terça-feira, outubro 07, 2008

doclisboa 2008

Disse, por alturas do anúncio do grande vencedor de Sundance da edição deste ano, e repito: o cinema documentário está em verdadeira expansão e já merecia o mesmo destaque e exposição que qualquer outra categoria cinematográfica mais comercial. São películas que, não ficando presas a enredos e a personagens estereotipadas, revela-nos o que de mais puro pode existir em matéria de sétima arte. Tudo isto a propósito do 6º Festival Internacional de Cinema Documental que vai decorrer na capital, entre o dia 16 e 26 deste mês. Segue-se alguns destaques.


17 OUT. 16.30 – Culturgest (grande auditório) 19 OUT. 16.00 - Londres (sala 2) 25 OUT. 21.30 - Museu do Oriente
Mum (Mama)
de Zhang Yuan
90´ China 1990
Primeira longa-metragem de Zhang Yuan, Mama foi também o primeiro filme independente a ser produzido na China desde 1949, realizado com a ajuda de amigos do realizador e revelando desde o início o apetite do cineasta por temas controversos da sociedade chinesa. Uma obra que se concentra na relação entre uma mãe solteira e o seu filho deficiente com 11 anos no cenário de algumas escolas e instituições especiais de apoio a crianças diminuídas. “Mama” combina ficção com documentário de modo a melhor revelar a realidade social das personagens.



17 OUT. 18.00 - Londres (sala 2) 20 OUT. 23.00 – Culturgest (grande auditório)
O Segredo
de Edgar Feldman
25´ Portugal 2008
António Dias Lourenço, hoje com 94 anos, comunista, relembra os anos de encarceramento no Forte de Peniche, durante a ditadura fascista em Portugal, focando-se no episódio da sua evasão em 1954. É essa fuga, de uma coragem física notável, que o filme pretende mostrar. Percorrendo a velha cadeia de alta segurança e o que resta do antigo edifício, Dias Lourenço evoca as peripécias pelas quais passou para se evadir e mostra algumas das salas onde ele e os seus camaradas viviam diariamente. Foi depois de ter sido castigado a um mês de “segredo” (um cubículo sem luz destinado às piores reprimendas) que resolveu engendrar uma das mais bem sucedidas e espectaculares fugas.


O Adeus à Brisa

de Possidónio Cachapa
55´ Portugal 2008
Um homem fala sobre o seu passado, que se confunde com o da História do seu país. Num discurso comovente, evoca a luta pela liberdade e a sua crença nas revoluções e na supremacia da Beleza. Sentado na sua sala, Urbano Tavares Rodrigues mantém-se o escritor, o resistente, o que acredita no melhor do Homem. E se as coisas em que acreditou nem sempre lhe corresponderam foi porque ainda não tinha chegado o tempo certo. Mas vai haver um mundo novo. Vai haver. No meio do Tempo, Urbano reflecte, enquanto a brisa do sul não cessa de soprar.
20 OUT. 21.30 - Museu do Oriente 23 OUT. 16.00 - Londres (sala 2) 24 OUT. 16.15 – Culturgest (pequeno auditório)
A Day to Remember
de Liu Wei
13´China 2005
Estamos no dia 4 de Junho de 2005 e o cineasta Liu Wei pega na câmara de filmar em direcção à Praça Tiananmen e à Universidade de Pequim com uma pergunta na cabeça: que dia é hoje? À medida que coloca esta questão às várias pessoas com que se cruza, confronta-se com respostas evasivas e a recusa da maioria em relembrar os protestos estudantis de há 16 anos atrás. Muitos afirmam desconhecer os acontecimentos e afastam-se rapidamente, outros limitam-se a olhar para a câmara. A Day to Remember reflecte o mutismo inquieto em que a memória do dia 4 de Junho caiu e como a revolta desse tempo se mantém ainda hoje um tema proibido na China.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Uma solução: a exportação de diamantes (negros)

Consta que o número de pedidos de pré-compra de "Black Diamond" (o novo disco dos Buraka) foi tão elevado que nenhum CD chegou às lojas na segunda-feira, como tinha sido inicialmente anunciado. Ainda esta quinta, em princípio, vai ser posta à venda a 2ª edição.
Parabéns aos mitras mais internacionais da buraca! Stilo meu é q'é puro dam' recent nu kuduro! ;)
E boa viagem!




sexta-feira, setembro 26, 2008

Quando os nosso medos são um entrave à felicidade dos outros

Como diz e bem um amigo meu, esta questão da adopção de crianças por casais do mesmo sexo resume-se a isto: os homens têm um medo natural de gostar de apanhar no cu e por tal nunca conseguirão ser imparciais em relação às causas gays. :D
Temos milhares de exemplos de famílias heterossexuais da treta, com abuso sexual, violentação, violação, terror psíquico, abandono, discussões diárias entre pai e mãe, o que quiserem, mas o horror(!): pôr uma criança nas mãos de um casal de tipos que gostam de saltar ao pacote um do outro é o fim da humanidade! Vão ficar todos paneleiros!
O terror que se instala nas pessoas quando se fala deste assunto chega a ser caricato - e demonstra o profundo machismo em que vivemos, entranhado até ao ridículo. Se é este o preconceito ou o medo que existe face a toda uma orientação sexual, imagine-se os receios que esta gente tem quando são confrontadas com a hipótese de alguém com essa orientação poder vir a adoptar uma criança. Seguem-se os três argumentos mais comummente utilizados. E no fim, questionemo-nos todos: o que mais interessa a uma sociedade civilizada? Que as suas crianças cresçam saudavelmente num lar onde dois seres lhes possam dar carinho e estabilidade ou dar a palavra a um preconceito ou a um medo perverso?

Os modelos, onde estão? O que é hoje em dia ser feminino ou masculino? Subir a árvores é masculino? Fazer bordados é feminino? Onde, quando, como e porquê? Masculino e feminino são modelos comportamentais estanques, que não evoluem? Uma criança precisa de amor e meia dúzia de regras (acordar, comer a horas, tomar banho, perceber que não se atira os playmobils à cabeça do gajo porreiro que lhes faz o jantar, etc). Modelos? Com certeza, de comportamento. Porque quanto ao resto os genes fazem a diferença. Um rapazola de 4 anos heterossexual é um rapazola de 4 anos heterossexual. Vai querer lutas e saltar obstáculos que são grandes demais para ele e ser fanfarrão sem limites. E os pais, sendo gays, vão contrariá-lo e po-lo nas aulas de ballet, é isso?

A sociedade não está preparada. Se isto serve de desculpa para alguma coisa, servirá igualmente para considerar que o 25 de Abril foi um enorme erro porque a população não estava preparada para ser livre. Há coisas para a qual a sociedade não se prepara antes, adapta-se depois

Na escola, os colegas, iriam discriminá-lo. Os putos gozam com os outros e fazem a vida negra uns aos outros por tudo e por nada. Por serem gordos, por usarem óculos, por terem borbulhas, por não terem roupa de marca, não gostarem das bandas de que é cool gostar ou não terem o telemóvel da moda. Melhor ou pior, todos sobrevivemos a isso. Principalmente se tivermos um bom suporte emocional. É esse também o papel da família, dar esse suporte. E isso não depende do sexo dos pais.
Ou seja: há sempre uma razão para as crianças discriminarem-se entre si, há sempre uma razão para sofrer com uma merda qualquer. E há quem se ponha a jeito e quem se defenda. Por norma, defende-se aquele a quem foi dado amor e que foi ensinado a dar a volta a essas situações. E esse tanto pode ser filho de um casal hetero ou gay.

Computer says nooooo!

Os EUA continuam a importar o melhor humor britânico e a adaptá-lo às suas realidades. Por vezes o resultado pode ser catastrófico, mas também pode ser genial. Como diria aVicky: ye, no, ye, no, ye, no, bu... Depois do The Office, é a vez de Little Britain. Algumas amostras por aqui.

terça-feira, setembro 23, 2008

Voting is power!

Com um orçamento de cerca de 2 milhões de dólares, o “documentário online” «Slacker Uprising», de Michael Moore, levou o realizador, em 2004, a percorrer 62 cidades dos estados mais incertos nas eleições norte-americanos, os chamados “swing states”, onde as previsões quase nunca acertam em quem vai ganhar, para tentar convencer os jovens que não pretendiam votar a irem às urnas.

Estreia, supostamente, hoje e o respectivo download gratuito pode ser feito aqui. Mesmo a tempo!

Voltei a acreditar no Senhor


Ne-yo é uma referência no mundo RnB. Mesmo reconhecendo a ingenuidade das suas letras, deixei-me encantar com o seu tom meloso em algumas músicas do seu primeiro disco. Quem não se lembra de So Sick ou Sexy Love? Depois de um segundo disco mais fraquito, volta a surpreender com este “The Year of Gentlement”. “Closer” não me entusiasma por aí além mas depois de ouvir, entre outros temas, “Miss Independent”* recuperei a minha fé. Este pode mesmo ser o ano do senhor. Deste senhor. O Timberlake que se cuide, portanto.


*(…) Ooh there's something about kinda woman that can do it for herself
I look at her and it makes me proud, there's something about her
there something ooh so sexy about the kinda woman that dont even need my help
She says she got it, she got it, no doubt, there's something about her (…)

segunda-feira, setembro 22, 2008

instante II

- Eu teria aceitado, sabes? Se quisesses que eu o fizesse, tê-lo-ia feito. Tu querias?
Rui percebeu nessa altura porque resistira à tentação: não por amor, mas por estar a ser testado, por estar a passar por um teste que não poderia ter dignificado com uma resposta.
- Feito o quê? – perguntou, fingindo alguma inocência.
- Aquela mulher... Queria ir para a cama connosco. Deves ter percebido. Eu, pessoalmente, não queria, mas estava disposta a fazê-lo por ti.
- Porquê?
- Acho que não te conheço suficientemente bem. Não sei se não será o género de coisas que gostas de fazer. Se é, estou disposta a tentar.
Embora nesse preciso momento acreditasse que Helena estava a dizer, Rui reconheceu o perigo de ser honesto com ela e, por amor, mentiu e disse:
- Sabes bem que só te quero a ti.
Mal acabou de falar, apercebeu nela um férmito causado pelo prazer e pelo alívio que tais palavras lhe proporcionaram.
Aprendeu com Helena que, por muito que se consiga sendo honesto, consegue-se o dobro sendo ambíguo. Aprendeu que o amor dela assentava numa falsa interpretação do seu carácter e que, se quisesse mantê-lo, teria de manter o seu carácter indecifrável. Talvez não fosse uma solução para uma relação que duraria mais de vinte anos, mas na altura não estava a pensar em termos de futuro. Estava a pensar apenas no presente, no qual a sua necessidade mais premente era estar constantemente na companhia dela e em que teria sido capaz de assumir qualquer compromisso para atingir esse objectivo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

O processo de recrutamento mais rápido de sempre?

A Autoridade da Concorrência tomou hoje de assalto a secção de anúncios do site do Expresso. Logo de manhã estavam por lá, pelo menos, três (com data de hoje) a pedir Economistas com média superior a 14 valores - alguém que me convença de que este pode ser o melhor indicador para ter algumas esperanças que os que aí vêm possam fazer um trabalhinho mais convincente que os que já lá estão, por favor. Entretanto os anúncios, subitamente, "desapareceram". Com esta rapidez a recrutar pessoal alguém ainda se admira quando apresentam conclusões "inconclusivas"?

quarta-feira, setembro 17, 2008

Problemas

Hoje vi novamente o "Fui infiel, dou porrada na minha mulher, gosto tanto dos meus filhos como o Cláudio Ramos gosta de patarecas e os meus princípios fazem corar o Paulo Portas", da SIC, só para não ser apanhado desprevenido amanhã no escritório. Pois aposto que, de todas as confissões do merceeiro de Gondomar, aquela que vai ser tema de conversa do pequeno-almoço, será a que ele aceitaria manter relações homossexuais por 250.000 euros. Sim, porque a questão da pluralidade sexual é um "problema" bem mais pertinente que o da violência doméstica, por exemplo, e urge ser debatido entre uma meia de leite e um croissant misto.

segunda-feira, setembro 15, 2008

“Para que preciso de um homem?”

Se precisas de um homem para foder, só necessitarás que ele te saiba foder ou, vá lá, dê prazer. Sobretudo isso. Para tudo o resto, necessitarás de respeito. Não sendo isto sinónimo de permanente desconfiança, levado ao extremo da obsessão pela fatídica busca de uma prova de infidelidade. Isso é muito deprimente e estupidificante. E, já agora, para quê tanto trabalho quando os sinais desse respeito (ou falta dele) obtêm-se nas mais básicas acções do dia-a-dia (ou na ausência delas).
Uma mulher precisou de vir a um programa de televisão para confirmar que o seu legítimo esposo não a respeitava. Para que lhe serviu toda essa humilhação pública quando ele já tinha anteriormente dado provas suficientes de uma certa insegurança?
“Um homem daqueles? Inseguro?” Poucas pessoas estarão dispostas a admitir que é apenas através de desgostos que infligem aos outros que sabem que são amados.
“Ah, um homem para se sentir seguro precisa de se sentir amado!”.

Mau gosto



Aquelas sandálias...

sexta-feira, setembro 12, 2008

A alguém muito especial dedico-lhe:

isto*.
(Mesmo que uma música new age substitua os "diálogos", a química está lá. Todinha.)

quarta-feira, setembro 10, 2008

O momendo da aldrabice

Quero acreditar que uma jovem rapariga, num novo concurso da SIC apresentado por Teresa Guilherme, depois de ouvir da boca do marido a confissão de que a acha aborrecida e que aquele manteve relações sexuais sem preservativo com n raparigas desde que casou, diga que ainda acredita convictamente no seu casamento, não passe de uma actriz. Quero acreditar.

terça-feira, setembro 09, 2008

instante

Numa noite destas Rui e André abordaram duas raparigas de Lisboa de rostos semelhantes que, procurando livrar-se de uma multidão de bêbados, iam a sair de um bar. Tratava-se de Helena e da sua irmã. Saltando de assunto em assunto, mas com todos eles a irem dar ao mesmo, acabaram os quatro no quarto de pensão das raparigas, com André a copular com Helena numa das camas e Rui a fornicar com a irmã dela na outra, a menos de um metro de distância. Já nesse momento Helena o amava e talvez por isso tenha escolhido André. Temia a força com que Rui a atraía e o seu instinto dizia-lhe que, logo que se deixasse engolir por esse desejo, jamais conseguiria fugir-lhe, o que acabou por ser verdade. E, embora nunca mais tivessem falado disso, a primeira lembrança que Helena guardava de Rui era a imagem, os sons e cheiro dele enquanto dava prazer à irmã, ao mesmo tempo que ela aturava as tentativas desastradas e os gemidos de André. Este espetáculo viria a persegui-la para sempre.
Na manhã seguinte Rui já não sabia ao certo com qual das raparigas tinha dormido, mas a irmã de Helena estava no duche e André fora à rua comprar qualquer coisa para curar a ressaca, deixando-o sozinho com Helena. Nesse momento ela olhou para ele de uma certa maneira, ele correspondeu-lhe e, passado uns meses, casaram-se. É evidente que houve muitas conversas, muito sexo e muitos passeios sentimentais entre o Porto e Lisboa nesse pequeno intervalo, mas as raízes residiram naquela troca de olhares naquele quarto rasca de uma pensão. A verdade é que, quer se dê por isso, quer não, reconhecemos os nossos parceiros no momento em que nos aparecem à frente e, depois, submetemo-nos quase sempre a tudo o que de inevitável se segue e chamamo-lhes amor.

Ainda faz sentido odiar Oasis em 2008?

Parece que sim.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Mega-post

O jornalismo do espectáculo, que acompanha o ritmo da televisão e tende a ser obsessivo, que não tem autonomia e que está vulnerável a todo o tipo de manipulações, é um dos fenómenos mais perigosos das democracias modernas. As nossas sociedades estão dependentes de jornalistas frágeis perante as fontes e perante a construção de discursos hegemónicos, sem capacidade de investigar e presos à lógica do entretenimento. Tendo um poder imenso, os jornalistas não têm, na realidade, poder nenhum. Manipulam consciências, sem terem poder sobre a agenda que impõem. São, por isso mesmo, manipuladores manipulados.
Ler o resto aqui.

terça-feira, setembro 02, 2008

E por falar em músicas de verão...

Os AC/DC regressam este mês com uma malha, basicamente, igualzinha a todas as outras que já fizeram até à data. No entanto estava aqui a ouvir este "rock n'roll train" e já me estava a imaginar a caminho da costa alentejana, com esta música no ar e encantado por ir desfrutar umas mini-mais-que-merecidas-férias. Posso até estar já a sonhar acordado mas que isto vai acontecer daqui a umas horas, lá isso vai.
Assim que houver condições e tempo (claro), darei notícias lá de baixo. Nem que seja para dizer que a costa vicentina tem as praias mais bonitas deste país.

segunda-feira, setembro 01, 2008

If is "just human nature" why u are so confused?

This was never the way I planned
Not my intention
I got so brave, drink in hand
Lost my discretion
It's not what, I'm used to
Just wanna try you on
I'm curious for you
Caught my attention

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chapstick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

No, I don't even know your name
It doesn't matter
Your my experimental game
Just human nature
It's not what good girls do
Not how they should behave
My head gets so confused
Hard to obey

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chapstick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

Us girls we are so magical
Soft skin, red lips, so kissable
Hard to resist so touchable
Too good to deny it
Ain't no big deal, it's innocent

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chapstick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

I kissed a girl, Kate Perry

quinta-feira, agosto 28, 2008

A jornalista omnipresente

Quem desperta diariamente com a manhã informativa da RTP1, por ali entre o “bom português” e o “minuto verde”, nunca pode deixar de se deleitar com as “excitantes” reportagens da Carla Trafaria. É vê-la na inauguração do parque infantil de um bairro dos subúrbios de Lisboa, num qualquer centro de rastreio de diabetes, numa repartição de finanças no dia D’entrega de IRS, numa animada festa de um de lar de idosos... Ainda ontem lá estava ela de microfone em riste junto de alguns veraneantes mais persistentes / curiosos / parolos / analfabetos (riscar o errado) numa praia da Costa da Caparica de acesso estritamente interdito - já que estariam previstos trabalhos de reposição do areal para os próximos dias. Mas hoje, surpreendentemente, estava num bairro do concelho de Odivelas junto duma dessas 645 recentes rusgas ordenadas pelo ministro - resultado: apanha-se meia dúzia de armas ilegais, um quilo de coca e, sobretudo, apazigua-se as almas mais assustadas com “essa” onda de violência mediática e a Carla lá regressará para o seu outro “país real”.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Grandes promoções, é aki!

Todo o snob tem um labrego dentro de si. Às vezes literalmente.

Depois da sua mais recente viagem, um amigo lamentava-se do atendimento da tripulação da TAP: “Mas conhecem hospedeiros e hospedeiras mais antipáticos e mal-educados?”. Durante esta viagem, contava ele, alguém terá pedido de uma forma, digamos, mais “expansiva” por um café a um hospedeiro que se encontrava junto do lugar onde o meu amigo estava. Como tal não fazia parte das suas competências, pediu ao colega que estava mais à frente: “Era um café para aquele senhor...” Não deixando de acrescentar, baixando ligeiramente o tom de voz mas mesmo assim ainda perfeitamente audível por quem ali estivesse: “Cuidado: este avião vai cheio de labregos!”
Pus-me a pensar de imediato nessa raça humana tão peculiar: os labregos. Há os que o são naturalmente, e há os outros, que não sendo, se esforçam por o ser. A grande diferença estará na sua consciência, ou falta dela. Os segundos são os únicos que se comportam dessa forma com um certo orgulho. Por isso é que de vez em quando alguém lhes pergunta: “tu não tens vergonha – lá está, o contraposto desse “orgulho” - de ser assim?”.
Mas voltando ao caso do avião. O facto de alguém pedir um café em voz alta, por si só, faz dele um labrego? Já que poderá ter sucedido o caso do suposto “labrego” ter efectuado o pedido de forma convencional e não ter sido bem-sucedido. Ou será que ele terá dado outros indícios que permitiram o hospedeiro ter concluído tal facto? Independentemente de tudo isto, não podemos deixar impune a generalização feita pelo tripulante da TAP. Sendo assim...
Pus-me a pensar nessa raça humana tão peculiar: os hospedeiros da TAP. Há os que são naturalmente snobs, e há os outros que não sendo, se esforçam por o ser. A grande diferença estará na sua consciência, ou falta dela...

quinta-feira, agosto 21, 2008

Há mitos e mitos

Ao deparar-me com esta crítica de Eduardo Pitta lembrei-me de que ainda não tinha comprado o livro em causa: “Brando mas pouco”. Uma biografia “hardcore” de Marlon Brando, onde é pormenorizadamente relatada a atípica vida (bis)sexual do actor e que, a serem tais dados verdadeiros, só vem demonstrar a teoria de que a realidade vai sempre mais longe que a ficção. Sobretudo no mundo das (falsas) aparências.
Como já tinha perdido a oportunidade de o comprar com o Público, tentei, mesmo assim, a minha sorte junto da tabacaria onde costumo comprar alguns jornais. Ao mesmo tempo que ia passando os olhos pelo texto fui marcando o número de telefone da “banca da esquina”. Há uma senhora que me atende. Pergunto-lhe pelo livro e ela pede-me para aguardar enquanto o procura. Assim o fiz. Continuo a ler a crítica e paro automaticamente quando passo por uma das partes transcritas do dito cujo: “25cm pelo cu acima”. Nesse preciso momento oiço alguém do outro lado da linha:
- “É grande e grosso?”...
Não reagi.
- “Tou? Simmm?”.
Ufa! Ainda tinham três cópias.

quarta-feira, agosto 20, 2008

E o Bob Dylan, que já anda por aí há tantos anos, ninguém lhe pega!

Ao ver este surpreendente 3º lugar na lista dos discos mais vendidos por cá, pergunto a mim mesmo de onde vem este súbito interesse nacional pela música country-rock americana? A resposta é óbvia e o facto que a explica também. Utiliza-se uma música orelhuda num anúncio televisivo e o resto é meio caminho andado; ou seja, o português comum tem uma atitude completamente passiva perante a música (entre outras expressões artísticas): não a procura, limita-se a ficar sentado no sofá, de comando na mão, à espera que ela o encontre.

terça-feira, agosto 19, 2008

"Ai e tal... a experiência, apesar dos resultados, está a ser óptima."

Mad world

Ao ler esta história, lembrei-me desta brincadeira:
Ainda ri-me um pouco. Pelo menos até a consciência deixar. Porque, bem vistas as coisas, isto nem tem qualquer graça.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Eu sou o melhor atleta não-competitivo do mundo. Se não tiver pessoas ou câmeras a observar posso ser mais rápido que o Bolt. Tem é que ser à tardinha

Marco Fortes, que esta sexta-feira falhou o apuramento para a final e terminou a competição no 38º lugar entre 45 concorrentes, com a marca de 18,05 metros, justificou o desempenho afirmando que «lançar de manhã é complicado».
«Cheguei à conclusão que de manhã só estou bem na “caminha”. Lançar a esta hora foi muito complicado. Apesar de ter entrado bem na prova, com dois lançamentos longos com mais de 19 metros, no último lançamento as pernas queriam era estar esticadas na cama», disse o atleta, em declarações à RTP.



No mesmo dia, também Jéssica Augusto, após a eliminação na prova dos 3.000 obstáculos, anunciou que iria de férias, justificando o abandono da corrida dos 5.000 metros dizendo que não participaria porque "não vale a pena", dada a forte concorrência africana.
Hoje mesmo, Arnaldo Abrantes, eliminado nos 200m com um dos piores tempos, e Vânia Silva, eliminada na prova do lançamento do martelo, também fizeram declarações que estão a suscitar reacções diversas. Abrantes justificou a sua fraca prestação com o facto de ter "bloqueado" quando viu o estádio olímpico cheio, enquanto Vânia Silva admitiu que "não é muito dada a este tipo de competições" [os Jogos Olímpicos].

Já abriu oficialmente a época de caça ao patto

“Ao contrário do que, muitas vezes, se pretende fazer crer, não está em causa o reconhecimento público de desejos ou preferências individuais, mas o relevo social da instituição familiar, a sua importância na perspectiva do bem comum e da harmonia social.”
Na edição da passada sexta-feira do Público, o jurista Pedro Vaz Patto, assim inicia a sua rol de argumentações contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Que credibilidade pode ter qualquer opinião, por mais bem que justificada ela possa ser – o que não quer dizer que seja este o caso - quando se parte de premissas descabidas: “Desejos ou preferências sexuais”? Vale a pena perder tempo com contra-argumentações quando do outro lado se continua a considerar que a homossexualidade é sinónimo de uma atitude mental casual ou de uma tensão momentânea? A não ser que o senhor jurista se esteja a referir a quem assim o pense e pratique, ou seja, a quem faz desta orientação sexual um mero passatempo fortuito e isento de compromissos e responsabilidades (e por vezes - tão vulgarmente esquecido - de sentimentos). É que se assim for, mais insignificante se torna esta discussão, já que a maioria desses sujeitos já estão legalmente impossibilitados de casarem com os outros que partilham os seus “desejos e preferências sexuais”. Não por serem do mesmo sexo, mas porque efectivamente já estão casados. E bem casados, de acordo com uma certa “harmonia social” que nunca será questionada, pelo menos enquanto houver juristas e outros “patos” a pensarem assim.

terça-feira, agosto 12, 2008

Afinal não há mesmo coincidências

Há sempre aquela réstia de esperança que a nossa intuição possa estar errada, que as nossas impressões sejam demasiado subjectivas e tendenciosas para nos levarem a cometer os mais básicos erros de julgamento. Mas, por outro lado, também há as reais provas, uma a seguir à outra, que nos obrigam a confrontar com o contrário: que afinal não há mesmo coincidências. De um lado, a ilusão de uma felicidade estável, do outro a suprema dor da desilusão que confirmavam os nossos piores receios. Nem toda a gente tem a capacidade de conseguir gerir esta dor, portanto não admira que meio mundo viva feliz, mas constantemente desconfiado.

quinta-feira, agosto 07, 2008

I'm just hot.

http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20080807114049&z=1

Férias não são para quem quer...

Agosto chegou discretamente.
De manhã passo pelas bombas de gasolina, associadas a uma conhecida cadeia de hipermercados nacional, que (praticamente) desde que abriram mantêm a liderança em matéria de preços (dos combustíveis) mais baixos no distrito de Lisboa e continuo a ver as habituais longas filas à volta da rotunda que lhes é vizinha.
Ao final da tarde passo por um supermercado que também é conhecido por praticar preços imbatíveis e demoro o tempo “normal” para fazer o pagamento das minhas compras – de onde vem este triste infortúnio de escolher sempre a fila que demora mais tempo a ser aliviada? Há sempre alguém que se lembra que lhe falta qualquer coisa, ou porque a operadora de caixa se esqueceu do "código do melão", ou porque enganou-se e pede uma anulação que só pode ser feito pelo “chefe de loja”, que por sua vez demora uma “eternidade” a chegar, pois “está no armazém a fazer contagens”...
E à noite, como noutro momento deste longo dia, noto uma acentuada redução de automóveis nas estradas perto de casa. No entanto, nas suas extremidades, vejo as pessoas de sempre a fazerem a sua caminhada nocturna, uma espécie de desporto pedestre dos que poupam na mensalidade do ginásio. Diz que foi o “senhor doutor da TV” que aconselhou e tal “prescrição” virou moda em dois tempos. Só a moderação nos enchidos e doces é que não pega!
Há uma certa pobreza que, para além de outras coisas, merecia umas boas férias.

sexta-feira, agosto 01, 2008

O aviso

Tinha eu acabado de aproveitar essa “milagrosa” descida de preços de combustíveis abastecendo o depósito do meu carro na estação de serviço de Oeiras, quando oiço uma viatura dirigir-se a alta velocidade para o local onde me encontrava. Era de noite e não houve tempo nem visibilidade para observar a viatura em questão. No primeiro segundo ouvi duas “pancadas” secas a bater no meu carro – fez-me pensar no momento ter sido uma pedra que tivesse deliberadamente saltado do outro carro – no segundo seguinte, olhei e vi sobre dois pontos distintos da chapa do meu carro um líquido espesso verde fluorescente. Ao terceiro segundo já não consegui ver a outra viatura...
Sem razões aparentes, eu e outros proprietários de outros veículos – segundo a Brigada de Trânsito de Carcavelos* – fomos “alvo de actos de vandalismo” (juram?).
A arma foi uma pistola de paintball. Mas “podia ter sido pior.”
Ficou o aviso. E as duas mossas no carro.

* Consta que as cabines das portagens de Porto Salvo também foram atingidas. No entanto, após ter contactado a Brisa, nomeadamente o Centro Operacional da A5, foi-me informado que não vão apresentar queixa, pois não sofreram danos materiais “consideráveis”. Claro... Isso de passar a vida a queixar-se por tudo e por “nada” é coisa de “pobre”.

quinta-feira, julho 31, 2008

Desilusão


"(...) a maioria das mulheres, acima dos 40 anos, desejam ser possuídas por uma força sobrenatural, enquanto outras ficam excitadas com a ideia de cobrar pelo acto."
Esperava tudo menos que a fantasia típica das quarentonas 'tugas fosse um poltergeist com uma nota de vinte euros no bolso. Mas ok.

segunda-feira, julho 28, 2008

Vrrrrummm...

Numa pequena reportagem sobre uma concentração de adeptos do tuning exibida ontem pela hora de almoço no "Jornal da Tarde" da RTP1, enquanto um dos organizadores transmitia a mensagem de que a modificação de carros não é sinónimo de street racing, passavam as imagens de um carro a puxar ao extremo pelo seu relanti, consequente arranque veloz e um peão quase perfeito. Das duas uma: ou há mesmo uma fronteira muito ténue entre estas duas modalidades/hobbies ou a RTP tem tanto sentido de oportunidade como os carros destes gajos têm de peças originais.

A solidão também necessita de identificação

Há duas formas de solidão, não há? Há a solidão do isolamento absoluto, o facto de viver fisicamente só, de trabalhar só, como eu sempre fiz. Não é necessariamente doloroso. Para muitos escritores é essencial. Outros precisam de um grupo doméstico de servidores femininos para lhes dactilografar os malditos livros e lhes manter os egos bem insuflados. Estar sozinho a maior parte do dia significa que estamos a escutar ritmos diferentes, ritmos que não são determinados pelas outras pessoas. Penso que é melhor assim. Mas há outro tipo de solidão que é terrível de suportar – Fez uma pausa. – É a solidão daqueles que vêem um mundo diferente do das outras pessoas. As suas vidas nunca se tocam. Tu consegues ver o abismo e elas não. Tu vives entre elas. Elas caminham sobre a terra. Tu caminhas sobre vidro. Elas encontram segurança na conformidade, em similitudes cuidadosamente construídas. E tu mascaras-te, consciente da tua absoluta diferença. Foi por isso que eu vivi sempre nos bares, les lieux de drague. Simplesmente para estar entre aqueles que são como eu.

“A sombra de Foucault”, de Patricia Duncker (Gradiva)

sexta-feira, julho 25, 2008

Presente!

Este deve ser o único blogue 'tuga que não aparece nos resultados de uma pesquisa no google, caso coloquemos as palavras "quinta da fonte" ou "mário crespo". Longe de mim querer ser um outsider - posso reconsiderar esta posição se a renda da minha casa descer 99%:

(...) Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. (...)
(Mário Crespo @ JN)

domingo, julho 20, 2008

O dilema do homem incompleto

Acordei com o berreiro de duas crianças que estariam a pouco mais de cinco metros da minha toalha. Resmunguei baixinho e virei-me. Não conseguindo voltar a adormecer, acabei por levantar parte do meu corpo pesado pela sonolência e deixei ficar-me ali sentado a observar as pessoas que caminhavam ao longo da praia e as gaivotas que faziam grandes razias às pequenas ondas que se formavam ao longo da costa. Ali mesmo ao lado permaneciam as duas crianças que se preparavam para o banho enquanto um adulto tentava proteger as suas peles pálidas com protector solar. Terminada essa acção e após a autorização do homem que as acompanhava, aqueles dois pirralhos deram início a um verdadeiro sprint até ao mar. O adulto, bem mais lentamente, acaba por os seguir. Reparo que olha fixamente para mim a meio do seu percurso. Encaro tal gesto como um sinal de penitência face ao espalhafato sonoro que os imberbes causaram no local. Pego no jornal e volto a deitar-me. Vou esfolhando-o ao sabor/por força do ligeiro vento que se ia sentindo naquela tarde de Julho. Passam vários minutos e sou surpreendido com alguém que me aborda: “Tem um cigarro?” – era o homem que acompanhava as crianças. Não tinha, mas percebo pela continuação da conversa que aquela pergunta tinha sido um mero pretexto de interpelação. Fico a saber que aquele trintão, que acabou por se sentar a poucos metros de mim, é o pai dos putos, que mora a mais de 40 Km daquela praia mas que por amor a ela despende mais dinheiro em gasóleo e portagens do que se preterisse uma outra da sua zona, que está ligado profissionalmente à área da comunicação social, que é divorciado desde Abril passado e... que é bissexual. E não fumava. Tudo isto dito sem interrogações da minha parte. Mas a conversa era muito civilizada e acabou por se tornar interessante, nomeadamente, sempre que se aprofundava determinado assunto. E aí também tornei-me mais participativo. Ao mesmo tempo que vigiava os seus filhos, que se encontravam à beira-mar, ele intervinha animadamente no nosso “debate”. Estou perante um homem culto e muito educado. Mesmo quando o assunto abordava facetas mais intimistas ele, surpreendentemente, não descia o seu nível de vocabulário. “Esta deve ser a única praia onde vejo mulheres sozinhas... Parecem mais livres aqui que noutro local qualquer... E ao mesmo tempo muito desejáveis“. Continua, “Sempre estive uma atracção semelhante por homens e mulheres. Sempre fui sincero nos meus relacionamentos e por tal nunca poderia esconder os meus desejos da minha esposa. E vivemos assim muito felizes mais de treze anos. O facto de ela ser uma pessoa magnífica, belíssima e inteligente também ajudou, claro.” Nesta altura ele ainda desconhecia que partilhávamos ideias e teorias muito semelhantes sobre alguns assuntos específicos. Depois disso, a conversa acabou por fluir ainda melhor, pois senti-o (ainda) mais à vontade. “Precisamos de nos libertar dos preconceitos e ideias pré-concebidas que esta sociedade conservadora nos impinge para nos tornarmos mais puros em relação à nossa existência - e sobretudo em relação à nossa sexualidade - e eu acredito que sempre estive no melhor caminho. Tenho plena consciência de que não é fácil e por isso não condeno quem não consiga dar os passos certos, quer seja por falta de coragem, quer seja por ignorância. Não posso é deixar de condenar quem opte pelo facilitismo de uma vida dupla, encoberta pela farsa e falso pudor. A mentira mata, sabias pá?” O “pá” não diria melhor.
Quase todo o seu desabafo não me sai da memória: “E o meu maior dilema sempre foi, é e será nunca poder amar integralmente uma mulher sem desejar simultaneamente estar com um homem, ou nunca conseguir ser plenamente fiel a um homem sem pensar em ter nos meus braços um corpo de uma mulher... Os meios-termos não me agradam. Acho que nunca irei deixar de ser este homem incompleto e eternamente insatisfeito que sou hoje.” Foi só esta frase que fez desviar os seus pequenos olhos dos meus em direcção ao mar.
Há muito tempo que não tinha um final de tarde de praia tão primoroso e cativante. De facto, não há gasóleo, portagens e quilómetros que paguem estes pequenos grandes prazeres da vida.

sexta-feira, julho 18, 2008

Vá lá façam-me esse jeitinho, fazem?

Finalmente "alguém" fala, por cá, do filme/documentário que ganhou dois dos principais prémios no Festival Sundance deste ano. Agora só falta que, por cá (novamente), mais “alguém” o compre e distribua.
Acredito, mesmo assim, que seria mais fácil "alguém" atravessar o espaço aéreo das duas torres do WTC, através de um arame, que fazer tal proeza.

Copy/Paste do dia


(...) A campanha actual não é perfeita, mas é melhor do que nada. Querer destruí-la em nome de uma dúbia melhor gestão de dinheiros públicos é caso para desconfiar, na generalidade – porque o discurso reactivo das prioridades é muitas vezes um convite à inacção encapotado de tecnocracia – e na especialidade – porque o sexo tolda a razão. Nada tenho contra mais acções junto de prostitutas e de toxicómanos, esclarecimentos sobre os riscos relativos do sexo anal e do sexo vaginal, etc., mas este novo revisionismo de que, afinal, o HIV é mesmo um problema só dos outros tresanda ao pior dos anos 80. Numa altura em que, no mundo ocidental, a SIDA deixou de ser mortal para passar a doença crónica e em que se perdeu o pânico da pandemia mas sem que o número de novos casos em Portugal entre heterossexuais, homossexuais, trabalhadores do sexo e toxicómanos tenha diminuído, verificando-se mesmo uma tendência evolutiva crescente na percentagem de novos casos por transmissão heterossexual, a obsessão em querer deixar o problema do HIV num ghetto de muros baixíssimos e de perseguir miragens do politicamente correcto em matérias que envolvam sexo é um divertimento infantil para gente dos 40 (João Miranda) aos 80 (Patrícia Lança) anos. Felizmente, eles só ainda vão fazendo com o seu tempo o que ainda não podem fazer com o nosso dinheiro. Deitá-lo “ao lixo”.



Não consigo entender as críticas à nova campanha da Coordenação Nacional para a infecção VIH/Sida. Acho-a, face a recentes estatísticas de novos contágios, até muito pertinente e inteligente. Ao contrário do que se diz: não generaliza-se, alerta-se! Agora se isso incomoda assim tanto pode ser mais um problema de (má) consciência que outra coisa. Por outro lado, se não querem uns cornos, não lhes ponham umas asas.

segunda-feira, julho 14, 2008

Abanar antes de usar

Alguém me relatou recentemente, no messenger, como a sua heterossexualidade foi colocada em causa uma única vez.
Terá sido, numa noite, ao sair de um bar quando preparava-se para entrar no carro, tendo decidido aliviar-se fisiologicamente de alguma cerveja previamente consumida. Naquele grande parque de estacionamento descoberto e pouco iluminado qualquer canto pareceu-lhe adequado para o efeito. Já em pleno acto de puro alívio é que se apercebeu que aproximava alguém que estaria prestes a fazer o mesmo. Não se surpreendeu com o facto do outro ter iniciado uma conversa banal, mas o mesmo já não terá acontecido quando ele lhe terá lançado o repto (sempre com um sorriso nos lábios): “Queres que abane a tua?”. Ainda sentiu qualquer coisa a endurecer entre a mão – consta que inicialmente colocou a hipótese de ter sido uma amena brisa nocturna que lhe tenha estimulado as “partes baixas” - mas logo se aprontou a recolher o “embaraço” e recusar o desafio do outro: “Pá obrigadinho, mas não é preciso...”. Entrou no carro nervoso, mas intrigado. Daí o seu desabafo.
O dito popular “Onde mija um português, mijam dois ou três!” revela-se, aqui, afinal com uma certa carga eroticó-perversa que me escapava de todo.
Eu sempre defendi que esta história das orientações sexuais “chapa cinco” é uma enorme treta mas não posso deixar de ficar de boca aberta com tanto desembaraço, por uma das partes e com tão pouca auto-segurança, pela outra. E o melhor é fechá-la já, não vá despertar o desejo de mais algum predador de indecisos que esteja por perto e me faça mais uma dessas propostas surpreendentes.

sexta-feira, julho 11, 2008

08 temas pop para '08

BMX - War
Para dançar até à exaustão. Muito Junior Senior, muito básico, muito pop, muito bom.

Cut Copy - Hearts on Fire
Os Cut Copy lançaram o melhor que se pode ouvir nesta matéria este ano. Isto é só um pequeno exemplo.

Lykke Li - Let if fall
Esta voz frágil mas muito segura substitui qualquer compilação de Chill Out do mercado. À atenção dos respectivos DJ’s de bares com boas esplanadas e boas vistas.

NERD - Laugh about it & You Know What
"Os NERD já não fazem discos como antigamente". Mas as duas últimas faixas deste novo disco fizeram-me mudar radicalmente de ideias. (não há links disponíveis)

Robyn - Should Have Known
Nova heroína da pop. Ela não canta o “Who’s that girl?” por mero acaso.

Santogold - L.E.S. Artistes
Entre uma Lilly Allen mais versátil ou uma M.I.A. mais pop, venho eu e escolho as duas.

Tricky – Veronica
A segunda melhor faixa do novo disco de Tricky é viciante e (quase) faz esquecer a pobreza do resto do alinhamento. (também não há link para ninguém! :( )

quarta-feira, julho 09, 2008

Afinal: (por cá) metamorfoses destas há muitas, pá!

Continuemos no plano da ilusão… Suponhamos que uma colectividade cultural do municipio de Alcobaça pedia um pequeno subsídio à C.M.A. para organizar um evento com bandas da localidade e aquela recusaria (ou limitar-se-ia a dar um certo apoio logístico) justificando-o com a “falta de verbas no orçamento” – o mesmo orçamento que terá previsto gastar 180.000 euros num truque de magia? Certamente que um espectáculo metamorfósico será algo mais abrangente e popular que um festival de bandas amadoras, mas no entanto um autarca pode-se dar ao luxo de usar - e abusar de - o dinheiro da autarquia apostando em projectos megalómanos, em detrimento de outros menos carismáticos (ou mais alternativos), sem se aborrecer em ter que arranjar bons argumentos?

terça-feira, julho 08, 2008

Zagora, Marrakech (II)

Os únicos inconvenientes de passar uma ou mais noites num deserto marroquino é não ter as mínimas condições de higiene asseguradas – de todos os locais deste país, é aqui que mais se sente falta desse bem escasso que é a água – e as tempestades de areia.
Quanto ao primeiro, o ideal é transformarmos automaticamente em berberes assim que entramos em Zagora, pois se é para mantermos um certo comodismo mais vale nem sair das imediações do confortável hotel de Marraquexe ou Casablanca.
O segundo pormenor é bem mais assustador, se tal parecer querer súbita e brutalmente arrastar-nos, junto com a nossa tenda, para bem longe dali. A outra hipótese, não menos boa, é ficarmos soterrados por uma areia fina mas mortal.
Tudo o resto é, obviamente, excepcional.

quinta-feira, julho 03, 2008

A Galp já não rouba, insulta a nossa inteligência

(Clicar para ampliar - dois talões comprovativos da compra de duas botijas, compradas no mesmo local, antes e depois da alteração da taxa do IVA com o mesmo preço final)

O de Paulo Teixeira Pinto também é mais ou menos assim


Pode-se dizer que ganhou com uma enorme diferença (horária) face à concorrência

O nosso melhor programa de divulgação cultural passa uma vez por semana às 2 da manhã. Mais hora menos hora - depende sempre se há um especial "Fascínios" ou d' "A outra".

quarta-feira, julho 02, 2008

Polamordeus!

Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente. (...)
O Poliamor aceita como facto evidente que todas as pessoas têm sentimentos em relação a outras que as rodeiam. E que isto não põe necessariamente em causa sentimentos ou relações anteriores. Aliás, o ciúme não tem lugar neste tipo de relação. Primeiro porque nenhuma relação está posta em causa pela mera existência de outra, mas sim pela sua própria capacidade de se manter ou não. Segundo, porque a principal causa do ciúme, a insegurança, é praticamente eliminada, já que a abertura é total. Não havendo consequências restritivas para um comportamento, deixa de haver razão para esconder seja o que for. Cada pessoa tem o domínio total da situação, e a liberdade para fazer escolhas a qualquer momento.

Portanto estamos perante um tipo de relacionamento que se aprogoa mais livre que todos os outros, em que não há lugar a ciumeiras e inseguranças e por aí a fora... Diz que é o futuro das relações no século XXI. Ora bem, enquanto não me transformo em robot, ainda vou a tempo de levantar algumas questões (muito básicas).

1. Com todas as vantagens apresentadas – que se podem resumir ao facto de não haver cornudos nestas relações – e de quererem afastar-se dos estereótipos conventuais, a maioria dos poliamorosos (“tradicionalmente”) casa-se exactamente porquê?
2. Este grupo associou-se a um movimento LGBT num desfile no passado sábado em Lisboa. O movimento LGBT passou a ser o último reduto onde cabe todo o tipo de "sexualidades alternativas"? Alguém me ilumine e faça ver as semelhanças porque eu só vejo diferenças. Sobretudo em questões discriminatórias, práticas e realistas: eu (infelizmente) ainda continuo a viver numa sociedade em que um gajo que assuma publicamente a sua homossexualidade nunca deixará de ser, para a maioria, um grandessíssimo rabeta - vá lá no melhor dos casos, um maricas* - enquanto se trocar de parceira frequentemente, o pior que lhe pode acontecer é apanhar uma doença venérea - mas nunca deixará de ser apreciado, socialmente, como um enorme garanhão.
3. E há inconvenientes? Ou o único problema do poliamor é saber, terminada a “confusão”, a quem pertence um determinado polichinelo?
4. E a pergunta final que se impõe será: as pessoas que se cansam de uma relação poliamorosa, ficarão polisaturadas?


*Como a mãe de um bailarino de renome disse ontem, em prime time, numa reportagem da RTP1. Estaria receosa que fosse esse o destino do seu primoroso filho quando aquele optou por enveredar por tal temida e “socialmente apaneleirada” carreira. Mas não, para seu abismal agrado, o filho apaixonou-se por uma colega de profissão. Haleluja!
Um desgosto pode ser como a estupidez: insuperável.

segunda-feira, junho 30, 2008

É já amanhã!

Vai ser justamente neste dia 31 de Junho que o Crédito Agrícola irá creditar os juros nas contas dos seus depositantes e distribuir os dividendos pelos sócios. Parabéns, sortudos.

sexta-feira, junho 27, 2008

"Os preconceitos obscurecem sempre a verdade" - nem de propósito


No filme “12 Homens em Fúria”, 12 Angry Men (1957) de Sidney Lumet, um dos doze jurados, a quem lhes foi submetida para apreciação a sentença de um jovem acusado de ter morto o seu pai, diz:
It's always difficult to keep personal prejudice out of a thing like this. And wherever you run into it, prejudice always obscures the truth. I don't really know what the truth is. I don't suppose anybody will ever really know. Nine of us now seem to feel that the defendant is innocent, but we're just gambling on probabilities - we may be wrong. We may be trying to let a guilty man go free, I don't know. Nobody really can. But we have a reasonable doubt, and that's something that's very valuable in our system. No jury can declare a man guilty unless it's SURE. We nine can't understand how you three are still so sure. Maybe you can tell us.

Não há diferenças

(...) Não há nenhum arrogar da diferença em quem ama alguém do mesmo sexo; não há nenhuma diferença no amor nem nas pessoas. Não existe nenhuma legitimidade jurídica, nem sequer ética, para apontar o amor entre pessoas do mesmo sexo como diferente e merecedor de tratamento diferenciado. O casamento, vimos, é apenas a assunção legalizada, com um elenco de deveres e direitos, de um compromisso entre duas pessoas. Uma espécie de promessa pública. É só isso que os casais de pessoas do mesmo sexo querem: a possibilidade de se prometerem publicamente o que as pessoas de sexo diferente prometem publicamente – quando escolham fazê-lo. Uma consagração pública de uma relação, com tudo o que isso implica, a começar pelo reconhecimento da dignidade dessa relação. É isso que se lhes nega. Não vejo com que direito. E creio que o Direito com maiúscula, o Direito que a Constituição consubstancia, também não.(...)
(Palavras sábias de) Fernanda Câncio

quarta-feira, junho 25, 2008

A escrita que nos faz levantar os cornos (e baixar outras coisas)

Capítulo I
(...)
Cheguei a um beco sem saída e quando me senti no fundo, olhei para cima e disse para mim mesma: agora vais ter de subir a puta da montanha, quer queiras quer não, senão cai-te um piano, um avião ou uma bomba neste buraco em que te meteste e nunca mais levantas os cornos.
(...)
A Naná e eu conhecemos o João por acaso, numa daquelas noites de Verão de Junho num bar da praia do Tamariz. Vinha com um amigo do meu irmão Gonçalo, o Zé Maria Almeida e Sousa, de quem era primo direito. O Zé Maria é casado com uma gordinha simpática e pouco esperta, a Constança Alvim, e passa a vida a sair à noite, o típico parvo com a mania que é esperto, cabelo lambido com gel e camisas coloridas a atirar ao pseudomoderno, especialista em cabeleireiras e rapariguinhas de shopping.
(...)

Retirado daqui:


(sai dia 30 deste mês)

terça-feira, junho 24, 2008

Record

O "record" não será um pijama branco passar pelas caixas de "sanamento" e manter essa cor?

Ena ena um anúncio de cerveja portuguesa sem “trolhices”, assobios parolos e os da weasel!

Nunca é demasiado tarde para chamar a atenção para esta pérola. (A música também só podia estar presente numa das compilações da série "Anatomia de Grey")

segunda-feira, junho 23, 2008

Somos o que lemos?

Conduzo o carro de compras até ao fim de um dos corredores do hipermercado e por lá se encontrava um outro “carrinho” parado que ocupava grande parte do espaço de circulação, bem como outro, mesmo ao lado, com produtos para reposição. Junto do primeiro estavam três miúdos de etnia cigana. De tão concentrados que estavam na contagem do dinheiro que traziam nem deram pela minha presença. Quando preparava-me para desviar o carro do repositor, para conseguir passar, um dos jovens pede-me gentilmente desculpas e desvia o seu carro.
Dirijo-me, entretanto, para uma das filas de caixa de pagamento que avalio como sendo a menos longa. Entretanto, reparo que os “ciganitos” deslocam-se para uma outra fila, algo distante da que me encontrava, com o seu respectivo carro de compras, transportando somente uma palete de garrafas de água. Antes de colocar os meus produtos no tapete rolante observo que eles dialogam com as pessoas do fim da fila onde se encontram. Deduzo que pedem, face ao que apresentam para pagamento, uma certa prioridade... Passado alguns segundos oiço um surpreendente e ruidoso: “Não o admito que me trate assim!”. Tinha saído da boca de um dos ciganos, e estes estavam parados, agora, diante de um casal de meia-idade: ele, empurrando o carro mostrava-se indiferente às declarações do cigano - sorrindo até - e ela já estava concentrada na tarefa de colocação dos produtos no tapete. “Está-se a rir de quê?!”... Os ânimos estavam a exaltar-se ao ponto de pedir uma intervenção do segurança.
Entretanto chegou a minha vez de ser atendido e não consegui acompanhar o resultado de tal aparato. Antes de sair do hipermercado, ainda tive tempo de confirmar que os miúdos se encontravam junto da caixa. O casal já estava no exterior e conversavam com o segurança. A caminho do meu carro, consegui ouvir o senhor de óculos e cabelo grisalho, com ar austero, a dizer qualquer coisa como: “ (...) Para o vosso próprio bem: não os podem deixar cá entrar...”. Também me chamou a atenção o jornal dobrado em três partes iguais debaixo do seu braço direito. Pelas enormes letras garrafais que se destacavam na primeira página, foi muito fácil adivinhar que diário se tratava.

sexta-feira, junho 20, 2008

"Monsieur, monsieur, une pièce..."

Em Marrocos a “chulice” é tanta que quando entrei no avião de regresso ainda estava com receio que aparecesse, vindo do nada, um puto que fizesse questão em levar-me ao meu lugar, em troca de alguns dirhams. Ou numa perspectiva mais adulterada, temia que uma das hospedeiras retirasse o seu chapeuzinho e desse início à angariação de umas gorjetas para o piloto e restante tripulação.
Felizmente, as minhas piores expectativas não se concretizaram. No entanto, aconselha-se a só dar descanso ao nosso melhor espírito regateador de preços quando o avião já estiver fora de território marroquino.

sexta-feira, junho 06, 2008

Apesar de tudo, vamos ser felizes

Por muito tempo que supostamente dure essa ideia de felicidade, tem sempre a tontura dos delírios do prazer mais imediatos. E nunca a consciência dessa vertigem é tão aguda como nos momentos que, vistos de fora, parecem mais pacatos: quando se está a dois (confortavelmente) sentados, sem soltar uma palavra sequer, no carro parado à espera que o semáforo mude, a jantar, ou mesmo numa sala de cinema com mais pessoas. O lado trágico disto é tão somente a nossa fragilidade, essa extrema dependência, que um pequeno azar na estrada ou na massa celular possa levar à mais insolúvel saudade.
Se a posse nunca se sente – que é como quem diz nunca é suficiente – e o medo da perda está sempre presente, como se pode falar em felicidade?
O milagre é que se possa.

(Viver é uma constante dialéctica entre o prazer e o sofrimento. O que temos de conseguir para que valha a pena viver é que o prazer seja superior ao desejo de nos deixarmos afundar na angústia da existência.)

PS - Vou de férias por duas semanas e, pelo menos nesta ausência, só vos pedia o tal favor que se pede por defeito mas com muito carinho: sejam felizes, pois então.

É daquelas injustiças

Ainda mais preocupante que Portugal ter saído do top 10 do ranking da FIFA e falar-se de um clube e de um país pelos piores motivos, é o facto de uma equipa, que se comportou de uma forma quase irrepreensível ao longo de toda uma época, ter que ceder o seu lugar numa competição europeia a outra que jogou “futebol” ao nível do Clube Desportivo de Berruganha-a-nova. Sem desmérito para o CDBaN, claro.

quarta-feira, junho 04, 2008

Quimicazita

Nesta altura do ano, a maioria dos telespectadores nem cabe em si de curiosidade por saber, um por um, quem são os casais que vão dar o nó abençoados pelo Santo António - que é como quem diz, por conta do Município da capital. E quem melhor que a RTP para fazer cumprir esse serviço público?
O serão televisivo ganha sempre um outro encanto com tanto romantismo e… humor. É hilariante sobretudo na parte em que cada um declara/adivinha os gostos do futuro conjugue. Um destino de férias: ela diz Espanha e ele depois confessa… Tailândia. Uma peça de roupa: ela diz camisa, ele diz boxers. O prato favorito: ela diz leitão à Bairrada e ele, uma francesinha! E por aí a fora... Só com tiros ao lado, fica bem demonstrado o grau de conhecimento das preferências mútuas. Ainda bem que aparecem, logo de seguida, bem juntinhos e bem enamorados, não fosse alguém pensar que eles (“aparentemente”) só apressaram o casório por causa do tal chequinho “milagroso” oferecido pela CML.

segunda-feira, junho 02, 2008

Sinto-me um pouco perdido:

estou há mais de duas horas sem saber como/onde está a nossa selecção.

Na penumbra

“Não me lembro bem da tua cara mas conheço bem as tuas mãos.”

Palavras mágicas de Geraldine Page. Retirado de “Corações na Penumbra” - Sweet Bird of Youth (1962).
Filme baseado num texto de Tennessee Williams.

Paul Newman diz, também, às tantas, que o mundo se divide entre as pessoas que sentem prazer quando fazem amor e as que não sentem prazer quando fazem amor. O que também tem muito que se lhe diga.

sexta-feira, maio 30, 2008

Humor doméstico

Hoje, logo a iniciar o programa matinal do Goucha na TVI, apareceu duas raparigas vestidas de fada a representar parte de uma peça infantil que está em exibição lá para os lados de Sintra. Na parte da "endiabrada" entrevista o apresentador, ao notar que uma delas está grávida, disse: "Já vi que a menina não é empata-fadas!"...
Enquanto isso na RTP1, fazia-se uma sessão de ginástica onde os "vulgares" pesos eram substituídos por pacotes de arroz.

quinta-feira, maio 29, 2008

Hi Fyfe


Basicamente o que mais gosto nos Guillemots é a voz do vocalista (Fyfe Dangerfield) e as orquestrações que o acompanham em algumas músicas – só para dar um exemplo do que falo: If the World Ends. Entretanto andei à procura de material dele a solo e descobri isto (retirado daqui). E, como seria de esperar, fiquei irremediavelmente KO.

É a crise! É a crise!

Isto anda de de tal forma mal que os carjackers já se recusam ficar com o carro se o seu depósito não estiver, no mínimo, meio.

terça-feira, maio 27, 2008

Uma certa irresponsabilidade

Passeio, numa noite de fim-de-semana, pelas ruas movimentadas de uma zona de bares de Lisboa. Há claramente uma predominância de adolescentes entre os noctívagos. A idade deles só me é revelada pelos comportamentos e diálogos que mantêm entre si. De resto: vestem-se, bebem e fumam como adultos. Nada disto será novidade para ninguém, muito menos para quem os educa.
Nota-se que há uma maior preocupação com a aparência entre as raparigas. Uma certa vaidade para captar a atenção do maior número de rapazes e/ou simplesmente por uma questão de integração no grupo. Percebo que já não basta idolatrar os actores dos “Morangos”, há que agir como eles.
Vou ser saudosista: no meu tempo, por estas idades, não me recordo de haver este tipo de pressão com a imagem que se passava para o exterior. Havia, sempre houve, grupos e também era “fixe” fazer parte deles. Mas era uma “cena” mais despreocupada, mais infantil. Com o grunge na berra quem é que tinha tempo para se preocupar em ser muito sexy? Não tínhamos novelas descartáveis mas tínhamos uma MTV cheia de ideais saltitantes. Mas porra: ter sex appeal aos 14 anos? Chega-se aos 25 com vontade de ter netos, não?
Esta ansiedade de querer viver muito para além da idade real, também se reflecte no excesso de consumismo destes jovens. Os bens materiais a que hoje em dia os adolescentes das classes média e alta têm acesso, são lhes demasiado facilitados pelos pais. Um i-pod, umas jeans da salsa ou da timberland, o último modelo de telemóvel, uma acelera nova, ... Tudo parece-me facilmente atingível, sem qualquer esforço e sem qualquer contrapartida - que lição de vida um adolescente pode retirar daqui?
Os pais, descartando das suas principais funções enquanto progenitores, limitam-se a pagar. Isso salvar-lhes-á da (má) consciência de serem uns educadores cada vez mais ausentes.
Mais grave que se criar uma geração de putos e “pitas” exageradamente mimados e remediadamente amados, é perceber como se encara, presentemente, uma família. Já não se olha para uma família como uma forma de obter amor e carinho. Quando os pais comprometem-se a fazer horas extraordinárias só para pagar a viagem a Palma de Maiorca da sua filha adolescente que assim o exigiu, sob pena de fazer uma birra ou sentir-se excluída do clã lá da escola, concluo que há algo nestes novos modelos familiares que parece-me estar a descambar. Retiro, igualmente, um saldo final negativo: mais trabalho, mais ausência, menos partilhas, menos afectos.
Nas classes mais baixas, o saldo pode não ser melhor, já que a ênfase dada aos bens materiais é tanta que quando as pessoas não os têm, ou não os conseguem de qualquer forma obter, sentem-se uns falhados.
No fundo, ter um filho é uma imensa responsabilidade e, acho, mas posso estar inteiramente errado, que as pessoas têm filhos numa idade de ligeira irresponsabilidade.

segunda-feira, maio 26, 2008

Toca a engordar!


Pela noite dentro, a TVI lembrou-se de pôr a apresentar, num daqueles programas com quebra-cabeças virtuais que vão chulando até ao tutano os saldos de telemóveis de qualquer estouvado com insónias, uma “bonita” jovem nortenha. Algumas parecenças com a escritora Margarida Rebelo Pinto são notórias. Mas é a sua constrangedora magreza extrema que salta mais à vista.


Qual é a ideia do canal de Queluz ao colocar alguém nestas condições em frente de uma câmara? Fazer com que sintamos uma certa caridadezinha perante uma escanzelada com ar de que não come nada há mais de uma semana e ligar-lhe, dizer-lhe qualquer coisa - que aparentemente estaria certo, mas por questões de rentabilidade do programa estará obviamente errado - só para lhe matar a “fome”. Para depois, gentilmente, ela agradecer: “Ohhh ainda não foi deista...!”.

Os combustíveis, as alternativas, o apocalipse e um (des)governo

Tendo em conta que as pessoas mantêm as suas vidas comodistas, continuam a entupir todas as manhãs as principais vias de acesso de Lisboa (e, suponho, do Porto), e não usam os transportes públicos ou meios de deslocação mais alternativos, saudáveis e ecológicos, como se tem sugerido (um exemplo: a bicicleta), há quem diga que os preços dos combustíveis ainda não estão suficientemente caros! Só que, convém relembrar:
- Portugal não é Lisboa (e Porto) – pois certamente haverá pequenos negócios na província em risco de colapso caso os preços dos combustíveis não parem de aumentar, e, já agora, que culpa terá alguém que more na Carraspalheira de Baixo que outra pessoa, morando nos arredores da capital, lhe apeteça levar o carro todos os dia para o centro da cidade?... ;
- Que a maioria dos transportes públicos também necessitam de gasóleo para andar e já se fala em aumentos mínimos de 6% a muito curto prazo no preço das viagens;
- E que, a não ser com o intuito de estarmos em forma para participar na próxima “volta a Portugal”, as vias que contornam as colinas de Lisboa são pouco recomendáveis para ciclistas inexperientes. Para além disso: como é que serão fundidas as peças para as bem-aventuradas bicicletas? A fornos alimentados a pedal? E os seus plásticos, como serão produzidos?
Para quem se julga indiferente e distante desta crise e ao contrário de tudo o que se possa pensar: esta descontrolável subida de preços do gasóleo e da gasolina afecta directa ou indirectamente muito mais pessoas e sectores do que se possa previamente imaginar.

Num mundo de certezas onde supostamente o petróleo está por um fio, diz-se que atingiu o pico de procura/oferta, que agora é sempre a descer e que vamos morrer todos se não passarmos a andar de bicicleta; mas, por outro lado, fala-se na exploração de novos e rentáveis campos petrolíferos no Brasil e na Venezuela e que os Russos encontraram recentemente uma fonte quase ilimitada desta energia fóssil a 40 mil pés abaixo do solo, fica-me uma dúvida: quem é que mais proveito tira das teorias apocalípticas que explicam uma crise petrolífera? O cidadão comum que vê o fim do mundo em cada notícia que anuncia a “novidade” que um bem natural é limitado ou os alarmistas/especuladores?
E o nosso Estado, em vez de regular a situação prefere limpar as suas mãos deste assunto e remeter a problemática para quem (como a Autoridade da Concorrência) não tem competências executivas e que pouco pode fazer pelo caso a não ser concluir o óbvio, ao mesmo tempo que vai aconselhando os seus concidadãos a passarem a usar energias alternativas. Portanto: o mesmo Estado fortemente empenhado em renovar o nosso parque automóvel, incentivando o abate de veículos velhos pela compra de novos e que, consequentemente, continua a arrecadar para os seus cofres uma bela quantia em impostos com o negócio da venda de carros, vem agora dizer que o melhor é passarmos a andar de bicicleta eléctrica. É de uma coerência!

sexta-feira, maio 23, 2008

60 aéreos

Só comecei a pensar nesta problemática quando a senhora da tesouraria do Governo Civil de Lisboa disse: “verde código verde”, ao mesmo tempo que me metia à frente um desses modernos aparelhos sem fios, que de há pouco tempo para cá invadiram a nossa “sociedade de consumo” – já esteve mais longe o dia em que um arrumador de carros me apresentará, em vez da sua bela naifa, um terminal de Multibanco assim que eu disser: “não tenho trocos”. 60 euros, informava-me ela e o mostrador de tal maquineta. A emissão de um Passaporte custa 60 euros em Portugal! Mas porquê ou para quê? Para pagar a simpatia e profissionalismo do funcionário que me manda colocar em frente de um monitor, sem explicar que vou ser fotografado, para além de que depois de ver e de não gostar do resultado, receber um seco: “Azar!”? O mesmo funcionário que me obriga a repetir meia dúzia de vezes a digitalização da minha assinatura só porque não é uma cópia integral da do Bilhete de Identidade? Ou será que o papel, onde a minha medíocre fotografia e a minha perfeita assinatura serão impressos, é banhado a ouro? Nada disto. É só o custo que se tem de suportar por querer fugir de um “país” que já está a ir ao meu bolso assim que saio de casa e meto a chave na ignição do meu carro. No fim ainda diz: “Ai queres-te ir embora? Então são mais 60 euros!”. “Verde código verde!”.

quarta-feira, maio 21, 2008

Bem, se esta é a cara...

Sob os desígnios da cruz

Apresento-vos Stress, o novo videoclip dos Justice. Visualmente é muito realista e polémico: ninguém escapa à violência gratuita de um grupo de jovens de um bairro dos subúrbios de Paris (inclusive o próprio grupo). "Cova da Moura? Isso é para meninos!". Musicalmente, como todo o restante disco “ † “, é chato e nem chega aos calcanhares de uns Daft Punk, ou mesmo de uns Boyz Noise.

terça-feira, maio 20, 2008

Perdidos

Estava aqui a ouvir alguns temas novos dos Coldplay e depois da surpresa - ainda estou para decidir se boa , se má - que é o single de avanço, estava a ficar "preocupado", pois ainda não tinha aparecido, neste leitor de mp3's, um tema assim mais xoninhas. Daqueles em que o Chris Martin dispensa os restantes elementos da banda e "limita-se" a cantar e a tocar piano. Até que apareceu o lost. (retirado daqui)
De repente, deu-me uma grande vontade de voltar a ouvir o Parachutes e o A rush of coiso.

quarta-feira, maio 14, 2008

Inutilidades

Duas semanas depois de um aumento e de a BP ter revelado que os seus lucros do primeiro trimestre cresceram mais de 60% face a igual período no ano passado: um novo aumento!

No entanto, no fórum da TSF esta manhã ouviu-se:

Presidente da APETRO (Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas): Não acredito que todas as gasolineiras tenham aumentado o mesmo e ao mesmo tempo.
Acredito que não saiba de TODAS, mas é muito fácil saber das 3 que detêm mais de 95% do mercado nacional. Se este senhor não sabe, quem saberá? Ninguém questionou, nem a jornalista.

Presidente do ACP (Automóvel Club de Portugal): A revolta popular vai ocorrer, mas eu não digo nada, nem vou incentivar.
Outro. Então para que precisamos do ACP? É só para pagar as quotas e mudar um pneu sem sujar as mãos? Ou é para defender os associados automobilistas e o sector automóvel quando eles mais necessitam?

Porno – Parte III – Algumas conclusões

O mainstream. Sempre que uma estrela porno inaugura uma megastore ou anuncia uma linha de profumes, ou aparece num programa de televisão, a gente do porno começa a dizer que o porno é “mainstream”, que o porno é o máximo, que o porno é fixe. Mas o porno nunca poderá sê-lo, em parte por causa da natureza contrária da forma. Para o porno se tornar “mainstream”, os seres humanos tinham de mudar.

A paródia do amor. O calor, é nessa direcção que o mercado nos leva: para o calor, a intensidade, uma ginástica frenética. Mais que isso, o porno, ao que parece, é uma paródia do amor. Por isso está a dirigir-se para os antípodas do amor, que são o ódio e a morte. “Estrangula-a!”
Nietzsche definiu as anedotas como epigramas sobre as mortes dos sentimentos. Por outras palavras, é típico que o criador da frase “as ratas são uma treta” não tenha a menor ideia de que com o que estaria a brincar. De qualquer forma, o porno está repleto de morte dos sentimentos.

O vício. Gore Vidal disse uma vez que o perigo da pornografia era de fazer com que quiséssemos ver mais pornografia; podendo mesmo fazer com que não quiséssemos fazer mais nada a não ser vermos pornografia.

A perversão. O porno serve o “perverso polimorfo”: o caos quase-infinito do desejo humano. Se ocultarmos uma perversão, mais cedo ou mais tarde o porno identifica-la-á. É melhor que tal não aconteça quando assistir a um filme sobre um tratador de porcos coprofágico – ou sobre um cangalheiro...

Portanto, o porno americano obedece ao mercado (e como poderia ser de outra maneira?), logo percebemos o que isto nos diz do porno. Mas o que é que nos diz sobre a América? E se a América é mais um mundo do que um país, o que é que nos diz sobre o mundo?

segunda-feira, maio 12, 2008

*Não esquecer*

Mais logo não perder a reportagem na TVI sobre os crimes passionais em Portugal. O amor possessivo tomado pela loucura extrema. “Se não és minha, não serás de mais ninguém”.
Diz que é uma espécie de best of do Correio da Manhã e 24 Horas em versão televisiva, portanto.

Porno – Parte II – Turn off the fucking camera!

O que é necessário ter para ser uma estrela porno? Precisa de ser um exibicionista. Precisa de ter uma vontade sexual feroz. Precisa de sofrer de “nostalgie de la boue” (literalmente “nostalgia da lama”: um prazer infantil, mesmo de bébé, nas funções primárias do corpo). E – provavelmente – precisa de um passado de destruição. Precisa também de não ter qualquer sentido de humor. As estrelas porno, apesar de representarem muito mal, são muito boas num determinado aspecto: conseguem manter uma cara séria. Mas a ausência de humor universal e institucionalizada é o verdadeiro cerne do porno.

Temptress tem 23 anos e é actriz de filmes de “soft” hardcore. Não parece tímida quando fala, mas tem um ar tímido. “Algumas raparigas ficam queimadas em nove meses ou um ano. Uma rapariguinha muito nova e doce de 18 anos assina um contrato com uma agência e faz cinco filmes na sua primeira semana. Cinco realizadores, cinco actores, cinco vezes cinco: recebe muitos telefonemas. Cem filmes em quatro meses. Deixa de ser uma cara nova e fresca. O valor dela começa a descer e deixa de receber telefonemas. E depois: “Ok, fazes sexo anal? Fazes sexo em grupo?” Depois ficam queimadas. Não recebem nenhum telefonema. As forças do mercado desta indústria consomem-nas”.

Chloe tem 29 anos, cabelos ruivos e uma cara terna e esperta. Tem corpo de bailarina: pernas fortes, um rabo musculado... E é actriz de pornografia bizarra.
“Batiam-me e sufocavam-me. Estava mesmo perturbada e não paravam. Continuavam a filmar. Consegue-se ouvir a minha voz no fundo a dizer, “desliguem a merda da câmara”, e continuavam”.
“Somos prostitutas... Há diferenças. Podemos escolher os nossos parceiros que são testados contra o HIV – um cliente não faz isso. Mas somos prostitutas: trocamos sexo por dinheiro”. “Tive dez doenças venérias diferentes durante o meu primeiro ano no meio. Por vezes quando fazemos cenas de rapariga com rapariga dizemos: “Querida acho que devias ir ao médico”. Recomendo-a um médico simpático (os outros tratam-nos abaixo de cão) e ela vem com a sua receitinha de Flagyll em doses múltiplas”.
A licença de trabalho de um actor ou de uma actriz porno é o seu teste de HIV mais recente. Há dois anos, começaram a surgir dúvidas em relação à licença de trabalho de Marc Wallice. Usava um laboratório nos arredores da cidade e parecia estar a manipular os resultados das análises. Quando o descobriram, a situação de Wallice era dramática. Fora acusado de infectar várias actrizes, acusação que negou.

domingo, maio 11, 2008

O leeeeiiite, senhor engenheeiro...


Senhor engenheiro: Blabla o leite agros light blabla...
Campónias com pronuncia de cascais: Senhor engenheiro, está mais magro...
Senhor engenheiro: Blabla...
Campónias com pronuncia de cascais: O leite senhor engenheiro, o leite!

AHAH! (a publicidade feita em portugal é tão divertida e original!)

Porno – Parte I: The pussies are bullshit

Lembram-se do DNA? Um extinto suplemento do DN. Era um leitor fiel, guardei várias edições e numa delas há uma grande reportagem sobre a pornografia americana. Trata-se de uma tradução de um artigo de Martin Amis, publicado na revista Talk. Recuo, então, ao ano de 2001, para recordar os interessantes testemunhos dos principais protagonistas deste negócio, que continua a render biliões – facto: no final dos anos 90, os americanos gastaram dez biliões de dólares por ano em sexo indirecto - e a levantar questões, que, em parte e por partes, passo a transcrever.

Stagliano, realizador. Com a cena vaginal, elaborou Stagliano, temos uma miúda a contorcer-se e a gemer. E o espectador com verdadeiro discernimento com certeza pensa: “Isto é a sério ou é tudo uma grande treta?” Com o sexo anal, por outro lado, a actriz é obrigada a produzir outro tipo de reacção mais gutural, mais animal. Ou segundo as palavras do realizador: “A personalidade dela tem que vir ao de cima. Queremos tipos que fodam mesmo bem e que façam com que as miúdas tenham um ar mais... viril”. Viril significa masculino; mais uma vez, Stagliano puxa do seu inglês mais sofisticado. Queremos que as raparigas nos mostrem “a sua testosterona”.
Mais à frente fala do conhecido actor e seu amigo Rocco Siffredi. “Fui o primeiro a filmar o Rocco. Juntos evoluímos para coisas mais duras. O Rocco começou a cuspir nas miúdas. Uma coisa forte, de domínio masculino, com as mulheres a serem levadas ao limite. Parece violência, mas não é. Quer dizer, o prazer e a dor são a mesma coisa, certo? O Rocco faz o que o mercado lhe manda. O que tem sucesso no mercado é a realidade”. Logo os olhos do cu (assholes) são uma realidade. E “as ratas (pussies) são uma treta (bullshit)”.