quarta-feira, maio 14, 2008

Inutilidades

Duas semanas depois de um aumento e de a BP ter revelado que os seus lucros do primeiro trimestre cresceram mais de 60% face a igual período no ano passado: um novo aumento!

No entanto, no fórum da TSF esta manhã ouviu-se:

Presidente da APETRO (Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas): Não acredito que todas as gasolineiras tenham aumentado o mesmo e ao mesmo tempo.
Acredito que não saiba de TODAS, mas é muito fácil saber das 3 que detêm mais de 95% do mercado nacional. Se este senhor não sabe, quem saberá? Ninguém questionou, nem a jornalista.

Presidente do ACP (Automóvel Club de Portugal): A revolta popular vai ocorrer, mas eu não digo nada, nem vou incentivar.
Outro. Então para que precisamos do ACP? É só para pagar as quotas e mudar um pneu sem sujar as mãos? Ou é para defender os associados automobilistas e o sector automóvel quando eles mais necessitam?

Porno – Parte III – Algumas conclusões

O mainstream. Sempre que uma estrela porno inaugura uma megastore ou anuncia uma linha de profumes, ou aparece num programa de televisão, a gente do porno começa a dizer que o porno é “mainstream”, que o porno é o máximo, que o porno é fixe. Mas o porno nunca poderá sê-lo, em parte por causa da natureza contrária da forma. Para o porno se tornar “mainstream”, os seres humanos tinham de mudar.

A paródia do amor. O calor, é nessa direcção que o mercado nos leva: para o calor, a intensidade, uma ginástica frenética. Mais que isso, o porno, ao que parece, é uma paródia do amor. Por isso está a dirigir-se para os antípodas do amor, que são o ódio e a morte. “Estrangula-a!”
Nietzsche definiu as anedotas como epigramas sobre as mortes dos sentimentos. Por outras palavras, é típico que o criador da frase “as ratas são uma treta” não tenha a menor ideia de que com o que estaria a brincar. De qualquer forma, o porno está repleto de morte dos sentimentos.

O vício. Gore Vidal disse uma vez que o perigo da pornografia era de fazer com que quiséssemos ver mais pornografia; podendo mesmo fazer com que não quiséssemos fazer mais nada a não ser vermos pornografia.

A perversão. O porno serve o “perverso polimorfo”: o caos quase-infinito do desejo humano. Se ocultarmos uma perversão, mais cedo ou mais tarde o porno identifica-la-á. É melhor que tal não aconteça quando assistir a um filme sobre um tratador de porcos coprofágico – ou sobre um cangalheiro...

Portanto, o porno americano obedece ao mercado (e como poderia ser de outra maneira?), logo percebemos o que isto nos diz do porno. Mas o que é que nos diz sobre a América? E se a América é mais um mundo do que um país, o que é que nos diz sobre o mundo?

segunda-feira, maio 12, 2008

*Não esquecer*

Mais logo não perder a reportagem na TVI sobre os crimes passionais em Portugal. O amor possessivo tomado pela loucura extrema. “Se não és minha, não serás de mais ninguém”.
Diz que é uma espécie de best of do Correio da Manhã e 24 Horas em versão televisiva, portanto.

Porno – Parte II – Turn off the fucking camera!

O que é necessário ter para ser uma estrela porno? Precisa de ser um exibicionista. Precisa de ter uma vontade sexual feroz. Precisa de sofrer de “nostalgie de la boue” (literalmente “nostalgia da lama”: um prazer infantil, mesmo de bébé, nas funções primárias do corpo). E – provavelmente – precisa de um passado de destruição. Precisa também de não ter qualquer sentido de humor. As estrelas porno, apesar de representarem muito mal, são muito boas num determinado aspecto: conseguem manter uma cara séria. Mas a ausência de humor universal e institucionalizada é o verdadeiro cerne do porno.

Temptress tem 23 anos e é actriz de filmes de “soft” hardcore. Não parece tímida quando fala, mas tem um ar tímido. “Algumas raparigas ficam queimadas em nove meses ou um ano. Uma rapariguinha muito nova e doce de 18 anos assina um contrato com uma agência e faz cinco filmes na sua primeira semana. Cinco realizadores, cinco actores, cinco vezes cinco: recebe muitos telefonemas. Cem filmes em quatro meses. Deixa de ser uma cara nova e fresca. O valor dela começa a descer e deixa de receber telefonemas. E depois: “Ok, fazes sexo anal? Fazes sexo em grupo?” Depois ficam queimadas. Não recebem nenhum telefonema. As forças do mercado desta indústria consomem-nas”.

Chloe tem 29 anos, cabelos ruivos e uma cara terna e esperta. Tem corpo de bailarina: pernas fortes, um rabo musculado... E é actriz de pornografia bizarra.
“Batiam-me e sufocavam-me. Estava mesmo perturbada e não paravam. Continuavam a filmar. Consegue-se ouvir a minha voz no fundo a dizer, “desliguem a merda da câmara”, e continuavam”.
“Somos prostitutas... Há diferenças. Podemos escolher os nossos parceiros que são testados contra o HIV – um cliente não faz isso. Mas somos prostitutas: trocamos sexo por dinheiro”. “Tive dez doenças venérias diferentes durante o meu primeiro ano no meio. Por vezes quando fazemos cenas de rapariga com rapariga dizemos: “Querida acho que devias ir ao médico”. Recomendo-a um médico simpático (os outros tratam-nos abaixo de cão) e ela vem com a sua receitinha de Flagyll em doses múltiplas”.
A licença de trabalho de um actor ou de uma actriz porno é o seu teste de HIV mais recente. Há dois anos, começaram a surgir dúvidas em relação à licença de trabalho de Marc Wallice. Usava um laboratório nos arredores da cidade e parecia estar a manipular os resultados das análises. Quando o descobriram, a situação de Wallice era dramática. Fora acusado de infectar várias actrizes, acusação que negou.

domingo, maio 11, 2008

O leeeeiiite, senhor engenheeiro...


Senhor engenheiro: Blabla o leite agros light blabla...
Campónias com pronuncia de cascais: Senhor engenheiro, está mais magro...
Senhor engenheiro: Blabla...
Campónias com pronuncia de cascais: O leite senhor engenheiro, o leite!

AHAH! (a publicidade feita em portugal é tão divertida e original!)

Porno – Parte I: The pussies are bullshit

Lembram-se do DNA? Um extinto suplemento do DN. Era um leitor fiel, guardei várias edições e numa delas há uma grande reportagem sobre a pornografia americana. Trata-se de uma tradução de um artigo de Martin Amis, publicado na revista Talk. Recuo, então, ao ano de 2001, para recordar os interessantes testemunhos dos principais protagonistas deste negócio, que continua a render biliões – facto: no final dos anos 90, os americanos gastaram dez biliões de dólares por ano em sexo indirecto - e a levantar questões, que, em parte e por partes, passo a transcrever.

Stagliano, realizador. Com a cena vaginal, elaborou Stagliano, temos uma miúda a contorcer-se e a gemer. E o espectador com verdadeiro discernimento com certeza pensa: “Isto é a sério ou é tudo uma grande treta?” Com o sexo anal, por outro lado, a actriz é obrigada a produzir outro tipo de reacção mais gutural, mais animal. Ou segundo as palavras do realizador: “A personalidade dela tem que vir ao de cima. Queremos tipos que fodam mesmo bem e que façam com que as miúdas tenham um ar mais... viril”. Viril significa masculino; mais uma vez, Stagliano puxa do seu inglês mais sofisticado. Queremos que as raparigas nos mostrem “a sua testosterona”.
Mais à frente fala do conhecido actor e seu amigo Rocco Siffredi. “Fui o primeiro a filmar o Rocco. Juntos evoluímos para coisas mais duras. O Rocco começou a cuspir nas miúdas. Uma coisa forte, de domínio masculino, com as mulheres a serem levadas ao limite. Parece violência, mas não é. Quer dizer, o prazer e a dor são a mesma coisa, certo? O Rocco faz o que o mercado lhe manda. O que tem sucesso no mercado é a realidade”. Logo os olhos do cu (assholes) são uma realidade. E “as ratas (pussies) são uma treta (bullshit)”.

quarta-feira, maio 07, 2008

O que esta empresa rende quando o Benfica não rende

A parte mais chata de um início de dia de trabalho é ter que encarar a reacção dos meus coleguinhas, que chegaram ao escritório hora e meia antes de mim, sem transparecer estar minimamente constrangido por tal facto. Diz que é assim um “mix” de ar de reprovação, inveja e cansaço - esta última parte sobretudo por terem ocupado aquela parte da manhã a ver a correspondência electrónica, que pode ir de um relatório de vendas transformado no último vídeo caseiro hardcore da Suzky-engole-tudo-até-ao-fim-Star, ou de uma apresentação em powerpoint, em que a evolução das quotas de mercado pode ser muito bem representada, em evolução, pelas fotos das novas mamas e do novo rabo da Merche Romero. Muito produtivo, e quase tão emocionante quanto esta época do Benfica, portanto.

segunda-feira, maio 05, 2008

Há pessoas eternamente desorientadas. E há pessoas desorientadas que buscam eternamente uma orientação.

“Estou a tirar a carta de pesados, vou deixar o meu emprego e depois irei para Espanha conduzir camiões.”

Estas palavras deixaram-me estupefacto. A mim e a todos os seus outros amigos que ouviram tal novidade. Sei que a situação económica deste país não está bem e não é a primeira vez que sou confrontado com a noticia de um amigo que decide partir de Portugal em busca de melhores oportunidades, só que não me deixo de surpreender com estas súbitas migrações. Neste caso, trata-se de uma bonita rapariga de 30 anos com um porte físico fragilíssimo, distribuídos por menos de um metro e meio de altura!
Ela sempre que fala neste seu novo projecto profissional, fá-lo de uma forma cativante e torna-se bem visível o respectivo orgulho nos seus olhos. Quase faz parecer que conduzir um camião articulado de muitas toneladas será tão fácil como dar à luz! Ou tal não viesse de alguém que a um mês da data prevista de ter o seu primeiro filho, ao começar a ter uma estranha “desregulação fisiológica” fez mais de 60 Km, ao volante do seu carro, até ao Hospital mais próximo para indagar do “problema”. Quando a médica de serviço, nas urgências, lhe disse: “deu início aos trabalhos de parto”, ela não acreditou e recusou ser assistida. Foi preciso chegar o namorado (e o resto da família) e uma primeira contracção - e respectiva dor aguda - para que se consciencializasse de tal facto.

Por amor ou por aptidão? Depois de um curso de secretariado e de fisioterapia, o misterioso mundo do camionismo! O seu actual namorado e respectiva profissão poderão ter tido alguma influência nesta decisão, porque é normal querer estar mais perto de quem gostamos. Mas a questão financeira também poderá ter tido um certo peso. Consta, segundo palavras dela, que é uma profissão bem remunerada: ao “salário muito acima da média” acresce mais um valor pelo nº de quilómetros percorridos.
Afinal de contas, isto, não é uma mera submissão aos desígnios do amor, é uma notável capacidade de adaptação a novas realidades. Com muita coragem e uma boa dose de maluquice à mistura.

quinta-feira, maio 01, 2008

Bem acomodados e bem roubados

Desde 1 de Janeiro do presente ano que os combustíveis sofreram 17 alterações: 3 descidas e 14 subidas. Face a isto, não admira que este assunto tenha deixado de ser tema de “conversa de café” já que deve ser aborrecido discutir sempre o mesmo assunto, ainda por cima porque pode-se correr o risco de, mesmo antes da discussão terminar, os valores em causa sofrerem uma nova variação. Portanto o mais recente aumento dos combustíveis - 3 cêntimos no gasóleo, 2,1 cêntimos na gasolina sem chumbo 95 (segundo informação cedida pela ANAREC) – deixou de ser um escândalo a partir do momento em que as pessoas se habituaram à ideia de que as refinarias necessitam, a todo o custo, de enriquecer. Ou, pelo menos, de ter dinheiro suficiente para suportar o combustível do autocarro da selecção nacional de futebol que os levará até à Suíça. Acredito que a ideia de ter que empurrá-lo, segundo o mais recente anúncio da Galp Energia, é mais assustadora que ter que desembolsar mais 3 cêntimos por litro de gasóleo. Isto pode justificar, em parte, esta apatia e acomodação nacional. O governo português também agradece: já lhe bastará o descontentamento social em outras áreas e sempre ganhará a sua quota-parte - que não é pequena, sublinhe-se – sempre que um “barão” lusitano acorda mal disposto ou lhe apeteça substituir o “velhinho” BMW 5-Series.
Quem acredita que uma selecção de futebol vai preferir fazer uma viagem de mais de 2.000 km de autocarro em vez de um prático e cómodo avião, também acredita que esta especulação de preços se deva ao crescente aumento do preço do barril de petróleo. Quem não acredita, sabe que o preço do barril de petróleo é pago com uma moeda cada vez mais enfraquecida face aquela que usa correntemente no seu país e que lhe serve para, entre outras coisas, pagar a gasolina que o seu carro consome.
Um país em peso que se solidariza pela causa da “bandeirinha” e da sua selecção de futebol, faz manifestações contra tudo e contra nada, abaixo-assinados só porque dá cá aquela palha e ao ser descaradamente roubado sempre que atesta o depósito do carro, o que é que faz? Absolutamente nada.

quarta-feira, abril 30, 2008

terça-feira, abril 29, 2008

A minha verdade III

O homem é o único animal que pode permanecer, em termos amigáveis, ao lado das vítimas que pretende comer, antes de comê-las.

A minha verdade II

O Chocolate não engorda, quem engorda és tu

segunda-feira, abril 28, 2008

A minha verdade

Não acredito em verdades absolutas. Acredito na verdade que se vai construindo com as verdades quotidianas. As segundas são mais facilmente questionáveis que as primeiras e por isso é bem mais difícil ser fiel às constatações do quotidiano, do que ter um ideal de verdade e lutar, em abstracto, por ele.

A precariedade também é isto

(click na imagem para aumentar)

quinta-feira, abril 24, 2008

Está oficialmente aberta a nossa silly season


Em média, os portugueses têm relações sexuais com sete parceiros ao longo da vida. (...) Agostinho Gonçalves, com 55 anos, não tem qualquer problema em assumir que queria atingir o número de mulheres equivalente ao ano em que nasceu (1953) e que chegou a ter três a quatro mulheres diferentes por dia.

quarta-feira, abril 23, 2008

O homem dos setecentos ofícios

Na Sic Notícias, ontem à noite, Paulo Teixeira Pinto revelou muito de si. Sempre inteligente e com o discurso bem articulado. Escreve poesia - momento da noite: Mário Crespo leu dois dos seus poemas. Pinta - levaram alguns dos seus quadros para serem avaliados e o avaliador, sem saber quem os tinha pintado, queria comprá-los - e adora literatura e outras formas de arte. Fez referências a escritores, entre alguns, Boris Vian. Citou filósofos. Está agora à frente da editora Guimarães e prometeu reeditar toda a obra de Agustina Bessa-Luís. De política, disse que tem uma enorme consideração por Carvalho Silva da CGTP e várias figuras da esquerda, embora seja claramente um tipo de direita.

Surpreendeu-me. No entanto, se eu tivesse infortúnio de me deixar casar com alguém com a personalidade (e com o nome!?) de Paula Maria Von Hafe Teixeira da Cruz Teixeira Pinto, até aprendia a fazer tricot e tapetes de arraiolos só para não a aturar.

terça-feira, abril 22, 2008

U don't need eyes to see, u need vision!


Contagem do além


A Lisboagás (grupo Galp Energia) na sua última factura emitida, pede-me, como é usual, para facultar telefonicamente a próxima leitura do meu contador de gás. Confesso que inicialmente fiquei surpreendido com a data proposta, no entanto acabei por chegar à conclusão de que um grupo empresarial que pede aos portugueses que dêem um empurrãozito num autocarro cheio de jogadores de futebol pagos a peso de ouro e com o ego ainda maior que as suas contas bancárias, pode e deve “exigir” aos seus clientes que vivam mais 991 anos, nem que seja, para lhes fornecer uma leitura de contador. Só vejo um pequeno inconveniente: ficar impossibilitado de me ausentar e poder dar as boas vindas ao novo milénio na Austrália, como o meu espírito já tinha previamente planeado.


segunda-feira, abril 21, 2008

Tudo o que se deixa para trás nas circunstâncias do caminho


Tive problemas com adicções, consegui resolvê-los e hoje escolho ter qualidade de vida. Para poder viver o mundo como ele é. Foi uma escolha. Uma troca. Queria continuar a cantar, fazer coisas, ser feliz. (...)
Continuo a ter comportamentos que não são os mais adequados, a ser egoísta, a ter defeitos de carácter. Tento não prejudicar ninguém, mas ainda sou uma pessoa que se isola imenso, que passa muitas horas sozinho. Mesmo quando acompanhado - e os meus amigos sabem isso, que às vezes não estou lá. (...)
Sou um sonhador, estou sempre a imaginar coisas, mas agora vou pensando antes de agir, antes de tomar decisões. Outras tomo rapidamente, mas arrependo-me a seguir. Tenho uma consciência diferente. Passei coisas muito complicadas, andei com as coisas todas tortas, mas elas acabaram por se endireitar. Tudo isso foi importante para ter o que tenho hoje. (...)
(Camané in ípsilon, Público)
Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho
Sai para as lojas, hoje, um dos discos portugueses mais importantes dos últimos tempos.

Parolicing


Para que este novo acordo ortográfico proposto seja bem consolidado, estou a tentar lembrar-me de uns termos - relacionados com qualquer invenção de origem nacional, ou que designam um pormenor técnico de uma actividade pioneira em Portugal, ou que se devam a um qualquer incomum fenómeno local ou mesmo que definam uma característica do pensamento e mentalidade ‘tuga – que os ingleses possam adoptar para a sua língua. Há a “saudade” e a “via verde” (uau!). Mas também há a casmurrice, a paspalhice, a parolice, o provincionalismo, o chicoespertismo. Já que essa espécie de jornalismo, chamado 24horas, de original tem muito pouco.

sexta-feira, abril 18, 2008

A chuva

é como as lágrimas.
Em demasia, lavam a alma mas enferrujam o coração.

quarta-feira, abril 16, 2008

A Mafalda Gameiro fica muito sexy no banco de trás de um carro


A jornalista Mafalda Gameiro - que por acaso está cada vez mais atraente – entrevistou um carjacker de cara tapada e com um revólver na mão direita, no banco de trás de um carro. É disparate perguntar quando é que a polícia conseguirá fazer também estas “entrevistas exclusivas” com criminosos supostamente difíceis de capturar?
Hoje, depois do telejornal.

terça-feira, abril 15, 2008

Jornalismo biodescartável

"Sou o escritor que mais vende em Portugal. Nos últimos quatro anos, já vendi acima de meio milhão de livros"...."Na parte que lhe cabe, poupa água. Mas pouco mais. Reciclagem? Pois, isso não. Nem vidro, nem plástico, nem papel? Nada? «Não, não faço. Sou uma pessoa normal». Muitas pessoas normais reciclam. «A média do cidadão não recicla o lixo. É muito complicado. Um saco é azul, outro é não sei o quê, aquilo é uma confusão»"(José Rodrigues dos Santos, Revista Sábado, pág. 97)

A Quercus ama o ambiente enquanto odeia a sociedade onde vive; ama a bicharada árctica enquanto despreza todos os meus hábitos. Querem o quê? Que deixe de tomar banho em nome da fraternidade que une homens e ursos? Lamento: entre o sacrossanto gelo do Árctico e a heresia ecologicamente incorrecta, escolho a segunda. Nunca um urso polar me pagou um copo pela Páscoa.

Esta nova ideologia da irresponsabilidade ambiental que “polui” por alguma classe jornalística já tresanda!

A opção de não reciclar, estar-se a marimbar para o ambiente e para os seus recursos é quase uma “causa nacional comum”, e Henrique Raposo tem plena consciência disso e rejubila-se em fazer parte dessa maioria com a sua conduta ecológica inconsciente - até lhe dá direito de colocar lá pelo meio uma piada nonsense sobre ursos polares (que nenhuma culpa têm das imbecilidades jornalísticas nacionais). Mas não se fica por aqui. Ele não suporta essa “ditadura minoritária verdinha” que “odeia a sociedade onde vive”, pois acha que viver socialmente bem e respeitar o ambiente são “equações” incompatíveis.

O fascista e os outros

O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.

Em Janeiro, quando António Barreto escreveu estas palavras para o Público, tinha acabado de entrar em vigor a polémica lei antitabágica. Também estava na ordem do dia a questão das escutas ilegais, a ASAE fazia mais uma das suas operações de “limpeza” num mercado popular nos subúrbios da capital e já tinha sido publicada uma lista na net com os principais devedores do estado. Preparava-se um projecto de lei para aprovar a videovigilância sem limites e a interdição de pequenos partidos com menos de 5000 militantes inscritos.

A liberdade é uma questão para ser discutida tanto em 1974 como em 2008, não há que sentir qualquer incómodo nisso. As pessoas querem mais segurança, melhores condições de vida e de higiene em locais públicos, justiça contra os prevaricadores e passam a vida a exigir do estado estas reivindicações mas depois não aceitam que para as colocar em prática será necessário tomar certas medidas rígidas e autoritárias. Este autoritarismo assusta muita gente, é normal, mas só inconscientemente apelidaríamos de fascismo.
A. Barreto é genial a documentar o passado mas deixa muito a desejar nas suas análises ao presente.
LF Menezes quer escolher os analistas para as diversas televisões, R. Gomes da Silva (nº3 do partido), que correu com Marcelo da TVI quando era ministro dos Assuntos Parlamentares há uns anitos, vem criticar agora a contratação (através de uma produtora externa) de uma competente jornalista e com provas dadas em matérias sociais para participar num programa da RTP2 sobre bairros sociais, só porque ela supostamente é namorada de Sócrates. Coloca-se em causa “a qualidade da democracia portuguesa” ao mesmo tempo que se interdita o acesso aos jornalistas, no último congresso do seu partido na Madeira. Se Sócrates é fascista, esta trupe Menezes & Ca. é o quê?

segunda-feira, abril 14, 2008

E os tuélve pointes vão paaara...

O Festival Eurovisão da Canção nunca foi bem a minha "praia", já que o europop também nunca foi bem a minha "onda" - pior começo para um post de sempre? No entanto até achava piada à parte em que cada país revelava o resultado das votações do seu juri e não se conseguia adivinhar a quem eram atribuídas as pontuações mais elevadas.
Logo a seguir à bomba atómica, o sistema de televoto é a pior invenção do homem. Mas quem disse a esta gente que o telespectador comum do Festival da Canção percebe alguma coisa de música? Deve ter sido a mesma pessoa que disse que o Iládio Clímaco pode ser substituído, na sua apresentação, pela dupla maravilha Isabel Argelino & Jorge Gabriel sem se perder carisma. Enfim, perdeu-se (também) uma certa justiça competitiva e ganhou-se uma explícita e súbita onda de solidariedade entre os países que partilham fronteiras ou possuem mais emigrantes. Portugal, com uma concorrência ferocíssima em compadrio entre os países do leste e com um, belo e vasto mas pouco rentável nesta matéria, vizinho, chamado Oceano Atlântico, é um dos países que sai mais prejudicado deste festival. Também é certo que as músicas e os músicos que para lá se tem mandado, em sua representação, não tem ajudado e os nossos emigrantes em França e no Luxemburgo já foram mais pró-activos nesta matéria...
Isto tudo para dizer que há probabibilidades de poder vir a assistir à edição deste ano, não para torcer pela “orca santanderiana da Madeira e os seus cinco pinguins amestrados”, mas para ver a prestação do representante francês. Trata-se de Sebastien Tellier, autor do disco (e respectiva capa) mais sensual (e sexual, como o seu título faz questão de não esconder) de 2008. Divine pode ser assim a melhor canção do Eurovisão deste ano... E de muitos anos anteriores.

sexta-feira, abril 11, 2008

Um pré-adolescente à beira de um ataque de nervos

Olá sou o D., prefiro não dizer o meu nome, apesar de vocês conhecerem a minha família muito bem (ultimamente não pelas melhores razões). A minha mãe é jet-set e vai ter que passar os próximos 23 anos na prisão pois foi acusada de ter mandado limpar o sebo ao meu pai. Na semana passada, ela tentou suicidar-se, mas antes diz que escreveu uma carta para mim e para o meu irmão. Ainda não recebi nada, mas pode ser pelo atraso habitual dos correios. Acho que deve ter melhorado entretanto porque sei que fez da sua cela um centro de spa: pediu sushi para o jantar, muitos cremes de beleza, uma manicure, cabeleireira e a presença do seu dietista particular, Fernando Póvoas. Depois de perceber que a minha mãe fez do Estabelecimento Prisional de Tires a sua nova instância de férias, sosseguei e decidi não a ir visitar. Ao contrário do meu irmão, David, que por sua vez preferiu ir viver para a casa de um grande amigo dele e da minha mãe: o senhor José Castelo Branco, em vez de ficar comigo. Não sou muito de me queixar da vida mas como estou a entrar naquela fase complicada que costumam chamar de adolescência, só para descomprimir, posso ser agora um bocadinho violento? FODA-SE!

terça-feira, abril 08, 2008

segunda-feira, abril 07, 2008

Há homens que já nascem póstumos

Coincidentemente alguns artigos que li nos jornais/revistas no passado fim-de-semana estabelecem todos um determinado perfil do que é ser um homem português hoje em dia. Começando pela hilariante crónica de Ferreira Fernandes, na revista NS do Diário de Notícias, “Encaixados até mais não”: “Vivemos dos rendimentos da fama por termos dado mundos ao mundo. Se houver um instrumento náutico que nos defina hoje, já não é o sextante nem o astrolábio. É a âncora. Não é a vela latina é o vale dos lençóis”. A crítica a esta passividade e estado de graça de apatia dos portugueses continua noutra área, “Mais de um em três portugueses nunca conheceram outro patrão senão o primeiro... Portugal é o campeão europeu de permanência no mesmo emprego: 11 anos de média”. Face também à idade tardia com que presentemente se sai de casa dos pais e o respectivo poder maternal castrador, é previsível que FF goze com o assunto: depois das saias da mãe, as calças do patrão! (Isto, obviamente, deve ser visto de uma forma muito generalista e haverá sempre vários motivos que expliquem estas tendências, no entanto concordo com parte das críticas.)

Depois de ir até à última página desta mesma revista descobrir que a Cidália (e o seu respectivo sexo) se depara com um problema de habitabilidade com os homens portugueses, pois parece que dormem muito e quando o fazem não respiram, ressonam - “ressonam, logo existem”, Marta, é obrigatório leres esta crónica, nem que seja para cobrares os direitos de autor pela solução final utilizada – chamou-me à atenção um dos temas de destaque da capa do jornal que também me parece sexualmente interessante. “Jovens – os novos clientes das prostitutas”. Duas páginas inteiras para se ficar a conhecer a história de uma prostituta novata que “bate” a zona do Técnico e tem receio de ir com a malta mais nova, pois não sabe o que eles lhes podem fazer (?); que ainda há jovens rapazes no Cacém que pagam a prostitutas da estrada que, por sua vez, os levam para um recanto de uma mata, onde há “um colchão velho rodeado de arbustos e papeis usados” e que todo aquele ambiente lhes causa muita impressão, mas tal enojamento não os impede de perder a virgindade, que é para isso que eles ali estão e lhes pagam; depois vem o relato de um mulherengo inveterado viciado em bares de strip, em que num deles, lá para os lados do Montijo, há um amigo que é segurança e à porta recomenda-lhe ir ter com a sua namorada stripper, pois consta que ela faz um “oral divinal” e no fim da noite acabam todos na casa desse tal amigo segurança, com mais algumas strippers “sem pudores” (?), numa orgia inesquecível; e por fim, o testemunho de duas prostitutas brasileiras que trabalham por conta própria, garantem que os portugueses são muito liberais no sexo: “há homens que pedem para eu só usar instrumentos neles, outros que querem que eu passeie com os meus saltos altos no corpo deles... Vocês portugueses são mesmo viciados em sexo.” Consta que sim e vocês, brasileiras, sabem bem tirar proveito disso, valeu?

Portanto, ponto da situação: os homens portugueses para além de ressonarem que nem uns porcos, são meninos da mamã, ociosos e profissionalmente inertes, mas, para compensar, são muito activos sexualmente. Nesta área começa-se por dar uma primeira queca num colchão velho no meio de uma mata lá para os lados do Cacém e acaba-se no Intendente a servir de tapete de uma prostituta brasileira fã de Nietzsche.

De circunstância

Quando alguém me persegue durante vários Km’s, com o seu carro colado à traseira do meu, em pleno dia e sob o tabuleiro da ponte 25 de Abril, e depois já com ambos os carros lado a lado, em andamento, se inicia um radical processo de engate, inconscientemente diria que se trata de uma experiência divertida, conscientemente diria que é uma insensatez. Tal como a curto prazo entendo ser uma boa receita para um ego debilitado, mas a longo prazo perceberei que quem opta por esta metodologia para tentar conhecer alguém, das duas uma, ou tem o dom da promiscuidade ou está numa daquelas fases de desespero em que se faz qualquer coisa para obter a atenção - razões estas, por si só, justificáveis para carregar a fundo no acelerador, dar uso aos 140 cavalos que me acompanham e desaparecer dali o quanto antes. “Um número de telemóvel serve” e se não me servir a cantiga, não sendo o fim do mundo para ninguém, servirá com certeza para alguém, num outro carro mais à frente.

sexta-feira, abril 04, 2008

quarta-feira, abril 02, 2008

He has standards


Quando um anti-herói minucioso e com (muitos) princípios faz justiça pelas suas próprias mãos, o resultado só pode ser muito sanguinário. Portanto, uma série que nos ensine a matar pessoas sem sujar o chão, só pode ser uma das maiores e melhores obsessões dos últimos tempos.

segunda-feira, março 31, 2008

Uma pizza só combina com uma salada de espinafres se ninguém ver


Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?
A pergunta arrepiou-me por sentir que ultrapassava a realidade da peça que via. Assistia a: “A Gorda” (Fat Pig, escrita pelo americano Neil LaBute), que está em cena no renovado Teatro Villaret, em Lisboa, até 1 de Junho. Relata a história de Tomás (Ricardo Pereira), um rapaz magro e elegante, um yuppie dos nossos tempos, que se atrai e apaixona por uma rapariga gorda, Helena (Carla Vasconcelos), bem como todas as respectivas peripécias em volta deste relacionamento. Obviamente que o assunto principal desta peça passa pela forma como ambos reagem ao verem-se confrontados com os preconceitos da sociedade contemporânea, obcecada com a imagem, que rejeita todos quanto fujam aos padrões de beleza instituídos.
Uma tragicomédia. Há muitos momentos humorísticos, sobretudo com as intervenções de Castro (Carlos António), o amigo e colega de escritório de Tomás, sexualmente activo e muito exigente face ao sexo oposto; mas também há momentos dramáticos quando o casal é confrontado com a realidade e os estigmas do meio social envolvente. É, inclusive, este realismo cruel que torna esta peça incómoda. Porque uma relação só adquire realidade se tiver uma face social, caso contrário não passa de uma fantasia a dois. Não é fácil de assumir e tornar visível um relacionamento que não seja socialmente bem visto, pois teme-se a responsabilidade que advém dessa parte social. Daí a importância da pergunta que saiu da boca de Helena, ao perceber que o seu companheiro evitava aparecer publicamente com ela, em locais onde poderia ser reconhecido por amigos e colegas de trabalho: “Tu sentes-te confortável comigo, Tomás?” Ela parecia adivinhar a resposta dele pois tinha perfeita consciência da sua condição física e até brincava com ela (“gozando com eles é uma forma de contornar os nossos problemas”). O que ela certamente não estaria à espera era do seu depoimento confessional final, quando Tomás assume toda a sua fraqueza e incapacidade de levar o relacionamento adiante.
Personagens estereotipadas e superficiais, realismo cultural americano, problemas universais (preconceito, falta de princípios e de “tomates” para assumi-los, fraqueza das convicções). É sobretudo disto que é feito esta recomendável peça.

sábado, março 29, 2008

Basicamente, é isto

O Que Há, Fernando Pessoa

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

quinta-feira, março 27, 2008

Um elefante maior que a lua

Ou então estar quase quase para bloquear um' "a marquesa" como o nome oficial do hino francês. Vá lá, "a bolonhesa", estando lá como outra hipótese, escapou por pouco.

Por exemplo. (II)


segunda-feira, março 24, 2008

domingo, março 23, 2008

O que tu contribuis para a minha infelicidade

Como ser socialmente influenciável que sou - copio modelos de vida e dependo naturalmente de conselhos e orientações dos outros - acabo por ser sempre, no momento, o resultado da soma do meu estado espírito natural com o de quem estou – e que me influencia. Nesta socialização, para além de chegar à conclusão que existem pessoas infinitamente mais infelizes que eu, percebo que elas podem tornar a minha existência mais infeliz.
Karma ou vocação? Parece mesmo que há pessoas que só me escolhem ou procuram para partilhar tristezas e desgraças. O que eu mais oiço é: “ainda bem que te conheci nesta fase menos boa da minha vida... Felizmente tenho-te a ti!”. Curiosamente nunca ouvi: “acabei de ganhar o euromilhões, sou uma pessoa emocionalmente muito equilibrada e tenho uma saúde para dar e vender, queres-me conhecer?” Acredito que para quem tenha esse “espírito missionário” de solidariedade obsessiva perante a desgraça alheia, este tipo de partilhas seja muito emocionante, mas para quem anda por aqui a tentar obter alguma estabilidade e viver uma vida sem grandes “dramalhões”, este tipo de situações não lhes são de todo favoráveis. Por onde andavam estas pessoas na tal outra fase boa, feliz e próspera? Na fase em que faziam isto, aquilo e aqueloutro e tinham forças mentais e físicas para ir até ao cume do Evereste se fosse preciso. Agora que entram em depressão sempre que um (pequeno) obstáculo lhes surge à frente e não conseguem dar um passo em frente com receio de cair, é que precisam de alguém mais forte para se sentirem seguros. Seguros ou equilibrados mas sempre pouco confiantes. Porque essa característica dificilmente lhes posso passar ou não dependesse exclusivamente delas.
Estes pólos opostos atraem-se? Por mim, dispenso já esta teoria. Acredito mais numa que demonstre que uma forte oposição entre os dois pólos, produzindo uma luz baça, acaba por consumir energia desnecessariamente. Retenha-se isto: ninguém sai ileso destas (con)vivências muito desequilibradas.

quinta-feira, março 20, 2008

Insane Clown Posture

Era uma vez um palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio. Este palhaço nunca pôde ser mais do que aquilo para o qual dizia ter aptidão: dizer/fazer umas “palhaçadas”, em que a parte imberbe da assistência se ia rindo, enquanto a outra ficava indiferente, à espera de um número mais aliciante. Não podia domar animais, não podia fazer acrobacias de alto risco, não podia ser contorcionista, porque não teria competência para tal. Não deixava de ser um artista, mas querendo ser “o” artista – e para os outros ele era só um palhaço -, o destino fez dele um profissional sem consciência das suas limitações.
Num dia, quando o dono do circo disse que iria proceder a um reajustamento nos royalties, em função da rentabilidade de cada um dos seus trabalhadores, o palhaço foi o único que contestou. Desesperado, com receio de perder certas regalias que até então nunca lhe tinham sido sequer questionadas, ameaçou ir-se embora, sem não antes ter pedido um parecer ao seu público mais fiel. Como era de calcular: as crianças berraram pelo seu palhaço! Pretendeu com isto, nem tanto, um reforço da (sua) razão, mas sobretudo do ego - que inchava na mesma proporção da sua barriga e dos seus bolsos. Foi à conta dele (o seu ego) – e nem tanto do seu profissionalismo e atributos - que fez carreira.
Como um espectáculo com polémicas e sem um palhaço de serviço não vende bilhetes, o director do circo acabou por abandonar a sua irreverente iniciativa. A vida deste circo prossegue, sustentado por alguns números novos e com o velho número do palhaço velho lá pelo meio. O palhaço velho e resmungão que não achava graça quando lhe chamavam pelo seu nome próprio.

terça-feira, março 18, 2008

segunda-feira, março 17, 2008

Fuck of Death

Há terminologias e há fenómenos que eu preferia simplesmente desconhecer. Não acho, no entanto, que a atitude de ignorá-los ou tentar desculpabilizá-los pela sua pequena adesão ou popularidade seja um caminho a seguir. Essa foi uma das opções tomadas face à extrema-direita ou à anorexia - só para dar dois exemplos distintos - e no entanto o número dos seus “simpatizantes” nunca deixou de aumentar. No seguimento de algumas reportagens publicadas em revistas portuguesas e estrangeiras, tomei conhecimento da existência de orgias homossexuais de Barebacking, de Bug Chasers e de Gift Givers. Em poucas palavras, por Barebacking entende-se a prática sexual sem uso de preservativo, a Bug Chasers Party, são festas onde há indivíduos que procuram ser infectados pelo HIV, e os Gift Givers são os respectivos doadores do mesmo. A “Gift”, como já se percebeu, é - tão-somente a doença que matou milhares de pessoas no final do Século XX e prossegue a sua chacina pelo Século XXI, sem uma solução para a sua cura à vista - a Sida.
Comecemos pela vertente mais “soft”. O Barebacking, como bem se sabe, não é uma prática exclusiva de alguns homossexuais. A prática de sexo inseguro está enraizada na cultura da humanidade e afecta todas as vertentes sexuais. Está mais relacionada com instintos básicos e “provas de confiança” inquestionáveis, do que com fenómenos bem localizados. As pequenas orgias, a que a revista Sábado se debruçou, demonstram isso. Para se participar nelas não é necessário a apresentação de resultados de testes recentes de despistagem do HIV, basta a confirmação verbal num qualquer “chat” (onde se começa a planear estas festas): “tou limpo”. Portanto: a luz verde para participar em orgias, onde se pratica sexo desprotegido, só entre “gente de confiança”, é fornecida por meio deste meio virtual em que uma verdade pode deambular no meio de um deserto de mentiras e ilusões para cativar o próximo, dominado por “heteros” e “casados curiosos”, dos eternos “virgens”, dos “activos” imunes ao HIV, etc.
Mas, incrivelmente, há pior que isto. Se há quem participe nestas festas com a (in)consciência de que pode ser infectado e mesmo assim arrisque. Também há quem procure exactamente essa fatalidade. As festas onde os Bug Chasers são convertidos em Gift Givers, são populares nos EUA. Conversion’s Party, Russian Roulette Party, Gang Bang Party. Os nomes são diferentes, de forma a distinguir o número de participantes portadores do vírus, mas o objectivo final nem por isso. Mas que razões justificam esta espécie de suicídio lento e perverso? A principal arma de defesa dos adeptos destas “modalidades” é a liberdade de escolha e a suprema autonomia sobre o que fazer com o próprio corpo e com a sua existência. Para além de que banalizou-se uma certa de ideia de que a Sida poderá ser uma doença crónica e que com a evolução da medicina nesta área, poderá-se fazer uma vida completamente saudável e normal. Sobretudo esta gente acredita que ser infectado com o HIV não é transtorno suficiente para levar uma vida sexual dependente do preservativo. É importante, para eles, verem-se desprovidos de responsabilidades na prática sexual seja com quem for, melhorando, assim, a sua qualidade de vida sexual. No sexo ninguém - e sobretudo estes grupos - gosta de pensar em doenças e responsabilidades. Isto explica, em parte, essa glamourização do Bareback.
Pois, ninguém pensará também, com a continuação da prática sexual desprotegida com outros elementos contaminados, que a reinfecção viral pode precipitar de forma drástica o avanço da doença. E muito menos pensarão que esse tal voluntarismo e autonomia para contrair uma doença mortal ultrapassam a barreira da questão da “liberdade de escolha pessoal”, quando a medicação e tratamentos a que vão estar sujeitos, não serão pagos (na totalidade) por eles, mas por todos nós, contribuintes.
Para além da referida irresponsabilidade, a mais importante ilação a retirar destes casos parece-me estar na forma como estes homens resumem a sua existência ao prazer que tiram do sexo. Não me parece haver grandes perspectivas, grandes ambições, grande auto-estima e muito menos inteligência. Há apenas sexo e essa missão de querer espalhar deliberadamente uma doença que uma parte do mundo acha que só infecta os outros e outra que se esforça em combater.

sexta-feira, março 14, 2008

Ouvir dizer que...

... um homem é como um soalho flutuante: se for bem montado pode ser pisado durante mais de 30 anos.

Bichos

As traças e as calorias são bichos que convivem pacificamente nos nossos roupeiros, apesar até de possuírem funções similares junto da na nossa roupa. Os primeiros comem-na, os segundos apertam-na.

quinta-feira, março 13, 2008

Ajuda preciosa à distância de um X e nove números

O estado português permite que 0,5 por cento – não é muito, mas sempre é melhor que nada – do IRS liquidado reverta a favor de uma instituição de solidariedade social ou de apoio humanitário sem fins lucrativos. Para contribuir basta escrever, no Anexo H - Quadro 9 - Campo 901, o Número de Identificação de Pessoa Colectiva (NIPC) da instituição que pretendemos ajudar. Portanto, sem qualquer custo ou imposto acrescido pode-se estar a tirar a barriga da miséria de algumas pessoas ou animais.

Exemplos:
Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome – NIPC: 504 335 642
Liga Portuguesa dos Direitos do Animal - NIPC: 501 626 921
Associação ABRAÇO - NIPC: 503 170 151
(Nota importante. Antes de colocar o NIPC de qualquer entidade, será necessário confirmar previamente se ela pode beneficiar com tal regalia. Não esquecer que há associações nacionais que ainda não lhes foram atribuído o estatuto de utilidade pública. Por serem "demasiado polémicas", por exemplo, como acontece (infelizmente) com a Associação ANIMAL).

quarta-feira, março 12, 2008

O desespero

Num mesmo dia fui contactado por duas empresas de call center, devidamente apresentadas mas do qual os nomes não me recordo, que representavam, respectivamente, a TV Cabo e a revista Sábado. A primeira contactou-me com o objectivo de tentar uma reconciliação com aquela operadora de internet e TV por cabo. Passaram-me o “recado” de que a “galinha dos ovos de ouro” do grupo PT está interessada em ter-me novamente como cliente, pedindo para esquecer os conflitos que tivemos no passado em consequência de um mau serviço que prestaram - mas que nunca deixaram de o facturar, apesar de todas as reclamações por escrito que lhes enviei e das respostas ou interesse, da sua parte, em solucionar os meus problemas, que nunca obtive. Apresentaram-me condições de tal forma vantajosas e “excepcionais” que tive quase para mandar o meu orgulho “leonino” para as urtigas. Na próxima vez que implorarem talvez ceda, mas por enquanto o meu coração só tem espaço para uma empresa incompetente. A Brisa, pode ficar aliviada pois, mantém, por enquanto, o seu lugar cativo.
Para não variar, o contacto da parte da revista Sábado, também tinha um cariz promocional. Questionavam-me se estaria interessado em receber em casa os quatro próximos números desta revista semanal por 1€ cada. Sem compromissos – onde é que eu já ouvi isto antes? Uma boa oportunidade, sem dúvida. No entanto, rejeitei a proposta por considerar um negócio demasiado arriscado. Pois se há números em que me parece perfeitamente justo o valor pedido na banca, há outros que nem oferecido os queria.

terça-feira, março 11, 2008

Fotogenia

Uma foto só representa uma imagem estática. Portanto parece-me normal quando não nos identificamos com ela. É muito redutor restringirmos o nosso reflexo a uma única imagem, quando somos todos muito mais que isso - e nem me refiro a tudo o que ultrapassa o nosso aspecto físico e que uma máquina fotográfica nunca alcançará. Mais do que ninguém, só nós próprios devemos ter consciência disto. Os outros, que têm o privilégio de poder comparar o original com a cópia (foto), desiludem-se ou surpreendem-se, ao sabor dos seus próprios critérios de beleza e da manipulação da imagem que foi fornecida. Tal explica, em muito, o sucesso ou insucesso deste mundo virtual.

domingo, março 09, 2008

Sou tão normalzinho, graças a Deus (dos estudos de hábitos)!

Para que servem os inquéritos de hábitos? São credíveis? Quem os supervisiona e audita?
Estes estudos, para além de encher as páginas dos jornais, também obrigam as pessoas a fazer uma reavaliação das suas rotinas sociais. Tenho um crédito sobre um crédito por regularizar? Já fui assediado(a) no emprego? Por dia, ando quantos metros a pé? Estou profundamente insatisfeito(a) com algum organismo público em particualr ou todos em geral? O/A meu/minha companheiro(a) dá-me porrada com uma certa regularidade? Faço sexo mais ou menos de quatro vezes por semana? Tenho diabetes? Levantam-se o mais variadíssimo tipo de questões e com base nas respostas, chega-se à conclusão se somos assim tão normaizinhos, graças a Deus ou graças ao Nosso Senhor que inventou estes estudos, ou nem por isso. O mais grave é que poderá haver quem regularize a sua (in)felicidade com base em tais conclusões e (des)governe a vida em função delas.
Nunca fui contactado no sentido de saber se estou satisfeito com a minha vida sexual. A menos que uma proposta de passar um fim-de-semana no Algarve patrocinada por uma agência de viagens menos conhecida - “mas que teria todo o gosto em oferecer esta estadia, só precisando de se deslocar ao local X para levantar o vale promocional, sem qualquer contrapartida” - seja, afinal de contas, uma espécie de teste à minha capacidade de resistência a um convite implícito à prevaricação e deduzir a partir daí todo meu historial penitente. Custa a acreditar, por uma simples razão: não há empresas com fins lucrativos que ofereçam os seus produtos, nem há convites implícitos à prevaricação, “sem qualquer contrapartida”! Para comprovar isso fica a forma camuflada como as propostas são feitas: “tem só de assistir a uma pequena reunião sobre...” e “é só uma lembrancinha de 50 euros”.

sexta-feira, março 07, 2008

"Aqueles pratos no lava-loiça são a prova de que na vida as coisas só mudam para ficarem na mesma"

(...) Não é que ela se importe com o trabalho, o trabalho descobre-o ela em todo o lado, há sempre ordem para pôr numa casa, no mundo. A mãe soubera ensinar-lhe os deveres da mulher. Nisso fora ela boa. Só tarde demais lhe dissera alguma coisa sobre rapazes. Essa conversa viera atrapalhada e aos solavancos, ela já de véu e grinalda e, inevitavelmente, prenha. Mais que pronta para se levantar da estreita cama de solteira e subir a larga escadaria da igreja.
Mas isso não fora culpa da mãe. A culpa fora do ócio, que é invenção do Diabo. Tivesse ela ocupado as tardes livres do liceu a esfregar chão e não teria caído nas cantigas do Manel, nas palavras meladas que ele lhe sussurrara ao ouvido, na praça do jardim, e que lhe tinham aberto o coração. Tinham sido só meio caminho para lhe abrir as pernas. Depois, quando as fechara, estava o mal feito e não levara muito mais tempo até que se lhe fechasse o coração também.
Casava com um traste, sabia-o. Mas era um traste dono de um establecimento comercial, bem parecido e que a emprenhara. Com a mesma convicção com que pegava num balde e numa esfregona, dissera-lhe, ou te casas comigo ou nunca mais fodes ninguém. Fora a única vez que lhe tinha saído uma palavra destas da boca. E ele lá aparecera na igreja.
(...)
Este trecho faz parte do capítulo 12 de um livro em construção de Daniel J. Skråmestø. Ainda não tem nome mas já tem muito conteúdo e é um enorme privilégio poder lê-lo em primeira mão. Capítulo a capítulo.

quinta-feira, março 06, 2008

terça-feira, março 04, 2008

Ahh isto sim!

Buraka Som Sistema feat. M.I.A. - Sound of Kuduro
e o video aqui.

4 minutos para danificar a reputação de três artistas

Até ontem pensaria que uma colaboração entre a rainha da pop, o rei do r&b e um dos melhores produtores de música da actualidade só pudesse resultar em qualquer coisa de excepcional. Hoje, infelizmente, tenho que admitir o contrário.
(antes que me apareça por aqui mais um camarada americano a "impugnar-se" pela propriedade desta música, fica já a referência de que retirei o link daqui. Tanque iú veri mache, pawl!)

segunda-feira, março 03, 2008

Limites


O humor tem limites. Pelo menos é o que todos dizem. Mesmo que a situação seja de tal forma ridícula ou surpreendentemente bizarra, e se deixe soltar uma breve gargalhada, para logo depois, salvar a consciência e, dizer: "pá, isto é de mau gosto".

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Tu é que não és o quê?


Este país não é para novos

Achei importante transcrever as palavras de uma coordenadora do Núcleo de Saúde Reprodutiva e do Trabalho Feminino da Escola de Serviço Social da Universidade do Rio de Janeiro e de uma antiga secretária nacional da Justiça brasileira, publicadas numa edição do Público. Edição essa, poucos dias depois de se ter ficado a conhecer a história de Mara, a jovem brasileira de 19 anos, que aos 10 passou automaticamente de criança a escrava sexual, pois era violada diariamente por um homem - e pelos seus “clientes” - que a manteu em cativeiro ao longo destes anos. Engravidou a primeira vez aos 13 anos e esse mesmo homem acabou por matar o seu segundo filho, pois “era demasiado barulhento e podia levantar suspeitas entre a vizinhança”. O que sobreviveu, tem actualmente 6 anos e, também foi molestado pelo suposto “pai”.
Face a casos como este, numa ditadura do medo, siga-se então pelos trilhos da indiferença e da banalização. Depois, pasmemo-nos todos com a “bela” humanidade, esta, que se está a criar.

A imprensa nacional desvaloriza a sua história, porque, infelizmente, a escravidão sexual é comum no Brasil.
Se fosse na Europa, o caso de Mara era muito mais crime do que é aqui. Basta lembrar o mediatismo que envolveu o caso de Natasha Kampusch, a jovem austríaca de 18 anos que em Agosto de 2006, fugiu de um cativeiro na garagem da casa do electricista W. Priklopil, que a tinha sequestrado oito anos antes.
São as teias de um país dominado por homens, por senhores, por coronéis.
Em certos aspectos, o Brasil parece um país fictício, quando a preocupação do Estado não é o cidadão, o cidadão também se demite.
É incrível como este caso demonstra que a população não acredita no poder público, nem se julga com direitos de cidadania.
A incredulidade é tanta em largas fatias da população que os pais dessas crianças pensam: “Já que o teu destino é a pobreza, ao menos vamos potenciar o que tens”. E o que têm estas crianças pobres, na óptica dos pais? Têm um sexo que lhes pode melhorar a vida.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

E dezasseis anos depois:


O novo single promete bastante. :-)
Aditamento. Justiça seja feita: o link desta música não era da "joana", era deste senhor. Pela minha leviandade, peço desde já as minhas sinceras desculpas ao Nick. De seguida, vou lhe transmitir algumas palavras de esclarecimento em inglês, no sentido de lhe fazer entender a minha posição face à divulgação e partilha de mp3's pela comunidade bloguiana que não possui qualquer autorização por parte dos músicos para o fazer, e aproveito para lhe dizer que ele NÃO está convidado para o meu churrasco. Um americano a pedir satisfações do uso abusivo (de outrem) de uma propriedade que não é sua? Inédito. Quer barbecues? Faça-os lá no quintal da casa branca!
Great Site, man! :-)

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

And the Oscar goes to...


“The fight is over. So tonight, welcome to the makeup sex.”
“Normally when you see a black man or a woman president, an asteroid is about to hit the Statue of Liberty.”
“Oscar is 80 this year, which makes him now automatically the front-runner for the Republican (presidential) nomination.”

Desta gente (que me adora)

O que é uma diva? E, já agora, para que serve uma diva? Em Portugal, a comunidade gay (masculina), no mais generalista que isso possa querer designar, elegeu Simone de Oliveira como a sua diva. Ninguém consegue muito bem explicar as razões. Nem a própria. A sua imagem terá servido de modelo para muitos travestis usarem, com sucesso, nos seus shows há uns bons anos atrás. Mas será tal razão suficiente para justificar esta idolatria? Independentemente de todos os seus justos e reconhecidos méritos – porque também não é isso que está aqui em causa - fico com a sensação que ela caiu nesta “posição” por mero acaso. Pelo menos é essa a ilação que tiro ao ler a entrevista que concedeu à revista Time Out (obrigado, sara).
“Homossexual é o homem que gosta de homens. Gay é um homem que gostava de ser mulher.”
“Naturalmente, viviam melhor do que hoje, em que se fazem aquelas paradas, aqueles desfiles ridículos. Aquilo não é nada. Aquilo é um dar nas vistas, é fazer brincadeiras de mau gosto.”
“A noção que tenho é a de que não há nenhum homossexual que não tenha tido uma grande paixão por uma mulher, diz-me a experiência.”

Entre alguns “disparates”, ela acaba por dizer algumas verdades. Verdades estas que não são novidade para quem esteja minimamente informado sobre o meio. No entanto é, de facto, importante ter consciência da quão multifacetada pode ser a “comunidade” que a idolatra. Saber que há todo um outro mundo que está longe de a venerar por tais incógnitos motivos, muito longe das paradas públicas que ela critica e das festas de travestis “caseirinhas” que ela gosta.
“Neste país, há imensos senhores casados, com filhos, que gostam de homens e têm as suas relações. Somos uma sociedade perfeitamente mentirosa.”

Para se ser diva, pelos vistos, também é importante saber isso. Mas também seria importante saber que para lutar por certos direitos e contra discriminações é necessário “dar nas vistas”. Ou pode-se ficar à espera de que seja o homossexual que não se aceita como tal que o faça? Sejamos realistas: por cá, e fazendo as contas certas, o homossexual (masculino) comum, nem é tanto o que dá a cara ou participa em desfiles, mas será mais o que baixa e sobe as calças à mesma velocidade com que foge de uma discussão da defesa das causas da sua orientação sexual. Uma sexualidade que ele nega, categoricamente, mas que pratica, sem contenção. Felizmente ainda vai havendo gente honesta neste meio que, gostando ou não de “dar nas vistas”, vai à luta e tem feito, apesar de tudo, muito pelo respeito e dignificação de todos os que “praticam” esta sexualidade. Todos! Incluindo os que cospem no seu prato da sopa.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Parabéns caro leitor: acabou de acumular uma morcela no seu saldo de cliques!

Uma manhã destas, logo ao acordar, comecei a ponderar nas várias hipóteses de fazer com que este blogue ficasse esteticamente mais feio, visualmente mais desagradável e menos prático de consultar as opções “extra-posts”. Cheguei a pensar contratar os mesmos gajos que criaram o novo site da Ana Malhoa, mas ao perceber que isso poderia trazer-me uma certa popularidade para o qual ainda não estou preparado, decidi não arriscar. Para além de que não teria suficiente dinheiro - ou silicone - para pagar tal complexo serviço. Até que um amigo opinou: “Porque não colocas anúncios do Google?... Ficas com a página mais cheiinha e ainda podes ganhar algum dinheiro com isso.” A primeira parte cumpria em pleno o meu objectivo, a segunda nunca fez qualquer sentido na minha cabeça. O Google para além de dispensar-me um espaço para eu escrever uns disparates, entre dois ou três desabafos e colocar fotos de ceroulas gigantes, ainda me vai dar dólares em troca? Deve ser, deve! Mesmo incrédulo acabei por aceder à sugestão do meu amigo.
Até que esta semana sou surpreendido, dentro da minha caixa de correio, coladinho à Dica da Semana, com um postal cujo remetente indicava: Google Adsense Support, (...), USA, e no seu interior continha alguma informação sobre uma “activação dos pagamentos” e um pin pessoal. Comecei a rir. O vizinho do primeiro andar, que tinha entretanto entrado no prédio, deve ter pensado: “Olha, mais um que não perde uma anedota do jornal do Lidl”.
"Ganhar dinheiro com a internet sem ter que me despir em frente a uma webcam? Ah ah ah!"
Que fique aqui registado: no dia que entrar em qualquer uma das minhas contas – por questões prático-fiscais tinha uma certa preferência por aquela que possuo num Banco na Suiça - um tusto por conta do “Foi um prazer...”, organizarei uma churrascada e estarão convidados, para participar nela, todos os meus assíduos leitores. A bebida será à descrição, mas os grelhados serão distribuídos consoante a fidelidade a este blogue. Para ficarem com uma ideia: três “cliques” semanais corresponderão a uma salsicha alemã, duas febras de porca ribatejana e uma alheira de Mirandela. Eu se fosse a vocês acampava já por aqui.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Pá, evitei uma fila de 2 km na A1 e vim pelo Trancão!


sQuba, o primeiro carro submergível, vai ser apresentado no dia 7 de Março no Salão Automóvel de Genebra. Um carro a apostar fortemente no mercado português. Sobretudo útil para quem tenha que sair de casa em dias que chova um bocadinho mais que o normal ou para evitar portagens e as enormes filas de trânsito nas pontes. Aliás, com a chegada deste carro, dispensa-se qualquer tipo de discussão sobre a localização de novas pontes.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

E o Urso de Ouro...

... já ninguém lhe tira. Merecidíssimo, será desta que estreia por cá?

Smell like excessive-quantity-of-smoke

Foi aquela banda de covers rock que nos fez ir àquele local. Os meus amigos já conheciam-nos, no entanto, para mim, no passado sábado sucedeu uma dupla estreia, uma nova banda e um novo local: o “Armazém do Sal”, na Azambuja, em pleno Ribatejo (Sul). Bar dançante, espaçoso e com um ambiente agradável. Quando lá chegamos, já os Declinios iam a meio da sua versão de “Ruby” dos Kaiser Chiefs. Não os via, mas ouvi-os até bastante bem. A casa estava cheia e só faltavam-lhes uma certa elevação física, tipo: um palco, para que pudessem ser distinguidos do público que queria estar mais junto deles. Não precisei de escutar mais de duas ou três músicas para confirmar o boato: eram, de facto, muito bons. Limitarmo-nos a chamar-lhes uma banda de imitações parece-me muito injusto, já que o mais interessante que os Declinios tem para nos oferecer é uma certa originalidade que incutem nas suas versões de algumas “malhas” do nosso pop/rock/metal contemporâneo. Muse quase perfeitos, Razorlight e Arctic Monkeys para surpreender, Queens of the Stone Age bem esgalhados e uma insistência, mais que justificada pela garra e vozeirão do vocalista, nos Sistem of a Down. Houve tempo (mas pouco espaço) para “curtir” os clássicos dos Rage Against the Machine, Metallica e Nirvana. Pelo o que os pedidos do público davam a transparecer, o “Thunder(struck)” – ou “Sandra!” como o extrovertido vocalista escarneceu - dos AC/DC era o “prato da casa” e foi servido com o vocalista a transformar a sua voz de forma a ter ficado com dúvidas – já que, como referi anteriormente, mal os conseguia ver - se o Sr. Brian Johnson não terá sido subitamente teletransportado das terras dos cangurus directamente para as lezírias, só para levar aquele local ao rubro. Foi um momento brilhante.
O primeiro encore encerrou com o hino da geração rebelde dos anos 90, que é como quem diz “Smell like teen spirit”. Cheirava a alguma rebeldia, sim, mas cheirava mais a fumo. Não sei se aquele espaço se enquadra numa das exclusões da nova lei anti-tabagista e se tem mais ou menos de 100 m2 - porque se há coisa que não costumo trazer para locais de animação nocturna, é uma fita métrica para confirmar se os espaços públicos que frequento estão a cumprir a nova lei – mas uma coisa posso garantir: o sistema de evacuação de fumo daquele espaço funciona debilmente. Foi este o único pormenor “nebuloso” que não permitiu que aquela noite e aquele espaço não pudessem ser mais agradáveis. Por mais divertidíssimos que fossem os medleys dos Declinios, sentia-se o ar pesado e nem era com o risco de provocar uma taquicardia a qualquer militante da extrema-direita que se encontrasse por lá, quando a banda decidiu misturar os Buraka Som Sistema com o Hino Nacional. Concentrava-se sobre as nossas cabeças, um fumo que não encontrava um meio de fuga, tornando-se ainda mais denso sempre que, o vício se tornava insuportável e, se acendia mais um cigarro naquela sala, dificultando a respiração e a visão. Felizmente que o fumo não afecta directamente os ouvidos...

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Nina

Tenho uma grande amiga que por vezes partilha comigo as suas amarguras do coração. Ninguém diz que por trás daquela rapariga extrovertida e bem-humorada, pode estar alguém tão frágil e emocionalmente carente. Só mesmo quem conheça as suas tristes histórias. Namorados, namoradas, casos e descasos.
Recentemente atraiu-se por uma colega de trabalho, que por sua vez já era comprometida. Tal atracção podia não ter passado disso, se não tivesse sido correspondida. Restava-lhe a consciência de que podia estar a mais e conseguir sair a tempo, ilesa, o quanto antes deste “jogo”. Mas será fácil contornar as suas regras quando o coração assume o papel de árbitro? Sinceramente, não sei, mas não consigo vislumbrar-lhe um prognóstico favorável: os trios amorosos nunca deram bons resultados para quem entra no “jogo” quando ele já vai a meio e é jogado, pelos restantes jogadores, com regras viciadas.
Não gosto de a ver triste, não gosto de a ver sofrer por ainda não ter encontrado alguém que soubesse valorizar e respeitar os seus sentimentos. Gostava, antes, que ela encontrasse um justo merecedor dos seus carinhos e que continuasse a acreditar nessa enorme capacidade de amar que, e apesar de um passado menos favorável, ainda lhe vai apoderando da alma.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

A evolução dos costumes

A evolução dos costumes continua presa à ciência de saber quem de facto tem o direito de entender o sorriso das crianças. “Percebeu? Eu tenho uma filha. Eu posso entender!” Isto na boca de um político de extrema-esquerda. Mas os artistas não ficam atrás, só não metem a procriação ao barulho porque investem na metáfora: “A minha vida privada é um reduto inexpugnável.” A frase vinha estampada numa revista de mexericos como declaração peremptória de um actor famoso, um homem bonito, culto, na casa dos 40, vítima de uma onda de rumores malévolos que o associavam à vida privada de um político de nomeada. Se a reserva de intimidade de um artista cabe toda numa frase kitsch, que juízo fazer da evolução dos costumes?

Cidade Proibida, Eduardo Pitta

Hot, hot

(Beyoncé & Tina Turner, na cerimónia dos Grammys da noite passada)

42 anos separam as idades dos dois pares de pernas mais "hot" da história da música R&B. Mas elas são muito mais que isso.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Sem palavras

Quando ela chegou à zona dos campos e das paredes onde se costuma praticar ténis, já eu suava há mais de meia-hora. Ficamos em locais opostos, mas com a troca de bolas tive o privivlégio de a ver mais de perto e delinear melhor o seu perfil. Tive a oportunidade, inclusive, de lhe ouvir um doce “obrigado”, após uma das suas bolas ter invadido o meu espaço. Não usava daquelas maravilhosas e sedutoras saias que as suas “colegas” tenistas usam nos jogos profissionais, mas as calças (justas) também não lhe tiravam qualquer mérito. A combinação do cabelo alourado (com “rabo-de-cavalo”), a sua pele branca e um top preto colado ao peito fazia por despertar a atenção de alguns transeuntes – outros atletas ou famílias de passeantes - que passavam por perto. No entanto ela limitava-se a atirar as bolas contra a parede e a recebe-las de uma forma perfeitamente sincronizada e nada ou ninguém a desconcentrava.
Na estrada perpendicular à parede onde ela se encontrava, um rapaz, dentro do seu carro, parou uns metros antes e ficou por ali uns segundos a observá-la. Até que acabou mesmo por desligar o motor do seu Volkswagen Golf (versão antiga) preto. A rede, que separava os pouco metros dos campos de treino da via pública onde ele se encontrava, dava-lhe uma certa margem de segurança para cometer tal “ousadia”. Os carros, excepto os dos seguranças, estão interditos naquela zona do Estádio Nacional, no entanto o nosso “voyeur” deve pertencer ao contingente de trabalhadores que estão nas obras que vão dar origem ao gigantesco pavilhão de campos de ténis cobertos. Ela continuou o seu treino, mesmo depois de perceber que estava a ser descaradamente observada. Ele, não se fazendo de rogado, abre ainda o vidro do “pendura” para poder ouvir com maior clareza os ligeiros “gemidos” (de esforço) da desportista. Por ali ficou vários minutos. Só tinha olhos para ela e nem reparava que também estava a ser observado por todos os que por ali passavam e estranhavam a sua presença. Ela recuou, dirigiu-se ao saco e retira do seu interior uma garrafa de água. Colocou-se de perfil e ele, seguramente, acompanhou muito melhor que eu todos aqueles pequenos gestos corporais que a aliviaram-na da sede. Voltou a pegar na raquete e perseguiu o treino. Ele esperou mais uns minutos e acabou por partir, vagarosamente.
Chamem-me parolo e ultrapassado, mas gosto destes momentos de cortejamento ou galanteio.

“A todos nós falta a linguagem para expressar o que sentimos, e a única maneira de tornar alguma coisa visível é através da linguagem corporal. Já era assim com os “cowboys”...” Ang Lee, numa entrevista publicada no Público da semana passada. Por causa do seu novo filme: Lust/Caution ("Sedução/Conspiração").

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Mesmo assim há ainda quem pense que amar é fácil

O mais interessante dos nossos relacionamentos, para além de vivê-los, é perceber como funcionam e porque funcionam. Sendo nós, por vezes, tão distintos uns dos outros, é notável a nossa capacidade de adaptação (e, por vezes, de sacrifício). Os opostos atraem-se ou os opostos subjugam-se, mas eles mantêm-se. Sempre.
Até as pessoas mais frias e (aparentemente) insensíveis vão-se relacionando. Noto que para isso será necessário que o(a) parceiro(a) não o seja, pois para que se inicie uma relação é exigido um certo equilíbrio a nível de conjugação de personalidades. Depois, a durabilidade desse relacionamento já estará dependente da capacidade de ambos, ou só de uma das partes (como também acontece), fazer(em) por manter a sustentabilidade desse equilíbrio. É aqui que se avalia o grau de flexibilidade e tolerância de cada um. Pelas melhores e piores razões, ninguém esquece o(a) amado(a) mais inflexível e intolerante.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Os erros do Luís

A singularidade dele começa quando marca almoços comigo em locais estratégicos, onde se sabe que à partida que, naquela peculiar hora, esses sítios vão estar repletos de pessoas. Nomeadamente: centros comerciais. Aparece-me à frente, sempre, envergando a sua farda de piloto de uma companhia aérea. Ao contrário de muitos, o Luís faz questão de não ser discreto. Ninguém passa por ele e deixa de o contemplar e se há coisa que ele adora, é exactamente isso: que não se fique indiferente à sua presença. Ele é bem-apessoado mas é a tal farda que marca a diferença. Gosto de ver os olhares dos outros, sobretudo das mais recatadas mulheres que se esforçam para não serem captadas a observar. Dá-se a troca de olhares: ele conversa comigo e simula olhar para mim, elas olham (discretamente) para ele e eu olho (discretamente) para elas. Aquela farda rende e ele sabe disso. Já lhe rendeu, pelo menos, algumas tardes de prazer e ele também já percebeu que a sua aliança no dedo anelar deixou de ser um entrave quando há uma superlativa atracção pela sua vestimenta.
Ao contrário do que se possa imaginar, o Luís não é tão indiscreto com a sua intimidade. Fala muito pouco dela, apesar de me dar a conhecer todos os seus “casos”. Mas, ao contrário de outros amigos, não entra em pormenores. Dá-me a conhecer o essencial e deixa em suspenso o que ele é em privado. Alguém que chegou a desabafar comigo todos os seus mais recatados medos e receios – porque mesmo alguém que tripula um Boeing com quase 200 vidas a bordo também os terá -, estranhei inicialmente que não alargasse o âmbito das suas confissões para outras áreas. Até que um dia coloquei como hipótese o seu interesse na minha pessoa ir um pouco mais além da boa companhia e da boa conversa. Até ao dia que percebi que alguns daqueles olhares mais profundos poderiam querer significar mais que uma prova de confiança. Até ao dia em que, num desses almoços pré-combinados, a sua perna se deixou ficar colada à minha demasiado tempo para eu considerar ser mera distracção... Entre outras insinuações mais ou menos directas. Ele é uma pessoa bastante prática e sempre me quis dar a entender que todas as vertentes da sexualidade lhe causavam, no mínimo, curiosidade. Eu sei que ele sabe que eu sei o que ele sabe que eu sei...
Tudo o que mais pudéssemos partilhar a um nível mais carnal, poderia lhe ser tão indiferente quanto como qualquer um dos seus casos extra-matrimoniais. Com uma componente extra de facilidade: por eu também ser homem e poder pensar da mesma forma, digamos, uma forma descomplicada. É esse um dos erros do Luís, achar que penso à sua maneira. O outro será não entender que a bissexualidade e a promiscuidade estão a milhas de distância de serem sinónimos. E o maior erro poderá ser: pensar que a minha amizade para com ele não possa sair abalada por “mais uma queca” no seu currículo.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Save for work Porn

... ou uma boa forma de ridicularizar a pornografia. Mais aqui.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

A filha da putice não tem limites

Descansa em paz e muito, muito longe destes filhos da puta, Mr. Heath Ledger.

E tudo o vendaval trouxe

Salvo algumas (pouquíssimas) excepções, tivemos, por cá, um final de ano medíocre a nível de boas estreias cinematográficas. Portanto ninguém se surpreende com o facto de que, dos cinco filmes nomeados para o Óscar na categoria principal, só um ainda tenha estreado nas nossas salas: “Atonement” (“Expiação”) - estreou a semana passada e, ou muito me engano ou, deve ser o mais fraquinho dos cinco, mesmo que traga no currículo alguns Globos de Ouro e uma boas críticas. Ou seja: vem aí um vendaval de expectantes estreias. Os novos filmes de Sidney Pollack (como produtor), dos irmãos Coen e de um dos meus realizadores favoritos da nova geração: Paul Thomas Andersen. O outro nomeado que encerra esta lista é a surpresa indie, ou melhor, o “Little Miss Sunshine” (versão 'tuga: “Uma família à beira de um ataque de nervos”) dos Óscares de 2008, chama-se “Juno” e estou com esperanças de que ele me faça rir, tanto ou mais que o seu congénere de 2007. Não deve ganhar o tal Óscar, mas uma nomeaçãozita nesta categoria dá-lhe sempre uma certa visibilidade que precisa (e certamente merece). Estreia prevista em Portugal a 7 de Fevereiro.

Dois factos curiosos: Julie Christie foi nomeada para o respectivo prémio de melhor actriz e Julian Schnabel foi nomeado para o de melhor realizador. Sobre o primeiro, convém acrescentar que o filme, onde esta grande senhora entra, chama-se “Away from her” ("Longe Dela"), também nomeado para o Óscar de melhor argumento adaptado, nem teve direito a exibição nas nossas salas, passou directamente para o mercado do DVD. Quanto ao segundo facto, sobre o realizador e o seu filme: “O Escafandro e a Borboleta” - estreou quase despercebidamente por cá o ano passado e a nossa crítica parece ter dado aquele empurrãozito extra... para o precipício - anexado a uma expressiva classificação de “bola negra”, "alguém" terá escrito:
"Há filmes assim que não deixam quaisquer dúvidas: insuportáveis da primeira à última imagem. Sobretudo para quem gostar de melodrama, como nós, este sentimentalismo pateta, "realizado", pretensiosamente, na "primeira pessoa", não pode deixar de indignar. O modo como se trata a doença, o coma, o sofrimento, por interposta ficção, baseada (assume-se) em factos reais, é quase obsceno. Julian Schnabel não resiste a rodriguinhos e a chantagens emocionais, mas o resultado final é catastrófico."
Ou não?

terça-feira, janeiro 22, 2008

sábado, janeiro 19, 2008

Admiráveis seres

Admiro a coragem do transexualismo, transformismo e fenómenos similares. Alguém que não teme as consequências de uma sociedade preconceituosa e estereotipada e segue pelo difícil caminho de assumir para si e para os outros que nasceu com o sexo errado. Há quem faça disso um “hobby”, mas também há quem tome uma decisão definitiva e faça dela uma mutação integral e (quase) definitiva, com as consequentes transformações no seu próprio corpo. O passo heróico reside aqui: um homem consegue facilmente adquirir comportamentos e características femininas (e vice-versa), mas não alcançará as formas físicas do (tão desejado) sexo oposto com a mesma facilidade.
A maioria destas pessoas faz do milagre da transformação dum corpo o melhor remédio para o apaziguamento da sua alma. Uma alma que até então não se coadunava com o que via à frente do seu espelho. Serei eu o único a achar maravilhosa essa forma de arte de endeusamento do mundo do sexo oposto, transformando-se nele? Não serei certamente, mas também sei que, para muitos, eles/elas nunca deixarão de ser “aberrações da natureza” - mesmo que isso não seja impedimento para que estes “perturbantes seres” façam parte das suas mais recônditas fantasias sexuais, aliás, é melhor nem imaginar a percentagem de homens, seguríssimos da sua heterossexualidade, que não se importavam de serem “desenrascados” por um travesti. (O sexo é orientado pela “psico” do próprio e, simultaneamente, pelos comportamentos dos outros.)
Estranho, no entanto, quem limite a sua mudança ao/pelo sexo. Um sexo pode legitimamente incorporar ou transformar-se noutro por pura satisfação de fantasias e da realização dos seus mais íntimos desejos, mas tal pode ser também, tão-somente, a mais perversa e perigosa forma das obsessões: a de dar prazer a alguém do mesmo sexo, transformando-se no (sexo) oposto – só porque a sociedade assim o regrou como “normal”. É aqui que coloco as minhas reticências sobre o “fenómeno” destes admiráveis seres. Quando estes homens/mulheres não querem ser mulheres/homens por eles, mas pelos outros. Valerá mesmo a pena?

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Ele é tão... português!

“Nos últimos anos de missão de apoio à paz nos Balcãs, dezenas de militares casaram com raparigas da Bósnia. É o caso do sargento Fabrício...” (...)
“Ela chamou-me à atenção por ser uma pessoa muito forte e muito profissional... Era a nossa tradutora. Ela também é muito bonita, se calhar se não fosse bonita... (ri-se)”. “Em Reportagem”, “Da Bósnia com Amor”. Mais logo na RTP1.
Ela podia ripostar no mesmo sentido: “Ele chamou-me à atenção por ser uma pessoa muito sincera e humilde... Ele também é (muito) português, se calhar se não fosse (tão) português...”

terça-feira, janeiro 15, 2008

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Chatisse contra-ataca

Alguém já kurtiu com o pai? Vamos tclr e quem sabe podemos trocar de pai.

Quando a perversão começa na nossa própria casa torna-se sempre mais complicado entender os seus limites. Isto agrava-se quando está envolvido alguém que nem consciência tem do que faz ou do que lhe pedem para fazer.
Esta pequena mensagem foi enviada para um dos chats do teletexto da SIC. Um chat que foi encerrado há mais de um ano atrás, não tanto por motivos relacionados com esses tais limites mas mais pela linguagem utilizada nestas mensagens. Para a autoridade que o regula, mais grave que haver claríssimos casos de pedofilia - que eu em tempos denunciei por aqui - ou incesto (como pode ser o caso), era estar a ser usado, para tal, “palavrões”. Depois reabriram-no, estipulando certas regras e impondo uma contenção na linguagem nas mensagens a publicar. Mas depressa se aperceberam que, por vezes, é difícil ao ser humano exprimir os seus mais íntimos desejos e vontades sexuais através de uma linguagem cuidada e sem uma ou outra ordinarice pelo meio. Não é tanto uma questão educativa, poderá ser mais uma questão racional, penso eu. Provavelmente, também, o negócio deixou de render o que rendia e acabou mesmo por se levantar o embargo à sms obscena. Ou seja, actualmente, voltamos aos primórdios e já tudo é permitido. Menos o bom senso.
Para quem acha que a sexualidade – nomeadamente, a virtual - dos portugueses é demasiado homogénea e, sobretudo, pouco criativa e original, aconselho, desde já, uma visita a este “mundo”. É verdade que são fantasias que cada vez menos me surpreendem, ou eu não soubesse que as tradições e bons costumes, por norma, andam sempre de mãos dadas com a perversão em última escala e a mais dissimulada. No entanto não me deixo de espantar com a naturalidade com que são expostas publicamente, sobretudo porque não são feitas de forma anónima e parece que, até há algumas que, são legalmente condenáveis. Ninguém diria...

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Push & Bear

Através de uma amiga fiquei a saber que a loja da Pull & Bear, num conhecido centro comercial em Lisboa, está a recrutar colaboradores (M/F) com base nas seguintes condições:
Horário: 19h – 24h, sete dias por semana, com 15 minutos de período para uma refeição (falou-me em dois dias de folga “mensais”, mas deduzo que tenha percebido mal, ou seja: devem ser semanais – i hope!)
Remuneração Ilíquida: 250 euros
Podia-me associar à sua consternação começando logo pelo horário, digamos, indefinido. Indefinido nem me parece que seja a palavra mais correcta a aplicar a esta situação. Talvez, falso. Senão vejamos, segundo palavras da minha amiga: a loja fecha de facto à meia-noite, mas é exigido que todos os colaboradores devam permanecer na loja até que esta esteja preparada para a sua reabertura na manhã seguinte. Sendo assim, não me parece que o horário proposto seja o mais transparente.
Depois vem a questão da remuneração ilíquida, ou seja: sem descontos. Neste caso, aplica-se só os 11% da Segurança Social, já que, como se sabe, um “ordenado” deste montante está isento de IRS. E prémios haverá? Subsídios de turno: por tratar-se de um período laboral fixo penso que não seja aplicável. Comissões? Sei que é por aqui onde se pode ir buscar grande parte do rendimento deste tipo de empregos. Pode, inclusive, conseguir chegar-se a duplicar o valor da remuneração base, mas para isso é necessário que haja uma política de prémios bem implementada e com regras claras (e legais). As comissões de vendas são de facto um bom incentivo mas aplicam-se a este caso específico? Sinceramente, não me parece. Já visitei várias lojas desta marca e nunca fui interpelado por qualquer empregado. O público-alvo é jovem, e jovem que é jovem não é muito influenciável por opiniões dos mais velhos. Chega-se, vê-se, experimenta-se e compra-se (ou não). Só mesmo em último caso interrompe-se o trabalho do lojista para solicitar qualquer esclarecimento.
Face a isto, sinceramente nem sei o que me parece mais grave: se um full-time job camuflado de part-time (35 horas semanais?!), se um novo tipo de escravatura camuflada por um trabalho remunerado (a pouco mais que um euro e meio à hora?!).

quinta-feira, janeiro 10, 2008

A decisão: Alcochete (2007)


Os taxistas foram os primeiros a chegar!