quinta-feira, maio 03, 2007

Declaração


A ideia de que o melhor rock tenha que ser tocado e/ou cantado por uma banda do sexo masculino e em inglês é um preconceito completamente ultrapassado. Poderia argumentar esta tentativa de desmistificação com vários exemplos retirados do já longo percurso da história deste estilo musical, mas vou limitar-me a fazer referência a uma das mais interessantes bandas do panorama musical actual.
As Electrelane formaram-se em 1998, em Brighton, Inglaterra. Em 2001 lançam “Rock it to the moon”, um disco de krautrock puro e duro. Um primeiro disco praticamente quase todo instrumental e, diria, face ao que fizeram posteriormente, experimental. “The power out”, o segundo disco, é o meu disco favorito destas senhoras. Juntam às guitarras e ao órgão, as letras em inglês, em alemão... e em espanhol! Rock mais directo e melódico. “On parade”, “Birds” e “Oh sombra!” são só três exemplos de clássicos instantâneos. “Axes”, de 2005, é também um disco magnífico e é uma espécie de “resumo da (melhor) matéria dada” nos dois discos anteriores. No verão do ano passado lançaram uma compilação com alguns b-sides, raridades, temas dos discos anteriores tocados ao vivo e a melhor versão de “I’m on fire” de Bruce Springsteen jamais feita.
Neste mês vão lançar “No shouts no calls”, o novo disco de originais. Outro disco quase perfeito com grandes canções rock. Talvez as mais “orelhudas” escritas por elas até hoje. Já é um dos discos deste ano.
Só falta mesmo anunciarem um concerto no nosso país. Ouvir os seus discos é uma experiência que me deixa extasiado, mas o que seria verdadeiramente fenomenal era vê-las a tocar ao vivo. Porque há determinadas coisas que não devem ser feitas à distância, como por exemplo uma declaração de amor. E eu preciso de lhes olhar nos olhos para dizer que as amo!

Os discos em questão estão à distância de um “save target as” neste directório.

quarta-feira, maio 02, 2007

Amor sem limites



Actualmente passa um filme na sala 6 do cinema Alvaláxia, em Lisboa, do qual ainda não tinha ouvido falar até ao momento que passei os olhos pelo folheto de distribuição gratuita dos cinemas Millenium. “Amor Sinistro” (Grimm Love, de Martin Weisz) teve uma estreia bastante discreta (só estreou nesta sala em Lisboa e em duas no Porto). Depois de o ver, de certa forma, entendi a razão. Trata-se de um filme perturbador e de difícil “digestão”.
Lembram-se daquele caso de canibalismo que chocou a Alemanha (e o resto do mundo), há poucos anos atrás, em que um homem colocou um anúncio na internet à procura de um outro homem para o comer (acrescento: literalmente)? Pois bem, “Amor Sinistro” baseia-se neste episódio macabro. Não é um filme de terror, ou pelo menos, e para desilusão de muitos fãs do gore que rumarão até aquela sala de cinema, não há cenas visivelmente muito chocantes ou aterrorizantes mas não deixa de ser um thriller muito tenso e psicologicamente agonizante. Tentar entender as razões pela qual uma pessoa desejaria tanto comer outra e, principalmente a predisposição desta a sujeitar-se a tal acto, deve ter sido o principal objectivo do argumentista de “Amor Sinistro”. Por isso incluiu no enredo uma estudante americana, com a missão de fazer uma tese sobre o caso. Do interesse à obsessão a distância vai ser muito curta. Ela acaba por acrescentar muito pouco à história (apesar do facto de ela assumir, no início do filme, as suas dificuldades em encontrar o seu próprio amor ser um dado muito curioso) mas vai ser através dela que vamos descobrir tais causas (como não poderia deixar de ser: lá teremos que regressar ao período de infância do canibal e da sua “vítima” para entender que estavam predestinados um para o outro) e é com ela que vamos ver (e sofrer com) o vídeo do acto de canibalismo filmado pelo seu perpetuador. Ela simbolicamente representará então o nosso lado mais voyeur e perverso. Sinceramente imaginar alguém a cortar, a cozinhar e posteriormente a comer um pénis não fará parte das minhas fantasias mais recônditas e muito menos incluiria tal acto como um ritual ou sacrifício de “amor” a seguir, mas penso que tenha alcançado a ideia geral do realizador deste estranho filme.

quinta-feira, abril 26, 2007

O meu ponto R(acional)

Só me foi dada a conhecer através do sítio do Markl. Felina é criticada – quase na mesma proporção que é elogiada – porque expõe a sua intimidade num blogue. Basicamente limita-se a descrever, com muita sensualidade, os jogos sexuais com o seu parceiro e o melhor que se pode tirar disto, é entender este seu orgulho com que o faz. Orgulho por ter uma vida sexual intensa e completa, saudavelmente partilhada em forma de prosa erótica. Não se trata de uma ideia original mas, ao contrário de outros blogues da mesma “família”, há que a congratular por fazê-lo através de uma linguagem cuidada e nada vulgar. O sucesso do seu “Ponto G” já deu frutos: há um livro publicado com os relatos da sua autoria. De resto nada mais nos devia surpreender ou não fosse o sexo, nas suas múltiplas vertentes, sinónimo de sucesso em qualquer tipo de “negócio”.

Do meu ponto de vista, Felina só falha num ponto. Não está directamente relacionado com as suas “histórias quentes” e está longe de ser uma falha consciente. O erro passa acima de tudo pela percepção que os seus leitores possam ter das suas palavras, nomeadamente quando a Felina-sexual se transforma na Felina-sexóloga. Um exemplo. Num dos seus últimos posts, ela responde a um e-mail de um “fã” que lhe solicita ajuda para tentar convencer a sua parceira a fazer sexo anal. Felina aborda, e bem (há que dizê-lo), o preconceito de algumas mulheres face a esta prática sexual, digamos, menos convencional. Entrando por uma vertente pedagógica – ela assume que não tem formação na área mas em contrapartida possui uma “experiência muito sólida” – acaba por dar conselhos bastante práticos que faziam corar a mais desinibida das conselheiras do diário da “Maria”. O “problema” começa aqui. Quem lê aquelas palavras e se reveja no caso, interpreta que a recusa da namorada em fazer sexo anal é um mero problema de tabus a ultrapassar. Pode ser... mas também pode não ser. Pode haver medo... mas também pode não haver qualquer prazer. Assumir por palavras bonitas e corajosas que todo o sexo é um dogma e que o preconceito é a resposta “chapa 5” para todos os “traumas” sexuais é pura fantasia e especulação. O prazer (mutuo) deve ser a base para uma relação sexual saudável e é só isso que está aqui em questão.
Por fim, e como já disse à Felina, se uma relação entra em crise só porque alguém não tolera a não predisposição do outro para submeter-se a uma “pequena dor” durante uma prática sexual, é porque há por aí algo bem mais importante em jogo que deve ser ponderado. Mas se há acordo de ambas as partes para que o masoquismo light ou a submissão compulsiva (e inconsciente) entre na sua vida íntima, já cá não está quem escreveu isto!

terça-feira, abril 24, 2007

Olha a série fresquinha!



Só há pouco tempo tive conhecimento de que a TVI andava a passar esta bela e premiada série. Já vai na segunda época e passa por volta das 2h30! Chamaram-lhe “De mal a pior”!

Com algumas traduções de títulos de filmes e séries que aparecem por aí, fico com a sensação que a pessoa que dava nome às revistas do Parque Mayer fez uma grande escola.
Assim deixo algumas sugestões para novas séries a ser adquiridas pela TVI, a passar no próximo horário que ficar livre entre as 4 e as 5 da manhã, ou pela RTP, a passar depois da hora de almoço no primeiro e quarto domingo de cada mês ou nos dias e nas horas em que o Nuno Santos lhe apetecer.

Entourage (HBO) – A vida é lindaaa
Oleg the taxi man (Fox) – O´leg olhó taxista
Are you smarter than a 5th grader? (Fox) – És esperto como o Sócrates?
Thank God You’re here (NBC) – Valha-me Deus, tás aqui tás ali!
Drive (Fox) – Prego-a-fundo
Law & Order: Criminal Intent (NBC) – O advogado é que decide
Medium (NBC) – Esfrega-me a bola de cristal

segunda-feira, abril 23, 2007

Monday bloody monday

Não adianta mantermo-nos pacificamente no nosso lugar porque qualquer pequeno passo que possamos dar já pudemos, inconscientemente, estar no meio de mais uma batalha. Pior do que estarmos desprevenidos para uma guerra não provocada, é confrontar com um inimigo que nos estende uma mão para cumprimentar e com a outra aplica o primeiro golpe.
E as batalhas mais sangrentas não são as que se limitam a abrir novos golpes, mas aquelas que reabrem as feridas que levaram tanto tempo a sarar.

sexta-feira, abril 20, 2007

Causa e consequência


A forte competitividade e a (consequente) desintegração social nas sociedades ocidentais têm destas terríveis consequências.
Os suicídios, entre outros comportamentos radicais, já provaram não serem suficientemente eficazes para tomarmos consciência disto. Às vezes é preciso apontarem-nos uma arma.

quarta-feira, abril 18, 2007

O melhor do pior

O balanço do mês de Março da oferta televisiva, realizado pela Associação de Telespectadores (ATV), uma das associações que representa o espectador (qual espectador?!), realça pela positiva programas como "Príncipes do nada" (RTP), "Missa dominical" (TVI) e "Livro de Reclamações" (SIC). Pela negativa, critica "Festival da canção" (RTP), "Hora H" (SIC) e "A bela e o mestre" (TVI).

Eles deviam ter que apontar um programa "menos mau" para cada canal e a "Missa" deve ser mesmo o melhor que a TVI tem para nos mostrar. Para além das pernas da Marisa Cruz, os olhos da Joana Solnado e o corpo de José Fidalgo.

segunda-feira, abril 16, 2007

É um Nissan "Cascai(s)" tá-a-ver?


A Nissan depara-se com um fenómeno anormal de procura de um veículo para o qual não estava minimamente preparada. Não estamos a falar nem de um típico veículo ligeiro, nem de um jipe, nem de um SUV… é uma mistura disto tudo! “O Melhor de vários mundos”, dizem eles. O Qashqai é um carro versátil, não catalogável, que não deixa ninguém indiferente e que acaba por abranger vários tipos de potenciais compradores. E o brilhante anúncio do “carro-skate” também marca a diferença.
Este carro tem tudo para ser um sucesso estrondoso (pelo menos enquanto não tiver concorrência) e ainda por cima tem um preço que não nos faz desaparecer do stand à mesma velocidade com que o Mourinho muda de ideias se quer ou não ficar no Chelsea. Está longe de ser um carro barato, principalmente se compararmos com os preços praticados em Espanha, mas, digamos, para o carro que é e o motor e o equipamento que tem, é menos caro. No entanto sejamos sinceros, a Nissan é uma marca nipónica bastante conceituada mas não é uma marca de “volumes”. Acomodou-se a vender veículos para nichos de mercado bastante específicos e as suas últimas apostas têm sido exclusivamente para veículos 4X4, tinha que vir agora uma espécie de carro TT, com um nome, na mesma proporção, esquisito e chique, “Cascai(s)”, quebrar-lhes a rotina.
Quer queiramos, quer não, este é o modelo mais importante que a Nissan lança nos últimos 10 anos.
O meu cunhado, vendedor da marca, disse-me que neste momento os pedidos de encomenda são tantos – para o habitual volume da Nissan – que o novo sistema informático que fornece as previsões de entregas entrou em colapso e deixou de dar dados minimamente coerentes. De qualquer forma, ele, disse-me que já houve alguém que aceitou encomendar um Qashqai com uma possível entrega para Setembro (!?). Para mim ainda mais difícil de entender que alguém aceite esperar 6 meses pela entrega de um carro, é compreender como nos nossos tempos, com tantos estudos de mercado e técnicas de produção tão desenvolvidas, uma multinacional que já anda neste negócio há tantos anos, não consegue responder eficazmente à procura de um novo modelo.
Também poderemos estar perante uma situação denominada na gíria dos vendedores por, e perdoem-me a expressão, “tesão do mijo” – a procura desenfreada no momento do lançamento dos veículos – mas há quem garanta que se trata de uma “erecção” demasiado prolongada para ser um mero fenómeno pontual.

Para quem acha que um carro destes – mais alto e pesado que os “ditos” normais – perde em aerodinâmica, estabilidade e potência (mesmo só com os 106 cavalos, nas versões com motor 1.5 dCi), nomeadamente nas curvas, sugiro que faça um test-drive. Quem já tenha conduzido este ou um Scenic ou mesmo uma Megane (penso que o motor, se não é o mesmo, deve ser muito semelhante) saberá certamente do que falo.
Existem 3 modelos: o Vísia, o Acenta e o Tekna. Do primeiro para o último, a diferença está nos equipamentos de série e opcionais, e, claro, nos preços: pode ir dos 23.949 euros, o Vísia 4X2 1.6 a gasolina, até ao Tekna 4X4 com um motor a diesel 2.0 que custa no mínimo 36.390 euros (preços de catálogo) – sem querer ferir susceptibilidades e provocar a frustração a alguém, acrescento ainda que este modelo 4X4 mais completo pode ser adquirido pelos espanhóis, mais ou menos, ao mesmo preço que um português compra um Vísia, sem extras. Informo, também, que a partir do modelo Acenta é possível encomendar este carro com tecto panorâmico e como já estive dentro de um, posso garantir-vos: é de sonho.

Mas vamos ao mais importante: a utilidade. Para que serve então este crossover, quase SUV quase jipe, se não pode sair das estradas? Serve para o resto e servirá para embelezar o nosso parque automóvel. Nem que seja para “combater” esta “praga” de carrinhas “familiares” francesas e alemãs que se vendem como pãezinhos quentes por cá. Fica então provado que a escolha de um carro, pode estar por vezes muito mais condicionada por “emoções” do que por “razões”. Como quase tudo nesta vida.

sexta-feira, abril 13, 2007

A/C de J. Marcelino (novo director do DN, ex-director do CM)

- O João César das Neves deveria passar a ter uma rubrica diária, entre os classificados "Convívio" e a secção "Polícias e Ladrões", com os seus contos e/ou opiniões que passaria a chamar-se: "Não há almoços grátis, nem jornais isentos e muito menos deve haver desvios às normas sociais que eu defendo, Amén".
- Seguindo a lógica dos novos suplementos DN Televisão, DN Bolsa, DN Sport, DN Gente, eu sugeria, também, um DN Culinária, DN Escândalos, DN Crime à facada, DN Crime à machadada, DN Outros Crimes (menos interessantes mas que contenham muito sangue).
Para já é tudo. Obrigado.

quinta-feira, abril 12, 2007

Angústia

Não acreditava que um dia destes chegasse. E agora, Março de 2007, veio com a brutalidade de uma explosão no peito. Não imaginava que fosse assim, tão doloroso e, ao mesmo tempo, tão pouco digno como a velhice e a decadência. Tão reles. O olhar de pena dos outros, palavras de esperança em que não têm fé.
O escritor António Lobo Antunes revela na sua crónica semanal na revista "Visão" - escrita no hospital - como recupera de uma operação, depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro.

Eternos solteiros

A opção de partilhar uma vida com mais de uma pessoa pode não ser, ou não é mesmo, sinónimo de promiscuidade, de alguma forma de desequilíbrio emocional ou até de receio de se sentir preso a uma rotina.
Senão vejamos. Já está mais que provado que a promiscuidade não é uma característica exclusiva dos solteiros (antes pelo o contrário) e que um equilíbrio emocional pode ser alcançado sem que haja, pelo meio, a bênção de um padre e/ou a presença de testemunhas. E rotinas, quer queiramos quer não, inconscientemente, todos temos. Não somos uns animais racionais de hábitos irracionais?

Há quem seja solteiro por circunstâncias da vida ou por vontade própria. Há quem procure eternamente a “pessoa certa”, há quem simplesmente nada procure. Há quem procure tudo e todos e há quem prefira nem sequer ser achado. Aqui não se deve aplicar generalizações. Estamos a falar de pessoas autónomas, heterogéneas, com características muito diversificadas. Estereotipá-las seria um crime. Apelidá-las (a todas) de egocêntricas faz tanto sentido como chamar acomodados a todos os casados ou unidos de facto.
Houve quem me tenha alertado para o facto dos solteiros serem menos tolerantes à diferença, justificando o facto de que só alguém casado tolera viver e partilhar a sua vida com um ser diferente ou, até em última instância, com o oposto. Poderá não ser mentira, mas será a partilha o maior trauma de qualquer solteiro? A partilha de bens, de um espaço, de uma cama pode ser algo que até não os incomode, mas certamente quando tal é feito de uma forma forçada e inconsciente acaba por tirar, mais tarde ou mais cedo, o sono a muitos solteirões inatos. É este tipo de “pressões” que eles não toleram. Pois de resto, parece-me a mim que: “mi casa es tu casa e já agora tenho ali umas camisas para passar a ferro...”!

Também há quem afirme que os solteiros são menos socializáveis. Na realidade estes não estão tão dependentes do carácter social como os que mantêm uma relação oficializada e é preciso relembrar que, aos olhos de muitos, um relacionamento só tem valor, exclusivamente, se for revelado aos olhos dos outros. Há uma espécie de interdependência que produz uma certa estabilidade social, mesmo que esta, por vezes, seja só aparente.
Há, por um lado, “zonas de acesso restrito” que são mais comuns para quem opta por “juntar os trapinhos”. Por norma, um casal forma um espaço subconscientemente delimitado e socialmente respeitado. Caso contrário, qualquer interferência abusiva no seu espaço poderia ser visto como um indício de instabilidade. Existe, no entanto, situações em que tal interferência é consentida ou mesmo incentivada por uma ou as duas partes do casal. Criou-se, por exemplo, a troca de casais e os mais variados tipos de “aventuras” extraconjugais. O sucesso destas últimas deve-se sobretudo à rapidez com que se converteu uma vontade de “variar o prato” e a adrenalina de “saltar a cerca” numa “nova” fantasia sexual. À mesma velocidade com que uma jóia no dedo anelar passa de um símbolo social a respeitar, para ser o principal pólo de atracção no “mercado do sexo”. O que faz com que, hoje em dia, há quem leve a sua adrenalina ao rubro por se envolver com alguém casado, julgando estar a cometer uma tal proeza, como se aquela “espécie”, condicionada pelo seu respectivo estado civil, tivesse poderes excepcionais na cama, que outra - aquela que não quis “brincar aos casamentos” - não tem. Poderá ser o poder da “queca bem cronometrada”, porque o tempo é limitado e uma reunião ou um jantar de negócios não podem durar uma eternidade. Enfim, o fruto proibido também pode ser o mais aborrecido.
Por outro lado, há que ter em consideração a grande pressão desta sociedade, de grandes tradições e costumes, que cria automaticamente suspeições sobre a orientação sexual de todos os homens solteiros e de colocar em causa a honra das mulheres que optaram igualmente por uma vida independente.

A liberdade é um dos factores fundamentais na motorização dos relacionamentos humanos. São os seus limites que vão gerir o nosso grau de relacionamento com o outro. E o facto de não se ser solteiro significará possuir uma maior restrição de liberdades? Aparentemente sim, mas na prática não. Não há menos liberdades, há mais responsabilidades. Se assim não fosse - e passando por cima de toda a matéria fiscal que não é para aqui chamada mas que é, e há que dizê-lo sem receios, escandalosamente desfavorável para quem opta por seguir uma “vida a solo” - não fazia qualquer sentido haver distinção no estatuto de ser “solteiro” e de ser “comprometido”. Um facto: os divórcios estão mais relacionados com as responsabilidades do que com as liberdades. A restrição da liberdade num casamento pode ser castradora e meio caminho andado para a infidelidade ou a perversão, mas o relacionamento raramente termina. Já as irresponsabilidades inerentes a uma relação ditam, mais tarde ou mais cedo, o seu inevitável fim.

Solteiros ou casados, juntos ou separados, há algo que a todos é comum: ninguém gosta de se sentir isolado, alienado ou “fora de jogo”. Pois ainda não conheci alguém que não goste de se sentir identificado com outro (ou outros). Esteja(m) este(s), aqui ao nosso lado ou algures noutro sítio qualquer, mas para nos mantermos emocionalmente vivos, precisamos de ter consciência que existe(m).

terça-feira, abril 10, 2007

Obrigado?

Esta campanha publicitária do Ministério das Finanças a solicitar aos consumidores portugueses que peçam a factura até pode ser muito pedagógica mas tenho algumas dúvidas em relação à sua eficácia.
Entendo que o cumprimento das obrigações fiscais, em geral, depende essencialmente da vitalidade cívica do nosso país, mas há que relembrar que tal campanha é exclusivamente destinada aos compradores e não aos potenciais prevaricadores: os vendedores. E há que esclarecer, ao contrário da mensagem que se está a tentar passar, o acto de “passar a factura” não deve ser um mero favor a fazer a quem compra, mas sim antes uma obrigação de quem vende (de forma a oficializar o acto comercial).
Para ser sincero parece-me que o nosso “fisco”, não conseguindo controlar e fiscalizar eficazmente quem teria a obrigação de emitir tais facturas, está a tentar passar essa “batata quente” para o consumidor final.

E os resultados práticos de tudo isto? O vendedor vai continuar a ter a possibilidade de dar como alternativa, ao comprador, a não emissão da factura em contrapartida do pagamento de um serviço/bem razoavelmente mais barato (21%, a nossa taxa normal de IVA) e consequentemente não declarar todos os seus rendimentos. E o comprador, por sua vez, das duas uma, ou pede a factura, pagando o respectivo imposto, solidarizando-se com a campanha do M.F., com esperanças de receber muitos "agradecimentos" e de ver a “obra feita”, ou reforça as suas poupanças, temendo que tal quantia pudesse eventualmente financiar um qualquer projecto megalómano do actual executivo, com o qual discorda absolutamente.
Se com estes comerciantes não vamos lá (aproveitando ainda o slogan dos “gatos”) e se continuarem a fazer campanhas tendo como público-alvo os consumidores, não seria mais eficaz mostrar a estes o benefício de ter em sua posse a tal factura, nomeadamente como o único meio a recorrer caso tenham qualquer reclamação a fazer em relação ao serviço prestado ou pretendam trocar ou devolver o bem comprado, ou seja, caso pretendam accionar a garantia inerente aquela compra? Tão simples quanto isto.

Há alguns anos atrás criou-se um benefício fiscal no IRS para quem faça a proeza de juntar uma boa dezena de facturas de alguns tipos de despesas, pois poderá no ano seguinte deduzir 25% do IVA pago. Este benfício tem um limite de 50 euros (!). Ou seja, o nosso estado para além de estar a tentar passar para nós, consumidores, a função de controlar obrigações fiscais que não nos dizem directamente respeito, também parece querer passar-nos um atestado de estupidez.

segunda-feira, abril 09, 2007

Actor completo


Fiquei deveras espantado com a interpretação de Christian Bale no filme “O Maquinista” (de Brad Anderson), que só agora tive oportunidade de ver em DVD. Para além da fabulosa interpretação deste actor, é impressionante a forma como o seu corpo se transformou numa espécie de esqueleto andante. A magreza do protagonista principal é um dos pontos marcantes deste filme e o realizador soube tirar partido dela, mostrando-a sem censura e moderação. Ora conhecendo este actor (e o seu corpo) de outros filmes como “Psicopata Americano”, “Batman - O Início”, “Shaft”, “Equilibrium”..., a minha estupefacção torna-se ainda maior. É caso para se perguntar: entre a sua performance e esta capacidade de auto-transformar o seu corpo, com que proporção se avalia a qualidade de um actor?
Bill Murray é um actor de culto e no entanto não me parece que seja muito versátil, parece-me aliás que salta de filme para filme e a única coisa que faz é ter que estudar o guião e trocar de guarda-roupa. O consagrado Jack Nicholson também. Por exemplo, já a lindíssima Charlize Theron surpreendeu tudo e todos quando sacrificou o seu belo corpo para interpretar o difícil papel de uma prostituta psicopata em o “Monstro” (Patty Jenkins). Estava irreconhecível. Valeu-lhe o óscar para melhor actriz e uma das interpretações mais marcantes de sempre do cinema americano. Por falar em grandes interpretações, óscares e sacrifício do corpo (mas que nunca chega ao extremismo do corpo esquelético de Bale), também se torna inevitável fazer referência a Adrien Brody em “O Pianista” de Roman Polanski. Atenção, não estou a falar de efeitos especiais ou de caracterização a la Eddie Murphy, mas dessa capacidade de mutação ou sacrificar o seu próprio corpo em prol de uma encarnação integral de um personagem. Tal não está altura de qualquer actor e o cachet que paga um sacrifício deste calibre não envolve só dinheiro mas também entrega, dedicação e amor sem limites ao trabalho que se tem.
Neste momento não me incomoda tanto a injustiça de Christian Bale não ter um óscar a decorar a lareira de sua sala, mas muito mais a sua imagem na minha memória com aquelas vértebras e costelas assustadoramente salientes, a dois milímetros de romperem a pele.

quinta-feira, abril 05, 2007

Contracartaz


Numa Rotunda do Marquês mais perto de si.

quarta-feira, abril 04, 2007

Pequeno ensaio sobre a cegueira (ou a lucidez)

Não vale a pena fingir que não vemos gravidade nisto. As pessoas esquecem-se, mas desde o tempo das FP-25 - como o nome indica, uma excrescência do período pós-revolucionário - que há mais de vinte anos a violência política em Portugal veio sempre desta extrema-direita. Espancaram um actor, esfaquearam até à morte um sindicalista, fizeram uma "caça ao negro" pelas ruas de Lisboa, e em matilha assassinaram o português Alcino Monteiro pelo crime de ser mulato e passear pela cidade. Recentemente foram provocar imigrantes para o Martim Moniz, apostaram forte no concurso dos Grandes Portugueses e passaram para a fase da propaganda xenófoba. Mudam de sigla, contornam cuidadosamente a lei, fazem da desonestidade a táctica principal. Quem tiver estômago para os procurar na Internet verá que se estão a organizar. Os jornalistas que se dão ao trabalho de os investigar ficam assustados com histórias de tráfico de drogas e extorsão. Mas quando eles vieram empunhar orgulhosamente as suas armas ilegais na TV, o mesmo Pacheco Pereira que vê sinais alarmantes em todo o lado minimizou o assunto para inventar fantasiosas equivalências com a esquerda. A mesma tese que continua a reciclar.
Rui Tavares

terça-feira, abril 03, 2007

"O jornal com as tuas medidas"

O “Jornal Inside” só me foi dado a conhecer pela notícia relativa ao post da Teresa-Apresentadora-Cantora-Actriz-Comediante-Engomadeira-vai-ao-domicílio-Guilherme. Entretanto, fui lá hoje verificar se havia desmentido de tal notícia e deparei-me com esta notícia:

Mar destrói paredão na Caparica

Junto dela a seguinte foto:



Estou a tentar imaginar que foto vai ser colocada junto de uma notícia de um maremoto. Pela via das dúvidas, vou estar atento.

sexta-feira, março 30, 2007

Big Tentação


O Big Tasty, faz jus ao nome, é grande e é saboroso, mas com as suas quase 900 calorias, também é um arrombo em qualquer “orçamento alimentar”. Se pedir o menu, junta-se as batatas (grandes, pois então) e os respectivos molhos e a “festa” não fica por menos de 1300 calorias. Não esquecer que, em média, um indivíduo (sem ter em conta os factores sexo, idade, altura, etc.) não deverá ingerir mais de 2000 calorias por dia.
Ahh... Mas para acompanhar há sempre a opção de uma cola light, com uma caloria. Convém não abusar.

quarta-feira, março 28, 2007

Allbarda-se o nome à vontade do turista

- Então sempre vais amanhã para o Allgarve?
- Não. Vou para o Allentejo.
- Eh pá, aproveita para almoçar naquele restaurante que te falei em Allcácer do Salt.
- Si... e vou jantar ao Oporto!
- Oporto!?
- Oporto Covo.
- Ahh... A Costa Vicentina é uma maravilha.
- Costa Vice [lê-se “Vai-se”], man!
- OK... E passas por “Pecados”?
- “Pecados”?
- Sines, pôrra!

terça-feira, março 27, 2007

Era uma vez... O Rock português

Pego no CD-oferta do jornal Público (edição 23/03/07, “Era uma vez... O Rock português”), parto numa viagem do tempo até aos primeiros anos da década de 80 e dou início a uma verdadeira aventura pela música portuguesa dessa década. Lembro que tal é feito por alguém que só desperta para a música (e para tantas outras coisas não menos importantes) só uns anos mais tarde. Ainda tenho as K7’s dos Ministars e dos Onda Choc que me ofereciam pelo natal por estrear. Uma verdadeira relíquia!

Chico Fininho, Rui Veloso
Começamos mal. Não consigo gostar de algo que este homem faça. O problema é meu, mas esclareçam-me, há alguma regra que obrigue a fazer umas caretas medonhas sempre que se dá uns acordes de guitarra ao som de blues?

Chiclete, Taxi
Um clássico do ska-rock português. Tema com uma percussão incrível que o torna irresistivelmente dançável. Graças a este tema, fora a publicidade, o banal acto de mastigar uma pastilha elástica nunca mais foi o mesmo. Hoje em dia, se fizessem uma versão moderna desta música chamar-se-ia “Trident (sem açúcar)”, seria feita por uma boy band (light) e não teria metade da piada.

Portugal na CEE, GNR
Os GNR sem farda, sem o Rui Reininho e sem letras complexas. Arrebatador tema post-punk que brinca com a nossa entrada na actual Comunidade Europeia. “E é tão bom estar na CEE”! Não é preciso ser um jovem agricultor e ter um todo-o-terreno subsidiado pela “CEE” para se deixar viciar por esta música. A óbvia descendência dos Sex Pistols por cá.

Cavalos de Corrida
, UHF
Rock’n roll puro e duro. Deve ser o único tema dos UHF que me faz bater o pé e não ficar com vontade de mudar de faixa.

Chamem a Polícia, Trabalhadores do Comércio
A pronúncia do vocalista e o lado humorístico da história são os únicos pontos menos maus desta canção rock-apimbalhada. Consta que é retirada do disco chamado “Trips à Moda Do Porto” e que por lá também se pode encontrar temas tão curiosos como "Atom Messiu, Comantalê Bu", "Paunka Roque" ou "Sim, Soue Um Gaijo do Pôrto".

Patchouly, Grupo de Baile
Ena! Deve ser das mais antigas recordações da minha infância: a minha irmã a vibrar ao som desta canção enquanto gastava uma embalagem de laca sobre a cabeça e se preparava para ir para escola. Ainda hoje a acuso de ser uma das principais responsáveis pelo alargamento do buraco do ozono. Como agravante desta acusação: será que ela também “fumava ganzas nas paragens dos eléctricos”? Não sei, mas para ouvir isto mais que uma vez, uma ganza, de facto, ajuda imenso.

Cristina (Beleza é Fundamental), Roquivários
Descobri o tema que o Herman brincava nos bons velhos tempos da “Roda da Sorte”. “Cristina não vais levar a mal, mas beleza é fundamentaaaaaaaaaaaaaalllllllll”. Gosto da forma como a vocalista acentua a última sílaba de cada verso. Esta banda teve um outro êxito nos anos 80 que se chamava "Totobola" cujo o refrão era: “Dizem que o treze é o número do azar, mas este jogo dá dinheiro até fartar”. Hilariante.

Estou Além, António Variações
Reconheço logo os primeiros sons e as primeiras palavras: “Não consigo dominar este estado de ansiedade, ...” e tudo isto faz mais sentido que todas as letras juntas que os Polo Norte já escreveram até hoje. Por mais voltas que se dê, acaba-se sempre por chegar à mesma conclusão: este homem era um génio. “Porque eu só estou bem aonde eu não estou”. Como eu te compreendo, grande António.

Bom Dia Lisboa, Rádio Macau
Gosto dos Radio Macau e gosto da voz da Xana. Não conheço todos os discos que esta banda lançou nos anos 80 mas reconheço o seu grande contributo para o movimento indie-rock dessa época. Havia, nos eighties, um “movimento indie-rock” em Portugal? Se não havia, passa a haver a partir deste momento.

Remar Remar, Xutos & Pontapés
Costuma-se dizer: Ahh, os Xutos são os Xutos! Este deve ser o argumento mais parvo que se pode oferecer a uma banda. Os Xutos são os Xutos, os Delfins são os Delfins e a Alheira de Mirandela é a Alheira de Mirandela. Os Xutos é a banda rock nacional de culto por excelência com alguns grandes momentos ao longo da sua já longa e respeitável história. Confesso que não tenho achado grande piada ao que têm feito nos últimos anos, mas este tema é, simplesmente (e tem uma letra), brilhante. E encerra da melhor forma esta compilação.

Solução


segunda-feira, março 26, 2007

“Grandes Portugueses”, as minhas (e algumas deles) conclusões finais

- O apresentador Daniel-disfarçado-de-empregado-de-mesa-Oliveira fica dispensado de participar nas próximas cinco maratonas;
- A Leonor Pinhão precisa de usar um bom champô para cabelos oleosos, ou deveria usar, simplesmente, champô;
- O corpo de Odete Santos rejeita pivôs e microfones;
- O Paulo Portas preferia não ter vivido no século XX (finalmente estamos de acordo!);
- Os piores defeitos de Fernando Pessoa eram ter sido alcoólico e homossexual (este último apontado exclusivamente a um dos seus heterónimos);
- As pessoas que votaram em Salazar são anti-salazaristas e estão revoltados com a actual situação do país.
Devem ser as mesmas que passam a vida a levantar suspeições sobre a corrupção no futebol português e têm um lugar cativo na bancada central do seu clube. E as mesmas que passam a vida a lamentar pelo preço dos combustíveis e não passam um fim-de-semana sem dar o seu passeio até ao Parque das Nações, Alentejo ou Algarve.

quinta-feira, março 22, 2007

Revolta

Uma mulher perde o marido e o filho e vem para Portugal. No dia em que ia buscar a licença para permanecer no país é morta num ataque perpetuado por três ou quatro rottweilers... (A GNR foi avisada na véspera de que andavam alguns cães perigosos à solta na Várzea de Sintra)
Quantas mais vidas é preciso perder nas bocas destes cães assassinos, treinados por donos mentecaptos, para se começar a ponderar na eficácia da respectiva legislação actual?

O Destak parece que é

“... uma espécie de notícia viria (e veio) no Público que tem cada vez menos leitores, dá cada vez mais prejuízo e tem cada vez mais a mania.”

Foi isto que o director do Destak escreveu no editorial (título: 'O Público tem a mania') do seu jornal na passada segunda-feira. Não tenho grande interesse em aprofundar as causas desta “guerrinha” entre os dois jornais, mas achei muito curiosa esta forma de acusação: “ter a mania”. Esta expressão deixada assim ao “abandono” dá azo a tantas interpretações...
Tem a mania que é esperto? Tem a mania que é parvo? Tem a mania que é o Guardian português? Tem a mania de publicar frases completas? Tem a mania de achar que fazem concorrência a um jornal de distribuição gratuita de vinte e poucas páginas em que metade delas é preenchida com publicidade e classificados? Tem a mania de não achar muito normal usar fotos da agência Lusa para fazer livremente fotomontagens, mantendo o nome da fotógrafa (das fotos originais)? O Público tem, afinal, a mania de quê?

Eu se fosse director do Público não ficava calado e respondia-lhes na mesma moeda. Colocava como título do editorial: “O Destak parece que é” e depois lá pelo meio escreveria: “quem diz é quem é (toma, toma)!”

quarta-feira, março 21, 2007

Transparências

Uma das medidas anunciadas pelo Conselho de Ministros durante o “Dia do Consumidor”, celebrado na passada semana, diz respeito a uma maior transparência na publicidade das tarifas aéreas. De futuro, além do montante das tarifas, todos os impostos, taxas e encargos que repercutam no preço das viagens, devem ser comunicados ao consumidor.
Pela “clareza” dos dados que li, ou muito me engano ou irá suceder o que acontece actualmente com toda a informação adicional que costuma passar em rodapé em alguns anúncios de automóveis para televisão. A única diferença, é que tal informação, por uma questão de coerência, em vez de passar a 120, deve passar, para aí, a 900 Km/hora!

segunda-feira, março 19, 2007

O Daniel cresceu, mas tanto?


O “Harry Potter” despiu, literalmente, por uns tempos, a sua capa de feiticeiro para participar na peça de teatro “Equus”. Consta que o Gielgud Theatre, em Londres, onde o actor Daniel Radcliffe actua, tem tido continuas sessões esgotadas. Segundo um artigo no último Ípsilon (suplemento cultural do Público), tal facto deve-se à grande afluência das fãs do herói dos livros de J. K. Rowling para ver o Daniel representar como gente grande e (talvez!?) despir-se. Segundo algumas críticas da imprensa britânica, a peça não é lá grande coisa, mas a prestação do já-não-tão-pequeno “Harry” é brilhante. No mínimo, temos que congratular este jovem actor (17 anos) por ter aceite este grande desafio. Já imaginaram se alguém pega nesta fenómeno por cá? Não me parece assim tão utópico de vir acontecer. Pedir a uma “Floribela” para actuar de uma forma marcante ao mesmo tempo que se vai despindo? Humm... Esqueçam a parte da representação e a revista Maxmen pega já na deixa.

“... alguém já reparou que o Daniel cresceu?”
É mais ou menos assim que termina o texto de Joana Gorjão Henriques (Ípsilon).
Sim, Joana, é notório e aposto que há muita gente que sai daquele teatro com vontade o ver crescer ainda mais. Já agora penso ser importante esclarecer: a bela foto que usou no seu artigo foi manipulada. Veja e leia isto:
http://herbertvonkoln.livejournal.com/1004.html

quarta-feira, março 14, 2007

Já?


Então não dormiram, trocaram "bons conselhos". A linguagem do mundo futebolístico está cheia de metáforas.

Apocalipse Newes



Nunca imaginei poder vir a dizer isto nesta vida, mas vou ter que o fazer: concordo com algumas linhas escritas pelo senhor Prof. César das Neves. Pelo menos até ao momento em que começa a relacionar os novos meios de comunicação com o aumento dos divórcios, a destabilização familiar e a precariedade no emprego. Mas só quem não conhece as suas teorias ridiculó-conservadoras é que ainda se pode deixar surpreender pelo o homem que consegue ver o apocalipse em todos os fenómenos sociais.

Vamos então supor que estava eu na minha casa, muito bem casado e bem empregado. Sento-me em frente ao meu computador e aparece-me, “por mero acaso”, no monitor, o convite de uma fulana para adicionar o meu contacto ao seu Messenger. Eu ainda resisto mas por fim acabo por ceder. De um momento para o outro ela liga a sua (e a minha... impressionante os dotes destas novas cibernautas!) webcam e começa-se a despir para mim sem eu ter-lhe sequer piscado um olho. Começa a fazer insinuações de que pretendia fazer coisas comigo que eu nunca faria com a minha esposa... Esta subitamente aparece e depara-se com um cenário muito pouco “familiar”, zanga-se comigo, pede o divórcio, os meus filhos saem de casa e perco o emprego. Enfim toda uma óptima e estável vida se desmorona, só porque uma “boazona de mamas grandes” persuadiu-me a cometer actos de prevaricação virtual que eu ainda consegui resistir... por mais de meia-hora! Conclusão: a culpa é da internet.

segunda-feira, março 12, 2007

Neo-tesourinho-deprimente

Ontem depois de ver um “gatos” fraquinho – safou-se as imitações do RAP e o incontornável “tesourinho deprimente" - ao fazer zapping por alguns canais, fixei-me num em que mostrava uma bela morena de mini-saia sentada em cima de uma secretária, com as suas belas pernas de frente para uma câmara insistente em focá-las. Mais a trás, sentado na cadeira, estava um rapaz de óculos com uma farta cabeleira encaracolada. Bastou olhar para os cantos superiores do meu televisor para entender, em dois segundos, o que via: uma “estreia” chamada “A bela e o mestre” na (surpresa!) TVI. Temi o pior, mas este canal consegue sempre, surpreendentemente, superar as minhas piores expectativas.
Aparece-me o apresentador à frente. Um autêntico fenómeno de versatilidade, num minuto vejo-o numa publicidade a montar e a levar coices de um burro, no minuto seguinte vejo-o apresentar um novo programa da TVI. Entretanto fico a saber que a jovem é uma ex-miss, vem da Ilha da Madeira e tem o dom de fazer o público masculino “grunhir” sempre que mexe as pernas. O apresentador goza com a situação e pede para a “ex-miss” voltar a subir para a secretária e cruzar as pernas e sucede o consequente “grunhido” da assistência. Confesso que já não via uma cena tão parola na TV desde os “saudosos” tempos do “Big Show Sic” do João Adriano e do Macaco Baião, ou qualquer coisa assim parecida.
O “concurso” arranca. Aparece uma foto de Fidel Castro num ecrã gigante e a rapariga tem que adivinhar quem é.
- É um militar... – Avança ela.
- Certo, mas quem é ele? – Questiona o apresentador.
- ... Ah se eu conseguisse ver melhor as medalhas...
- Olhe como se chama o cocktail que se faz com Whisky e Cola?
- Whisky-Cola.
- Não... Cuba Livre!
- ...
- Então ainda não está a ver?
- Não.
- Olhe fiel... como se diz em espanhol fiel?
- ...
A assistência fica mais exaltada e ela aproveita a distracção do apresentador e pergunta, quem é aquele homem, ao tal “bisneto do Einstein” que se encontrava junto dela...
- Fidel Castro!
- Ah... Muito bem!
(Muitos aplausos)
Entretanto aparece na imagem o conceituado jornalista Carlos Quevedo (!!), envergonhadíssimo, para esclarecer o apresentador que uma Cuba Livre não se faz com Whiskey mas com Rum. Depois ouve-se uma gargalhada e aparece o “mestre” Rui Zink (!!) no ecrã e mesmo ao lado dele... a mulher das grandes traduções (umas mais legais que outras) Clara Pinto Correia! E para completar o quadro... Marisa Cruz (!!). WHAT THE FUCK?! No momento em que já deduzia que iria aparecer o Paulo Portas e a Romana, fiquei a saber que aqueles quatro elementos constituíam o júri fixo.

Siga. Nova bela concorrente, novo intelectual a acompanhá-la, a mesma secretária, novas pernas, os mesmos “grunhidos” do público e o mesmo apresentador. Desta vez aparece a foto de Agustina Bessa-Luís.
- Então sabe?
- Humm...
- Olhe lembre-se do mês que mais gosta...
- ...?!
- Agosto, o verão, a praia...
- ...
- Agust...
- Agust...
- Agustina...
- Agustina.
- Vá, o segundo nome é o nome de um estádio...
- Agustina Benfica?
- Não...

Sobrevivi até aqui. Mudei de canal, pois já tinha provas mais do que suficientes de que a “bela” TVI é actualmente uma “mestre” na produção de “tesourinhos deprimentes” para uma próxima geração. Nessa altura, então, cá estarei para os saborear. Ou não.

sexta-feira, março 09, 2007

A "Reforma"

Como não podia deixar de ser - e quem me conhece sabe perfeitamente que este é um dos meus “cavalos de batalha” - não poderia ficar calado face ao resultado final da tão esperada reforma “revolucionária” da tributação automóvel que o governo actual tanto prometera.
Recapitulando. Actualmente recaem sobre os veículos: o Imposto Automóvel (IA) e o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) respectivo, Imposto Municipal sobre Veículos (IMV, vulgo “imposto de selo”) – estes primeiros três perfazem a, já referida num anterior post meu, “tripla tributação”, a tal que a Comunidade Europeia se actuasse coerentemente sobre todos os estados membros já sido alvo de penalização – e especificamente sobre os veículos afectos ao transporte de mercadorias recaem ainda: o Imposto de Circulação (ICi) e o Imposto de Camionagem (ICa).
A proposta de lei foi finalmente aprovada pelo Executivo e afinal o que muda? Muda tudo: extingue-se o IA, o IMV, o ICi e o ICa e cria-se dois novos impostos: o Imposto sobre Veículos (ISV) – que substitui o IA e, sendo assim, o IVA vai continuar a incidir sobre o preço base acrescido deste novo imposto, como aliás já acontece com o IA – e o Imposto Único de Circulação (IUC) – que substitui o IMV, o ICi e o ICa. Então, se eu fiz bem as contas, hoje ao comprar um carro novo paga-se 3 impostos e com esta reforma tributária irá pagar-se... 3 impostos? “Muda tudo”? O legislador explica: “as mudanças vão no sentido de privilegiar a utilização de energias renováveis e a opção por veículos e tecnologias menos poluentes”. Esta preocupação ambiental agrada-me bastante e parece que o peso das emissões de dióxido de carbono (CO2) terá cada vez uma maior influência – juntando-se, assim, à cilindrada (Tabela A) que continua a ser aplicada (exclusivamente) sobre os restantes automóveis que não podem ser tributados com base nas emissões de CO2 (Tabela B) - tanto logo no momento da compra do veículo, no cálculo do ISV, como a longo prazo, sempre que se efectivar o respectivo pagamento anual do IUC. Segundo o Executivo: “estão garantidas reduções nos preços dos veículos superiores a 10%, em alguns casos, face aos preços actuais”. Uau!
“Uau”, se não houvesse dois pormenores importantes que não foram devidamente explicados.
1) Esta possibilidade de redução nos preços concretiza-se unicamente no momento da compra do veículo. A longo prazo, com a incidência do IUC, já foi demonstrado que a carga fiscal vai subir.
2) De acordo com um estudo da Comissão Europeia, o investimento das marcas para produzir os carros para que reduzam ao máximo as emissões de CO2 vai encarecer o preço de produção em cerca de 18%, nomeadamente nos veículos de gama baixa.

A partir de Julho deste ano (quando esta “nova” tributação automóvel entrar em vigor) saímos do stand com o nosso novo carro e com uma agradável sensação que fizemos um óptimo negócio, simultaneamente, pensando que estamos a contribuir para um melhor ambiente e nem nos preocupamos em confirmar se estas generosas “reduções” que o “Executivo” nos ofereceu estão efectivamente correctas. É bom que assim seja, se não queremos ficar, para além de, triplamente tributados, triplamente desiludidos.
Todas as informações actualizadas neste excelente blogue.

quinta-feira, março 08, 2007

Toda a verdade?

Quem reconhece a verdadeira influência da comunicação social neste país também poderá explicar, por exemplo, a razão pela qual um dos melhores anúncios para televisão nunca tenha passado... na televisão.

Faça o obséquio:
http://www.ad-awards.com/commercials/directory/categories/non-profit/alzheimers/commercials-6-218.html

terça-feira, março 06, 2007

Ou não sorrir

Durante uma sessão de fotos para uma revista italiana, Helen Swedin, companheira de Figo, pousava nua e houve alguém que aproveitou o momento para tirar umas fotos para uso pessoal. Como o “uso pessoal” pode ser um conceito muito lato para algumas pessoas, nada egoístas por sinal, tais fotos clandestinas acabaram por chegar a caixa de correio electrónico de milhões de pessoas, eu incluído.
Comparativamente com as fotos oficiais, aquelas que saíram na revista, é garantido que estas mostram mais. Muito mais. Tanto que quase me atrevo a chamar-lhes uma desilusão. Nada de confusões, ela é lindíssima, com ou sem photoshop. Nestas só está menos bonita porque não sorri. E é isso que mais se evidencia no resultado desta “sessão clandestina”: os seus lábios. Porque toda ela é lábios! Quando vemos estas fotos quase que dá vontade de lhe dizer: “Helen pá, sorri, você está no monitor de milhões de espectadores!”.


segunda-feira, março 05, 2007

Sorrir...

Logo no início do curto vídeo caseiro, ouve-se a voz de uma rapariga com um nítido sotaque do norte:
- Não se vê que é ieu... Ah pois não!
Numa cama vê-se, a meia-luz, uma rapariga (nua) ajoelhada a fazer (qualquer coisa semelhante a, mas que eu nunca denominaria) sexo oral a um rapaz, enquanto este a filma.
Ela faz uma pausa nunca deslargando o pénis semi-erecto do rapaz. O diálogo continua:
- Nãoe... – ouve-se a voz do rapaz, também com um sotaque claramente nortenho - ... Ohh, mas aprobeita e chupa mesmo! – continua ele, com um tom de voz mais imperativo.
E ela “chupa”.
- Assim biêsse que és tu! Posso tirare?? – Continua ele, no momento que entende-se melhor o contexto da “mise-en-scene” (lol).
O que ela tem na mão é o que se vê no video. O que ele tem na mão é, afinal, um telemóvel. Ela nem percebe que está a ser filmada e concentra todos os seus receios na possibilidade de ele poder vir a tirar-lhe a foto e, pior, que se veja o seu rosto (enquanto lhe faz sexo oral). Os silêncios e este curto diálogo são constantemente interrompidos pelos “berros” de um “relatador” de futebol durante a transmissão de um jogo na TV. (Penso que era importante acrescentar este detalhe da “banda sonora”.)
- Não sei se debes. – diz ela. E sorri, sem nunca deixar de fazer o que estava a fazer. E estava a fazer tudo muito mal, porque nem a melhor porno-star conseguirá “chupar” decentemente ao mesmo tempo que ri e posa para uma foto.
- Mas com’é que é, posso tirar ou não?
- O qu’é que vais fazer com a fotografia? – questiona ela, sem nunca parar de sorrir e abandonar a sua pose mais fotogénica.
- Oh... é para guárdar’né?!
- Mas não é para mostrar a ninguêim, han?!
- Sim... mas tens que chupar mesmo!
– E ela continua a “chupar” (mal). Mais uma pausa e diz:
- Desde que não se beija a minha cara.
E ela continua, sorrindo sempre...

O macho para se assumir como tal, perante ele e, fundamentalmente, perante os outros (machos) – o facto de o video ter chegado à minha caixa de correio, ou seja, ter tido uma exposição pública, pode explicar esse facto - engana a fêmea e esta, interpreta bem e sem contrariar o seu papel de enganada.
No ano 2143 este vídeo vai passar no canal National Geographic. Isto se em 2143 ainda houver National Geographic e se, até lá, a espécie humana evoluir alguma coisa.

Eis a questão

O que há em comum as fotos da Britney Spears sem lingerie a sair de um carro, pedidos de dadores de sangue de um tipo incomum, as fotos de raparigas nuas em poses ousadas colocadas em circuito de distribuição por ex-namorados, a oferta de Labradores, o vídeo de uma sósia da Fernanda Serrano a fazer sexo com um matulão qualquer, um comunicado da PSP a informar da existência de um bando cujo os seus elementos fingem ser surdos-mudos (do leste) e que assaltam junto das caixas de multibanco, as fotos nos bastidores do carnaval no Brasil (“Orgia no trio elétrico – parte 56”?), as últimas informações fiscais da DGCI, algumas fotos de praias paradisíacas cheias de azul e verde “photoshop”, a enésima denúncia sobre lojas e restaurantes chineses, as fotos de algumas finalistas do ISCAL sem os trajes académicos, os pedidos desesperados de localização de um(a) filho(a) desaparecido(a) por parte dos pais, a alerta para uma "droga" que se coloca nos copos nas discotecas que provoca uma submissão total da vítima (hum... álcool?), ...?

Partilham a minha caixa de entrada do E-mail. Uma verdadeira "salada russa" de emoções. Acreditar ou não acreditar, apagar ou não apagar, reenviar ou não reenviar,...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Uma máfia

Este post será mais dirigido a quem é (ou pense vir a ser) inquilino de um prédio com elevador e que está, de certa forma, descontente com a actuação da empresa que faz a sua manutenção.

Seguem-se dez conselhos (muito) práticos.

1) Por mais que aliciantes sejam os preços propostos nunca aceitem contratos de manutenção com uma validade superior a 3 anos. Já me passou pelas mãos um contrato da Otis com um prazo de 20 anos (!), correspondente a um prédio de 2001 de 4 pisos, com o custo de uma prestação de 410 euros trimestrais (!). A administração do condomínio se pretender terminar este contrato, segundo a respectiva cláusula de rescisão, terá que indemnizar a empresa Otis no valor de cerca de 7.800 euros (25% do valor total das prestações a vencer). Não sei como, nem sob efeito de que substâncias (ou “aliciantes naturais”), mas alguém assinou um contrato destes.

2) Atenção a contratos de manutenção celebrados entre o construtor e a empresa que forneceu e/ou faz a manutenção dos elevadores. Não se deixem enganar. Não é um contrato válido para futuros condóminos. Artigo 268º, nº1 do Código Civil diz: “O negócio que uma pessoa, sem poderes de representação, celebre em nome de outrem é ineficaz em relação a este, se não for por ele ratificado”.

3) Verificar o método de aumentos anuais. Confirmem, no contrato, se estará indexado ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ou à Taxa de Inflação. Consultem o Instituto Nacional de Estatística (INE) ou outro organismo similar e verifiquem se os aumentos estão correctos. Caso contrário: razão plausível para mudar de empresa e/ou pedir a correcção no montante correspondente à soma das diferenças, entre a taxa correcta e a taxa usada que incidiram sobre as prestações.

4) Para rescindir um contrato, por regra (consultar o contrato), é necessária uma antecedência de 90 dias. Conselho: enviem a carta para a empresa de manutenção de elevadores, mencionando o cancelamento do contrato e a dispensa completa, a partir desse momento, dos seus serviços, mas mudem de imediato a fechadura nas casas das máquinas. Perdem 3 meses de contrato mas ganham em alguns dissabores com avarias que, por muita “coincidência”, só acontecem neste último período de vigência de assistência técnica.

5) Se acharem que o serviço de manutenção é medíocre e os problemas com o elevador mantém-se constantemente, procurem no contrato se não há uma cláusula que dirá que havendo um inequívoco incumprimento definitivo por parte do prestador do serviço, pode-se invocar justa causa para imediata rescisão do contrato.

6) Receberam facturas com valores astronómicos e com reparações muito questionáveis? Enviem uma carta com aviso de recepção para a empresa fornecedora do serviço, informando que, a partir desta data, toda e qualquer reparação terá sempre que ser previamente orçamentada sob pena de não liquidação da factura.

7) Segundo o Decreto-Lei nº320/2002, de 28 de Dezembro, durante o primeiro ano de uso do elevador as avarias e a manutenção é gratuita. Regra geral, a garantia dada pelo fabricante só cobre as reparações e substituições de peças que por desgaste ou defeito de fabrico avariem e nunca a manutenção normal.
No primeiro ano, TUDO é gratuito, logo não aceitem qualquer factura.

8) Parece que existe uma lei que obriga a haver no elevador um sistema de comunicação bidireccional. Regra geral os fabricantes de elevadores sugerem uma linha instalada no próprio elevador para um contacto directo com eles. Se essa linha for cobrada, ao condomínio, pela Portugal Telecom terá uma mensalidade como qualquer assinatura mensal de um telefone fixo. Consultem outras alternativas menos dispendiosas. Sabiam que um telemóvel é um sistema de comunicação bidireccional?

9) Para rescindir ou renegociar contratos, apresentar sempre propostas de outras empresas. Consultar as páginas amarelas, secção: Empresas de Manutenção de Ascensores e preparar para ouvir, da parte da empresa actual, todas os defeitos que uma empresa concorrente pode ter. Não ceder. A resistência por aqui faz sempre milagres. Uma renegociação, às vezes, também.
Muita atenção na comparação de preços: ter em conta que existe vários tipos de manutenções (geralmente existem: normal, com consumíveis e completa) e o que inclui e exclui cada uma.

10) Qualquer queixa ou esclarecimento pode e deve ser dirigida às seguintes entidades:
- Direcção-Geral de Geologia e Energia (DGGE)
- Instituto do Consumidor (IC)
- DECO
- Autoridade da Concorrência
- Direcção-Geral da Empresa (DGE)

Para finalizar, duas notas (muito) rápidas:

. Só para não haver algumas “caídas em tentação” por parte de alguns construtores e para não levantar suspeições por parte dos respectivos condóminos, eu diria que viveríamos num mundo mais justo se as empresas instaladoras de ascensores não pudessem (legalmente) fazer a sua manutenção.

. Os acordos secretos entre os principais fabricantes de elevadores começam desde da cláusula incluída no contrato exigindo que as peças a utilizar sejam sempre do próprio fabricante (na minha opinião: a salvaguarda da exclusividade do negócio camuflada por uma questão de segurança) até aos negócios milionários que a Comunidade Europeia (nem o seu próprio edifício escapou, lol, leiam esta notícia) detectou e multou. Eles chamam-lhe um cartel, eu chamo-lhe uma máfia.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Kinsey II

“Entre os chimpanzés pigmeus, o primata mais próximo de nós, é o sexo que cimenta a paz e a coesão social. Liberto de noções de amor romântico, de religião, de moralidade, a sociedade deles mantém-se, como unidade coerente de condicionamento biológico. (...)
Segundo as experiências de mulheres que deram a sua contribuição, notamos uma variada motivação para o coito extraconjugal. Por vezes é uma tentativa consciente ou não de subir socialmente. Noutras proporciona-lhes uma variedade de experiências com parceiros sexuais mais viris que os cônjuges. Há alturas em que é praticado como retaliação por relações extra-matrimoniais do cônjuge. Certas mulheres descobrem novas fontes de satisfação emocional enquanto para outras é impossível partilhar uma relação tão íntima com mais de um parceiro.
Existe também um considerável número de casos em que são os próprios maridos a encorajá-las a variar, para que elas gozem de um adicional prazer sexual.”

Alfred C. Kinsey

Em Nova Iorque quando Kinsey preparava-se para entrevistar todo o elenco de “Um eléctrico chamado desejo” e promover um segundo livro dedicado exclusivamente à sexualidade feminina, confrontado com alguns jornalistas que o esperavam no Aeroporto disse:
“Se querem escrever sobre uma coisa com utilidade estudem as leis relacionadas com as ofensas sexuais; a maioria dos criminosos presos não tem nada no seu historial que se diferencie do resto da população, o seu único crime é não terem dinheiro para pagar um bom advogado. E é injusto: o pecado que todos cometem deixa de o ser e o crime cometido por todos deixa de o ser (it’s unfair: everybody sin is nobody sin and everybody crime isn’t crime at all)!”
Não foi tanto o facto de se ter revelado que as mulheres americanas, afinal, tinham uma vida sexual própria e independente da vontade masculina, mas foram acima de tudo estas últimas palavras, que acabaram por sair nas primeiras páginas dos jornais, que pôs termo à ligação Kinsey - Fundação Rockefeller.
O nosso polémico cientista começou a trabalhar por conta própria mas nunca desistiu das suas pesquisas e entrevistas.

Um dos homens mais controversos que Kinsey entrevistou, admitia que mantinha relações sexuais com menores e durante a descrição dos seus actos, um dos seus assistentes que o acompanhava, revoltadíssimo, saiu da sala. No filme “Relatório Kinsey” relata-se o diálogo que perseguiu entre o pedólilo (P) e Kinsey (K).
P - Pensei que os tinha ensinado a ser imparciais?
K - Às vezes isso é difícil.
P - Alguém como eu deve provar o que o senhor acredita?
K - Como?
P - Que toda a gente deve poder fazer o que quer.
K - Nunca disse isso. Ninguém deve fazer nada contra vontade, ou ser magoado.
P - É muito mais convencional do que eu pensei...

Eu, hoje, divido-me entre vergar-me perante este grande senhor e as suas palavras e uma nova realidade sexual. Estou convicto de que o desfasamento de ideias e princípios entre as pessoas, em tudo o que toca à sexualidade, é cada vez maior. Neste momento, num mesmo planeta, continuam a existir os mais conservadores que até estes estudos dos finais dos anos 40 do século passado são difíceis de digerir, que convivem abertamente (ou não) com outros, para o qual o sexo é livre e não deve ter qualquer tipo de tabus. Consta que é a moralidade que os separa e eu sempre pensei que nestas coisas do sexo, quem mandava era o desejo e o prazer, sempre vigiados pela razão e pelo coração (claro).
Estamos então num novo século e já quase nada no plano sexual é proibido. Para quem acredita nisto, como eu, agora o desafio será mais de nos mantermos nós próprios no meio desta espécie de “anarquia sexual” (chamem-me "convencional"!). Seria com isto que Kinsey teria que se confrontar e de ter em consideração nos seus estudos, se ainda andasse por cá a investigar o que andamos a fazer na nossa intimidade.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Vou só ali penitenciar-me e já venho

Um homem deixa de ser visto durante mais de um ano, (entretanto) morre na sala da sua casa em frente à televisão (o Hora H, nessa altura, ainda nem estava em projecto, suas mentes diabólicas!) e o seu corpo só é descoberto, por acaso, por um polícia que passa pela casa dele só para investigar um problema com um cano da água.
Bela civilização humanista esta que andamos a construir.

Leiam e vejam o vídeo desta triste história aqui:

http://www.cnn.com/2007/US/02/17/death.television.reut/index.html

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

No campo do inimigo

Se não tivesse suficientes provas dadas que me contrariavam, ainda pensaria que o facto do Nuno Markl fazer parte da assistência de um dos melhores programas de humor português dos últimos tempos (Diz que é uma espécie de magazine - são muito inconstantes, mas o do último domingo foi especialmente genial) seria para obter inspiração para tentar elevar o nível da qualidade dos textos de um dos piores programas de humor português dos últimos tempos (Hora H - excluindo o sketch dos “graffiteiros de cascais”, um grande e duradoiro bocejo).

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Kinsey I

Nas décadas de 40/50, um homem chocou o mundo ao estudar o comportamento sexual humano como os outros animais na sua cadeia evolutiva. Os problemas para a sociedade mais conservadora americana começaram quando esse homem, zoólogo, cientista, Alfred C. Kinsey (1894-1956), decidiu deixar registado todos os resultados das suas pesquisas em livros e vídeos.
Um dos resultados “chocantes”, por exemplo, foi de que o sexo no matrimónio, o único que seria socialmente aceite por todos à época, era só uma das nove maneiras que o americano típico usava para chegar ao orgasmo. “Sexual Behavior in the Human Male” (1948) foi o seu primeiro livro editado, sobre o tema, com base nas suas primeiras pesquisas e com o apoio da prestigiada Fundação Rockefeller.
“Um cientista só generaliza com algum grau de certeza se possuir suficiente informação estatística”, dizia ele. Por isso dividiu a população americana em 200 subgrupos sociais; obtendo 400 a 1000 historiais para cada grupo, com o objectivo final de conseguir fazer cerca de 100.000 entrevistas, cara-a-cara, com o auxílio de um grupo de técnicos especializados e previamente preparados.
O maior interesse destes estudos estaria no facto de incidir sobre um país que sempre teve a cultura mais libertina do mundo (desde da época Romana) e simultaneamente a mais puritana. Kinsey sabia disso e achou que esta fonte de tensões poderia ser usado a favor das suas experiências e tornaria os seus resultados ainda mais curiosos.
Kinsey era um homem de gráficos, grelhas e números. Um dos seus contributos para o léxico americano sobre sexo foi a “Escala de Kinsey”. Classificação da sexualidade de cada um numa escala de 0 a 6, em que o 0 significaria “exclusivamente heterossexual” e o 6 “exclusivamente homossexual”. Esta escala é baseada na teoria de que a sexualidade é um continuum. Ele que, classificava-se em 3 na sua escala, considerava a bissexualidade como o estado natural da sexualidade humana. Não deixa de ser interessante que este, entre outros, continue actualmente a ser um tema tão polémico. Kinsey, hoje em dia, continuaria a ter muitas dificuldades em defender a sua escala, nomeadamente junto de uma comunidade gay e hetero mais relutante em aceitar a existência de “meio termos”, ou seja, da bissexualidade.

Na mesma proporção que para muitos, Kinsey foi uma figura seminal do século XX, para outros, ele não passou de um predador que gostava de chafurdar no “lixo das depravações”, chamando-lhe a isto, “ciência do sexo”. Entrevistou um pedófilo assumido, criminosos sexuais e encorajava os seus subordinados a trocarem de mulheres. Como basta “pecar” por uma parte para que o seu todo seja afectado, tal acabou por facilitar o trabalho de descredibilização das suas teorias junto de várias organizações ultraconservadoras americanas. Para estes, Kinsey, nunca passou de um doente mental que só se interessava por actividades sexuais bizarras e sadomasoquistas. Muito menos nos deve surpreender que assim seja, se pensarmos que a América dos “bons e velhos costumes” tinha acabado de descobrir que 92% dos seus homens e 62% das suas mulheres se masturbava com regularidade, 50% dos casados tinham sexo extra-conjugal e que 37% dos homens e 13% das mulheres já tinham tido pelo menos uma relação homossexual. Para o Instituto Kinsey, actualmente isto continuam a ser dados científicos, tudo o resto que seja dito sobre o seu autor, não passam de puras especulações com intuitos descredibilizantes.

De uma das suas aulas sobre a sexualidade humana na Universidade de Indiana, onde conheceu a mulher com quem esteve casado durante 35 anos e lhe deu quatro filhos e onde fundou o Instituto de Pesquisa sobre o Sexo (hoje chamado Instituto Kinsey), retirei um fragmento do seu discurso, que também pode ser encontrado, em parte, no filme “Relatório Kinsey” de Bill Condon:

Muita gente acha que faz sexualmente o que todos fazem, ou que deviam fazer. Mas faço notar que todas as ditas perversões sexuais, caem sobre a alçada da normalidade biológica. Por exemplo, a masturbação, o contacto bocal-genital e actos homossexuais que são comuns entre a maioria dos mamíferos, incluindo os seres humanos. Talvez a sociedade condene as tais práticas por razões morais mas é ridículo classificá-las como antinatura. Mas com base na opinião pública e no Livro de Géneses, apenas existe uma correcta equação sexual: Homem + Mulher = Bébé; tudo o resto constitui vício. Mas basta verificar apenas o historial masturbatório dos homens desta sala para provar a ineficácia das restrições sociais e o imperiosas que são as exigências biológicas.
Porque são algumas vacas activas sexualmente enquanto outras se limitam a ficar por ali a pastar? Porque precisam alguns homens de trinta orgasmos por semana e outros, nenhum? Por toda a gente ser diferente. O problema está na maioria querer ser igual. Acham mais fácil ignorar simplesmente este aspecto fundamental da condição humana. Têm tais ânsias de ser parte do grupo que traem a própria natureza para lá chegar.
O problema surge porque se uma coisa der prazer ou for fortemente desejada mas proibida, ela torna-se numa obsessão.
Pensem nisso.

sábado, fevereiro 17, 2007

Procura-se uma “cara-metade” ou um “corpo-metade”?

Platão n’O Banquete, pela boca de Aristófanes, explica porque buscamos, através do amor, a outra metade que perdemos algures.
No início, homens e mulheres eram redondos, como o sol e a lua, eram ambos macho e fêmea e tinham dois órgãos genitais. Em alguns casos ambos os orgãos eram machos... E o mito continuava. Estes eram seres auto-suficientes e orgulhosos. Desafiaram os Deuses de Olimpo, que os puniram cortando-os ao meio. Foi esta a mutilação que a humanidade sofreu. De modo que, geração após geração, buscamos a outra metade, ansiando ser de novo inteiros.
Mais à frente Aristófanes também diz que o encontro sexual permite um esquecimento de nós próprios, mas a dolorosa consciência da nossa mutilação é permanente.
E pouco fica por dizer.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

A Maldição da Papoila



Quem viu ontem à noite o documentário exibido na 2:, antes de mais um episódio de “Sete Palmos de Terra”, ficou a entender melhor que o interesse ocidental no Afeganistão vai muito para além da luta antiterrorista.
A partir do momento que se chegou à conclusão de que 85% da heroína que entra na Europa é proveniente daquele país do subcontinente indiano, é natural que muitos pressupostos, relacionados com o tráfico e comércio actual das drogas duras no velho continente, sejam colocados em causa.
Para quem associava este país unicamente às imagens da guerra contra Bin Laden e o seu regime talibã, as mulheres de burka (etc.) , não deixou de se surpreender com o que viu neste documentário. Mostrou-se, desta vez, um grande número de afegãos toxicodependentes a vaguear pelas ruas de Cabul e a injectarem (nos braços) heroína comprada a 1 euro a dose, a poucos metros de uma população (indiferente) que circulava entre aqueles; as várias dezenas de hectares de campos de cultivo de papoila, não muito distantes do centro da capital; e as grandes mansões situadas num dos bairros mais protegidos da cidade, que têm como proprietários os principais “empresários” da papoila na região e alguns membros do actual governo. Há quem tenha provas que a sua ligação ultrapasse a de simples vizinhança.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O lado lúdico da vida de um administrador de condomínio

“Olá, estás bom? Era só para avisar que esta noite devo chegar mais tarde a casa. Podes pôr o lixo lá fora? Amanhã compenso-te.”

Mensagem escrita recebida, ontem à noite, no meu telemóvel.
Antes que tais palavras dêem azo a más interpretações, eu passo a explicar: este ano calhou-me a vez de ser co-administrador do condomínio do prédio onde vivo, e partilho tal função com o meu vizinho do primeiro andar (esquerdo). A mensagem era dele, pois calhava-lhe a tarefa de colocar o caixote de lixo na rua. Tarefa esta que nem está no “top ten” das tarefas mais chatinhas deste “importante” cargo. Assim sendo, para os mais atónitos ainda digo: nem queiram conhecer as piores!
Já vou começando a estar habituado a sms deste género provenientes deste meu vizinho e “sócio” da administração do prédio. É que o pobre rapaz, para além de ser co-administrador do prédio nos “tempos livres”, também dá uma “mãozinha” (e com certeza, mais qualquer coisa, para o mal de alguns e o bem de outros) na "força de elite" da nossa GNR e faz uns “biscates” na secção de “minas e armadilhas”. Como de vez em quando alguém apetece-lhe ligar para o aeroporto confessando que terá deixado por lá uma mala com um conteúdo digamos... explosivo, faz com que o “desgraçado” tenha que ir até lá indagar da situação. Depois, é claro, torna-se impossível cumprir as responsabilidades que assumiu perante os outros condóminos na última reunião - que ficaram lavradas em acta, registada (esclareça-se) - e estou cá eu para o substituir! Entretanto, claro, no dia seguinte ele compensa-me... Isto é giro: “ai e tal faz-me isto que eu depois faço-te aquilo”. Como diz uma amiga minha brasileira: “parece coisa de casal”.
Estávamos nós, eu e o meu vizinho-policia-calmeirão-co-administrador, uma manhã destas, no banco para fazer a mudança de assinaturas da conta do condomínio, quando nos é informado ao balcão, depois de mais de um quarto de hora de fila, que tal teria que ser tratado com “a colega que está ali sentada, da secção de empresas”. Também é gira esta segregação: os “pobrezinhos” dos depósitos de 10 euros ou a gente das cadernetas por actualizar para um lado (que é como quem diz, para a fila), os cromos das empresas – mesmo que seja um mero condomínio de um prédio – para o outro (que é como quem diz, atendimento rápido e personalizado, sentadinhos numa confortável cadeira). Dirigimo-nos à tal “colega”, cumprimentamo-nos e sentamo-nos à sua frente, entregando o livro de actas. Ela faz uma breve leitura da última acta, sorri e pergunta-nos:
- Então, vêm fazer a mudança dos titulares da conta de condomínio?
E eu, rezingão como costumo andar por estas horas da manhã e depois do tempo perdido numa fila desnecessária, lembrando-me do comentário da minha amiga, fiquei com alguma vontade de responder:
- Não, isso que acabou de ler é o registo do nosso casamento e viemos pedir um empréstimo para comprar casa e para pagar a viagem de lua-de-mel à Nova Zelândia.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Adultos em crescimento


“Little Children”, título original, ou “Pecados íntimos”, na versão nacional, é um filme incómodo. Nem quero imaginar a quantidade de pessoas presentes naquela sala de cinema, onde fui ver este magnífico filme, que se reviram em qualquer um dos protagonistas da história.
Parece, à partida, um filme feito de encomenda para pessoas à beira da ruptura (qual terapia de grupo!), saturados com a sua vida familiar cheia de rotinas e de vícios, tudo aparentemente normalizado. Em “Little Children”, torna-se óbvio que estes “donos(as) de casa desesperados(as)” necessitam “desesperadamente” de algo mais para lhes dar algum ânimo e outro sentido às suas (tristes) existências. O adultério poderá ser uma solução? Aparentemente sim. Mas na derradeira parte do filme, quando todos julgávamos que a felicidade tinha sido alcançada com um caso extraconjugal, e que este poderia ser, de facto, a alternativa óbvia a uma vida familiar cinzenta, o seu argumentista, surpreendentemente, decide que as suas personagens tomem um outro rumo, no sentido de explorar as verdadeiras causas das suas angústias e frustrações. Em resumo, uma preciosa lição de vida para quem embarque nesta verdadeira aventura cinematográfica. É que afinal, os tais “pecados íntimos”, que alguém teve a infelicidade de lhes chamar e de nomear um filme destes, não passam de um mero pretexto para que os seus “pecadores” (e nós) entendam(os) que os problemas pessoais não se resolvem com traições ou com outros tipos de “pecados”. Para além de que é habitual, quando algo não funciona e comecem os conflitos, em vez de assumirmos as nossas próprias culpas e fragilidades, preferirmos, antes, descartar as responsabilidades para cima de algo tão abstracto como o “casamento”, o “casal”, a “relação”, o “pedófilo”, ...
Aprende-se tanto com este filme. Sempre que o seu narrador comentava, ficava na dúvida se estava a contemplar um documentário sobre a vida de uma nova espécie de macacos (algures no meio de uma floresta na América Latina) no Discovery Channel, ou a assistir a um filme com seres humanos idênticos a todos nós.
Então o que mais nos ensina, em concreto, esta película?
Que às vezes é preciso ver e ouvir as crianças para nos entendermos como adultos, que é preciso sermos imaturos e irresponsáveis para sabermos crescer, que é preciso sacrificar alguma coisa ou alguém para sabermos, não só o seu verdadeiro valor mas, o quanto realmente valemos.
No fim, para os mais pragmáticos, aqueles que se acomodam à vida que não queriam ter (caramba, o meu post sobre as “filas de trânsito” faz aqui tanto sentido), o narrador ainda tem tempo para lhes dizer: “Não podemos fazer nada com o nosso passado, mas com o futuro já é outra história. E terá que se começar em qualquer lugar.” Num parque infantil, como em “Little Children”, ou em qualquer outro sítio. Depois é preciso saber crescer e evoluir e não ficar por lá eternamente, como Brad, no parque dos skaters.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

World Press Photo of the Year


de Spencer Platt, BEIRUT, Líbano - 15 de Agosto de 2006
Foto muito curiosa. Os contrastes e a banalização da destruição (e da violência) nos nossos tempos.

Lá ao fundo, o que terá o gajo a dizer ao telemóvel?
Pá ... adiante, a minha casa foi-se!... Xiii, tá agora a passar aqui a Roula e as primas. Tá cada vez mais boa, a gaja, que bomba, dasse!... tá-se?

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Petacol

Colocar actores famosos a fazer publicidade de um produto lácteo para reduzir o colestrol está longe de ser uma grande ideia.
Hey... eles passam a vida a mentir, representando, e até fazem sexo de cuecas! Quem é que ainda cai na “cantiga” deles? Devem ter menos credibilidade do que uma promessa de “no more gafes" feita pelo nosso ministro da Economia.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Notícia do dia/mês/ano/...


Beastie Boys (finalmente) em Portugal!

Em Lisboa, no dia 10 de Junho, no "Alive Festival" (cheira-me, também, a Pearl Jam). Depois de Nine Inch Nails, Bloc Party, ... Salvé, 2007!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Boas acções

João Jardim diz que os apoios que dá ao "Jornal da Madeira" só servem para manter o pluralismo.

Seguindo o exemplo:
Pinto da Costa acaba de confessar que todos os presentes que oferece(u) aos árbitros servem só para promover o fair-play.
Isaltino Morais não dá aumentos aos seus empregados da Câmara, mas serviu-lhes uma saborosa (pelo menos foi essa a ideia com que se ficou depois de se ver as reportagens nos vários noticiários) feijoada.
O meu boss diz que só dá aumentos até 3%, face às condições instáveis do mercado e yadayada..., e que tal nos sirva de consolo.
E eu, se assim for, não lhe dou mais de dois meses para o mandar, a bordo do seu novo iate, dançar o corridinho para a Ilha do Ti’Alberto. Se não lhe servir, que plante bananas!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Esta gente das filas


Quando passo ao lado daquelas filas de quilómetros de carros, para além da grande sensação de alívio (por lá não estar), penso o quanto distante estou desta “gente das filas”. É também nestes momentos que percebo que nasci demasiado rebelde e contestatário para me manter alinhado em filas ou para ter uma vida com uma trajectória pré-definida.
A vida pode ser feita de opções e quando há mesmo essa possibilidade... escolhe-se. E para evitar tal “fado”, por entre outras razões, acabei por escolher viver e trabalhar fora de Lisboa. Se não tivesse essa possibilidade de escolha e tivesse mesmo que trabalhar na capital, optaria por usar um transporte público ou ir de mota. Há sempre outras opções! Sei que há uma que nunca optaria: a (evitável) fila.
Até poderia haver dezenas de atalhos e percursos alternativos, que qualquer uma destas pessoas acabaria por optar (inconscientemente?) pelo caminho habitual, mesmo sabendo que lá mais à frente irá ser inevitável o abrandamento e a paragem, simplesmente porque não foi a única a não quebrar a rotina. Todos os dias é a mesma coisa, sempre com uma vaga esperança de que é naquele dia que tudo vai melhorar. Casos sem redenção possível de pura ilusão ou de um optimismo frustrante?
As pessoas não mudam, os seus problemas também não. Minto. Elas mudam. Mudam de faixa de rodagem porque acham que a outra anda sempre mais depressa. E é esse o seu maior desafio. Para estes indivíduos, os congestionamentos deixaram de ser um problema e passaram a ser um autêntico modo de vida.
Esta imensa maioria que opta sempre pelos mesmos caminhos e que está dependente de uma valente dose de “calor humano” para sobreviver, é a mesma que organiza autênticas “excursões” e passeatas para os centros comercias, que faz do parque das nações, ao fim-de-semana, uma feira popular sem carrosséis, da Caparica, no Verão, um verdadeiro inferno (mesmo sem estar muito calor) e da inauguração de uma ponte, um acontecimento para a posteridade – e porque não parar e tirar umas fotos? Parece que agora nem os museus escapam.
Intimidam-se com o desconhecido e acham que os riscos só lhes dão prejuízo. Gente de hábitos e tradições inquebráveis, que fazem das “regras” que lhes foram incutidas desde criança e da “lei” popular, o seu código civil. Nada se questiona, nada se coloca em causa, tudo lhes parece demasiado óbvio para tal. Acomodando-se, seguem pelo caminho, certo ou errado (para eles será sempre o certo, se têm à sua frente toda uma imensidão de pessoas que optaram pelo o mesmo, logo, só poderão estar no correcto!), previamente definido e delineado, nem sempre pelos próprios. Como uma fila de trânsito.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

O “vosso” banco já mudava de agência publicitária


O novo spot televisivo do Banco Santander Totta, num rácio qualidade/custo, deve ser dos piores anúncios que já vi até hoje.
Para além de estar tão mal dobrado que faz parecer qualquer dobragem de série italiana dos anos 80/90, uma campeã na sincronização (das “falas” com as “bocas” dos actores), trata-se de uma cópia “chapadinha” do videoclip “Seven Nation Army” dos White Stripes. Nem nas cores conseguiram ser originais...
Ainda por cima, participa aquele actor/apresentador “betinho” que se emocionou com o discurso de Santana Lopes, quando este perdeu as últimas eleições para o Sócrates. Só faltou convidar o “humorista” Aldo Lima e era o “pleno”.
Consta que esta “brincadeira” custou 2,5 milhões de euros. Parece que o “vosso” banco, para além de gostar de "superar as vossas expectativas", está rico!

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Fui à Horta

Este fim-de-semana reencontrei-me com alguns dos meus grandes amigos e amigas de infância. Para “comemorar” tal facto, entre outras coisas, decidimos passar parte da noite de sábado numa discoteca, algo que não fazíamos, todos, já há algum tempo. Por questões essencialmente de ordem geográfica (e, já agora, económica) optamos pela “Horta da Fonte”, um dos clubes nocturnos mais conhecidos na região ribatejana que fica situado no Cartaxo.
Já não era a primeira vez que passava por esta “casa” após o seu encerro (por falta de condições de higiene, segurança e salubridade) e posterior reabertura. Mas desta vez encontrava-me (mais) sóbrio e consequentemente mais apto a observar a “fauna” envolvente (e para além de divertirmo-nos e “beber um copo”, o que mais se faz numa discoteca?).
A “Horta” é constituída por, entre outros espaços (uns mais agradáveis que outros), duas pistas: a principal, de maiores dimensões, aonde se ouve reggaeton até à exaustão e uma outra, mais pequena e isolada, aonde passa, um surpreendente e evasivo, techno minimal. Nota positiva para esta última aposta e “ousadia”, nem que seja, pelo facto de haver um espaço naquela discoteca onde se possa ouvir, e principalmente dançar (na sala do lado, com tanta gente é quase um feito conseguir deslocar-se um pé sem colocá-lo em cima do de outra pessoa) sem ser ao som da música da Shakira ou as 256 variações da “Ga-só-li-na”. Um dos outros pontos positivos vai para os empregados dos bares: simpáticos e eficientes.
Para indicar um aspecto negativo poderia abordar o limitado e praticamente inexistente parque de estacionamento junto da discoteca, pois só dá para três pickups, quatro jipes e outros tantos Mercedes (daqui poder-se-ia extrapolar a piada fácil e demasiado óbvia de como os nossos subsídios vindos da C.E. para os “jovens” “agricultores” desta região estão a ser muito bem gastos), mas não o vou fazer!
Fiquei deveras surpreendido com a disparidade das idades do público e percebi que o fenómeno da cedência de entrada a menores em espaços de divertimento nocturno não é exclusivo da zona de Santos em Lisboa, é assumidamente um fenómeno de dimensão nacional. Mas acredito que alguns tenham entrado com os pais... ou com os avôs! Também me surpreendeu a diversidade do tipo de clientela. Não quero entrar em pormenores, mas para ficarem com uma ideia mais precisa do que se pode encontrar por lá, tentem imaginar o cruzamento do ambiente de uma “Lux” com o de um bar de alterne da província. Penso que a “Horta da Fonte” bate qualquer “casa” rival pela sua heterogeneidade de assistência e isso, na minha modesta opinião, é uma proeza a realçar.
Vi gente bonita e vi gente muito bonita. Para quem diz que a fama da beleza dos(as) ribatejanos(as) não passa de um mito, precisa de me ver ou, em última instância, vir a este local para se tornar num crente. Também vi uma cena de pancadaria entre dois “putos” e a prontíssima resolução do conflito por parte de um dos seguranças, que se encontrava estrategicamente colocado num dos cantos da sala principal. Ainda nesta sala, vi uma espécie de “very light” ser projectado do espaço superior onde se encontrava o DJ, passar uns centímetros acima da minha cabeça e ir embater contra a parede oposta (do outro lado da pista de dança), fazendo um grande estrondo e deixando um rasto de luz e fumo. Tenho algumas dúvidas se tal “efeito especial” terá causado mais entusiasmos que sustos. Já para o final da noite, quando preparava-me para sair, vi um dos porteiros/seguranças (pela vestimenta e perfil, sinceramente, às vezes tenho alguma dificuldade em distinguir quem é aquele que nos deixa entrar e o outro que nos obriga a sair) deslocar-se da zona de entrada até junto de uma (bela e loiríssima) cliente que se encontrava no final de uma, já extensa, fila e fazer o pequeno favor de pegar-lhe no cartão e passar à frente de todos os outros clientes, que de resto nada se aperceberam, dirigir-se ao balcão do “bengaleiro” e solicitar o casaco daquela cliente “especial”, sem rodeios e quaisquer desculpas. Parece-me que ficou claramente demonstrado que, também ali, com uma boa “cunha”, tudo funciona mais rápido. Pena ela não chegar para todos.
Foi divertido.

Entre o convívio aparentemente pacífico da parolice com o pseudo-modernismo, ao tentar entender-se toda a envolvência de um espaço de divertimento nocturno, chega-se, afinal de contas, a uma actual e representativa amostra de toda uma região em desenvolvimento. Ou às tantas, com um pouquinho mais de imaginação, de um país.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Ambiguidade



A suástica é um símbolo místico encontrado em muitas culturas em tempos diferentes, dos índios Hopi aos Astecas, dos Celtas aos Budistas, dos Gregos aos Hindus. Entretanto a cruz gamada, foi... literalmente "gamada" pelo Hitler e o seu partido, que com ela e as suas ideologias iludiram um país inteiro, dizendo que representava a engrenagem de uma suposta Revolução Industrial a perpetuar-se na Alemanha. Depois foi o que se sabe.
Temos que saber lidar com esta ambiguidade e entender que se para muitos um símbolo pode significar "bons ventos" (caso do Budismo), ou "boa sorte" (em sânscrito), para outros significará sempre o horror, o nojo ou a vergonha.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

“Quem nos protege da polícia?”

Lisboa, Parque de estacionamento da Estação Fluvial de Belém, dia 20 de Janeiro de 2007, 1:00.
Estaciono o meu carro ao lado do de um amigo de longa data e começamos a trocar algumas palavras, cada um no seu veículo. O local estava praticamente deserto, somente nós e mais três carros ligeiramente afastados e juntos ao rio, na zona habitual aonde os casais de namorados param para, além de outras coisas, contemplar a bela vista (ponte 25 de Abril e parte da margem sul) que dali se alcança.
Não passaram muitos minutos de conversa até aparecer-nos à frente uma carrinha da polícia cheia de elementos da PSP. Eram 8 ou 9, o tempo que demoraram a sair da carrinha e se distribuíram e circundaram o meu carro e o do meu amigo foi tão curto, que nem os consegui contar correctamente. Apesar de bastante assustado com tal aparato digno de qualquer filme de acção hollywoodesco, ainda consegui responder-lhes às “Boas Noites” que dois deles me deram. Foi-me pedida toda a documentação, tal como tive que mostrar o triângulo e coletes obrigatórios. Só não me foi solicitado o “teste do balão”, para completar a rotina de qualquer operação STOP. Enquanto estava a dar assistência aqueles dois agentes, outros dois circundavam o meu carro de lanternas na mão, observando o que tinha no interior do meu automóvel. Ao meu amigo sucedeu-lhe exactamente o mesmo. No fim perguntaram-me: “O Sr. Ricardo (nome que o senhor polícia retirou da minha carta de condução ou do meu B.I.; este é obviamente fictício) não tem tido problemas com a polícia?”, ao qual eu respondi negativamente no segundo seguinte. Nem uma pequena multa de estacionamento para apresentar e sujar o meu cadastro que orgulhosamente o vou mantendo limpo até hoje. Após esta estranha pergunta, finalmente os polícias regressaram à carrinha, sem qualquer explicação, sem mais perguntas ou comentários com pouco sentido.
Se eu tivesse nascido ontem, pensaria que esta operação policial, apesar de ter uns contornos esquisitos, até se poderia considerar normal. Mas como já nasci há mais de 30 anos atrás, e sei perfeitamente distinguir entre o que é uma operação policial de rotina e uma operação de intimidação, tenho perfeita consciência dos propósitos de todo aquele aparato e a PSP é competente em deixar isso bem claro. Tal como, eu e a PSP, sabemos que aquele é um local aonde há (para além da tal zona dos “namoricos” para os casais heterossexuais), frequentemente à noite, encontros fortuitos entre homens e que há sexo dentro dos carros. Esta prática é internacionalmente conhecida por “cruising”.
Pelo que deu para ver (ou melhor, não ver, já que os vidros estavam praticamente todos embaciados) nos restantes carros que se encontravam naquele parque de estacionamento, naquela noite, mesmo sem a presença de homo(bi)ssexuais, não deixava de haver sexo. Como a PSP passou (e passa nas habituais rondas que faz por aquela zona), literalmente, indiferente a esses casos só me permite chegar a algumas conclusões:
1) Se o objectivo da PSP fosse o de averiguar qualquer situação de atentado ao pudor, naquela noite e naquele local, provavelmente teria mais por onde se virar do que propriamente para junto de um local bem iluminado e onde se encontravam duas pessoas, cada uma no seu carro, a conversar. A não ser que, para a PSP, tenha havido qualquer alteração de valores e o pudor tenha deixado de se encontrar nos actos em si, mas em quem os poderá praticar.
2) Para a PSP, a ameaça de haver um atentado à integridade pública é menor num carro com um casal heterossexual do que noutro com um, supostamente, homossexual lá dentro. É somente a “possível” orientação sexual do “suspeito” que faz toda a diferença.
3) Com este tipo de atitudes incoerentes e a roçar o abuso de autoridade, a PSP, demonstra claramente a sua homofobia.
M.C.


Recebi este e-mail identificado (pelo menos com um primeiro e último nome) ontem.
A ser comprovada a sua veracidade, merece toda a nossa atenção e reflexão.
Coloco, desde já, reticências no que toca à acusação generalizada de homofobia a toda uma instituição policial. Se houve qualquer elemento da P.S.P. com um comportamento homofóbico durante o cumprimento da sua profissão, aquela, como entidade patronal e responsável pelos seus actos profissionais, deverá realizar um inquérito interno para apurar os factos, posteriormente esclarecer publicamente toda esta situação e aplicar (ou não, mediante o resultado do inquérito) as medidas que achar necessárias, em nome do bem-estar público e, sobretudo, pelo respeito dos direitos humanos.
Deste relato escrito, não captei qualquer indício de abuso de autoridade. No entanto, face aos dados apresentados, a “teoria” da intimidação faz algum sentido. Pois dá-me a entender que este tipo de actuação policial vem previamente planeada e tem objectivos bem definidos, e não me parece que tal parta, única e exclusivamente, da iniciativa de qualquer agente no “terreno”. É também por isso que digo, “coloco reticências”, e não digo, “discordo categoricamente” da última conclusão desta denúncia.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Amor II


A pressa sempre foi inimiga do coração!