sexta-feira, maio 30, 2008

Humor doméstico

Hoje, logo a iniciar o programa matinal do Goucha na TVI, apareceu duas raparigas vestidas de fada a representar parte de uma peça infantil que está em exibição lá para os lados de Sintra. Na parte da "endiabrada" entrevista o apresentador, ao notar que uma delas está grávida, disse: "Já vi que a menina não é empata-fadas!"...
Enquanto isso na RTP1, fazia-se uma sessão de ginástica onde os "vulgares" pesos eram substituídos por pacotes de arroz.

quinta-feira, maio 29, 2008

Hi Fyfe


Basicamente o que mais gosto nos Guillemots é a voz do vocalista (Fyfe Dangerfield) e as orquestrações que o acompanham em algumas músicas – só para dar um exemplo do que falo: If the World Ends. Entretanto andei à procura de material dele a solo e descobri isto (retirado daqui). E, como seria de esperar, fiquei irremediavelmente KO.

É a crise! É a crise!

Isto anda de de tal forma mal que os carjackers já se recusam ficar com o carro se o seu depósito não estiver, no mínimo, meio.

terça-feira, maio 27, 2008

Uma certa irresponsabilidade

Passeio, numa noite de fim-de-semana, pelas ruas movimentadas de uma zona de bares de Lisboa. Há claramente uma predominância de adolescentes entre os noctívagos. A idade deles só me é revelada pelos comportamentos e diálogos que mantêm entre si. De resto: vestem-se, bebem e fumam como adultos. Nada disto será novidade para ninguém, muito menos para quem os educa.
Nota-se que há uma maior preocupação com a aparência entre as raparigas. Uma certa vaidade para captar a atenção do maior número de rapazes e/ou simplesmente por uma questão de integração no grupo. Percebo que já não basta idolatrar os actores dos “Morangos”, há que agir como eles.
Vou ser saudosista: no meu tempo, por estas idades, não me recordo de haver este tipo de pressão com a imagem que se passava para o exterior. Havia, sempre houve, grupos e também era “fixe” fazer parte deles. Mas era uma “cena” mais despreocupada, mais infantil. Com o grunge na berra quem é que tinha tempo para se preocupar em ser muito sexy? Não tínhamos novelas descartáveis mas tínhamos uma MTV cheia de ideais saltitantes. Mas porra: ter sex appeal aos 14 anos? Chega-se aos 25 com vontade de ter netos, não?
Esta ansiedade de querer viver muito para além da idade real, também se reflecte no excesso de consumismo destes jovens. Os bens materiais a que hoje em dia os adolescentes das classes média e alta têm acesso, são lhes demasiado facilitados pelos pais. Um i-pod, umas jeans da salsa ou da timberland, o último modelo de telemóvel, uma acelera nova, ... Tudo parece-me facilmente atingível, sem qualquer esforço e sem qualquer contrapartida - que lição de vida um adolescente pode retirar daqui?
Os pais, descartando das suas principais funções enquanto progenitores, limitam-se a pagar. Isso salvar-lhes-á da (má) consciência de serem uns educadores cada vez mais ausentes.
Mais grave que se criar uma geração de putos e “pitas” exageradamente mimados e remediadamente amados, é perceber como se encara, presentemente, uma família. Já não se olha para uma família como uma forma de obter amor e carinho. Quando os pais comprometem-se a fazer horas extraordinárias só para pagar a viagem a Palma de Maiorca da sua filha adolescente que assim o exigiu, sob pena de fazer uma birra ou sentir-se excluída do clã lá da escola, concluo que há algo nestes novos modelos familiares que parece-me estar a descambar. Retiro, igualmente, um saldo final negativo: mais trabalho, mais ausência, menos partilhas, menos afectos.
Nas classes mais baixas, o saldo pode não ser melhor, já que a ênfase dada aos bens materiais é tanta que quando as pessoas não os têm, ou não os conseguem de qualquer forma obter, sentem-se uns falhados.
No fundo, ter um filho é uma imensa responsabilidade e, acho, mas posso estar inteiramente errado, que as pessoas têm filhos numa idade de ligeira irresponsabilidade.

segunda-feira, maio 26, 2008

Toca a engordar!


Pela noite dentro, a TVI lembrou-se de pôr a apresentar, num daqueles programas com quebra-cabeças virtuais que vão chulando até ao tutano os saldos de telemóveis de qualquer estouvado com insónias, uma “bonita” jovem nortenha. Algumas parecenças com a escritora Margarida Rebelo Pinto são notórias. Mas é a sua constrangedora magreza extrema que salta mais à vista.


Qual é a ideia do canal de Queluz ao colocar alguém nestas condições em frente de uma câmara? Fazer com que sintamos uma certa caridadezinha perante uma escanzelada com ar de que não come nada há mais de uma semana e ligar-lhe, dizer-lhe qualquer coisa - que aparentemente estaria certo, mas por questões de rentabilidade do programa estará obviamente errado - só para lhe matar a “fome”. Para depois, gentilmente, ela agradecer: “Ohhh ainda não foi deista...!”.

Os combustíveis, as alternativas, o apocalipse e um (des)governo

Tendo em conta que as pessoas mantêm as suas vidas comodistas, continuam a entupir todas as manhãs as principais vias de acesso de Lisboa (e, suponho, do Porto), e não usam os transportes públicos ou meios de deslocação mais alternativos, saudáveis e ecológicos, como se tem sugerido (um exemplo: a bicicleta), há quem diga que os preços dos combustíveis ainda não estão suficientemente caros! Só que, convém relembrar:
- Portugal não é Lisboa (e Porto) – pois certamente haverá pequenos negócios na província em risco de colapso caso os preços dos combustíveis não parem de aumentar, e, já agora, que culpa terá alguém que more na Carraspalheira de Baixo que outra pessoa, morando nos arredores da capital, lhe apeteça levar o carro todos os dia para o centro da cidade?... ;
- Que a maioria dos transportes públicos também necessitam de gasóleo para andar e já se fala em aumentos mínimos de 6% a muito curto prazo no preço das viagens;
- E que, a não ser com o intuito de estarmos em forma para participar na próxima “volta a Portugal”, as vias que contornam as colinas de Lisboa são pouco recomendáveis para ciclistas inexperientes. Para além disso: como é que serão fundidas as peças para as bem-aventuradas bicicletas? A fornos alimentados a pedal? E os seus plásticos, como serão produzidos?
Para quem se julga indiferente e distante desta crise e ao contrário de tudo o que se possa pensar: esta descontrolável subida de preços do gasóleo e da gasolina afecta directa ou indirectamente muito mais pessoas e sectores do que se possa previamente imaginar.

Num mundo de certezas onde supostamente o petróleo está por um fio, diz-se que atingiu o pico de procura/oferta, que agora é sempre a descer e que vamos morrer todos se não passarmos a andar de bicicleta; mas, por outro lado, fala-se na exploração de novos e rentáveis campos petrolíferos no Brasil e na Venezuela e que os Russos encontraram recentemente uma fonte quase ilimitada desta energia fóssil a 40 mil pés abaixo do solo, fica-me uma dúvida: quem é que mais proveito tira das teorias apocalípticas que explicam uma crise petrolífera? O cidadão comum que vê o fim do mundo em cada notícia que anuncia a “novidade” que um bem natural é limitado ou os alarmistas/especuladores?
E o nosso Estado, em vez de regular a situação prefere limpar as suas mãos deste assunto e remeter a problemática para quem (como a Autoridade da Concorrência) não tem competências executivas e que pouco pode fazer pelo caso a não ser concluir o óbvio, ao mesmo tempo que vai aconselhando os seus concidadãos a passarem a usar energias alternativas. Portanto: o mesmo Estado fortemente empenhado em renovar o nosso parque automóvel, incentivando o abate de veículos velhos pela compra de novos e que, consequentemente, continua a arrecadar para os seus cofres uma bela quantia em impostos com o negócio da venda de carros, vem agora dizer que o melhor é passarmos a andar de bicicleta eléctrica. É de uma coerência!

sexta-feira, maio 23, 2008

60 aéreos

Só comecei a pensar nesta problemática quando a senhora da tesouraria do Governo Civil de Lisboa disse: “verde código verde”, ao mesmo tempo que me metia à frente um desses modernos aparelhos sem fios, que de há pouco tempo para cá invadiram a nossa “sociedade de consumo” – já esteve mais longe o dia em que um arrumador de carros me apresentará, em vez da sua bela naifa, um terminal de Multibanco assim que eu disser: “não tenho trocos”. 60 euros, informava-me ela e o mostrador de tal maquineta. A emissão de um Passaporte custa 60 euros em Portugal! Mas porquê ou para quê? Para pagar a simpatia e profissionalismo do funcionário que me manda colocar em frente de um monitor, sem explicar que vou ser fotografado, para além de que depois de ver e de não gostar do resultado, receber um seco: “Azar!”? O mesmo funcionário que me obriga a repetir meia dúzia de vezes a digitalização da minha assinatura só porque não é uma cópia integral da do Bilhete de Identidade? Ou será que o papel, onde a minha medíocre fotografia e a minha perfeita assinatura serão impressos, é banhado a ouro? Nada disto. É só o custo que se tem de suportar por querer fugir de um “país” que já está a ir ao meu bolso assim que saio de casa e meto a chave na ignição do meu carro. No fim ainda diz: “Ai queres-te ir embora? Então são mais 60 euros!”. “Verde código verde!”.

quarta-feira, maio 21, 2008

Bem, se esta é a cara...

Sob os desígnios da cruz

Apresento-vos Stress, o novo videoclip dos Justice. Visualmente é muito realista e polémico: ninguém escapa à violência gratuita de um grupo de jovens de um bairro dos subúrbios de Paris (inclusive o próprio grupo). "Cova da Moura? Isso é para meninos!". Musicalmente, como todo o restante disco “ † “, é chato e nem chega aos calcanhares de uns Daft Punk, ou mesmo de uns Boyz Noise.

terça-feira, maio 20, 2008

Perdidos

Estava aqui a ouvir alguns temas novos dos Coldplay e depois da surpresa - ainda estou para decidir se boa , se má - que é o single de avanço, estava a ficar "preocupado", pois ainda não tinha aparecido, neste leitor de mp3's, um tema assim mais xoninhas. Daqueles em que o Chris Martin dispensa os restantes elementos da banda e "limita-se" a cantar e a tocar piano. Até que apareceu o lost. (retirado daqui)
De repente, deu-me uma grande vontade de voltar a ouvir o Parachutes e o A rush of coiso.

quarta-feira, maio 14, 2008

Inutilidades

Duas semanas depois de um aumento e de a BP ter revelado que os seus lucros do primeiro trimestre cresceram mais de 60% face a igual período no ano passado: um novo aumento!

No entanto, no fórum da TSF esta manhã ouviu-se:

Presidente da APETRO (Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas): Não acredito que todas as gasolineiras tenham aumentado o mesmo e ao mesmo tempo.
Acredito que não saiba de TODAS, mas é muito fácil saber das 3 que detêm mais de 95% do mercado nacional. Se este senhor não sabe, quem saberá? Ninguém questionou, nem a jornalista.

Presidente do ACP (Automóvel Club de Portugal): A revolta popular vai ocorrer, mas eu não digo nada, nem vou incentivar.
Outro. Então para que precisamos do ACP? É só para pagar as quotas e mudar um pneu sem sujar as mãos? Ou é para defender os associados automobilistas e o sector automóvel quando eles mais necessitam?

Porno – Parte III – Algumas conclusões

O mainstream. Sempre que uma estrela porno inaugura uma megastore ou anuncia uma linha de profumes, ou aparece num programa de televisão, a gente do porno começa a dizer que o porno é “mainstream”, que o porno é o máximo, que o porno é fixe. Mas o porno nunca poderá sê-lo, em parte por causa da natureza contrária da forma. Para o porno se tornar “mainstream”, os seres humanos tinham de mudar.

A paródia do amor. O calor, é nessa direcção que o mercado nos leva: para o calor, a intensidade, uma ginástica frenética. Mais que isso, o porno, ao que parece, é uma paródia do amor. Por isso está a dirigir-se para os antípodas do amor, que são o ódio e a morte. “Estrangula-a!”
Nietzsche definiu as anedotas como epigramas sobre as mortes dos sentimentos. Por outras palavras, é típico que o criador da frase “as ratas são uma treta” não tenha a menor ideia de que com o que estaria a brincar. De qualquer forma, o porno está repleto de morte dos sentimentos.

O vício. Gore Vidal disse uma vez que o perigo da pornografia era de fazer com que quiséssemos ver mais pornografia; podendo mesmo fazer com que não quiséssemos fazer mais nada a não ser vermos pornografia.

A perversão. O porno serve o “perverso polimorfo”: o caos quase-infinito do desejo humano. Se ocultarmos uma perversão, mais cedo ou mais tarde o porno identifica-la-á. É melhor que tal não aconteça quando assistir a um filme sobre um tratador de porcos coprofágico – ou sobre um cangalheiro...

Portanto, o porno americano obedece ao mercado (e como poderia ser de outra maneira?), logo percebemos o que isto nos diz do porno. Mas o que é que nos diz sobre a América? E se a América é mais um mundo do que um país, o que é que nos diz sobre o mundo?

segunda-feira, maio 12, 2008

*Não esquecer*

Mais logo não perder a reportagem na TVI sobre os crimes passionais em Portugal. O amor possessivo tomado pela loucura extrema. “Se não és minha, não serás de mais ninguém”.
Diz que é uma espécie de best of do Correio da Manhã e 24 Horas em versão televisiva, portanto.

Porno – Parte II – Turn off the fucking camera!

O que é necessário ter para ser uma estrela porno? Precisa de ser um exibicionista. Precisa de ter uma vontade sexual feroz. Precisa de sofrer de “nostalgie de la boue” (literalmente “nostalgia da lama”: um prazer infantil, mesmo de bébé, nas funções primárias do corpo). E – provavelmente – precisa de um passado de destruição. Precisa também de não ter qualquer sentido de humor. As estrelas porno, apesar de representarem muito mal, são muito boas num determinado aspecto: conseguem manter uma cara séria. Mas a ausência de humor universal e institucionalizada é o verdadeiro cerne do porno.

Temptress tem 23 anos e é actriz de filmes de “soft” hardcore. Não parece tímida quando fala, mas tem um ar tímido. “Algumas raparigas ficam queimadas em nove meses ou um ano. Uma rapariguinha muito nova e doce de 18 anos assina um contrato com uma agência e faz cinco filmes na sua primeira semana. Cinco realizadores, cinco actores, cinco vezes cinco: recebe muitos telefonemas. Cem filmes em quatro meses. Deixa de ser uma cara nova e fresca. O valor dela começa a descer e deixa de receber telefonemas. E depois: “Ok, fazes sexo anal? Fazes sexo em grupo?” Depois ficam queimadas. Não recebem nenhum telefonema. As forças do mercado desta indústria consomem-nas”.

Chloe tem 29 anos, cabelos ruivos e uma cara terna e esperta. Tem corpo de bailarina: pernas fortes, um rabo musculado... E é actriz de pornografia bizarra.
“Batiam-me e sufocavam-me. Estava mesmo perturbada e não paravam. Continuavam a filmar. Consegue-se ouvir a minha voz no fundo a dizer, “desliguem a merda da câmara”, e continuavam”.
“Somos prostitutas... Há diferenças. Podemos escolher os nossos parceiros que são testados contra o HIV – um cliente não faz isso. Mas somos prostitutas: trocamos sexo por dinheiro”. “Tive dez doenças venérias diferentes durante o meu primeiro ano no meio. Por vezes quando fazemos cenas de rapariga com rapariga dizemos: “Querida acho que devias ir ao médico”. Recomendo-a um médico simpático (os outros tratam-nos abaixo de cão) e ela vem com a sua receitinha de Flagyll em doses múltiplas”.
A licença de trabalho de um actor ou de uma actriz porno é o seu teste de HIV mais recente. Há dois anos, começaram a surgir dúvidas em relação à licença de trabalho de Marc Wallice. Usava um laboratório nos arredores da cidade e parecia estar a manipular os resultados das análises. Quando o descobriram, a situação de Wallice era dramática. Fora acusado de infectar várias actrizes, acusação que negou.

domingo, maio 11, 2008

O leeeeiiite, senhor engenheeiro...


Senhor engenheiro: Blabla o leite agros light blabla...
Campónias com pronuncia de cascais: Senhor engenheiro, está mais magro...
Senhor engenheiro: Blabla...
Campónias com pronuncia de cascais: O leite senhor engenheiro, o leite!

AHAH! (a publicidade feita em portugal é tão divertida e original!)

Porno – Parte I: The pussies are bullshit

Lembram-se do DNA? Um extinto suplemento do DN. Era um leitor fiel, guardei várias edições e numa delas há uma grande reportagem sobre a pornografia americana. Trata-se de uma tradução de um artigo de Martin Amis, publicado na revista Talk. Recuo, então, ao ano de 2001, para recordar os interessantes testemunhos dos principais protagonistas deste negócio, que continua a render biliões – facto: no final dos anos 90, os americanos gastaram dez biliões de dólares por ano em sexo indirecto - e a levantar questões, que, em parte e por partes, passo a transcrever.

Stagliano, realizador. Com a cena vaginal, elaborou Stagliano, temos uma miúda a contorcer-se e a gemer. E o espectador com verdadeiro discernimento com certeza pensa: “Isto é a sério ou é tudo uma grande treta?” Com o sexo anal, por outro lado, a actriz é obrigada a produzir outro tipo de reacção mais gutural, mais animal. Ou segundo as palavras do realizador: “A personalidade dela tem que vir ao de cima. Queremos tipos que fodam mesmo bem e que façam com que as miúdas tenham um ar mais... viril”. Viril significa masculino; mais uma vez, Stagliano puxa do seu inglês mais sofisticado. Queremos que as raparigas nos mostrem “a sua testosterona”.
Mais à frente fala do conhecido actor e seu amigo Rocco Siffredi. “Fui o primeiro a filmar o Rocco. Juntos evoluímos para coisas mais duras. O Rocco começou a cuspir nas miúdas. Uma coisa forte, de domínio masculino, com as mulheres a serem levadas ao limite. Parece violência, mas não é. Quer dizer, o prazer e a dor são a mesma coisa, certo? O Rocco faz o que o mercado lhe manda. O que tem sucesso no mercado é a realidade”. Logo os olhos do cu (assholes) são uma realidade. E “as ratas (pussies) são uma treta (bullshit)”.