segunda-feira, outubro 22, 2007

A SIC não tem piada

A SIC não olha a meios para subir as audiências, nem que para isso mande fechar uma das maiores avenidas da capital e transforme-a num desfile pirosó-carnavalesco sempre que se comemore o aniversário desta estação. Salvo algumas reportagens e documentários, alguma inovação nas temáticas das telenovelas (aqui o mérito não é da estação de Carnaxide mas da respectiva produtora brasileira), algumas (poucas) séries de ficção americanas e pouco mais, este canal tem contribuído infimamente para melhorar o panorama qualitativo do que podemos ver hoje em dia sempre que ligamos o televisor.
As audiências nunca foram sinónimo de qualidade, mas o mais irónico de toda esta situação é que a programação que Francisco Penim gere até nem tem tido grandes audiências, ou pelo menos, as audiências que tanto desejaria. No entanto esta obsessão compulsiva por conseguir que mais duas dúzias de televisões se concentrem neste canal já fez vítimas. Não me refiro a todos os seres pensantes que conseguem manter os olhos por mais de 10 segundos na série de ficção nacional que costuma passar depois da novela brasileira e que automaticamente ficam com vontade de estoirar os miolos. Ou os dos próprios, ou os de quem a concretizou como projecto televisivo. Falo de Herman José.
O Herman, gostando-se ou não do que tem feito nos últimos tempos, nunca deixou de ser a única referência humorística válida da SIC. Ao contrário do que Penim pensará, o humor em televisão está a milhas de distância de ser a enésima variação de converter todas as anedotas já ouvidas na década passada, numa série de sketches atabalhoados. Bom, tudo isto para denunciar o que se pode ver, ou melhor, não ver, presentemente nos domingos à noite naquele canal: o “Hora H” passou de um horário indecente para um horário vergonhoso, e agora para o seu completo desaparecimento (consta que passará para um horário inédito mas já pouco surpreendente: a “madrugada” de sábado!). Para Herman (e a sua equipa), certamente, pior que esta, salvo a repetição, vergonhosa mudança de horários e de ter sido envolvido involuntariamente numa guerra de audiências que só por um milagre – ou alguma concebível forma de manter as pessoas acordadas e com vontade de rir fora de horas – sairia vitorioso, será a desrespeitosa forma como tudo foi feito. Um desrespeito por uma carreira profissional irrepreensível ao serviço da boa disposição e do melhor humor que a televisão já nos proporcionou. E para desculpabilizar esta falta de respeito, não há audiências ou qualquer outra razão mais ou menos rentável que a justifique.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Más influências

Esta semana li um editorial no jornal Metro que achei, no mínimo, hilariante. Ao mesmo tempo que transcrevia para aqui algumas das palavras que o senhor Rui Pedro Batista escreveu naquela coluna, não consegui resistir em deixar alguns comentários.


O jantar estava a correr tão bem! Éramos oito. Quatro casais. Quatro eles e quatro elas. – É bom que se esclareça, não vá alguém ter dúvidas quanto ao tipo de amigos que frequentam a casa de um colaborador do jornal Metro. Devia ter facultado também a raça, fracção partidária e profissão de cada um deles - E a conversa tornava-se mais agradável à medida que as garrafas se esvaziavam. Tudo mudou quando chegou à altura de fazer o brinde. – O vinho azedou? A Mariazinha partiu o salto do sapato? O Bernardo recebeu uma chamada de uma amiga especial? - “À nossa, que fiquemos todos juntos durante mais uns anos”, atirei. Mas o João e a Carla não se reviram no meu pedido de renovação de votos e acabaram por revelar que estão a separar-se. – Ahhh! - (...) Ficamos embasbacados. O João e a Carla vão a caminho dos quarenta. - E? (...)
Iada iada iada conheceram-se no tempo do liceu, eram os dois muito pobrezinhos mas eram muito batalhadores e ... O amor saltava-lhes dos olhos. Apesar das dificuldades em compatibilizar agendas, conseguiram arranjar tempo para encomendar o primeiro filho. – A mulher comum planeia (ou não), engravida e dá à luz um filho. A mulher deste estrato social, compatibilizando com a sua agenda supê-preenchida, encomenda-o! “Ohfaxavore, era um loirinho de olhos azuis para as sete da tarde do primeiro dia de primavera.”
O João foi subindo a pulso. Há três meses passou a ostentar no cartão de visita o título de director-geral. De uma empresa grande e cheia de lucros. Daquelas em que todos gostavam de trabalhar. – Mas que só alguns têm possibilidades de entrar e, regra geral, por pouco mérito próprio, se me é permitido o acrescento - A Carla lançou um negócio de acessórios de moda. E já estava a abrir a segunda loja. Mudaram de casa, trocaram de carros. Quer dizer, trocaram os carros por verdadeiros carrões. E agora... assim. Não se entende. – Não entende exactamente o quê? Que é perfeitamente possível ter sucesso profissional sem viver maritalmente com alguém? - (...) Enquanto lá por casa se adormeciam as crianças, fiquei ali no canto da mesa agarrado ao vício da nicotina, a pensar na vida. O João e a Carla, (...) – Já pensava menos na vida dos outros, largava o vício e contribuía qualquer coisinha para as tarefas domésticas, não?
Construíram uma vida assente em dificuldades, em partilha e entrega quando tudo parecia remar contra o seu barco. Um dia a maré mudou. E a sensação que lhes percorre o corpo é que conseguiram subir um prédio. – Uh?! Pior copy/paste de sempre? (...) Mais uma cigarrilha. Acabo em definitivo o whisky. – Ah bom.
Pode ser uma fuga, pode ser uma falta imensa de energias renovadas. Pode ser simplesmente incapacidade em reinventar o que parece definitivamente morto. – Pode ser pura estupidez tentar descortinar as razões da separação de um casal.
Duas pessoas, dez anos a trabalhar, a lutar para ter uma vida melhor, a fazer tudo para ter alguma capacidade financeira e material... – Depois dão nisto: mais felizes e ricos que nunca, mas separados. O melhor é riscá-los da lista do próximo jantar, não vão ser eles uma má influência para os restantes casais do grupo de amigos. Da-se!

domingo, outubro 14, 2007

Baralhar e voltar a dar


Ser nacionalista não é crime, mas o tráfico de armas e drogas é, tal como o é ofender, espancar ou matar pessoas de outras raças, nacionalidades, etnias e orientações sexuais, ou profanar cemitérios judaicos. Não se baralhem senhores nacionalistas (ou diria antes, não queiram baralhar os outros?): em Portugal ninguém vai preso só porque se demonstra um amor desmesurado à pátria.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Curb your enthusiasm (Calma, Larry) , Season 4, episódio 38


Jeff oferece a Larry alguns preservativos que possuem a característica especial de prolongar o prazer por muito mais tempo. “All night long”. Mas em contrapartida tais preservativos contêm uma substância anestesiante que quando usados impropriamente podem ter efeitos adversos. Dito e feito, Larry por pura distracção ou porque, como ele se defende, “estava escuro”, usa o preservativo ao avesso. Resultado, a sua esposa, Cheryl, começa a queixar-se logo após o acto de que ficou com a vagina adormecida.
Depois de saber que Cheryl não tinha melhorado, no dia seguinte, Larry decide desabafar com o seu jardineiro – não por acaso, já que ele é um índio, por sinal muito requisitado pelos seus conselhos curativos - com o curioso nome de Urso Deambulante, na esperança de que este lhe possa aconselhar qualquer remédio milagroso para o “pequeno” problema da mulher. O seu jardineiro medita uns segundos e receita-lhe uma erva qualquer... Et voilá! Cheryl aplica o tratamento e fica automaticamente boa.
Depois disto o Urso Deambulante cruza-se no jardim com ela e com a maior das inocências pergunta-lhe: “Então como está a sua vagina?”
Ela fica chocada mas ainda consegue arranjar forma de lhe responder baixinho e com poucas palavras: “A minha vagina... está melhor... obrigada.”
Não demorou muito tempo até Cheryl queixar-se do sucedido a Larry e este decidir interpelar o seu jardineiro:
- Hey Urso Deambulante, pode não ser uma grande ideia perguntar assim às mulheres dos outros como está a sua vagina... Bom eu não sei como é na cultura dos índios, mas por aqui não fica muito bem... Entende?
O outro responde-lhe de imediato com uma serenidade que lhe é característica:
- Se a sua esposa for a um médico branco, ele não só vai perguntar pela sua vagina como vai também querer vê-la e tocá-la!

terça-feira, outubro 09, 2007

A competição

Ontem passei os olhos por uma notícia que muito me surpreendeu. A espionagem electrónica com o objectivo de denunciar infidelidades está a aumentar disparatadamente. Os advogados especialistas e os detectives privados são unânimes em dizer que tudo é válido para provar a traição do(a) parceiro(a) do(a) cliente. As provas electrónicas são cada vez mais utilizadas em processos de divórcio e que são os próprios cônjuges desconfiados que praticam a violação de correspondência electrónica, quer nos telemóveis quer nos computadores. Um detective dá o exemplo de um sistema de “artilhação” do telemóvel que fica sob vigilância integral num outro telemóvel, em tempo real, sem que o seu dono sequer desconfie.
Ora, indo directa e imediatamente ao cerne desta questão, falemos de sexo, ou melhor, das nossas ligações sexuais. No passado, definíamos a fidelidade como a promessa de nos ligarmos sexualmente a uma pessoa e mais nenhuma. Hoje em dia e no futuro, com a mudança de mentalidades, com o aparecimento de novos tipos de relacionamento, com casamentos mais liberais, em que as ligações sexuais podem ser efectivamente mais abertas e indefinidas, o que significará, no fim de contas, a infidelidade? A diferença significativa é que em vez de a fidelidade sexual ser a marca identificadora de uma relação, um dado adquirido como no passado, nas relações do futuro teremos que ter a liberdade de escolher o que queremos o que ela signifique. Ou seja, pode significar o que sempre significou: a opção de ter relações sexuais com um só parceiro; mas também pode significar a lealdade emocional mas tendo a coragem para assumir outras ligações sexuais com outros parceiros, e não só com a pessoa com quem se escolheu para viver. Os defensores acérrimos da monogamia sexual estarão neste momento a tentar arranjar argumentos para demonstrar que esta hipótese só nos tornaria sexualmente mais irresponsáveis. Eu pergunto: e já não o somos actualmente? Pelo que se lê nos jornais, dizem os advogados e detectives, o nosso vizinho do lado e a senhora da quiosque, a resposta é sim, só que, e este é o pormenor importantíssimo desta questão, não admitimos! Fala-se em irresponsabilidade e dá-me a parecer que ela esteja mais associada a relacionamentos tradicionais muito pouco transparentes, cheios de desconfianças, que enchem os bolsos dos advogados e detectives particulares e acabam em disputas e litígios num tribunal, do que a um relacionamento mais liberal, mas assumido e partilhado honestamente entre os seus dois elementos.
Com isto tudo não quero eu dizer que ache, por exemplo, o “swing” a “cena” mais excitante dos últimos tempos ou que não deixará de ser uma forma encapotada e hipócrita de não assumir as limitações de um modelo de casamento à beira de ruptura, mas digo, por outro lado, que é de louvar todos os relacionamentos onde ainda há sinceridade, respeito e confiança mútua, independentemente do tipo de ligação sexual que tenha sido acordada conscientemente entre o casal.
Se por um lado continuo a acreditar na monogamia, por outro não sou do tipo de pessoa que veja com muita facilidade a face de Jesus Cristo numa torrada. Sou só realista ao ponto de começar a entender melhor as necessidades básicas do ser humano e um crítico da forma camuflada como hoje em dia as colocam em prática.
Um casamento que supostamente deveria ser, entre outras coisas, a oficialização de um relacionamento amoroso, para além do jogo de aparências que já é, passa a ser também uma espécie de competição de fidelidade entre dois seres, que, supostamente e acima de tudo, deviam querer-se bem.

segunda-feira, outubro 08, 2007

A Britney morreu

Uma destas noites sonhei com a Britney Spears. Ao contrário do que supostamente seria natural, não foi um sonho bonito. Sonhei com a notícia de que ela se tinha suicidado. O meu subconsciente assim ditou o fim de um dos maiores ícones pop do início do corrente século. No fundo, tal seria só o ponto final (e trágico) de uma vida de excessos ultra mediatizada. Com algumas ameaças pelo meio.
Casa com um fedelho da pior espécie, comete umas loucuras, tem dois filhos, engorda, divorcia-se, junta-se a “más companhias”, comete outras loucuras, rapa o cabelo, perde o direito de conduzir por fazê-lo alcoolizada e levar um dos filhos, consigo, no banco da frente, perde a custódia dos filhos, Entretanto a pressão para que ela edite qualquer coisa aumenta. Ela manda cá para fora o melhor que pode e depois de tudo o que já lhe ouvimos sair daquela boca, até mete dó vê-la a suplicar por mais (gimme more) agarrada a um varão. Como se não houvesse alternativas, como se aquilo fosse o seu último meio de sobrevivência. E às tantas é mesmo.

quinta-feira, outubro 04, 2007

“Querida, estou com o período!”

Duas das características que mais admiro nas pessoas que partilham em plenitude a sua vida com alguém é a sua total capacidade de entrega e continua disponibilidade. Eu não consigo porque tenho uma espécie de “períodos”. Sem menstruação! Só os sintomas, portanto.
Períodos curtos ou longos, podem ir de uma hora a mais de uma semana. São momentos em que fico completamente impaciente e pouco sensível a tudo o que me rodeia - incluindo de quem mais gosto - e que passo da melhor para a pior companhia possível. Tudo poderia ser uma questão de tolerância ou capacidade de sacrifício da outra parte se eu até não me importasse de de ser uma má companhia. Mas importa-me! Nessas circunstâncias prefiro estar longe. Tenho consciência de que ninguém, por todos os outros períodos que também tenha, merece suportar a minha casmurrice. Pode ser mau feitio ou pode ser só o lado negativo da rotina e do contacto consecutivo diário: por tornarmo-nos demasiado íntimos, considerarmo-nos mutuamente garantidos.
Por isso aprovo a salvaguarda do nosso próprio espaço, para recorrer em situações de emergência, como esta. Uma espécie de retiro total: espiritual e, sobretudo, físico.

quarta-feira, outubro 03, 2007

A sinceridade é uma faca de dois gumes

Pede-se sempre a verdade tendo consciência da vulnerabilidade da outra pessoa. Porque não sou só eu que corro riscos ao dizer a verdade; quem a escuta também é vulnerável. O que para mim é difícil de exprimir também pode ser, para alguém, ainda mais doloroso de ouvir.

terça-feira, outubro 02, 2007

Eu querooo uma raqueta caça-mosquitos da Dêmaili!

Estou extasiado: acabei de receber o catálogo Outono 2007 das lojas D-Mail! Quem não conhece, e antes de começar em pensar ir buscar a faca para fazer um corte latitudinal nos seus pulsos, deve primeiro questionar-se: mas o que são as “lojas D-Mail”? Pergunta errada, contraponho eu. Não interessa saber o que é, mas antes o que vendem. Vendem coisas. Coisas, tal como elas se autopromovem, com “ideias úteis e originais”! Seguem-se alguns exemplos:
“Cinturão porta-moedas” ou...
uma peça da colecção "arrumador-de-carros Outono/Inverno 2008".
“Os humanos usam cinto de segurança no carro... e os cães não usam porquê?”
Porque são cães?

Uma “ovelhinha avisadora de chamadas” para telemóveis:
Sim, porque aqueles miseráveis dos filandeses ainda estão a muitos anos de inventar aparelhos que apitam!

É um rádio? É um auxiliar de audição? É um auricular?...
Não, é uma “luz que se fixa à orelha”!

Viva o luxo: um “tapete persa para o rato do computador”,
para combinar com o napperon da impressora!


Última grande novidade de segurança para sua casa: uma “tranca para a porta”!
Depois sai e entra pela janela.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Os nossos paraísos já não são o que eram

Portugal tem muitos paraísos escondidos, mas habitualmente estes não se mantêm nessa condição por um longo período de tempo. Pelo menos até uma qualquer revista semanal os denunciar. Os directores destas revistas na ânsia de vender mais meia dúzia de exemplares e fazer o título de mais uma "edição especial de verão" ou simplesmente para encher mais um número e divulgar mais dois ou três belos lugares recônditos do nosso país que a revista concorrente não divulgou, acabam por se esquecer do verdadeiro significado daqueles locais. Portanto, é preciso que uma revista publique um artigo com a localização dos nossos paraísos para que estes deixem imediatamente de o ser ou não houvesse, no Domingo seguinte à sua publicação, uma peregrinação massiva com destino aos ditos cujos.

Uma das suas “vítimas” trata-se de uma praia que fica localizada às portas de Lisboa e não muito longe da balbúrdia da Costa da Caparica. Há quem lhe chame “Praia da Nato”, por ficar situada a escassos metros de umas instalações daquela organização internacional, mas no fundo ela acaba por ser só um prolongamento da praia mais próxima: Fonte da Telha. Não é a praia mais bonita do mundo, nem sequer ganha esse galardão na categoria nacional, mas possui características muito especiais. Os acessos - por onde se pode ficar deslumbrado com a vista sobre toda a zona costeira da Caparica até ao Cabo Espichel e com um pouco de boa vontade consegue-se ainda observar os contornos da serra de Sintra - são feitos através de uma mata (a dos “Medos”) e toda essa magnifica paisagem compensa os milhares de metros que se têm de percorrer até descer pela encosta até à referida praia. Já com os pés na areia confere-se que o meio envolvente não é menos esplendoroso: de um lado o azul infinito, do outro, o verde da vegetação que domina toda a ravina e em frente, um extenso areal a perder de vista. Tudo isto oferecido com um bónus: um sossego que só é interrompido pelos sons das gaivotas e das outras aves vindos dos dois lados opostos.
Não era uma praia muito frequentada, pelo menos até ser sido destacada pela Visão como um dos nossos “Éden” a descobrir. Pelo seu isolamento, também sempre foi uma praia onde se praticou nudismo e não deixou de o ser depois da publicação do tal artigo e com o consequente aumento de frequentadores. Pelo contrário, aumentou o número de “pirilaus, mamocas e rabiosques” à mostra, mas também aumentou, por acréscimo, a quantidade de “mirones”. Estes colocam-se segura e estrategicamente na zona da ravina a observar a “paisagem”. Na viagem que faço de regresso ao parque de estacionamento passo por alguns. A maioria são idosos, outros nem tanto, mas quase todos vêm munidos “discretamente” com uma pequena caixa ou um saco plástico que eu julgava, até há dias, conterem uns binóculos.
Falo com um amigo, muito mais conhecedor da zona e da respectiva fauna que eu, sobre o assunto e ele dispara com uma estranha pergunta: “Alguma vez confirmaste se são mesmo binóculos?”. De facto não lhe poderia assegurar que tipo de instrumento usavam porque vi-os a maior parte das vezes bem escondidos e sempre de costas. Desafiou-me para que numa próxima oportunidade conferisse melhor o que usavam para observar com mais nitidez o que lhes rodeava.
No passado fim-de-semana, coloquei esta “pequena investigação” em prática. Assim sendo, depois de mais um belo dia de praia, no caminho de regresso, passo pelos locais estratégicos de contemplação da zona e aproximo-me o máximo que consigo, tentando não ser notado nos primeiros momentos de aproximação. Deparo-me com um senhor muito compenetrado no que estava a fazer e reparo que na sua mão direita não tinha de facto uns binóculos. Tinha uma câmara de filmar. O sujeito nem deu pela minha presença o que me permitiu confirmar com alguma clareza, pelo pequeno ecrã da câmara, o que estava a filmar. E não era paisagem, pelo menos da que se costuma denominar por “natural”! Este fenómeno repete-se uns metros mais à frente: outro senhor, outra câmara de filmar, outras “paisagens”. Missão cumprida.
Durante a caminhada para o parque de estacionamento, de um momento para o outro, algo me veio a memória. No ano passado chegou à minha caixa de correio electrónico um e-mail com um vídeo nitidamente filmado por um amador, supostamente um voyeur, onde se conseguia ver durante vários minutos, com alguns cortes e solavancos pelo meio, o corpo desnudado de três “jeitosas” que, pelas informações que estavam em anexo no e-mail, estariam a fazer nudismo na praia do Meco. Na altura, lembro-me de ter pensado que conhecia aquela praia e que não me parecia a do Meco. Foi então que se fez luz: o Meco fica justamente na continuação daquela praia.

Conclusão: as revistas ao darem a conhecer os nossos magníficos paraísos nem imaginam a quantidade de outros “paraísos” que potencialmente possam vir a ser revelados. Com tanta gente a lucrar com isso – as próprias publicações, os voyeurs realizadores, os voyeurs em início de carreira, os fabricantes de câmaras de filmar, o gmail, etc. - quem sou eu para lhes estragar o negócio e o espectáculo, que é como quem diz, ser o “empata-fodas”, ou para ser mais preciso, o “empata-punhetas”?

quarta-feira, setembro 26, 2007

Uma boa ideia para o Sr. Isaltino Morais:

se conhece as dificuldades nos acessos do seu concelho em geral e ao Estádio Nacional em especial, bem como os horários onde há um maior tráfego de regresso a casa, ponderar melhor antes de aprovar a realização de um mega-concerto num dia útil. Mesmo que tal dê uma maior notoriedade ao seu concelho. Mesmo que em causa esteja uma banda prestigiada como os The Police.

terça-feira, setembro 25, 2007

Se isto é amor...


Os pais de Rosa não querem que ela estude. Querem-na a pastar o gado na serra e a trabalhar na terra, como eles.
Poder-se-ia simplesmente dizer que às vezes a felicidade que nos desejam raramente coincide com a nossa própria felicidade, mas estamos perante uma situação em que, para além desta questão de felicidade subjectiva ser importantíssima, tornou-se urgente denunciar mais um caso de escravatura camuflada.
E o amor dos pais? Amor em que haja uma subjugação a este nível só conheço o partilhado entre dois amantes que realizam jogos de submissão mutuamente consentidos. Estes são ambos adultos (e supostamente conscientes) e sabem ao que vão. Os outros, são os pais que não vêm (nem querem ver) um futuro diferente do deles para a sua filha. Se isto é amor...

sexta-feira, setembro 21, 2007

Um jornal sobrenatural

Na secção "cartas dos leitores" da edição de hoje do GN lê-se:
Como leitor do jornal gratuito Global Notícias, gostaria de fazer uma referência ao estranho título que aparece na edição de quarta-feira, na página 8: “Mortos avaliam hospitais”. Será caso para dizer que afinal de contas sempre há vida para além da morte!
Paulo Reis
Nota da Redacção: Agradecemos a este leitor a sua chamada de atenção, pois significa que nos leu com atenção. Lamentavelmente, o título tem uma gralha: em vez de “mortos”, deveria estar escrito “mortes”. As nossas desculpas.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Uno, dos, tres... problemazitos!

O meu primeiro carro foi um Fiat Uno. Um 60S, cizentinho escuro como os milhares que circulavam por aí nas nossas estradas no final dos anos 90. E este andava bem, mas aquecia ainda mais. Já não me lembro de quantas vezes tive que encostar à berma para o deixar arrefecer. Também “bebia” bem. Mais óleo que gasolina, o que seria até uma vantagem se o conservasse até aos dias de hoje! Era uma espécie de “kinder surpresa” em forma de carro e sem chocolate: sempre que saía de casa, ele surpreendia-me sempre com mais um problemazito para me entreter. Ou era um farol que saltava, ou um pisca ou um ou outro fusível que se fundiam, ou o tubo de escape que se soltava. Mas isso é banalíssimo, diriam vocês. No entanto, quando começou a fazer um barulho estridente sempre que carregava a fundo no travão, comecei a pensar que era dono de um carro muito pouco comum. No início até pensava que isso nem era assim tão mau na medida em que captava todas as atenções sempre que parava nos semáforos, mas eu queria mais... E o meu Uno, que nisso nunca me deixava ficar mal, deu-me mais... Mais problemas! Eléctricos para não variar. Depois do fecho centralizado – quem mandou a mim ter um chaço ferrugento com extras todos modernaços? – que, ao passar por qualquer imperfeição na estrada, trancava automaticamente as portas e fazia disparar simultaneamente o alarme, só faltava mesmo os vidros eléctricos! Estes avariavam-se constantemente e faziam questão de escolher os “belos” dias de chuva para pararem a meio do seu trajecto. Ah, recordo-me agora como era revigorante apanhar um segundo banho matinal! Numa das suas últimas visitas à oficina habitual, o senhor mecânico, já desesperado por não saber o que fazer com aquela avaria (in)constante, sugere-me que andasse com uma bisnaga de vaselina no carro. Eu, inocentemente, ainda questionei o que faria com tal produto, ao qual ele prontamente respondeu: “Olhe sempre que os vidros emperrarem besunte-os muito bem com isso e puxe-os devagarinho!”. Funcionou, mas poucos dias depois vendi o meu Uno e deixei o tubo da vaselina no porta-luvas, sem deixar qualquer explicação ao seu futuro proprietário. Fiquei com esperanças de que ele futuramente entendesse a sua utilidade e, tal como eu, viesse a descobrir, como é que a partir de uma experiência diferente se pode abrir à nossa frente todo um maravilhoso novo mundo da lubrificação.

terça-feira, setembro 18, 2007

Ménage


"Quero agradecer ao povo de Portugal por apoiarem a sua decisão de ajudar o povo do Iraque e do Afeganistão descobrirem a bênção da liberdade... aii e tu és tão atlético!"




"Hey boyzz! Can I..."

segunda-feira, setembro 17, 2007

sexta-feira, setembro 14, 2007

Na pior nódoa...


O amor tem futuro?

Não é socialmente aceitável não querer casar ou não ter uma relação. Isso deve-se ao facto de a ânsia pelo casamento estar tão profundamente entranhada no nosso subconsciente colectivo que constitui uma das nossas motivações pessoais mais poderosas. É a forma como tanto nos inspiramos como nos castigamos. Inspiramo-nos porque a ideia do casamento nos traz alegria e castigamo-nos por falharmos tão frequentemente no casamento.
Temos muitas relações que não são casamentos, mas no íntimo suspiramos pelo casamento e na nossa sociedade esta instituição sagrada é a norma de relacionamento.

O casamento transforma qualquer relação numa encenação, numa forma de passar o tempo da nossa vida, um empreendimento tradicional que nos agrada e distrai. Podemos sentir-nos cativados – e até temporariamente satisfeitos – com a forma familiar e as ternas convenções do casamento. Mas devemos recordar que é o amor, a energia profunda, bela e duradoura, que se encontra subjacente a todos os anseios e expectativas que levamos para as nossas relações. E as nossas almas, a parte divinamente imortal do nosso eu, querem mais. A alma quer profundidade, verdade e união e o apelo da alma, através de todas as novas formas de relacionamento que nos desprende dos laços da tradição, é o apelo a um amor maior.

Subscrevo algumas palavras de Daphne Rose Kingma no seu “O Futuro do Amor” – alguém próximo achou por bem oferecer-me este livro, pois é sempre bom ter prosperidade no “futuro do amor” quando o passado não foi lá muito prometedor – nomeadamente quando encara sem receios a ideia de que uma relação não tem que ser “perfeita”, ou que nada é eterno e que se vai ter mais que uma relação significativa na vida e dessa "nova" tendência de desligarmo-nos das tradicionais formas (de relações) e prendermo-nos mais aos seus conteúdos.
É sobretudo bom que entendamos isto: seja qual for o nome, uma relação é sempre uma forma de ligação com outro ser humano. É uma ligação que mostra não só o grau de distância que decidimos estar, mas também a singularidade do afecto que nutrimos por essa pessoa e o que esperamos que aconteça com ela na nossa vida. De vez em quando encontramos alguém com os propósitos coincidentes com os nossos.
Por mais assustadoras que pareçam estas palavras transcritas e todas as mudanças a elas associadas, tem-se que ter em conta que, como ela diz, a transformação das relações não significa a morte do casamento, significa antes que o casamento será glorificado. E eu diria credibilizado ou, mais importante ainda, consciencializado.

Estou a mais de meio deste pequeno livro e ainda não li nada sobre a promiscuidade nem sobre a descartabilidade das novas relações, mas só agora “ataquei” o capítulo das “Novas formas de amor” ou também por esta autora designadas: “Relações iluminadas” e ainda tenho esperanças que ela se faça esclarecer que, tal como "não há relações perfeitas", não há “futuros (amorosos) perfeitos”, para ninguém!

domingo, setembro 09, 2007

O dilema de Susana

Há mulheres fisicamente discretas e há mulheres fisicamente vistosas, com ou sem uma vestimenta apropriada. A Susana faz parte do lote das vistosas e das que se veste a condizer. Digamos que o seu criador foi bastante generoso com as suas formas físicas e ela faz toda a questão em partilhar isso com o resto do mundo. Tal não é muito bem visto por grande parte dos restantes elementos femininos do nosso grupo de amigos e nunca percebi bem porquê. Bem, até percebo. Pelo menos a parte que salta logo à vista. Os amigos (rapazes) dividem-se: (tal como as raparigas) há um grupo de “incomodados”, depois há os “tótós”, como eu, que sobrepõem a sua companhia em detrimento de tudo o resto que ela poderia eventualmente oferecer como alternativa e há os “artistas esperançosos”, que fazem dela a sua “musa inspiradora” nos seus momentos mais íntimos e... “enérgicos”. Para estes, o decote da amiga Susana é mais misterioso que mil e uma expressões da Mona Lisa e excitante que todas as sinfonias de Beethoven juntas.
Susana é vulgarmente designada por uma mulher provocante, não é, no entanto, e para desapontamento de muita gente, uma mulher provocadora. Mas isto faz algum sentido: alguém consegue ser provocante sem ser provocador? Marquei há dias, num centro comercial, um encontro com a Susana. Há hora e no sítio combinado já lá estava ela a olhar para a montra de uma loja. Mesmo por trás reconhecia-a a vários metros de distância. Desta vez deixou a mini-saia em casa, mas trouxe o “mini-top” e as suas jeans mais apertadas. Chego-me junto dela e prego-lhe um pequeno susto. Ela ri-se e cumprimentamo-nos. Penso: sempre que a vejo, passado todos estes anos de amizade, esta rapariga nunca me deixa de surpreender. Há sempre algo diferente nela. Para além de que cada dia que passa parece que ela me vai revelando mais de si. (Mal sabia eu que desta vez seria algo mais que um novo centímetro do seu corpo.)
Enquanto caminhamos para a zona dos restaurantes, reparo nos olhares dos outros passeantes. Reparo sobretudo nos olhares dos outros homens, alguns com outras companhias femininas por perto. Uns mais discretos, outros mais descarados, ao ponto de até eu, sempre muito distraído em ambientes deste género, ter ficado incomodado. No momento em que questionava-me como é que ela conseguia ultrapassar todas aquelas contemplações mais fervorosas - pensava que provavelmente já estaria habituada e que tal faria parte do jogo da sedução - ela envolve o seu braço no meu e diz-me algo carinhoso que não fez muito sentido, nomeadamente naquele momento e naquele local. Pelo menos até eu perceber o verdadeiro objectivo daquele acto.
É este o dilema de Susana: ser provocante sem gostar de ser provocada.