terça-feira, fevereiro 10, 2009

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

"A vida privada de Salazar"

Parece que o gajo andou por aí a foder algo mais que um país.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Notícia de última hora!

Foi recentemente descoberto que o Papa Bento XVI se refugia em Portugal, para meditação, sem conhecimento do público em geral, mais propriamente na zona do Douro.
O seu hobbie secreto são as vindimas e o nome de código que utiliza para não ser reconhecido é "D. Maria da Conceição".

Nobel da paz para este homem, já!


Um dos efeitos positivos da globalização é poder entender os vários pontos de contacto entre culturas tão distintas. A música urbana à escala global tem evoluído e sofrido várias influências ao longo das últimas décadas, mas cada país, de cada continente, tem conseguido manter intactas as suas bases tradicionais. Descobri recentemente os trabalhos de um DJ, com um conhecimento de World Music digno de muito respeito, que compila e mistura esta música de uma forma irrepreensível, mantendo essa heterogeneidade. Não há país do continente africano ou asiático por mais remoto que seja, ou por mais herança e estilo musical que possua, que o DJ Zhao não o descubra. Da Índia a Cuba, da Tanzânia à Jamaica, nada lhe escapa ao seu sensor musical.
Estão disponíveis via Getdarker.com duas das suas melhores compilações: a série NGOMA. O volume 1 é mais tradicionalista e globalizador, ainda que com alguns vestígios de electrónica a pairar no ar, onde se cruzam géneros tão variados como: Bongo Flava, Kizomba, Afro-Hiphop, Bhangra, Cumbia, Reggaeton, Dancehall, Rai, Arabic Pop, Balkan Beat, Genge, Kapuka, Kwaito, Jaija, Afro-House, Afro-Dub, Taraab e Gamelan. O DJ Zhao consegue a proeza de meter numa compilação, de pouco mais de uma hora, um mundo inteiro a dançar. Na segunda e mais recente edição, há uma justa (e exclusiva) homenagem ao continente africano e às mais antigas raízes da música de dança. Do Kuduro ao Minimal, do Kwaito ao Deep House, viajamos de África à Europa em escassos minutos, sendo o fluxo dos beats e a fusão de estilos o nosso meio de transporte de serviço.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Toychilds


It's one of the best streets in the world as far as females are concerned. The girls come here looking for toys. They are toys... toy boys,… The boys on Bar Street are not prostitutes but don't be under any illusion that you are their only girlfriend.

Alguém consegue analisar este documentário imparcialmente, sem moralismos? De qualquer forma há algo aqui que ultrapassa a moral de cada um.

A situação resume-se a isto: a Turquia há muito que deixou de ser um simples destino turístico com bonitas mesquitas, hotéis baratos, muito sol e boas praias; há também os tão cobiçados jovens turcos que procuram uma boa noite de diversão, com certas contrapartidas. Entre uns “pounds” e um “passaporte para o paraíso”, as turistas britânicas são as que mais rendem em alguns locais de diversão nocturna.
O documentário é inglês (Channel 4), portanto a nossa perspectiva será sempre revelada pelo lado das senhoras e sempre na tentativa de perceber por que razão aquelas mulheres procuram diversão ou um romance (de verão) tão longe. Elas parecem ser muito seguras de si mesmas e do que podem encontrar naquele país, ou naqueles locais em particular, mas, ao longo destes mais de quarenta minutos de filme, percebe-se que é exactamente essa a sua maior fraqueza: a ilusão de que controlam os seus sentimentos.
Desta vez estas mulheres, divorciadas, não viajaram sozinhas, trouxeram os seus filhos com elas. Tudo o que possam fazer, será feito à vista dos seus descendentes, que vão de uma criança de um ano até a uma jovem de 17 anos. Um exemplo: esta última já segue as pisadas da mãe, passando noites inteiras fora do Hotel. “Ela tem 17 anos, o que poderei eu fazer?” – questiona a sua progenitora.
Do pouco que sabemos da parte deles, os “toyboys”, pelos seus depoimentos, sabe-se sobretudo que preferem as inglesas por serem “easy” e gostarem dos seus presentes (roupas, bebidas, dinheiro, muito dinheiro, ...). Mas nunca se declaram como prostitutos. E elas ainda estão mais longe de os encarar como tal.

O chocante neste documentário não é haver mulheres (e homens) a fazerem das relações descartáveis um escape para as suas vidas frustradas, mas, sim, haver crianças que as acompanham e que já se sentem revoltadas pela vida que as mães levam – veja-se bem o caso do comportamento do puto loiro de 11 anos. Este “Turkish Toyboys” desmonta isto de uma forma crua e realista.

domingo, janeiro 25, 2009

Porque há filmes que se vê uma vez e sonha-se com ele para o resto da vida e há outros que se vê todos os domingos à tarde na SIC

Ao ficar rendido com os primeiros vinte ou trinta minutos de “Slumdog Millionaire”, quase entendia toda esta excitação à volta do novo filme de Danny Boyle. Logo depois de confirmar que o fabuloso “Paper Planes” era a cereja sobre este bolinho, que é a primeira parte do grande vencedor dos Globos de Ouro, este começa a descambar incontrolavelmente. Torna-se tudo o que um filme de óscares não devia ser: lamechas e previsível. Quando se premeia comédias românticas com sabor a caril em detrimento de filmes arrebatadores, épicos, maiores que a vida, é porque definitivamente os valores que dominam esta industria já conheceram melhores dias.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O jogo das atracções

Juan Antonio: I am Juan Antonio, and you are?
Cristina: Cristina and this is my friend Vicky.
Juan Antonio: I would like to invite you both to spend the weekend. We'll eat well, we'll drink wine, we'll make love.
Vicky: Who.. who exactly is going to "make love?"
Juan Antonio: Hopefully the three of us.
Vicky: Uh.. this guy, he doesn't beat around the bush. Look señor, maybe in a different life.

Vicky: I think that you are so hurting from the failure of your marriage to marry Elena.... And to be perfect frank Juan Antonio, I'm engaged to be married.
Juan Antonio: And you?
Cristina: I'll go to your room, but you have to seduce me.

Woody Allen demonstra, desta vez, como é que três mulheres tão diferentes podem apaixonar-se pelo mesmo homem e como é que este atinge a felicidade plena quando as aproxima. Mas não há futuros simplistas nem perfeitos... Porque nós não somos simplistas e, muito menos, perfeitos.
"Vicky Cristina Barcelona" estreia hoje e é muito recomendável.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ouvir para não ver

Não são poucos os medíocres filmes em que só a sua banda sonora escapa. Uma música não salva um filme mas pode servir bem como prémio de consolação pela estopada que se está a ver. Na semana passada emprestaram-me o DVD do thriller “Mr. Brooks”. Bom argumento mas ia a meio e já estava a começar a adivinhar as cenas seguintes - e se há coisa que me agrada em cinema é o seu efeito surpresa. Quase no final, aí sim, quando menos esperava, arranca uma música que me volta a captar a atenção para o filme. Reconheci a voz mas estaria longe de identificar a banda. Esta magnífica canção vai crescendo ao mesmo tempo que as imagens vão ficando mais intensas. Só que estamos a ver um filme de suspense, há que não esquecer, e o auge desta brutal música atinge-se quando o protagonista principal do filme debruça-se sobre a filha para lhe dar um beijo de boas noites e aquela espeta-lhe uma tesoura na garganta (lol). O delírio musical prossegue enquanto o homem derrama sangue por tudo o que é quarto – a filha fica serenamente a assistir. Nos créditos finais desvendei o enigma musical: The Veils - Vicious Traditions. Mais uma daquelas bandas que poucos conhecem mas que toda a gente já ouviu, pelo menos, uma música, graças a um anúncio comercial, como é o caso.
Situação semelhante aconteceu ao ver o trailer de um filme a estrear, nos EUA, na próxima primavera. Trata-se de mais um remake de um dos mestres americanos de Terror, Wes Craven - na versão deste ano, ele fica-se pela produção – “The Last House On The Left”. Mais uma vez as cenas mais emocionantes e, neste caso, assustadoras arrancam ao som de uma música calma, ao sabor de um piano e de uma voz quente feminina. Ao mesmo tempo que vejo gente a levar facadas, a apanhar choques e com a cabeça no microondas (lol, hilariante outra vez) entre outro tipo de fustigamentos, descubro com muito agrado uma versão minimalista de “Sweet child O’ mine”, dos Guns n’ Roses. Uma cover dos Taken by Trees, outra banda que ninguém conhece. Liderada pela ex-vocalista dos The Croncretes, outra banda quase desconhecida, que toda a gente já a ouviu no smash-hit “Young Folks” de Peter, Bjorn & John. Mais uma vez graças a um anúncio televisivo de uma rede de telemóveis. Há coincidências...

quarta-feira, janeiro 14, 2009

As jovens cristãs portuguesas têm todo o direito de escolher um marido de merda, desde que não seja um cabrão de um muçulmano

Nunca ouvi o senhor cardeal, ou qualquer outro responsável da igreja católica portuguesa, preocupado com as estatísticas da violência doméstica no nosso país e recomendar cuidado às meninas portuguesas antes de se casarem com um português. E não são poucas as que se metem num monte de sarilhos, que nem Alá nem Buda nem Deus nem Jeová sabem onde acaba. Mas, ok.

[Modo popular] Já punha a gaita a render, já! [Modo popular]

Ora através de uma rápida análise aos cachets dos nossos músicos por alguns dos seus concertos do ano passado, chego à seguinte conclusão: se alguém paga seja lá o que for aos hands on approach para tocarem ao vivo, tudo o resto parece-me perfeitamente justificável. Até mesmo uma "banda de gaitas" por 6000 euros... Já agora, isto dá quanto por gaita?

domingo, janeiro 11, 2009

A máscara

Raramente perco o programa "Os segredos da Magia" (SIC, passa aos sábados à noite). Gosto sobretudo da parte em que o mágico termina o seu truque, cruza os braços e duas vistosas assistentes, em trajes minimalistas, enroscam-se nele. Deve ser por isso que ele usa a máscara: para não se ver corar.
Quando não é para encobrir o seu embaraço, é para tapar um tubinho por onde passa o oxigénio que o permite permanecer dentro de um tanque cheio de água. Se eles não revelassem aquele truque, toda a gente acreditava que um mágico conseguiria sobreviver mais de 18 minutos sem respirar, claro.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

E agora quem bate uma sou eu!

Acredito não estar a ser demasiado radicalista ao afirmar que o mundo virtual, da net em geral, é sustentado por ilusões. Para atingir determinados propósitos, que por si só podem não ser os mais sinceros, as pessoas fazem de tudo. Incluindo não serem elas próprias. Quem está do outro lado acredita. Acredita sobretudo naquilo que lhe mais convém. E o que lhes convém acaba por não ser nem o que a outra parte pretende ser e, muito menos, aquilo que na realidade o é. Confusos? É natural. Este círculo vicioso de tretas e fantasias baralha tudo e todos. Sobretudo quem pretende encará-lo, como encara tudo o resto na sua vida, com seriedade.
Algumas pessoas usam a internet para desenvolver personalidades paralelas e é curioso verificar o seu antagonismo, quando se compara a verdadeira com a clonada. Aquela pequena mentira de tirar uns anitos à idade passa a ser completamente insignificante comparada com outras falsidades que se arranjam por aí no plano cibernético. A parte mais interessante desta questão passa pelo objectivo de não tanto querer iludir o outro, mas a si proprio. Sim, porque isto também está relacionado com a auto-estima! Da masturbação “sexual” à intelectual tudo serve para dilatar o ego.
Mas, felizmente, na internet também há muita coisa boa. Só que ela não aparece fruto do acaso. Sendo uma criação humana, é importante que se perceba que continuando a usá-la hipocritamente, através dos seus variadíssimos meios - sejam por blogues, fóruns, chats, "messengers", caixas de opiniões, etc., onde o espaço é público e livre -, ela nunca deixará de ser muito mais do que um saco de lixo de frustações.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

A idade do vício

Da primeira vez que uma pessoa se apaixona sente-se infelicíssima, porque pensa que não vai sobreviver a tão "estranho" e brutal sentimento. Da segunda, e talvez da terceira, sente-se feliz, porque sabe que o amor nunca a dominará por completo - há quem não consiga atingir este controlo tão cedo (ou nunca). No entanto, chega uma altura que o ânimo e a energia escasseiam, em que já não se acredita que o amor que se sente possa ser sincero. Porque o amor, puro e duro, depende da inocência. E onde é que esta está, quando se vai amar apenas por vício?

terça-feira, dezembro 30, 2008

Uma imagem para 2008


Foi preciso dois robots revelarem-nos a insignificância das novas tecnologias - que supostamente nos mantém virtualmente em contacto uns com os outros, mas mais que não fazem do que nos afastar do mundo (real) - face ao contacto directo de um simples toque entre mãos. Uma metáfora cinematográfica que espelha a mais pura das verdades: estamos mais evoluídos, mas nunca estivemos tão longe daquelas “mãos dadas”, que Wall-E adorava ver, sempre que punha a funcionar a sua velhinha cassete de VHS de “Hello, Dolly!”.

Temos mais e melhores meios que nos aproximam uns dos outros. No entanto, limitamo-nos a usá-los para tranquilizar a nossa consciência face a qualquer compromisso que tentamos manter com os outros. Um dia quando percebermos que o envio de um SMS ou mesmo uma chamada "a marcar o ponto", está muito longe de ser uma demonstração de afecto válida, pode já ser tarde demais.
Até lá, vamos continuando a fingir que somos máquinas.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

O que fazer com os nossos animais: rentabilizamo-los ou desprezamo-los?

O mundo da venda de animais domésticos trilha-se por caminhos muito nebulosos. Desconheço a legislação em vigor mas parece-me obvio que, tratando-se de um contrato comercial, seja obrigatório a emissão de um documento que oficialize a venda. Resta saber, dos inúmeros cachorros e gatinhos que se vendem diariamente por , quantas facturas são emitidas? O nosso estado fará ideia do valor desta suposta fonte de rendimento que lhe escapa pelos escorregadios dedos da sua “eficaz” mão tributária?
Se vejo, também por , criadores a vender ninhadas de 10 cães a mais de 500 euros por animal, é só fazer bem as contas e perceber o quão rentáveis podem ser estes “negócios animalescos” de luxo.
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Em contraste, num outro mundo (completamente à parte), o dos canis municipais e outros centros e associações de recolha de animais abandonados vive-se na extrema miséria. Falta tudo: condições em geral, espaço, comida, medicamentos e sobretudo uma companhia humana. Sempre na eminência de um triste final: o abate. Quem conhece bem este mundo sabe o esforço que algum voluntariado faz para constantemente salvar vidas desse cruel destino.
Seguindo esta premissa, deixo aqui uma recomendação para um original presente natalício. Em vez de se perder tempo e paciência nos grandes aglomerados comerciais que nesta época ficam mais concorridos que nunca, porque não fazer um pequeno desvio e passar pelo canil/gatil mais próximo e adoptar um animal para oferecer alguém que precise de uma boa companhia e tenha boas condições para o manter? Seria um presente financeiramente imbatível e faria, garantidamente, dois seres vivos muito felizes.
Foi exactamente isso que fiz. Este cruzado de Dogue Alemão passará já este Natal num lar que lhe dará todo o carinho que um animal merece. Bem longe da rua e de um incerto futuro.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Medo da vida


Um padre durante uma longa conversa com um prisioneiro revoltado diz-lhe isto:
You're afraid of life.

Fome” (Steve McQueen) é um filme duríssimo. Faz-nos recuar aos inícios dos anos 80 e relata-nos a história de um grupo de prisioneiros do IRA que protestam contra o facto de não lhes atribuírem o estatuto de presos políticos. Recusam-se a tomar banho, a vestirem as fardas e já no final do filme iniciam uma greve de fome, que acaba por ser fatal para alguns deles.
A primeira ideia que me veio à memória durante a sua visualização chegou em forma de livro: “Se isto é um homem” de Primo Levi. Ambos revelam o que acontece quando o corpo e a mente são levados ao limite. O limite da degradação da condição humana. No filme, por vontade própria; no livro, pela infelicidade de não se ter nascido de “raça pura”.

Quando as nossas inquestionáveis crenças destroem a capacidade de pensar, realisticamente, sobre as consequências das nossas acções, não admira que – é aqui que entra a teoria do Padre - tenhamos mais medo da vida, do que da morte.