quarta-feira, outubro 21, 2009

É a crise que temos

Há quem utilize uma certa incompatibilidade entre os dois sexos para explicar o aumento dos divórcios no nosso país: diz-se que o homem português ficou subitamente mais dependente, orgulhoso e mimado do que nunca e que a mulher portuguesa já teve melhores dias de vassalagem. Ah, a crise chegou aos relacionamentos heterossexuais lusitanos! Entretanto a mãe dele - a culpada, devido ao seu défice educacional - sempre muito católica não praticante, pede que Deus lhes valha. E Deus que, apesar de ainda não ter chegado aos calcanhares do Medina Carreira, até entende de dinâmicas de mercado, mandou para Portugal um contingente de brasileiras para suprimir tal lacuna.
Mas este intercâmbio também é um negócio que tem o seu preço. E que preço, é que as Nereidas desta vida podem ser submissazinhas pra xuxu mas não são parvas.
Ora e para quem rejeita esta dádiva divina ao mesmo tempo que vira a sua atenção para o forte capital proveniente do leste, desengane-se. É que estas já vieram dizer que o país delas não está para esse tipo de comércio. Pois são esclarecidas em economia, mas ao promover tal ideia de forma tão descapotável, dá para perceber que devem ser péssimas em marketing. Enfim, um descalabro, não há mulheres perfeitas para os nossos rapazolas.

(A Ucrânia não é um bordel)

sábado, outubro 17, 2009

Uma história de culturas

Era uma vez um humilde agricultor que tinha sobre sua responsabilidade um vasto trigal aqui pelo ribatejo. Tinha um filho, mandou-o estudar até se fazer doutor. Um dia, o filho, retribuindo, quis levá-lo a Madrid, ao Museu do Prado, para ver tudo aquilo que era maravilhoso. No fim disse: "Então, meu pai, o que é que lhe parece?", ele respondeu: "A mim parece-me, meu filho, que um dia de água em Maio vale muito mais que isto!".

quarta-feira, outubro 14, 2009

sábado, outubro 10, 2009

Cada um tem o prémio por antecipação que merece

Para o ano vou escrever um best-seller. Se a Academia fosse coerente atribuia-me já o nóbel, em vez de o ter dado aquela alemã que ninguém conhece.

Épico Fail


Neste momento estou a imaginar, numa reunião, alguém da recém chegada empresa de publicidade brasileira a expor "o" produto final à direcção da Jerónimo Martins:
- ... E pronto é isso que conseguimos para voceis, o mélhor desse país marávilhoso, Pu-Pu-Purtugau (ahahah)... Até tem bus e velhinho jogando carta, empregada da peixaria mal paga mas muito sorridente, tia de Cascais convidando as suas amigas para irem até lá. Até tem uma espécie de Cristo Redentor!
- Valeu! - diz alguém da direcção da JM, depois de beber um café adulterado por uma qualquer substância psicotrópica.

domingo, outubro 04, 2009

Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável

O presidente da Câmara da localidade onde resido actualmente foi condenado. Já não se trata de um daqueles patamares de incerteza, como aquela duvidazinha ou boato matreiro que desencadeia os tão famosos julgamentos populares. Não, Isaltino Morais foi julgado e condenado por um tribunal e, ainda assim, decidiu recandidatar-se.
Agora, que as mais recentes sondagens, colocam-no em muito boa posição para continuar à frente deste cargo, digam-me, como é que se (con)vive num concelho comandado por um criminoso e habitado por uns bons milhares de cúmplices?

sexta-feira, outubro 02, 2009

Atarraxemo-nos

A RTP2 tem insistido, e bem, na transmissão de “Mãe de Ju”. Trata-se de um interessante documentário sobre o ambiente de um carismático botequim em Luanda. Foi ali que nasceu o Tarraxinha, uma variação bem mais lenta – são 95 BPM, mais batida menos batida – do Kizomba.
Não demorou muito para que os teenagers dos bairros da periferia de Lisboa captassem o “atarraxamento” africano ou não fosse esta dança bem menos artística que a sua parente de origem. A forte conotação sexual também ajudou no sucesso: é uma dança infinitamente sensual, que quando é mal dançada chega a ser sexualmente explícita, tornando-se difícil estabelecer o limite que define o fim da arte e o princípio da “badalhoquice”. Tudo se torna ainda mais nebuloso com as hormonas aos saltos, claro.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Legislativas’09, a conclusão

Ganharam todos. Excepto o partido dos betinhos. Mas, pensando bem, até estes ganharam em assumir, de uma vez por todas, a sua betice e dar mais força à política (verdadeiramente) de direita. Nem a ideia de serem despromovidos da segunda para a terceira força força política em Portugal os deteve. O que importa é ganhar qualquer coisa e não fizeram nada que a Maria José Nogueira Pinto já não tivesse feito. Em sentido inverso.

domingo, setembro 20, 2009

Uma grande receita para a infelicidade

O sentido mais clássico da paixão - segundo os gregos - mais próximo do sofrimento, faz com que as pessoas busquem um certo masoquismo nas suas relações. O mais curioso desta perspectiva passa por uma certa adversidade: há uma tendência natural das pessoas fisicamente atraentes e até inteligentes, algumas objecto de enorme edulação, para que se apaixonem por quem lhes trate mal ou, no limite, o pior possível. E, vendo as coisas do outro lado, não é muito difícil maltratar alguém, não exige qualidades transcendentes, às vezes basta só aplicar uma pequena dose de egocentrismo.
Na busca constante do desafio, o ser humano atrai-se naturalmente pelo lado mais resistente. Mas tudo tem um limite e não é preciso muitas experiências negativas para perceber que os resultados práticos de tanto sofrimento, causado por uma rejeição directa ou indirecta, dão para pouco mais que uma quebra na auto-estima.

domingo, setembro 13, 2009

A "marcha da sedução" à beira de uma auto-estrada (este título é ainda melhor)

Por norma, o resultado prático deste tipo de reportagens é trazer ainda mais público curioso para estes locais. Foi exactamente o que aconteceu, há alguns anos atrás, quando o C.M. publicou um artigo semelhante sobre as "festarolas nocturnas" na Cidade Universitária, em Lisboa. Bom, mas neste caso e para quem é frequentador da zona, isto só é novidade para o "Grupo de Invisuais de Vila Fria": sim, porque, com tamanha indiscrição, só um ceguinho é que ainda não tinha percebido que há "engates gay na A5"! Lendo a reportagem, com as excepções da GNR, que, até por mero acaso, costuma fazer algumas rusgas nocturnas no local e dos responsáveis da àrea de serviço, que nem lhes deve dar jeito que o local seja muito "visitado", nem nada.
Mas, vá lá, desta vez não lhes chamaram "prostituição".