domingo, agosto 05, 2007

“Este verão não vá de férias sem eles”.

Mas “eles” quem? Só pode ser os animais. E se fosse os neurónios? Também dá jeito, mas há quem nem sequer os tenha. Portanto, é muito natural que vá de férias, ou vá para qualquer outro lado, sem “eles”.
Ainda esta semana vi por aqui na vizinhança um cão que (ainda) não tinha marcas muito visíveis de “abandono”. Mas, no entanto, o seu ar completamente desesperado e intimidado por estar a ser confrontado com um ambiente para o qual não foi previamente ensinado, revelavam o seu triste fado. Por uns escassos centímetros que não foi atropelado por um carro. Ainda consegui ouvir alguém dizer do seu interior: “Oh palhaço vê lá se prendes o cão!”, o qual não podia ficar sem resposta: “Oh palhaço, o cão não é meu e vê lá se te preocupas mazé a cumprir o código da estrada”. Ainda tentei chamar o pobre cachorro, mas o desnorte era tanto que ele limitou-se, do outro lado da estrada, a olhar-me com os seus olhos esbugalhados. Continuou a andar apressadamente e eu peguei no meu telemóvel e liguei para o canil da zona. Era um cão de raça e se o meu “faro” não me engana, deve ter vindo de uma zona de grandes vivendas germinadas localizado perto do local onde moro.
Pode ter fugido, pode ter sido abandonado. De qualquer forma, tira-se duas conclusões:
1) a distracção e a estupidez não escolhem classe social:
2) há pessoas em que o único animal que podiam domesticar, seria o galo/galinha com quem dormem todas as noites.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Dona de um restaurante desesperada


Lynette era muito feliz. Para além de casada e mãe de quatro filhos, sentia-se muito atraída pelo cozinheiro do seu restaurante. Ela gostava especialmente dos finais da noite em que ele lhe preparava um prato especial e mantinham-se sentados durante o resto do serão, só os dois, a conversar. Ele ficava ali sentado à sua frente, a vê-la saborear a sua comida, ao mesmo tempo que lhe contemplava a beleza e tentava controlar o desejo de avançar... Na noite em que isso quase aconteceu, no momento em que ele confrontou-a com a verdade: a atracção era correspondida, ela despediu-o, foi para casa (ter com o marido e os filhos) e fechou-se na casa-de-banho. Pôs a água da banheira a correr para abafar o choro...

O desejo morre automaticamente mal se concretiza; esmorece ao satisfazer-se. O amor, pelo contrário, é um eterno desejo insatisfeito. José Ortega Y Gasset (1883-1955)

terça-feira, julho 31, 2007

Mãããee, eu quero um detector, de um detector, de um detector... de radares!

Os radares e tudo começou com os malditos radares! Podia ser uma longa fila de trânsito, mas não, o verdadeiro pesadelo dos “aceleras”, foi essa invenção demoníaca que a nossa autoridade usa para controlar os limites de velocidade mais comumente designados por radares. Fala-se actualmente muito dos novos, os fixos, que se encontram espalhados pela cidade de Lisboa. Alguns deles muito discutíveis, outros absurdos. Existe alguma unanimidade na sua condenação, mas se há quem nada faça contra esta ditadura da velocidade também há quem faça algo mais para tentar contornar o problema, para além de mandar “postas de pescada” para o vizinho do lado. Já existem petições para alargar os tais limites a circular pela internet, por exemplo. Estes estão previamente assinalados, mas convém não esquecer de todos os outros. Pela nossa saúdinha (financeira e não só), convém mesmo não esquecer, mesmo com as dezenas de e-mails recebidos denunciando a sua localização. Aqueles que todos tememos, aqueles que não se vêm, uma espécie de Kinder Surpresa, em que o ovo é um carro não identificado da Brigada de Trânsito (BT) e a surpresa está lá dentro: um radarzinho fantástico que regista a nossa matrícula mesmo que passemos por ele a mais de 200 Km/H e o brinde é logo entregue alguns metros mais à frente por um senhor agente da autoridade. Não há volta a dar: estamos todos bem controlados e tramados!
Estamos? Obviamente que neste país ninguém gosta de fazer figura de parvo, muito menos a 50 Km/H. Não é que afinal já encontraram solução para isto. Eureka: os detectores de radares! Já se vende por tudo o que é lado. Um amigo meu comprou um sistema Home Cinema por um sítio de venda online e não é que veio um aparelhito desses como oferta? E não é que eu experimentei-o? E não é que aquilo funciona mesmo? Pelo menos apita que se dana, aliás, qual Júlia Pinheiro em dia de menstruação, o meu carro com aquele aparelho passou a ser oficialmente a viatura com mais barulhos irritantes à face da terra. São os sensores de estacionamento, são os sensores de portas e vidros abertos, de chave na ignição, de cintos não encaixados, de luzes acesas... Não há um quilómetro percorrido, uma manobra feita, em que não se oiça um barulho agudo! Aquele detector detecta mesmo tudo: radares fixos e móveis, nem os radares das portagens escapam – não fossemos nós esquecer de pagar a portagem. Para quem não quiser arriscar e tentar fazer a coisa menos “ilegal”, há quem já tenha tido a ideia de inserir toda a informação das coordenadas dos radares espalhados pelo país nos mui úteis sistemas GPS. Para isso basta fazer o download dos packs disponíveis em alguns sites da net. Pode ser um meio menos ilegal mas é, também, certamente o método menos eficaz.
Claro que a polícia sempre atenta a todos os meios de fuga não podia ficar a ver-nos passar (literalmente, a apitar) e ficar de braços cruzados. (Como se aqueles apitos estridentes não fossem por si só uma forma de auto-denúncia.) Consta que já há por aí carros da BT artilhados com detectores de detectores de radares!
E por aí a fora... Vamos chegar a um ponto em que um carro irá deixar de ser somente avaliado pelo seu motor, segurança e conforto de condução, para ser escolhido com base na capacidade de detecção dos detectores, dos detectores, dos detectores... de radares. Ah, e tudo começou com os malditos radares!

segunda-feira, julho 30, 2007

Muito para além do bacalhau assado

Gostando-se ou não deles – eu fico-me num “nim” absoluto, pois se há canções que muito admiro, há outras que acho medíocres – há que congratulá-los pela forma como investiram as suas carreiras. Os The Gift arriscaram e venceram. São um sucesso a nível nacional e segundo a reportagem especial que passou na noite passada na SIC, também começam-no a ser em Espanha. Pelo menos já esgotam salas com mais de 1500 pessoas em Madrid. É um óptimo indicador ou não nos podemos esquecer o feito que é conseguir penetrar num mercado discográfico como o espanhol. Mas tal aplica-se tanto ao som tuga como a qualquer outra língua que não seja o castelhano. De qualquer forma a música da banda mais internacional de Alcobaça é, como diz o último disco, “fácil de entender”, tem boas orquestrações, os refrães ficam no ouvido e a voz da Sónia é forte e não deixa ninguém indiferente. Não quero dizer com isto que a fórmula usada seja razão suficiente para ir além fronteiras. Nem por sombras. É preciso muita força de vontade, alguns contactos e ainda mais investimentos. Foi basicamente isso que os The Gift fizeram e, que aparentemente, conseguiram e, por exemplo, que o Pedro Abrunhosa, fez e não conseguiu.
Antes dos The Gift, houve a Amália, os Madredeus e a Marisa (e o Rui da Silva, lol, porque não?). Estes pelo menos foram os casos mais mediáticos. Numa leitura superficial: o que destinge aquela banda de todos os outros exemplos está relacionado com o seu registo pop. Também não é facil entrar em mercados externos onde o único “produto” pop comercializável é o proveniente dos “States” ou de Inglaterra. Quase tudo o resto que possa sair daqui insere-se na catalogação mais generalista que existe (à face da terra) e que alguém teve a infeliz ideia de chamar: World Music! Como se tudo o que não estivesse nessa lista não fosse música deste mundo! Bem há uns certos casos... Adiante. As letras em inglês poderiam ser um pormenor a ter em consideração mas não o é – e tal já ficou provado pelos “outros nossos motivos de orgulho” – como factor preferencial para uma exportação de sucesso.
A qualidade também deveria ser o tal “factor”. Mas poderíamos exportar José Mário Branco, Sérgio Godinho, Sam the kid ou os Clã? Há “produtos” por mais bons que sejam que parecem perder todo o seu sentido fora do seu contexto e realidade social. No entanto pensando desta forma nunca Antônio Carlos Jobim e Caetano Veloso teriam dado a conhecer a sua MPB (Música Popular Brasileira) ao resto do mundo.
Não nos falta por aqui material em condições para competir lá fora. Actualmente, os Buraka Som Sistema, por exemplo, já conseguem tirar algum proveito do seu kuduro progressivo em algumas zonas da Europa. E o rock? Em 1998 uma banda de Vila do Conde lançou um disco chamado “The privilege of making the wrong choice” (título por si só brilhante!). A banda chamava-se (e chama-se, mas não com os mesmos elementos da constituição original) Zen, eu tive (e tenho) o privilégio de ouvir aquele CD e achar que este foi (e é) o melhor disco rock feito jamais por cá e se ouve alguma má escolha, terá sido a de não o mostrarem a quem de direito no estrangeiro, ou de lhe terem colocado o muito usual rótulo: “É português? Não presta!”.
Um representante da EMI espanhola que foi entrevistado durante a reportagem, num momento de maior exaltação pós-concerto dos The Gift, exclama: “Ainda bem que os portugueses arranjaram algo de muito bom para nos oferecer... Para além de bacalhau assado...” O nosso triste “fado” também pode ser esse: o de não nos querem ver para além do nosso rico “bacalhau assado”. Assim não há “iguaria”, por melhor que seja, que consiga vingar.

sexta-feira, julho 27, 2007

Portugal na vanguarda da investigação genética


A/C da TVI

Enquanto decidem se vão ou não começar a passar a série “The Office” (versão americana) como têm vindo a anunciar há duas semanas consecutivas (para as “noites” de quinta-feira) em tudo o que é programação, inclusive na vossa respectiva página de teletexto podiam ir pensando em:
- aumentar o volume do microfone da Júlia Pinheiro nos vossos estúdios de Queluz. É que, mesmo abrindo as janelas todas, não a consigo ouvir em perfeitas condições aqui em Oeiras;
- acrescentar meio minuto ao período de publicidade no intervalo dos filmes que passam no vosso canal, assim dá tempo de assar um frango e fazer uma saladita e digerir esta refeição lentamente. Depois da digestão bem feita, antes de o filme recomeçar, preciso do meio minuto para preparar umas pipocas, pois entretanto o estômago já começa a pedir algum aconchego.

terça-feira, julho 24, 2007

Os “fanáticos” religiosos norte-americanos são perigosos?

Não é novidade que todo o tipo de fanatismo religioso pode ser perigoso. Ontem à noite na RTP2, passou um documentário da HBO que mostrava isso numa prespectiva americana. Levanta-se a questão: os “fanáticos” religiosos norte-americanos são perigosos? Se interpretarmos o que aconteceu em Jonestown (ver o documentário de hoje à noite, no mesmo canal), por exemplo, como uma das possíveis consequências, sim, muito!
O caso dos “sacerdotes” ultra-conservadores mediáticos quererem misturar a religião com a política vigente para além de ser muito previsível, se não é perigoso, é, no mínimo, desastroso para a sociedade “moderna” americana.
Viu-se neste “Amigos de Deus” o poder da influência imposta pela fé de mãos dadas com a obsessão em estado puro, bem como:
- as palavras de ordem dos grupos pro-life afirmando que o aborto é o holocausto americano, com cartazes bem explícitos nesse sentido;
- os concertos da “battlecry.org” onde se juntam uns bons milhares de teenagers a saltar/berrar/chorar - não me pareciam estar sob influência de qualquer substância que se justifique ficarem naquele estado, nem que tivesse em cima daquele palco o Joe Satriani!;
- o crescimento da cadeia “drive-in prayers”, que consiste em rezar dentro do carro em sintonia com uma senhora do outro lado de uma cabine fechada – hilariante (também)!;
- a associação de envagelistas “Pro-Creationism/Anti-Evolution” dando uma palestra numa grande sala repleta de crianças: “Did your grandaddy seems like this? (O vosso avô é parecido com isto? e mostra-se numa tela gigante a foto de um primata). Resultado: risada geral da assistência.
(...)

Que cada um tire as suas próprias conclusões.

segunda-feira, julho 23, 2007

Super Flop

A Super Bock tem o dom de conseguir todos os anos por esta época mandar fazer o anúncio mais parolo, com a música mais parola (pelo menos não os podemos acusar de incoerência), que se pode ver e ouvir na TV. É tão redutora esta perspectiva “trolhista” de como a cervejeira e a respectiva empresa de publicidade vê os seus potenciais consumidores, que até dá mais vontade de dizer: “Põe-te a milhas”!

Não é preciso ser um génio

Há empresas incompetentes, como a TV Cabo, por exemplo, em que sempre temos a opção de não contratar os seus serviços. Há alternativas. Podemos ter a sorte de morar numa zona onde há outra empresa a prestar o mesmo tipo de serviços com melhor qualidade, o que não me parece ser nada difícil, ou então, simplesmente prescindir dos seus serviços e esperar por um milagre. No caso da Brisa a situação é relativamente diferente. Ok, temos sempre a opção de circular em estradas nacionais, mas podemos estar perante a situação de que uma estrada nacional não seja por si só uma alternativa a uma auto-estrada. É o caso de ela se situar entre dois populosos - e na periferia de mais outros dois - concelhos do distrito de Lisboa, ou seja, como acontece com a A5. A Marginal (N6) com as suas infinitas limitações não é, racionalizando bem, nem nunca foi nem nunca será, uma alternativa à A5.
O que se passou no início do passado fim-de-semana na A5 foi, no mínimo, vergonhoso. A Brisa decidiu, para proceder a obras de beneficiação do pavimento, encerrar, nesta auto-estrada, 4 das 6 faixas de rodagem entre Linda-a-Velha e o Estádio Nacional durante mais de 24 horas non-stop.
Não é preciso ser um génio para perceber o tipo de consequências que isto traz e para prever que tal provoque filas intermináveis num raio de muitos quilómetros adjacentes à área das obras durante o período diurno de uma auto-estrada de grande movimento, mesmo aos fins-de-semana, como é a A5. Porque não é preciso ser um génio para perceber que há alguns tipos de trabalhos que compensariam serem feitos, em vez de um dia, em duas ou mais noites. Não é preciso ser um génio para trabalhar na Brisa, mas em certos e determinados cargos, um pouco pouco mais de inteligência dava cá um jeitaço... Um pouco mais de “inteligência” do que aquela que se limita a manter a cobrança de portagens em situações tão débeis como esta, por exemplo. Uma “chico-espertice”, aliás, que pode ter os dias contados: http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=250561&idCanal=11 .
Os residentes dos concelhos de Oeiras e Cascais, por esta e mais uma outra razão e, já agora, por pagarem as portagens por km mais caras deste país, quando morrerem deveriam ter uma entrada directa no céu. Com muito caviar e uma garrafinha de Dom Pérignon da Moët et Chandon, mas sem portagens!

sexta-feira, julho 20, 2007

The J. J. Abrams Godzilla Project

O produtor executivo da série Lost, J. J. Abrams, já anda envolvido num projecto paralelo para cinema. Aparece agora creditado como produtor de um filme com um dos trailers mais badalados dos últimos tempos. Ainda não há título oficial mas tem sido apresentado com a data da sua futura estreia: 1-18-08 (18 de Janeiro do próximo ano, portanto). Diz-se que vai ser o filme-catástrofe mais alternativo de sempre e a mim, por enquanto, parece-me só o cruzamento do Godzilla com o The Blair Witch Project.

Ver o trailer aqui, já que não é todos os dias que se vê a cabeça da Estátua da Liberdade a voar pelos céus de Nova Iorque. E também entra gajos(as) giros(as)! :´)

quinta-feira, julho 19, 2007

Há umas que enchem chouriços, há outras que dão palmadinhas nas costas

A novela “Páginas da Vida” que a SIC passava (e passa – hoje é reposto o último episódio e transmitirão um suposto “epílogo”) em horário nobre, chegou ao fim.
Por norma, não gosto de novelas. Tenho aversão a histórias estereotipadas, com personagens limitados e presos a um argumento irrealista e muito, mas mesmo muito, previsível. É por essa razão que não vejo telenovelas. No entanto chamaram-me à atenção para esta. Diziam-me que era moderna e inovadora, que rompia com os tradicionais clichés das novelas da Globo. Passei os olhos por alguns episódios e, por uma vez ou outra, fiquei surpreendido com os temas com que alguns personagens se relacionavam. Gostava, sobretudo, dos minutos finais, onde alguém pessoalmente partilhava uma "página" da sua vida.
Trissomia 21, a adopção, o HIV, o racismo, os casais homossexuais... De certa forma é óptima iniciativa abordar-se estes assuntos numa novela de prime-time, mas também é preciso ter atenção à forma como eles são abordados. Se é muito agradável ver uma criança “especial” bem integrada num ambiente familiar acolhedor e em todo o enredo da história em geral, já coloco reticências a toda artificialidade de gestos e palavras que lhe incutiram. O problema dos argumentistas das novelas é sempre o mesmo: nunca saberem onde acaba a realidade e começa a palhaçada. Porque se realmente o objectivo é mudar mentalidades, instruir, há que fazê-lo com seriedade e preocupar-se, por exemplo, com a abordagem das principais causas do problema em questão. Pelo contrário, se parte para a escrita de uma novela com os propósitos que nunca irão para além do entretenimento light e de contar a história “perfeitinha e cor-de-rosa” que se limita a tocar muito ao de leve em alguns desvios à regra só para parecer diferente e “moderno”, vale mais evitar vulgarizar esses assuntos importantes, deixá-los para outro tipo de programas e ficar-se somente pela enésima variação da história da Floribela para graúdos.

segunda-feira, julho 16, 2007

A maioria dos lisboetas querem saber da sua cidade?

Tendo em consideração os valores da abstenção nas eleições de ontem, aparentemente, nem por isso, mas parece – pelo que se viu na TV, durante as intervenções junto dos “apoiantes” de António Costa - que os septuagenários de Famalicão, Cabeceiras de Basto e do Alandroal, querem.


sexta-feira, julho 13, 2007

Já me transferiam para Marte

Dominam as conversas de almoço dos meus colegas de trabalho e os temas de fóruns na internet, fazem notícias de primeira página em tudo o que é jornal desportivo, recebem igual destaque nos “telejornais”... Obviamente que só poderia estar a falar da contratação e transferência de jogadores entre clubes de futebol. Até a Judite de Sousa quer saber quem são os novos reforços do Benfica!
Fora da época de jogos, os verdadeiros adeptos da “bola” arranjaram um tema substituto para as suas discussões, que por vezes conseguem ser ainda mais acesas que qualquer grande derby de fim-de-semana.
Não os entendo. Defende-se que a compra de determinado jogador possa ser, de facto, a solução milagrosa para a próxima época. Opina-se sobre o favoritismo de um em detrimento de outro que o clube rival foi buscar. Os futebolistas estrangeiros já são vistos como futuros craques e há clubes que praticamente todos os dias anunciam uma novidade para o seu plantel. Por exemplo, o F. C. do Porto, para acelerar o processo de contratações e evitar burocracias, está a pensar abrir uma delegação da embaixada da Argentina no Estádio do Dragão. Discute-se, convictamente, negócios de milhões dos outros como se fossem deles. Fala-se em “ética” e “amor à nova camisola” ao mesmo tempo que se muda de clube (quase) com a mesma rapidez com que o Paulo Portas fica bronzeado e ignora-se, por exemplo, o caso do tal avançado brasileiro, segundo melhor goleador da época passada do S. C. de Braga, que foi “passar férias” à terra natal, não mais regressou e consta que já é titular de uma grande equipa do... Chipre! Enfim, fala-se tanto e eu sinto-me um verdadeiro alienígena ao tentar compreender este “futebolês”.

E o festival de verão do ano é...


segunda-feira, julho 09, 2007

O capuchinho do século XXI faz sexo virtual!

Menores têm sexo virtual a troco de carregamentos de telemóvel !?

Novidade!?
A imagem do lobo e do capuchinho vermelho que acompanha esta notícia na edição de ontem do DN explica tudo. Depois das histórias, também já reveladas na comunicação social, das “porcas no Hi5” e dos “engates nos chats de teletexto (da SIC e TVI)”, até quando os pais (e jornalistas) deste país vão ficar de braços cruzados a rabujar contra os “patifes da internet” e a achar que os seus filhos continuam a ser meras vítimas inocentes destas histórias?

Os falsos individualistas

Ora aqui se apresenta um exemplo de como uma bela ideia pode-se transformar num belo disparate. A reportagem até parte de um pressuposto muito interessante: dar a conhecer melhor os individualistas numa sociedade que sempre teve uma grande tradição em princípios colectivos, como é a nossa.
Na última edição da revista “Sábado” pode-se ler um artigo intitulado “Mais vale só que acompanhado” que retrata a vida de quatro portugueses (auto-)denominados “individualistas”. A Célia, de 32 anos, administrativa, é a primeira a ser abordada e diz que adora ir jantar fora, ir ao cinema e ir à praia... sozinha! Confessa que tem amigos mas que “recusa imensos convites porque quando estou só, muita coisa pode acontecer”, continua: “é incrível como os rapazes se metem com uma rapariga que encontram sozinha”. Humm... Lamentavelmente vou ter que ser eu a transmitir a novidade à Sra. Jornalista da “Sábado” e à própria Célia: isto não é individualismo, é uma manobra de engate. Batidíssima, diga-se de passagem.
Fiquei com esperanças de que os próximos casos apresentados dessem um bom contributo do que é ser individualista em Portugal mas, antes pelo contrário, são ainda piores! O próximo testemunho diz que só gosta de fazer surf (e pouco mais) sozinho, “para o resto prefere ter companhia”. Ok. Mas qual era a ideia oposta? Levar a namorada, a passear, na ponta da prancha? Seguinte! A senhora “secretária” de 46 anos diz que adora fazer grandes jantaradas para os amigos mas que desistiu de ir ao cinema acompanhada, pois “detesta conversas durante os filmes”. Eu agradeço profundamente o seu acto cívico, mas tal por si só não faz desta senhora uma individualista por natureza. Por fim, o “estudante” de 25 anos diz que viaja muito e sempre sozinho e que nos locais que visita acaba sempre por conhecer futuros amigos. “Quando se está sozinho, as pessoas aproximam-se mais”. É verdade, e por falar nisso, já conhece a Célia?
Um individualista não é, de todo, um solitário mas há que esclarecer o seguinte: as pessoas estão mais autónomas é um facto – positivo, na minha modesta opinião - mas isso não chega para alcançarmos uma definição perfeita de individualismo e muito menos quando se baseia, unicamente, num acto isolado. Por essa lógica, imaginemos que estávamos numa amena cavaqueira com o nosso grupo de amigos num bar e nos dava aquele “apertozinho na bexiga”, ao mesmo tempo que dizíamos que íamos “só ali ao privado”, automaticamente recairia sobre nós a acusação de sermos uns “grandessíssimos individualistas incontinentes”, ou qualquer coisa parecida.

quinta-feira, julho 05, 2007

Paranóia parte... tudo?

Aprender hoje, praticar amanhã

Partindo do pressuposto que, ao contrário da capacidade dos nossos discos rígidos, o espaço cibernético é ilimitado e que a (consequente) criação de directórios - index - de ficheiros tem crescido vertiginosamente nos últimos tempos em páginas pessoais (e não só), faz algum sentido que “amanhã” quando procurarmos um ficheiro recorramos a um motor de pesquisa mais eficiente em vez de procurá-lo pelo e-mule, limewire ou outros softwares p2p similares.
Na minha opinião, passa, então, por aqui o futuro de partilha de informação áudio e vídeo, via internet. Obviamente que a busca para dar bons resultados necessita de ser bem desenvolvida. Por isso é fundamental restringir da melhor forma as nossas pesquisas. Aqui fica então um pequeno e instrutivo vídeo (em inglês):

http://www.break.com/index/cool-google-search-trick1.html

segunda-feira, julho 02, 2007

Rosa XXXoque



Sim, o equipamento secundário do Benfica para a próxima época é cor-de-rosa e daí?

A conjugação com o cinzento até fica bem catita e este clube já teve equipamentos bem mais medonhos. Para não falar que na falta de qualquer camisolita destas, sempre se pode pegar numa do equipamento principal, lavá-la a 90º e obter-se o "rosinha" pretendido. Poupa-se uns trocos e os nossos jogadores da Luz irão surpreender tudo e todos quando chegarem aos relvados vestidos com um magnífico (e muito sexy) "top".

quarta-feira, junho 27, 2007

Praga

Vieram para ficar. Estão aí por tudo o que é semáforo e entrada de grandes edifícios. Os jornais de distribuição gratuita já são pelo menos três e agora até já trazem brindes e tudo. Ideia que é uma espécie de cópia pobrezinha de outras publicações de banca. Não deve faltar muito, então, para o Destak, o Metro ou o Meia Hora começarem a oferecer peças de faqueiros... É a nossa oportunidade de começarmos a vingança junto dos distribuidores!

segunda-feira, junho 25, 2007

O homem mais infeliz do mundo

Mário tem actualmente 32 anos, conheceu a Sónia ainda no período do liceu e casaram-se assim que arranjaram um primeiro emprego. Consta que houve, entretanto, um período de namoro que supostamente terá sido curto. Demasiado curto, talvez. Ele casou com a primeira rapariga com quem namorou. Pelo que conheço do Mário, não justifico isto por pressões de ordem externa, acredito mais em actos premeditados e em vidas demasiado lineares onde não haja sequer tempo e espaço para serem colocadas, como mera hipótese, outras probabilidades de rumo a seguir.

A felicidade é um conceito ambíguo. No início deste mês foi a minha casa desabafar. No início da conversa, arremessa-me logo com isto: “aparento ser um homem muito feliz mas, na verdade, sou o homem mais infeliz do mundo”. Se havia modelo de vida feliz, a todos os níveis, seria aquela que Mário levava. Por tal, imagine-se o tamanho do meu espanto!
Mário não será certamente o homem mais infeliz do mundo mas compreendo-lhe a sua frustração, da vida que tem e que não quer ter. O problema nem é pensar que podia ser mais feliz se tivesse optado por outra hipótese de vida, o problema é pensar que não tinha, ou que não tem, outras hipóteses de vida. E de facto tinha e tem. Mas nem todas pessoas encaram essa opção de mudança com a mesma facilidade. Ele é altruísta e, certamente, prefere não magoar a esposa e incomodar a restante família com a opção de um divórcio, mesmo que para isso tenha que pagar um preço bem alto: o da sua própria felicidade. No entanto está completamente iludido em relação ao ideal de felicidade que criou. Diz que inveja a minha vida de solteiro, a minha independência, como se estas condições fossem suficientes ou um sinónimo incondicional de se ser feliz.
É legítimo perguntar-se: quantas mulheres Mário precisará de conhecer para ser (mais) feliz? E a Sónia, será feliz?

O pior está/estava para vir. Continua a conversa dizendo que Sónia está novamente grávida. “Sinto que morri por dentro. Não quero ser pai. Não gosto de ser pai.” Fiquei (ainda) mais perplexo, chocado, até. Nunca imaginei ouvir isto da boca de algum homem e muito menos da dele. Sei que há quem não tenha quaisquer atributos para esse fim, que há quem não faça a mínima ideia do tipo de responsabilidades que a paternidade acarreta, mas confesso que dito assim, desta forma directíssima, tudo me soa da pior maneira possível. “Mas fui e sou forçado a sê-lo por força das responsabilidades que assumo, mesmo com sacrifício para mim...”.

Os incompreendidos serão sempre incompreendidos. Segundo igualmente palavras dele: Mário nunca traiu a mulher. Mas já procurou e continua a procurar uma “amiga” pela internet, alguém que colmate essa “pequena” falha emocional. Ele, ao contrário de muitos, não anda a procura da queca rápida, do sexo alternativo ao que terá por casa. Ele procura conhecer a rapariga que não conseguiu conhecer no período devido para esse efeito.
Mete-me uma certa pena saber que os anúncios do Mário misturam-se com tantos outros que pouco ou nada se assemelham ao seu caso. Não quero com isto dizer que a sua infidelidade seja menos condenável do que qualquer outra, quero simplesmente dizer com isto que os seus objectivos são menos comuns e, justamente por essa razão, menos compreensíveis. Pelo menos é sincero, não esconde a sua condição de casado, nem as suas verdadeiras intenções. Deve ser por isso que ainda não encontrou correspondente. O problema não estará certamente na forma de abordagem, porque aqui seguramente, e “ponho as mãos no fogo” por ele, dará muitas lições a mim e a outros homens no que toca a matéria de respeito e honestidade.
Mário sempre foi um rapaz ligeiramente inseguro. Inseguranças sobretudo relacionadas com a sua aparência. Completamente infundadas, diga-se de passagem. Mas contou-me que estes pequenos contactos virtuais têm, pelo menos, o ajudado a melhorar a sua auto-estima.

Regresso à escola. Ri-me bastante com um dos últimos telefonemas que ele me fez. Na passada sexta-feira foi fazer um exame de Matemática e ligou-me a dizer que o exame tinha corrido bem, mas também disse que estava rodeado de raparigas muito bonitas. Queria partilhar a sua alegria, ao mesmo tempo que as contemplava a uma distância segura. “Há aqui raparigas tão giras e atraentes... pena não lhes poder tocar... ahaha!”
Pode ser o princípio de qualquer coisa: Mário quer voltar a estudar. Vai tentar entrar na faculdade este ano. Quer melhorar o seu currículo e eu acredito nisso. Mas também sei que esta decisão terá outros propósitos para além dos profissionais: é o pequeno passo para a sua “libertação”.


Caso não tenham percebido, trata-se de um caso verídico e os nomes são, obviamente, falsos.

sexta-feira, junho 22, 2007

Ainda há preços amigos?

Já está á venda na funaque! 14.90€. Pode não ser caro mas também não lhe chamava "preço amigo". "Amigozinho colorido", vá lá.

quarta-feira, junho 20, 2007

8 x lol

A notícia é do início do mês, mas mais vale rir agora que nunca!
lol1
Margarida Vila-Nova e Nicolau Breyner são os dois actores escolhidos para vestirem a pele das personagens inspiradas em Carolina Salgado e Pinto da Costa, a partir de uma adaptação livre do romance ‘Eu, Carolina’, já na sua 14.ª edição.
lol2
Corrupção será realizado por João Botelho e escrito em parceria com a jornalista Leonor Pinhão, sua mulher, competindo à Utopia Filmes, – a mesma de ‘O Crime do Padre Amaro’ –, a produção da longa-metragem e a distribuição à Lusomundo. O título, provisório, representa uma homenagem a Fritz Lang, que na década de 40 dirigiu ‘Big Heat’ – em português ‘Corrupção’ – e o projecto custará mais de um milhão de euros. Se tudo correr como esperado uma série televisiva dará continuidade ao sucesso expectável da exibição nos cinemas.
lol3
A expectativa é grande e, apesar da garantia da argumentista de que esta “não será jamais uma adaptação literal do romance mas sim uma ficção a partir do tema”, logo se verá se, de facto, se confirma a expressão (também sublinhada pelo cineasta) – “qualquer semelhança com a realidade é pura ficção”.
lol4
(em entrevista, Carolina Salgado, "ponderadamente", responde às "brilhantes" perguntas do jornalista)
– E está prevista a filmagem de alguma das cenas no Estádio do Dragão?
– Não. Creio que o FC Porto não iria dar autorização.
lol5
– E no Estádio da Luz?
– Também não.
lol6
– Vai ser um filme classificado para que idade?
– Para maiores de 18 anos, dado que vai ter algumas cenas escaldantes.
lol7
– Quer concretizar algumas dessas cenas?
– Não posso, até porque ainda estão a ser discutidas. Mas uma coisa posso dizer, o filme vai prender os espectadores do princípio ao fim.
lol8
Fonte: Correio da Manhã

terça-feira, junho 19, 2007

Um achado:

o jovem espanhol proprietário de um carro 100% de origem e que circule, no mesmo, com o volume do rádio não audível a um raio de um quilómetro.

segunda-feira, junho 18, 2007

Ustedes tão gozando con nosotros

A notícia da ameaça de greve de fome por parte de uma família da região da Andaluzia (Espanha) abria, na semana passada, um dos noticiários de um dos canais regionais de televisão. Parece que o casal (ele, ela e mais uma filha adolescente) sobrevivia com pouco mais de 600 euros mensais. Rendimento este, proveniente do salário da esposa, já que ele “suplicava” por um emprego. Daí a ameaça da greve de fome, daí a “reportagem-choque”... daí a minha perplexidade.
Os espanhóis têm, genericamente, salários muito superiores aos nossos, recaem sobre os produtos que adquirem uma menor carga fiscal e, consequentemente, podem ir a um Carrefour, a um Dia, a um Plus ou a um Lidl e qualquer bem (mais ou menos) essencial que comprem, custar-lhes-á menos - confirmei que há preços, dos mesmos produtos nas mesmas superfícies comerciais, escandalosamente díspares - que se o comprassem em Portugal, abastecem os seus carros de gasolina, numa qualquer Galp em território espanhol, a menos de 30 cêntimos o litro, não pagam portagens quando circulam em grande parte das suas auto-estradas... e ainda lhes sobram motivos para iniciar uma greve de fome. Estão a gozar connosco, não?

sexta-feira, junho 08, 2007

Os milagres no Cabo Espichel

Maria do Carmo, de 58 anos, toma conta de Igreja da Nossa Senhora do Cabo há 23 e garante que já assistiu ali a “muita coisa”. Assim começa uma notícia publicada no JN, de sexta-feira da semana passada. O Cabo é o Espichel e a “muita coisa” são os suicídios.
A reportagem supostamente seria exclusivamente para informar do encerramento do acesso à zona da falésia deste Cabo nos arredores de Lisboa por falta de condições de segurança. Tem acontecido com alguma frequência alguns “acidentes” naquela zona, mas parece estes têm sido todos, ou quase todos, intencionais. Pelo menos é esta a opinião, segundo o jornal, da Dona Maria do Carmo e do comandante dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra. No ano passado, segundo os dados da corporação a que este comanda, registou-se cerca de uma dezena de casos. Não são números para concluirmos que o Cabo Espichel é a nossa floresta Aokigahara (junto ao Monte Fuji) no Japão - local mítico de eleição dos suicidas japoneses - mas são dados preocupantes, de facto. As pessoas escolhem os sítios mais bonitos para passearem, para namorarem, para dar uma queca, para meditarem... e para morrerem.
Uma falésia, um local onde acaba a terra e começa o mar. A metáfora: “o fim da vida e o início da morte”?!

“Com os carros lá fora é melhor porque a pé não têm tanta coragem para se mandar lá para baixo”, acrescenta a Srª. Maria.

Bom, em situações de desespero extremo as pessoas suicidam-se em qualquer local, através de qualquer meio, mas não é o desespero que os leva ali. É a esperança. A pouca esperança de que envolvidos por uma paisagem bonita se encontre algum vestígio de felicidade e de sentido para uma vida já tão pouco desejada. Por outro lado, isto também pode ser uma ilusão pois em situações altamente depressivas tudo o que nos rodeia deixa de ter qualquer significado. Por mais belo que seja... Naquele momento e naquele local, com tantas outras perspectivas de contemplação, só um (desconhecido) horizonte, lá ao fundo, parece fazer sentido. E aparecer alguém, como a Srª. Maria do Carmo, em seu auxílio pode ser mesmo um autêntico milagre. Basta, no fundo, aparecer só alguém que o oiça ou que lhe dê um sentido abraço. Tão pouco quanto isto.


Vou fazer uma pequena viagem até ao sul de Espanha. Despreocupai-vos: é para junto da costa mas não é para visitar qualquer “Cabo”. Estou de regresso assim que passe a próxima semana. Hasta!

quarta-feira, junho 06, 2007

E você, conhece verdadeiramente a pessoa com quem se deita todas as noites?

Para quem viu ontem o programa “Centro de Saúde” (RTP1), emotivo mas muito esclarecedor, já não tem desculpas para não entender a ultima campanha publicitária da Coordenação Nacional de Infecção VIH/Sida (CNIVS). “E você, sabe o que trás consigo para casa hoje?”
A campanha do preservativo está completamente vulgarizada: toda a gente já sabe que o deve usar mas quando chega o acto em si, toda a gente usa mesmo ou deixa-se levar pelos seus instintos mais básicos? Este é um assunto demasiado importante (e fatal) para ser tratado com campanhas meramente lúdicas e/ou informativas. Deve-se pegar nas principais causas do problema e usá-las sem rodeios nos anúncios, não tendo receios de poder vir a chocar as mentes mais pudicas, como aquelas que ainda acreditam, por exemplo, que “o casamento tem contribuído para a regulação dos impulsos sexuais”. Penso que estamos no caminho certo. Que venham, então, mais “Centros de Saúde” e campanhas como esta.

Entretanto lembrei-me de um excerto de uma crónica de Frederico Lourenço que a Sandra publicou no seu blogue e que se pode julgar, à partida, completamente descabido enquanto se aborda este tema. Mas, acreditem, isto faz sentido. Passa sobretudo por uma questão fundamental e que poderia ser o sub-slogan da campanha da CNIVS : “E você, conhece verdadeiramente a pessoa com quem se deita todas as noites?”. Isto será só um dos potenciais exemplos.
Não é necessário passar a desconfiar de tudo e de todos mas há que, pelo menos, questionar ideias feitas como a que expus aqui há dias e fiz referência no parágrafo anterior.

«(...) A intenção de Yourcenar era dizer que a esfera íntima da mulher é inacessível ao homem: nunca nenhum homem saberá ao certo o que se passa na vida de uma mulher. Só que o reverso também é válido. Sobretudo no nosso país, no qual se verifica que, nos pontos de encontro onde homens se reúnem com outros homens para convívio e sexo desportivo, a maioria deles tem aliança de casamento. Logo, está em causa uma esfera íntima inacessível às respectivas mulheres; se calhar, felizmente inacessível, do ponto de vista dos maridos para quem tal desporto não põe em causa a vida familiar.
Aliás, talvez nem ponha em causa a própria heterossexualidade. Se essas mulheres perguntassem aos maridos "és gay?", eles responderiam, veementes, que não. Na verdade, um homem que vive, satisfeito, uma vida familiar heterossexual, mas que gosta de se divertir sexualmente com outros homens "entre parênteses", não é gay.
É o quê, então? (...)»
["O Seu Marido É Gay?". Valsas Nobres e Sentimentais. Frederico Lourenço. 2007]

segunda-feira, junho 04, 2007

Da Buraca para o mundo

Com o Verão à espreita, entramos na época de festivais de música. São cada vez mais e com cartazes cada vez mais extensos e diversificados. Não há banda, por mais alternativa que seja, que não venha até cá. Excepção feita, para infelicidade minha, às Electrelane. :( Adiante... Mas com tanta importação de artistas, não há nenhuma banda portuguesa que nos deixe orgulhosos em participar num festival de música no estrangeiro?
Há e não é em um, mas em, pelo menos, quatro: Glastonbury Festival, no dia 30 deste mês, Roskilde Festival, a 14 de Julho, Exit Festival Novi Sad, na Sérvia, dia 21 de Julho e no Pantiero Festival (Cannes) em Agosto. E quem são eles?


Editaram um EP o ano passado (reeditaram o mesmo este ano) e já fizeram remisturas para MIA, Bonde de Role, Da Weasel, bem como uma excelente versão de “Noise Won't Stop” dos Shy Child. Os BuraKa Som Sistema são mesmo muito bons e por tal nem deveria estar assim tão surpreendido com o seu "sucesso" lá fora.
O Kuduro electrónico à conquista da europa e do resto do mundo. Yah!

sábado, junho 02, 2007

PriorIdades

Enquanto os pais discutem, eternamente, se acham bem ou mal que a RTP2 tenha passado ontem (20:30) um vídeo (didáctico) que ensina aos seus filhos como se faz o “truca-truca”, estes, lá na escola, por um tão simples instinto natural, já devem ter posto a mão por baixo da saia da menina ou dentro da calça do menino. Curiosidade e inocência. E é também tão natural que os filhos achem bem mais interessante os bonecos que estejam a passar no canal Panda do que ficar a saber que uma vagina possa ficar “molhada” ou um pénis possa ficar “duro”, tal como os pais o inverso, certo? Humm. A não ser que este filmezito tenha, afinal, outro público-alvo...
Depois de visualizá-lo, se as crianças passem ou não a vulgarizar o sexo torna-se irrelevante comparado com o facto de se ter arranjado assunto para mais umas 135 crónicas do Abominável Homem (César) das Neves. E se fossem fazer mais filhinhos, mazé?

segunda-feira, maio 28, 2007

Um mercado paralelo invertido

Tenho uma amiga que procura uma casa para comprar. Inicialmente ainda viu alguns apartamentos no centro de Lisboa mas face aos requisitos e condições que pretendia e após algumas visitas efectuadas, o seu desânimo dificilmente poderia ser maior. Entretanto começou a procurar nos arredores da capital. Aí já começaram a surgir algumas boas oportunidades. Tinha no entanto de ponderar o facto de poder ter uma boa casa a um preço menos especulado mas com a condição de estar mais longe da cidade que ela tanto gosta.
Este foi o ponto de partida para a nossa conversa do fim-de-semana passado. Sabendo ela que eu já teria passado pelo mesmo processo de “busca de poiso”, confrontou-me com algumas situações que, a maioria delas, acabariam por não me causar grande espanto.
Colocou logo de parte a margem sul. Provavelmente influenciada pelos mais recentes comentários do ministro das obras públicas... Um deserto não é o melhor local para se morar, mas por outro lado, se não “há nada” do outro lado do rio Tejo, vale sempre a pena questionar: de onde vem toda aquela gente que enche a ponte 25 de Abril todas as manhãs?
Zona de Loures? “Esquece... Calçada de Carriche!”
Amadora, Queluz, Damaia, ... “IC19!”
Ok. Percebi logo onde queria chegar. “Também queres vir morar para a linha de Cascais?”
“É para onde me tenho virado mais...”
Começa-me a falar da disparidade de preços entre várias zonas. Zonas estas pouco distanciadas umas das outras e sem justificação óbvia para que tal aconteça. Não se refere à diferença de preços entre um T2 num dos andares do amontoado de torres de S. Marcos (entre o Cacém e Porto Salvo) ou das urbanizações “J. Pimenta” junto da praia de Paço de Arcos e qualquer um outro apartamento, com essa mesma tipologia, num condomínio fechado junto da marginal. Refere-se à disparidade de preços entre um apartamento novo ou recente em Queijas (não muito longe do Estádio Nacional) e qualquer outro, com as mesmas características, localizado na vizinhança: Porto Salvo, Linda-a-Pastora ou Valejas. “O que é que Queijas tem assim de tão especial?” Rigorosamente nada! “Os apartamentos têm mais qualidade? Há melhores acessos?” “Não e não.” Trata-se de pura especulação de preços. Uma espécie de “mercado paralelo invertido” em que há uma estranha sintonia de interesses: para quem compre ou vende, acha perfeitamente razoável que um T2, sem grandes luxos, possa valer mais de 200.000 euros. “Paga-se a zona?” Paga-se um nome, uma marca. Queijas passou, à relativamente poucos anos, a ser uma das “marcas” com mais credibilidade na periferia de Lisboa. “E a mensagem vai passando...” E o capital também. Isto foi só um dos maus vícios que se criou com o crescimento, nos anos 90, do novo-riquismo e das “pseudo” classes média-alta em Portugal em geral, na linha de Cascais em especial. Repare-se que as classes altas desta zona não vão preterir a segurança e a qualidade de vida de viver num condomínio fechado com uma vista desafogada para o mar em detrimento de um “apartamentozinho” de 80 m2 com aspiração central e música ambiente, com uma vista desafogada para... uma auto-estrada. Mesmo que localizado num bairro muito, apesar de tudo, mesmo muito chique! Ter muito dinheiro e pensar que se o tem, sempre fez toda a diferença.

sexta-feira, maio 25, 2007

Resmas... Paletes de Cicciolinas!


Para quem foi ontem à noite ao Pavilhão Atlântico, e ficou nas filas da frente, perceberá como um concerto pode valer bem mais que todos os "salões eróticos" já realizados e por realizar em Lisboa.

quinta-feira, maio 24, 2007

Os casamenteiros limitadinhos

“O casamento tem contribuído para a regulação dos impulsos sexuais...”

Este senhor professor doutor investigador em biotecnologia acredita que o casamento é a solução para quem não esteja “suficientemente empenhado em relações permanentes”. E eu a pensar que “não casar” seria uma opção a ter em conta! Então, lamentavelmente, tenho que corrigir tal afirmação. Nestes casos, os impulsos sexuais não se regulam, escondem-se! Porque, como o senhor professor doutor investigador tão bem sabe (e vê!), não há “instituição”, por mais “milenar” que seja, que controle algo tão incontrolável como o desejo (carnal).
Mas gastar mais uma palavra a dissecar sobre este assunto torna-se um acto completamente inútil. Quem defende o casamento sem restrições, o seu campo de visão está delimitado ao espaço que vai do seu umbigo às teorias da “instituição milenar” e da “castração”. Quem o vulgariza, acha que ele não deve passar de um contrato de direitos e obrigações entre os cônjuges e que os seus afectos são pormenores secundários. Com tantas convicções, perder tempo para quê?

terça-feira, maio 22, 2007

Beijinho boooommm!

“A direita portuguesa é uma espécie de herdeira do absolutismo do século XIX, mantêm o absolutismo sobre os valores e não tem um discurso de respeito dos direitos dos outros, dos direitos individuais” critica Pires de Lima, em declarações ao jornal Público, acrescentando que o CDS tem de “reconhecer o direito de uma pessoa não ser julgada pelas suas opções de vida.”

O facto de tais palavras virem de um elemento do partido mais à direita do nosso parlamento já pode ser um progresso. Agora só resta que ele, os restantes deputados do CDS e a direita conservadora em geral, entendam que uma nacionalidade ou uma orientação sexual (por exemplo) não são “opções de vida”.

Mais à frente, nessa entrevista, diz que esta preocupação com os direitos individuais não significa que o CDS não seja contra o reconhecimento desses direitos.

Então, podemos todos dormir muito mais sossegados pois vamos passar a ter um partido na AR que - apesar de acharem os nossos “direitos individuais” uma coisa imensamente aborrecida e já terem garantido que não sairá da sua bancada um único voto a favor de qualquer proposta de lei em benefício dos mesmos - vão demonstrar a sua preocupação mandando-nos uma espécie de “beijinho booommmm”. Tá a ver?

domingo, maio 20, 2007

Tradição

A tourada é uma tradição. Uma tradição que só não foi criada pela Inquisição porque, provavelmente, na Idade Média ninguém se lembrou de que os cornos dos touros podiam estar associados a Satanás.

(Já dizer que a raça do touro bravo só ainda não foi extinta porque existe as touradas é de uma hipocrisia latente. Com uma mão passa-se, carinhosamente, com a mão pelo o lombo, com a outra espeta-se-lhe um ferro!)

quinta-feira, maio 17, 2007

O homem é um animal de competição, por natureza

Juntei-me a um grupo de “amigos” e durante uma hora, num dia de semana, jogamos uma partida de Futsal, num complexo desportivo fechado.
Do grupo, poucos são amigos meus, são mais os amigos dos amigos e mais ainda, os amigos dos amigos dos amigos. O que é certo é que o grupo tem variado e aumentado desde que se começou com estas partidas. Na prática somos uns 11 ou 12 gajos com vontade de divertirmo-nos um pouco e cansarmo-nos... muito. A relva sintética, por onde corremos, tem essa particularidade: menor aderência obriga um esforço redobrado nos arranques e paragens. Mesmo usando os famosos sapatos com pitons – que não passa de um sapatinho com saltos altos em toda a superfície da sola, e obriga imediatamente a que passemos a usar aquele caminhar desajeitado dos futebolistas... mas é puro estilo, como diz o outro – que dão um certo apoio nesta área (aderência). Convém relembrar, também, que tratando-se de um campo coberto e não tendo luz natural, obriga a que pairam sobre as nossas cabeças uma dezena de focos potentíssimos - tal permitiria que um elemento de investigação da série CSI encontrasse com facilidade, a olho nu, um pelo púbico no meio daquela relva e desvendasse mais um caso – que transformam aqueles campos numa espécie de saunas de grande escala. Passando o exagero, dá para ficarmos com a roupa encharcada de suor e perdermos uns bons quilitos.
Somos amadores nesta prática desportiva, mas também já tem aparecido, para jogar connosco, alguns jogadores federados de um clube da região. É sempre bom ter por lá alguém que nos vá ensinando como se joga decentemente. Ou pelo menos, entre fintas à Ronaldo, vão tentando. Dos 16 anos aos quarenta e muitos, há para todas as idades e estaturas. Aparentemente, aqui, não há conflitos geracionais.
É interessante perceber, analisando exclusivamente (e a maior parte destas pessoas eu só os vejo ali, naquele campo, uma vez por semana) a forma como jogam, passam a bola ou não, reclamam por uma falta, o “fair-play” em geral, como interagem com o resto da sua equipa e com a equipa adversária, como tal pode repercutir-se na sua maneira de ser e de estar em outros ambientes. Há muitos jogadores esquecem-se que o Futsal, ou o Futebol em geral, é um desporto colectivo e isso pode significar muito mais que uma forma pessoal de encarar um jogo. Pode ter reflexos em toda uma vida social.
É também curioso constatar o facto dos elementos da equipa que saem daquele campo com mais golos sofridos, sejam os mais taciturnos nos balneários. Às vezes o rancor é tanto, que se “esquecem” de despedir dos amigos! Por momentos, esquece-se afinal a razão principal pela qual estamos todos ali e a competição, por mais que não o admitamos, invade-nos totalmente o espírito durante aqueles 60 minutos de chutos numa bola.

E por falar em balneários. Quem conhece os balneários dos futebolistas, sabe que são por si só diferentes e o que se passa lá dentro não tem comparação com qualquer outro tipo de balneário. A não perder, mais pormenores, num próximo post.

terça-feira, maio 15, 2007

:-)

Se a curto prazo houver uma súbita ausência de novos posts, informo, desde já, que é por um bom motivo!
Não é todas as semanas que o meu agregado familiar aumenta e que, consequentemente, sobre tal novo elemento recaia grande parte da minha atenção.

Nasceu não sei quando, nem sei onde, mas consta que pesa mais de tonelada e meia e é os olhos do pai... O que posso garantir mais convictamente é que a única coisa que se abriu para o “dar à luz” foi a imaginação de um designer (de olhos em bico?!) e o meu bolso. E doeu? Sim mas, como qualquer outra dor de parto, será devidamente compensada... espero.
Perfeito, perfeito era ele funcionar a leite. Assim não haveria consumos de 8 litros aos 100 (km), que me deixassem com o cabelo em pé. Às tantas optaria por comprar uma vaca como extra!
“Chorão ou não”, à noite, o meu “novo rebento”, por via das dúvidas, ficará na garagem.

segunda-feira, maio 14, 2007

Um homem desadmirável

Uma das "sócias" da S. A. mais conhecida da blogosfera escreve bem que se farta. Um exemplo:
Às vezes preferia não te admirar. Preferia que fosses homem desadmirável, que lavasses umas janelas ou entregasses umas pizzas e tivesses por ambição uma moto mais potente e um andaime para chegar aos andares de cima; que a Caparica fosse um lugar para excelentes férias e porque haverias tu de levar mais do que três pares de meias para duas semanas? Que palitasses os dentes com a mãozinha a esconder a boca porque é mais fino, que dissesses com licença depois dos arrotos, que achasses que a cerveja alemã é que era boa porque isso é que é de homem embora depois bebesses as imperiais sagres com mais gosto. Preferia que usasses pijamas de turco e tivesses cotão no umbigo, que das tuas orelhas e das narinas saíssem uns tufos, que tivesses pelos nas costas, que cheirasses a urinol público quando despisses as cuecas, que não cortasses as unhas dos pés. Preferia que só te risses de anedotas porcas e só gostasses de gajas de mamas grandes e que votasses sempre no gajo que os teus amigos te indicassem. Preferia que tivesses um crucifixo a balançar no espelho retrovisor e a penélope ainda colada no guarda lamas e até podias ter uns neons debaixo do subwoofer, embora gastasses depois o resto do orçamento a meter a moto toda de origem. Preferia que os teus restaurantes favoritos fossem aqueles de preço fixo onde poderias encher o prato até transbordar porque pagavas o mesmo. Preferia que pensasses que um minete era lá passar a língua duas vezes e depois toca a foder que amanhã temos que acordar cedo. Preferia, sabes? Às vezes. Que isto de admirar um homem é meio caminho andado para o amor e o amor dá uma trabalheira dos diabos.

sexta-feira, maio 11, 2007

Maddie

Nós acusamos os pais de leviandade. Os ingleses acusam a nossa polícia de incompetência, reclamando que o nosso segredo de justiça é incompatível com a sua exigência mediática. Eles vão pedir a sua revisão. Como irão pedir que passemos a falar melhor inglês, a circular pela esquerda e comecemos a comer peixe frito com batatas fritas. Ah esperem... mas isso já nós, allgarvios ou não, já vamos fazendo! Será que nos obrigarão, também, a ser monárquicos?

Agora que já se sabe tudo sobre a família, onde moram, como vivem, a sua religião, a opinião dos psicólogos, dos criminalistas, dos investigadores ingleses na reforma (que se deslocaram de popósito ao Algarve), a senhora do quiosque e o homem do talho... Só falta mesmo saber o paradeiro desta criança.
Acreditem que tudo isto passa a ser insignificante quando comparável com qualquer lágrima que tenha escorrido, nesta última semana, por uma das faces deste pequeno anjo.

quarta-feira, maio 09, 2007

Cala-te e escreve!


Eduardo Madeira, humorista e escritor.
A nível de espontaneidade é um mau humorista, os seus trocadilhos são muito básicos e regra geral, as suas intervenções são de tal forma non-sense que dificilmente sairiam da boca de uma criança de 5 anos. Na televisão, humor pior que o dele só naquele programa que o Aldo Lima fazia para a RTP. No stand up comedy não consegue manter uma postura credível, atrapalha-se, descontrola-se e não consegue parar de rir. E assim, por mais piada que tenha a “piada”, o resultado final nunca passa da mediocridade. E vale a pena falar dos “Cebola-Mol”?
Por outro lado, e surpreendentemente, escreve muito bem, é directo, coerente e certeiro nos textos que publica. Com algum humor e ironia lá vai dizendo umas verdades que alguns cronistas profissionais temeriam dizer – até podem dizê-las, mas só alguns é que entenderão e sinceramente, uma verdade subentendida vale quase tanto como uma mentira camuflada. Mas nada de confusões: a origem disto tudo está mais associada à escola "Produções Fictícias" do que aos textos do “Filme da Treta”. No entanto há por aí um livro de “estórias” por descobrir...
Felizmente um dos jornais com mais tiragem no nosso país percebeu isto a tempo e contratou-o. Há coisas, como as suas crónicas, que devem ser bem partilhadas.
Aqui está alguém que se pode aplicar a regra: perdoa-se os disparates que diz pelo bem que escreve.

segunda-feira, maio 07, 2007

Perspicaz




Orientação Fatal

Sir John Browne, (ex-)CEO da petrolífera BP, demitiu-se na semana passada, ou pelo menos, é (só) isto que tem vindo a ser noticiado nos jornais da especialidade. As verdadeiras razões desta demissão súbita – o Sr. Browne tinha anteriormente anunciado a sua saída da BP para Julho do corrente ano – provavelmente nunca iremos ficar a saber. Mas o que se sabe então?

Resumidamente: no ano passado um diário inglês noticiou um escândalo (quem diria!?) declarando que o “big boss” da BP terá usado meios financeiros, materiais e humanos da sua empresa para iniciar um pequeno negócio chefiado por Jeff Chevalier. Pareceu-me óbvio que tal notícia não merecia o destaque de primeira página dos tabloids ingleses se na altura daquela “falcatruazita”, Mr. Browne & Mr. Chevalier, não mantivessem uma relação afectiva e, já agora, se não tivesse sido o próprio Mr. Chevalier, depois de um “divórcio” pouco litigioso, a “dar com a língua nos dentes”. No fim de contas, a descoberta da orientação sexual do “chefão” da BP causou muito mais impacto nos meios de comunicação social do que propriamente a sua gestão negligente. Aliás, para os meios de comunicação social britânicos, para o conselho de administração da empresa, que até classificou os meios usados como “unfounded or insubstantive” e para o próprio juiz que tomou conta deste processo em tribunal. Pois parece que o único facto relevante que gerou mais dúvidas em todo o processo legal desencadeado por esta fraude, prendeu-se com o facto do Sir. Browne ter mentido, em audiência, no que diz respeito ao local onde o “casal” se encontrou pela primeira vez: ele disse que foi num parque, o ex-companheiro diz que foi num clube. E... ?!
Convém relembrar que este homem, comandou esta grande multinacional durante mais de 40 anos, deixou marcas incontornáveis e inovadoras na forma como incutiu o espírito de gestão extra-petróleo com preocupações humanistas e ambientais, tendo inclusive recebido um prémio da Greenpeace. As fusões com as companhias: Amoco, Arco e Castrol também foram lideradas por ele. Por outro lado também está associado, pela negativa, enquanto chefe executivo da empresa em questão, à explosão de uma refinaria no Texas que tirou a vida a 15 pessoas e mais recentemente a um grande desastre ambiental no Alaska, num dos campos de extracção de petróleo da BP. É importante referir que o seu lugar nunca foi posto em causa após a ocorrência de qualquer uma destas situações.
O conselho de administração da BP aceitou prontamente a sua demissão acrescentando: “a tragedy that he should be compelled by his sense of honor to resign in these painful circumstances". Pois… mas as “tragédias” aconteceram em 2006 e o “tempo de honra” há muito que passou. O que era mais difícil de deixar passar depois disto era um CEO gay ou melhor: um CEO gay-não-assumido-mas-agora-muuuuuito-conhecido.

A vida privada quando interfere na vida profissional pode ser prejudicial em muitas situações. Nesta foi fatal. E quando alguém diz que “ninguém tem nada a ver com isso”, em tempos de cusquice da vida alheia, da moralidade puritana e da desconfiança generalizada, parece que já está a querer passar o seu atestado de óbito profissional.

sexta-feira, maio 04, 2007

A fasquia

Já não bastava as palhaçadas do rei da ilha das bananas pequenas, Alberto João Jardim, o diploma do Sócrates e a polémica com a UnI, a bronca na CML, o cartaz do PNR, o vídeo da Elsa Raposo, o livro da Carolina Salgado, as escutas telefónicas envolvendo dirigentes desportivos e árbitros de futebol, as romarias organizadas para percorrer o Túnel do Marquês durante a sua inauguração, etc. , para considerar este 2007, um ano rico em tontices (por excelência) e ainda deparo-me com isto:

1. No dia 19 de Maio vai realizar-se, no Parque da Bela Vista, o Festival Creamfields. Supostamente um festival de música. No entanto a organização publicita agora um evento paralelo denominado “jantar no céu”. “Dinner In The Sky”, o nome original, consiste em um jantar numa mesa de 22 lugares suspensa a 50 metros do solo!
Uau! Dá vontade de perguntar: duh... nunca comeram num avião?

2. Vai realizar-se uma marcha em Lisboa e no Porto pela legalização da cannabis. A organização da marcha apela, no site oficial, para que as pessoas levem “roupa verde, tintas para o rosto - de preferência em tons de verde -, apitos de plástico, panos com slogans reivindicativos (mas não ofensivos), alegria, pequenas quantidades, djambés , pandeiretas”, entre outros “adereços”.
Oh god!

3. Recebido por e-mail e é uma notícia que circula já há alguns dias pela comunicação social:

“Apresenta aos domingos à tarde sintomas como: Taquicárdia; Aumento da tensão arterial; Tremores; Voz trémula; Falta de ar; Ruborização (corar); Náuseas; Diarreia; Mãos frias e suadas; Tensão muscular; Desconforto gastro-intestinal; Sudação excessiva (suar); Dificuldade de contacto a nível dos olhos?!
ENTÃO É PORQUE SENTE A FALTA DE PASSEAR DURANTE TODO O FIM DE SEMANA PELOS HIPERMERCADOS !!!COMBATA O SEU PROBLEMA APOIANDO A ABERTURA DOS HIPERMERCADOS 24H POR DIA!!!
Os hipermercados querem que o Governo altere a lei que os obriga a fechar aos domingos e feriados à tarde, classificando esta imposição como "discriminatória" e "anticoncorrencial". Nesse sentido, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) promove, a partir de hoje e até 20 de Maio, uma campanha de sensibilização, com recolha de assinaturas nos pontos de venda e na Internet contra a limitação de horários.”


Caramba, ainda nem chegamos a metade do ano! Na realidade, desde que organizaram (com sucesso) uma mega-feijoada sobre uma ponte, este país nunca mais foi o mesmo. O mais curioso é que parece haver entre algumas pessoas deste país uma acérrima disputa para tentar superar essa fasquia. A fasquia do ridículo e da parvoíce.

quinta-feira, maio 03, 2007

Declaração


A ideia de que o melhor rock tenha que ser tocado e/ou cantado por uma banda do sexo masculino e em inglês é um preconceito completamente ultrapassado. Poderia argumentar esta tentativa de desmistificação com vários exemplos retirados do já longo percurso da história deste estilo musical, mas vou limitar-me a fazer referência a uma das mais interessantes bandas do panorama musical actual.
As Electrelane formaram-se em 1998, em Brighton, Inglaterra. Em 2001 lançam “Rock it to the moon”, um disco de krautrock puro e duro. Um primeiro disco praticamente quase todo instrumental e, diria, face ao que fizeram posteriormente, experimental. “The power out”, o segundo disco, é o meu disco favorito destas senhoras. Juntam às guitarras e ao órgão, as letras em inglês, em alemão... e em espanhol! Rock mais directo e melódico. “On parade”, “Birds” e “Oh sombra!” são só três exemplos de clássicos instantâneos. “Axes”, de 2005, é também um disco magnífico e é uma espécie de “resumo da (melhor) matéria dada” nos dois discos anteriores. No verão do ano passado lançaram uma compilação com alguns b-sides, raridades, temas dos discos anteriores tocados ao vivo e a melhor versão de “I’m on fire” de Bruce Springsteen jamais feita.
Neste mês vão lançar “No shouts no calls”, o novo disco de originais. Outro disco quase perfeito com grandes canções rock. Talvez as mais “orelhudas” escritas por elas até hoje. Já é um dos discos deste ano.
Só falta mesmo anunciarem um concerto no nosso país. Ouvir os seus discos é uma experiência que me deixa extasiado, mas o que seria verdadeiramente fenomenal era vê-las a tocar ao vivo. Porque há determinadas coisas que não devem ser feitas à distância, como por exemplo uma declaração de amor. E eu preciso de lhes olhar nos olhos para dizer que as amo!

Os discos em questão estão à distância de um “save target as” neste directório.

quarta-feira, maio 02, 2007

Amor sem limites



Actualmente passa um filme na sala 6 do cinema Alvaláxia, em Lisboa, do qual ainda não tinha ouvido falar até ao momento que passei os olhos pelo folheto de distribuição gratuita dos cinemas Millenium. “Amor Sinistro” (Grimm Love, de Martin Weisz) teve uma estreia bastante discreta (só estreou nesta sala em Lisboa e em duas no Porto). Depois de o ver, de certa forma, entendi a razão. Trata-se de um filme perturbador e de difícil “digestão”.
Lembram-se daquele caso de canibalismo que chocou a Alemanha (e o resto do mundo), há poucos anos atrás, em que um homem colocou um anúncio na internet à procura de um outro homem para o comer (acrescento: literalmente)? Pois bem, “Amor Sinistro” baseia-se neste episódio macabro. Não é um filme de terror, ou pelo menos, e para desilusão de muitos fãs do gore que rumarão até aquela sala de cinema, não há cenas visivelmente muito chocantes ou aterrorizantes mas não deixa de ser um thriller muito tenso e psicologicamente agonizante. Tentar entender as razões pela qual uma pessoa desejaria tanto comer outra e, principalmente a predisposição desta a sujeitar-se a tal acto, deve ter sido o principal objectivo do argumentista de “Amor Sinistro”. Por isso incluiu no enredo uma estudante americana, com a missão de fazer uma tese sobre o caso. Do interesse à obsessão a distância vai ser muito curta. Ela acaba por acrescentar muito pouco à história (apesar do facto de ela assumir, no início do filme, as suas dificuldades em encontrar o seu próprio amor ser um dado muito curioso) mas vai ser através dela que vamos descobrir tais causas (como não poderia deixar de ser: lá teremos que regressar ao período de infância do canibal e da sua “vítima” para entender que estavam predestinados um para o outro) e é com ela que vamos ver (e sofrer com) o vídeo do acto de canibalismo filmado pelo seu perpetuador. Ela simbolicamente representará então o nosso lado mais voyeur e perverso. Sinceramente imaginar alguém a cortar, a cozinhar e posteriormente a comer um pénis não fará parte das minhas fantasias mais recônditas e muito menos incluiria tal acto como um ritual ou sacrifício de “amor” a seguir, mas penso que tenha alcançado a ideia geral do realizador deste estranho filme.

quinta-feira, abril 26, 2007

O meu ponto R(acional)

Só me foi dada a conhecer através do sítio do Markl. Felina é criticada – quase na mesma proporção que é elogiada – porque expõe a sua intimidade num blogue. Basicamente limita-se a descrever, com muita sensualidade, os jogos sexuais com o seu parceiro e o melhor que se pode tirar disto, é entender este seu orgulho com que o faz. Orgulho por ter uma vida sexual intensa e completa, saudavelmente partilhada em forma de prosa erótica. Não se trata de uma ideia original mas, ao contrário de outros blogues da mesma “família”, há que a congratular por fazê-lo através de uma linguagem cuidada e nada vulgar. O sucesso do seu “Ponto G” já deu frutos: há um livro publicado com os relatos da sua autoria. De resto nada mais nos devia surpreender ou não fosse o sexo, nas suas múltiplas vertentes, sinónimo de sucesso em qualquer tipo de “negócio”.

Do meu ponto de vista, Felina só falha num ponto. Não está directamente relacionado com as suas “histórias quentes” e está longe de ser uma falha consciente. O erro passa acima de tudo pela percepção que os seus leitores possam ter das suas palavras, nomeadamente quando a Felina-sexual se transforma na Felina-sexóloga. Um exemplo. Num dos seus últimos posts, ela responde a um e-mail de um “fã” que lhe solicita ajuda para tentar convencer a sua parceira a fazer sexo anal. Felina aborda, e bem (há que dizê-lo), o preconceito de algumas mulheres face a esta prática sexual, digamos, menos convencional. Entrando por uma vertente pedagógica – ela assume que não tem formação na área mas em contrapartida possui uma “experiência muito sólida” – acaba por dar conselhos bastante práticos que faziam corar a mais desinibida das conselheiras do diário da “Maria”. O “problema” começa aqui. Quem lê aquelas palavras e se reveja no caso, interpreta que a recusa da namorada em fazer sexo anal é um mero problema de tabus a ultrapassar. Pode ser... mas também pode não ser. Pode haver medo... mas também pode não haver qualquer prazer. Assumir por palavras bonitas e corajosas que todo o sexo é um dogma e que o preconceito é a resposta “chapa 5” para todos os “traumas” sexuais é pura fantasia e especulação. O prazer (mutuo) deve ser a base para uma relação sexual saudável e é só isso que está aqui em questão.
Por fim, e como já disse à Felina, se uma relação entra em crise só porque alguém não tolera a não predisposição do outro para submeter-se a uma “pequena dor” durante uma prática sexual, é porque há por aí algo bem mais importante em jogo que deve ser ponderado. Mas se há acordo de ambas as partes para que o masoquismo light ou a submissão compulsiva (e inconsciente) entre na sua vida íntima, já cá não está quem escreveu isto!

terça-feira, abril 24, 2007

Olha a série fresquinha!



Só há pouco tempo tive conhecimento de que a TVI andava a passar esta bela e premiada série. Já vai na segunda época e passa por volta das 2h30! Chamaram-lhe “De mal a pior”!

Com algumas traduções de títulos de filmes e séries que aparecem por aí, fico com a sensação que a pessoa que dava nome às revistas do Parque Mayer fez uma grande escola.
Assim deixo algumas sugestões para novas séries a ser adquiridas pela TVI, a passar no próximo horário que ficar livre entre as 4 e as 5 da manhã, ou pela RTP, a passar depois da hora de almoço no primeiro e quarto domingo de cada mês ou nos dias e nas horas em que o Nuno Santos lhe apetecer.

Entourage (HBO) – A vida é lindaaa
Oleg the taxi man (Fox) – O´leg olhó taxista
Are you smarter than a 5th grader? (Fox) – És esperto como o Sócrates?
Thank God You’re here (NBC) – Valha-me Deus, tás aqui tás ali!
Drive (Fox) – Prego-a-fundo
Law & Order: Criminal Intent (NBC) – O advogado é que decide
Medium (NBC) – Esfrega-me a bola de cristal

segunda-feira, abril 23, 2007

Monday bloody monday

Não adianta mantermo-nos pacificamente no nosso lugar porque qualquer pequeno passo que possamos dar já pudemos, inconscientemente, estar no meio de mais uma batalha. Pior do que estarmos desprevenidos para uma guerra não provocada, é confrontar com um inimigo que nos estende uma mão para cumprimentar e com a outra aplica o primeiro golpe.
E as batalhas mais sangrentas não são as que se limitam a abrir novos golpes, mas aquelas que reabrem as feridas que levaram tanto tempo a sarar.

sexta-feira, abril 20, 2007

Causa e consequência


A forte competitividade e a (consequente) desintegração social nas sociedades ocidentais têm destas terríveis consequências.
Os suicídios, entre outros comportamentos radicais, já provaram não serem suficientemente eficazes para tomarmos consciência disto. Às vezes é preciso apontarem-nos uma arma.

quarta-feira, abril 18, 2007

O melhor do pior

O balanço do mês de Março da oferta televisiva, realizado pela Associação de Telespectadores (ATV), uma das associações que representa o espectador (qual espectador?!), realça pela positiva programas como "Príncipes do nada" (RTP), "Missa dominical" (TVI) e "Livro de Reclamações" (SIC). Pela negativa, critica "Festival da canção" (RTP), "Hora H" (SIC) e "A bela e o mestre" (TVI).

Eles deviam ter que apontar um programa "menos mau" para cada canal e a "Missa" deve ser mesmo o melhor que a TVI tem para nos mostrar. Para além das pernas da Marisa Cruz, os olhos da Joana Solnado e o corpo de José Fidalgo.

segunda-feira, abril 16, 2007

É um Nissan "Cascai(s)" tá-a-ver?


A Nissan depara-se com um fenómeno anormal de procura de um veículo para o qual não estava minimamente preparada. Não estamos a falar nem de um típico veículo ligeiro, nem de um jipe, nem de um SUV… é uma mistura disto tudo! “O Melhor de vários mundos”, dizem eles. O Qashqai é um carro versátil, não catalogável, que não deixa ninguém indiferente e que acaba por abranger vários tipos de potenciais compradores. E o brilhante anúncio do “carro-skate” também marca a diferença.
Este carro tem tudo para ser um sucesso estrondoso (pelo menos enquanto não tiver concorrência) e ainda por cima tem um preço que não nos faz desaparecer do stand à mesma velocidade com que o Mourinho muda de ideias se quer ou não ficar no Chelsea. Está longe de ser um carro barato, principalmente se compararmos com os preços praticados em Espanha, mas, digamos, para o carro que é e o motor e o equipamento que tem, é menos caro. No entanto sejamos sinceros, a Nissan é uma marca nipónica bastante conceituada mas não é uma marca de “volumes”. Acomodou-se a vender veículos para nichos de mercado bastante específicos e as suas últimas apostas têm sido exclusivamente para veículos 4X4, tinha que vir agora uma espécie de carro TT, com um nome, na mesma proporção, esquisito e chique, “Cascai(s)”, quebrar-lhes a rotina.
Quer queiramos, quer não, este é o modelo mais importante que a Nissan lança nos últimos 10 anos.
O meu cunhado, vendedor da marca, disse-me que neste momento os pedidos de encomenda são tantos – para o habitual volume da Nissan – que o novo sistema informático que fornece as previsões de entregas entrou em colapso e deixou de dar dados minimamente coerentes. De qualquer forma, ele, disse-me que já houve alguém que aceitou encomendar um Qashqai com uma possível entrega para Setembro (!?). Para mim ainda mais difícil de entender que alguém aceite esperar 6 meses pela entrega de um carro, é compreender como nos nossos tempos, com tantos estudos de mercado e técnicas de produção tão desenvolvidas, uma multinacional que já anda neste negócio há tantos anos, não consegue responder eficazmente à procura de um novo modelo.
Também poderemos estar perante uma situação denominada na gíria dos vendedores por, e perdoem-me a expressão, “tesão do mijo” – a procura desenfreada no momento do lançamento dos veículos – mas há quem garanta que se trata de uma “erecção” demasiado prolongada para ser um mero fenómeno pontual.

Para quem acha que um carro destes – mais alto e pesado que os “ditos” normais – perde em aerodinâmica, estabilidade e potência (mesmo só com os 106 cavalos, nas versões com motor 1.5 dCi), nomeadamente nas curvas, sugiro que faça um test-drive. Quem já tenha conduzido este ou um Scenic ou mesmo uma Megane (penso que o motor, se não é o mesmo, deve ser muito semelhante) saberá certamente do que falo.
Existem 3 modelos: o Vísia, o Acenta e o Tekna. Do primeiro para o último, a diferença está nos equipamentos de série e opcionais, e, claro, nos preços: pode ir dos 23.949 euros, o Vísia 4X2 1.6 a gasolina, até ao Tekna 4X4 com um motor a diesel 2.0 que custa no mínimo 36.390 euros (preços de catálogo) – sem querer ferir susceptibilidades e provocar a frustração a alguém, acrescento ainda que este modelo 4X4 mais completo pode ser adquirido pelos espanhóis, mais ou menos, ao mesmo preço que um português compra um Vísia, sem extras. Informo, também, que a partir do modelo Acenta é possível encomendar este carro com tecto panorâmico e como já estive dentro de um, posso garantir-vos: é de sonho.

Mas vamos ao mais importante: a utilidade. Para que serve então este crossover, quase SUV quase jipe, se não pode sair das estradas? Serve para o resto e servirá para embelezar o nosso parque automóvel. Nem que seja para “combater” esta “praga” de carrinhas “familiares” francesas e alemãs que se vendem como pãezinhos quentes por cá. Fica então provado que a escolha de um carro, pode estar por vezes muito mais condicionada por “emoções” do que por “razões”. Como quase tudo nesta vida.

sexta-feira, abril 13, 2007

A/C de J. Marcelino (novo director do DN, ex-director do CM)

- O João César das Neves deveria passar a ter uma rubrica diária, entre os classificados "Convívio" e a secção "Polícias e Ladrões", com os seus contos e/ou opiniões que passaria a chamar-se: "Não há almoços grátis, nem jornais isentos e muito menos deve haver desvios às normas sociais que eu defendo, Amén".
- Seguindo a lógica dos novos suplementos DN Televisão, DN Bolsa, DN Sport, DN Gente, eu sugeria, também, um DN Culinária, DN Escândalos, DN Crime à facada, DN Crime à machadada, DN Outros Crimes (menos interessantes mas que contenham muito sangue).
Para já é tudo. Obrigado.

quinta-feira, abril 12, 2007

Angústia

Não acreditava que um dia destes chegasse. E agora, Março de 2007, veio com a brutalidade de uma explosão no peito. Não imaginava que fosse assim, tão doloroso e, ao mesmo tempo, tão pouco digno como a velhice e a decadência. Tão reles. O olhar de pena dos outros, palavras de esperança em que não têm fé.
O escritor António Lobo Antunes revela na sua crónica semanal na revista "Visão" - escrita no hospital - como recupera de uma operação, depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro.

Eternos solteiros

A opção de partilhar uma vida com mais de uma pessoa pode não ser, ou não é mesmo, sinónimo de promiscuidade, de alguma forma de desequilíbrio emocional ou até de receio de se sentir preso a uma rotina.
Senão vejamos. Já está mais que provado que a promiscuidade não é uma característica exclusiva dos solteiros (antes pelo o contrário) e que um equilíbrio emocional pode ser alcançado sem que haja, pelo meio, a bênção de um padre e/ou a presença de testemunhas. E rotinas, quer queiramos quer não, inconscientemente, todos temos. Não somos uns animais racionais de hábitos irracionais?

Há quem seja solteiro por circunstâncias da vida ou por vontade própria. Há quem procure eternamente a “pessoa certa”, há quem simplesmente nada procure. Há quem procure tudo e todos e há quem prefira nem sequer ser achado. Aqui não se deve aplicar generalizações. Estamos a falar de pessoas autónomas, heterogéneas, com características muito diversificadas. Estereotipá-las seria um crime. Apelidá-las (a todas) de egocêntricas faz tanto sentido como chamar acomodados a todos os casados ou unidos de facto.
Houve quem me tenha alertado para o facto dos solteiros serem menos tolerantes à diferença, justificando o facto de que só alguém casado tolera viver e partilhar a sua vida com um ser diferente ou, até em última instância, com o oposto. Poderá não ser mentira, mas será a partilha o maior trauma de qualquer solteiro? A partilha de bens, de um espaço, de uma cama pode ser algo que até não os incomode, mas certamente quando tal é feito de uma forma forçada e inconsciente acaba por tirar, mais tarde ou mais cedo, o sono a muitos solteirões inatos. É este tipo de “pressões” que eles não toleram. Pois de resto, parece-me a mim que: “mi casa es tu casa e já agora tenho ali umas camisas para passar a ferro...”!

Também há quem afirme que os solteiros são menos socializáveis. Na realidade estes não estão tão dependentes do carácter social como os que mantêm uma relação oficializada e é preciso relembrar que, aos olhos de muitos, um relacionamento só tem valor, exclusivamente, se for revelado aos olhos dos outros. Há uma espécie de interdependência que produz uma certa estabilidade social, mesmo que esta, por vezes, seja só aparente.
Há, por um lado, “zonas de acesso restrito” que são mais comuns para quem opta por “juntar os trapinhos”. Por norma, um casal forma um espaço subconscientemente delimitado e socialmente respeitado. Caso contrário, qualquer interferência abusiva no seu espaço poderia ser visto como um indício de instabilidade. Existe, no entanto, situações em que tal interferência é consentida ou mesmo incentivada por uma ou as duas partes do casal. Criou-se, por exemplo, a troca de casais e os mais variados tipos de “aventuras” extraconjugais. O sucesso destas últimas deve-se sobretudo à rapidez com que se converteu uma vontade de “variar o prato” e a adrenalina de “saltar a cerca” numa “nova” fantasia sexual. À mesma velocidade com que uma jóia no dedo anelar passa de um símbolo social a respeitar, para ser o principal pólo de atracção no “mercado do sexo”. O que faz com que, hoje em dia, há quem leve a sua adrenalina ao rubro por se envolver com alguém casado, julgando estar a cometer uma tal proeza, como se aquela “espécie”, condicionada pelo seu respectivo estado civil, tivesse poderes excepcionais na cama, que outra - aquela que não quis “brincar aos casamentos” - não tem. Poderá ser o poder da “queca bem cronometrada”, porque o tempo é limitado e uma reunião ou um jantar de negócios não podem durar uma eternidade. Enfim, o fruto proibido também pode ser o mais aborrecido.
Por outro lado, há que ter em consideração a grande pressão desta sociedade, de grandes tradições e costumes, que cria automaticamente suspeições sobre a orientação sexual de todos os homens solteiros e de colocar em causa a honra das mulheres que optaram igualmente por uma vida independente.

A liberdade é um dos factores fundamentais na motorização dos relacionamentos humanos. São os seus limites que vão gerir o nosso grau de relacionamento com o outro. E o facto de não se ser solteiro significará possuir uma maior restrição de liberdades? Aparentemente sim, mas na prática não. Não há menos liberdades, há mais responsabilidades. Se assim não fosse - e passando por cima de toda a matéria fiscal que não é para aqui chamada mas que é, e há que dizê-lo sem receios, escandalosamente desfavorável para quem opta por seguir uma “vida a solo” - não fazia qualquer sentido haver distinção no estatuto de ser “solteiro” e de ser “comprometido”. Um facto: os divórcios estão mais relacionados com as responsabilidades do que com as liberdades. A restrição da liberdade num casamento pode ser castradora e meio caminho andado para a infidelidade ou a perversão, mas o relacionamento raramente termina. Já as irresponsabilidades inerentes a uma relação ditam, mais tarde ou mais cedo, o seu inevitável fim.

Solteiros ou casados, juntos ou separados, há algo que a todos é comum: ninguém gosta de se sentir isolado, alienado ou “fora de jogo”. Pois ainda não conheci alguém que não goste de se sentir identificado com outro (ou outros). Esteja(m) este(s), aqui ao nosso lado ou algures noutro sítio qualquer, mas para nos mantermos emocionalmente vivos, precisamos de ter consciência que existe(m).

terça-feira, abril 10, 2007

Obrigado?

Esta campanha publicitária do Ministério das Finanças a solicitar aos consumidores portugueses que peçam a factura até pode ser muito pedagógica mas tenho algumas dúvidas em relação à sua eficácia.
Entendo que o cumprimento das obrigações fiscais, em geral, depende essencialmente da vitalidade cívica do nosso país, mas há que relembrar que tal campanha é exclusivamente destinada aos compradores e não aos potenciais prevaricadores: os vendedores. E há que esclarecer, ao contrário da mensagem que se está a tentar passar, o acto de “passar a factura” não deve ser um mero favor a fazer a quem compra, mas sim antes uma obrigação de quem vende (de forma a oficializar o acto comercial).
Para ser sincero parece-me que o nosso “fisco”, não conseguindo controlar e fiscalizar eficazmente quem teria a obrigação de emitir tais facturas, está a tentar passar essa “batata quente” para o consumidor final.

E os resultados práticos de tudo isto? O vendedor vai continuar a ter a possibilidade de dar como alternativa, ao comprador, a não emissão da factura em contrapartida do pagamento de um serviço/bem razoavelmente mais barato (21%, a nossa taxa normal de IVA) e consequentemente não declarar todos os seus rendimentos. E o comprador, por sua vez, das duas uma, ou pede a factura, pagando o respectivo imposto, solidarizando-se com a campanha do M.F., com esperanças de receber muitos "agradecimentos" e de ver a “obra feita”, ou reforça as suas poupanças, temendo que tal quantia pudesse eventualmente financiar um qualquer projecto megalómano do actual executivo, com o qual discorda absolutamente.
Se com estes comerciantes não vamos lá (aproveitando ainda o slogan dos “gatos”) e se continuarem a fazer campanhas tendo como público-alvo os consumidores, não seria mais eficaz mostrar a estes o benefício de ter em sua posse a tal factura, nomeadamente como o único meio a recorrer caso tenham qualquer reclamação a fazer em relação ao serviço prestado ou pretendam trocar ou devolver o bem comprado, ou seja, caso pretendam accionar a garantia inerente aquela compra? Tão simples quanto isto.

Há alguns anos atrás criou-se um benefício fiscal no IRS para quem faça a proeza de juntar uma boa dezena de facturas de alguns tipos de despesas, pois poderá no ano seguinte deduzir 25% do IVA pago. Este benfício tem um limite de 50 euros (!). Ou seja, o nosso estado para além de estar a tentar passar para nós, consumidores, a função de controlar obrigações fiscais que não nos dizem directamente respeito, também parece querer passar-nos um atestado de estupidez.

segunda-feira, abril 09, 2007

Actor completo


Fiquei deveras espantado com a interpretação de Christian Bale no filme “O Maquinista” (de Brad Anderson), que só agora tive oportunidade de ver em DVD. Para além da fabulosa interpretação deste actor, é impressionante a forma como o seu corpo se transformou numa espécie de esqueleto andante. A magreza do protagonista principal é um dos pontos marcantes deste filme e o realizador soube tirar partido dela, mostrando-a sem censura e moderação. Ora conhecendo este actor (e o seu corpo) de outros filmes como “Psicopata Americano”, “Batman - O Início”, “Shaft”, “Equilibrium”..., a minha estupefacção torna-se ainda maior. É caso para se perguntar: entre a sua performance e esta capacidade de auto-transformar o seu corpo, com que proporção se avalia a qualidade de um actor?
Bill Murray é um actor de culto e no entanto não me parece que seja muito versátil, parece-me aliás que salta de filme para filme e a única coisa que faz é ter que estudar o guião e trocar de guarda-roupa. O consagrado Jack Nicholson também. Por exemplo, já a lindíssima Charlize Theron surpreendeu tudo e todos quando sacrificou o seu belo corpo para interpretar o difícil papel de uma prostituta psicopata em o “Monstro” (Patty Jenkins). Estava irreconhecível. Valeu-lhe o óscar para melhor actriz e uma das interpretações mais marcantes de sempre do cinema americano. Por falar em grandes interpretações, óscares e sacrifício do corpo (mas que nunca chega ao extremismo do corpo esquelético de Bale), também se torna inevitável fazer referência a Adrien Brody em “O Pianista” de Roman Polanski. Atenção, não estou a falar de efeitos especiais ou de caracterização a la Eddie Murphy, mas dessa capacidade de mutação ou sacrificar o seu próprio corpo em prol de uma encarnação integral de um personagem. Tal não está altura de qualquer actor e o cachet que paga um sacrifício deste calibre não envolve só dinheiro mas também entrega, dedicação e amor sem limites ao trabalho que se tem.
Neste momento não me incomoda tanto a injustiça de Christian Bale não ter um óscar a decorar a lareira de sua sala, mas muito mais a sua imagem na minha memória com aquelas vértebras e costelas assustadoramente salientes, a dois milímetros de romperem a pele.

quinta-feira, abril 05, 2007

Contracartaz


Numa Rotunda do Marquês mais perto de si.

quarta-feira, abril 04, 2007

Pequeno ensaio sobre a cegueira (ou a lucidez)

Não vale a pena fingir que não vemos gravidade nisto. As pessoas esquecem-se, mas desde o tempo das FP-25 - como o nome indica, uma excrescência do período pós-revolucionário - que há mais de vinte anos a violência política em Portugal veio sempre desta extrema-direita. Espancaram um actor, esfaquearam até à morte um sindicalista, fizeram uma "caça ao negro" pelas ruas de Lisboa, e em matilha assassinaram o português Alcino Monteiro pelo crime de ser mulato e passear pela cidade. Recentemente foram provocar imigrantes para o Martim Moniz, apostaram forte no concurso dos Grandes Portugueses e passaram para a fase da propaganda xenófoba. Mudam de sigla, contornam cuidadosamente a lei, fazem da desonestidade a táctica principal. Quem tiver estômago para os procurar na Internet verá que se estão a organizar. Os jornalistas que se dão ao trabalho de os investigar ficam assustados com histórias de tráfico de drogas e extorsão. Mas quando eles vieram empunhar orgulhosamente as suas armas ilegais na TV, o mesmo Pacheco Pereira que vê sinais alarmantes em todo o lado minimizou o assunto para inventar fantasiosas equivalências com a esquerda. A mesma tese que continua a reciclar.
Rui Tavares

terça-feira, abril 03, 2007

"O jornal com as tuas medidas"

O “Jornal Inside” só me foi dado a conhecer pela notícia relativa ao post da Teresa-Apresentadora-Cantora-Actriz-Comediante-Engomadeira-vai-ao-domicílio-Guilherme. Entretanto, fui lá hoje verificar se havia desmentido de tal notícia e deparei-me com esta notícia:

Mar destrói paredão na Caparica

Junto dela a seguinte foto:



Estou a tentar imaginar que foto vai ser colocada junto de uma notícia de um maremoto. Pela via das dúvidas, vou estar atento.