sexta-feira, novembro 07, 2008

A nossa vida é (naturalmente) dramática mas não precisa de ser assim tanto

Para algumas pessoas, paixão é sinónimo de insegurança levado ao ponto de questionar constantemente os sentimentos do outro ou de equiparar formas de demonstrar tal humano sentimento. A parte desestabilizadora desta questão começa quando este estado de instabilidade emocional passa a ser revelado por todo um grau de dramatismo que assusta qualquer um (directamente envolvido). Porque no fundo uma coisa é viver uma paixão séria, sem desconfianças constantes e tragédias eminentes, outra bem diferente é fazer disso a nossa própria novela da noite.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Ser maxo é... nunca desperdiçar escasso talento

Casar é que não. Era como ter os U2 a actuar todas as noites para a mesma pessoa!
in ZÉZÉ CAMARINHA - O último macho man português

Ser maxo é... escolher um bom inspirador

Espero que este meu testemunho sirva para inspirar todos aqueles que ainda gostam de mulheres.
in ZÉZÉ CAMARINHA - O último macho man português

Ser maxo é... deixá-las a subir pelas paredes

Final da noite e depois do Bananas fechar ela chega ao pé de mim e convida-me para um cafezinho em casa dela. As coisas estavam a mudar. Já era ela a querer a minha companhia. O meu esquema estava a resultar e, em breve, iria trazer-me resultados. Despedi-me de toda a gente e fui para casa dela. Cheguei à porta e dei a machadada final. Não quis subir. chama-se "técnica da negação", elas estão convencidas que são boas e que um gajo está pelo beicinho, e é quando lhes damos para trás. A bifa que não estava nada á espera fico muito admirada e perguntou-me se não gostava dela.
in ZÉZÉ CAMARINHA - O último macho man português

terça-feira, novembro 04, 2008

Be Shô See (versão 2008)


Só ontem tive a possibilidade de constatar que “Vip Manicure” (SIC) é a brejeirice do ano. Podia ficar-me pelos péssimos textos e cenários, mas nada supera o constrangimento de ver a Rueff debitar piadas revisteiras. O que podia ter por ali alguma piada, já foi mais que visto e revisto: imitação da Amy Winehouse decadente ou do travesti do "Finalmente". A interpelação aos VIP podia render também alguma coisa se estes tivessem um discurso mais natural. Não acontece, pelo contrário. A palhaçada é tanta que cheguei a temer que às tantas entrava, de rompante, cenário adentro a Marina Mota, o João Baião e meia dúzia de dançarinas semi-desnudas cheias de plumas. Enganei-me. Desta vez, foi só o José Castelo Branco.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Amor,

enquanto lia e relia as tuas palavras, acreditas que me identifiquei com elas? Numa outra perspectiva, mas sentimentalmente é algo que passa muito por aí, sim.
Vamos por partes. Primeiro caso, alguém que só dá notícias quando está só, triste ou aparece de relance no Telejornal, demonstra o óbvio: o desespero por uma auto-estima que já teve melhores dias e precisa da (com)paixão de outrem para a elevar. Estranhas os seus súbitos entusiasmos que dão, depois, lugar aos longos e estranhos silêncios? Não estranhes, linda, tudo isso é variável com os ciclos da auto-estima da pessoa em questão. Um diagnóstico semelhante pode-se apresentar ao outro caso. Um caso mais complicado, já que necessita de ti para muito mais que valorizar o seu ego. Esta última personagem precisa de uma razão para dar sentido à sua vida e relação monótonas e encontrou em ti um escape para tudo isso. Tudo isso, para além da atracção sexual para a qual não há explicação nem, aparentemente, grandes complicações, segundo me parece – os instintos não se explicam, vá lá, entendem-se.
Ficar na defensiva é uma opção, como tu até sugeres, desde que se tenha plena consciência do que se quer e do que se pode realmente obter. Se assim for, estamos conversados. Agora espero é que também saibas que não é fácil deixar de criar expectativas face às circunstâncias que descreveste, quando num dia nós podemos ser a melhor coisa do mundo, para no seguinte passarmos à frustração de uma nula existência – o problema disto está nas promessas poderem ser tão estupidamente provisórias e as palavras bonitas serem ditas de forma tão inconsciente!
A diferença abismal entre pessoas equilibradas e as que não são, está directamente relacionada com a consistência dos seus sentimentos e dos seus respectivos discursos. Portanto, a tarefa de entender estes “seres estranhos” que nos aparecem à frente, nesta vida, até é mais fácil que parece.
E perguntas tu, e muito bem, no fim: “onde entro eu nisto? Quem somos nós, então, nestes “filmes”? Pouco mais que meros figurantes. Pessoas de passagem em vidas desnorteadas, complexas e confusas. E, sinceramente, amor, nós merecemos muito mais que isso.
(Respondi por aqui porque sei que me lês e porque quero revelar publicamente a minha tentativa de ser um bom conselheiro, mesmo tendo a plena consciência que estou longe de o ser, de alguém que adoro. E porque como ninguém está imune a relacionamentos destes, nada como partilhá-los para que a identificação seja o melhor remédio.)

sexta-feira, outubro 31, 2008

quarta-feira, outubro 29, 2008

Comentários, where are uuu?

Aos "inúmeros" comentadores deste blogue, peço desculpas em nome do blogger, pois não sei onde foram parar as vossas mais recentes intervenções. Todos comentários foram por mim aprovados mas não foram, sabe-se lá porquê, publicados.
Tudo isto porque julguei que a moderação era o melhor remédio para "bocas imberbes". Julguei mal. Portanto, o melhor é isto continuar livre e à vontade do freguês, como dantes.
Se alguém tiver vontade, boa memória e mais nada para fazer que reescrever tudo de novo, eu até ficar-lhes-ia eternamente grato. Imaginem.

Se este mundo não é infinitamente injusto vou ali só dar a volta ao mundo em executiva e já venho.

Uma viagem de avião nunca é uma experiência monótona. Que diga um amigo que, segundo ele, teve relações sexuais com uma desconhecida a bordo de um. Tendo um alto cargo numa empresa pública, ele viaja sempre em executiva e desta vez consta que a sorte, em forma de Afrodite, lhe veio sentar mesmo ao lado. Trocaram poucas palavras ao longo das primeiras horas de viagem, mas sentiu uma certa atracção mútua desde do primeiro momento em que cruzaram olhares. Foi só no período nocturno, quando reinava um silêncio, unicamente cortado pelo barulho dos motores do avião, que tudo aconteceu. Um ambiente muito pouco iluminado e aconchegado pelos cobertores, que aqueciam-lhes os corpos, também ajudou a proporcionar os primeiros toques. Abstraíram-se de tudo à volta e deixaram ser conduzidos pelos desejos. Aparentemente até às últimas consequências. “Fizemos tudo”. “Tudo?” - ainda questionei perplexo. Não quis ser muito curioso, mas mantive a minha cara de espanto face a tanta audácia. “Já viajaste em executiva em aviões de longo curso? Temos mais privacidade que numa praia deserta!” Achei interessante a comparação e fiquei a pensar na eventualidade de tal poder vir a acontecer nas minhas viagens. Face ao meu humilde estatuto, surge-me logo um obstáculo incontornável: só viajo em classe turística. Fico frustrado, desconheço todo aquele intrigante mundo que se fecha literalmente sobre cortinas e já percebi que tem muito mais potencial que o meu. As imagens que fico das minhas mais recentes experiências aéreas são desinteressantes. Bom há sempre alguém que se recusa colocar o cinto de segurança na altura da descolagem, ou que se levanta do lugar antes de se ter dado ordem para tal, alguém que atende o telemóvel, etc., qualquer coisa estúpida para contornar a rotina. Mas de resto só vejo um avião apinhado de pessoas, sentados em lugares desconfortáveis e com um limitadíssimo espaço para esticar qualquer um dos membros. Sinceramente, perante esta situação, aqui também não falta calor humano. Mas é daquele que vem em doses exageradas e muito pouco excitantes. (Mas para os fãs deixo uma dica mais em conta: Metro em hora de ponta!)
Resumindo, um azar nunca vem só. Um pobre para além de não bastar sê-lo, tem muito menos possibilidades de prevaricar com estilo.

terça-feira, outubro 28, 2008

O Correio da Manhã tem ainda tanto que aprender

What will St Bono's wife say about him partying with two teenage girls?





Se o gajo comeu-as ou não pouco interessa, o importante é saber o que a esposa de um family man and anti-poverty campaigner pensa das suas brincadeiras com duas teenagers num yacht Cyan, £12million, 140ft with six cabins...


sábado, outubro 25, 2008

Tipo de colegas: agente da Bimby

Tenho uma colega que é agente da Bimby. Já passou a fase da tentativa de impingir a toda a gente a máquina doméstica que faz tudo menos aspirar, passar a ferro e pouco mais. Agora fala a toda a hora do que consegue fazer com aquilo. Gelados, arroz de pato, bolo de chocolate, pão de 632 cereais, caipirinhas, sopa de meloa, creme anti-rugas, Já conseguiu converter um terço do escritório em “bimbalhões” e é essa a má notícia: eles estão a propagar-se.
Acredito nos magníficos resultados que este milagroso electrodoméstico possa produzir, pois já o vi funcionar in loco. No entanto também já me apercebi que algumas pessoas assim que se adaptam a ele, perdem algumas das mais básicas capacidades humanas. Ainda esta semana a “coleguinha”, desabafa o seu desespero na busca pela internet de uma receita bimby para fazer um cozido à portuguesa. Perguntei-lhe: “Por acaso sabes o que é um tacho? Esse utensílio doméstico que dá para ferver água e meter uma série de alimentos lá para dentro?”

quarta-feira, outubro 22, 2008

Escafodeu-se em sessenta e tal segundos!

Há um filme português que ainda nem sequer tem data de estreia anunciada mas que já causa alguma polémica. O 100volta tem tudo para ser um sucesso comercial, mesmo que seja uma cópia descarada e, aparentemente, amadora de um outro “produto” americano e mesmo que tecnicamente seja desastroso. Segundo o seu sítio, tudo isto, oficialmente patrocinado pelo ICA!
O que nos é apresentado aqui é um gajo armado em realizador, com muitos amigos, meia dúzia de trocos e tempo a mais entre as mãos - o que não seria mau noutras circunstâncias e se ele se esforçasse para arranjar uma boa equipa técnica para o ajudar. Isto é qualidade youtube, coisa que os padres amaros, sortes nulas e conversas da treta, pelo menos, não eram.
É óbvio que o ICA não deve financiar só um cinema erudito e intelectual. Pode e deve apostar em cinema independente, de autor, de entretenimento esclarecido ou imberbe; pois se é isso que a maioria gosta de ver em cinema: consuma-se o que é nosso. Acho que deve é haver limites. E o mínimo pedido aqui era ter uma noção do que é fazer um filme em condições, por mais descomprometido que ele possa ser.
Do argumento deste projecto retiro um aspecto que me agrada bastante, que espero não ser falacioso: a caracterização dos personagens tipicamente portuguesas. Se não aprendemos nada por aqui, pelo menos divertimo-nos com um chico-espertismo bem declarado, por exemplo. (Já não me agrada tanto a “pornografia” gratuita, que tem vindo a ser um cliché nesta nova geração de cinema português, mas isso já é outra conversa.)

segunda-feira, outubro 20, 2008

Poder da imagem VS Poder da palavra

“Gomorra” já estreou por cá há várias semanas, mas só hoje me apeteceu falar dele. Não que ele não tivesse merecido qualquer referência antes, pelo contrário: estamos perante um dos melhores filmes deste ano.
Para além de tudo o que se pode ver em “Gomorra”, fica sobretudo a ideia do “glamour” mafioso levado ao extremo - que o cinema do passado ajudou a sustentar - junto de algumas comunidades em Nápoles ou na Sicília. Um “glamour” orgulhosamente copiado e retratado por algumas personagens deste filme. É por isso que este filme revela e reforça o poder da imagem. Sobretudo depois de termos ficado a saber que ele é inspirado num livro, com o mesmo nome, cujo autor recebeu várias ameaças de morte e por tal reside em local secreto, vigiado por uma escolta policial permanente. Contrapondo com o facto de o realizador que transpôs a obra para cinema, para além de não ter recebido qualquer forma de contestação, ter sido muito bem recebido pela povoação retratada na história (do livro, ou do filme).
Não dá que pensar quando um ser humano numa expressão artística revê-se como um assassino e noutra como um herói?

quarta-feira, outubro 15, 2008

Disco do dia

É, basicamente, uma merda. Todos os anos fazem um disco praticamente igual ao do ano anterior, a música é a mesma, só mudam as letras. Criatividade? Evolução? Alguém lhes mostre o último trabalho dos Boris ou de Buraka, por favor.
E nem vou comentar aquelas fonts da capa...

quarta-feira, outubro 08, 2008

Crise? Crise é vender-se apartamentos sem jacuzzi no quarto, pá!

RTP1, hoje, 21:00: As Casas da Crise - Muitos portugueses estão a sentir grandes dificuldades em vender as suas casas. A súbida das taxas de juro, o fim do crédito bonificado, as avaliações feitas por baixo e as limitações de concessão de crédito fez com que o mercado imobiliário para a habitação esteja a viver um forte momento de crise. Pelo contrário, o segmento de luxo continua a ser comercializado ainda na fase de planta.

Por exemplo, aqui pela linha, no Estoril Sol Residence, o condomínio de luxo que só vai começar a ser construído no início do próximo ano, já se venderam mais de 60% dos apartamentos. (Ah, uma "casinha" destas pode custar 8,7 milhões de euros.)
O sucesso de vendas está a ser tal que a imobiliária considera a possibilidade de aumentar os preços – que são valores de pré-construção e que têm em conta o facto de os apartamentos só estarem prontos a habitar em 2010. Por enquanto, ainda se pode comprar T2 por valores entre um milhão e os 1,5 milhões de euros ou T4 por entre 2 e 2,5 milhões de euros. Isto só nos andares mais baixos das torres – onde vai ficar a criadagem e os pobrezinhos, portanto. À medida que se sobe, o preço também aumenta, até aos tais 8,7 milhões: apartamento mais caro actualmente disponível. Havia um outro mais caro, mas a imobiliária não quis revelar o preço por já ter sido vendido.

terça-feira, outubro 07, 2008

doclisboa 2008 II

Este festival tem uma secção chamada Novas famílias, novas identidades. E sobre isto, especificamente, a sua organização diz:
Os padrões jurídicos que definem a família, o casamento, a identidade e o género sofreram alterações significativas nas últimas décadas em diversos países do mundo ocidental. Hoje a família não tem necessariamente por único modelo «o presépio», com as suas hierarquias tradicionais. A família, a identidade e a definição de género conquistaram publicamente parâmetros mais largos (que sempre existiram a nível minoritário), e permitem novas formas de liberdade. Esta transformação dos costumes é muitas vezes razão de confronto e dá origem a uma abundante produção documental, particularmente rica em testemunhos e material para reflexão.
Tudo certo, excepto o que está a bold. São conceitos distintos, que, aqui, não fazem qualquer sentido aparecerem separados. Como não vamos ver nenhuns seres extraterrestres nem uma nova espécie sobrehumana como estas “novas identidades” parecem querer sugerir, logo o que se aborda por aqui são só: identidades de género. Parece-me claro, não?
Pois bem, a não perder há:


17 OUT. 15.00 –São Jorge (sala 3) 26 OUT. 11.00 –São Jorge (sala 3)
Be Like Others
de Tanaz Eshaghian
74´ Irão/Canadá/Reino Unido/EUA 2008
Documentário inquietante que acompanha ao longo de mais de um ano as operações de mudança de sexo numa importante clínica do Irão, e apresenta a posição dos médicos, dos pacientes e do Estado. Be Like Others revela-nos uma geração de jovens iranianos “diagnosticados” como transexuais num país que financia a mudança de sexo, mas condena os homossexuais à pena de morte.

18 OUT. 15.00 – São Jorge (sala 3) 26 OUT. 17.00 – São Jorge (sala 3)
My Mums Used to Be Men
de Julie Beanland
57´ Reino Unido 2005
Primeiro, o pai de Louise chamava-se Brian, só após a operação de mudança de sexo passou a chamar-se Sarah: é agora a mãe. O companheiro de Brian, um camionista chamado Lee, também fez uma operação de mudança de sexo e chama-se Kate: é hoje a OUT.a mãe de Louise. Não há razões para ficarmos confusos: desde que as notícias desta invulgar família estalaram em todos os tablóides ingleses (que a nomearam como “a mais estranha família britânica”), Louise tem sido alvo de várias troças e provocações na escola. Ela não se esconde e está determinada a provar que, se os OUT.os os deixarem em paz, têm tudo para ser felizes.

18 OUT. 17.00 –São Jorge (sala 3) 26 OUT. 19.00 –São Jorge (sala 3)
Kenia and Her Family
de Llorenç Soler
55´Espanha 2005
Um documentário que retrata a experiência de um casal de mulheres na Catalunha, Julia e Aida, que decidiram ter um filho. Depois de quatro tentativas de inseminação artificial falhadas, o casal decide procurar junto de um grupo de amigos o pai biológico da criança. À primeira tentativa, Júlia consegue ficar grávida. Ao longo de mais de um ano, seguimos a organização desta nova família alargada, que inclui não apenas as duas mães e suas respectivas famílias, mas também o pai biológico, o seu marido e outros grandes amigos. À recém-nascida, Kenia não parece faltar carinho.

18 OUT. 19.00 –São Jorge (sala 3) 26 OUT. 21.30 – São Jorge (sala 3)
Louise, Her Father, Her Mothers, Her Brother and Her Sisters
de Stéphane Mercúrio e Catherine Sinet
56´ França 2004
Durante um barulhento e divertido jantar, observamos uma família parisiense sentada à mesa. A família de Louise é composta pelo pai, por duas mães, pela mulher do pai, por um irmão e duas irmãs. Françoise e Gérard estão apaixonados há 44 anos e têm três filhos. Já Sybille e Sylviane amam-se há cerca de 23 anos. Como estas pretendiam ter um filho, resolveram pedir à amiga Françoise que lhes emprestasse Gérard, o marido. E ela aceitou.

doclisboa 2008

Disse, por alturas do anúncio do grande vencedor de Sundance da edição deste ano, e repito: o cinema documentário está em verdadeira expansão e já merecia o mesmo destaque e exposição que qualquer outra categoria cinematográfica mais comercial. São películas que, não ficando presas a enredos e a personagens estereotipadas, revela-nos o que de mais puro pode existir em matéria de sétima arte. Tudo isto a propósito do 6º Festival Internacional de Cinema Documental que vai decorrer na capital, entre o dia 16 e 26 deste mês. Segue-se alguns destaques.


17 OUT. 16.30 – Culturgest (grande auditório) 19 OUT. 16.00 - Londres (sala 2) 25 OUT. 21.30 - Museu do Oriente
Mum (Mama)
de Zhang Yuan
90´ China 1990
Primeira longa-metragem de Zhang Yuan, Mama foi também o primeiro filme independente a ser produzido na China desde 1949, realizado com a ajuda de amigos do realizador e revelando desde o início o apetite do cineasta por temas controversos da sociedade chinesa. Uma obra que se concentra na relação entre uma mãe solteira e o seu filho deficiente com 11 anos no cenário de algumas escolas e instituições especiais de apoio a crianças diminuídas. “Mama” combina ficção com documentário de modo a melhor revelar a realidade social das personagens.



17 OUT. 18.00 - Londres (sala 2) 20 OUT. 23.00 – Culturgest (grande auditório)
O Segredo
de Edgar Feldman
25´ Portugal 2008
António Dias Lourenço, hoje com 94 anos, comunista, relembra os anos de encarceramento no Forte de Peniche, durante a ditadura fascista em Portugal, focando-se no episódio da sua evasão em 1954. É essa fuga, de uma coragem física notável, que o filme pretende mostrar. Percorrendo a velha cadeia de alta segurança e o que resta do antigo edifício, Dias Lourenço evoca as peripécias pelas quais passou para se evadir e mostra algumas das salas onde ele e os seus camaradas viviam diariamente. Foi depois de ter sido castigado a um mês de “segredo” (um cubículo sem luz destinado às piores reprimendas) que resolveu engendrar uma das mais bem sucedidas e espectaculares fugas.


O Adeus à Brisa

de Possidónio Cachapa
55´ Portugal 2008
Um homem fala sobre o seu passado, que se confunde com o da História do seu país. Num discurso comovente, evoca a luta pela liberdade e a sua crença nas revoluções e na supremacia da Beleza. Sentado na sua sala, Urbano Tavares Rodrigues mantém-se o escritor, o resistente, o que acredita no melhor do Homem. E se as coisas em que acreditou nem sempre lhe corresponderam foi porque ainda não tinha chegado o tempo certo. Mas vai haver um mundo novo. Vai haver. No meio do Tempo, Urbano reflecte, enquanto a brisa do sul não cessa de soprar.
20 OUT. 21.30 - Museu do Oriente 23 OUT. 16.00 - Londres (sala 2) 24 OUT. 16.15 – Culturgest (pequeno auditório)
A Day to Remember
de Liu Wei
13´China 2005
Estamos no dia 4 de Junho de 2005 e o cineasta Liu Wei pega na câmara de filmar em direcção à Praça Tiananmen e à Universidade de Pequim com uma pergunta na cabeça: que dia é hoje? À medida que coloca esta questão às várias pessoas com que se cruza, confronta-se com respostas evasivas e a recusa da maioria em relembrar os protestos estudantis de há 16 anos atrás. Muitos afirmam desconhecer os acontecimentos e afastam-se rapidamente, outros limitam-se a olhar para a câmara. A Day to Remember reflecte o mutismo inquieto em que a memória do dia 4 de Junho caiu e como a revolta desse tempo se mantém ainda hoje um tema proibido na China.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Uma solução: a exportação de diamantes (negros)

Consta que o número de pedidos de pré-compra de "Black Diamond" (o novo disco dos Buraka) foi tão elevado que nenhum CD chegou às lojas na segunda-feira, como tinha sido inicialmente anunciado. Ainda esta quinta, em princípio, vai ser posta à venda a 2ª edição.
Parabéns aos mitras mais internacionais da buraca! Stilo meu é q'é puro dam' recent nu kuduro! ;)
E boa viagem!




sexta-feira, setembro 26, 2008

Quando os nosso medos são um entrave à felicidade dos outros

Como diz e bem um amigo meu, esta questão da adopção de crianças por casais do mesmo sexo resume-se a isto: os homens têm um medo natural de gostar de apanhar no cu e por tal nunca conseguirão ser imparciais em relação às causas gays. :D
Temos milhares de exemplos de famílias heterossexuais da treta, com abuso sexual, violentação, violação, terror psíquico, abandono, discussões diárias entre pai e mãe, o que quiserem, mas o horror(!): pôr uma criança nas mãos de um casal de tipos que gostam de saltar ao pacote um do outro é o fim da humanidade! Vão ficar todos paneleiros!
O terror que se instala nas pessoas quando se fala deste assunto chega a ser caricato - e demonstra o profundo machismo em que vivemos, entranhado até ao ridículo. Se é este o preconceito ou o medo que existe face a toda uma orientação sexual, imagine-se os receios que esta gente tem quando são confrontadas com a hipótese de alguém com essa orientação poder vir a adoptar uma criança. Seguem-se os três argumentos mais comummente utilizados. E no fim, questionemo-nos todos: o que mais interessa a uma sociedade civilizada? Que as suas crianças cresçam saudavelmente num lar onde dois seres lhes possam dar carinho e estabilidade ou dar a palavra a um preconceito ou a um medo perverso?

Os modelos, onde estão? O que é hoje em dia ser feminino ou masculino? Subir a árvores é masculino? Fazer bordados é feminino? Onde, quando, como e porquê? Masculino e feminino são modelos comportamentais estanques, que não evoluem? Uma criança precisa de amor e meia dúzia de regras (acordar, comer a horas, tomar banho, perceber que não se atira os playmobils à cabeça do gajo porreiro que lhes faz o jantar, etc). Modelos? Com certeza, de comportamento. Porque quanto ao resto os genes fazem a diferença. Um rapazola de 4 anos heterossexual é um rapazola de 4 anos heterossexual. Vai querer lutas e saltar obstáculos que são grandes demais para ele e ser fanfarrão sem limites. E os pais, sendo gays, vão contrariá-lo e po-lo nas aulas de ballet, é isso?

A sociedade não está preparada. Se isto serve de desculpa para alguma coisa, servirá igualmente para considerar que o 25 de Abril foi um enorme erro porque a população não estava preparada para ser livre. Há coisas para a qual a sociedade não se prepara antes, adapta-se depois

Na escola, os colegas, iriam discriminá-lo. Os putos gozam com os outros e fazem a vida negra uns aos outros por tudo e por nada. Por serem gordos, por usarem óculos, por terem borbulhas, por não terem roupa de marca, não gostarem das bandas de que é cool gostar ou não terem o telemóvel da moda. Melhor ou pior, todos sobrevivemos a isso. Principalmente se tivermos um bom suporte emocional. É esse também o papel da família, dar esse suporte. E isso não depende do sexo dos pais.
Ou seja: há sempre uma razão para as crianças discriminarem-se entre si, há sempre uma razão para sofrer com uma merda qualquer. E há quem se ponha a jeito e quem se defenda. Por norma, defende-se aquele a quem foi dado amor e que foi ensinado a dar a volta a essas situações. E esse tanto pode ser filho de um casal hetero ou gay.

Computer says nooooo!

Os EUA continuam a importar o melhor humor britânico e a adaptá-lo às suas realidades. Por vezes o resultado pode ser catastrófico, mas também pode ser genial. Como diria aVicky: ye, no, ye, no, ye, no, bu... Depois do The Office, é a vez de Little Britain. Algumas amostras por aqui.

terça-feira, setembro 23, 2008

Voting is power!

Com um orçamento de cerca de 2 milhões de dólares, o “documentário online” «Slacker Uprising», de Michael Moore, levou o realizador, em 2004, a percorrer 62 cidades dos estados mais incertos nas eleições norte-americanos, os chamados “swing states”, onde as previsões quase nunca acertam em quem vai ganhar, para tentar convencer os jovens que não pretendiam votar a irem às urnas.

Estreia, supostamente, hoje e o respectivo download gratuito pode ser feito aqui. Mesmo a tempo!

Voltei a acreditar no Senhor


Ne-yo é uma referência no mundo RnB. Mesmo reconhecendo a ingenuidade das suas letras, deixei-me encantar com o seu tom meloso em algumas músicas do seu primeiro disco. Quem não se lembra de So Sick ou Sexy Love? Depois de um segundo disco mais fraquito, volta a surpreender com este “The Year of Gentlement”. “Closer” não me entusiasma por aí além mas depois de ouvir, entre outros temas, “Miss Independent”* recuperei a minha fé. Este pode mesmo ser o ano do senhor. Deste senhor. O Timberlake que se cuide, portanto.


*(…) Ooh there's something about kinda woman that can do it for herself
I look at her and it makes me proud, there's something about her
there something ooh so sexy about the kinda woman that dont even need my help
She says she got it, she got it, no doubt, there's something about her (…)

segunda-feira, setembro 22, 2008

instante II

- Eu teria aceitado, sabes? Se quisesses que eu o fizesse, tê-lo-ia feito. Tu querias?
Rui percebeu nessa altura porque resistira à tentação: não por amor, mas por estar a ser testado, por estar a passar por um teste que não poderia ter dignificado com uma resposta.
- Feito o quê? – perguntou, fingindo alguma inocência.
- Aquela mulher... Queria ir para a cama connosco. Deves ter percebido. Eu, pessoalmente, não queria, mas estava disposta a fazê-lo por ti.
- Porquê?
- Acho que não te conheço suficientemente bem. Não sei se não será o género de coisas que gostas de fazer. Se é, estou disposta a tentar.
Embora nesse preciso momento acreditasse que Helena estava a dizer, Rui reconheceu o perigo de ser honesto com ela e, por amor, mentiu e disse:
- Sabes bem que só te quero a ti.
Mal acabou de falar, apercebeu nela um férmito causado pelo prazer e pelo alívio que tais palavras lhe proporcionaram.
Aprendeu com Helena que, por muito que se consiga sendo honesto, consegue-se o dobro sendo ambíguo. Aprendeu que o amor dela assentava numa falsa interpretação do seu carácter e que, se quisesse mantê-lo, teria de manter o seu carácter indecifrável. Talvez não fosse uma solução para uma relação que duraria mais de vinte anos, mas na altura não estava a pensar em termos de futuro. Estava a pensar apenas no presente, no qual a sua necessidade mais premente era estar constantemente na companhia dela e em que teria sido capaz de assumir qualquer compromisso para atingir esse objectivo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

O processo de recrutamento mais rápido de sempre?

A Autoridade da Concorrência tomou hoje de assalto a secção de anúncios do site do Expresso. Logo de manhã estavam por lá, pelo menos, três (com data de hoje) a pedir Economistas com média superior a 14 valores - alguém que me convença de que este pode ser o melhor indicador para ter algumas esperanças que os que aí vêm possam fazer um trabalhinho mais convincente que os que já lá estão, por favor. Entretanto os anúncios, subitamente, "desapareceram". Com esta rapidez a recrutar pessoal alguém ainda se admira quando apresentam conclusões "inconclusivas"?

quarta-feira, setembro 17, 2008

Problemas

Hoje vi novamente o "Fui infiel, dou porrada na minha mulher, gosto tanto dos meus filhos como o Cláudio Ramos gosta de patarecas e os meus princípios fazem corar o Paulo Portas", da SIC, só para não ser apanhado desprevenido amanhã no escritório. Pois aposto que, de todas as confissões do merceeiro de Gondomar, aquela que vai ser tema de conversa do pequeno-almoço, será a que ele aceitaria manter relações homossexuais por 250.000 euros. Sim, porque a questão da pluralidade sexual é um "problema" bem mais pertinente que o da violência doméstica, por exemplo, e urge ser debatido entre uma meia de leite e um croissant misto.

segunda-feira, setembro 15, 2008

“Para que preciso de um homem?”

Se precisas de um homem para foder, só necessitarás que ele te saiba foder ou, vá lá, dê prazer. Sobretudo isso. Para tudo o resto, necessitarás de respeito. Não sendo isto sinónimo de permanente desconfiança, levado ao extremo da obsessão pela fatídica busca de uma prova de infidelidade. Isso é muito deprimente e estupidificante. E, já agora, para quê tanto trabalho quando os sinais desse respeito (ou falta dele) obtêm-se nas mais básicas acções do dia-a-dia (ou na ausência delas).
Uma mulher precisou de vir a um programa de televisão para confirmar que o seu legítimo esposo não a respeitava. Para que lhe serviu toda essa humilhação pública quando ele já tinha anteriormente dado provas suficientes de uma certa insegurança?
“Um homem daqueles? Inseguro?” Poucas pessoas estarão dispostas a admitir que é apenas através de desgostos que infligem aos outros que sabem que são amados.
“Ah, um homem para se sentir seguro precisa de se sentir amado!”.

Mau gosto



Aquelas sandálias...

sexta-feira, setembro 12, 2008

A alguém muito especial dedico-lhe:

isto*.
(Mesmo que uma música new age substitua os "diálogos", a química está lá. Todinha.)

quarta-feira, setembro 10, 2008

O momendo da aldrabice

Quero acreditar que uma jovem rapariga, num novo concurso da SIC apresentado por Teresa Guilherme, depois de ouvir da boca do marido a confissão de que a acha aborrecida e que aquele manteve relações sexuais sem preservativo com n raparigas desde que casou, diga que ainda acredita convictamente no seu casamento, não passe de uma actriz. Quero acreditar.

terça-feira, setembro 09, 2008

instante

Numa noite destas Rui e André abordaram duas raparigas de Lisboa de rostos semelhantes que, procurando livrar-se de uma multidão de bêbados, iam a sair de um bar. Tratava-se de Helena e da sua irmã. Saltando de assunto em assunto, mas com todos eles a irem dar ao mesmo, acabaram os quatro no quarto de pensão das raparigas, com André a copular com Helena numa das camas e Rui a fornicar com a irmã dela na outra, a menos de um metro de distância. Já nesse momento Helena o amava e talvez por isso tenha escolhido André. Temia a força com que Rui a atraía e o seu instinto dizia-lhe que, logo que se deixasse engolir por esse desejo, jamais conseguiria fugir-lhe, o que acabou por ser verdade. E, embora nunca mais tivessem falado disso, a primeira lembrança que Helena guardava de Rui era a imagem, os sons e cheiro dele enquanto dava prazer à irmã, ao mesmo tempo que ela aturava as tentativas desastradas e os gemidos de André. Este espetáculo viria a persegui-la para sempre.
Na manhã seguinte Rui já não sabia ao certo com qual das raparigas tinha dormido, mas a irmã de Helena estava no duche e André fora à rua comprar qualquer coisa para curar a ressaca, deixando-o sozinho com Helena. Nesse momento ela olhou para ele de uma certa maneira, ele correspondeu-lhe e, passado uns meses, casaram-se. É evidente que houve muitas conversas, muito sexo e muitos passeios sentimentais entre o Porto e Lisboa nesse pequeno intervalo, mas as raízes residiram naquela troca de olhares naquele quarto rasca de uma pensão. A verdade é que, quer se dê por isso, quer não, reconhecemos os nossos parceiros no momento em que nos aparecem à frente e, depois, submetemo-nos quase sempre a tudo o que de inevitável se segue e chamamo-lhes amor.

Ainda faz sentido odiar Oasis em 2008?

Parece que sim.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Mega-post

O jornalismo do espectáculo, que acompanha o ritmo da televisão e tende a ser obsessivo, que não tem autonomia e que está vulnerável a todo o tipo de manipulações, é um dos fenómenos mais perigosos das democracias modernas. As nossas sociedades estão dependentes de jornalistas frágeis perante as fontes e perante a construção de discursos hegemónicos, sem capacidade de investigar e presos à lógica do entretenimento. Tendo um poder imenso, os jornalistas não têm, na realidade, poder nenhum. Manipulam consciências, sem terem poder sobre a agenda que impõem. São, por isso mesmo, manipuladores manipulados.
Ler o resto aqui.

terça-feira, setembro 02, 2008

E por falar em músicas de verão...

Os AC/DC regressam este mês com uma malha, basicamente, igualzinha a todas as outras que já fizeram até à data. No entanto estava aqui a ouvir este "rock n'roll train" e já me estava a imaginar a caminho da costa alentejana, com esta música no ar e encantado por ir desfrutar umas mini-mais-que-merecidas-férias. Posso até estar já a sonhar acordado mas que isto vai acontecer daqui a umas horas, lá isso vai.
Assim que houver condições e tempo (claro), darei notícias lá de baixo. Nem que seja para dizer que a costa vicentina tem as praias mais bonitas deste país.

segunda-feira, setembro 01, 2008

If is "just human nature" why u are so confused?

This was never the way I planned
Not my intention
I got so brave, drink in hand
Lost my discretion
It's not what, I'm used to
Just wanna try you on
I'm curious for you
Caught my attention

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chapstick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

No, I don't even know your name
It doesn't matter
Your my experimental game
Just human nature
It's not what good girls do
Not how they should behave
My head gets so confused
Hard to obey

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chapstick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

Us girls we are so magical
Soft skin, red lips, so kissable
Hard to resist so touchable
Too good to deny it
Ain't no big deal, it's innocent

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chapstick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

I kissed a girl, Kate Perry

quinta-feira, agosto 28, 2008

A jornalista omnipresente

Quem desperta diariamente com a manhã informativa da RTP1, por ali entre o “bom português” e o “minuto verde”, nunca pode deixar de se deleitar com as “excitantes” reportagens da Carla Trafaria. É vê-la na inauguração do parque infantil de um bairro dos subúrbios de Lisboa, num qualquer centro de rastreio de diabetes, numa repartição de finanças no dia D’entrega de IRS, numa animada festa de um de lar de idosos... Ainda ontem lá estava ela de microfone em riste junto de alguns veraneantes mais persistentes / curiosos / parolos / analfabetos (riscar o errado) numa praia da Costa da Caparica de acesso estritamente interdito - já que estariam previstos trabalhos de reposição do areal para os próximos dias. Mas hoje, surpreendentemente, estava num bairro do concelho de Odivelas junto duma dessas 645 recentes rusgas ordenadas pelo ministro - resultado: apanha-se meia dúzia de armas ilegais, um quilo de coca e, sobretudo, apazigua-se as almas mais assustadas com “essa” onda de violência mediática e a Carla lá regressará para o seu outro “país real”.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Grandes promoções, é aki!

Todo o snob tem um labrego dentro de si. Às vezes literalmente.

Depois da sua mais recente viagem, um amigo lamentava-se do atendimento da tripulação da TAP: “Mas conhecem hospedeiros e hospedeiras mais antipáticos e mal-educados?”. Durante esta viagem, contava ele, alguém terá pedido de uma forma, digamos, mais “expansiva” por um café a um hospedeiro que se encontrava junto do lugar onde o meu amigo estava. Como tal não fazia parte das suas competências, pediu ao colega que estava mais à frente: “Era um café para aquele senhor...” Não deixando de acrescentar, baixando ligeiramente o tom de voz mas mesmo assim ainda perfeitamente audível por quem ali estivesse: “Cuidado: este avião vai cheio de labregos!”
Pus-me a pensar de imediato nessa raça humana tão peculiar: os labregos. Há os que o são naturalmente, e há os outros, que não sendo, se esforçam por o ser. A grande diferença estará na sua consciência, ou falta dela. Os segundos são os únicos que se comportam dessa forma com um certo orgulho. Por isso é que de vez em quando alguém lhes pergunta: “tu não tens vergonha – lá está, o contraposto desse “orgulho” - de ser assim?”.
Mas voltando ao caso do avião. O facto de alguém pedir um café em voz alta, por si só, faz dele um labrego? Já que poderá ter sucedido o caso do suposto “labrego” ter efectuado o pedido de forma convencional e não ter sido bem-sucedido. Ou será que ele terá dado outros indícios que permitiram o hospedeiro ter concluído tal facto? Independentemente de tudo isto, não podemos deixar impune a generalização feita pelo tripulante da TAP. Sendo assim...
Pus-me a pensar nessa raça humana tão peculiar: os hospedeiros da TAP. Há os que são naturalmente snobs, e há os outros que não sendo, se esforçam por o ser. A grande diferença estará na sua consciência, ou falta dela...

quinta-feira, agosto 21, 2008

Há mitos e mitos

Ao deparar-me com esta crítica de Eduardo Pitta lembrei-me de que ainda não tinha comprado o livro em causa: “Brando mas pouco”. Uma biografia “hardcore” de Marlon Brando, onde é pormenorizadamente relatada a atípica vida (bis)sexual do actor e que, a serem tais dados verdadeiros, só vem demonstrar a teoria de que a realidade vai sempre mais longe que a ficção. Sobretudo no mundo das (falsas) aparências.
Como já tinha perdido a oportunidade de o comprar com o Público, tentei, mesmo assim, a minha sorte junto da tabacaria onde costumo comprar alguns jornais. Ao mesmo tempo que ia passando os olhos pelo texto fui marcando o número de telefone da “banca da esquina”. Há uma senhora que me atende. Pergunto-lhe pelo livro e ela pede-me para aguardar enquanto o procura. Assim o fiz. Continuo a ler a crítica e paro automaticamente quando passo por uma das partes transcritas do dito cujo: “25cm pelo cu acima”. Nesse preciso momento oiço alguém do outro lado da linha:
- “É grande e grosso?”...
Não reagi.
- “Tou? Simmm?”.
Ufa! Ainda tinham três cópias.

quarta-feira, agosto 20, 2008

E o Bob Dylan, que já anda por aí há tantos anos, ninguém lhe pega!

Ao ver este surpreendente 3º lugar na lista dos discos mais vendidos por cá, pergunto a mim mesmo de onde vem este súbito interesse nacional pela música country-rock americana? A resposta é óbvia e o facto que a explica também. Utiliza-se uma música orelhuda num anúncio televisivo e o resto é meio caminho andado; ou seja, o português comum tem uma atitude completamente passiva perante a música (entre outras expressões artísticas): não a procura, limita-se a ficar sentado no sofá, de comando na mão, à espera que ela o encontre.

terça-feira, agosto 19, 2008

"Ai e tal... a experiência, apesar dos resultados, está a ser óptima."

Mad world

Ao ler esta história, lembrei-me desta brincadeira:
Ainda ri-me um pouco. Pelo menos até a consciência deixar. Porque, bem vistas as coisas, isto nem tem qualquer graça.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Eu sou o melhor atleta não-competitivo do mundo. Se não tiver pessoas ou câmeras a observar posso ser mais rápido que o Bolt. Tem é que ser à tardinha

Marco Fortes, que esta sexta-feira falhou o apuramento para a final e terminou a competição no 38º lugar entre 45 concorrentes, com a marca de 18,05 metros, justificou o desempenho afirmando que «lançar de manhã é complicado».
«Cheguei à conclusão que de manhã só estou bem na “caminha”. Lançar a esta hora foi muito complicado. Apesar de ter entrado bem na prova, com dois lançamentos longos com mais de 19 metros, no último lançamento as pernas queriam era estar esticadas na cama», disse o atleta, em declarações à RTP.



No mesmo dia, também Jéssica Augusto, após a eliminação na prova dos 3.000 obstáculos, anunciou que iria de férias, justificando o abandono da corrida dos 5.000 metros dizendo que não participaria porque "não vale a pena", dada a forte concorrência africana.
Hoje mesmo, Arnaldo Abrantes, eliminado nos 200m com um dos piores tempos, e Vânia Silva, eliminada na prova do lançamento do martelo, também fizeram declarações que estão a suscitar reacções diversas. Abrantes justificou a sua fraca prestação com o facto de ter "bloqueado" quando viu o estádio olímpico cheio, enquanto Vânia Silva admitiu que "não é muito dada a este tipo de competições" [os Jogos Olímpicos].

Já abriu oficialmente a época de caça ao patto

“Ao contrário do que, muitas vezes, se pretende fazer crer, não está em causa o reconhecimento público de desejos ou preferências individuais, mas o relevo social da instituição familiar, a sua importância na perspectiva do bem comum e da harmonia social.”
Na edição da passada sexta-feira do Público, o jurista Pedro Vaz Patto, assim inicia a sua rol de argumentações contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Que credibilidade pode ter qualquer opinião, por mais bem que justificada ela possa ser – o que não quer dizer que seja este o caso - quando se parte de premissas descabidas: “Desejos ou preferências sexuais”? Vale a pena perder tempo com contra-argumentações quando do outro lado se continua a considerar que a homossexualidade é sinónimo de uma atitude mental casual ou de uma tensão momentânea? A não ser que o senhor jurista se esteja a referir a quem assim o pense e pratique, ou seja, a quem faz desta orientação sexual um mero passatempo fortuito e isento de compromissos e responsabilidades (e por vezes - tão vulgarmente esquecido - de sentimentos). É que se assim for, mais insignificante se torna esta discussão, já que a maioria desses sujeitos já estão legalmente impossibilitados de casarem com os outros que partilham os seus “desejos e preferências sexuais”. Não por serem do mesmo sexo, mas porque efectivamente já estão casados. E bem casados, de acordo com uma certa “harmonia social” que nunca será questionada, pelo menos enquanto houver juristas e outros “patos” a pensarem assim.

terça-feira, agosto 12, 2008

Afinal não há mesmo coincidências

Há sempre aquela réstia de esperança que a nossa intuição possa estar errada, que as nossas impressões sejam demasiado subjectivas e tendenciosas para nos levarem a cometer os mais básicos erros de julgamento. Mas, por outro lado, também há as reais provas, uma a seguir à outra, que nos obrigam a confrontar com o contrário: que afinal não há mesmo coincidências. De um lado, a ilusão de uma felicidade estável, do outro a suprema dor da desilusão que confirmavam os nossos piores receios. Nem toda a gente tem a capacidade de conseguir gerir esta dor, portanto não admira que meio mundo viva feliz, mas constantemente desconfiado.

quinta-feira, agosto 07, 2008

I'm just hot.

http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20080807114049&z=1

Férias não são para quem quer...

Agosto chegou discretamente.
De manhã passo pelas bombas de gasolina, associadas a uma conhecida cadeia de hipermercados nacional, que (praticamente) desde que abriram mantêm a liderança em matéria de preços (dos combustíveis) mais baixos no distrito de Lisboa e continuo a ver as habituais longas filas à volta da rotunda que lhes é vizinha.
Ao final da tarde passo por um supermercado que também é conhecido por praticar preços imbatíveis e demoro o tempo “normal” para fazer o pagamento das minhas compras – de onde vem este triste infortúnio de escolher sempre a fila que demora mais tempo a ser aliviada? Há sempre alguém que se lembra que lhe falta qualquer coisa, ou porque a operadora de caixa se esqueceu do "código do melão", ou porque enganou-se e pede uma anulação que só pode ser feito pelo “chefe de loja”, que por sua vez demora uma “eternidade” a chegar, pois “está no armazém a fazer contagens”...
E à noite, como noutro momento deste longo dia, noto uma acentuada redução de automóveis nas estradas perto de casa. No entanto, nas suas extremidades, vejo as pessoas de sempre a fazerem a sua caminhada nocturna, uma espécie de desporto pedestre dos que poupam na mensalidade do ginásio. Diz que foi o “senhor doutor da TV” que aconselhou e tal “prescrição” virou moda em dois tempos. Só a moderação nos enchidos e doces é que não pega!
Há uma certa pobreza que, para além de outras coisas, merecia umas boas férias.

sexta-feira, agosto 01, 2008

O aviso

Tinha eu acabado de aproveitar essa “milagrosa” descida de preços de combustíveis abastecendo o depósito do meu carro na estação de serviço de Oeiras, quando oiço uma viatura dirigir-se a alta velocidade para o local onde me encontrava. Era de noite e não houve tempo nem visibilidade para observar a viatura em questão. No primeiro segundo ouvi duas “pancadas” secas a bater no meu carro – fez-me pensar no momento ter sido uma pedra que tivesse deliberadamente saltado do outro carro – no segundo seguinte, olhei e vi sobre dois pontos distintos da chapa do meu carro um líquido espesso verde fluorescente. Ao terceiro segundo já não consegui ver a outra viatura...
Sem razões aparentes, eu e outros proprietários de outros veículos – segundo a Brigada de Trânsito de Carcavelos* – fomos “alvo de actos de vandalismo” (juram?).
A arma foi uma pistola de paintball. Mas “podia ter sido pior.”
Ficou o aviso. E as duas mossas no carro.

* Consta que as cabines das portagens de Porto Salvo também foram atingidas. No entanto, após ter contactado a Brisa, nomeadamente o Centro Operacional da A5, foi-me informado que não vão apresentar queixa, pois não sofreram danos materiais “consideráveis”. Claro... Isso de passar a vida a queixar-se por tudo e por “nada” é coisa de “pobre”.

quinta-feira, julho 31, 2008

Desilusão


"(...) a maioria das mulheres, acima dos 40 anos, desejam ser possuídas por uma força sobrenatural, enquanto outras ficam excitadas com a ideia de cobrar pelo acto."
Esperava tudo menos que a fantasia típica das quarentonas 'tugas fosse um poltergeist com uma nota de vinte euros no bolso. Mas ok.

segunda-feira, julho 28, 2008

Vrrrrummm...

Numa pequena reportagem sobre uma concentração de adeptos do tuning exibida ontem pela hora de almoço no "Jornal da Tarde" da RTP1, enquanto um dos organizadores transmitia a mensagem de que a modificação de carros não é sinónimo de street racing, passavam as imagens de um carro a puxar ao extremo pelo seu relanti, consequente arranque veloz e um peão quase perfeito. Das duas uma: ou há mesmo uma fronteira muito ténue entre estas duas modalidades/hobbies ou a RTP tem tanto sentido de oportunidade como os carros destes gajos têm de peças originais.

A solidão também necessita de identificação

Há duas formas de solidão, não há? Há a solidão do isolamento absoluto, o facto de viver fisicamente só, de trabalhar só, como eu sempre fiz. Não é necessariamente doloroso. Para muitos escritores é essencial. Outros precisam de um grupo doméstico de servidores femininos para lhes dactilografar os malditos livros e lhes manter os egos bem insuflados. Estar sozinho a maior parte do dia significa que estamos a escutar ritmos diferentes, ritmos que não são determinados pelas outras pessoas. Penso que é melhor assim. Mas há outro tipo de solidão que é terrível de suportar – Fez uma pausa. – É a solidão daqueles que vêem um mundo diferente do das outras pessoas. As suas vidas nunca se tocam. Tu consegues ver o abismo e elas não. Tu vives entre elas. Elas caminham sobre a terra. Tu caminhas sobre vidro. Elas encontram segurança na conformidade, em similitudes cuidadosamente construídas. E tu mascaras-te, consciente da tua absoluta diferença. Foi por isso que eu vivi sempre nos bares, les lieux de drague. Simplesmente para estar entre aqueles que são como eu.

“A sombra de Foucault”, de Patricia Duncker (Gradiva)

sexta-feira, julho 25, 2008

Presente!

Este deve ser o único blogue 'tuga que não aparece nos resultados de uma pesquisa no google, caso coloquemos as palavras "quinta da fonte" ou "mário crespo". Longe de mim querer ser um outsider - posso reconsiderar esta posição se a renda da minha casa descer 99%:

(...) Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. (...)
(Mário Crespo @ JN)

domingo, julho 20, 2008

O dilema do homem incompleto

Acordei com o berreiro de duas crianças que estariam a pouco mais de cinco metros da minha toalha. Resmunguei baixinho e virei-me. Não conseguindo voltar a adormecer, acabei por levantar parte do meu corpo pesado pela sonolência e deixei ficar-me ali sentado a observar as pessoas que caminhavam ao longo da praia e as gaivotas que faziam grandes razias às pequenas ondas que se formavam ao longo da costa. Ali mesmo ao lado permaneciam as duas crianças que se preparavam para o banho enquanto um adulto tentava proteger as suas peles pálidas com protector solar. Terminada essa acção e após a autorização do homem que as acompanhava, aqueles dois pirralhos deram início a um verdadeiro sprint até ao mar. O adulto, bem mais lentamente, acaba por os seguir. Reparo que olha fixamente para mim a meio do seu percurso. Encaro tal gesto como um sinal de penitência face ao espalhafato sonoro que os imberbes causaram no local. Pego no jornal e volto a deitar-me. Vou esfolhando-o ao sabor/por força do ligeiro vento que se ia sentindo naquela tarde de Julho. Passam vários minutos e sou surpreendido com alguém que me aborda: “Tem um cigarro?” – era o homem que acompanhava as crianças. Não tinha, mas percebo pela continuação da conversa que aquela pergunta tinha sido um mero pretexto de interpelação. Fico a saber que aquele trintão, que acabou por se sentar a poucos metros de mim, é o pai dos putos, que mora a mais de 40 Km daquela praia mas que por amor a ela despende mais dinheiro em gasóleo e portagens do que se preterisse uma outra da sua zona, que está ligado profissionalmente à área da comunicação social, que é divorciado desde Abril passado e... que é bissexual. E não fumava. Tudo isto dito sem interrogações da minha parte. Mas a conversa era muito civilizada e acabou por se tornar interessante, nomeadamente, sempre que se aprofundava determinado assunto. E aí também tornei-me mais participativo. Ao mesmo tempo que vigiava os seus filhos, que se encontravam à beira-mar, ele intervinha animadamente no nosso “debate”. Estou perante um homem culto e muito educado. Mesmo quando o assunto abordava facetas mais intimistas ele, surpreendentemente, não descia o seu nível de vocabulário. “Esta deve ser a única praia onde vejo mulheres sozinhas... Parecem mais livres aqui que noutro local qualquer... E ao mesmo tempo muito desejáveis“. Continua, “Sempre estive uma atracção semelhante por homens e mulheres. Sempre fui sincero nos meus relacionamentos e por tal nunca poderia esconder os meus desejos da minha esposa. E vivemos assim muito felizes mais de treze anos. O facto de ela ser uma pessoa magnífica, belíssima e inteligente também ajudou, claro.” Nesta altura ele ainda desconhecia que partilhávamos ideias e teorias muito semelhantes sobre alguns assuntos específicos. Depois disso, a conversa acabou por fluir ainda melhor, pois senti-o (ainda) mais à vontade. “Precisamos de nos libertar dos preconceitos e ideias pré-concebidas que esta sociedade conservadora nos impinge para nos tornarmos mais puros em relação à nossa existência - e sobretudo em relação à nossa sexualidade - e eu acredito que sempre estive no melhor caminho. Tenho plena consciência de que não é fácil e por isso não condeno quem não consiga dar os passos certos, quer seja por falta de coragem, quer seja por ignorância. Não posso é deixar de condenar quem opte pelo facilitismo de uma vida dupla, encoberta pela farsa e falso pudor. A mentira mata, sabias pá?” O “pá” não diria melhor.
Quase todo o seu desabafo não me sai da memória: “E o meu maior dilema sempre foi, é e será nunca poder amar integralmente uma mulher sem desejar simultaneamente estar com um homem, ou nunca conseguir ser plenamente fiel a um homem sem pensar em ter nos meus braços um corpo de uma mulher... Os meios-termos não me agradam. Acho que nunca irei deixar de ser este homem incompleto e eternamente insatisfeito que sou hoje.” Foi só esta frase que fez desviar os seus pequenos olhos dos meus em direcção ao mar.
Há muito tempo que não tinha um final de tarde de praia tão primoroso e cativante. De facto, não há gasóleo, portagens e quilómetros que paguem estes pequenos grandes prazeres da vida.

sexta-feira, julho 18, 2008

Vá lá façam-me esse jeitinho, fazem?

Finalmente "alguém" fala, por cá, do filme/documentário que ganhou dois dos principais prémios no Festival Sundance deste ano. Agora só falta que, por cá (novamente), mais “alguém” o compre e distribua.
Acredito, mesmo assim, que seria mais fácil "alguém" atravessar o espaço aéreo das duas torres do WTC, através de um arame, que fazer tal proeza.

Copy/Paste do dia


(...) A campanha actual não é perfeita, mas é melhor do que nada. Querer destruí-la em nome de uma dúbia melhor gestão de dinheiros públicos é caso para desconfiar, na generalidade – porque o discurso reactivo das prioridades é muitas vezes um convite à inacção encapotado de tecnocracia – e na especialidade – porque o sexo tolda a razão. Nada tenho contra mais acções junto de prostitutas e de toxicómanos, esclarecimentos sobre os riscos relativos do sexo anal e do sexo vaginal, etc., mas este novo revisionismo de que, afinal, o HIV é mesmo um problema só dos outros tresanda ao pior dos anos 80. Numa altura em que, no mundo ocidental, a SIDA deixou de ser mortal para passar a doença crónica e em que se perdeu o pânico da pandemia mas sem que o número de novos casos em Portugal entre heterossexuais, homossexuais, trabalhadores do sexo e toxicómanos tenha diminuído, verificando-se mesmo uma tendência evolutiva crescente na percentagem de novos casos por transmissão heterossexual, a obsessão em querer deixar o problema do HIV num ghetto de muros baixíssimos e de perseguir miragens do politicamente correcto em matérias que envolvam sexo é um divertimento infantil para gente dos 40 (João Miranda) aos 80 (Patrícia Lança) anos. Felizmente, eles só ainda vão fazendo com o seu tempo o que ainda não podem fazer com o nosso dinheiro. Deitá-lo “ao lixo”.



Não consigo entender as críticas à nova campanha da Coordenação Nacional para a infecção VIH/Sida. Acho-a, face a recentes estatísticas de novos contágios, até muito pertinente e inteligente. Ao contrário do que se diz: não generaliza-se, alerta-se! Agora se isso incomoda assim tanto pode ser mais um problema de (má) consciência que outra coisa. Por outro lado, se não querem uns cornos, não lhes ponham umas asas.

segunda-feira, julho 14, 2008

Abanar antes de usar

Alguém me relatou recentemente, no messenger, como a sua heterossexualidade foi colocada em causa uma única vez.
Terá sido, numa noite, ao sair de um bar quando preparava-se para entrar no carro, tendo decidido aliviar-se fisiologicamente de alguma cerveja previamente consumida. Naquele grande parque de estacionamento descoberto e pouco iluminado qualquer canto pareceu-lhe adequado para o efeito. Já em pleno acto de puro alívio é que se apercebeu que aproximava alguém que estaria prestes a fazer o mesmo. Não se surpreendeu com o facto do outro ter iniciado uma conversa banal, mas o mesmo já não terá acontecido quando ele lhe terá lançado o repto (sempre com um sorriso nos lábios): “Queres que abane a tua?”. Ainda sentiu qualquer coisa a endurecer entre a mão – consta que inicialmente colocou a hipótese de ter sido uma amena brisa nocturna que lhe tenha estimulado as “partes baixas” - mas logo se aprontou a recolher o “embaraço” e recusar o desafio do outro: “Pá obrigadinho, mas não é preciso...”. Entrou no carro nervoso, mas intrigado. Daí o seu desabafo.
O dito popular “Onde mija um português, mijam dois ou três!” revela-se, aqui, afinal com uma certa carga eroticó-perversa que me escapava de todo.
Eu sempre defendi que esta história das orientações sexuais “chapa cinco” é uma enorme treta mas não posso deixar de ficar de boca aberta com tanto desembaraço, por uma das partes e com tão pouca auto-segurança, pela outra. E o melhor é fechá-la já, não vá despertar o desejo de mais algum predador de indecisos que esteja por perto e me faça mais uma dessas propostas surpreendentes.

sexta-feira, julho 11, 2008

08 temas pop para '08

BMX - War
Para dançar até à exaustão. Muito Junior Senior, muito básico, muito pop, muito bom.

Cut Copy - Hearts on Fire
Os Cut Copy lançaram o melhor que se pode ouvir nesta matéria este ano. Isto é só um pequeno exemplo.

Lykke Li - Let if fall
Esta voz frágil mas muito segura substitui qualquer compilação de Chill Out do mercado. À atenção dos respectivos DJ’s de bares com boas esplanadas e boas vistas.

NERD - Laugh about it & You Know What
"Os NERD já não fazem discos como antigamente". Mas as duas últimas faixas deste novo disco fizeram-me mudar radicalmente de ideias. (não há links disponíveis)

Robyn - Should Have Known
Nova heroína da pop. Ela não canta o “Who’s that girl?” por mero acaso.

Santogold - L.E.S. Artistes
Entre uma Lilly Allen mais versátil ou uma M.I.A. mais pop, venho eu e escolho as duas.

Tricky – Veronica
A segunda melhor faixa do novo disco de Tricky é viciante e (quase) faz esquecer a pobreza do resto do alinhamento. (também não há link para ninguém! :( )

quarta-feira, julho 09, 2008

Afinal: (por cá) metamorfoses destas há muitas, pá!

Continuemos no plano da ilusão… Suponhamos que uma colectividade cultural do municipio de Alcobaça pedia um pequeno subsídio à C.M.A. para organizar um evento com bandas da localidade e aquela recusaria (ou limitar-se-ia a dar um certo apoio logístico) justificando-o com a “falta de verbas no orçamento” – o mesmo orçamento que terá previsto gastar 180.000 euros num truque de magia? Certamente que um espectáculo metamorfósico será algo mais abrangente e popular que um festival de bandas amadoras, mas no entanto um autarca pode-se dar ao luxo de usar - e abusar de - o dinheiro da autarquia apostando em projectos megalómanos, em detrimento de outros menos carismáticos (ou mais alternativos), sem se aborrecer em ter que arranjar bons argumentos?

terça-feira, julho 08, 2008

Zagora, Marrakech (II)

Os únicos inconvenientes de passar uma ou mais noites num deserto marroquino é não ter as mínimas condições de higiene asseguradas – de todos os locais deste país, é aqui que mais se sente falta desse bem escasso que é a água – e as tempestades de areia.
Quanto ao primeiro, o ideal é transformarmos automaticamente em berberes assim que entramos em Zagora, pois se é para mantermos um certo comodismo mais vale nem sair das imediações do confortável hotel de Marraquexe ou Casablanca.
O segundo pormenor é bem mais assustador, se tal parecer querer súbita e brutalmente arrastar-nos, junto com a nossa tenda, para bem longe dali. A outra hipótese, não menos boa, é ficarmos soterrados por uma areia fina mas mortal.
Tudo o resto é, obviamente, excepcional.

quinta-feira, julho 03, 2008

A Galp já não rouba, insulta a nossa inteligência

(Clicar para ampliar - dois talões comprovativos da compra de duas botijas, compradas no mesmo local, antes e depois da alteração da taxa do IVA com o mesmo preço final)

O de Paulo Teixeira Pinto também é mais ou menos assim


Pode-se dizer que ganhou com uma enorme diferença (horária) face à concorrência

O nosso melhor programa de divulgação cultural passa uma vez por semana às 2 da manhã. Mais hora menos hora - depende sempre se há um especial "Fascínios" ou d' "A outra".

quarta-feira, julho 02, 2008

Polamordeus!

Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente. (...)
O Poliamor aceita como facto evidente que todas as pessoas têm sentimentos em relação a outras que as rodeiam. E que isto não põe necessariamente em causa sentimentos ou relações anteriores. Aliás, o ciúme não tem lugar neste tipo de relação. Primeiro porque nenhuma relação está posta em causa pela mera existência de outra, mas sim pela sua própria capacidade de se manter ou não. Segundo, porque a principal causa do ciúme, a insegurança, é praticamente eliminada, já que a abertura é total. Não havendo consequências restritivas para um comportamento, deixa de haver razão para esconder seja o que for. Cada pessoa tem o domínio total da situação, e a liberdade para fazer escolhas a qualquer momento.

Portanto estamos perante um tipo de relacionamento que se aprogoa mais livre que todos os outros, em que não há lugar a ciumeiras e inseguranças e por aí a fora... Diz que é o futuro das relações no século XXI. Ora bem, enquanto não me transformo em robot, ainda vou a tempo de levantar algumas questões (muito básicas).

1. Com todas as vantagens apresentadas – que se podem resumir ao facto de não haver cornudos nestas relações – e de quererem afastar-se dos estereótipos conventuais, a maioria dos poliamorosos (“tradicionalmente”) casa-se exactamente porquê?
2. Este grupo associou-se a um movimento LGBT num desfile no passado sábado em Lisboa. O movimento LGBT passou a ser o último reduto onde cabe todo o tipo de "sexualidades alternativas"? Alguém me ilumine e faça ver as semelhanças porque eu só vejo diferenças. Sobretudo em questões discriminatórias, práticas e realistas: eu (infelizmente) ainda continuo a viver numa sociedade em que um gajo que assuma publicamente a sua homossexualidade nunca deixará de ser, para a maioria, um grandessíssimo rabeta - vá lá no melhor dos casos, um maricas* - enquanto se trocar de parceira frequentemente, o pior que lhe pode acontecer é apanhar uma doença venérea - mas nunca deixará de ser apreciado, socialmente, como um enorme garanhão.
3. E há inconvenientes? Ou o único problema do poliamor é saber, terminada a “confusão”, a quem pertence um determinado polichinelo?
4. E a pergunta final que se impõe será: as pessoas que se cansam de uma relação poliamorosa, ficarão polisaturadas?


*Como a mãe de um bailarino de renome disse ontem, em prime time, numa reportagem da RTP1. Estaria receosa que fosse esse o destino do seu primoroso filho quando aquele optou por enveredar por tal temida e “socialmente apaneleirada” carreira. Mas não, para seu abismal agrado, o filho apaixonou-se por uma colega de profissão. Haleluja!
Um desgosto pode ser como a estupidez: insuperável.

segunda-feira, junho 30, 2008

É já amanhã!

Vai ser justamente neste dia 31 de Junho que o Crédito Agrícola irá creditar os juros nas contas dos seus depositantes e distribuir os dividendos pelos sócios. Parabéns, sortudos.

sexta-feira, junho 27, 2008

"Os preconceitos obscurecem sempre a verdade" - nem de propósito


No filme “12 Homens em Fúria”, 12 Angry Men (1957) de Sidney Lumet, um dos doze jurados, a quem lhes foi submetida para apreciação a sentença de um jovem acusado de ter morto o seu pai, diz:
It's always difficult to keep personal prejudice out of a thing like this. And wherever you run into it, prejudice always obscures the truth. I don't really know what the truth is. I don't suppose anybody will ever really know. Nine of us now seem to feel that the defendant is innocent, but we're just gambling on probabilities - we may be wrong. We may be trying to let a guilty man go free, I don't know. Nobody really can. But we have a reasonable doubt, and that's something that's very valuable in our system. No jury can declare a man guilty unless it's SURE. We nine can't understand how you three are still so sure. Maybe you can tell us.

Não há diferenças

(...) Não há nenhum arrogar da diferença em quem ama alguém do mesmo sexo; não há nenhuma diferença no amor nem nas pessoas. Não existe nenhuma legitimidade jurídica, nem sequer ética, para apontar o amor entre pessoas do mesmo sexo como diferente e merecedor de tratamento diferenciado. O casamento, vimos, é apenas a assunção legalizada, com um elenco de deveres e direitos, de um compromisso entre duas pessoas. Uma espécie de promessa pública. É só isso que os casais de pessoas do mesmo sexo querem: a possibilidade de se prometerem publicamente o que as pessoas de sexo diferente prometem publicamente – quando escolham fazê-lo. Uma consagração pública de uma relação, com tudo o que isso implica, a começar pelo reconhecimento da dignidade dessa relação. É isso que se lhes nega. Não vejo com que direito. E creio que o Direito com maiúscula, o Direito que a Constituição consubstancia, também não.(...)
(Palavras sábias de) Fernanda Câncio

quarta-feira, junho 25, 2008

A escrita que nos faz levantar os cornos (e baixar outras coisas)

Capítulo I
(...)
Cheguei a um beco sem saída e quando me senti no fundo, olhei para cima e disse para mim mesma: agora vais ter de subir a puta da montanha, quer queiras quer não, senão cai-te um piano, um avião ou uma bomba neste buraco em que te meteste e nunca mais levantas os cornos.
(...)
A Naná e eu conhecemos o João por acaso, numa daquelas noites de Verão de Junho num bar da praia do Tamariz. Vinha com um amigo do meu irmão Gonçalo, o Zé Maria Almeida e Sousa, de quem era primo direito. O Zé Maria é casado com uma gordinha simpática e pouco esperta, a Constança Alvim, e passa a vida a sair à noite, o típico parvo com a mania que é esperto, cabelo lambido com gel e camisas coloridas a atirar ao pseudomoderno, especialista em cabeleireiras e rapariguinhas de shopping.
(...)

Retirado daqui:


(sai dia 30 deste mês)

terça-feira, junho 24, 2008

Record

O "record" não será um pijama branco passar pelas caixas de "sanamento" e manter essa cor?

Ena ena um anúncio de cerveja portuguesa sem “trolhices”, assobios parolos e os da weasel!

Nunca é demasiado tarde para chamar a atenção para esta pérola. (A música também só podia estar presente numa das compilações da série "Anatomia de Grey")

segunda-feira, junho 23, 2008

Somos o que lemos?

Conduzo o carro de compras até ao fim de um dos corredores do hipermercado e por lá se encontrava um outro “carrinho” parado que ocupava grande parte do espaço de circulação, bem como outro, mesmo ao lado, com produtos para reposição. Junto do primeiro estavam três miúdos de etnia cigana. De tão concentrados que estavam na contagem do dinheiro que traziam nem deram pela minha presença. Quando preparava-me para desviar o carro do repositor, para conseguir passar, um dos jovens pede-me gentilmente desculpas e desvia o seu carro.
Dirijo-me, entretanto, para uma das filas de caixa de pagamento que avalio como sendo a menos longa. Entretanto, reparo que os “ciganitos” deslocam-se para uma outra fila, algo distante da que me encontrava, com o seu respectivo carro de compras, transportando somente uma palete de garrafas de água. Antes de colocar os meus produtos no tapete rolante observo que eles dialogam com as pessoas do fim da fila onde se encontram. Deduzo que pedem, face ao que apresentam para pagamento, uma certa prioridade... Passado alguns segundos oiço um surpreendente e ruidoso: “Não o admito que me trate assim!”. Tinha saído da boca de um dos ciganos, e estes estavam parados, agora, diante de um casal de meia-idade: ele, empurrando o carro mostrava-se indiferente às declarações do cigano - sorrindo até - e ela já estava concentrada na tarefa de colocação dos produtos no tapete. “Está-se a rir de quê?!”... Os ânimos estavam a exaltar-se ao ponto de pedir uma intervenção do segurança.
Entretanto chegou a minha vez de ser atendido e não consegui acompanhar o resultado de tal aparato. Antes de sair do hipermercado, ainda tive tempo de confirmar que os miúdos se encontravam junto da caixa. O casal já estava no exterior e conversavam com o segurança. A caminho do meu carro, consegui ouvir o senhor de óculos e cabelo grisalho, com ar austero, a dizer qualquer coisa como: “ (...) Para o vosso próprio bem: não os podem deixar cá entrar...”. Também me chamou a atenção o jornal dobrado em três partes iguais debaixo do seu braço direito. Pelas enormes letras garrafais que se destacavam na primeira página, foi muito fácil adivinhar que diário se tratava.

sexta-feira, junho 20, 2008

"Monsieur, monsieur, une pièce..."

Em Marrocos a “chulice” é tanta que quando entrei no avião de regresso ainda estava com receio que aparecesse, vindo do nada, um puto que fizesse questão em levar-me ao meu lugar, em troca de alguns dirhams. Ou numa perspectiva mais adulterada, temia que uma das hospedeiras retirasse o seu chapeuzinho e desse início à angariação de umas gorjetas para o piloto e restante tripulação.
Felizmente, as minhas piores expectativas não se concretizaram. No entanto, aconselha-se a só dar descanso ao nosso melhor espírito regateador de preços quando o avião já estiver fora de território marroquino.