quarta-feira, maio 07, 2008

O que esta empresa rende quando o Benfica não rende

A parte mais chata de um início de dia de trabalho é ter que encarar a reacção dos meus coleguinhas, que chegaram ao escritório hora e meia antes de mim, sem transparecer estar minimamente constrangido por tal facto. Diz que é assim um “mix” de ar de reprovação, inveja e cansaço - esta última parte sobretudo por terem ocupado aquela parte da manhã a ver a correspondência electrónica, que pode ir de um relatório de vendas transformado no último vídeo caseiro hardcore da Suzky-engole-tudo-até-ao-fim-Star, ou de uma apresentação em powerpoint, em que a evolução das quotas de mercado pode ser muito bem representada, em evolução, pelas fotos das novas mamas e do novo rabo da Merche Romero. Muito produtivo, e quase tão emocionante quanto esta época do Benfica, portanto.

segunda-feira, maio 05, 2008

Há pessoas eternamente desorientadas. E há pessoas desorientadas que buscam eternamente uma orientação.

“Estou a tirar a carta de pesados, vou deixar o meu emprego e depois irei para Espanha conduzir camiões.”

Estas palavras deixaram-me estupefacto. A mim e a todos os seus outros amigos que ouviram tal novidade. Sei que a situação económica deste país não está bem e não é a primeira vez que sou confrontado com a noticia de um amigo que decide partir de Portugal em busca de melhores oportunidades, só que não me deixo de surpreender com estas súbitas migrações. Neste caso, trata-se de uma bonita rapariga de 30 anos com um porte físico fragilíssimo, distribuídos por menos de um metro e meio de altura!
Ela sempre que fala neste seu novo projecto profissional, fá-lo de uma forma cativante e torna-se bem visível o respectivo orgulho nos seus olhos. Quase faz parecer que conduzir um camião articulado de muitas toneladas será tão fácil como dar à luz! Ou tal não viesse de alguém que a um mês da data prevista de ter o seu primeiro filho, ao começar a ter uma estranha “desregulação fisiológica” fez mais de 60 Km, ao volante do seu carro, até ao Hospital mais próximo para indagar do “problema”. Quando a médica de serviço, nas urgências, lhe disse: “deu início aos trabalhos de parto”, ela não acreditou e recusou ser assistida. Foi preciso chegar o namorado (e o resto da família) e uma primeira contracção - e respectiva dor aguda - para que se consciencializasse de tal facto.

Por amor ou por aptidão? Depois de um curso de secretariado e de fisioterapia, o misterioso mundo do camionismo! O seu actual namorado e respectiva profissão poderão ter tido alguma influência nesta decisão, porque é normal querer estar mais perto de quem gostamos. Mas a questão financeira também poderá ter tido um certo peso. Consta, segundo palavras dela, que é uma profissão bem remunerada: ao “salário muito acima da média” acresce mais um valor pelo nº de quilómetros percorridos.
Afinal de contas, isto, não é uma mera submissão aos desígnios do amor, é uma notável capacidade de adaptação a novas realidades. Com muita coragem e uma boa dose de maluquice à mistura.

quinta-feira, maio 01, 2008

Bem acomodados e bem roubados

Desde 1 de Janeiro do presente ano que os combustíveis sofreram 17 alterações: 3 descidas e 14 subidas. Face a isto, não admira que este assunto tenha deixado de ser tema de “conversa de café” já que deve ser aborrecido discutir sempre o mesmo assunto, ainda por cima porque pode-se correr o risco de, mesmo antes da discussão terminar, os valores em causa sofrerem uma nova variação. Portanto o mais recente aumento dos combustíveis - 3 cêntimos no gasóleo, 2,1 cêntimos na gasolina sem chumbo 95 (segundo informação cedida pela ANAREC) – deixou de ser um escândalo a partir do momento em que as pessoas se habituaram à ideia de que as refinarias necessitam, a todo o custo, de enriquecer. Ou, pelo menos, de ter dinheiro suficiente para suportar o combustível do autocarro da selecção nacional de futebol que os levará até à Suíça. Acredito que a ideia de ter que empurrá-lo, segundo o mais recente anúncio da Galp Energia, é mais assustadora que ter que desembolsar mais 3 cêntimos por litro de gasóleo. Isto pode justificar, em parte, esta apatia e acomodação nacional. O governo português também agradece: já lhe bastará o descontentamento social em outras áreas e sempre ganhará a sua quota-parte - que não é pequena, sublinhe-se – sempre que um “barão” lusitano acorda mal disposto ou lhe apeteça substituir o “velhinho” BMW 5-Series.
Quem acredita que uma selecção de futebol vai preferir fazer uma viagem de mais de 2.000 km de autocarro em vez de um prático e cómodo avião, também acredita que esta especulação de preços se deva ao crescente aumento do preço do barril de petróleo. Quem não acredita, sabe que o preço do barril de petróleo é pago com uma moeda cada vez mais enfraquecida face aquela que usa correntemente no seu país e que lhe serve para, entre outras coisas, pagar a gasolina que o seu carro consome.
Um país em peso que se solidariza pela causa da “bandeirinha” e da sua selecção de futebol, faz manifestações contra tudo e contra nada, abaixo-assinados só porque dá cá aquela palha e ao ser descaradamente roubado sempre que atesta o depósito do carro, o que é que faz? Absolutamente nada.

terça-feira, abril 29, 2008

A minha verdade III

O homem é o único animal que pode permanecer, em termos amigáveis, ao lado das vítimas que pretende comer, antes de comê-las.

A minha verdade II

O Chocolate não engorda, quem engorda és tu

segunda-feira, abril 28, 2008

A minha verdade

Não acredito em verdades absolutas. Acredito na verdade que se vai construindo com as verdades quotidianas. As segundas são mais facilmente questionáveis que as primeiras e por isso é bem mais difícil ser fiel às constatações do quotidiano, do que ter um ideal de verdade e lutar, em abstracto, por ele.

A precariedade também é isto

(click na imagem para aumentar)

quinta-feira, abril 24, 2008

Está oficialmente aberta a nossa silly season


Em média, os portugueses têm relações sexuais com sete parceiros ao longo da vida. (...) Agostinho Gonçalves, com 55 anos, não tem qualquer problema em assumir que queria atingir o número de mulheres equivalente ao ano em que nasceu (1953) e que chegou a ter três a quatro mulheres diferentes por dia.

quarta-feira, abril 23, 2008

O homem dos setecentos ofícios

Na Sic Notícias, ontem à noite, Paulo Teixeira Pinto revelou muito de si. Sempre inteligente e com o discurso bem articulado. Escreve poesia - momento da noite: Mário Crespo leu dois dos seus poemas. Pinta - levaram alguns dos seus quadros para serem avaliados e o avaliador, sem saber quem os tinha pintado, queria comprá-los - e adora literatura e outras formas de arte. Fez referências a escritores, entre alguns, Boris Vian. Citou filósofos. Está agora à frente da editora Guimarães e prometeu reeditar toda a obra de Agustina Bessa-Luís. De política, disse que tem uma enorme consideração por Carvalho Silva da CGTP e várias figuras da esquerda, embora seja claramente um tipo de direita.

Surpreendeu-me. No entanto, se eu tivesse infortúnio de me deixar casar com alguém com a personalidade (e com o nome!?) de Paula Maria Von Hafe Teixeira da Cruz Teixeira Pinto, até aprendia a fazer tricot e tapetes de arraiolos só para não a aturar.

terça-feira, abril 22, 2008

U don't need eyes to see, u need vision!


Contagem do além


A Lisboagás (grupo Galp Energia) na sua última factura emitida, pede-me, como é usual, para facultar telefonicamente a próxima leitura do meu contador de gás. Confesso que inicialmente fiquei surpreendido com a data proposta, no entanto acabei por chegar à conclusão de que um grupo empresarial que pede aos portugueses que dêem um empurrãozito num autocarro cheio de jogadores de futebol pagos a peso de ouro e com o ego ainda maior que as suas contas bancárias, pode e deve “exigir” aos seus clientes que vivam mais 991 anos, nem que seja, para lhes fornecer uma leitura de contador. Só vejo um pequeno inconveniente: ficar impossibilitado de me ausentar e poder dar as boas vindas ao novo milénio na Austrália, como o meu espírito já tinha previamente planeado.


segunda-feira, abril 21, 2008

Tudo o que se deixa para trás nas circunstâncias do caminho


Tive problemas com adicções, consegui resolvê-los e hoje escolho ter qualidade de vida. Para poder viver o mundo como ele é. Foi uma escolha. Uma troca. Queria continuar a cantar, fazer coisas, ser feliz. (...)
Continuo a ter comportamentos que não são os mais adequados, a ser egoísta, a ter defeitos de carácter. Tento não prejudicar ninguém, mas ainda sou uma pessoa que se isola imenso, que passa muitas horas sozinho. Mesmo quando acompanhado - e os meus amigos sabem isso, que às vezes não estou lá. (...)
Sou um sonhador, estou sempre a imaginar coisas, mas agora vou pensando antes de agir, antes de tomar decisões. Outras tomo rapidamente, mas arrependo-me a seguir. Tenho uma consciência diferente. Passei coisas muito complicadas, andei com as coisas todas tortas, mas elas acabaram por se endireitar. Tudo isso foi importante para ter o que tenho hoje. (...)
(Camané in ípsilon, Público)
Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho
Sai para as lojas, hoje, um dos discos portugueses mais importantes dos últimos tempos.

Parolicing


Para que este novo acordo ortográfico proposto seja bem consolidado, estou a tentar lembrar-me de uns termos - relacionados com qualquer invenção de origem nacional, ou que designam um pormenor técnico de uma actividade pioneira em Portugal, ou que se devam a um qualquer incomum fenómeno local ou mesmo que definam uma característica do pensamento e mentalidade ‘tuga – que os ingleses possam adoptar para a sua língua. Há a “saudade” e a “via verde” (uau!). Mas também há a casmurrice, a paspalhice, a parolice, o provincionalismo, o chicoespertismo. Já que essa espécie de jornalismo, chamado 24horas, de original tem muito pouco.

sexta-feira, abril 18, 2008

A chuva

é como as lágrimas.
Em demasia, lavam a alma mas enferrujam o coração.

quarta-feira, abril 16, 2008

A Mafalda Gameiro fica muito sexy no banco de trás de um carro


A jornalista Mafalda Gameiro - que por acaso está cada vez mais atraente – entrevistou um carjacker de cara tapada e com um revólver na mão direita, no banco de trás de um carro. É disparate perguntar quando é que a polícia conseguirá fazer também estas “entrevistas exclusivas” com criminosos supostamente difíceis de capturar?
Hoje, depois do telejornal.

terça-feira, abril 15, 2008

Jornalismo biodescartável

"Sou o escritor que mais vende em Portugal. Nos últimos quatro anos, já vendi acima de meio milhão de livros"...."Na parte que lhe cabe, poupa água. Mas pouco mais. Reciclagem? Pois, isso não. Nem vidro, nem plástico, nem papel? Nada? «Não, não faço. Sou uma pessoa normal». Muitas pessoas normais reciclam. «A média do cidadão não recicla o lixo. É muito complicado. Um saco é azul, outro é não sei o quê, aquilo é uma confusão»"(José Rodrigues dos Santos, Revista Sábado, pág. 97)

A Quercus ama o ambiente enquanto odeia a sociedade onde vive; ama a bicharada árctica enquanto despreza todos os meus hábitos. Querem o quê? Que deixe de tomar banho em nome da fraternidade que une homens e ursos? Lamento: entre o sacrossanto gelo do Árctico e a heresia ecologicamente incorrecta, escolho a segunda. Nunca um urso polar me pagou um copo pela Páscoa.

Esta nova ideologia da irresponsabilidade ambiental que “polui” por alguma classe jornalística já tresanda!

A opção de não reciclar, estar-se a marimbar para o ambiente e para os seus recursos é quase uma “causa nacional comum”, e Henrique Raposo tem plena consciência disso e rejubila-se em fazer parte dessa maioria com a sua conduta ecológica inconsciente - até lhe dá direito de colocar lá pelo meio uma piada nonsense sobre ursos polares (que nenhuma culpa têm das imbecilidades jornalísticas nacionais). Mas não se fica por aqui. Ele não suporta essa “ditadura minoritária verdinha” que “odeia a sociedade onde vive”, pois acha que viver socialmente bem e respeitar o ambiente são “equações” incompatíveis.

O fascista e os outros

O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.

Em Janeiro, quando António Barreto escreveu estas palavras para o Público, tinha acabado de entrar em vigor a polémica lei antitabágica. Também estava na ordem do dia a questão das escutas ilegais, a ASAE fazia mais uma das suas operações de “limpeza” num mercado popular nos subúrbios da capital e já tinha sido publicada uma lista na net com os principais devedores do estado. Preparava-se um projecto de lei para aprovar a videovigilância sem limites e a interdição de pequenos partidos com menos de 5000 militantes inscritos.

A liberdade é uma questão para ser discutida tanto em 1974 como em 2008, não há que sentir qualquer incómodo nisso. As pessoas querem mais segurança, melhores condições de vida e de higiene em locais públicos, justiça contra os prevaricadores e passam a vida a exigir do estado estas reivindicações mas depois não aceitam que para as colocar em prática será necessário tomar certas medidas rígidas e autoritárias. Este autoritarismo assusta muita gente, é normal, mas só inconscientemente apelidaríamos de fascismo.
A. Barreto é genial a documentar o passado mas deixa muito a desejar nas suas análises ao presente.
LF Menezes quer escolher os analistas para as diversas televisões, R. Gomes da Silva (nº3 do partido), que correu com Marcelo da TVI quando era ministro dos Assuntos Parlamentares há uns anitos, vem criticar agora a contratação (através de uma produtora externa) de uma competente jornalista e com provas dadas em matérias sociais para participar num programa da RTP2 sobre bairros sociais, só porque ela supostamente é namorada de Sócrates. Coloca-se em causa “a qualidade da democracia portuguesa” ao mesmo tempo que se interdita o acesso aos jornalistas, no último congresso do seu partido na Madeira. Se Sócrates é fascista, esta trupe Menezes & Ca. é o quê?

segunda-feira, abril 14, 2008

E os tuélve pointes vão paaara...

O Festival Eurovisão da Canção nunca foi bem a minha "praia", já que o europop também nunca foi bem a minha "onda" - pior começo para um post de sempre? No entanto até achava piada à parte em que cada país revelava o resultado das votações do seu juri e não se conseguia adivinhar a quem eram atribuídas as pontuações mais elevadas.
Logo a seguir à bomba atómica, o sistema de televoto é a pior invenção do homem. Mas quem disse a esta gente que o telespectador comum do Festival da Canção percebe alguma coisa de música? Deve ter sido a mesma pessoa que disse que o Iládio Clímaco pode ser substituído, na sua apresentação, pela dupla maravilha Isabel Argelino & Jorge Gabriel sem se perder carisma. Enfim, perdeu-se (também) uma certa justiça competitiva e ganhou-se uma explícita e súbita onda de solidariedade entre os países que partilham fronteiras ou possuem mais emigrantes. Portugal, com uma concorrência ferocíssima em compadrio entre os países do leste e com um, belo e vasto mas pouco rentável nesta matéria, vizinho, chamado Oceano Atlântico, é um dos países que sai mais prejudicado deste festival. Também é certo que as músicas e os músicos que para lá se tem mandado, em sua representação, não tem ajudado e os nossos emigrantes em França e no Luxemburgo já foram mais pró-activos nesta matéria...
Isto tudo para dizer que há probabibilidades de poder vir a assistir à edição deste ano, não para torcer pela “orca santanderiana da Madeira e os seus cinco pinguins amestrados”, mas para ver a prestação do representante francês. Trata-se de Sebastien Tellier, autor do disco (e respectiva capa) mais sensual (e sexual, como o seu título faz questão de não esconder) de 2008. Divine pode ser assim a melhor canção do Eurovisão deste ano... E de muitos anos anteriores.