quinta-feira, janeiro 29, 2009

Toychilds


It's one of the best streets in the world as far as females are concerned. The girls come here looking for toys. They are toys... toy boys,… The boys on Bar Street are not prostitutes but don't be under any illusion that you are their only girlfriend.

Alguém consegue analisar este documentário imparcialmente, sem moralismos? De qualquer forma há algo aqui que ultrapassa a moral de cada um.

A situação resume-se a isto: a Turquia há muito que deixou de ser um simples destino turístico com bonitas mesquitas, hotéis baratos, muito sol e boas praias; há também os tão cobiçados jovens turcos que procuram uma boa noite de diversão, com certas contrapartidas. Entre uns “pounds” e um “passaporte para o paraíso”, as turistas britânicas são as que mais rendem em alguns locais de diversão nocturna.
O documentário é inglês (Channel 4), portanto a nossa perspectiva será sempre revelada pelo lado das senhoras e sempre na tentativa de perceber por que razão aquelas mulheres procuram diversão ou um romance (de verão) tão longe. Elas parecem ser muito seguras de si mesmas e do que podem encontrar naquele país, ou naqueles locais em particular, mas, ao longo destes mais de quarenta minutos de filme, percebe-se que é exactamente essa a sua maior fraqueza: a ilusão de que controlam os seus sentimentos.
Desta vez estas mulheres, divorciadas, não viajaram sozinhas, trouxeram os seus filhos com elas. Tudo o que possam fazer, será feito à vista dos seus descendentes, que vão de uma criança de um ano até a uma jovem de 17 anos. Um exemplo: esta última já segue as pisadas da mãe, passando noites inteiras fora do Hotel. “Ela tem 17 anos, o que poderei eu fazer?” – questiona a sua progenitora.
Do pouco que sabemos da parte deles, os “toyboys”, pelos seus depoimentos, sabe-se sobretudo que preferem as inglesas por serem “easy” e gostarem dos seus presentes (roupas, bebidas, dinheiro, muito dinheiro, ...). Mas nunca se declaram como prostitutos. E elas ainda estão mais longe de os encarar como tal.

O chocante neste documentário não é haver mulheres (e homens) a fazerem das relações descartáveis um escape para as suas vidas frustradas, mas, sim, haver crianças que as acompanham e que já se sentem revoltadas pela vida que as mães levam – veja-se bem o caso do comportamento do puto loiro de 11 anos. Este “Turkish Toyboys” desmonta isto de uma forma crua e realista.

domingo, janeiro 25, 2009

Porque há filmes que se vê uma vez e sonha-se com ele para o resto da vida e há outros que se vê todos os domingos à tarde na SIC

Ao ficar rendido com os primeiros vinte ou trinta minutos de “Slumdog Millionaire”, quase entendia toda esta excitação à volta do novo filme de Danny Boyle. Logo depois de confirmar que o fabuloso “Paper Planes” era a cereja sobre este bolinho, que é a primeira parte do grande vencedor dos Globos de Ouro, este começa a descambar incontrolavelmente. Torna-se tudo o que um filme de óscares não devia ser: lamechas e previsível. Quando se premeia comédias românticas com sabor a caril em detrimento de filmes arrebatadores, épicos, maiores que a vida, é porque definitivamente os valores que dominam esta industria já conheceram melhores dias.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O jogo das atracções

Juan Antonio: I am Juan Antonio, and you are?
Cristina: Cristina and this is my friend Vicky.
Juan Antonio: I would like to invite you both to spend the weekend. We'll eat well, we'll drink wine, we'll make love.
Vicky: Who.. who exactly is going to "make love?"
Juan Antonio: Hopefully the three of us.
Vicky: Uh.. this guy, he doesn't beat around the bush. Look señor, maybe in a different life.

Vicky: I think that you are so hurting from the failure of your marriage to marry Elena.... And to be perfect frank Juan Antonio, I'm engaged to be married.
Juan Antonio: And you?
Cristina: I'll go to your room, but you have to seduce me.

Woody Allen demonstra, desta vez, como é que três mulheres tão diferentes podem apaixonar-se pelo mesmo homem e como é que este atinge a felicidade plena quando as aproxima. Mas não há futuros simplistas nem perfeitos... Porque nós não somos simplistas e, muito menos, perfeitos.
"Vicky Cristina Barcelona" estreia hoje e é muito recomendável.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ouvir para não ver

Não são poucos os medíocres filmes em que só a sua banda sonora escapa. Uma música não salva um filme mas pode servir bem como prémio de consolação pela estopada que se está a ver. Na semana passada emprestaram-me o DVD do thriller “Mr. Brooks”. Bom argumento mas ia a meio e já estava a começar a adivinhar as cenas seguintes - e se há coisa que me agrada em cinema é o seu efeito surpresa. Quase no final, aí sim, quando menos esperava, arranca uma música que me volta a captar a atenção para o filme. Reconheci a voz mas estaria longe de identificar a banda. Esta magnífica canção vai crescendo ao mesmo tempo que as imagens vão ficando mais intensas. Só que estamos a ver um filme de suspense, há que não esquecer, e o auge desta brutal música atinge-se quando o protagonista principal do filme debruça-se sobre a filha para lhe dar um beijo de boas noites e aquela espeta-lhe uma tesoura na garganta (lol). O delírio musical prossegue enquanto o homem derrama sangue por tudo o que é quarto – a filha fica serenamente a assistir. Nos créditos finais desvendei o enigma musical: The Veils - Vicious Traditions. Mais uma daquelas bandas que poucos conhecem mas que toda a gente já ouviu, pelo menos, uma música, graças a um anúncio comercial, como é o caso.
Situação semelhante aconteceu ao ver o trailer de um filme a estrear, nos EUA, na próxima primavera. Trata-se de mais um remake de um dos mestres americanos de Terror, Wes Craven - na versão deste ano, ele fica-se pela produção – “The Last House On The Left”. Mais uma vez as cenas mais emocionantes e, neste caso, assustadoras arrancam ao som de uma música calma, ao sabor de um piano e de uma voz quente feminina. Ao mesmo tempo que vejo gente a levar facadas, a apanhar choques e com a cabeça no microondas (lol, hilariante outra vez) entre outro tipo de fustigamentos, descubro com muito agrado uma versão minimalista de “Sweet child O’ mine”, dos Guns n’ Roses. Uma cover dos Taken by Trees, outra banda que ninguém conhece. Liderada pela ex-vocalista dos The Croncretes, outra banda quase desconhecida, que toda a gente já a ouviu no smash-hit “Young Folks” de Peter, Bjorn & John. Mais uma vez graças a um anúncio televisivo de uma rede de telemóveis. Há coincidências...

quarta-feira, janeiro 14, 2009

As jovens cristãs portuguesas têm todo o direito de escolher um marido de merda, desde que não seja um cabrão de um muçulmano

Nunca ouvi o senhor cardeal, ou qualquer outro responsável da igreja católica portuguesa, preocupado com as estatísticas da violência doméstica no nosso país e recomendar cuidado às meninas portuguesas antes de se casarem com um português. E não são poucas as que se metem num monte de sarilhos, que nem Alá nem Buda nem Deus nem Jeová sabem onde acaba. Mas, ok.

[Modo popular] Já punha a gaita a render, já! [Modo popular]

Ora através de uma rápida análise aos cachets dos nossos músicos por alguns dos seus concertos do ano passado, chego à seguinte conclusão: se alguém paga seja lá o que for aos hands on approach para tocarem ao vivo, tudo o resto parece-me perfeitamente justificável. Até mesmo uma "banda de gaitas" por 6000 euros... Já agora, isto dá quanto por gaita?

domingo, janeiro 11, 2009

A máscara

Raramente perco o programa "Os segredos da Magia" (SIC, passa aos sábados à noite). Gosto sobretudo da parte em que o mágico termina o seu truque, cruza os braços e duas vistosas assistentes, em trajes minimalistas, enroscam-se nele. Deve ser por isso que ele usa a máscara: para não se ver corar.
Quando não é para encobrir o seu embaraço, é para tapar um tubinho por onde passa o oxigénio que o permite permanecer dentro de um tanque cheio de água. Se eles não revelassem aquele truque, toda a gente acreditava que um mágico conseguiria sobreviver mais de 18 minutos sem respirar, claro.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

E agora quem bate uma sou eu!

Acredito não estar a ser demasiado radicalista ao afirmar que o mundo virtual, da net em geral, é sustentado por ilusões. Para atingir determinados propósitos, que por si só podem não ser os mais sinceros, as pessoas fazem de tudo. Incluindo não serem elas próprias. Quem está do outro lado acredita. Acredita sobretudo naquilo que lhe mais convém. E o que lhes convém acaba por não ser nem o que a outra parte pretende ser e, muito menos, aquilo que na realidade o é. Confusos? É natural. Este círculo vicioso de tretas e fantasias baralha tudo e todos. Sobretudo quem pretende encará-lo, como encara tudo o resto na sua vida, com seriedade.
Algumas pessoas usam a internet para desenvolver personalidades paralelas e é curioso verificar o seu antagonismo, quando se compara a verdadeira com a clonada. Aquela pequena mentira de tirar uns anitos à idade passa a ser completamente insignificante comparada com outras falsidades que se arranjam por aí no plano cibernético. A parte mais interessante desta questão passa pelo objectivo de não tanto querer iludir o outro, mas a si proprio. Sim, porque isto também está relacionado com a auto-estima! Da masturbação “sexual” à intelectual tudo serve para dilatar o ego.
Mas, felizmente, na internet também há muita coisa boa. Só que ela não aparece fruto do acaso. Sendo uma criação humana, é importante que se perceba que continuando a usá-la hipocritamente, através dos seus variadíssimos meios - sejam por blogues, fóruns, chats, "messengers", caixas de opiniões, etc., onde o espaço é público e livre -, ela nunca deixará de ser muito mais do que um saco de lixo de frustações.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

A idade do vício

Da primeira vez que uma pessoa se apaixona sente-se infelicíssima, porque pensa que não vai sobreviver a tão "estranho" e brutal sentimento. Da segunda, e talvez da terceira, sente-se feliz, porque sabe que o amor nunca a dominará por completo - há quem não consiga atingir este controlo tão cedo (ou nunca). No entanto, chega uma altura que o ânimo e a energia escasseiam, em que já não se acredita que o amor que se sente possa ser sincero. Porque o amor, puro e duro, depende da inocência. E onde é que esta está, quando se vai amar apenas por vício?

terça-feira, dezembro 30, 2008

Uma imagem para 2008


Foi preciso dois robots revelarem-nos a insignificância das novas tecnologias - que supostamente nos mantém virtualmente em contacto uns com os outros, mas mais que não fazem do que nos afastar do mundo (real) - face ao contacto directo de um simples toque entre mãos. Uma metáfora cinematográfica que espelha a mais pura das verdades: estamos mais evoluídos, mas nunca estivemos tão longe daquelas “mãos dadas”, que Wall-E adorava ver, sempre que punha a funcionar a sua velhinha cassete de VHS de “Hello, Dolly!”.

Temos mais e melhores meios que nos aproximam uns dos outros. No entanto, limitamo-nos a usá-los para tranquilizar a nossa consciência face a qualquer compromisso que tentamos manter com os outros. Um dia quando percebermos que o envio de um SMS ou mesmo uma chamada "a marcar o ponto", está muito longe de ser uma demonstração de afecto válida, pode já ser tarde demais.
Até lá, vamos continuando a fingir que somos máquinas.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

O que fazer com os nossos animais: rentabilizamo-los ou desprezamo-los?

O mundo da venda de animais domésticos trilha-se por caminhos muito nebulosos. Desconheço a legislação em vigor mas parece-me obvio que, tratando-se de um contrato comercial, seja obrigatório a emissão de um documento que oficialize a venda. Resta saber, dos inúmeros cachorros e gatinhos que se vendem diariamente por , quantas facturas são emitidas? O nosso estado fará ideia do valor desta suposta fonte de rendimento que lhe escapa pelos escorregadios dedos da sua “eficaz” mão tributária?
Se vejo, também por , criadores a vender ninhadas de 10 cães a mais de 500 euros por animal, é só fazer bem as contas e perceber o quão rentáveis podem ser estes “negócios animalescos” de luxo.
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Em contraste, num outro mundo (completamente à parte), o dos canis municipais e outros centros e associações de recolha de animais abandonados vive-se na extrema miséria. Falta tudo: condições em geral, espaço, comida, medicamentos e sobretudo uma companhia humana. Sempre na eminência de um triste final: o abate. Quem conhece bem este mundo sabe o esforço que algum voluntariado faz para constantemente salvar vidas desse cruel destino.
Seguindo esta premissa, deixo aqui uma recomendação para um original presente natalício. Em vez de se perder tempo e paciência nos grandes aglomerados comerciais que nesta época ficam mais concorridos que nunca, porque não fazer um pequeno desvio e passar pelo canil/gatil mais próximo e adoptar um animal para oferecer alguém que precise de uma boa companhia e tenha boas condições para o manter? Seria um presente financeiramente imbatível e faria, garantidamente, dois seres vivos muito felizes.
Foi exactamente isso que fiz. Este cruzado de Dogue Alemão passará já este Natal num lar que lhe dará todo o carinho que um animal merece. Bem longe da rua e de um incerto futuro.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Medo da vida


Um padre durante uma longa conversa com um prisioneiro revoltado diz-lhe isto:
You're afraid of life.

Fome” (Steve McQueen) é um filme duríssimo. Faz-nos recuar aos inícios dos anos 80 e relata-nos a história de um grupo de prisioneiros do IRA que protestam contra o facto de não lhes atribuírem o estatuto de presos políticos. Recusam-se a tomar banho, a vestirem as fardas e já no final do filme iniciam uma greve de fome, que acaba por ser fatal para alguns deles.
A primeira ideia que me veio à memória durante a sua visualização chegou em forma de livro: “Se isto é um homem” de Primo Levi. Ambos revelam o que acontece quando o corpo e a mente são levados ao limite. O limite da degradação da condição humana. No filme, por vontade própria; no livro, pela infelicidade de não se ter nascido de “raça pura”.

Quando as nossas inquestionáveis crenças destroem a capacidade de pensar, realisticamente, sobre as consequências das nossas acções, não admira que – é aqui que entra a teoria do Padre - tenhamos mais medo da vida, do que da morte.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

domingo, dezembro 14, 2008

Boas ideias

inspirado em:
O Manoel de Oliveira se quiser pode entrar por uma multiópticas a dentro, com uma mochila, e enfardar óculos lá para dentro à vontade... então é "desconto igual a idade". E para o ano ainda lhe dão troco.
@ Os Contemporâneos

quarta-feira, dezembro 10, 2008

'Bute lá fazer uma revoluçãozinha

Bi the Way é um interessante olhar documental sobre a bissexualidade. A bissexualidade nos tempos que correm, nos Estados Unidos, para ser mais preciso. As duas realizadoras, Brittany Blockman/Josephine Decker, viajaram pela América com o intuito de recolher uma série de depoimentos de gente (mais ou menos) anónima e de alguns especialistas. Para que no fim tentamos perceber se o assunto é mesmo só uma moda efémera de uma “whatever generation” ou já um reflexo de uma mudança de mentalidades. Com este documentário não se espere muitas respostas concretas, mas só pelo facto de partir do princípio de que não há uma sexualidade única e homogénea, já vale bem a pena o tempo dispendido com ele. Uma revolução sexual que passa pela libertação de velhos e caducos dogmas é sempre bem vinda. Mesmo que esta tenha em Lindsay Lohan ou num beijo de duas popstars como imagens simbólicas? Sim, creio que sim.

Um dos mais curiosos feedbacks a este documentário apareceu há alguns meses atrás num artigo do New York Times. O filme acaba por ser um mero pretexto para que o jornalista introduza uma série de estudos sobre o tema. Há um especial destaque dado ao que as mulheres heterossexuais pensam disto tudo. Ou melhor, que “desejam” disto tudo. Por exemplo, a Dra. Meredith Chivers, investigadora do Center for Addiction and Mental Health da Universidade de Toronto conclui:

Heterosexual women were no more excited by athletic naked men doing yoga or tossing stones into the ocean than they were by the control footage: long pans of the snowcapped Himalayas. When straight women viewed a video of a naked woman doing calisthenics, on the other hand, their blood flow increased significantly.
What really matters to women at least in the somewhat artificial setting of watching movies while intimately hooked up to a device called a photoplethysmograph, is not the gender of the actor, but the degree of sensuality. Even more than the naked exercisers, they were aroused by videos of masturbation, and more still by graphic videos of couples making love. Women with women, men with men, men with women: it did not seem to matter much to her female subjects.
“Women physically don’t seem to differentiate between genders in their sex responses, at least heterosexual women don’t,”(…) “For heterosexual women, gender didn’t matter. They responded to the level of activity.”


Mais à frente ela confirma a ideia, também com base em mais estudos, de que os homens que se consideram bissexuais acabam por ter sempre uma certa inclinação para alguém do seu próprio sexo. E depois regressa às mulheres ou para ser mais correcto, às mulheres heterossexuais, sublinhando que as suas atracções funcionam de uma forma muito diferente. Ou pelo menos não funcionam de uma forma muito linear.
Um outro estudo, neste caso, de Lisa M. Diamond, da Universidade do Utah, também confirmou tal facto.

Straight and gay men, as well as lesbians, were more predictably aroused by images of their preferred sex.

O infortúnio de um país pode muito bem começar durante a partilha de um pastel de feijão

sábado, dezembro 06, 2008

8 dos melhores filmes de 2008 estreiam em Portugal lá para 2012, isto se houver vaga ou o mundo não acabar entretanto

Se este mundo fosse perfeito, em vez das estopadas em forma de fitas cinematográficas que estreiam semanalmente por cá, já tinhamos tido o prazer de ver:

Man on Wire (James Marsh)
Milk (Gus Van Sant)
The Wrestler (Darren Aronofsky)
Mister Lonely (Harmony Korine)
Slumdog Millionaire (Danny Boyle)
Bi the Way (Brittany Blockman/Josephine Decker) *
Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen)
The Last Mistress (Catherine Breillat)

*Este aqui, já visto por esse "imenso" público que tem possibilidades de ir assistir a uma sessão ao fim da tarde num festival gay e lésbico em Lisboa, merece um post só para ele. É aguardar.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Pormenores


Em continuação do post anterior chamo a atenção desta reportagem para o facto da Mafalda continuar mais bela que nunca e um dos senhores criminosos usar o passa-montanhas ao avesso.

A Mafalda Gameiro é a minha heroína do século XXI















Mais uma vez a jornalista Mafalda Gameiro (“Em reportagem”, RTP1) conseguiu fazer uma daquelas proezas que a nossa polícia afadiga-se para conseguir: uma entevista exclusiva com dois membros de um gangue especialista em tráfico de armas. Até consegue mais. Obriga-os a confessar todos os crimes virados para a parede. Assim mesmo, de castigo.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Quando, na realidade, não se sente falta de "alguém" mas de "algo"



Um dos melhores diálogos do primeiro episódio da segunda temporada de Dexter surge, curiosamente, entre a irmã (Debra) e a namorada (Rita) do nosso herói. Num bar, ambas desabafam sobre os seus miseráveis passados: Rita e o seu ex-marido violento... Deb e o seu ex-namorado serial killer.

Rita: "Paul was so horrible to me, but sometimes... and don't tell Dexter... I find myself missing the good parts of him."
Deb: "It's not him that you miss, 'cause what he had to offer wasn't real. The way he made you feel about yourself? That was real."

quinta-feira, novembro 27, 2008

Aviso

Segundo os Maias este blogue (e o mundo em geral) vai acabar a 21 de Dezembro de 2012. :(
A boa notícia é que o Roland Emmerich deixará de fazer filmes sobre o fim do mundo. :)

segunda-feira, novembro 24, 2008

Aranhas e baleias

O confronto de uma suposta ou verdadeira inocência com a pura zombaria pode resultar em situações antagónicas: ou estupidamente hilariantes ou estupidamente cruéis. O respeito depois faz toda a diferença.

sábado, novembro 22, 2008

O lado desconhecido é sempre o mais apelativo

A única vez que vi Pedro Pinheiro, sem ondas electromagnéticas pelo meio, foi durante uma amena noite de Agosto, há alguns anos atrás, numa daquelas romarias de verão de aldeia. Era a noite que encerrava aquela festa popular e, por tal, era também a mais concorrida. Enquanto pelo palco desfilavam dois ou três artistas, mais ou menos - pelo menos para mim - conhecidos do panorama “pimba” nacional, eu e um vasto grupo de amigos e amigas confraternizávamos pela zona adjacente ao bar, e mais afastado do local onde o espectáculo decorria. A nossa animação foi subitamente interrompida pela interpelação de um dos elementos do meu grupo:
- Hey... Já viram quem está por ali sentado numa daquelas mesas do fundo?!
Os nossos olhares concentraram-se na referida (e devidamente apontada) zona... Com o nosso súbito silêncio a música que vinha do palco pareceu querer soar mais alto. Desconhecendo a pessoa em questão, não pude participar no seguinte diálogo que se perseguiu:
- Pá. É aquele actor dos “Malucos do Riso”!
- Hã?
- Quem?
- “Oh Costa, a vida coooosta!”
- Ah esse!
- Pois é... É mesmo, aquele bigode não engana.
- Diz que nasceu por aqui e agora veio morar para estas bandas de novo.
- Tem uma “bruta” de uma vivenda... Ali para cima...
- Consta que sim, consta que sim. O velhote merece!
- O meu pai diz que ele é paneleiro!
- Quê?... A sério?
- Também já ouvi dizer isso...
- Sim, diz que o tem visto a entrar na casa dele, de carro, com outro gajo ao lado...
- Isso não quer dizer nada...
- Pois não, mas também ouvi dizer outras coisas...
- Ahh é actor e tal...
(Risos)
Foi assim que fiquei a saber quem era Pedro Pinheiro, figura pública residente numa terra que se orgulhava de o receber como convidado especial - durante o espectáculo de variedades, o seu nome foi referido por alguém que estava no palco e consequentemente aplaudido pela restante assistência e ele, discretamente, acenou da sua mesa, sem se levantar. No entanto, os seus conterrâneos não deixavam de criar suspeições (literalmente, pelas suas costas) sobre a sua vida mais íntima.
A nossa cultura puramente popular, vive muito disto: exalta os seus heróis pela sua bravura, para assim que puder espetar-lhes umas farpas pelas suas aparências.
O povo gosta de os ver brilhar, ao mesmo tempo que mantém um certo fascínio mórbido pelas suas obscuridades...

“Era solteiro e não deixa filhos.”
O Correio da Manhã, como referência popular que é, acaba por passar a informação peculiar, a que as pessoas mais querem saber. Fez infinitas dobragens, foi actor de novelas, séries e filmes (há um filme sobre Amália ainda por estrear no início do próximo mês em que ele participou), foi encenador e escritor de peças de teatro radiofónico, mas, segundo o “perfil” do CM, tudo isso passa a ser secundário quando se morre sozinho e sem descendentes? O que interessa ser uma pessoa com talento e morar numa grande casa se depois leva lá para dentro pessoas muito “suspeitas”?

quinta-feira, novembro 20, 2008

Globalizar (ou encher chouriços) por aí


Depois de terem estagiado por cá, depois de terem passado pelo Brasil, pelos Açores, por África (lembram-se daquele hilariante momento televisivo nacional onde se viu uma espécie de ataque de um leão?!), pelos Estados Unidos (nem as torres gémeas escaparam), mais recentemente, pela Índia, as novelas da tvi chegaram finalmente à Madeira.
Meu Deus, não há local no mundo que lhes escape! As novelas da tvi são um verdadeiro emplastro à escala global.

terça-feira, novembro 18, 2008

segunda-feira, novembro 17, 2008

Artista que é artista tem que ter muito sentido de humor

não é?

Companheiros de curto prazo

Durante um zapping no final de tarde televisiva de ontem deparei-me com um programa especializado em caça. Estava na RTP2 e o programa em causa chama-se: "Couto & Coutadas". A apresentadora é gira, uma subespécie de Soraia Chaves, em versão rural, de olhar igualmente expressivo mas bem menos atrevido. Começam logo por ser interessantes as intervenções dos caçadores que debitam frases simples e sem grande preocupação gramatical, enquanto os vemos em acção. Fala-se, depois, das novas tendências na roupa para esta época (?)... "os camuflados que se usam na caça tem que dar uma sensação de floresta". Também gosto da relevância e do respeito que dão aos seus "companheiros de caça" - os cães. Enquanto um dos intervenientes ia dando dicas de como tratar bem dos cachorros, veio-me à memória várias imagens dos carros de caçadores com os seus mini-atrelados onde os seus “companheiros” viajavam amontoados... Bom, mal por mal, pelo menos aqueles regressavam. É que a minha experiência de vida no campo, também me permitiu confrontar com a ainda mais triste e dura realidade dos infortúnios cães que são “esquecidos” pelos seus donos (caçadores) em coutada alheia.

terça-feira, novembro 11, 2008

Porque recordar é (sobre)viver:

Entre a razão e o coração


... ela escolhe quase sempre a primeira. Porque sabe que, independentemente da escolha, sai sempre magoada e a dor física é passageira.
Weeds é mesmo uma grande série, Puto.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Saia da rotina e afunde mais um banco!

Como esta moderníssima promo do programa "Prós e Contras" pretende querer aplicar-se a todos os casos que se leva a discussão, logo, para o programa desta noite a mensagem é: quem nunca quis ser um desleixado presidente de um Banco e pedir um plano poupança reforma no valor mínimo de 10 milhões de euros que atire a primeira pedra!
Será mesmo preciso vestir (ou despir) o fato e a gravata para entender o outro lado?

sexta-feira, novembro 07, 2008

A nossa vida é (naturalmente) dramática mas não precisa de ser assim tanto

Para algumas pessoas, paixão é sinónimo de insegurança levado ao ponto de questionar constantemente os sentimentos do outro ou de equiparar formas de demonstrar tal humano sentimento. A parte desestabilizadora desta questão começa quando este estado de instabilidade emocional passa a ser revelado por todo um grau de dramatismo que assusta qualquer um (directamente envolvido). Porque no fundo uma coisa é viver uma paixão séria, sem desconfianças constantes e tragédias eminentes, outra bem diferente é fazer disso a nossa própria novela da noite.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Ser maxo é... nunca desperdiçar escasso talento

Casar é que não. Era como ter os U2 a actuar todas as noites para a mesma pessoa!
in ZÉZÉ CAMARINHA - O último macho man português

Ser maxo é... escolher um bom inspirador

Espero que este meu testemunho sirva para inspirar todos aqueles que ainda gostam de mulheres.
in ZÉZÉ CAMARINHA - O último macho man português

Ser maxo é... deixá-las a subir pelas paredes

Final da noite e depois do Bananas fechar ela chega ao pé de mim e convida-me para um cafezinho em casa dela. As coisas estavam a mudar. Já era ela a querer a minha companhia. O meu esquema estava a resultar e, em breve, iria trazer-me resultados. Despedi-me de toda a gente e fui para casa dela. Cheguei à porta e dei a machadada final. Não quis subir. chama-se "técnica da negação", elas estão convencidas que são boas e que um gajo está pelo beicinho, e é quando lhes damos para trás. A bifa que não estava nada á espera fico muito admirada e perguntou-me se não gostava dela.
in ZÉZÉ CAMARINHA - O último macho man português

terça-feira, novembro 04, 2008

Be Shô See (versão 2008)


Só ontem tive a possibilidade de constatar que “Vip Manicure” (SIC) é a brejeirice do ano. Podia ficar-me pelos péssimos textos e cenários, mas nada supera o constrangimento de ver a Rueff debitar piadas revisteiras. O que podia ter por ali alguma piada, já foi mais que visto e revisto: imitação da Amy Winehouse decadente ou do travesti do "Finalmente". A interpelação aos VIP podia render também alguma coisa se estes tivessem um discurso mais natural. Não acontece, pelo contrário. A palhaçada é tanta que cheguei a temer que às tantas entrava, de rompante, cenário adentro a Marina Mota, o João Baião e meia dúzia de dançarinas semi-desnudas cheias de plumas. Enganei-me. Desta vez, foi só o José Castelo Branco.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Amor,

enquanto lia e relia as tuas palavras, acreditas que me identifiquei com elas? Numa outra perspectiva, mas sentimentalmente é algo que passa muito por aí, sim.
Vamos por partes. Primeiro caso, alguém que só dá notícias quando está só, triste ou aparece de relance no Telejornal, demonstra o óbvio: o desespero por uma auto-estima que já teve melhores dias e precisa da (com)paixão de outrem para a elevar. Estranhas os seus súbitos entusiasmos que dão, depois, lugar aos longos e estranhos silêncios? Não estranhes, linda, tudo isso é variável com os ciclos da auto-estima da pessoa em questão. Um diagnóstico semelhante pode-se apresentar ao outro caso. Um caso mais complicado, já que necessita de ti para muito mais que valorizar o seu ego. Esta última personagem precisa de uma razão para dar sentido à sua vida e relação monótonas e encontrou em ti um escape para tudo isso. Tudo isso, para além da atracção sexual para a qual não há explicação nem, aparentemente, grandes complicações, segundo me parece – os instintos não se explicam, vá lá, entendem-se.
Ficar na defensiva é uma opção, como tu até sugeres, desde que se tenha plena consciência do que se quer e do que se pode realmente obter. Se assim for, estamos conversados. Agora espero é que também saibas que não é fácil deixar de criar expectativas face às circunstâncias que descreveste, quando num dia nós podemos ser a melhor coisa do mundo, para no seguinte passarmos à frustração de uma nula existência – o problema disto está nas promessas poderem ser tão estupidamente provisórias e as palavras bonitas serem ditas de forma tão inconsciente!
A diferença abismal entre pessoas equilibradas e as que não são, está directamente relacionada com a consistência dos seus sentimentos e dos seus respectivos discursos. Portanto, a tarefa de entender estes “seres estranhos” que nos aparecem à frente, nesta vida, até é mais fácil que parece.
E perguntas tu, e muito bem, no fim: “onde entro eu nisto? Quem somos nós, então, nestes “filmes”? Pouco mais que meros figurantes. Pessoas de passagem em vidas desnorteadas, complexas e confusas. E, sinceramente, amor, nós merecemos muito mais que isso.
(Respondi por aqui porque sei que me lês e porque quero revelar publicamente a minha tentativa de ser um bom conselheiro, mesmo tendo a plena consciência que estou longe de o ser, de alguém que adoro. E porque como ninguém está imune a relacionamentos destes, nada como partilhá-los para que a identificação seja o melhor remédio.)

sexta-feira, outubro 31, 2008

quarta-feira, outubro 29, 2008

Comentários, where are uuu?

Aos "inúmeros" comentadores deste blogue, peço desculpas em nome do blogger, pois não sei onde foram parar as vossas mais recentes intervenções. Todos comentários foram por mim aprovados mas não foram, sabe-se lá porquê, publicados.
Tudo isto porque julguei que a moderação era o melhor remédio para "bocas imberbes". Julguei mal. Portanto, o melhor é isto continuar livre e à vontade do freguês, como dantes.
Se alguém tiver vontade, boa memória e mais nada para fazer que reescrever tudo de novo, eu até ficar-lhes-ia eternamente grato. Imaginem.

Se este mundo não é infinitamente injusto vou ali só dar a volta ao mundo em executiva e já venho.

Uma viagem de avião nunca é uma experiência monótona. Que diga um amigo que, segundo ele, teve relações sexuais com uma desconhecida a bordo de um. Tendo um alto cargo numa empresa pública, ele viaja sempre em executiva e desta vez consta que a sorte, em forma de Afrodite, lhe veio sentar mesmo ao lado. Trocaram poucas palavras ao longo das primeiras horas de viagem, mas sentiu uma certa atracção mútua desde do primeiro momento em que cruzaram olhares. Foi só no período nocturno, quando reinava um silêncio, unicamente cortado pelo barulho dos motores do avião, que tudo aconteceu. Um ambiente muito pouco iluminado e aconchegado pelos cobertores, que aqueciam-lhes os corpos, também ajudou a proporcionar os primeiros toques. Abstraíram-se de tudo à volta e deixaram ser conduzidos pelos desejos. Aparentemente até às últimas consequências. “Fizemos tudo”. “Tudo?” - ainda questionei perplexo. Não quis ser muito curioso, mas mantive a minha cara de espanto face a tanta audácia. “Já viajaste em executiva em aviões de longo curso? Temos mais privacidade que numa praia deserta!” Achei interessante a comparação e fiquei a pensar na eventualidade de tal poder vir a acontecer nas minhas viagens. Face ao meu humilde estatuto, surge-me logo um obstáculo incontornável: só viajo em classe turística. Fico frustrado, desconheço todo aquele intrigante mundo que se fecha literalmente sobre cortinas e já percebi que tem muito mais potencial que o meu. As imagens que fico das minhas mais recentes experiências aéreas são desinteressantes. Bom há sempre alguém que se recusa colocar o cinto de segurança na altura da descolagem, ou que se levanta do lugar antes de se ter dado ordem para tal, alguém que atende o telemóvel, etc., qualquer coisa estúpida para contornar a rotina. Mas de resto só vejo um avião apinhado de pessoas, sentados em lugares desconfortáveis e com um limitadíssimo espaço para esticar qualquer um dos membros. Sinceramente, perante esta situação, aqui também não falta calor humano. Mas é daquele que vem em doses exageradas e muito pouco excitantes. (Mas para os fãs deixo uma dica mais em conta: Metro em hora de ponta!)
Resumindo, um azar nunca vem só. Um pobre para além de não bastar sê-lo, tem muito menos possibilidades de prevaricar com estilo.

terça-feira, outubro 28, 2008

O Correio da Manhã tem ainda tanto que aprender

What will St Bono's wife say about him partying with two teenage girls?





Se o gajo comeu-as ou não pouco interessa, o importante é saber o que a esposa de um family man and anti-poverty campaigner pensa das suas brincadeiras com duas teenagers num yacht Cyan, £12million, 140ft with six cabins...


sábado, outubro 25, 2008

Tipo de colegas: agente da Bimby

Tenho uma colega que é agente da Bimby. Já passou a fase da tentativa de impingir a toda a gente a máquina doméstica que faz tudo menos aspirar, passar a ferro e pouco mais. Agora fala a toda a hora do que consegue fazer com aquilo. Gelados, arroz de pato, bolo de chocolate, pão de 632 cereais, caipirinhas, sopa de meloa, creme anti-rugas, Já conseguiu converter um terço do escritório em “bimbalhões” e é essa a má notícia: eles estão a propagar-se.
Acredito nos magníficos resultados que este milagroso electrodoméstico possa produzir, pois já o vi funcionar in loco. No entanto também já me apercebi que algumas pessoas assim que se adaptam a ele, perdem algumas das mais básicas capacidades humanas. Ainda esta semana a “coleguinha”, desabafa o seu desespero na busca pela internet de uma receita bimby para fazer um cozido à portuguesa. Perguntei-lhe: “Por acaso sabes o que é um tacho? Esse utensílio doméstico que dá para ferver água e meter uma série de alimentos lá para dentro?”

quarta-feira, outubro 22, 2008

Escafodeu-se em sessenta e tal segundos!

Há um filme português que ainda nem sequer tem data de estreia anunciada mas que já causa alguma polémica. O 100volta tem tudo para ser um sucesso comercial, mesmo que seja uma cópia descarada e, aparentemente, amadora de um outro “produto” americano e mesmo que tecnicamente seja desastroso. Segundo o seu sítio, tudo isto, oficialmente patrocinado pelo ICA!
O que nos é apresentado aqui é um gajo armado em realizador, com muitos amigos, meia dúzia de trocos e tempo a mais entre as mãos - o que não seria mau noutras circunstâncias e se ele se esforçasse para arranjar uma boa equipa técnica para o ajudar. Isto é qualidade youtube, coisa que os padres amaros, sortes nulas e conversas da treta, pelo menos, não eram.
É óbvio que o ICA não deve financiar só um cinema erudito e intelectual. Pode e deve apostar em cinema independente, de autor, de entretenimento esclarecido ou imberbe; pois se é isso que a maioria gosta de ver em cinema: consuma-se o que é nosso. Acho que deve é haver limites. E o mínimo pedido aqui era ter uma noção do que é fazer um filme em condições, por mais descomprometido que ele possa ser.
Do argumento deste projecto retiro um aspecto que me agrada bastante, que espero não ser falacioso: a caracterização dos personagens tipicamente portuguesas. Se não aprendemos nada por aqui, pelo menos divertimo-nos com um chico-espertismo bem declarado, por exemplo. (Já não me agrada tanto a “pornografia” gratuita, que tem vindo a ser um cliché nesta nova geração de cinema português, mas isso já é outra conversa.)

segunda-feira, outubro 20, 2008

Poder da imagem VS Poder da palavra

“Gomorra” já estreou por cá há várias semanas, mas só hoje me apeteceu falar dele. Não que ele não tivesse merecido qualquer referência antes, pelo contrário: estamos perante um dos melhores filmes deste ano.
Para além de tudo o que se pode ver em “Gomorra”, fica sobretudo a ideia do “glamour” mafioso levado ao extremo - que o cinema do passado ajudou a sustentar - junto de algumas comunidades em Nápoles ou na Sicília. Um “glamour” orgulhosamente copiado e retratado por algumas personagens deste filme. É por isso que este filme revela e reforça o poder da imagem. Sobretudo depois de termos ficado a saber que ele é inspirado num livro, com o mesmo nome, cujo autor recebeu várias ameaças de morte e por tal reside em local secreto, vigiado por uma escolta policial permanente. Contrapondo com o facto de o realizador que transpôs a obra para cinema, para além de não ter recebido qualquer forma de contestação, ter sido muito bem recebido pela povoação retratada na história (do livro, ou do filme).
Não dá que pensar quando um ser humano numa expressão artística revê-se como um assassino e noutra como um herói?

quarta-feira, outubro 15, 2008

Disco do dia

É, basicamente, uma merda. Todos os anos fazem um disco praticamente igual ao do ano anterior, a música é a mesma, só mudam as letras. Criatividade? Evolução? Alguém lhes mostre o último trabalho dos Boris ou de Buraka, por favor.
E nem vou comentar aquelas fonts da capa...

quarta-feira, outubro 08, 2008

Crise? Crise é vender-se apartamentos sem jacuzzi no quarto, pá!

RTP1, hoje, 21:00: As Casas da Crise - Muitos portugueses estão a sentir grandes dificuldades em vender as suas casas. A súbida das taxas de juro, o fim do crédito bonificado, as avaliações feitas por baixo e as limitações de concessão de crédito fez com que o mercado imobiliário para a habitação esteja a viver um forte momento de crise. Pelo contrário, o segmento de luxo continua a ser comercializado ainda na fase de planta.

Por exemplo, aqui pela linha, no Estoril Sol Residence, o condomínio de luxo que só vai começar a ser construído no início do próximo ano, já se venderam mais de 60% dos apartamentos. (Ah, uma "casinha" destas pode custar 8,7 milhões de euros.)
O sucesso de vendas está a ser tal que a imobiliária considera a possibilidade de aumentar os preços – que são valores de pré-construção e que têm em conta o facto de os apartamentos só estarem prontos a habitar em 2010. Por enquanto, ainda se pode comprar T2 por valores entre um milhão e os 1,5 milhões de euros ou T4 por entre 2 e 2,5 milhões de euros. Isto só nos andares mais baixos das torres – onde vai ficar a criadagem e os pobrezinhos, portanto. À medida que se sobe, o preço também aumenta, até aos tais 8,7 milhões: apartamento mais caro actualmente disponível. Havia um outro mais caro, mas a imobiliária não quis revelar o preço por já ter sido vendido.

terça-feira, outubro 07, 2008

doclisboa 2008 II

Este festival tem uma secção chamada Novas famílias, novas identidades. E sobre isto, especificamente, a sua organização diz:
Os padrões jurídicos que definem a família, o casamento, a identidade e o género sofreram alterações significativas nas últimas décadas em diversos países do mundo ocidental. Hoje a família não tem necessariamente por único modelo «o presépio», com as suas hierarquias tradicionais. A família, a identidade e a definição de género conquistaram publicamente parâmetros mais largos (que sempre existiram a nível minoritário), e permitem novas formas de liberdade. Esta transformação dos costumes é muitas vezes razão de confronto e dá origem a uma abundante produção documental, particularmente rica em testemunhos e material para reflexão.
Tudo certo, excepto o que está a bold. São conceitos distintos, que, aqui, não fazem qualquer sentido aparecerem separados. Como não vamos ver nenhuns seres extraterrestres nem uma nova espécie sobrehumana como estas “novas identidades” parecem querer sugerir, logo o que se aborda por aqui são só: identidades de género. Parece-me claro, não?
Pois bem, a não perder há:


17 OUT. 15.00 –São Jorge (sala 3) 26 OUT. 11.00 –São Jorge (sala 3)
Be Like Others
de Tanaz Eshaghian
74´ Irão/Canadá/Reino Unido/EUA 2008
Documentário inquietante que acompanha ao longo de mais de um ano as operações de mudança de sexo numa importante clínica do Irão, e apresenta a posição dos médicos, dos pacientes e do Estado. Be Like Others revela-nos uma geração de jovens iranianos “diagnosticados” como transexuais num país que financia a mudança de sexo, mas condena os homossexuais à pena de morte.

18 OUT. 15.00 – São Jorge (sala 3) 26 OUT. 17.00 – São Jorge (sala 3)
My Mums Used to Be Men
de Julie Beanland
57´ Reino Unido 2005
Primeiro, o pai de Louise chamava-se Brian, só após a operação de mudança de sexo passou a chamar-se Sarah: é agora a mãe. O companheiro de Brian, um camionista chamado Lee, também fez uma operação de mudança de sexo e chama-se Kate: é hoje a OUT.a mãe de Louise. Não há razões para ficarmos confusos: desde que as notícias desta invulgar família estalaram em todos os tablóides ingleses (que a nomearam como “a mais estranha família britânica”), Louise tem sido alvo de várias troças e provocações na escola. Ela não se esconde e está determinada a provar que, se os OUT.os os deixarem em paz, têm tudo para ser felizes.

18 OUT. 17.00 –São Jorge (sala 3) 26 OUT. 19.00 –São Jorge (sala 3)
Kenia and Her Family
de Llorenç Soler
55´Espanha 2005
Um documentário que retrata a experiência de um casal de mulheres na Catalunha, Julia e Aida, que decidiram ter um filho. Depois de quatro tentativas de inseminação artificial falhadas, o casal decide procurar junto de um grupo de amigos o pai biológico da criança. À primeira tentativa, Júlia consegue ficar grávida. Ao longo de mais de um ano, seguimos a organização desta nova família alargada, que inclui não apenas as duas mães e suas respectivas famílias, mas também o pai biológico, o seu marido e outros grandes amigos. À recém-nascida, Kenia não parece faltar carinho.

18 OUT. 19.00 –São Jorge (sala 3) 26 OUT. 21.30 – São Jorge (sala 3)
Louise, Her Father, Her Mothers, Her Brother and Her Sisters
de Stéphane Mercúrio e Catherine Sinet
56´ França 2004
Durante um barulhento e divertido jantar, observamos uma família parisiense sentada à mesa. A família de Louise é composta pelo pai, por duas mães, pela mulher do pai, por um irmão e duas irmãs. Françoise e Gérard estão apaixonados há 44 anos e têm três filhos. Já Sybille e Sylviane amam-se há cerca de 23 anos. Como estas pretendiam ter um filho, resolveram pedir à amiga Françoise que lhes emprestasse Gérard, o marido. E ela aceitou.

doclisboa 2008

Disse, por alturas do anúncio do grande vencedor de Sundance da edição deste ano, e repito: o cinema documentário está em verdadeira expansão e já merecia o mesmo destaque e exposição que qualquer outra categoria cinematográfica mais comercial. São películas que, não ficando presas a enredos e a personagens estereotipadas, revela-nos o que de mais puro pode existir em matéria de sétima arte. Tudo isto a propósito do 6º Festival Internacional de Cinema Documental que vai decorrer na capital, entre o dia 16 e 26 deste mês. Segue-se alguns destaques.


17 OUT. 16.30 – Culturgest (grande auditório) 19 OUT. 16.00 - Londres (sala 2) 25 OUT. 21.30 - Museu do Oriente
Mum (Mama)
de Zhang Yuan
90´ China 1990
Primeira longa-metragem de Zhang Yuan, Mama foi também o primeiro filme independente a ser produzido na China desde 1949, realizado com a ajuda de amigos do realizador e revelando desde o início o apetite do cineasta por temas controversos da sociedade chinesa. Uma obra que se concentra na relação entre uma mãe solteira e o seu filho deficiente com 11 anos no cenário de algumas escolas e instituições especiais de apoio a crianças diminuídas. “Mama” combina ficção com documentário de modo a melhor revelar a realidade social das personagens.



17 OUT. 18.00 - Londres (sala 2) 20 OUT. 23.00 – Culturgest (grande auditório)
O Segredo
de Edgar Feldman
25´ Portugal 2008
António Dias Lourenço, hoje com 94 anos, comunista, relembra os anos de encarceramento no Forte de Peniche, durante a ditadura fascista em Portugal, focando-se no episódio da sua evasão em 1954. É essa fuga, de uma coragem física notável, que o filme pretende mostrar. Percorrendo a velha cadeia de alta segurança e o que resta do antigo edifício, Dias Lourenço evoca as peripécias pelas quais passou para se evadir e mostra algumas das salas onde ele e os seus camaradas viviam diariamente. Foi depois de ter sido castigado a um mês de “segredo” (um cubículo sem luz destinado às piores reprimendas) que resolveu engendrar uma das mais bem sucedidas e espectaculares fugas.


O Adeus à Brisa

de Possidónio Cachapa
55´ Portugal 2008
Um homem fala sobre o seu passado, que se confunde com o da História do seu país. Num discurso comovente, evoca a luta pela liberdade e a sua crença nas revoluções e na supremacia da Beleza. Sentado na sua sala, Urbano Tavares Rodrigues mantém-se o escritor, o resistente, o que acredita no melhor do Homem. E se as coisas em que acreditou nem sempre lhe corresponderam foi porque ainda não tinha chegado o tempo certo. Mas vai haver um mundo novo. Vai haver. No meio do Tempo, Urbano reflecte, enquanto a brisa do sul não cessa de soprar.
20 OUT. 21.30 - Museu do Oriente 23 OUT. 16.00 - Londres (sala 2) 24 OUT. 16.15 – Culturgest (pequeno auditório)
A Day to Remember
de Liu Wei
13´China 2005
Estamos no dia 4 de Junho de 2005 e o cineasta Liu Wei pega na câmara de filmar em direcção à Praça Tiananmen e à Universidade de Pequim com uma pergunta na cabeça: que dia é hoje? À medida que coloca esta questão às várias pessoas com que se cruza, confronta-se com respostas evasivas e a recusa da maioria em relembrar os protestos estudantis de há 16 anos atrás. Muitos afirmam desconhecer os acontecimentos e afastam-se rapidamente, outros limitam-se a olhar para a câmara. A Day to Remember reflecte o mutismo inquieto em que a memória do dia 4 de Junho caiu e como a revolta desse tempo se mantém ainda hoje um tema proibido na China.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Uma solução: a exportação de diamantes (negros)

Consta que o número de pedidos de pré-compra de "Black Diamond" (o novo disco dos Buraka) foi tão elevado que nenhum CD chegou às lojas na segunda-feira, como tinha sido inicialmente anunciado. Ainda esta quinta, em princípio, vai ser posta à venda a 2ª edição.
Parabéns aos mitras mais internacionais da buraca! Stilo meu é q'é puro dam' recent nu kuduro! ;)
E boa viagem!




sexta-feira, setembro 26, 2008

Quando os nosso medos são um entrave à felicidade dos outros

Como diz e bem um amigo meu, esta questão da adopção de crianças por casais do mesmo sexo resume-se a isto: os homens têm um medo natural de gostar de apanhar no cu e por tal nunca conseguirão ser imparciais em relação às causas gays. :D
Temos milhares de exemplos de famílias heterossexuais da treta, com abuso sexual, violentação, violação, terror psíquico, abandono, discussões diárias entre pai e mãe, o que quiserem, mas o horror(!): pôr uma criança nas mãos de um casal de tipos que gostam de saltar ao pacote um do outro é o fim da humanidade! Vão ficar todos paneleiros!
O terror que se instala nas pessoas quando se fala deste assunto chega a ser caricato - e demonstra o profundo machismo em que vivemos, entranhado até ao ridículo. Se é este o preconceito ou o medo que existe face a toda uma orientação sexual, imagine-se os receios que esta gente tem quando são confrontadas com a hipótese de alguém com essa orientação poder vir a adoptar uma criança. Seguem-se os três argumentos mais comummente utilizados. E no fim, questionemo-nos todos: o que mais interessa a uma sociedade civilizada? Que as suas crianças cresçam saudavelmente num lar onde dois seres lhes possam dar carinho e estabilidade ou dar a palavra a um preconceito ou a um medo perverso?

Os modelos, onde estão? O que é hoje em dia ser feminino ou masculino? Subir a árvores é masculino? Fazer bordados é feminino? Onde, quando, como e porquê? Masculino e feminino são modelos comportamentais estanques, que não evoluem? Uma criança precisa de amor e meia dúzia de regras (acordar, comer a horas, tomar banho, perceber que não se atira os playmobils à cabeça do gajo porreiro que lhes faz o jantar, etc). Modelos? Com certeza, de comportamento. Porque quanto ao resto os genes fazem a diferença. Um rapazola de 4 anos heterossexual é um rapazola de 4 anos heterossexual. Vai querer lutas e saltar obstáculos que são grandes demais para ele e ser fanfarrão sem limites. E os pais, sendo gays, vão contrariá-lo e po-lo nas aulas de ballet, é isso?

A sociedade não está preparada. Se isto serve de desculpa para alguma coisa, servirá igualmente para considerar que o 25 de Abril foi um enorme erro porque a população não estava preparada para ser livre. Há coisas para a qual a sociedade não se prepara antes, adapta-se depois

Na escola, os colegas, iriam discriminá-lo. Os putos gozam com os outros e fazem a vida negra uns aos outros por tudo e por nada. Por serem gordos, por usarem óculos, por terem borbulhas, por não terem roupa de marca, não gostarem das bandas de que é cool gostar ou não terem o telemóvel da moda. Melhor ou pior, todos sobrevivemos a isso. Principalmente se tivermos um bom suporte emocional. É esse também o papel da família, dar esse suporte. E isso não depende do sexo dos pais.
Ou seja: há sempre uma razão para as crianças discriminarem-se entre si, há sempre uma razão para sofrer com uma merda qualquer. E há quem se ponha a jeito e quem se defenda. Por norma, defende-se aquele a quem foi dado amor e que foi ensinado a dar a volta a essas situações. E esse tanto pode ser filho de um casal hetero ou gay.

Computer says nooooo!

Os EUA continuam a importar o melhor humor britânico e a adaptá-lo às suas realidades. Por vezes o resultado pode ser catastrófico, mas também pode ser genial. Como diria aVicky: ye, no, ye, no, ye, no, bu... Depois do The Office, é a vez de Little Britain. Algumas amostras por aqui.

terça-feira, setembro 23, 2008

Voting is power!

Com um orçamento de cerca de 2 milhões de dólares, o “documentário online” «Slacker Uprising», de Michael Moore, levou o realizador, em 2004, a percorrer 62 cidades dos estados mais incertos nas eleições norte-americanos, os chamados “swing states”, onde as previsões quase nunca acertam em quem vai ganhar, para tentar convencer os jovens que não pretendiam votar a irem às urnas.

Estreia, supostamente, hoje e o respectivo download gratuito pode ser feito aqui. Mesmo a tempo!

Voltei a acreditar no Senhor


Ne-yo é uma referência no mundo RnB. Mesmo reconhecendo a ingenuidade das suas letras, deixei-me encantar com o seu tom meloso em algumas músicas do seu primeiro disco. Quem não se lembra de So Sick ou Sexy Love? Depois de um segundo disco mais fraquito, volta a surpreender com este “The Year of Gentlement”. “Closer” não me entusiasma por aí além mas depois de ouvir, entre outros temas, “Miss Independent”* recuperei a minha fé. Este pode mesmo ser o ano do senhor. Deste senhor. O Timberlake que se cuide, portanto.


*(…) Ooh there's something about kinda woman that can do it for herself
I look at her and it makes me proud, there's something about her
there something ooh so sexy about the kinda woman that dont even need my help
She says she got it, she got it, no doubt, there's something about her (…)

segunda-feira, setembro 22, 2008

instante II

- Eu teria aceitado, sabes? Se quisesses que eu o fizesse, tê-lo-ia feito. Tu querias?
Rui percebeu nessa altura porque resistira à tentação: não por amor, mas por estar a ser testado, por estar a passar por um teste que não poderia ter dignificado com uma resposta.
- Feito o quê? – perguntou, fingindo alguma inocência.
- Aquela mulher... Queria ir para a cama connosco. Deves ter percebido. Eu, pessoalmente, não queria, mas estava disposta a fazê-lo por ti.
- Porquê?
- Acho que não te conheço suficientemente bem. Não sei se não será o género de coisas que gostas de fazer. Se é, estou disposta a tentar.
Embora nesse preciso momento acreditasse que Helena estava a dizer, Rui reconheceu o perigo de ser honesto com ela e, por amor, mentiu e disse:
- Sabes bem que só te quero a ti.
Mal acabou de falar, apercebeu nela um férmito causado pelo prazer e pelo alívio que tais palavras lhe proporcionaram.
Aprendeu com Helena que, por muito que se consiga sendo honesto, consegue-se o dobro sendo ambíguo. Aprendeu que o amor dela assentava numa falsa interpretação do seu carácter e que, se quisesse mantê-lo, teria de manter o seu carácter indecifrável. Talvez não fosse uma solução para uma relação que duraria mais de vinte anos, mas na altura não estava a pensar em termos de futuro. Estava a pensar apenas no presente, no qual a sua necessidade mais premente era estar constantemente na companhia dela e em que teria sido capaz de assumir qualquer compromisso para atingir esse objectivo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

O processo de recrutamento mais rápido de sempre?

A Autoridade da Concorrência tomou hoje de assalto a secção de anúncios do site do Expresso. Logo de manhã estavam por lá, pelo menos, três (com data de hoje) a pedir Economistas com média superior a 14 valores - alguém que me convença de que este pode ser o melhor indicador para ter algumas esperanças que os que aí vêm possam fazer um trabalhinho mais convincente que os que já lá estão, por favor. Entretanto os anúncios, subitamente, "desapareceram". Com esta rapidez a recrutar pessoal alguém ainda se admira quando apresentam conclusões "inconclusivas"?

quarta-feira, setembro 17, 2008

Problemas

Hoje vi novamente o "Fui infiel, dou porrada na minha mulher, gosto tanto dos meus filhos como o Cláudio Ramos gosta de patarecas e os meus princípios fazem corar o Paulo Portas", da SIC, só para não ser apanhado desprevenido amanhã no escritório. Pois aposto que, de todas as confissões do merceeiro de Gondomar, aquela que vai ser tema de conversa do pequeno-almoço, será a que ele aceitaria manter relações homossexuais por 250.000 euros. Sim, porque a questão da pluralidade sexual é um "problema" bem mais pertinente que o da violência doméstica, por exemplo, e urge ser debatido entre uma meia de leite e um croissant misto.

segunda-feira, setembro 15, 2008

“Para que preciso de um homem?”

Se precisas de um homem para foder, só necessitarás que ele te saiba foder ou, vá lá, dê prazer. Sobretudo isso. Para tudo o resto, necessitarás de respeito. Não sendo isto sinónimo de permanente desconfiança, levado ao extremo da obsessão pela fatídica busca de uma prova de infidelidade. Isso é muito deprimente e estupidificante. E, já agora, para quê tanto trabalho quando os sinais desse respeito (ou falta dele) obtêm-se nas mais básicas acções do dia-a-dia (ou na ausência delas).
Uma mulher precisou de vir a um programa de televisão para confirmar que o seu legítimo esposo não a respeitava. Para que lhe serviu toda essa humilhação pública quando ele já tinha anteriormente dado provas suficientes de uma certa insegurança?
“Um homem daqueles? Inseguro?” Poucas pessoas estarão dispostas a admitir que é apenas através de desgostos que infligem aos outros que sabem que são amados.
“Ah, um homem para se sentir seguro precisa de se sentir amado!”.

Mau gosto



Aquelas sandálias...

sexta-feira, setembro 12, 2008

A alguém muito especial dedico-lhe:

isto*.
(Mesmo que uma música new age substitua os "diálogos", a química está lá. Todinha.)

quarta-feira, setembro 10, 2008

O momendo da aldrabice

Quero acreditar que uma jovem rapariga, num novo concurso da SIC apresentado por Teresa Guilherme, depois de ouvir da boca do marido a confissão de que a acha aborrecida e que aquele manteve relações sexuais sem preservativo com n raparigas desde que casou, diga que ainda acredita convictamente no seu casamento, não passe de uma actriz. Quero acreditar.

terça-feira, setembro 09, 2008

instante

Numa noite destas Rui e André abordaram duas raparigas de Lisboa de rostos semelhantes que, procurando livrar-se de uma multidão de bêbados, iam a sair de um bar. Tratava-se de Helena e da sua irmã. Saltando de assunto em assunto, mas com todos eles a irem dar ao mesmo, acabaram os quatro no quarto de pensão das raparigas, com André a copular com Helena numa das camas e Rui a fornicar com a irmã dela na outra, a menos de um metro de distância. Já nesse momento Helena o amava e talvez por isso tenha escolhido André. Temia a força com que Rui a atraía e o seu instinto dizia-lhe que, logo que se deixasse engolir por esse desejo, jamais conseguiria fugir-lhe, o que acabou por ser verdade. E, embora nunca mais tivessem falado disso, a primeira lembrança que Helena guardava de Rui era a imagem, os sons e cheiro dele enquanto dava prazer à irmã, ao mesmo tempo que ela aturava as tentativas desastradas e os gemidos de André. Este espetáculo viria a persegui-la para sempre.
Na manhã seguinte Rui já não sabia ao certo com qual das raparigas tinha dormido, mas a irmã de Helena estava no duche e André fora à rua comprar qualquer coisa para curar a ressaca, deixando-o sozinho com Helena. Nesse momento ela olhou para ele de uma certa maneira, ele correspondeu-lhe e, passado uns meses, casaram-se. É evidente que houve muitas conversas, muito sexo e muitos passeios sentimentais entre o Porto e Lisboa nesse pequeno intervalo, mas as raízes residiram naquela troca de olhares naquele quarto rasca de uma pensão. A verdade é que, quer se dê por isso, quer não, reconhecemos os nossos parceiros no momento em que nos aparecem à frente e, depois, submetemo-nos quase sempre a tudo o que de inevitável se segue e chamamo-lhes amor.

Ainda faz sentido odiar Oasis em 2008?

Parece que sim.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Mega-post

O jornalismo do espectáculo, que acompanha o ritmo da televisão e tende a ser obsessivo, que não tem autonomia e que está vulnerável a todo o tipo de manipulações, é um dos fenómenos mais perigosos das democracias modernas. As nossas sociedades estão dependentes de jornalistas frágeis perante as fontes e perante a construção de discursos hegemónicos, sem capacidade de investigar e presos à lógica do entretenimento. Tendo um poder imenso, os jornalistas não têm, na realidade, poder nenhum. Manipulam consciências, sem terem poder sobre a agenda que impõem. São, por isso mesmo, manipuladores manipulados.
Ler o resto aqui.

terça-feira, setembro 02, 2008

E por falar em músicas de verão...

Os AC/DC regressam este mês com uma malha, basicamente, igualzinha a todas as outras que já fizeram até à data. No entanto estava aqui a ouvir este "rock n'roll train" e já me estava a imaginar a caminho da costa alentejana, com esta música no ar e encantado por ir desfrutar umas mini-mais-que-merecidas-férias. Posso até estar já a sonhar acordado mas que isto vai acontecer daqui a umas horas, lá isso vai.
Assim que houver condições e tempo (claro), darei notícias lá de baixo. Nem que seja para dizer que a costa vicentina tem as praias mais bonitas deste país.

segunda-feira, setembro 01, 2008

If is "just human nature" why u are so confused?

This was never the way I planned
Not my intention
I got so brave, drink in hand
Lost my discretion
It's not what, I'm used to
Just wanna try you on
I'm curious for you
Caught my attention

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chapstick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

No, I don't even know your name
It doesn't matter
Your my experimental game
Just human nature
It's not what good girls do
Not how they should behave
My head gets so confused
Hard to obey

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chapstick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

Us girls we are so magical
Soft skin, red lips, so kissable
Hard to resist so touchable
Too good to deny it
Ain't no big deal, it's innocent

I kissed a girl and I liked it
The taste of her cherry chapstick
I kissed a girl just to try it
I hope my boyfriend don't mind it
It felt so wrong
It felt so right
Don't mean I'm in love tonight
I kissed a girl and I liked it
I liked it

I kissed a girl, Kate Perry

quinta-feira, agosto 28, 2008

A jornalista omnipresente

Quem desperta diariamente com a manhã informativa da RTP1, por ali entre o “bom português” e o “minuto verde”, nunca pode deixar de se deleitar com as “excitantes” reportagens da Carla Trafaria. É vê-la na inauguração do parque infantil de um bairro dos subúrbios de Lisboa, num qualquer centro de rastreio de diabetes, numa repartição de finanças no dia D’entrega de IRS, numa animada festa de um de lar de idosos... Ainda ontem lá estava ela de microfone em riste junto de alguns veraneantes mais persistentes / curiosos / parolos / analfabetos (riscar o errado) numa praia da Costa da Caparica de acesso estritamente interdito - já que estariam previstos trabalhos de reposição do areal para os próximos dias. Mas hoje, surpreendentemente, estava num bairro do concelho de Odivelas junto duma dessas 645 recentes rusgas ordenadas pelo ministro - resultado: apanha-se meia dúzia de armas ilegais, um quilo de coca e, sobretudo, apazigua-se as almas mais assustadas com “essa” onda de violência mediática e a Carla lá regressará para o seu outro “país real”.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Grandes promoções, é aki!

Todo o snob tem um labrego dentro de si. Às vezes literalmente.

Depois da sua mais recente viagem, um amigo lamentava-se do atendimento da tripulação da TAP: “Mas conhecem hospedeiros e hospedeiras mais antipáticos e mal-educados?”. Durante esta viagem, contava ele, alguém terá pedido de uma forma, digamos, mais “expansiva” por um café a um hospedeiro que se encontrava junto do lugar onde o meu amigo estava. Como tal não fazia parte das suas competências, pediu ao colega que estava mais à frente: “Era um café para aquele senhor...” Não deixando de acrescentar, baixando ligeiramente o tom de voz mas mesmo assim ainda perfeitamente audível por quem ali estivesse: “Cuidado: este avião vai cheio de labregos!”
Pus-me a pensar de imediato nessa raça humana tão peculiar: os labregos. Há os que o são naturalmente, e há os outros, que não sendo, se esforçam por o ser. A grande diferença estará na sua consciência, ou falta dela. Os segundos são os únicos que se comportam dessa forma com um certo orgulho. Por isso é que de vez em quando alguém lhes pergunta: “tu não tens vergonha – lá está, o contraposto desse “orgulho” - de ser assim?”.
Mas voltando ao caso do avião. O facto de alguém pedir um café em voz alta, por si só, faz dele um labrego? Já que poderá ter sucedido o caso do suposto “labrego” ter efectuado o pedido de forma convencional e não ter sido bem-sucedido. Ou será que ele terá dado outros indícios que permitiram o hospedeiro ter concluído tal facto? Independentemente de tudo isto, não podemos deixar impune a generalização feita pelo tripulante da TAP. Sendo assim...
Pus-me a pensar nessa raça humana tão peculiar: os hospedeiros da TAP. Há os que são naturalmente snobs, e há os outros que não sendo, se esforçam por o ser. A grande diferença estará na sua consciência, ou falta dela...