segunda-feira, junho 30, 2008

É já amanhã!

Vai ser justamente neste dia 31 de Junho que o Crédito Agrícola irá creditar os juros nas contas dos seus depositantes e distribuir os dividendos pelos sócios. Parabéns, sortudos.

sexta-feira, junho 27, 2008

"Os preconceitos obscurecem sempre a verdade" - nem de propósito


No filme “12 Homens em Fúria”, 12 Angry Men (1957) de Sidney Lumet, um dos doze jurados, a quem lhes foi submetida para apreciação a sentença de um jovem acusado de ter morto o seu pai, diz:
It's always difficult to keep personal prejudice out of a thing like this. And wherever you run into it, prejudice always obscures the truth. I don't really know what the truth is. I don't suppose anybody will ever really know. Nine of us now seem to feel that the defendant is innocent, but we're just gambling on probabilities - we may be wrong. We may be trying to let a guilty man go free, I don't know. Nobody really can. But we have a reasonable doubt, and that's something that's very valuable in our system. No jury can declare a man guilty unless it's SURE. We nine can't understand how you three are still so sure. Maybe you can tell us.

Não há diferenças

(...) Não há nenhum arrogar da diferença em quem ama alguém do mesmo sexo; não há nenhuma diferença no amor nem nas pessoas. Não existe nenhuma legitimidade jurídica, nem sequer ética, para apontar o amor entre pessoas do mesmo sexo como diferente e merecedor de tratamento diferenciado. O casamento, vimos, é apenas a assunção legalizada, com um elenco de deveres e direitos, de um compromisso entre duas pessoas. Uma espécie de promessa pública. É só isso que os casais de pessoas do mesmo sexo querem: a possibilidade de se prometerem publicamente o que as pessoas de sexo diferente prometem publicamente – quando escolham fazê-lo. Uma consagração pública de uma relação, com tudo o que isso implica, a começar pelo reconhecimento da dignidade dessa relação. É isso que se lhes nega. Não vejo com que direito. E creio que o Direito com maiúscula, o Direito que a Constituição consubstancia, também não.(...)
(Palavras sábias de) Fernanda Câncio

quarta-feira, junho 25, 2008

A escrita que nos faz levantar os cornos (e baixar outras coisas)

Capítulo I
(...)
Cheguei a um beco sem saída e quando me senti no fundo, olhei para cima e disse para mim mesma: agora vais ter de subir a puta da montanha, quer queiras quer não, senão cai-te um piano, um avião ou uma bomba neste buraco em que te meteste e nunca mais levantas os cornos.
(...)
A Naná e eu conhecemos o João por acaso, numa daquelas noites de Verão de Junho num bar da praia do Tamariz. Vinha com um amigo do meu irmão Gonçalo, o Zé Maria Almeida e Sousa, de quem era primo direito. O Zé Maria é casado com uma gordinha simpática e pouco esperta, a Constança Alvim, e passa a vida a sair à noite, o típico parvo com a mania que é esperto, cabelo lambido com gel e camisas coloridas a atirar ao pseudomoderno, especialista em cabeleireiras e rapariguinhas de shopping.
(...)

Retirado daqui:


(sai dia 30 deste mês)

terça-feira, junho 24, 2008

Record

O "record" não será um pijama branco passar pelas caixas de "sanamento" e manter essa cor?

Ena ena um anúncio de cerveja portuguesa sem “trolhices”, assobios parolos e os da weasel!

Nunca é demasiado tarde para chamar a atenção para esta pérola. (A música também só podia estar presente numa das compilações da série "Anatomia de Grey")

segunda-feira, junho 23, 2008

Somos o que lemos?

Conduzo o carro de compras até ao fim de um dos corredores do hipermercado e por lá se encontrava um outro “carrinho” parado que ocupava grande parte do espaço de circulação, bem como outro, mesmo ao lado, com produtos para reposição. Junto do primeiro estavam três miúdos de etnia cigana. De tão concentrados que estavam na contagem do dinheiro que traziam nem deram pela minha presença. Quando preparava-me para desviar o carro do repositor, para conseguir passar, um dos jovens pede-me gentilmente desculpas e desvia o seu carro.
Dirijo-me, entretanto, para uma das filas de caixa de pagamento que avalio como sendo a menos longa. Entretanto, reparo que os “ciganitos” deslocam-se para uma outra fila, algo distante da que me encontrava, com o seu respectivo carro de compras, transportando somente uma palete de garrafas de água. Antes de colocar os meus produtos no tapete rolante observo que eles dialogam com as pessoas do fim da fila onde se encontram. Deduzo que pedem, face ao que apresentam para pagamento, uma certa prioridade... Passado alguns segundos oiço um surpreendente e ruidoso: “Não o admito que me trate assim!”. Tinha saído da boca de um dos ciganos, e estes estavam parados, agora, diante de um casal de meia-idade: ele, empurrando o carro mostrava-se indiferente às declarações do cigano - sorrindo até - e ela já estava concentrada na tarefa de colocação dos produtos no tapete. “Está-se a rir de quê?!”... Os ânimos estavam a exaltar-se ao ponto de pedir uma intervenção do segurança.
Entretanto chegou a minha vez de ser atendido e não consegui acompanhar o resultado de tal aparato. Antes de sair do hipermercado, ainda tive tempo de confirmar que os miúdos se encontravam junto da caixa. O casal já estava no exterior e conversavam com o segurança. A caminho do meu carro, consegui ouvir o senhor de óculos e cabelo grisalho, com ar austero, a dizer qualquer coisa como: “ (...) Para o vosso próprio bem: não os podem deixar cá entrar...”. Também me chamou a atenção o jornal dobrado em três partes iguais debaixo do seu braço direito. Pelas enormes letras garrafais que se destacavam na primeira página, foi muito fácil adivinhar que diário se tratava.

sexta-feira, junho 20, 2008

"Monsieur, monsieur, une pièce..."

Em Marrocos a “chulice” é tanta que quando entrei no avião de regresso ainda estava com receio que aparecesse, vindo do nada, um puto que fizesse questão em levar-me ao meu lugar, em troca de alguns dirhams. Ou numa perspectiva mais adulterada, temia que uma das hospedeiras retirasse o seu chapeuzinho e desse início à angariação de umas gorjetas para o piloto e restante tripulação.
Felizmente, as minhas piores expectativas não se concretizaram. No entanto, aconselha-se a só dar descanso ao nosso melhor espírito regateador de preços quando o avião já estiver fora de território marroquino.

sexta-feira, junho 06, 2008

Apesar de tudo, vamos ser felizes

Por muito tempo que supostamente dure essa ideia de felicidade, tem sempre a tontura dos delírios do prazer mais imediatos. E nunca a consciência dessa vertigem é tão aguda como nos momentos que, vistos de fora, parecem mais pacatos: quando se está a dois (confortavelmente) sentados, sem soltar uma palavra sequer, no carro parado à espera que o semáforo mude, a jantar, ou mesmo numa sala de cinema com mais pessoas. O lado trágico disto é tão somente a nossa fragilidade, essa extrema dependência, que um pequeno azar na estrada ou na massa celular possa levar à mais insolúvel saudade.
Se a posse nunca se sente – que é como quem diz nunca é suficiente – e o medo da perda está sempre presente, como se pode falar em felicidade?
O milagre é que se possa.

(Viver é uma constante dialéctica entre o prazer e o sofrimento. O que temos de conseguir para que valha a pena viver é que o prazer seja superior ao desejo de nos deixarmos afundar na angústia da existência.)

PS - Vou de férias por duas semanas e, pelo menos nesta ausência, só vos pedia o tal favor que se pede por defeito mas com muito carinho: sejam felizes, pois então.

É daquelas injustiças

Ainda mais preocupante que Portugal ter saído do top 10 do ranking da FIFA e falar-se de um clube e de um país pelos piores motivos, é o facto de uma equipa, que se comportou de uma forma quase irrepreensível ao longo de toda uma época, ter que ceder o seu lugar numa competição europeia a outra que jogou “futebol” ao nível do Clube Desportivo de Berruganha-a-nova. Sem desmérito para o CDBaN, claro.

quarta-feira, junho 04, 2008

Quimicazita

Nesta altura do ano, a maioria dos telespectadores nem cabe em si de curiosidade por saber, um por um, quem são os casais que vão dar o nó abençoados pelo Santo António - que é como quem diz, por conta do Município da capital. E quem melhor que a RTP para fazer cumprir esse serviço público?
O serão televisivo ganha sempre um outro encanto com tanto romantismo e… humor. É hilariante sobretudo na parte em que cada um declara/adivinha os gostos do futuro conjugue. Um destino de férias: ela diz Espanha e ele depois confessa… Tailândia. Uma peça de roupa: ela diz camisa, ele diz boxers. O prato favorito: ela diz leitão à Bairrada e ele, uma francesinha! E por aí a fora... Só com tiros ao lado, fica bem demonstrado o grau de conhecimento das preferências mútuas. Ainda bem que aparecem, logo de seguida, bem juntinhos e bem enamorados, não fosse alguém pensar que eles (“aparentemente”) só apressaram o casório por causa do tal chequinho “milagroso” oferecido pela CML.

segunda-feira, junho 02, 2008

Sinto-me um pouco perdido:

estou há mais de duas horas sem saber como/onde está a nossa selecção.

Na penumbra

“Não me lembro bem da tua cara mas conheço bem as tuas mãos.”

Palavras mágicas de Geraldine Page. Retirado de “Corações na Penumbra” - Sweet Bird of Youth (1962).
Filme baseado num texto de Tennessee Williams.

Paul Newman diz, também, às tantas, que o mundo se divide entre as pessoas que sentem prazer quando fazem amor e as que não sentem prazer quando fazem amor. O que também tem muito que se lhe diga.

sexta-feira, maio 30, 2008

Humor doméstico

Hoje, logo a iniciar o programa matinal do Goucha na TVI, apareceu duas raparigas vestidas de fada a representar parte de uma peça infantil que está em exibição lá para os lados de Sintra. Na parte da "endiabrada" entrevista o apresentador, ao notar que uma delas está grávida, disse: "Já vi que a menina não é empata-fadas!"...
Enquanto isso na RTP1, fazia-se uma sessão de ginástica onde os "vulgares" pesos eram substituídos por pacotes de arroz.

quinta-feira, maio 29, 2008

Hi Fyfe


Basicamente o que mais gosto nos Guillemots é a voz do vocalista (Fyfe Dangerfield) e as orquestrações que o acompanham em algumas músicas – só para dar um exemplo do que falo: If the World Ends. Entretanto andei à procura de material dele a solo e descobri isto (retirado daqui). E, como seria de esperar, fiquei irremediavelmente KO.

É a crise! É a crise!

Isto anda de de tal forma mal que os carjackers já se recusam ficar com o carro se o seu depósito não estiver, no mínimo, meio.

terça-feira, maio 27, 2008

Uma certa irresponsabilidade

Passeio, numa noite de fim-de-semana, pelas ruas movimentadas de uma zona de bares de Lisboa. Há claramente uma predominância de adolescentes entre os noctívagos. A idade deles só me é revelada pelos comportamentos e diálogos que mantêm entre si. De resto: vestem-se, bebem e fumam como adultos. Nada disto será novidade para ninguém, muito menos para quem os educa.
Nota-se que há uma maior preocupação com a aparência entre as raparigas. Uma certa vaidade para captar a atenção do maior número de rapazes e/ou simplesmente por uma questão de integração no grupo. Percebo que já não basta idolatrar os actores dos “Morangos”, há que agir como eles.
Vou ser saudosista: no meu tempo, por estas idades, não me recordo de haver este tipo de pressão com a imagem que se passava para o exterior. Havia, sempre houve, grupos e também era “fixe” fazer parte deles. Mas era uma “cena” mais despreocupada, mais infantil. Com o grunge na berra quem é que tinha tempo para se preocupar em ser muito sexy? Não tínhamos novelas descartáveis mas tínhamos uma MTV cheia de ideais saltitantes. Mas porra: ter sex appeal aos 14 anos? Chega-se aos 25 com vontade de ter netos, não?
Esta ansiedade de querer viver muito para além da idade real, também se reflecte no excesso de consumismo destes jovens. Os bens materiais a que hoje em dia os adolescentes das classes média e alta têm acesso, são lhes demasiado facilitados pelos pais. Um i-pod, umas jeans da salsa ou da timberland, o último modelo de telemóvel, uma acelera nova, ... Tudo parece-me facilmente atingível, sem qualquer esforço e sem qualquer contrapartida - que lição de vida um adolescente pode retirar daqui?
Os pais, descartando das suas principais funções enquanto progenitores, limitam-se a pagar. Isso salvar-lhes-á da (má) consciência de serem uns educadores cada vez mais ausentes.
Mais grave que se criar uma geração de putos e “pitas” exageradamente mimados e remediadamente amados, é perceber como se encara, presentemente, uma família. Já não se olha para uma família como uma forma de obter amor e carinho. Quando os pais comprometem-se a fazer horas extraordinárias só para pagar a viagem a Palma de Maiorca da sua filha adolescente que assim o exigiu, sob pena de fazer uma birra ou sentir-se excluída do clã lá da escola, concluo que há algo nestes novos modelos familiares que parece-me estar a descambar. Retiro, igualmente, um saldo final negativo: mais trabalho, mais ausência, menos partilhas, menos afectos.
Nas classes mais baixas, o saldo pode não ser melhor, já que a ênfase dada aos bens materiais é tanta que quando as pessoas não os têm, ou não os conseguem de qualquer forma obter, sentem-se uns falhados.
No fundo, ter um filho é uma imensa responsabilidade e, acho, mas posso estar inteiramente errado, que as pessoas têm filhos numa idade de ligeira irresponsabilidade.

segunda-feira, maio 26, 2008

Toca a engordar!


Pela noite dentro, a TVI lembrou-se de pôr a apresentar, num daqueles programas com quebra-cabeças virtuais que vão chulando até ao tutano os saldos de telemóveis de qualquer estouvado com insónias, uma “bonita” jovem nortenha. Algumas parecenças com a escritora Margarida Rebelo Pinto são notórias. Mas é a sua constrangedora magreza extrema que salta mais à vista.


Qual é a ideia do canal de Queluz ao colocar alguém nestas condições em frente de uma câmara? Fazer com que sintamos uma certa caridadezinha perante uma escanzelada com ar de que não come nada há mais de uma semana e ligar-lhe, dizer-lhe qualquer coisa - que aparentemente estaria certo, mas por questões de rentabilidade do programa estará obviamente errado - só para lhe matar a “fome”. Para depois, gentilmente, ela agradecer: “Ohhh ainda não foi deista...!”.

Os combustíveis, as alternativas, o apocalipse e um (des)governo

Tendo em conta que as pessoas mantêm as suas vidas comodistas, continuam a entupir todas as manhãs as principais vias de acesso de Lisboa (e, suponho, do Porto), e não usam os transportes públicos ou meios de deslocação mais alternativos, saudáveis e ecológicos, como se tem sugerido (um exemplo: a bicicleta), há quem diga que os preços dos combustíveis ainda não estão suficientemente caros! Só que, convém relembrar:
- Portugal não é Lisboa (e Porto) – pois certamente haverá pequenos negócios na província em risco de colapso caso os preços dos combustíveis não parem de aumentar, e, já agora, que culpa terá alguém que more na Carraspalheira de Baixo que outra pessoa, morando nos arredores da capital, lhe apeteça levar o carro todos os dia para o centro da cidade?... ;
- Que a maioria dos transportes públicos também necessitam de gasóleo para andar e já se fala em aumentos mínimos de 6% a muito curto prazo no preço das viagens;
- E que, a não ser com o intuito de estarmos em forma para participar na próxima “volta a Portugal”, as vias que contornam as colinas de Lisboa são pouco recomendáveis para ciclistas inexperientes. Para além disso: como é que serão fundidas as peças para as bem-aventuradas bicicletas? A fornos alimentados a pedal? E os seus plásticos, como serão produzidos?
Para quem se julga indiferente e distante desta crise e ao contrário de tudo o que se possa pensar: esta descontrolável subida de preços do gasóleo e da gasolina afecta directa ou indirectamente muito mais pessoas e sectores do que se possa previamente imaginar.

Num mundo de certezas onde supostamente o petróleo está por um fio, diz-se que atingiu o pico de procura/oferta, que agora é sempre a descer e que vamos morrer todos se não passarmos a andar de bicicleta; mas, por outro lado, fala-se na exploração de novos e rentáveis campos petrolíferos no Brasil e na Venezuela e que os Russos encontraram recentemente uma fonte quase ilimitada desta energia fóssil a 40 mil pés abaixo do solo, fica-me uma dúvida: quem é que mais proveito tira das teorias apocalípticas que explicam uma crise petrolífera? O cidadão comum que vê o fim do mundo em cada notícia que anuncia a “novidade” que um bem natural é limitado ou os alarmistas/especuladores?
E o nosso Estado, em vez de regular a situação prefere limpar as suas mãos deste assunto e remeter a problemática para quem (como a Autoridade da Concorrência) não tem competências executivas e que pouco pode fazer pelo caso a não ser concluir o óbvio, ao mesmo tempo que vai aconselhando os seus concidadãos a passarem a usar energias alternativas. Portanto: o mesmo Estado fortemente empenhado em renovar o nosso parque automóvel, incentivando o abate de veículos velhos pela compra de novos e que, consequentemente, continua a arrecadar para os seus cofres uma bela quantia em impostos com o negócio da venda de carros, vem agora dizer que o melhor é passarmos a andar de bicicleta eléctrica. É de uma coerência!