísta e, certamente, prefere não magoar a esposa e incomodar a restante família com a opção de um divórcio, mesmo que para isso tenha que pagar um preço bem alto: o da sua própria felicidade. No entanto está completamente iludido em relação ao ideal de felicidade que criou. Diz que inveja a minha vida de solteiro, a minha independência, como se estas condições fossem suficientes ou um sinónimo incondicional de se ser feliz.
É legítimo perguntar-se: quantas mulheres Mário precisará de conhecer para ser (mais) feliz? E a Sónia, será feliz?

O pior está/estava para vir. Continua a conversa dizendo que Sónia está novamente grávida. “Sinto que morri por dentro. Não quero ser pai. Não gosto de ser pai.” Fiquei (ainda) mais perplexo, chocado, até. Nunca imaginei ouvir isto da boca de algum homem e muito menos da dele. Sei que há quem não tenha quaisquer atributos para esse fim, que há quem não faça a mínima ideia do tipo de responsabilidades que a paternidade acarreta, mas confesso que dito assim, desta forma directíssima, tudo me soa da pior maneira possível. “Mas fui e sou forçado a sê-lo por força das responsabilidades que assumo, mesmo com sacrifício para mim...”.

Os incompreendidos serão sempre incompreendidos. Segundo igualmente palavras dele: Mário nunca traiu a mulher. Mas já procurou e continua a procurar uma “amiga” pela internet, alguém que colmate essa “pequena” falha emocional. Ele, ao contrário de muitos, não anda a procura da queca rápida, do sexo alternativo ao que terá por casa. Ele procura conhecer a rapariga que não conseguiu conhecer no período devido para esse efeito.
Mete-me uma certa pena saber que os anúncios do Mário misturam-se com tantos outros que pouco ou nada se assemelham ao seu caso. Não quero com isto dizer que a sua infidelidade seja menos condenável do que qualquer outra, quero simplesmente dizer com isto que os seus objectivos são menos comuns e, justamente por essa razão, menos compreensíveis. Pelo menos é sincero, não esconde a sua condição de casado, nem as suas verdadeiras intenções. Deve ser por isso que ainda não encontrou correspondente. O problema não estará certamente na forma de abordagem, porque aqui seguramente, e “ponho as mãos no fogo” por ele, dará muitas lições a mim e a outros homens no que toca a matéria de respeito e honestidade.
Mário sempre foi um rapaz ligeiramente inseguro. Inseguranças sobretudo relacionadas com a sua aparência. Completamente infundadas, diga-se de passagem. Mas contou-me que estes pequenos contactos virtuais têm, pelo menos, o ajudado a melhorar a sua auto-estima.

Regresso à escola. Ri-me bastante com um dos últimos telefonemas que ele me fez. Na passada sexta-feira foi fazer um exame de Matemática e ligou-me a dizer que o exame tinha corrido bem, mas também disse que estava rodeado de raparigas muito bonitas. Queria partilhar a sua alegria, ao mesmo tempo que as contemplava a uma distância segura. “Há aqui raparigas tão giras e atraentes... pena não lhes poder tocar... ahaha!”
Pode ser o princípio de qualquer coisa: Mário quer voltar a estudar. Vai tentar entrar na faculdade este ano. Quer melhorar o seu currículo e eu acredito nisso. Mas também sei que esta decisão terá outros propósitos para além dos profissionais: é o pequeno passo para a sua “libertação”.


Caso não tenham percebido, trata-se de um caso verídico e os nomes são, obviamente, falsos.

sexta-feira, junho 22, 2007

Ainda há preços amigos?

Já está á venda na funaque! 14.90€. Pode não ser caro mas também não lhe chamava "preço amigo". "Amigozinho colorido", vá lá.

quarta-feira, junho 20, 2007

8 x lol

A notícia é do início do mês, mas mais vale rir agora que nunca!
lol1
Margarida Vila-Nova e Nicolau Breyner são os dois actores escolhidos para vestirem a pele das personagens inspiradas em Carolina Salgado e Pinto da Costa, a partir de uma adaptação livre do romance ‘Eu, Carolina’, já na sua 14.ª edição.
lol2
Corrupção será realizado por João Botelho e escrito em parceria com a jornalista Leonor Pinhão, sua mulher, competindo à Utopia Filmes, – a mesma de ‘O Crime do Padre Amaro’ –, a produção da longa-metragem e a distribuição à Lusomundo. O título, provisório, representa uma homenagem a Fritz Lang, que na década de 40 dirigiu ‘Big Heat’ – em português ‘Corrupção’ – e o projecto custará mais de um milhão de euros. Se tudo correr como esperado uma série televisiva dará continuidade ao sucesso expectável da exibição nos cinemas.
lol3
A expectativa é grande e, apesar da garantia da argumentista de que esta “não será jamais uma adaptação literal do romance mas sim uma ficção a partir do tema”, logo se verá se, de facto, se confirma a expressão (também sublinhada pelo cineasta) – “qualquer semelhança com a realidade é pura ficção”.
lol4
(em entrevista, Carolina Salgado, "ponderadamente", responde às "brilhantes" perguntas do jornalista)
– E está prevista a filmagem de alguma das cenas no Estádio do Dragão?
– Não. Creio que o FC Porto não iria dar autorização.
lol5
– E no Estádio da Luz?
– Também não.
lol6
– Vai ser um filme classificado para que idade?
– Para maiores de 18 anos, dado que vai ter algumas cenas escaldantes.
lol7
– Quer concretizar algumas dessas cenas?
– Não posso, até porque ainda estão a ser discutidas. Mas uma coisa posso dizer, o filme vai prender os espectadores do princípio ao fim.
lol8
Fonte: Correio da Manhã

terça-feira, junho 19, 2007

Um achado:

o jovem espanhol proprietário de um carro 100% de origem e que circule, no mesmo, com o volume do rádio não audível a um raio de um quilómetro.

segunda-feira, junho 18, 2007

Ustedes tão gozando con nosotros

A notícia da ameaça de greve de fome por parte de uma família da região da Andaluzia (Espanha) abria, na semana passada, um dos noticiários de um dos canais regionais de televisão. Parece que o casal (ele, ela e mais uma filha adolescente) sobrevivia com pouco mais de 600 euros mensais. Rendimento este, proveniente do salário da esposa, já que ele “suplicava” por um emprego. Daí a ameaça da greve de fome, daí a “reportagem-choque”... daí a minha perplexidade.
Os espanhóis têm, genericamente, salários muito superiores aos nossos, recaem sobre os produtos que adquirem uma menor carga fiscal e, consequentemente, podem ir a um Carrefour, a um Dia, a um Plus ou a um Lidl e qualquer bem (mais ou menos) essencial que comprem, custar-lhes-á menos - confirmei que há preços, dos mesmos produtos nas mesmas superfícies comerciais, escandalosamente díspares - que se o comprassem em Portugal, abastecem os seus carros de gasolina, numa qualquer Galp em território espanhol, a menos de 30 cêntimos o litro, não pagam portagens quando circulam em grande parte das suas auto-estradas... e ainda lhes sobram motivos para iniciar uma greve de fome. Estão a gozar connosco, não?

sexta-feira, junho 08, 2007

Os milagres no Cabo Espichel

Maria do Carmo, de 58 anos, toma conta de Igreja da Nossa Senhora do Cabo há 23 e garante que já assistiu ali a “muita coisa”. Assim começa uma notícia publicada no JN, de sexta-feira da semana passada. O Cabo é o Espichel e a “muita coisa” são os suicídios.
A reportagem supostamente seria exclusivamente para informar do encerramento do acesso à zona da falésia deste Cabo nos arredores de Lisboa por falta de condições de segurança. Tem acontecido com alguma frequência alguns “acidentes” naquela zona, mas parece estes têm sido todos, ou quase todos, intencionais. Pelo menos é esta a opinião, segundo o jornal, da Dona Maria do Carmo e do comandante dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra. No ano passado, segundo os dados da corporação a que este comanda, registou-se cerca de uma dezena de casos. Não são números para concluirmos que o Cabo Espichel é a nossa floresta Aokigahara (junto ao Monte Fuji) no Japão - local mítico de eleição dos suicidas japoneses - mas são dados preocupantes, de facto. As pessoas escolhem os sítios mais bonitos para passearem, para namorarem, para dar uma queca, para meditarem... e para morrerem.
Uma falésia, um local onde acaba a terra e começa o mar. A metáfora: “o fim da vida e o início da morte”?!

“Com os carros lá fora é melhor porque a pé não têm tanta coragem para se mandar lá para baixo”, acrescenta a Srª. Maria.

Bom, em situações de desespero extremo as pessoas suicidam-se em qualquer local, através de qualquer meio, mas não é o desespero que os leva ali. É a esperança. A pouca esperança de que envolvidos por uma paisagem bonita se encontre algum vestígio de felicidade e de sentido para uma vida já tão pouco desejada. Por outro lado, isto também pode ser uma ilusão pois em situações altamente depressivas tudo o que nos rodeia deixa de ter qualquer significado. Por mais belo que seja... Naquele momento e naquele local, com tantas outras perspectivas de contemplação, só um (desconhecido) horizonte, lá ao fundo, parece fazer sentido. E aparecer alguém, como a Srª. Maria do Carmo, em seu auxílio pode ser mesmo um autêntico milagre. Basta, no fundo, aparecer só alguém que o oiça ou que lhe dê um sentido abraço. Tão pouco quanto isto.


Vou fazer uma pequena viagem até ao sul de Espanha. Despreocupai-vos: é para junto da costa mas não é para visitar qualquer “Cabo”. Estou de regresso assim que passe a próxima semana. Hasta!

quarta-feira, junho 06, 2007

E você, conhece verdadeiramente a pessoa com quem se deita todas as noites?

Para quem viu ontem o programa “Centro de Saúde” (RTP1), emotivo mas muito esclarecedor, já não tem desculpas para não entender a ultima campanha publicitária da Coordenação Nacional de Infecção VIH/Sida (CNIVS). “E você, sabe o que trás consigo para casa hoje?”
A campanha do preservativo está completamente vulgarizada: toda a gente já sabe que o deve usar mas quando chega o acto em si, toda a gente usa mesmo ou deixa-se levar pelos seus instintos mais básicos? Este é um assunto demasiado importante (e fatal) para ser tratado com campanhas meramente lúdicas e/ou informativas. Deve-se pegar nas principais causas do problema e usá-las sem rodeios nos anúncios, não tendo receios de poder vir a chocar as mentes mais pudicas, como aquelas que ainda acreditam, por exemplo, que “o casamento tem contribuído para a regulação dos impulsos sexuais”. Penso que estamos no caminho certo. Que venham, então, mais “Centros de Saúde” e campanhas como esta.

Entretanto lembrei-me de um excerto de uma crónica de Frederico Lourenço que a Sandra publicou no seu blogue e que se pode julgar, à partida, completamente descabido enquanto se aborda este tema. Mas, acreditem, isto faz sentido. Passa sobretudo por uma questão fundamental e que poderia ser o sub-slogan da campanha da CNIVS : “E você, conhece verdadeiramente a pessoa com quem se deita todas as noites?”. Isto será só um dos potenciais exemplos.
Não é necessário passar a desconfiar de tudo e de todos mas há que, pelo menos, questionar ideias feitas como a que expus aqui há dias e fiz referência no parágrafo anterior.

«(...) A intenção de Yourcenar era dizer que a esfera íntima da mulher é inacessível ao homem: nunca nenhum homem saberá ao certo o que se passa na vida de uma mulher. Só que o reverso também é válido. Sobretudo no nosso país, no qual se verifica que, nos pontos de encontro onde homens se reúnem com outros homens para convívio e sexo desportivo, a maioria deles tem aliança de casamento. Logo, está em causa uma esfera íntima inacessível às respectivas mulheres; se calhar, felizmente inacessível, do ponto de vista dos maridos para quem tal desporto não põe em causa a vida familiar.
Aliás, talvez nem ponha em causa a própria heterossexualidade. Se essas mulheres perguntassem aos maridos "és gay?", eles responderiam, veementes, que não. Na verdade, um homem que vive, satisfeito, uma vida familiar heterossexual, mas que gosta de se divertir sexualmente com outros homens "entre parênteses", não é gay.
É o quê, então? (...)»
["O Seu Marido É Gay?". Valsas Nobres e Sentimentais. Frederico Lourenço. 2007]

segunda-feira, junho 04, 2007

Da Buraca para o mundo

Com o Verão à espreita, entramos na época de festivais de música. São cada vez mais e com cartazes cada vez mais extensos e diversificados. Não há banda, por mais alternativa que seja, que não venha até cá. Excepção feita, para infelicidade minha, às Electrelane. :( Adiante... Mas com tanta importação de artistas, não há nenhuma banda portuguesa que nos deixe orgulhosos em participar num festival de música no estrangeiro?
Há e não é em um, mas em, pelo menos, quatro: Glastonbury Festival, no dia 30 deste mês, Roskilde Festival, a 14 de Julho, Exit Festival Novi Sad, na Sérvia, dia 21 de Julho e no Pantiero Festival (Cannes) em Agosto. E quem são eles?


Editaram um EP o ano passado (reeditaram o mesmo este ano) e já fizeram remisturas para MIA, Bonde de Role, Da Weasel, bem como uma excelente versão de “Noise Won't Stop” dos Shy Child. Os BuraKa Som Sistema são mesmo muito bons e por tal nem deveria estar assim tão surpreendido com o seu "sucesso" lá fora.
O Kuduro electrónico à conquista da europa e do resto do mundo. Yah!

sábado, junho 02, 2007

PriorIdades

Enquanto os pais discutem, eternamente, se acham bem ou mal que a RTP2 tenha passado ontem (20:30) um vídeo (didáctico) que ensina aos seus filhos como se faz o “truca-truca”, estes, lá na escola, por um tão simples instinto natural, já devem ter posto a mão por baixo da saia da menina ou dentro da calça do menino. Curiosidade e inocência. E é também tão natural que os filhos achem bem mais interessante os bonecos que estejam a passar no canal Panda do que ficar a saber que uma vagina possa ficar “molhada” ou um pénis possa ficar “duro”, tal como os pais o inverso, certo? Humm. A não ser que este filmezito tenha, afinal, outro público-alvo...
Depois de visualizá-lo, se as crianças passem ou não a vulgarizar o sexo torna-se irrelevante comparado com o facto de se ter arranjado assunto para mais umas 135 crónicas do Abominável Homem (César) das Neves. E se fossem fazer mais filhinhos, mazé?

segunda-feira, maio 28, 2007

Um mercado paralelo invertido

Tenho uma amiga que procura uma casa para comprar. Inicialmente ainda viu alguns apartamentos no centro de Lisboa mas face aos requisitos e condições que pretendia e após algumas visitas efectuadas, o seu desânimo dificilmente poderia ser maior. Entretanto começou a procurar nos arredores da capital. Aí já começaram a surgir algumas boas oportunidades. Tinha no entanto de ponderar o facto de poder ter uma boa casa a um preço menos especulado mas com a condição de estar mais longe da cidade que ela tanto gosta.
Este foi o ponto de partida para a nossa conversa do fim-de-semana passado. Sabendo ela que eu já teria passado pelo mesmo processo de “busca de poiso”, confrontou-me com algumas situações que, a maioria delas, acabariam por não me causar grande espanto.
Colocou logo de parte a margem sul. Provavelmente influenciada pelos mais recentes comentários do ministro das obras públicas... Um deserto não é o melhor local para se morar, mas por outro lado, se não “há nada” do outro lado do rio Tejo, vale sempre a pena questionar: de onde vem toda aquela gente que enche a ponte 25 de Abril todas as manhãs?
Zona de Loures? “Esquece... Calçada de Carriche!”
Amadora, Queluz, Damaia, ... “IC19!”
Ok. Percebi logo onde queria chegar. “Também queres vir morar para a linha de Cascais?”
“É para onde me tenho virado mais...”
Começa-me a falar da disparidade de preços entre várias zonas. Zonas estas pouco distanciadas umas das outras e sem justificação óbvia para que tal aconteça. Não se refere à diferença de preços entre um T2 num dos andares do amontoado de torres de S. Marcos (entre o Cacém e Porto Salvo) ou das urbanizações “J. Pimenta” junto da praia de Paço de Arcos e qualquer um outro apartamento, com essa mesma tipologia, num condomínio fechado junto da marginal. Refere-se à disparidade de preços entre um apartamento novo ou recente em Queijas (não muito longe do Estádio Nacional) e qualquer outro, com as mesmas características, localizado na vizinhança: Porto Salvo, Linda-a-Pastora ou Valejas. “O que é que Queijas tem assim de tão especial?” Rigorosamente nada! “Os apartamentos têm mais qualidade? Há melhores acessos?” “Não e não.” Trata-se de pura especulação de preços. Uma espécie de “mercado paralelo invertido” em que há uma estranha sintonia de interesses: para quem compre ou vende, acha perfeitamente razoável que um T2, sem grandes luxos, possa valer mais de 200.000 euros. “Paga-se a zona?” Paga-se um nome, uma marca. Queijas passou, à relativamente poucos anos, a ser uma das “marcas” com mais credibilidade na periferia de Lisboa. “E a mensagem vai passando...” E o capital também. Isto foi só um dos maus vícios que se criou com o crescimento, nos anos 90, do novo-riquismo e das “pseudo” classes média-alta em Portugal em geral, na linha de Cascais em especial. Repare-se que as classes altas desta zona não vão preterir a segurança e a qualidade de vida de viver num condomínio fechado com uma vista desafogada para o mar em detrimento de um “apartamentozinho” de 80 m2 com aspiração central e música ambiente, com uma vista desafogada para... uma auto-estrada. Mesmo que localizado num bairro muito, apesar de tudo, mesmo muito chique! Ter muito dinheiro e pensar que se o tem, sempre fez toda a diferença.

sexta-feira, maio 25, 2007

Resmas... Paletes de Cicciolinas!


Para quem foi ontem à noite ao Pavilhão Atlântico, e ficou nas filas da frente, perceberá como um concerto pode valer bem mais que todos os "salões eróticos" já realizados e por realizar em Lisboa.

quinta-feira, maio 24, 2007

Os casamenteiros limitadinhos

“O casamento tem contribuído para a regulação dos impulsos sexuais...”

Este senhor professor doutor investigador em biotecnologia acredita que o casamento é a solução para quem não esteja “suficientemente empenhado em relações permanentes”. E eu a pensar que “não casar” seria uma opção a ter em conta! Então, lamentavelmente, tenho que corrigir tal afirmação. Nestes casos, os impulsos sexuais não se regulam, escondem-se! Porque, como o senhor professor doutor investigador tão bem sabe (e vê!), não há “instituição”, por mais “milenar” que seja, que controle algo tão incontrolável como o desejo (carnal).
Mas gastar mais uma palavra a dissecar sobre este assunto torna-se um acto completamente inútil. Quem defende o casamento sem restrições, o seu campo de visão está delimitado ao espaço que vai do seu umbigo às teorias da “instituição milenar” e da “castração”. Quem o vulgariza, acha que ele não deve passar de um contrato de direitos e obrigações entre os cônjuges e que os seus afectos são pormenores secundários. Com tantas convicções, perder tempo para quê?

terça-feira, maio 22, 2007

Beijinho boooommm!

“A direita portuguesa é uma espécie de herdeira do absolutismo do século XIX, mantêm o absolutismo sobre os valores e não tem um discurso de respeito dos direitos dos outros, dos direitos individuais” critica Pires de Lima, em declarações ao jornal Público, acrescentando que o CDS tem de “reconhecer o direito de uma pessoa não ser julgada pelas suas opções de vida.”

O facto de tais palavras virem de um elemento do partido mais à direita do nosso parlamento já pode ser um progresso. Agora só resta que ele, os restantes deputados do CDS e a direita conservadora em geral, entendam que uma nacionalidade ou uma orientação sexual (por exemplo) não são “opções de vida”.

Mais à frente, nessa entrevista, diz que esta preocupação com os direitos individuais não significa que o CDS não seja contra o reconhecimento desses direitos.

Então, podemos todos dormir muito mais sossegados pois vamos passar a ter um partido na AR que - apesar de acharem os nossos “direitos individuais” uma coisa imensamente aborrecida e já terem garantido que não sairá da sua bancada um único voto a favor de qualquer proposta de lei em benefício dos mesmos - vão demonstrar a sua preocupação mandando-nos uma espécie de “beijinho booommmm”. Tá a ver?

domingo, maio 20, 2007

Tradição

A tourada é uma tradição. Uma tradição que só não foi criada pela Inquisição porque, provavelmente, na Idade Média ninguém se lembrou de que os cornos dos touros podiam estar associados a Satanás.

(Já dizer que a raça do touro bravo só ainda não foi extinta porque existe as touradas é de uma hipocrisia latente. Com uma mão passa-se, carinhosamente, com a mão pelo o lombo, com a outra espeta-se-lhe um ferro!)

quinta-feira, maio 17, 2007

O homem é um animal de competição, por natureza

Juntei-me a um grupo de “amigos” e durante uma hora, num dia de semana, jogamos uma partida de Futsal, num complexo desportivo fechado.
Do grupo, poucos são amigos meus, são mais os amigos dos amigos e mais ainda, os amigos dos amigos dos amigos. O que é certo é que o grupo tem variado e aumentado desde que se começou com estas partidas. Na prática somos uns 11 ou 12 gajos com vontade de divertirmo-nos um pouco e cansarmo-nos... muito. A relva sintética, por onde corremos, tem essa particularidade: menor aderência obriga um esforço redobrado nos arranques e paragens. Mesmo usando os famosos sapatos com pitons – que não passa de um sapatinho com saltos altos em toda a superfície da sola, e obriga imediatamente a que passemos a usar aquele caminhar desajeitado dos futebolistas... mas é puro estilo, como diz o outro – que dão um certo apoio nesta área (aderência). Convém relembrar, também, que tratando-se de um campo coberto e não tendo luz natural, obriga a que pairam sobre as nossas cabeças uma dezena de focos potentíssimos - tal permitiria que um elemento de investigação da série CSI encontrasse com facilidade, a olho nu, um pelo púbico no meio daquela relva e desvendasse mais um caso – que transformam aqueles campos numa espécie de saunas de grande escala. Passando o exagero, dá para ficarmos com a roupa encharcada de suor e perdermos uns bons quilitos.
Somos amadores nesta prática desportiva, mas também já tem aparecido, para jogar connosco, alguns jogadores federados de um clube da região. É sempre bom ter por lá alguém que nos vá ensinando como se joga decentemente. Ou pelo menos, entre fintas à Ronaldo, vão tentando. Dos 16 anos aos quarenta e muitos, há para todas as idades e estaturas. Aparentemente, aqui, não há conflitos geracionais.
É interessante perceber, analisando exclusivamente (e a maior parte destas pessoas eu só os vejo ali, naquele campo, uma vez por semana) a forma como jogam, passam a bola ou não, reclamam por uma falta, o “fair-play” em geral, como interagem com o resto da sua equipa e com a equipa adversária, como tal pode repercutir-se na sua maneira de ser e de estar em outros ambientes. Há muitos jogadores esquecem-se que o Futsal, ou o Futebol em geral, é um desporto colectivo e isso pode significar muito mais que uma forma pessoal de encarar um jogo. Pode ter reflexos em toda uma vida social.
É também curioso constatar o facto dos elementos da equipa que saem daquele campo com mais golos sofridos, sejam os mais taciturnos nos balneários. Às vezes o rancor é tanto, que se “esquecem” de despedir dos amigos! Por momentos, esquece-se afinal a razão principal pela qual estamos todos ali e a competição, por mais que não o admitamos, invade-nos totalmente o espírito durante aqueles 60 minutos de chutos numa bola.

E por falar em balneários. Quem conhece os balneários dos futebolistas, sabe que são por si só diferentes e o que se passa lá dentro não tem comparação com qualquer outro tipo de balneário. A não perder, mais pormenores, num próximo post.

terça-feira, maio 15, 2007

:-)

Se a curto prazo houver uma súbita ausência de novos posts, informo, desde já, que é por um bom motivo!
Não é todas as semanas que o meu agregado familiar aumenta e que, consequentemente, sobre tal novo elemento recaia grande parte da minha atenção.

Nasceu não sei quando, nem sei onde, mas consta que pesa mais de tonelada e meia e é os olhos do pai... O que posso garantir mais convictamente é que a única coisa que se abriu para o “dar à luz” foi a imaginação de um designer (de olhos em bico?!) e o meu bolso. E doeu? Sim mas, como qualquer outra dor de parto, será devidamente compensada... espero.
Perfeito, perfeito era ele funcionar a leite. Assim não haveria consumos de 8 litros aos 100 (km), que me deixassem com o cabelo em pé. Às tantas optaria por comprar uma vaca como extra!
“Chorão ou não”, à noite, o meu “novo rebento”, por via das dúvidas, ficará na garagem.

segunda-feira, maio 14, 2007

Um homem desadmirável

Uma das "sócias" da S. A. mais conhecida da blogosfera escreve bem que se farta. Um exemplo:
Às vezes preferia não te admirar. Preferia que fosses homem desadmirável, que lavasses umas janelas ou entregasses umas pizzas e tivesses por ambição uma moto mais potente e um andaime para chegar aos andares de cima; que a Caparica fosse um lugar para excelentes férias e porque haverias tu de levar mais do que três pares de meias para duas semanas? Que palitasses os dentes com a mãozinha a esconder a boca porque é mais fino, que dissesses com licença depois dos arrotos, que achasses que a cerveja alemã é que era boa porque isso é que é de homem embora depois bebesses as imperiais sagres com mais gosto. Preferia que usasses pijamas de turco e tivesses cotão no umbigo, que das tuas orelhas e das narinas saíssem uns tufos, que tivesses pelos nas costas, que cheirasses a urinol público quando despisses as cuecas, que não cortasses as unhas dos pés. Preferia que só te risses de anedotas porcas e só gostasses de gajas de mamas grandes e que votasses sempre no gajo que os teus amigos te indicassem. Preferia que tivesses um crucifixo a balançar no espelho retrovisor e a penélope ainda colada no guarda lamas e até podias ter uns neons debaixo do subwoofer, embora gastasses depois o resto do orçamento a meter a moto toda de origem. Preferia que os teus restaurantes favoritos fossem aqueles de preço fixo onde poderias encher o prato até transbordar porque pagavas o mesmo. Preferia que pensasses que um minete era lá passar a língua duas vezes e depois toca a foder que amanhã temos que acordar cedo. Preferia, sabes? Às vezes. Que isto de admirar um homem é meio caminho andado para o amor e o amor dá uma trabalheira dos diabos.

sexta-feira, maio 11, 2007

Maddie

Nós acusamos os pais de leviandade. Os ingleses acusam a nossa polícia de incompetência, reclamando que o nosso segredo de justiça é incompatível com a sua exigência mediática. Eles vão pedir a sua revisão. Como irão pedir que passemos a falar melhor inglês, a circular pela esquerda e comecemos a comer peixe frito com batatas fritas. Ah esperem... mas isso já nós, allgarvios ou não, já vamos fazendo! Será que nos obrigarão, também, a ser monárquicos?

Agora que já se sabe tudo sobre a família, onde moram, como vivem, a sua religião, a opinião dos psicólogos, dos criminalistas, dos investigadores ingleses na reforma (que se deslocaram de popósito ao Algarve), a senhora do quiosque e o homem do talho... Só falta mesmo saber o paradeiro desta criança.
Acreditem que tudo isto passa a ser insignificante quando comparável com qualquer lágrima que tenha escorrido, nesta última semana, por uma das faces deste pequeno anjo.