Olá sou o D., prefiro não dizer o meu nome, apesar de vocês conhecerem a minha família muito bem (ultimamente não pelas melhores razões). A minha mãe é jet-set e vai ter que passar os próximos 23 anos na prisão pois foi acusada de ter mandado limpar o sebo ao meu pai. Na semana passada, ela tentou suicidar-se, mas antes diz que escreveu uma carta para mim e para o meu irmão. Ainda não recebi nada, mas pode ser pelo atraso habitual dos correios. Acho que deve ter melhorado entretanto porque sei que fez da sua cela um centro de spa: pediu sushi para o jantar, muitos cremes de beleza, uma manicure, cabeleireira e a presença do seu dietista particular, Fernando Póvoas. Depois de perceber que a minha mãe fez do Estabelecimento Prisional de Tires a sua nova instância de férias, sosseguei e decidi não a ir visitar. Ao contrário do meu irmão, David, que por sua vez preferiu ir viver para a casa de um grande amigo dele e da minha mãe: o senhor José Castelo Branco, em vez de ficar comigo. Não sou muito de me queixar da vida mas como estou a entrar naquela fase complicada que costumam chamar de adolescência, só para descomprimir, posso ser agora um bocadinho violento? FODA-SE!
sexta-feira, abril 11, 2008
quinta-feira, abril 10, 2008
terça-feira, abril 08, 2008
segunda-feira, abril 07, 2008
Há homens que já nascem póstumos
Coincidentemente alguns artigos que li nos jornais/revistas no passado fim-de-semana estabelecem todos um determinado perfil do que é ser um homem português hoje em dia. Começando pela hilariante crónica de Ferreira Fernandes, na revista NS do Diário de Notícias, “Encaixados até mais não”: “Vivemos dos rendimentos da fama por termos dado mundos ao mundo. Se houver um instrumento náutico que nos defina hoje, já não é o sextante nem o astrolábio. É a âncora. Não é a vela latina é o vale dos lençóis”. A crítica a esta passividade e estado de graça de apatia dos portugueses continua noutra área, “Mais de um em três portugueses nunca conheceram outro patrão senão o primeiro... Portugal é o campeão europeu de permanência no mesmo emprego: 11 anos de média”. Face também à idade tardia com que presentemente se sai de casa dos pais e o respectivo poder maternal castrador, é previsível que FF goze com o assunto: depois das saias da mãe, as calças do patrão! (Isto, obviamente, deve ser visto de uma forma muito generalista e haverá sempre vários motivos que expliquem estas tendências, no entanto concordo com parte das críticas.)
Depois de ir até à última página desta mesma revista descobrir que a Cidália (e o seu respectivo sexo) se depara com um problema de habitabilidade com os homens portugueses, pois parece que dormem muito e quando o fazem não respiram, ressonam - “ressonam, logo existem”, Marta, é obrigatório leres esta crónica, nem que seja para cobrares os direitos de autor pela solução final utilizada – chamou-me à atenção um dos temas de destaque da capa do jornal que também me parece sexualmente interessante. “Jovens – os novos clientes das prostitutas”. Duas páginas inteiras para se ficar a conhecer a história de uma prostituta novata que “bate” a zona do Técnico e tem receio de ir com a malta mais nova, pois não sabe o que eles lhes podem fazer (?); que ainda há jovens rapazes no Cacém que pagam a prostitutas da estrada que, por sua vez, os levam para um recanto de uma mata, onde há “um colchão velho rodeado de arbustos e papeis usados” e que todo aquele ambiente lhes causa muita impressão, mas tal enojamento não os impede de perder a virgindade, que é para isso que eles ali estão e lhes pagam; depois vem o relato de um mulherengo inveterado viciado em bares de strip, em que num deles, lá para os lados do Montijo, há um amigo que é segurança e à porta recomenda-lhe ir ter com a sua namorada stripper, pois consta que ela faz um “oral divinal” e no fim da noite acabam todos na casa desse tal amigo segurança, com mais algumas strippers “sem pudores” (?), numa orgia inesquecível; e por fim, o testemunho de duas prostitutas brasileiras que trabalham por conta própria, garantem que os portugueses são muito liberais no sexo: “há homens que pedem para eu só usar instrumentos neles, outros que querem que eu passeie com os meus saltos altos no corpo deles... Vocês portugueses são mesmo viciados em sexo.” Consta que sim e vocês, brasileiras, sabem bem tirar proveito disso, valeu?
Portanto, ponto da situação: os homens portugueses para além de ressonarem que nem uns porcos, são meninos da mamã, ociosos e profissionalmente inertes, mas, para compensar, são muito activos sexualmente. Nesta área começa-se por dar uma primeira queca num colchão velho no meio de uma mata lá para os lados do Cacém e acaba-se no Intendente a servir de tapete de uma prostituta brasileira fã de Nietzsche.
Depois de ir até à última página desta mesma revista descobrir que a Cidália (e o seu respectivo sexo) se depara com um problema de habitabilidade com os homens portugueses, pois parece que dormem muito e quando o fazem não respiram, ressonam - “ressonam, logo existem”, Marta, é obrigatório leres esta crónica, nem que seja para cobrares os direitos de autor pela solução final utilizada – chamou-me à atenção um dos temas de destaque da capa do jornal que também me parece sexualmente interessante. “Jovens – os novos clientes das prostitutas”. Duas páginas inteiras para se ficar a conhecer a história de uma prostituta novata que “bate” a zona do Técnico e tem receio de ir com a malta mais nova, pois não sabe o que eles lhes podem fazer (?); que ainda há jovens rapazes no Cacém que pagam a prostitutas da estrada que, por sua vez, os levam para um recanto de uma mata, onde há “um colchão velho rodeado de arbustos e papeis usados” e que todo aquele ambiente lhes causa muita impressão, mas tal enojamento não os impede de perder a virgindade, que é para isso que eles ali estão e lhes pagam; depois vem o relato de um mulherengo inveterado viciado em bares de strip, em que num deles, lá para os lados do Montijo, há um amigo que é segurança e à porta recomenda-lhe ir ter com a sua namorada stripper, pois consta que ela faz um “oral divinal” e no fim da noite acabam todos na casa desse tal amigo segurança, com mais algumas strippers “sem pudores” (?), numa orgia inesquecível; e por fim, o testemunho de duas prostitutas brasileiras que trabalham por conta própria, garantem que os portugueses são muito liberais no sexo: “há homens que pedem para eu só usar instrumentos neles, outros que querem que eu passeie com os meus saltos altos no corpo deles... Vocês portugueses são mesmo viciados em sexo.” Consta que sim e vocês, brasileiras, sabem bem tirar proveito disso, valeu?
Portanto, ponto da situação: os homens portugueses para além de ressonarem que nem uns porcos, são meninos da mamã, ociosos e profissionalmente inertes, mas, para compensar, são muito activos sexualmente. Nesta área começa-se por dar uma primeira queca num colchão velho no meio de uma mata lá para os lados do Cacém e acaba-se no Intendente a servir de tapete de uma prostituta brasileira fã de Nietzsche.
De circunstância
Quando alguém me persegue durante vários Km’s, com o seu carro colado à traseira do meu, em pleno dia e sob o tabuleiro da ponte 25 de Abril, e depois já com ambos os carros lado a lado, em andamento, se inicia um radical processo de engate, inconscientemente diria que se trata de uma experiência divertida, conscientemente diria que é uma insensatez. Tal como a curto prazo entendo ser uma boa receita para um ego debilitado, mas a longo prazo perceberei que quem opta por esta metodologia para tentar conhecer alguém, das duas uma, ou tem o dom da promiscuidade ou está numa daquelas fases de desespero em que se faz qualquer coisa para obter a atenção - razões estas, por si só, justificáveis para carregar a fundo no acelerador, dar uso aos 140 cavalos que me acompanham e desaparecer dali o quanto antes. “Um número de telemóvel serve” e se não me servir a cantiga, não sendo o fim do mundo para ninguém, servirá com certeza para alguém, num outro carro mais à frente.
sexta-feira, abril 04, 2008
quarta-feira, abril 02, 2008
He has standards

Quando um anti-herói minucioso e com (muitos) princípios faz justiça pelas suas próprias mãos, o resultado só pode ser muito sanguinário. Portanto, uma série que nos ensine a matar pessoas sem sujar o chão, só pode ser uma das maiores e melhores obsessões dos últimos tempos.
segunda-feira, março 31, 2008
Uma pizza só combina com uma salada de espinafres se ninguém ver

Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?
A pergunta arrepiou-me por sentir que ultrapassava a realidade da peça que via. Assistia a: “A Gorda” (Fat Pig, escrita pelo americano Neil LaBute), que está em cena no renovado Teatro Villaret, em Lisboa, até 1 de Junho. Relata a história de Tomás (Ricardo Pereira), um rapaz magro e elegante, um yuppie dos nossos tempos, que se atrai e apaixona por uma rapariga gorda, Helena (Carla Vasconcelos), bem como todas as respectivas peripécias em volta deste relacionamento. Obviamente que o assunto principal desta peça passa pela forma como ambos reagem ao verem-se confrontados com os preconceitos da sociedade contemporânea, obcecada com a imagem, que rejeita todos quanto fujam aos padrões de beleza instituídos.
Uma tragicomédia. Há muitos momentos humorísticos, sobretudo com as intervenções de Castro (Carlos António), o amigo e colega de escritório de Tomás, sexualmente activo e muito exigente face ao sexo oposto; mas também há momentos dramáticos quando o casal é confrontado com a realidade e os estigmas do meio social envolvente. É, inclusive, este realismo cruel que torna esta peça incómoda. Porque uma relação só adquire realidade se tiver uma face social, caso contrário não passa de uma fantasia a dois. Não é fácil de assumir e tornar visível um relacionamento que não seja socialmente bem visto, pois teme-se a responsabilidade que advém dessa parte social. Daí a importância da pergunta que saiu da boca de Helena, ao perceber que o seu companheiro evitava aparecer publicamente com ela, em locais onde poderia ser reconhecido por amigos e colegas de trabalho: “Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?” Ela parecia adivinhar a resposta dele pois tinha perfeita consciência da sua condição física e até brincava com ela (“gozando com eles é uma forma de contornar os nossos problemas”). O que ela certamente não estaria à espera era do seu depoimento confessional final, quando Tomás assume toda a sua fraqueza e incapacidade de levar o relacionamento adiante.
Personagens estereotipadas e superficiais, realismo cultural americano, problemas universais (preconceito, falta de princípios e de “tomates” para assumi-los, fraqueza das convicções). É sobretudo disto que é feito esta recomendável peça.
A pergunta arrepiou-me por sentir que ultrapassava a realidade da peça que via. Assistia a: “A Gorda” (Fat Pig, escrita pelo americano Neil LaBute), que está em cena no renovado Teatro Villaret, em Lisboa, até 1 de Junho. Relata a história de Tomás (Ricardo Pereira), um rapaz magro e elegante, um yuppie dos nossos tempos, que se atrai e apaixona por uma rapariga gorda, Helena (Carla Vasconcelos), bem como todas as respectivas peripécias em volta deste relacionamento. Obviamente que o assunto principal desta peça passa pela forma como ambos reagem ao verem-se confrontados com os preconceitos da sociedade contemporânea, obcecada com a imagem, que rejeita todos quanto fujam aos padrões de beleza instituídos.
Uma tragicomédia. Há muitos momentos humorísticos, sobretudo com as intervenções de Castro (Carlos António), o amigo e colega de escritório de Tomás, sexualmente activo e muito exigente face ao sexo oposto; mas também há momentos dramáticos quando o casal é confrontado com a realidade e os estigmas do meio social envolvente. É, inclusive, este realismo cruel que torna esta peça incómoda. Porque uma relação só adquire realidade se tiver uma face social, caso contrário não passa de uma fantasia a dois. Não é fácil de assumir e tornar visível um relacionamento que não seja socialmente bem visto, pois teme-se a responsabilidade que advém dessa parte social. Daí a importância da pergunta que saiu da boca de Helena, ao perceber que o seu companheiro evitava aparecer publicamente com ela, em locais onde poderia ser reconhecido por amigos e colegas de trabalho: “Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?” Ela parecia adivinhar a resposta dele pois tinha perfeita consciência da sua condição física e até brincava com ela (“gozando com eles é uma forma de contornar os nossos problemas”). O que ela certamente não estaria à espera era do seu depoimento confessional final, quando Tomás assume toda a sua fraqueza e incapacidade de levar o relacionamento adiante.
Personagens estereotipadas e superficiais, realismo cultural americano, problemas universais (preconceito, falta de princípios e de “tomates” para assumi-los, fraqueza das convicções). É sobretudo disto que é feito esta recomendável peça.
sábado, março 29, 2008
Basicamente, é isto
O Que Há, Fernando Pessoa
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
quinta-feira, março 27, 2008
terça-feira, março 25, 2008
segunda-feira, março 24, 2008
domingo, março 23, 2008
O que tu contribuis para a minha infelicidade
Como ser socialmente influenciável que sou - copio modelos de vida e dependo naturalmente de conselhos e orientações dos outros - acabo por ser sempre, no momento, o resultado da soma do meu estado espírito natural com o de quem estou – e que me influencia. Nesta socialização, para além de chegar à conclusão que existem pessoas infinitamente mais infelizes que eu, percebo que elas podem tornar a minha existência mais infeliz.
Karma ou vocação? Parece mesmo que há pessoas que só me escolhem ou procuram para partilhar tristezas e desgraças. O que eu mais oiço é: “ainda bem que te conheci nesta fase menos boa da minha vida... Felizmente tenho-te a ti!”. Curiosamente nunca ouvi: “acabei de ganhar o euromilhões, sou uma pessoa emocionalmente muito equilibrada e tenho uma saúde para dar e vender, queres-me conhecer?” Acredito que para quem tenha esse “espírito missionário” de solidariedade obsessiva perante a desgraça alheia, este tipo de partilhas seja muito emocionante, mas para quem anda por aqui a tentar obter alguma estabilidade e viver uma vida sem grandes “dramalhões”, este tipo de situações não lhes são de todo favoráveis. Por onde andavam estas pessoas na tal outra fase boa, feliz e próspera? Na fase em que faziam isto, aquilo e aqueloutro e tinham forças mentais e físicas para ir até ao cume do Evereste se fosse preciso. Agora que entram em depressão sempre que um (pequeno) obstáculo lhes surge à frente e não conseguem dar um passo em frente com receio de cair, é que precisam de alguém mais forte para se sentirem seguros. Seguros ou equilibrados mas sempre pouco confiantes. Porque essa característica dificilmente lhes posso passar ou não dependesse exclusivamente delas.
Estes pólos opostos atraem-se? Por mim, dispenso já esta teoria. Acredito mais numa que demonstre que uma forte oposição entre os dois pólos, produzindo uma luz baça, acaba por consumir energia desnecessariamente. Retenha-se isto: ninguém sai ileso destas (con)vivências muito desequilibradas.
Karma ou vocação? Parece mesmo que há pessoas que só me escolhem ou procuram para partilhar tristezas e desgraças. O que eu mais oiço é: “ainda bem que te conheci nesta fase menos boa da minha vida... Felizmente tenho-te a ti!”. Curiosamente nunca ouvi: “acabei de ganhar o euromilhões, sou uma pessoa emocionalmente muito equilibrada e tenho uma saúde para dar e vender, queres-me conhecer?” Acredito que para quem tenha esse “espírito missionário” de solidariedade obsessiva perante a desgraça alheia, este tipo de partilhas seja muito emocionante, mas para quem anda por aqui a tentar obter alguma estabilidade e viver uma vida sem grandes “dramalhões”, este tipo de situações não lhes são de todo favoráveis. Por onde andavam estas pessoas na tal outra fase boa, feliz e próspera? Na fase em que faziam isto, aquilo e aqueloutro e tinham forças mentais e físicas para ir até ao cume do Evereste se fosse preciso. Agora que entram em depressão sempre que um (pequeno) obstáculo lhes surge à frente e não conseguem dar um passo em frente com receio de cair, é que precisam de alguém mais forte para se sentirem seguros. Seguros ou equilibrados mas sempre pouco confiantes. Porque essa característica dificilmente lhes posso passar ou não dependesse exclusivamente delas.
Estes pólos opostos atraem-se? Por mim, dispenso já esta teoria. Acredito mais numa que demonstre que uma forte oposição entre os dois pólos, produzindo uma luz baça, acaba por consumir energia desnecessariamente. Retenha-se isto: ninguém sai ileso destas (con)vivências muito desequilibradas.
quinta-feira, março 20, 2008
Insane Clown Posture
Era uma vez um palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio. Este palhaço nunca pôde ser mais do que aquilo para o qual dizia ter aptidão: dizer/fazer umas “palhaçadas”, em que a parte imberbe da assistência se ia rindo, enquanto a outra ficava indiferente, à espera de um número mais aliciante. Não podia domar animais, não podia fazer acrobacias de alto risco, não podia ser contorcionista, porque não teria competência para tal. Não deixava de ser um artista, mas querendo ser “o” artista – e para os outros ele era só um palhaço -, o destino fez dele um profissional sem consciência das suas limitações.
Num dia, quando o dono do circo disse que iria proceder a um reajustamento nos royalties, em função da rentabilidade de cada um dos seus trabalhadores, o palhaço foi o único que contestou. Desesperado, com receio de perder certas regalias que até então nunca lhe tinham sido sequer questionadas, ameaçou ir-se embora, sem não antes ter pedido um parecer ao seu público mais fiel. Como era de calcular: as crianças berraram pelo seu palhaço! Pretendeu com isto, nem tanto, um reforço da (sua) razão, mas sobretudo do ego - que inchava na mesma proporção da sua barriga e dos seus bolsos. Foi à conta dele (o seu ego) – e nem tanto do seu profissionalismo e atributos - que fez carreira.
Como um espectáculo com polémicas e sem um palhaço de serviço não vende bilhetes, o director do circo acabou por abandonar a sua irreverente iniciativa. A vida deste circo prossegue, sustentado por alguns números novos e com o velho número do palhaço velho lá pelo meio. O palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio.
Num dia, quando o dono do circo disse que iria proceder a um reajustamento nos royalties, em função da rentabilidade de cada um dos seus trabalhadores, o palhaço foi o único que contestou. Desesperado, com receio de perder certas regalias que até então nunca lhe tinham sido sequer questionadas, ameaçou ir-se embora, sem não antes ter pedido um parecer ao seu público mais fiel. Como era de calcular: as crianças berraram pelo seu palhaço! Pretendeu com isto, nem tanto, um reforço da (sua) razão, mas sobretudo do ego - que inchava na mesma proporção da sua barriga e dos seus bolsos. Foi à conta dele (o seu ego) – e nem tanto do seu profissionalismo e atributos - que fez carreira.
Como um espectáculo com polémicas e sem um palhaço de serviço não vende bilhetes, o director do circo acabou por abandonar a sua irreverente iniciativa. A vida deste circo prossegue, sustentado por alguns números novos e com o velho número do palhaço velho lá pelo meio. O palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio.
terça-feira, março 18, 2008
segunda-feira, março 17, 2008
Fuck of Death
Há terminologias e há fenómenos que eu preferia simplesmente desconhecer. Não acho, no entanto, que a atitude de ignorá-los ou tentar desculpabilizá-los pela sua pequena adesão ou popularidade seja um caminho a seguir. Essa foi uma das opções tomadas face à extrema-direita ou à anorexia - só para dar dois exemplos distintos - e no entanto o número dos seus “simpatizantes” nunca deixou de aumentar. No seguimento de algumas reportagens publicadas em revistas portuguesas e estrangeiras, tomei conhecimento da existência de orgias homossexuais de Barebacking, de Bug Chasers e de Gift Givers. Em poucas palavras, por Barebacking entende-se a prática sexual sem uso de preservativo, a Bug Chasers Party, são festas onde há indivíduos que procuram ser infectados pelo HIV, e os Gift Givers são os respectivos doadores do mesmo. A “Gift”, como já se percebeu, é - tão-somente a doença que matou milhares de pessoas no final do Século XX e prossegue a sua chacina pelo Século XXI, sem uma solução para a sua cura à vista - a Sida.
Comecemos pela vertente mais “soft”. O Barebacking, como bem se sabe, não é uma prática exclusiva de alguns homossexuais. A prática de sexo inseguro está enraizada na cultura da humanidade e afecta todas as vertentes sexuais. Está mais relacionada com instintos básicos e “provas de confiança” inquestionáveis, do que com fenómenos bem localizados. As pequenas orgias, a que a revista Sábado se debruçou, demonstram isso. Para se participar nelas não é necessário a apresentação de resultados de testes recentes de despistagem do HIV, basta a confirmação verbal num qualquer “chat” (onde se começa a planear estas festas): “tou limpo”. Portanto: a luz verde para participar em orgias, onde se pratica sexo desprotegido, só entre “gente de confiança”, é fornecida por meio deste meio virtual em que uma verdade pode deambular no meio de um deserto de mentiras e ilusões para cativar o próximo, dominado por “heteros” e “casados curiosos”, dos eternos “virgens”, dos “activos” imunes ao HIV, etc.
Mas, incrivelmente, há pior que isto. Se há quem participe nestas festas com a (in)consciência de que pode ser infectado e mesmo assim arrisque. Também há quem procure exactamente essa fatalidade. As festas onde os Bug Chasers são convertidos em Gift Givers, são populares nos EUA. Conversion’s Party, Russian Roulette Party, Gang Bang Party. Os nomes são diferentes, de forma a distinguir o número de participantes portadores do vírus, mas o objectivo final nem por isso. Mas que razões justificam esta espécie de suicídio lento e perverso? A principal arma de defesa dos adeptos destas “modalidades” é a liberdade de escolha e a suprema autonomia sobre o que fazer com o próprio corpo e com a sua existência. Para além de que banalizou-se uma certa de ideia de que a Sida poderá ser uma doença crónica e que com a evolução da medicina nesta área, poderá-se fazer uma vida completamente saudável e normal. Sobretudo esta gente acredita que ser infectado com o HIV não é transtorno suficiente para levar uma vida sexual dependente do preservativo. É importante, para eles, verem-se desprovidos de responsabilidades na prática sexual seja com quem for, melhorando, assim, a sua qualidade de vida sexual. No sexo ninguém - e sobretudo estes grupos - gosta de pensar em doenças e responsabilidades. Isto explica, em parte, essa glamourização do Bareback.
Pois, ninguém pensará também, com a continuação da prática sexual desprotegida com outros elementos contaminados, que a reinfecção viral pode precipitar de forma drástica o avanço da doença. E muito menos pensarão que esse tal voluntarismo e autonomia para contrair uma doença mortal ultrapassam a barreira da questão da “liberdade de escolha pessoal”, quando a medicação e tratamentos a que vão estar sujeitos, não serão pagos (na totalidade) por eles, mas por todos nós, contribuintes.
Para além da referida irresponsabilidade, a mais importante ilação a retirar destes casos parece-me estar na forma como estes homens resumem a sua existência ao prazer que tiram do sexo. Não me parece haver grandes perspectivas, grandes ambições, grande auto-estima e muito menos inteligência. Há apenas sexo e essa missão de querer espalhar deliberadamente uma doença que uma parte do mundo acha que só infecta os outros e outra que se esforça em combater.
Comecemos pela vertente mais “soft”. O Barebacking, como bem se sabe, não é uma prática exclusiva de alguns homossexuais. A prática de sexo inseguro está enraizada na cultura da humanidade e afecta todas as vertentes sexuais. Está mais relacionada com instintos básicos e “provas de confiança” inquestionáveis, do que com fenómenos bem localizados. As pequenas orgias, a que a revista Sábado se debruçou, demonstram isso. Para se participar nelas não é necessário a apresentação de resultados de testes recentes de despistagem do HIV, basta a confirmação verbal num qualquer “chat” (onde se começa a planear estas festas): “tou limpo”. Portanto: a luz verde para participar em orgias, onde se pratica sexo desprotegido, só entre “gente de confiança”, é fornecida por meio deste meio virtual em que uma verdade pode deambular no meio de um deserto de mentiras e ilusões para cativar o próximo, dominado por “heteros” e “casados curiosos”, dos eternos “virgens”, dos “activos” imunes ao HIV, etc.
Mas, incrivelmente, há pior que isto. Se há quem participe nestas festas com a (in)consciência de que pode ser infectado e mesmo assim arrisque. Também há quem procure exactamente essa fatalidade. As festas onde os Bug Chasers são convertidos em Gift Givers, são populares nos EUA. Conversion’s Party, Russian Roulette Party, Gang Bang Party. Os nomes são diferentes, de forma a distinguir o número de participantes portadores do vírus, mas o objectivo final nem por isso. Mas que razões justificam esta espécie de suicídio lento e perverso? A principal arma de defesa dos adeptos destas “modalidades” é a liberdade de escolha e a suprema autonomia sobre o que fazer com o próprio corpo e com a sua existência. Para além de que banalizou-se uma certa de ideia de que a Sida poderá ser uma doença crónica e que com a evolução da medicina nesta área, poderá-se fazer uma vida completamente saudável e normal. Sobretudo esta gente acredita que ser infectado com o HIV não é transtorno suficiente para levar uma vida sexual dependente do preservativo. É importante, para eles, verem-se desprovidos de responsabilidades na prática sexual seja com quem for, melhorando, assim, a sua qualidade de vida sexual. No sexo ninguém - e sobretudo estes grupos - gosta de pensar em doenças e responsabilidades. Isto explica, em parte, essa glamourização do Bareback.
Pois, ninguém pensará também, com a continuação da prática sexual desprotegida com outros elementos contaminados, que a reinfecção viral pode precipitar de forma drástica o avanço da doença. E muito menos pensarão que esse tal voluntarismo e autonomia para contrair uma doença mortal ultrapassam a barreira da questão da “liberdade de escolha pessoal”, quando a medicação e tratamentos a que vão estar sujeitos, não serão pagos (na totalidade) por eles, mas por todos nós, contribuintes.
Para além da referida irresponsabilidade, a mais importante ilação a retirar destes casos parece-me estar na forma como estes homens resumem a sua existência ao prazer que tiram do sexo. Não me parece haver grandes perspectivas, grandes ambições, grande auto-estima e muito menos inteligência. Há apenas sexo e essa missão de querer espalhar deliberadamente uma doença que uma parte do mundo acha que só infecta os outros e outra que se esforça em combater.
sexta-feira, março 14, 2008
Ouvir dizer que...
... um homem é como um soalho flutuante: se for bem montado pode ser pisado durante mais de 30 anos.
Bichos
As traças e as calorias são bichos que convivem pacificamente nos nossos roupeiros, apesar até de possuírem funções similares junto da na nossa roupa. Os primeiros comem-na, os segundos apertam-na.
quinta-feira, março 13, 2008
Ajuda preciosa à distância de um X e nove números
O estado português permite que 0,5 por cento – não é muito, mas sempre é melhor que nada – do IRS liquidado reverta a favor de uma instituição de solidariedade social ou de apoio humanitário sem fins lucrativos. Para contribuir basta escrever, no Anexo H - Quadro 9 - Campo 901, o Número de Identificação de Pessoa Colectiva (NIPC) da instituição que pretendemos ajudar. Portanto, sem qualquer custo ou imposto acrescido pode-se estar a tirar a barriga da miséria de algumas pessoas ou animais.
Exemplos:
Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome – NIPC: 504 335 642
Liga Portuguesa dos Direitos do Animal - NIPC: 501 626 921
Associação ABRAÇO - NIPC: 503 170 151
Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome – NIPC: 504 335 642
Liga Portuguesa dos Direitos do Animal - NIPC: 501 626 921
Associação ABRAÇO - NIPC: 503 170 151
(Nota importante. Antes de colocar o NIPC de qualquer entidade, será necessário confirmar previamente se ela pode beneficiar com tal regalia. Não esquecer que há associações nacionais que ainda não lhes foram atribuído o estatuto de utilidade pública. Por serem "demasiado polémicas", por exemplo, como acontece (infelizmente) com a Associação ANIMAL).
quarta-feira, março 12, 2008
O desespero
Num mesmo dia fui contactado por duas empresas de call center, devidamente apresentadas mas do qual os nomes não me recordo, que representavam, respectivamente, a TV Cabo e a revista Sábado. A primeira contactou-me com o objectivo de tentar uma reconciliação com aquela operadora de internet e TV por cabo. Passaram-me o “recado” de que a “galinha dos ovos de ouro” do grupo PT está interessada em ter-me novamente como cliente, pedindo para esquecer os conflitos que tivemos no passado em consequência de um mau serviço que prestaram - mas que nunca deixaram de o facturar, apesar de todas as reclamações por escrito que lhes enviei e das respostas ou interesse, da sua parte, em solucionar os meus problemas, que nunca obtive. Apresentaram-me condições de tal forma vantajosas e “excepcionais” que tive quase para mandar o meu orgulho “leonino” para as urtigas. Na próxima vez que implorarem talvez ceda, mas por enquanto o meu coração só tem espaço para uma empresa incompetente. A Brisa, pode ficar aliviada pois, mantém, por enquanto, o seu lugar cativo.
Para não variar, o contacto da parte da revista Sábado, também tinha um cariz promocional. Questionavam-me se estaria interessado em receber em casa os quatro próximos números desta revista semanal por 1€ cada. Sem compromissos – onde é que eu já ouvi isto antes? Uma boa oportunidade, sem dúvida. No entanto, rejeitei a proposta por considerar um negócio demasiado arriscado. Pois se há números em que me parece perfeitamente justo o valor pedido na banca, há outros que nem oferecido os queria.
Para não variar, o contacto da parte da revista Sábado, também tinha um cariz promocional. Questionavam-me se estaria interessado em receber em casa os quatro próximos números desta revista semanal por 1€ cada. Sem compromissos – onde é que eu já ouvi isto antes? Uma boa oportunidade, sem dúvida. No entanto, rejeitei a proposta por considerar um negócio demasiado arriscado. Pois se há números em que me parece perfeitamente justo o valor pedido na banca, há outros que nem oferecido os queria.
terça-feira, março 11, 2008
Fotogenia
Uma foto só representa uma imagem estática. Portanto parece-me normal quando não nos identificamos com ela. É muito redutor restringirmos o nosso reflexo a uma única imagem, quando somos todos muito mais que isso - e nem me refiro a tudo o que ultrapassa o nosso aspecto físico e que uma máquina fotográfica nunca alcançará. Mais do que ninguém, só nós próprios devemos ter consciência disto. Os outros, que têm o privilégio de poder comparar o original com a cópia (foto), desiludem-se ou surpreendem-se, ao sabor dos seus próprios critérios de beleza e da manipulação da imagem que foi fornecida. Tal explica, em muito, o sucesso ou insucesso deste mundo virtual.
domingo, março 09, 2008
Sou tão normalzinho, graças a Deus (dos estudos de hábitos)!
Para que servem os inquéritos de hábitos? São credíveis? Quem os supervisiona e audita?
Estes estudos, para além de encher as páginas dos jornais, também obrigam as pessoas a fazer uma reavaliação das suas rotinas sociais. Tenho um crédito sobre um crédito por regularizar? Já fui assediado(a) no emprego? Por dia, ando quantos metros a pé? Estou profundamente insatisfeito(a) com algum organismo público em particualr ou todos em geral? O/A meu/minha companheiro(a) dá-me porrada com uma certa regularidade? Faço sexo mais ou menos de quatro vezes por semana? Tenho diabetes? Levantam-se o mais variadíssimo tipo de questões e com base nas respostas, chega-se à conclusão se somos assim tão normaizinhos, graças a Deus ou graças ao Nosso Senhor que inventou estes estudos, ou nem por isso. O mais grave é que poderá haver quem regularize a sua (in)felicidade com base em tais conclusões e (des)governe a vida em função delas.
Nunca fui contactado no sentido de saber se estou satisfeito com a minha vida sexual. A menos que uma proposta de passar um fim-de-semana no Algarve patrocinada por uma agência de viagens menos conhecida - “mas que teria todo o gosto em oferecer esta estadia, só precisando de se deslocar ao local X para levantar o vale promocional, sem qualquer contrapartida” - seja, afinal de contas, uma espécie de teste à minha capacidade de resistência a um convite implícito à prevaricação e deduzir a partir daí todo meu historial penitente. Custa a acreditar, por uma simples razão: não há empresas com fins lucrativos que ofereçam os seus produtos, nem há convites implícitos à prevaricação, “sem qualquer contrapartida”! Para comprovar isso fica a forma camuflada como as propostas são feitas: “tem só de assistir a uma pequena reunião sobre...” e “é só uma lembrancinha de 50 euros”.
Estes estudos, para além de encher as páginas dos jornais, também obrigam as pessoas a fazer uma reavaliação das suas rotinas sociais. Tenho um crédito sobre um crédito por regularizar? Já fui assediado(a) no emprego? Por dia, ando quantos metros a pé? Estou profundamente insatisfeito(a) com algum organismo público em particualr ou todos em geral? O/A meu/minha companheiro(a) dá-me porrada com uma certa regularidade? Faço sexo mais ou menos de quatro vezes por semana? Tenho diabetes? Levantam-se o mais variadíssimo tipo de questões e com base nas respostas, chega-se à conclusão se somos assim tão normaizinhos, graças a Deus ou graças ao Nosso Senhor que inventou estes estudos, ou nem por isso. O mais grave é que poderá haver quem regularize a sua (in)felicidade com base em tais conclusões e (des)governe a vida em função delas.
Nunca fui contactado no sentido de saber se estou satisfeito com a minha vida sexual. A menos que uma proposta de passar um fim-de-semana no Algarve patrocinada por uma agência de viagens menos conhecida - “mas que teria todo o gosto em oferecer esta estadia, só precisando de se deslocar ao local X para levantar o vale promocional, sem qualquer contrapartida” - seja, afinal de contas, uma espécie de teste à minha capacidade de resistência a um convite implícito à prevaricação e deduzir a partir daí todo meu historial penitente. Custa a acreditar, por uma simples razão: não há empresas com fins lucrativos que ofereçam os seus produtos, nem há convites implícitos à prevaricação, “sem qualquer contrapartida”! Para comprovar isso fica a forma camuflada como as propostas são feitas: “tem só de assistir a uma pequena reunião sobre...” e “é só uma lembrancinha de 50 euros”.
sexta-feira, março 07, 2008
"Aqueles pratos no lava-loiça são a prova de que na vida as coisas só mudam para ficarem na mesma"
(...) Não é que ela se importe com o trabalho, o trabalho descobre-o ela em todo o lado, há sempre ordem para pôr numa casa, no mundo. A mãe soubera ensinar-lhe os deveres da mulher. Nisso fora ela boa. Só tarde demais lhe dissera alguma coisa sobre rapazes. Essa conversa viera atrapalhada e aos solavancos, ela já de véu e grinalda e, inevitavelmente, prenha. Mais que pronta para se levantar da estreita cama de solteira e subir a larga escadaria da igreja.
Mas isso não fora culpa da mãe. A culpa fora do ócio, que é invenção do Diabo. Tivesse ela ocupado as tardes livres do liceu a esfregar chão e não teria caído nas cantigas do Manel, nas palavras meladas que ele lhe sussurrara ao ouvido, na praça do jardim, e que lhe tinham aberto o coração. Tinham sido só meio caminho para lhe abrir as pernas. Depois, quando as fechara, estava o mal feito e não levara muito mais tempo até que se lhe fechasse o coração também.
Casava com um traste, sabia-o. Mas era um traste dono de um establecimento comercial, bem parecido e que a emprenhara. Com a mesma convicção com que pegava num balde e numa esfregona, dissera-lhe, ou te casas comigo ou nunca mais fodes ninguém. Fora a única vez que lhe tinha saído uma palavra destas da boca. E ele lá aparecera na igreja.
(...)
Este trecho faz parte do capítulo 12 de um livro em construção de Daniel J. Skråmestø. Ainda não tem nome mas já tem muito conteúdo e é um enorme privilégio poder lê-lo em primeira mão. Capítulo a capítulo.
quinta-feira, março 06, 2008
terça-feira, março 04, 2008
4 minutos para danificar a reputação de três artistas
Até ontem pensaria que uma colaboração entre a rainha da pop, o rei do r&b e um dos melhores produtores de música da actualidade só pudesse resultar em qualquer coisa de excepcional. Hoje, infelizmente, tenho que admitir o contrário.
(antes que me apareça por aqui mais um camarada americano a "impugnar-se" pela propriedade desta música, fica já a referência de que retirei o link daqui. Tanque iú veri mache, pawl!)
segunda-feira, março 03, 2008
Limites
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Este país não é para novos
Achei importante transcrever as palavras de uma coordenadora do Núcleo de Saúde Reprodutiva e do Trabalho Feminino da Escola de Serviço Social da Universidade do Rio de Janeiro e de uma antiga secretária nacional da Justiça brasileira, publicadas numa edição do Público. Edição essa, poucos dias depois de se ter ficado a conhecer a história de Mara, a jovem brasileira de 19 anos, que aos 10 passou automaticamente de criança a escrava sexual, pois era violada diariamente por um homem - e pelos seus “clientes” - que a manteu em cativeiro ao longo destes anos. Engravidou a primeira vez aos 13 anos e esse mesmo homem acabou por matar o seu segundo filho, pois “era demasiado barulhento e podia levantar suspeitas entre a vizinhança”. O que sobreviveu, tem actualmente 6 anos e, também foi molestado pelo suposto “pai”.
Face a casos como este, numa ditadura do medo, siga-se então pelos trilhos da indiferença e da banalização. Depois, pasmemo-nos todos com a “bela” humanidade, esta, que se está a criar.
A imprensa nacional desvaloriza a sua história, porque, infelizmente, a escravidão sexual é comum no Brasil.
Se fosse na Europa, o caso de Mara era muito mais crime do que é aqui. Basta lembrar o mediatismo que envolveu o caso de Natasha Kampusch, a jovem austríaca de 18 anos que em Agosto de 2006, fugiu de um cativeiro na garagem da casa do electricista W. Priklopil, que a tinha sequestrado oito anos antes.
São as teias de um país dominado por homens, por senhores, por coronéis.
Em certos aspectos, o Brasil parece um país fictício, quando a preocupação do Estado não é o cidadão, o cidadão também se demite.
É incrível como este caso demonstra que a população não acredita no poder público, nem se julga com direitos de cidadania.
A incredulidade é tanta em largas fatias da população que os pais dessas crianças pensam: “Já que o teu destino é a pobreza, ao menos vamos potenciar o que tens”. E o que têm estas crianças pobres, na óptica dos pais? Têm um sexo que lhes pode melhorar a vida.
Face a casos como este, numa ditadura do medo, siga-se então pelos trilhos da indiferença e da banalização. Depois, pasmemo-nos todos com a “bela” humanidade, esta, que se está a criar.
A imprensa nacional desvaloriza a sua história, porque, infelizmente, a escravidão sexual é comum no Brasil.
Se fosse na Europa, o caso de Mara era muito mais crime do que é aqui. Basta lembrar o mediatismo que envolveu o caso de Natasha Kampusch, a jovem austríaca de 18 anos que em Agosto de 2006, fugiu de um cativeiro na garagem da casa do electricista W. Priklopil, que a tinha sequestrado oito anos antes.
São as teias de um país dominado por homens, por senhores, por coronéis.
Em certos aspectos, o Brasil parece um país fictício, quando a preocupação do Estado não é o cidadão, o cidadão também se demite.
É incrível como este caso demonstra que a população não acredita no poder público, nem se julga com direitos de cidadania.
A incredulidade é tanta em largas fatias da população que os pais dessas crianças pensam: “Já que o teu destino é a pobreza, ao menos vamos potenciar o que tens”. E o que têm estas crianças pobres, na óptica dos pais? Têm um sexo que lhes pode melhorar a vida.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Catherine Deneuve é um bom nome
O ministro respondeu: "Há coisas que não se branqueia numa cadeira de dentista".
Paulo Portas também não se cala e anunciou hoje que vai processar judicialmente Jaime Silva, ministro da Agricultura, por se considerar prejudicado no seu bom-nome.
Paulo Portas também não se cala e anunciou hoje que vai processar judicialmente Jaime Silva, ministro da Agricultura, por se considerar prejudicado no seu bom-nome.
terça-feira, fevereiro 26, 2008
E dezasseis anos depois:

O novo single promete bastante. :-)
Aditamento. Justiça seja feita: o link desta música não era da "joana", era deste senhor. Pela minha leviandade, peço desde já as minhas sinceras desculpas ao Nick. De seguida, vou lhe transmitir algumas palavras de esclarecimento em inglês, no sentido de lhe fazer entender a minha posição face à divulgação e partilha de mp3's pela comunidade bloguiana que não possui qualquer autorização por parte dos músicos para o fazer, e aproveito para lhe dizer que ele NÃO está convidado para o meu churrasco. Um americano a pedir satisfações do uso abusivo (de outrem) de uma propriedade que não é sua? Inédito. Quer barbecues? Faça-os lá no quintal da casa branca!
Great Site, man! :-)
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
And the Oscar goes to...
Desta gente (que me adora)
O que é uma diva? E, já agora, para que serve uma diva? Em Portugal, a comunidade gay (masculina), no mais generalista que isso possa querer designar, elegeu Simone de Oliveira como a sua diva. Ninguém consegue muito bem explicar as razões. Nem a própria. A sua imagem terá servido de modelo para muitos travestis usarem, com sucesso, nos seus shows há uns bons anos atrás. Mas será tal razão suficiente para justificar esta idolatria? Independentemente de todos os seus justos e reconhecidos méritos – porque também não é isso que está aqui em causa - fico com a sensação que ela caiu nesta “posição” por mero acaso. Pelo menos é essa a ilação que tiro ao ler a entrevista que concedeu à revista Time Out (obrigado, sara).
“Homossexual é o homem que gosta de homens. Gay é um homem que gostava de ser mulher.”
“Naturalmente, viviam melhor do que hoje, em que se fazem aquelas paradas, aqueles desfiles ridículos. Aquilo não é nada. Aquilo é um dar nas vistas, é fazer brincadeiras de mau gosto.”
“A noção que tenho é a de que não há nenhum homossexual que não tenha tido uma grande paixão por uma mulher, diz-me a experiência.”
Entre alguns “disparates”, ela acaba por dizer algumas verdades. Verdades estas que não são novidade para quem esteja minimamente informado sobre o meio. No entanto é, de facto, importante ter consciência da quão multifacetada pode ser a “comunidade” que a idolatra. Saber que há todo um outro mundo que está longe de a venerar por tais incógnitos motivos, muito longe das paradas públicas que ela critica e das festas de travestis “caseirinhas” que ela gosta.
“Neste país, há imensos senhores casados, com filhos, que gostam de homens e têm as suas relações. Somos uma sociedade perfeitamente mentirosa.”
Para se ser diva, pelos vistos, também é importante saber isso. Mas também seria importante saber que para lutar por certos direitos e contra discriminações é necessário “dar nas vistas”. Ou pode-se ficar à espera de que seja o homossexual que não se aceita como tal que o faça? Sejamos realistas: por cá, e fazendo as contas certas, o homossexual (masculino) comum, nem é tanto o que dá a cara ou participa em desfiles, mas será mais o que baixa e sobe as calças à mesma velocidade com que foge de uma discussão da defesa das causas da sua orientação sexual. Uma sexualidade que ele nega, categoricamente, mas que pratica, sem contenção. Felizmente ainda vai havendo gente honesta neste meio que, gostando ou não de “dar nas vistas”, vai à luta e tem feito, apesar de tudo, muito pelo respeito e dignificação de todos os que “praticam” esta sexualidade. Todos! Incluindo os que cospem no seu prato da sopa.
“Homossexual é o homem que gosta de homens. Gay é um homem que gostava de ser mulher.”
“Naturalmente, viviam melhor do que hoje, em que se fazem aquelas paradas, aqueles desfiles ridículos. Aquilo não é nada. Aquilo é um dar nas vistas, é fazer brincadeiras de mau gosto.”
“A noção que tenho é a de que não há nenhum homossexual que não tenha tido uma grande paixão por uma mulher, diz-me a experiência.”
Entre alguns “disparates”, ela acaba por dizer algumas verdades. Verdades estas que não são novidade para quem esteja minimamente informado sobre o meio. No entanto é, de facto, importante ter consciência da quão multifacetada pode ser a “comunidade” que a idolatra. Saber que há todo um outro mundo que está longe de a venerar por tais incógnitos motivos, muito longe das paradas públicas que ela critica e das festas de travestis “caseirinhas” que ela gosta.
“Neste país, há imensos senhores casados, com filhos, que gostam de homens e têm as suas relações. Somos uma sociedade perfeitamente mentirosa.”
Para se ser diva, pelos vistos, também é importante saber isso. Mas também seria importante saber que para lutar por certos direitos e contra discriminações é necessário “dar nas vistas”. Ou pode-se ficar à espera de que seja o homossexual que não se aceita como tal que o faça? Sejamos realistas: por cá, e fazendo as contas certas, o homossexual (masculino) comum, nem é tanto o que dá a cara ou participa em desfiles, mas será mais o que baixa e sobe as calças à mesma velocidade com que foge de uma discussão da defesa das causas da sua orientação sexual. Uma sexualidade que ele nega, categoricamente, mas que pratica, sem contenção. Felizmente ainda vai havendo gente honesta neste meio que, gostando ou não de “dar nas vistas”, vai à luta e tem feito, apesar de tudo, muito pelo respeito e dignificação de todos os que “praticam” esta sexualidade. Todos! Incluindo os que cospem no seu prato da sopa.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Parabéns caro leitor: acabou de acumular uma morcela no seu saldo de cliques!
Uma manhã destas, logo ao acordar, comecei a ponderar nas várias hipóteses de fazer com que este blogue ficasse esteticamente mais feio, visualmente mais desagradável e menos prático de consultar as opções “extra-posts”. Cheguei a pensar contratar os mesmos gajos que criaram o novo site da Ana Malhoa, mas ao perceber que isso poderia trazer-me uma certa popularidade para o qual ainda não estou preparado, decidi não arriscar. Para além de que não teria suficiente dinheiro - ou silicone - para pagar tal complexo serviço. Até que um amigo opinou: “Porque não colocas anúncios do Google?... Ficas com a página mais cheiinha e ainda podes ganhar algum dinheiro com isso.” A primeira parte cumpria em pleno o meu objectivo, a segunda nunca fez qualquer sentido na minha cabeça. O Google para além de dispensar-me um espaço para eu escrever uns disparates, entre dois ou três desabafos e colocar fotos de ceroulas gigantes, ainda me vai dar dólares em troca? Deve ser, deve! Mesmo incrédulo acabei por aceder à sugestão do meu amigo.
Até que esta semana sou surpreendido, dentro da minha caixa de correio, coladinho à Dica da Semana, com um postal cujo remetente indicava: Google Adsense Support, (...), USA, e no seu interior continha alguma informação sobre uma “activação dos pagamentos” e um pin pessoal. Comecei a rir. O vizinho do primeiro andar, que tinha entretanto entrado no prédio, deve ter pensado: “Olha, mais um que não perde uma anedota do jornal do Lidl”.
"Ganhar dinheiro com a internet sem ter que me despir em frente a uma webcam? Ah ah ah!"
Que fique aqui registado: no dia que entrar em qualquer uma das minhas contas – por questões prático-fiscais tinha uma certa preferência por aquela que possuo num Banco na Suiça - um tusto por conta do “Foi um prazer...”, organizarei uma churrascada e estarão convidados, para participar nela, todos os meus assíduos leitores. A bebida será à descrição, mas os grelhados serão distribuídos consoante a fidelidade a este blogue. Para ficarem com uma ideia: três “cliques” semanais corresponderão a uma salsicha alemã, duas febras de porca ribatejana e uma alheira de Mirandela. Eu se fosse a vocês acampava já por aqui.
Até que esta semana sou surpreendido, dentro da minha caixa de correio, coladinho à Dica da Semana, com um postal cujo remetente indicava: Google Adsense Support, (...), USA, e no seu interior continha alguma informação sobre uma “activação dos pagamentos” e um pin pessoal. Comecei a rir. O vizinho do primeiro andar, que tinha entretanto entrado no prédio, deve ter pensado: “Olha, mais um que não perde uma anedota do jornal do Lidl”.
"Ganhar dinheiro com a internet sem ter que me despir em frente a uma webcam? Ah ah ah!"
Que fique aqui registado: no dia que entrar em qualquer uma das minhas contas – por questões prático-fiscais tinha uma certa preferência por aquela que possuo num Banco na Suiça - um tusto por conta do “Foi um prazer...”, organizarei uma churrascada e estarão convidados, para participar nela, todos os meus assíduos leitores. A bebida será à descrição, mas os grelhados serão distribuídos consoante a fidelidade a este blogue. Para ficarem com uma ideia: três “cliques” semanais corresponderão a uma salsicha alemã, duas febras de porca ribatejana e uma alheira de Mirandela. Eu se fosse a vocês acampava já por aqui.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Pá, evitei uma fila de 2 km na A1 e vim pelo Trancão!

sQuba, o primeiro carro submergível, vai ser apresentado no dia 7 de Março no Salão Automóvel de Genebra. Um carro a apostar fortemente no mercado português. Sobretudo útil para quem tenha que sair de casa em dias que chova um bocadinho mais que o normal ou para evitar portagens e as enormes filas de trânsito nas pontes. Aliás, com a chegada deste carro, dispensa-se qualquer tipo de discussão sobre a localização de novas pontes.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Smell like excessive-quantity-of-smoke
Foi aquela banda de covers rock que nos fez ir àquele local. Os meus amigos já conheciam-nos, no entanto, para mim, no passado sábado sucedeu uma dupla estreia, uma nova banda e um novo local: o “Armazém do Sal”, na Azambuja, em pleno Ribatejo (Sul). Bar dançante, espaçoso e com um ambiente agradável. Quando lá chegamos, já os Declinios iam a meio da sua versão de “Ruby” dos Kaiser Chiefs. Não os via, mas ouvi-os até bastante bem. A casa estava cheia e só faltavam-lhes uma certa elevação física, tipo: um palco, para que pudessem ser distinguidos do público que queria estar mais junto deles. Não precisei de escutar mais de duas ou três músicas para confirmar o boato: eram, de facto, muito bons. Limitarmo-nos a chamar-lhes uma banda de imitações parece-me muito injusto, já que o mais interessante que os Declinios tem para nos oferecer é uma certa originalidade que incutem nas suas versões de algumas “malhas” do nosso pop/rock/metal contemporâneo. Muse quase perfeitos, Razorlight e Arctic Monkeys para surpreender, Queens of the Stone Age bem esgalhados e uma insistência, mais que justificada pela garra e vozeirão do vocalista, nos Sistem of a Down. Houve tempo (mas pouco espaço) para “curtir” os clássicos dos Rage Against the Machine, Metallica e Nirvana. Pelo o que os pedidos do público davam a transparecer, o “Thunder(struck)” – ou “Sandra!” como o extrovertido vocalista escarneceu - dos AC/DC era o “prato da casa” e foi servido com o vocalista a transformar a sua voz de forma a ter ficado com dúvidas – já que, como referi anteriormente, mal os conseguia ver - se o Sr. Brian Johnson não terá sido subitamente teletransportado das terras dos cangurus directamente para as lezírias, só para levar aquele local ao rubro. Foi um momento brilhante.
O primeiro encore encerrou com o hino da geração rebelde dos anos 90, que é como quem diz “Smell like teen spirit”. Cheirava a alguma rebeldia, sim, mas cheirava mais a fumo. Não sei se aquele espaço se enquadra numa das exclusões da nova lei anti-tabagista e se tem mais ou menos de 100 m2 - porque se há coisa que não costumo trazer para locais de animação nocturna, é uma fita métrica para confirmar se os espaços públicos que frequento estão a cumprir a nova lei – mas uma coisa posso garantir: o sistema de evacuação de fumo daquele espaço funciona debilmente. Foi este o único pormenor “nebuloso” que não permitiu que aquela noite e aquele espaço não pudessem ser mais agradáveis. Por mais divertidíssimos que fossem os medleys dos Declinios, sentia-se o ar pesado e nem era com o risco de provocar uma taquicardia a qualquer militante da extrema-direita que se encontrasse por lá, quando a banda decidiu misturar os Buraka Som Sistema com o Hino Nacional. Concentrava-se sobre as nossas cabeças, um fumo que não encontrava um meio de fuga, tornando-se ainda mais denso sempre que, o vício se tornava insuportável e, se acendia mais um cigarro naquela sala, dificultando a respiração e a visão. Felizmente que o fumo não afecta directamente os ouvidos...
O primeiro encore encerrou com o hino da geração rebelde dos anos 90, que é como quem diz “Smell like teen spirit”. Cheirava a alguma rebeldia, sim, mas cheirava mais a fumo. Não sei se aquele espaço se enquadra numa das exclusões da nova lei anti-tabagista e se tem mais ou menos de 100 m2 - porque se há coisa que não costumo trazer para locais de animação nocturna, é uma fita métrica para confirmar se os espaços públicos que frequento estão a cumprir a nova lei – mas uma coisa posso garantir: o sistema de evacuação de fumo daquele espaço funciona debilmente. Foi este o único pormenor “nebuloso” que não permitiu que aquela noite e aquele espaço não pudessem ser mais agradáveis. Por mais divertidíssimos que fossem os medleys dos Declinios, sentia-se o ar pesado e nem era com o risco de provocar uma taquicardia a qualquer militante da extrema-direita que se encontrasse por lá, quando a banda decidiu misturar os Buraka Som Sistema com o Hino Nacional. Concentrava-se sobre as nossas cabeças, um fumo que não encontrava um meio de fuga, tornando-se ainda mais denso sempre que, o vício se tornava insuportável e, se acendia mais um cigarro naquela sala, dificultando a respiração e a visão. Felizmente que o fumo não afecta directamente os ouvidos...
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Nina
Tenho uma grande amiga que por vezes partilha comigo as suas amarguras do coração. Ninguém diz que por trás daquela rapariga extrovertida e bem-humorada, pode estar alguém tão frágil e emocionalmente carente. Só mesmo quem conheça as suas tristes histórias. Namorados, namoradas, casos e descasos.
Recentemente atraiu-se por uma colega de trabalho, que por sua vez já era comprometida. Tal atracção podia não ter passado disso, se não tivesse sido correspondida. Restava-lhe a consciência de que podia estar a mais e conseguir sair a tempo, ilesa, o quanto antes deste “jogo”. Mas será fácil contornar as suas regras quando o coração assume o papel de árbitro? Sinceramente, não sei, mas não consigo vislumbrar-lhe um prognóstico favorável: os trios amorosos nunca deram bons resultados para quem entra no “jogo” quando ele já vai a meio e é jogado, pelos restantes jogadores, com regras viciadas.
Não gosto de a ver triste, não gosto de a ver sofrer por ainda não ter encontrado alguém que soubesse valorizar e respeitar os seus sentimentos. Gostava, antes, que ela encontrasse um justo merecedor dos seus carinhos e que continuasse a acreditar nessa enorme capacidade de amar que, e apesar de um passado menos favorável, ainda lhe vai apoderando da alma.
Recentemente atraiu-se por uma colega de trabalho, que por sua vez já era comprometida. Tal atracção podia não ter passado disso, se não tivesse sido correspondida. Restava-lhe a consciência de que podia estar a mais e conseguir sair a tempo, ilesa, o quanto antes deste “jogo”. Mas será fácil contornar as suas regras quando o coração assume o papel de árbitro? Sinceramente, não sei, mas não consigo vislumbrar-lhe um prognóstico favorável: os trios amorosos nunca deram bons resultados para quem entra no “jogo” quando ele já vai a meio e é jogado, pelos restantes jogadores, com regras viciadas.
Não gosto de a ver triste, não gosto de a ver sofrer por ainda não ter encontrado alguém que soubesse valorizar e respeitar os seus sentimentos. Gostava, antes, que ela encontrasse um justo merecedor dos seus carinhos e que continuasse a acreditar nessa enorme capacidade de amar que, e apesar de um passado menos favorável, ainda lhe vai apoderando da alma.
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
A evolução dos costumes
A evolução dos costumes continua presa à ciência de saber quem de facto tem o direito de entender o sorriso das crianças. “Percebeu? Eu tenho uma filha. Eu posso entender!” Isto na boca de um político de extrema-esquerda. Mas os artistas não ficam atrás, só não metem a procriação ao barulho porque investem na metáfora: “A minha vida privada é um reduto inexpugnável.” A frase vinha estampada numa revista de mexericos como declaração peremptória de um actor famoso, um homem bonito, culto, na casa dos 40, vítima de uma onda de rumores malévolos que o associavam à vida privada de um político de nomeada. Se a reserva de intimidade de um artista cabe toda numa frase kitsch, que juízo fazer da evolução dos costumes?
Cidade Proibida, Eduardo Pitta
Cidade Proibida, Eduardo Pitta
Hot, hot
42 anos separam as idades dos dois pares de pernas mais "hot" da história da música R&B. Mas elas são muito mais que isso.
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Sem palavras
Quando ela chegou à zona dos campos e das paredes onde se costuma praticar ténis, já eu suava há mais de meia-hora. Ficamos em locais opostos, mas com a troca de bolas tive o privivlégio de a ver mais de perto e delinear melhor o seu perfil. Tive a oportunidade, inclusive, de lhe ouvir um doce “obrigado”, após uma das suas bolas ter invadido o meu espaço. Não usava daquelas maravilhosas e sedutoras saias que as suas “colegas” tenistas usam nos jogos profissionais, mas as calças (justas) também não lhe tiravam qualquer mérito. A combinação do cabelo alourado (com “rabo-de-cavalo”), a sua pele branca e um top preto colado ao peito fazia por despertar a atenção de alguns transeuntes – outros atletas ou famílias de passeantes - que passavam por perto. No entanto ela limitava-se a atirar as bolas contra a parede e a recebe-las de uma forma perfeitamente sincronizada e nada ou ninguém a desconcentrava.
Na estrada perpendicular à parede onde ela se encontrava, um rapaz, dentro do seu carro, parou uns metros antes e ficou por ali uns segundos a observá-la. Até que acabou mesmo por desligar o motor do seu Volkswagen Golf (versão antiga) preto. A rede, que separava os pouco metros dos campos de treino da via pública onde ele se encontrava, dava-lhe uma certa margem de segurança para cometer tal “ousadia”. Os carros, excepto os dos seguranças, estão interditos naquela zona do Estádio Nacional, no entanto o nosso “voyeur” deve pertencer ao contingente de trabalhadores que estão nas obras que vão dar origem ao gigantesco pavilhão de campos de ténis cobertos. Ela continuou o seu treino, mesmo depois de perceber que estava a ser descaradamente observada. Ele, não se fazendo de rogado, abre ainda o vidro do “pendura” para poder ouvir com maior clareza os ligeiros “gemidos” (de esforço) da desportista. Por ali ficou vários minutos. Só tinha olhos para ela e nem reparava que também estava a ser observado por todos os que por ali passavam e estranhavam a sua presença. Ela recuou, dirigiu-se ao saco e retira do seu interior uma garrafa de água. Colocou-se de perfil e ele, seguramente, acompanhou muito melhor que eu todos aqueles pequenos gestos corporais que a aliviaram-na da sede. Voltou a pegar na raquete e perseguiu o treino. Ele esperou mais uns minutos e acabou por partir, vagarosamente.
Chamem-me parolo e ultrapassado, mas gosto destes momentos de cortejamento ou galanteio.
“A todos nós falta a linguagem para expressar o que sentimos, e a única maneira de tornar alguma coisa visível é através da linguagem corporal. Já era assim com os “cowboys”...” Ang Lee, numa entrevista publicada no Público da semana passada. Por causa do seu novo filme: Lust/Caution ("Sedução/Conspiração").
Na estrada perpendicular à parede onde ela se encontrava, um rapaz, dentro do seu carro, parou uns metros antes e ficou por ali uns segundos a observá-la. Até que acabou mesmo por desligar o motor do seu Volkswagen Golf (versão antiga) preto. A rede, que separava os pouco metros dos campos de treino da via pública onde ele se encontrava, dava-lhe uma certa margem de segurança para cometer tal “ousadia”. Os carros, excepto os dos seguranças, estão interditos naquela zona do Estádio Nacional, no entanto o nosso “voyeur” deve pertencer ao contingente de trabalhadores que estão nas obras que vão dar origem ao gigantesco pavilhão de campos de ténis cobertos. Ela continuou o seu treino, mesmo depois de perceber que estava a ser descaradamente observada. Ele, não se fazendo de rogado, abre ainda o vidro do “pendura” para poder ouvir com maior clareza os ligeiros “gemidos” (de esforço) da desportista. Por ali ficou vários minutos. Só tinha olhos para ela e nem reparava que também estava a ser observado por todos os que por ali passavam e estranhavam a sua presença. Ela recuou, dirigiu-se ao saco e retira do seu interior uma garrafa de água. Colocou-se de perfil e ele, seguramente, acompanhou muito melhor que eu todos aqueles pequenos gestos corporais que a aliviaram-na da sede. Voltou a pegar na raquete e perseguiu o treino. Ele esperou mais uns minutos e acabou por partir, vagarosamente.
Chamem-me parolo e ultrapassado, mas gosto destes momentos de cortejamento ou galanteio.
“A todos nós falta a linguagem para expressar o que sentimos, e a única maneira de tornar alguma coisa visível é através da linguagem corporal. Já era assim com os “cowboys”...” Ang Lee, numa entrevista publicada no Público da semana passada. Por causa do seu novo filme: Lust/Caution ("Sedução/Conspiração").
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Mesmo assim há ainda quem pense que amar é fácil
O mais interessante dos nossos relacionamentos, para além de vivê-los, é perceber como funcionam e porque funcionam. Sendo nós, por vezes, tão distintos uns dos outros, é notável a nossa capacidade de adaptação (e, por vezes, de sacrifício). Os opostos atraem-se ou os opostos subjugam-se, mas eles mantêm-se. Sempre.
Até as pessoas mais frias e (aparentemente) insensíveis vão-se relacionando. Noto que para isso será necessário que o(a) parceiro(a) não o seja, pois para que se inicie uma relação é exigido um certo equilíbrio a nível de conjugação de personalidades. Depois, a durabilidade desse relacionamento já estará dependente da capacidade de ambos, ou só de uma das partes (como também acontece), fazer(em) por manter a sustentabilidade desse equilíbrio. É aqui que se avalia o grau de flexibilidade e tolerância de cada um. Pelas melhores e piores razões, ninguém esquece o(a) amado(a) mais inflexível e intolerante.
Até as pessoas mais frias e (aparentemente) insensíveis vão-se relacionando. Noto que para isso será necessário que o(a) parceiro(a) não o seja, pois para que se inicie uma relação é exigido um certo equilíbrio a nível de conjugação de personalidades. Depois, a durabilidade desse relacionamento já estará dependente da capacidade de ambos, ou só de uma das partes (como também acontece), fazer(em) por manter a sustentabilidade desse equilíbrio. É aqui que se avalia o grau de flexibilidade e tolerância de cada um. Pelas melhores e piores razões, ninguém esquece o(a) amado(a) mais inflexível e intolerante.
quinta-feira, janeiro 31, 2008
quarta-feira, janeiro 30, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Os erros do Luís
A singularidade dele começa quando marca almoços comigo em locais estratégicos, onde se sabe que à partida que, naquela peculiar hora, esses sítios vão estar repletos de pessoas. Nomeadamente: centros comerciais. Aparece-me à frente, sempre, envergando a sua farda de piloto de uma companhia aérea. Ao contrário de muitos, o Luís faz questão de não ser discreto. Ninguém passa por ele e deixa de o contemplar e se há coisa que ele adora, é exactamente isso: que não se fique indiferente à sua presença. Ele é bem-apessoado mas é a tal farda que marca a diferença. Gosto de ver os olhares dos outros, sobretudo das mais recatadas mulheres que se esforçam para não serem captadas a observar. Dá-se a troca de olhares: ele conversa comigo e simula olhar para mim, elas olham (discretamente) para ele e eu olho (discretamente) para elas. Aquela farda rende e ele sabe disso. Já lhe rendeu, pelo menos, algumas tardes de prazer e ele também já percebeu que a sua aliança no dedo anelar deixou de ser um entrave quando há uma superlativa atracção pela sua vestimenta.
Ao contrário do que se possa imaginar, o Luís não é tão indiscreto com a sua intimidade. Fala muito pouco dela, apesar de me dar a conhecer todos os seus “casos”. Mas, ao contrário de outros amigos, não entra em pormenores. Dá-me a conhecer o essencial e deixa em suspenso o que ele é em privado. Alguém que chegou a desabafar comigo todos os seus mais recatados medos e receios – porque mesmo alguém que tripula um Boeing com quase 200 vidas a bordo também os terá -, estranhei inicialmente que não alargasse o âmbito das suas confissões para outras áreas. Até que um dia coloquei como hipótese o seu interesse na minha pessoa ir um pouco mais além da boa companhia e da boa conversa. Até ao dia que percebi que alguns daqueles olhares mais profundos poderiam querer significar mais que uma prova de confiança. Até ao dia em que, num desses almoços pré-combinados, a sua perna se deixou ficar colada à minha demasiado tempo para eu considerar ser mera distracção... Entre outras insinuações mais ou menos directas. Ele é uma pessoa bastante prática e sempre me quis dar a entender que todas as vertentes da sexualidade lhe causavam, no mínimo, curiosidade. Eu sei que ele sabe que eu sei o que ele sabe que eu sei...
Tudo o que mais pudéssemos partilhar a um nível mais carnal, poderia lhe ser tão indiferente quanto como qualquer um dos seus casos extra-matrimoniais. Com uma componente extra de facilidade: por eu também ser homem e poder pensar da mesma forma, digamos, uma forma descomplicada. É esse um dos erros do Luís, achar que penso à sua maneira. O outro será não entender que a bissexualidade e a promiscuidade estão a milhas de distância de serem sinónimos. E o maior erro poderá ser: pensar que a minha amizade para com ele não possa sair abalada por “mais uma queca” no seu currículo.
Ao contrário do que se possa imaginar, o Luís não é tão indiscreto com a sua intimidade. Fala muito pouco dela, apesar de me dar a conhecer todos os seus “casos”. Mas, ao contrário de outros amigos, não entra em pormenores. Dá-me a conhecer o essencial e deixa em suspenso o que ele é em privado. Alguém que chegou a desabafar comigo todos os seus mais recatados medos e receios – porque mesmo alguém que tripula um Boeing com quase 200 vidas a bordo também os terá -, estranhei inicialmente que não alargasse o âmbito das suas confissões para outras áreas. Até que um dia coloquei como hipótese o seu interesse na minha pessoa ir um pouco mais além da boa companhia e da boa conversa. Até ao dia que percebi que alguns daqueles olhares mais profundos poderiam querer significar mais que uma prova de confiança. Até ao dia em que, num desses almoços pré-combinados, a sua perna se deixou ficar colada à minha demasiado tempo para eu considerar ser mera distracção... Entre outras insinuações mais ou menos directas. Ele é uma pessoa bastante prática e sempre me quis dar a entender que todas as vertentes da sexualidade lhe causavam, no mínimo, curiosidade. Eu sei que ele sabe que eu sei o que ele sabe que eu sei...
Tudo o que mais pudéssemos partilhar a um nível mais carnal, poderia lhe ser tão indiferente quanto como qualquer um dos seus casos extra-matrimoniais. Com uma componente extra de facilidade: por eu também ser homem e poder pensar da mesma forma, digamos, uma forma descomplicada. É esse um dos erros do Luís, achar que penso à sua maneira. O outro será não entender que a bissexualidade e a promiscuidade estão a milhas de distância de serem sinónimos. E o maior erro poderá ser: pensar que a minha amizade para com ele não possa sair abalada por “mais uma queca” no seu currículo.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
quarta-feira, janeiro 23, 2008
E tudo o vendaval trouxe
Salvo algumas (pouquíssimas) excepções, tivemos, por cá, um final de ano medíocre a nível de boas estreias cinematográficas. Portanto ninguém se surpreende com o facto de que, dos cinco filmes nomeados para o Óscar na categoria principal, só um ainda tenha estreado nas nossas salas: “Atonement” (“Expiação”) - estreou a semana passada e, ou muito me engano ou, deve ser o mais fraquinho dos cinco, mesmo que traga no currículo alguns Globos de Ouro e uma boas críticas. Ou seja: vem aí um vendaval de expectantes estreias. Os novos filmes de Sidney Pollack (como produtor), dos irmãos Coen e de um dos meus realizadores favoritos da nova geração: Paul Thomas Andersen. O outro nomeado que encerra esta lista é a surpresa indie, ou melhor, o “Little Miss Sunshine” (versão 'tuga: “Uma família à beira de um ataque de nervos”) dos Óscares de 2008, chama-se “Juno” e estou com esperanças de que ele me faça rir, tanto ou mais que o seu congénere de 2007. Não deve ganhar o tal Óscar, mas uma nomeaçãozita nesta categoria dá-lhe sempre uma certa visibilidade que precisa (e certamente merece). Estreia prevista em Portugal a 7 de Fevereiro.
Dois factos curiosos: Julie Christie foi nomeada para o respectivo prémio de melhor actriz e Julian Schnabel foi nomeado para o de melhor realizador. Sobre o primeiro, convém acrescentar que o filme, onde esta grande senhora entra, chama-se “Away from her” ("Longe Dela"), também nomeado para o Óscar de melhor argumento adaptado, nem teve direito a exibição nas nossas salas, passou directamente para o mercado do DVD. Quanto ao segundo facto, sobre o realizador e o seu filme: “O Escafandro e a Borboleta” - estreou quase despercebidamente por cá o ano passado e a nossa crítica parece ter dado aquele empurrãozito extra... para o precipício - anexado a uma expressiva classificação de “bola negra”, "alguém" terá escrito:
"Há filmes assim que não deixam quaisquer dúvidas: insuportáveis da primeira à última imagem. Sobretudo para quem gostar de melodrama, como nós, este sentimentalismo pateta, "realizado", pretensiosamente, na "primeira pessoa", não pode deixar de indignar. O modo como se trata a doença, o coma, o sofrimento, por interposta ficção, baseada (assume-se) em factos reais, é quase obsceno. Julian Schnabel não resiste a rodriguinhos e a chantagens emocionais, mas o resultado final é catastrófico."
Ou não?
Dois factos curiosos: Julie Christie foi nomeada para o respectivo prémio de melhor actriz e Julian Schnabel foi nomeado para o de melhor realizador. Sobre o primeiro, convém acrescentar que o filme, onde esta grande senhora entra, chama-se “Away from her” ("Longe Dela"), também nomeado para o Óscar de melhor argumento adaptado, nem teve direito a exibição nas nossas salas, passou directamente para o mercado do DVD. Quanto ao segundo facto, sobre o realizador e o seu filme: “O Escafandro e a Borboleta” - estreou quase despercebidamente por cá o ano passado e a nossa crítica parece ter dado aquele empurrãozito extra... para o precipício - anexado a uma expressiva classificação de “bola negra”, "alguém" terá escrito:
"Há filmes assim que não deixam quaisquer dúvidas: insuportáveis da primeira à última imagem. Sobretudo para quem gostar de melodrama, como nós, este sentimentalismo pateta, "realizado", pretensiosamente, na "primeira pessoa", não pode deixar de indignar. O modo como se trata a doença, o coma, o sofrimento, por interposta ficção, baseada (assume-se) em factos reais, é quase obsceno. Julian Schnabel não resiste a rodriguinhos e a chantagens emocionais, mas o resultado final é catastrófico."
Ou não?
terça-feira, janeiro 22, 2008
sábado, janeiro 19, 2008
Admiráveis seres
Admiro a coragem do transexualismo, transformismo e fenómenos similares. Alguém que não teme as consequências de uma sociedade preconceituosa e estereotipada e segue pelo difícil caminho de assumir para si e para os outros que nasceu com o sexo errado. Há quem faça disso um “hobby”, mas também há quem tome uma decisão definitiva e faça dela uma mutação integral e (quase) definitiva, com as consequentes transformações no seu próprio corpo. O passo heróico reside aqui: um homem consegue facilmente adquirir comportamentos e características femininas (e vice-versa), mas não alcançará as formas físicas do (tão desejado) sexo oposto com a mesma facilidade.
A maioria destas pessoas faz do milagre da transformação dum corpo o melhor remédio para o apaziguamento da sua alma. Uma alma que até então não se coadunava com o que via à frente do seu espelho. Serei eu o único a achar maravilhosa essa forma de arte de endeusamento do mundo do sexo oposto, transformando-se nele? Não serei certamente, mas também sei que, para muitos, eles/elas nunca deixarão de ser “aberrações da natureza” - mesmo que isso não seja impedimento para que estes “perturbantes seres” façam parte das suas mais recônditas fantasias sexuais, aliás, é melhor nem imaginar a percentagem de homens, seguríssimos da sua heterossexualidade, que não se importavam de serem “desenrascados” por um travesti. (O sexo é orientado pela “psico” do próprio e, simultaneamente, pelos comportamentos dos outros.)
Estranho, no entanto, quem limite a sua mudança ao/pelo sexo. Um sexo pode legitimamente incorporar ou transformar-se noutro por pura satisfação de fantasias e da realização dos seus mais íntimos desejos, mas tal pode ser também, tão-somente, a mais perversa e perigosa forma das obsessões: a de dar prazer a alguém do mesmo sexo, transformando-se no (sexo) oposto – só porque a sociedade assim o regrou como “normal”. É aqui que coloco as minhas reticências sobre o “fenómeno” destes admiráveis seres. Quando estes homens/mulheres não querem ser mulheres/homens por eles, mas pelos outros. Valerá mesmo a pena?
A maioria destas pessoas faz do milagre da transformação dum corpo o melhor remédio para o apaziguamento da sua alma. Uma alma que até então não se coadunava com o que via à frente do seu espelho. Serei eu o único a achar maravilhosa essa forma de arte de endeusamento do mundo do sexo oposto, transformando-se nele? Não serei certamente, mas também sei que, para muitos, eles/elas nunca deixarão de ser “aberrações da natureza” - mesmo que isso não seja impedimento para que estes “perturbantes seres” façam parte das suas mais recônditas fantasias sexuais, aliás, é melhor nem imaginar a percentagem de homens, seguríssimos da sua heterossexualidade, que não se importavam de serem “desenrascados” por um travesti. (O sexo é orientado pela “psico” do próprio e, simultaneamente, pelos comportamentos dos outros.)
Estranho, no entanto, quem limite a sua mudança ao/pelo sexo. Um sexo pode legitimamente incorporar ou transformar-se noutro por pura satisfação de fantasias e da realização dos seus mais íntimos desejos, mas tal pode ser também, tão-somente, a mais perversa e perigosa forma das obsessões: a de dar prazer a alguém do mesmo sexo, transformando-se no (sexo) oposto – só porque a sociedade assim o regrou como “normal”. É aqui que coloco as minhas reticências sobre o “fenómeno” destes admiráveis seres. Quando estes homens/mulheres não querem ser mulheres/homens por eles, mas pelos outros. Valerá mesmo a pena?
quinta-feira, janeiro 17, 2008
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Ele é tão... português!
“Nos últimos anos de missão de apoio à paz nos Balcãs, dezenas de militares casaram com raparigas da Bósnia. É o caso do sargento Fabrício...” (...)
“Ela chamou-me à atenção por ser uma pessoa muito forte e muito profissional... Era a nossa tradutora. Ela também é muito bonita, se calhar se não fosse bonita... (ri-se)”. “Em Reportagem”, “Da Bósnia com Amor”. Mais logo na RTP1.
Ela podia ripostar no mesmo sentido: “Ele chamou-me à atenção por ser uma pessoa muito sincera e humilde... Ele também é (muito) português, se calhar se não fosse (tão) português...”
“Ela chamou-me à atenção por ser uma pessoa muito forte e muito profissional... Era a nossa tradutora. Ela também é muito bonita, se calhar se não fosse bonita... (ri-se)”. “Em Reportagem”, “Da Bósnia com Amor”. Mais logo na RTP1.
Ela podia ripostar no mesmo sentido: “Ele chamou-me à atenção por ser uma pessoa muito sincera e humilde... Ele também é (muito) português, se calhar se não fosse (tão) português...”
terça-feira, janeiro 15, 2008
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Chatisse contra-ataca
Alguém já kurtiu com o pai? Vamos tclr e quem sabe podemos trocar de pai.
Quando a perversão começa na nossa própria casa torna-se sempre mais complicado entender os seus limites. Isto agrava-se quando está envolvido alguém que nem consciência tem do que faz ou do que lhe pedem para fazer.
Esta pequena mensagem foi enviada para um dos chats do teletexto da SIC. Um chat que foi encerrado há mais de um ano atrás, não tanto por motivos relacionados com esses tais limites mas mais pela linguagem utilizada nestas mensagens. Para a autoridade que o regula, mais grave que haver claríssimos casos de pedofilia - que eu em tempos denunciei por aqui - ou incesto (como pode ser o caso), era estar a ser usado, para tal, “palavrões”. Depois reabriram-no, estipulando certas regras e impondo uma contenção na linguagem nas mensagens a publicar. Mas depressa se aperceberam que, por vezes, é difícil ao ser humano exprimir os seus mais íntimos desejos e vontades sexuais através de uma linguagem cuidada e sem uma ou outra ordinarice pelo meio. Não é tanto uma questão educativa, poderá ser mais uma questão racional, penso eu. Provavelmente, também, o negócio deixou de render o que rendia e acabou mesmo por se levantar o embargo à sms obscena. Ou seja, actualmente, voltamos aos primórdios e já tudo é permitido. Menos o bom senso.
Para quem acha que a sexualidade – nomeadamente, a virtual - dos portugueses é demasiado homogénea e, sobretudo, pouco criativa e original, aconselho, desde já, uma visita a este “mundo”. É verdade que são fantasias que cada vez menos me surpreendem, ou eu não soubesse que as tradições e bons costumes, por norma, andam sempre de mãos dadas com a perversão em última escala e a mais dissimulada. No entanto não me deixo de espantar com a naturalidade com que são expostas publicamente, sobretudo porque não são feitas de forma anónima e parece que, até há algumas que, são legalmente condenáveis. Ninguém diria...
Quando a perversão começa na nossa própria casa torna-se sempre mais complicado entender os seus limites. Isto agrava-se quando está envolvido alguém que nem consciência tem do que faz ou do que lhe pedem para fazer.
Esta pequena mensagem foi enviada para um dos chats do teletexto da SIC. Um chat que foi encerrado há mais de um ano atrás, não tanto por motivos relacionados com esses tais limites mas mais pela linguagem utilizada nestas mensagens. Para a autoridade que o regula, mais grave que haver claríssimos casos de pedofilia - que eu em tempos denunciei por aqui - ou incesto (como pode ser o caso), era estar a ser usado, para tal, “palavrões”. Depois reabriram-no, estipulando certas regras e impondo uma contenção na linguagem nas mensagens a publicar. Mas depressa se aperceberam que, por vezes, é difícil ao ser humano exprimir os seus mais íntimos desejos e vontades sexuais através de uma linguagem cuidada e sem uma ou outra ordinarice pelo meio. Não é tanto uma questão educativa, poderá ser mais uma questão racional, penso eu. Provavelmente, também, o negócio deixou de render o que rendia e acabou mesmo por se levantar o embargo à sms obscena. Ou seja, actualmente, voltamos aos primórdios e já tudo é permitido. Menos o bom senso.
Para quem acha que a sexualidade – nomeadamente, a virtual - dos portugueses é demasiado homogénea e, sobretudo, pouco criativa e original, aconselho, desde já, uma visita a este “mundo”. É verdade que são fantasias que cada vez menos me surpreendem, ou eu não soubesse que as tradições e bons costumes, por norma, andam sempre de mãos dadas com a perversão em última escala e a mais dissimulada. No entanto não me deixo de espantar com a naturalidade com que são expostas publicamente, sobretudo porque não são feitas de forma anónima e parece que, até há algumas que, são legalmente condenáveis. Ninguém diria...
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Push & Bear
Através de uma amiga fiquei a saber que a loja da Pull & Bear, num conhecido centro comercial em Lisboa, está a recrutar colaboradores (M/F) com base nas seguintes condições:
Horário: 19h – 24h, sete dias por semana, com 15 minutos de período para uma refeição (falou-me em dois dias de folga “mensais”, mas deduzo que tenha percebido mal, ou seja: devem ser semanais – i hope!)
Remuneração Ilíquida: 250 euros
Podia-me associar à sua consternação começando logo pelo horário, digamos, indefinido. Indefinido nem me parece que seja a palavra mais correcta a aplicar a esta situação. Talvez, falso. Senão vejamos, segundo palavras da minha amiga: a loja fecha de facto à meia-noite, mas é exigido que todos os colaboradores devam permanecer na loja até que esta esteja preparada para a sua reabertura na manhã seguinte. Sendo assim, não me parece que o horário proposto seja o mais transparente.
Depois vem a questão da remuneração ilíquida, ou seja: sem descontos. Neste caso, aplica-se só os 11% da Segurança Social, já que, como se sabe, um “ordenado” deste montante está isento de IRS. E prémios haverá? Subsídios de turno: por tratar-se de um período laboral fixo penso que não seja aplicável. Comissões? Sei que é por aqui onde se pode ir buscar grande parte do rendimento deste tipo de empregos. Pode, inclusive, conseguir chegar-se a duplicar o valor da remuneração base, mas para isso é necessário que haja uma política de prémios bem implementada e com regras claras (e legais). As comissões de vendas são de facto um bom incentivo mas aplicam-se a este caso específico? Sinceramente, não me parece. Já visitei várias lojas desta marca e nunca fui interpelado por qualquer empregado. O público-alvo é jovem, e jovem que é jovem não é muito influenciável por opiniões dos mais velhos. Chega-se, vê-se, experimenta-se e compra-se (ou não). Só mesmo em último caso interrompe-se o trabalho do lojista para solicitar qualquer esclarecimento.
Face a isto, sinceramente nem sei o que me parece mais grave: se um full-time job camuflado de part-time (35 horas semanais?!), se um novo tipo de escravatura camuflada por um trabalho remunerado (a pouco mais que um euro e meio à hora?!).
Horário: 19h – 24h, sete dias por semana, com 15 minutos de período para uma refeição (falou-me em dois dias de folga “mensais”, mas deduzo que tenha percebido mal, ou seja: devem ser semanais – i hope!)
Remuneração Ilíquida: 250 euros
Podia-me associar à sua consternação começando logo pelo horário, digamos, indefinido. Indefinido nem me parece que seja a palavra mais correcta a aplicar a esta situação. Talvez, falso. Senão vejamos, segundo palavras da minha amiga: a loja fecha de facto à meia-noite, mas é exigido que todos os colaboradores devam permanecer na loja até que esta esteja preparada para a sua reabertura na manhã seguinte. Sendo assim, não me parece que o horário proposto seja o mais transparente.
Depois vem a questão da remuneração ilíquida, ou seja: sem descontos. Neste caso, aplica-se só os 11% da Segurança Social, já que, como se sabe, um “ordenado” deste montante está isento de IRS. E prémios haverá? Subsídios de turno: por tratar-se de um período laboral fixo penso que não seja aplicável. Comissões? Sei que é por aqui onde se pode ir buscar grande parte do rendimento deste tipo de empregos. Pode, inclusive, conseguir chegar-se a duplicar o valor da remuneração base, mas para isso é necessário que haja uma política de prémios bem implementada e com regras claras (e legais). As comissões de vendas são de facto um bom incentivo mas aplicam-se a este caso específico? Sinceramente, não me parece. Já visitei várias lojas desta marca e nunca fui interpelado por qualquer empregado. O público-alvo é jovem, e jovem que é jovem não é muito influenciável por opiniões dos mais velhos. Chega-se, vê-se, experimenta-se e compra-se (ou não). Só mesmo em último caso interrompe-se o trabalho do lojista para solicitar qualquer esclarecimento.
Face a isto, sinceramente nem sei o que me parece mais grave: se um full-time job camuflado de part-time (35 horas semanais?!), se um novo tipo de escravatura camuflada por um trabalho remunerado (a pouco mais que um euro e meio à hora?!).
quinta-feira, janeiro 10, 2008
"Ou o amor ou os deslizes. E deslizes no amor dá qualquer coisa como dois infelizes."
(...)
Vários amigos meus estão agora a separar-se. Lamento por eles, porque há também um bocadinho de mim que morre com o amor que nunca foi meu mas que vi nascer. É definhar. Assistir ao fim do amor mata-me.(...)
O amor comporta muitos sacrifícios, mas depois há um dia em que acordamos e aquela força parva que nunca esteve do nosso lado acorda connosco e deperta para nunca mais adormecer.(...)
Os meus amigos eram quase perfeitos no amor, ou na ideia que temos dele. Não fossem os deslizes. E os deslizes são graves. Ela desculpou o primeiro, não quis ver o segundo, chorou o terceiro, arrependeu-se de ter permitido o quarto, e se calhar foi ao quinto que disse: “Chega!”. Por “deslize” não tem que se entender um acto consumado, mas a intenção de cometê-lo. Para mim, e para ela, são igualmente importantes. Enquanto que a pessoa com quem partilhamos a cama está a pensar como vai cometer esse deslize, nós já deixamos de existir na cabeça dela. Ou só existimos porque constituímos um entrave ao acontecimento.
O meu amigo está a sofrer, é verdade. E há uma parte de mim que também é solidária com a sua dor. É que, para ele, os deslizes não tinham importância nenhuma porque ele gosta mesmo é dela. Deslizes e felizes são palavras que rimam na cabeça dele. E curiosamente rimam mesmo. Mas na minha fazem faísca.
A acabar o ano permitam-me estas linhas de filosofia barata, como se eu soubesse escrever outra coisa... O amor bem nutrido compensa mesmo e a fidelidade (por mais que a braguilha torça) é um mal necessário. Ou então já sabem que tudo o que fizeram vão também receber. Eu sei isso tão bem do meu passado recente. Isto não quer dizer que não prevarique... Tenho é consciência que não vou ser poupada pela má sorte.
Ou o amor ou os deslizes. E deslizes no amor dá qualquer coisa como dois infelizes.
Não é tão fácil de perceber o amor?
Parte da crónica de “O Sexo e a Cidália”, de 29 de Dezembro de 2007 NS (DN)
Vários amigos meus estão agora a separar-se. Lamento por eles, porque há também um bocadinho de mim que morre com o amor que nunca foi meu mas que vi nascer. É definhar. Assistir ao fim do amor mata-me.(...)
O amor comporta muitos sacrifícios, mas depois há um dia em que acordamos e aquela força parva que nunca esteve do nosso lado acorda connosco e deperta para nunca mais adormecer.(...)
Os meus amigos eram quase perfeitos no amor, ou na ideia que temos dele. Não fossem os deslizes. E os deslizes são graves. Ela desculpou o primeiro, não quis ver o segundo, chorou o terceiro, arrependeu-se de ter permitido o quarto, e se calhar foi ao quinto que disse: “Chega!”. Por “deslize” não tem que se entender um acto consumado, mas a intenção de cometê-lo. Para mim, e para ela, são igualmente importantes. Enquanto que a pessoa com quem partilhamos a cama está a pensar como vai cometer esse deslize, nós já deixamos de existir na cabeça dela. Ou só existimos porque constituímos um entrave ao acontecimento.
O meu amigo está a sofrer, é verdade. E há uma parte de mim que também é solidária com a sua dor. É que, para ele, os deslizes não tinham importância nenhuma porque ele gosta mesmo é dela. Deslizes e felizes são palavras que rimam na cabeça dele. E curiosamente rimam mesmo. Mas na minha fazem faísca.
A acabar o ano permitam-me estas linhas de filosofia barata, como se eu soubesse escrever outra coisa... O amor bem nutrido compensa mesmo e a fidelidade (por mais que a braguilha torça) é um mal necessário. Ou então já sabem que tudo o que fizeram vão também receber. Eu sei isso tão bem do meu passado recente. Isto não quer dizer que não prevarique... Tenho é consciência que não vou ser poupada pela má sorte.
Ou o amor ou os deslizes. E deslizes no amor dá qualquer coisa como dois infelizes.
Não é tão fácil de perceber o amor?
Parte da crónica de “O Sexo e a Cidália”, de 29 de Dezembro de 2007 NS (DN)
quarta-feira, janeiro 09, 2008
terça-feira, janeiro 08, 2008
Curtíssima

Duas amigas bebem demais... Brincam... e o desejo subitamente perde as amarras. Acabam na cama. Acordam, no outro dia, nuas, coladas uma à outra. Depois, deambulam separadas silenciosamente pela casa. Estranhas e incomodadas com a presença uma da outra. Repudiam-se, esbofeteiam-se, abraçam-se e beijam-se. Sentimentos díspares. Os actos são instintivos e as palavras não são ponderadas. Não acaba bem a curta-metragem de Myriam Donasis (“Le lit froissé”), que passou no “Onda Curta” na madrugada de ontem na RTP2. Também estava a gostar de ver a curta portuguesa “O estratagema do amor” (inspirado num conto de Marquês de Sade) até ao momento em que esta estação pública decidiu, sem nenhuma razão aparente, interromper o filme a meio. Ainda coloquei como hipótese uma eventual falha técnica e que, após a “publicidade institucional”, voltassem a dar voz à encantadora marialva que seduzia todas as mulheres bonitas (a Margarida Vila-Nova fazia parte deste lote) que passavam pelo seu palacete e ao infortunado rapaz que se deixou cair nos seus encantos - chegando ao limite de se transvestir de mulher para poder também participar numa das suas festas e, assim, estar mais próximo da sua amada. A emissão do “Euronews” apareceu e eu perdi totalmente as esperanças de voltar a ver o único filme de época que, apesar da hora tardia que passou, não me deu vontade de dormir.
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Em Portugal, um homem que não tenha um bom paleio não arranja mulher
Ao contrário do que poderia previamente pensar, as histórias extraconjugais do “Mário” têm para mim algum interesse. Os encontros e desencontros com as mulheres que passam-lhe pelas mãos e que se deixam encantar pelo seu lado sedutor démodé são sempre peculiares.
“A net é uma treta... E perde-se demasiado tempo!”, diz ele, algo desiludido com as potencialidades das novas tecnologias. “Prefiro os métodos tradicionais. O cortejamento dá sempre os seus frutos... Nem que seja uma tampa.” Fala naturalmente com orgulho das suas conquistas, das sua “amigas”. Perdi a conta delas e penso que ele também. No entanto, há sempre algumas fixas, para resolver situações de “emergência”. Distraído como é, surpreende-me a sua desenvoltura e capacidade de organização de contactos e encontros. Mas ele safa-se... Tem-se safado, pelo menos. Casadas, solteiras, divorciadas, magras, gordas, altas, pequenas, ricas, pobres, aparentemente não há critério de selecção. O único requisito necessário parece-me ser unicamente o de serem sexualmente activas. E suficientemente liberais, ao ponto de haver sexo anal nos seus encontros. “É o meu prato preferido e não posso prescindir dele numa boa sessão de sexo”. Questiono-lhe se todas as mulheres com quem esteve já tinham sido iniciadas nessa prática sexual. “Não. Nem por sombras. Muitas aprendem tudo comigo e eu, modéstia à parte, até sou um bom professor.” (Rindo-se continuamente)
Vai da portuguesa “mais difícil de dar a volta”, até à brasileira “safadona” que “pede por mais e que arrebenta comigo”. Aproveito logo a deixa e tento ver se é desta que entendo esta apetência – pelo menos da fama não se livram - das mulheres brasileiras para o sexo anal. Ele dá-me, convictamente, a sua opinião sobre o assunto. “É uma questão cultural... No Brasil, uma mulher que não dá o rabo não arranja homem. Portanto está de tal modo enraizado socialmente que não faz sentido sequer ser questionado... Porque é que achas que elas fazem tanto sucesso entre nós?”. Parece-me óbvio que, de facto, o Brasil ganhou, nos últimos tempos, alguma relevância no mercado do turismo sexual mas contraponho com o facto de que nem toda a gente poderá tirar o mesmo prazer dessa prática e que há toda uma vida fantástica para além da submissão inquestionável. “Respeito quem não queira, mas ainda não encontrei uma brasileira que não gostasse. Aliás, regra geral, são elas que me pedem...”. Equaciono depois, para tornar a conversa mais animada, a hipótese de as mulheres brasileiras inverterem esta situação: “um homem brasileiro antes de exigir seja lá o que for da sua mulher, precisa de a respeitar e respeitar as suas decisões, sob qualquer pretexto”. Obtenho uma resposta imediata: “Seria impossível, pois deixaria de estar em jogo um factor cultural mas um histórico ou social. Importantíssimo...”.
“A net é uma treta... E perde-se demasiado tempo!”, diz ele, algo desiludido com as potencialidades das novas tecnologias. “Prefiro os métodos tradicionais. O cortejamento dá sempre os seus frutos... Nem que seja uma tampa.” Fala naturalmente com orgulho das suas conquistas, das sua “amigas”. Perdi a conta delas e penso que ele também. No entanto, há sempre algumas fixas, para resolver situações de “emergência”. Distraído como é, surpreende-me a sua desenvoltura e capacidade de organização de contactos e encontros. Mas ele safa-se... Tem-se safado, pelo menos. Casadas, solteiras, divorciadas, magras, gordas, altas, pequenas, ricas, pobres, aparentemente não há critério de selecção. O único requisito necessário parece-me ser unicamente o de serem sexualmente activas. E suficientemente liberais, ao ponto de haver sexo anal nos seus encontros. “É o meu prato preferido e não posso prescindir dele numa boa sessão de sexo”. Questiono-lhe se todas as mulheres com quem esteve já tinham sido iniciadas nessa prática sexual. “Não. Nem por sombras. Muitas aprendem tudo comigo e eu, modéstia à parte, até sou um bom professor.” (Rindo-se continuamente)
Vai da portuguesa “mais difícil de dar a volta”, até à brasileira “safadona” que “pede por mais e que arrebenta comigo”. Aproveito logo a deixa e tento ver se é desta que entendo esta apetência – pelo menos da fama não se livram - das mulheres brasileiras para o sexo anal. Ele dá-me, convictamente, a sua opinião sobre o assunto. “É uma questão cultural... No Brasil, uma mulher que não dá o rabo não arranja homem. Portanto está de tal modo enraizado socialmente que não faz sentido sequer ser questionado... Porque é que achas que elas fazem tanto sucesso entre nós?”. Parece-me óbvio que, de facto, o Brasil ganhou, nos últimos tempos, alguma relevância no mercado do turismo sexual mas contraponho com o facto de que nem toda a gente poderá tirar o mesmo prazer dessa prática e que há toda uma vida fantástica para além da submissão inquestionável. “Respeito quem não queira, mas ainda não encontrei uma brasileira que não gostasse. Aliás, regra geral, são elas que me pedem...”. Equaciono depois, para tornar a conversa mais animada, a hipótese de as mulheres brasileiras inverterem esta situação: “um homem brasileiro antes de exigir seja lá o que for da sua mulher, precisa de a respeitar e respeitar as suas decisões, sob qualquer pretexto”. Obtenho uma resposta imediata: “Seria impossível, pois deixaria de estar em jogo um factor cultural mas um histórico ou social. Importantíssimo...”.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
quinta-feira, janeiro 03, 2008
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Sobre as minhas costas
Carrego o peso dos meus desejos concretizados e por concretizar. A dúvida surge nestes períodos por não saber o que mais pesa: desejar o que nunca tive, ou ter aquilo que nunca desejei.
Os balanços podem ser frustrantes, os prognósticos podem ser pouco animadores. E as minhas costas vão suportando tudo isso. Até quando?
sexta-feira, dezembro 28, 2007
quinta-feira, dezembro 27, 2007
800 Euros
É o valor que um grupo de amigos vai despender pela estadia, num medíocre T2, no próximo fim-de-semana prolongado, na Nazaré. Parece que foi o melhor preço para ambas as partes.
A preocupação deste grupo estaria, não tanto com as condições que a casa pudesse oferecer - muito menos com o lhes vai sair do bolso – mas com a aceitação, por parte da arrendadora, do respectivo número de hóspedes. Uma dúzia, “mas podem ser mais”. Perceberam, no segundo a seguir, que tinha sido uma sorte terem avançado com um número par, pois para a nazarena, mais importante que o número de estranhos que lhe vai invadir a sua casa, seria o tipo de inter-relacionamentos entre si: “Quantos casais são?”. Ora bem e não é que a teoria da senhora das sete saias faz sentido: enquanto acasalam, não destroem a casa! Ficamos, assim, todos a saber que, ao contrário da especulação imobiliária, a poligamia não é uma prática vista com bons olhos pela classe das varinas da Nazaré.
A preocupação deste grupo estaria, não tanto com as condições que a casa pudesse oferecer - muito menos com o lhes vai sair do bolso – mas com a aceitação, por parte da arrendadora, do respectivo número de hóspedes. Uma dúzia, “mas podem ser mais”. Perceberam, no segundo a seguir, que tinha sido uma sorte terem avançado com um número par, pois para a nazarena, mais importante que o número de estranhos que lhe vai invadir a sua casa, seria o tipo de inter-relacionamentos entre si: “Quantos casais são?”. Ora bem e não é que a teoria da senhora das sete saias faz sentido: enquanto acasalam, não destroem a casa! Ficamos, assim, todos a saber que, ao contrário da especulação imobiliária, a poligamia não é uma prática vista com bons olhos pela classe das varinas da Nazaré.
terça-feira, dezembro 25, 2007
Bom dia!
Desperta com a pouco claridade que vai sorrateiramente entrando pela janela semifechada do quarto. Vai ganhando consciência, primeiro de onde está e logo de seguida, de que não está só. Vira-se para quem está ao seu lado e fica ali ainda alguns minutos a contemplar aquela magnífica porção limitada de matéria quase estranha que os lençóis não conseguem cobrir. O pescoço, a boca, o nariz, o cabelo. Os olhos tremem e ouve-se a respiração, aquele seria o melhor momento para poder cometer o perverso acto de observar os detalhes sem estar na condição perturbante (e intimidante) de poder estar sujeito ao mesmo processo. Entretanto, aquela experiência necessita de passar a outro nível e decide aventurar a sua mão até ao corpo meio desconhecido. Começa pelo cabelo e, depois, desce até ao rosto, passando os dedos ao de leve pelas pálpebras e os seus grossos lábios. Quando toca-lhe nas orelhas, o outro ser ressente-se e mexe-se ligeiramente. Pára. Ganha novamente confiança e avança para um ombro destapado. Enquanto vai descendo pelo braço abaixo, o choque da diferença de temperatura vai sendo gradual e tornando, assim, eminente o outro despertar.
Abre timidamente os olhos, sorri e puxa bruscamente aquele corpo que o acordou para junto de si. Estranha-se um primeiro beijo, entranham-se os restantes. Ficam ali. aqueles dois corpos entrelaçados, durante infinitos minutos, no centro daquela grande cama até os cheiros e sabores de cada um voltarem a misturar-se e o desejo pedir que aquele contacto se torne ainda mais íntimo.
Abre timidamente os olhos, sorri e puxa bruscamente aquele corpo que o acordou para junto de si. Estranha-se um primeiro beijo, entranham-se os restantes. Ficam ali. aqueles dois corpos entrelaçados, durante infinitos minutos, no centro daquela grande cama até os cheiros e sabores de cada um voltarem a misturar-se e o desejo pedir que aquele contacto se torne ainda mais íntimo.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
O capitalismo
Retirado deste livro notável:


“A rede de distribuição capitalista, uma complexa cadeia de fábrica, transporte, depósito e pontos-de-vendas, é um dos maiores feitos masculinos na história da cultura. É um circuito apolíneo, com a rapidez do raio, de aliança masculina. Uma das irritantes reações automáticas do feminismo é seu desdém de bom-tom pela “sociedade patriarcal”, a que jamais se atribui alguma coisa de bom. Mas foi a sociedade patriarcal que me libertou a mim como mulher. Foi o capitalismo que me proporcionou o lazer para me sentar a esta mesa e escrever este livro. Vamos parar de ser tacanhas em relação aos homens e reconhecer livremente os tesouros que a obsessividade deles despejou na cultura.
Podíamos fazer um catálogo das conquistas masculinas, das estradas pavimentadas, do encanamento das casas e das máquinas de lavar aos óculos, antibióticos e fraldas descartáveis. Desfrutamos de leite e carne fresco , sadios. Quanto atravesso a ponte George Washington ou qualquer das grandes pontes dos Estados Unidos, penso: foram os homens que fizeram isso. A construção é uma sublime poesia masculina. Quando vejo um gigantesco guindaste passando numa carreta, paro com respeito e reverência, como faria com uma procissão. Que poder de concepção, que grandiosidade: esses guindastes nos ligam ao antigo Egito, onde a arquitetura monumental foi imaginada e realizada pela primeira vez. Se se tivesse deixado a civilização nas mãos da mulher, ainda estaríamos morando em cabanas de palha. A mulher contemporânea que usa capacete de operário simplesmente entra num sistema conceitual inventado pelos homens . O capitalismo é uma forma de arte, uma invenção para rivalizar com a natureza. É hipocrisia das feministas e dos intelectuais desfrutarem os prazeres e conveniências do capitalismo, fazendo ao mesmo tempo pouco dele. Todos os que nasceram no capitalismo incorreram em dívida com ele. Daí a César o que é de César. ”
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Abriu oficialmente a época de caça à sms natalícia
Quando nasci deram-me a escolher entre um pénis grande ou uma memória grande, e eu agora já não me lembro se te mandei a mensagem a desejar um bom natal...
Vindo de uma amiga, não sei lhe recorde umas lições de anatomia ou lhe deva dar, simplesmente, os parabéns!
Quando te sentires a pessoa mais infeliz do mundo, lembra-te que um dia foste o espermatozóide mais rápido do grupo! Feliz Natal.
Boa, quando me sentir a pessoa mais infeliz do mundo já sei com quem não contar. Sim, porque pior que sentir-se um inútil, é ser um ser microscópico.
Se um homem gordo, velho, vestido de vermelho te tentar embrulhar não resistas... fui eu que já escolhi a prenda deste natal.
Com miúdas tão prendadas no Carrefour, tenho mesmo que ser embrulhado pelo Comandante dos Bombeiros Voluntários de Rebuguengas de Baixo?
Vindo de uma amiga, não sei lhe recorde umas lições de anatomia ou lhe deva dar, simplesmente, os parabéns!
Quando te sentires a pessoa mais infeliz do mundo, lembra-te que um dia foste o espermatozóide mais rápido do grupo! Feliz Natal.
Boa, quando me sentir a pessoa mais infeliz do mundo já sei com quem não contar. Sim, porque pior que sentir-se um inútil, é ser um ser microscópico.
Se um homem gordo, velho, vestido de vermelho te tentar embrulhar não resistas... fui eu que já escolhi a prenda deste natal.
Com miúdas tão prendadas no Carrefour, tenho mesmo que ser embrulhado pelo Comandante dos Bombeiros Voluntários de Rebuguengas de Baixo?
Continua... ou não.
terça-feira, dezembro 18, 2007
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Estranha tendência
Estacionar carros nos passeios para além de ser uma prática ilegal, é um acto prevaricador da ordem pública. Um total desrespeito por todos os cidadãos que só possuem este espaço para circular na via pública. Mas, na minha opinião, este deve ser um problema para ser resolvido rigorosamente fazendo cumprir a lei ou em último caso, indirectamente, pela sua subjectividade problemática (cada caso será um caso) e não com soluções “chapa cinco” sem, por exemplo, questionar os seus utilizadores - sobretudo os residentes - se acham tal resposta viável.
Expõe-se uma reclamação à autarquia local e enviam-se uns especialistas para se arquitectar uma solução. Conclusão: pinos e mais pinos! Obra feita e o resultado está à vista de todos: perdeu-se um óptimo e amplo passeio junto das garagens e ganhou-se uma curiosa pista de gincana de bicicletas.
Alguém devia estudar esta estranha e sistemática tendência, dos senhores engenheiros e/ou arquitectos das Câmaras Municipais, para apresentar estas protecções fálicas espetadas no solo, como solução única e inquestionável para resolver o problema do estacionamento abusivo.
Expõe-se uma reclamação à autarquia local e enviam-se uns especialistas para se arquitectar uma solução. Conclusão: pinos e mais pinos! Obra feita e o resultado está à vista de todos: perdeu-se um óptimo e amplo passeio junto das garagens e ganhou-se uma curiosa pista de gincana de bicicletas.
Alguém devia estudar esta estranha e sistemática tendência, dos senhores engenheiros e/ou arquitectos das Câmaras Municipais, para apresentar estas protecções fálicas espetadas no solo, como solução única e inquestionável para resolver o problema do estacionamento abusivo.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Maior que a vida

Há momentos aparentemente insignificantes no nosso dia-a-dia que, por transmitirem uma certa carga sentimental inexplicável, podem-se tornar eternos.
Uma viagem de comboio que faça a ligação entre as duas principais cidades do país, teoricamente, pode ser um suplício, sobretudo para quem não esteja habituado e se limitar a pensar nas suas três horas de duração (na hipótese menos económica mas mais rápida). Um jornal ou uma revista pode ajudar a passar o tempo, mas observar as paisagens (enquanto se “pensa na vida”) também pode dar um contributo não menos valioso.
O comboio parte da estação de Santa Apolónia (Lisboa) meia-hora depois das sete da manhã e ainda as luzes públicas iluminam umas estradas praticamente desertas. Por outro lado, algumas luzes acesas nos prédios são um indício de que a cidade começa a despertar para mais um dia. Entretanto deixo de ver edifícios e estradas e passo a ver o campo. Lá mais ao fundo uma parte do rio começa a tomar uma tonalidade alaranjada. Este momento coincide com o meu acto de meter os auscultadores do leitor de mp3 nos ouvidos. Enquanto o sol, timidamente, começava-me a iluminar o horizonte, os Band of Horses aqueciam-me o corpo e a alma. Alternando de funções, ambos, assim me acompanharam no resto da viagem, naquela manhã fria, até ao Porto.
Uma viagem de comboio que faça a ligação entre as duas principais cidades do país, teoricamente, pode ser um suplício, sobretudo para quem não esteja habituado e se limitar a pensar nas suas três horas de duração (na hipótese menos económica mas mais rápida). Um jornal ou uma revista pode ajudar a passar o tempo, mas observar as paisagens (enquanto se “pensa na vida”) também pode dar um contributo não menos valioso.
O comboio parte da estação de Santa Apolónia (Lisboa) meia-hora depois das sete da manhã e ainda as luzes públicas iluminam umas estradas praticamente desertas. Por outro lado, algumas luzes acesas nos prédios são um indício de que a cidade começa a despertar para mais um dia. Entretanto deixo de ver edifícios e estradas e passo a ver o campo. Lá mais ao fundo uma parte do rio começa a tomar uma tonalidade alaranjada. Este momento coincide com o meu acto de meter os auscultadores do leitor de mp3 nos ouvidos. Enquanto o sol, timidamente, começava-me a iluminar o horizonte, os Band of Horses aqueciam-me o corpo e a alma. Alternando de funções, ambos, assim me acompanharam no resto da viagem, naquela manhã fria, até ao Porto.
terça-feira, dezembro 11, 2007
Ninguém goza com um homem "cheiroso"?
Ou são os treinadores, ou são os dirigentes, nem o seleccionador nacional escapa, muito menos os comentadores ou os adeptos. Todas as personalidades públicas ligadas directa ou indirectamente ao mundo futebolístico, de certa forma, são alvos fáceis da chacota pública. Todos, ou quase todos, nos rimos com os gatos fedorento a imitarem o Paulo Bento ou o Scolari, ou mesmo, o já por si muito cómico comentador, Rui Santos. Então alguém que me explique porque é que deixam passar ao lado os comportamentos (a)típicos dos jogadores de futebol? De onde vem tal impunidade social?
Estou quase a acreditar que o facto de eles todos falarem daquela maneira muito arrastada, de forma arranjar as palavras bonitas – daquelas que eles nunca usariam entre quatro linhas - para não estragarem o tal discurso politicamente correcto chapa cinco, é só para que os jornalistas acompanhem, palavra a palavra e por escrito, o que, no fundo, toda a gente já sabe de cor e salteado (de tantas vezes ouvir sair das bocas de outros jogadores). Esta ligeireza de raciocínio não seria, por si só, uma boa razão para dar largas à nossa tendência trocista?
O Ricardo Quaresma, juntou-se a um grande adepto do F.C.P., vocalista dos Blind Zero nas horas vagas, e fizeram, os dois, ontem, uma pequena reportagem para o “Jornal da Noite” da SIC onde mostravam o balneário do seu clube. Resultado: por mais que o adepto tentasse desvirtuar o discurso do jogador, a conversa entrava sempre nos “carris” e lá iam eles pela conversa do costume. “Muito orgulho por vestir esta camisola... o peso do símbolo e do nome... é aqui que ouvimos as indicações do treinador... e festejamos as vitórias... yada yada...”. A coisa de repente parece ter tomado outros contornos quando a conversa começou a traçar umas tangentes perigosas à higiene íntima do jogador. Enquanto se via umas embalagens de desodorizante da Sanex, gel de barbear Fusion, um pó de talco da Johnson, entre outras, o jogador confessava: “Sou muito cheiroso, gosto de me perfumar... porque os ciganos têm a fama de cheirar mal... mas, olha, mesmo assim ninguém me pega!”.
Os homens de sucesso de hoje são mesmo assim: pouco originais e honestos no seu discurso mas muito, muito competentes e... cheirosos.
Estou quase a acreditar que o facto de eles todos falarem daquela maneira muito arrastada, de forma arranjar as palavras bonitas – daquelas que eles nunca usariam entre quatro linhas - para não estragarem o tal discurso politicamente correcto chapa cinco, é só para que os jornalistas acompanhem, palavra a palavra e por escrito, o que, no fundo, toda a gente já sabe de cor e salteado (de tantas vezes ouvir sair das bocas de outros jogadores). Esta ligeireza de raciocínio não seria, por si só, uma boa razão para dar largas à nossa tendência trocista?
O Ricardo Quaresma, juntou-se a um grande adepto do F.C.P., vocalista dos Blind Zero nas horas vagas, e fizeram, os dois, ontem, uma pequena reportagem para o “Jornal da Noite” da SIC onde mostravam o balneário do seu clube. Resultado: por mais que o adepto tentasse desvirtuar o discurso do jogador, a conversa entrava sempre nos “carris” e lá iam eles pela conversa do costume. “Muito orgulho por vestir esta camisola... o peso do símbolo e do nome... é aqui que ouvimos as indicações do treinador... e festejamos as vitórias... yada yada...”. A coisa de repente parece ter tomado outros contornos quando a conversa começou a traçar umas tangentes perigosas à higiene íntima do jogador. Enquanto se via umas embalagens de desodorizante da Sanex, gel de barbear Fusion, um pó de talco da Johnson, entre outras, o jogador confessava: “Sou muito cheiroso, gosto de me perfumar... porque os ciganos têm a fama de cheirar mal... mas, olha, mesmo assim ninguém me pega!”.
Os homens de sucesso de hoje são mesmo assim: pouco originais e honestos no seu discurso mas muito, muito competentes e... cheirosos.
segunda-feira, dezembro 10, 2007
A propósito de cimeiras cheias de boas intenções, o Sócrates* teria dito:
Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto pelo menos por desonestidade.
*Não o português, o grego!
sábado, dezembro 08, 2007
Duo maravilha
Mas há algo que o António Barreto e a Joana Pontes peguem que o resultado não seja genial?
Depois de “Portugal, um retrato social”, chegou a vez de “Nós e a Televisão” e “A televisão e o Poder”, dois documentários que passaram a seguir ao Telejornal nas passadas quinta e sexta-feira. Estão todos de parabéns: os autores, pelos excelentes documentários realizados à volta da temática televisiva no nosso país: a evolução da TV ao longo das últimas décadas e as influências* que teve, tem e terá nosso quotidiano, sob a perspectiva de quem a vê e de quem a faz; e o canal estatal, por continuar a apostar em programas de qualidade para preencher o seu horário nobre. Não podia deixar de realçar também que o duo, desta vez, transformou-se em trio, com a entrada para a parte da locução de uma das vozes mais bonitas de Portugal: Inês Menezes.
*Lembram-se da morte do Dino, dos “Morangos”?
“Milhares de adolescentes vieram de todos os pontos país para assistir aquele que foi um dos mais mediatizados funerais dos últimos tempos: o de Francisco Adam. A larga maioria só o conhecia de uma telenovela. Ninguém soube explicar a eles que quem tinha morrido dias antes, era bem mais que uma personagem de ficção.”
Depois de “Portugal, um retrato social”, chegou a vez de “Nós e a Televisão” e “A televisão e o Poder”, dois documentários que passaram a seguir ao Telejornal nas passadas quinta e sexta-feira. Estão todos de parabéns: os autores, pelos excelentes documentários realizados à volta da temática televisiva no nosso país: a evolução da TV ao longo das últimas décadas e as influências* que teve, tem e terá nosso quotidiano, sob a perspectiva de quem a vê e de quem a faz; e o canal estatal, por continuar a apostar em programas de qualidade para preencher o seu horário nobre. Não podia deixar de realçar também que o duo, desta vez, transformou-se em trio, com a entrada para a parte da locução de uma das vozes mais bonitas de Portugal: Inês Menezes.
*Lembram-se da morte do Dino, dos “Morangos”?
“Milhares de adolescentes vieram de todos os pontos país para assistir aquele que foi um dos mais mediatizados funerais dos últimos tempos: o de Francisco Adam. A larga maioria só o conhecia de uma telenovela. Ninguém soube explicar a eles que quem tinha morrido dias antes, era bem mais que uma personagem de ficção.”
quinta-feira, dezembro 06, 2007
terça-feira, dezembro 04, 2007
A minha Maria tem tanto jeitinho para automóveis como eu para a doçaria conventual
Há misoginia em fóruns do mundo automóvel? Comecei por estranhar a escassa participação de mulheres nestes espaços, mas inicialmente pensei que tal se devia ao pouco interesse que tais assuntos lhes pudessem provocar. Mais tarde deparei-me com uma certa hostilidade por parte de alguns participantes masculinos, sobre quaisquer abordagens feitas por alguém do sexo feminino em tópicos da especialidade. E não só. Tal repúdio por vezes estendia-se a “threaths” da categoria “off-topic”. Mas de onde vem tanta intolerância perante as opiniões dos membros do sexo oposto em fóruns onde a Soraia Chaves é Deus?
Bom, parece-me óbvio que, se não houvesse a obrigatoriedade de preencher o sexo nos perfis dos “foruenses” não haveria tanta discórdia e eu ficaria sem assunto para me entreter. Por isso: obrigado , web administrators!
Como qualquer “macho” que se preze, aqueles homens não gostam de ser confrontados com a realidade de que uma mulher também possa ter uma opinião sobre um tema que julgam dominar (sobretudo se for uma opinião contrária à deles). Aliás, acredito que, para alguns, só o facto de elas poderem ter uma opinião já é motivo suficiente para lhes causarem algumas náuseas. Não me estou a referir propriamente a uma geração de homens que só vêm as (suas) mulheres de volta dos tachos e panelas e outros afazeres domésticos. Trata-se da geração posterior a essa: os filhos destes, provavelmente. Deu-se a evolução: a rapariga/mulher saiu da cozinha directamente para uma recepção ou uma caixa de supermercado, mas continua, pelo menos para eles, sem direito a ter opinião própria sobre certos, ou mesmo todos, assuntos.
“A minha Maria”, como a maioria “carinhosamente” – as aspas, não sendo tendenciosas, servem somente para que cada um aplique o sentido que mais lhe convir - gostam-lhe de chamar, é chamada ao assunto dos tópicos destes fóruns, quando se referem à companhia - tipo apêndice – que os acompanha até um determinado local. Um deles diz, “o meu GPS é a minha Maria, peço-lhe o mapa e depois oriento-me” e o resto da “comunidade foruense” acha isto muito hilariante. Portanto, tem nome – Maria, vá lá - mas não sabe ver mapas, não se orienta, enfim: não tem uma vida própria.
A mulher com quem um destes homens escolheu partilhar a vida é mesmo a tal, a especial, a que nunca saberá trocar um pneu, nem nunca terá capacidades suficientes para decifrar as siglas TDI, CTDI, GTI, TSI, etc., que necessitará de um espaço especial e alargado para estacionar quando se aventurar a ir aos centros comerciais sem ele e vai continuar a colocar o óleo no carro pelo orifício da vareta. Tudo isto em nome do bem-estar geral público e sobretudo para que nada afecte uma normalidade social estereotipada, a tal (também), que só existe na cabeça dele (e dos que pensam como ele). Isto parece quase resultar de um mandamento do subconsciente. “Não deixarás que a mulher que durma na mesma cama que tu, domine as matérias que compete a ti dominar”. Amén.
Ela dorme com ele e ele sonha com a Soraia Chaves. Isto até ao dia em que um sonho erótico se transformar num pesadelo: quando a Soraia lhe aparecer à frente com uma lingerie muito sexy e começar-lhe a debitar uns parágrafos de um qualquer manual de mecânica de automóveis.
Como qualquer “macho” que se preze, aqueles homens não gostam de ser confrontados com a realidade de que uma mulher também possa ter uma opinião sobre um tema que julgam dominar (sobretudo se for uma opinião contrária à deles). Aliás, acredito que, para alguns, só o facto de elas poderem ter uma opinião já é motivo suficiente para lhes causarem algumas náuseas. Não me estou a referir propriamente a uma geração de homens que só vêm as (suas) mulheres de volta dos tachos e panelas e outros afazeres domésticos. Trata-se da geração posterior a essa: os filhos destes, provavelmente. Deu-se a evolução: a rapariga/mulher saiu da cozinha directamente para uma recepção ou uma caixa de supermercado, mas continua, pelo menos para eles, sem direito a ter opinião própria sobre certos, ou mesmo todos, assuntos.
“A minha Maria”, como a maioria “carinhosamente” – as aspas, não sendo tendenciosas, servem somente para que cada um aplique o sentido que mais lhe convir - gostam-lhe de chamar, é chamada ao assunto dos tópicos destes fóruns, quando se referem à companhia - tipo apêndice – que os acompanha até um determinado local. Um deles diz, “o meu GPS é a minha Maria, peço-lhe o mapa e depois oriento-me” e o resto da “comunidade foruense” acha isto muito hilariante. Portanto, tem nome – Maria, vá lá - mas não sabe ver mapas, não se orienta, enfim: não tem uma vida própria.
A mulher com quem um destes homens escolheu partilhar a vida é mesmo a tal, a especial, a que nunca saberá trocar um pneu, nem nunca terá capacidades suficientes para decifrar as siglas TDI, CTDI, GTI, TSI, etc., que necessitará de um espaço especial e alargado para estacionar quando se aventurar a ir aos centros comerciais sem ele e vai continuar a colocar o óleo no carro pelo orifício da vareta. Tudo isto em nome do bem-estar geral público e sobretudo para que nada afecte uma normalidade social estereotipada, a tal (também), que só existe na cabeça dele (e dos que pensam como ele). Isto parece quase resultar de um mandamento do subconsciente. “Não deixarás que a mulher que durma na mesma cama que tu, domine as matérias que compete a ti dominar”. Amén.
Ela dorme com ele e ele sonha com a Soraia Chaves. Isto até ao dia em que um sonho erótico se transformar num pesadelo: quando a Soraia lhe aparecer à frente com uma lingerie muito sexy e começar-lhe a debitar uns parágrafos de um qualquer manual de mecânica de automóveis.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
quinta-feira, novembro 29, 2007
Um país excessivamente orgulhoso é como um realizador de filmes porno: não fornica, nem sai de cima
Eu conheço um país que conseguiu isso tudo à conta de uma mão-de-obra pouco qualificada, praticamente iletrada e mal paga. Curiosamente, ou não, são esses trabalhadores que ainda suportam uma das maiores cargas fiscais da Europa, que, por sua vez, também serve para pagar todas essas “coisas boas”.
Esqueceu-se de mencionar o facto de sermos o país com a maior árvore natal, de ter realizado a maior feijoada, o maior magusto e por aí a fora...
Esqueceu-se de mencionar o facto de sermos o país com a maior árvore natal, de ter realizado a maior feijoada, o maior magusto e por aí a fora...
O facto de ter ficado a saber que o nosso país é “líder mundial na produção de feltros para chapéus” e “de rolhas de cortiça” - se bem que importamos a maior parte dessa matéria-prima (cortiça) de Marrocos e da Tunisia, uma vez que as manchas de sobreiro nacional estão envelhecidas, pois não há quem as renove; vale a pena explicar as razões? - quase fez o meu dia, mas por exemplo, essa história da invenção da “bilha de gás mais leve do mundo” não deixa um pouco a desejar, quando o ideal seria questionarmo-nos porque ainda não temos todas as nossas casas equipadas com gás canalizado?
Uma coisa parece-me certa: com o ordenado do Nicolau ou de qualquer um dos directores das empresas mencionadas, também eu seria o maior apologista do optimismo.
terça-feira, novembro 27, 2007
O medo
Numa última season sem um único episódio abaixo do nível brilhante – uma coerência que nem todas as outras grandes séries podem-se gabar, “Sete Palmos de Terra” incluída – também não será com este penúltimo episódio, que passou ontem na RTP2, que o currículo d’Os Sopranos ficará manchado. Antes pelo contrário.
Alguma tensão entre as duas principais famílias de mafiosos, revelados nos episódios anteriores, fazia adivinhar que a “guerra” estaria eminente. Provavelmente o que não se estaria à espera, era que ela fosse tão repentina e sangrenta para o lado dos Sopranos. Tony subestimou a força e a inteligência do inimigo e sabe que agora ele pode ser o próximo. A cena que encerra o episódio é sublime: refugiado e desesperado, o “nosso boss” encontra-se (muito bem) armado, deitado numa cama de um pequeno quarto, de uma casa incógnita, e tudo o que ele mais teme está para além daquela porta que ele vigia atentamente – esse magnífico plano final demonstra-o mais que quaisquer palavras. O medo no seu estado puro. Em tal situação, ao identificarmo-nos com tais características que revelam o seu lado mais humano, é impossível não ficarmos ali ao seu lado, agarrados aquela AR-10. Porque os heróis também cometem erros e perdem batalhas. E, sobretudo, temem pela sua própria vida.
Alguma tensão entre as duas principais famílias de mafiosos, revelados nos episódios anteriores, fazia adivinhar que a “guerra” estaria eminente. Provavelmente o que não se estaria à espera, era que ela fosse tão repentina e sangrenta para o lado dos Sopranos. Tony subestimou a força e a inteligência do inimigo e sabe que agora ele pode ser o próximo. A cena que encerra o episódio é sublime: refugiado e desesperado, o “nosso boss” encontra-se (muito bem) armado, deitado numa cama de um pequeno quarto, de uma casa incógnita, e tudo o que ele mais teme está para além daquela porta que ele vigia atentamente – esse magnífico plano final demonstra-o mais que quaisquer palavras. O medo no seu estado puro. Em tal situação, ao identificarmo-nos com tais características que revelam o seu lado mais humano, é impossível não ficarmos ali ao seu lado, agarrados aquela AR-10. Porque os heróis também cometem erros e perdem batalhas. E, sobretudo, temem pela sua própria vida.
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