quarta-feira, agosto 19, 2009

Portugal bucólico, versão Agosto 2009 II

O dia seguinte começou com uma subida à Serra da Lousã, com algumas paragens para debicar umas amoras selvagens, beber água fresquinha, que jorrava das fontes naturais e contemplar as aldeias de xisto e restante paisagem.
(Aerogeradores, um mal (paisagístico) necessário também a deixar marcas na Serra da Lousã)
O objectivo inicial deste percurso pela Lousã era o de alcançar mais directamente o acesso para as praias da zona de Arganil, justamente do outro lado da cordilheira. Só que já no percurso de descida avistei um castelo que me despertou a curiosidade. Estava localizado na Praia da Sra. da Piedade e valeu a pena todas as curvas e contracurvas que levaram-me até lá: imagine-se, uma praia fluvial em plena Serra da Lousã! Ao meio da manhã já estava bem composta em termos de banhistas, sendo metade deles motards que fizeram uma pequena fuga da concentração de Góis, por onde, aliás, mais tarde viria a passar. Um conselho: como o estacionamento junto à praia é limitadíssimo, aconselho a deixar o veículo no parque do castelo e fazer o restante percurso da descida, até à zona do riacho, a pé.






Já no centro da Lousã, foi fácil aceder à estrada que me iria levar a Góis. Esta viagem, igualmente repleta de curvas – aliás, este segundo dia foi marcado por elas ou não estivesse eu a atravessar uma zona montanhosa – foi sempre feita na companhia de motociclistas que se dirigiam para a concentração anual. Estava um calor infernal e nunca uma viagem de duas rodas pareceu-me ser tão apetecível. Quando cheguei à referida vila optei em ir visitar a Praia das Canaveias, em detrimento da Praia da Peneda, e desta forma acabar por passar pelo espaço da concentração. Motas e mais motas, tendas e mais tendas e quilómetros mais à frente, percebo que a realização desta festa também deixava marcas na praia que fui visitar. De qualquer forma, com o ambiente ao rubro, também não podia deixar de me refrescar nesta bonita praia fluvial.
Já da parte da tarde segui em direcção de Arganil e da muito formosa e bem frequentada Praia de Côja. Excelente timing para ultrapassar a temperatura que não parava de subir, recuperar o fôlego e partir em busca das praias com os acessos mais difíceis de toda esta viagem.



As estreitas estradas da Serra do Açôr não me permitiram contemplar à vontade a espectacular paisagem que a circunda, para além de que não aconselho a quem tenha vertigens a fazer este atribulado percurso.


Finalmente, chegando à Praia de Pomares, questiono-me se valeu a pena tanto “tormento” de curva e contracurva Esta praia fluvial é pouco mais que uma espécie de piscina pública onde as pessoas ficam por ali, obrigatoriamente, sentadas nos intervalos dos seus banhos. Tem um parque infantil, é servida por um bar/esplanada à sombra e pouco mais.


Ultrapassada a desilusão, regresso à aventura, de forma a chegar ao meu último novo destino do dia: a famosa aldeia histórica do Piódão. Até lá mais estradas íngremes sem protecções laterais, algumas casas de xisto e poucos vestígios do ser humano. Chegando a Piódão permitiu constatar todo o alarido à volta desta terra. É de facto magnífica. Infelizmente, ainda há obras em curso nas estradas que dão acesso ao centro e, por falta de infra-estruturas, a Praia de Piódão foi, este ano, interdita a banhos.



Para o fim do dia, já no caminho de regresso, o tempo mudou radicalmente: o céu azul deu lugar a muitas nuvens e, ainda não tinha chegado a Arganil, já caíam algumas gotas de chuva no pára-brisas do carro. A precipitação intensificou-se. Mau para a condução em estradas desconhecidas e péssimo, sobretudo, para os motards do acampamento e da concentração de Góis. Era vê-los parados nas bermas a aguardar por melhores condições...
A noite serviu para não muito mais do que tentar ter uma refeição em condições – num “típico” restaurante de Castanheira de Pêra, às 22:00, não havia outra opção que esse “típico” prato da região chamado... “Esparguete à bolonhesa” - e planear o trajecto do último dia de viagem.

terça-feira, agosto 18, 2009

Portugal bucólico, versão Agosto 2009 I

O caminho que as águas do Rio Zêzere percorrem desde da Serra da Estrela, onde nascem, até Constância, mais propriamente no Rio Tejo, onde desaguam, é sempre feito por paisagens deslumbrantes e por um património natural inigualável, que fazem do segundo maior rio inteiramente português, um dos mais belos deste país. Nem as três barragens que instalaram ao longo da sua extensão estragam a fotografia. Mesmo que ela seja tirada por uma câmera de vídeo, como infelizmente é o caso. Portanto há que dar o desconto a este facto e tentar imaginar que as cores reais são bem mais apelativas.
Por esta altura do ano as praias fluviais que banham o Zêzere e seus afluentes são claramente uma boa alternativa às enchentes das suas congéneres do litoral. Mesmo assim não deixam de marcar presença, em algumas destas praias, as famílias “numerosamente” barulhentas e os emigrantes franceses e suíços que fazem questão de partilhar com toda a comunidade de banhistas a sua língua de recurso, que é uma espécie de francêsaportuguesado, muito usada por esta zona do centro-beiras no mês de Agosto. N’est ce pas, amigôs?
No entanto se este fosse o maior inconveniente de algumas praias fluviais estaríamos nós efectivamente no paraíso, mas a questão é que cheguei a deparar-me com algumas situações de maus acessos, indicações nulas ou minimalistas, instalações medíocres e algumas deficiências a nível de segurança. É certo que quem recorre a estas praias não pode esperar ter as mesmas condições de uma praia comummente designada “normal”. Estou também convicto de que alargaram demasiado o âmbito da definição de “praia fluvial” ao ponto de alguns espaços com tal designação não serem mais do que uma piscina pública - a Praia das Rocas, em Castanheira de Pêra, é a primeira praia que conheço onde se paga para entrar e em que se faz a sua respectiva limpeza com cloro! Onde já vi isto? Também vi alguns casos em que a tal “praia” não era mais do que uma espécie de tanque com um riacho nas extremidades (Ana de Aviz, Aldeia Ruiva, entre outras). Mas, por outro lado, também deparei-me com algumas das mais bonitas praias de Portugal. E tudo isto para dizer que da Praia das Rocas à Praia do Poço Corga, há muito mais do que os 3 Km´s reais a separá-las.

O percurso começou por uma recém-congratulada com uma "Bandeira Azul": a Praia de Aldeia do Mato (junto da albufeira da Barragem de Castelo de Bode). Os seus bungalows modernos nas encostas marcam a paisagem; qual aldeia de xisto, malta, isto é que é o verdadeiro turismo rural do século XXI! (ironic mode)
Segui em direcção a Sertã, fazendo um desvio para Proença-a-Nova de forma a poder visitar as praias de Aldeia Ruiva e Malhadal. A primeira ganha nas infra-estuturas adjacentes, a segunda na paisagem. Regresso ao IC8 em busca da gigantesca Barragem do Cabril e de alguma praia que me encantasse na zona de Pedrogrão Grande. Mal sabia eu que a boa surpresa viria só depois de passar por Figueiró dos Vinhos. Depois de ter dado um mergulho na Praia de Ana de Aviz (boas condições mas excessivamente frequentada) "subo" até à belíssima Praia das Fragas de S. Simão. Aqui finalmente sinto o ambiente bucólico que estava a espera de encontrar numa praia desta natureza e tudo o resto pareceu-me perfeito: agua límpida, florestação abundante e com serviços de apoio básicos.



Parto em direcção de Castanheira de Pêra. A Praia das Rocas fica no interior da vila e, por tal, acabou por ser a praia mais facilmente localizável. Das praias que visitei é, também, a que apresentou melhores condições de segurança, o melhor serviço de bar e nadadores-salvadores em concentrado. Um verdadeiro "luxo" a cerca de 5 euros por entrada.


Já a caminho da Serra da Lousã podemos encontrar a Praia de Poço Corga. Esta magnífica praia é o local ideal para terminar um dia em cheio. Com um bom restaurante e um parque de campismo mesmo ali ao lado, o que é que podia pedir mais? Só mesmo adormecer ao som da água a descer pelas cascatas da praia. Foi tal e qual. Mas só depois de um bando de putos campistas "charrados" ter deixado de fazer barulho do outro lado do rio.



quarta-feira, agosto 12, 2009

Que grandes bestas!


Em matéria de rock, 2009 até pode estar a ser um ano muito empolgante pelo reencontro com os novos trabalhos de Andrew Bird, Sunset Rubdown, Camera Obscura, The Antlers, Asobi Seksu ou com a chegada de alguns novatos para o campeonato: The Pains of Being Pure at Heart, The XX ou Japandroids, entre outros. A questão é que entretanto os Wild Beasts lançaram o seu segundo disco, entitulado “Two Dancers”, e parece que tudo o resto passou irremediavelmente para segundo plano. Só para para dar um pequeno exemplo: All the King’s Men. Sim, isto é estupidamente nostálgico, mas hodiernamente soberbo.

sábado, agosto 08, 2009

Sempre a bombar

Em vez do Sudoeste, a Laurinda devia ter optado pelo Freedom Festival. Não tem "os" Róisín Murphy mas tem "DJ performativos" e a droga é muito melhor.

domingo, agosto 02, 2009

Fox Fail

Que os americanos invadiram um país que nem sabem muito bem onde fica, já ninguém se admira. Mas daí a substituí-lo por outro...
E a Fox interiorizou a ideia: invadir aquilo para transformar em algo mais "moderado". Tipo Egipto, em que as pirâmides podiam ser instalações petrolíferas. Por exemplo.

quarta-feira, julho 29, 2009

Adoro quando as nossas raparigas do jet7 dizem que só posam desnudadas porque fazem questão em mostar o seu lado mais sensual*



Consta que 40 mil euros pode ser o preço da sensualidade (revelada a todos) em Portugal. Neste caso até vai ter que repartir o cachet com o namorado. Coitada.
*Entretanto alguém publica uma foto delas a fazerem top less no Meco e cai o carmo e a trindade.

segunda-feira, julho 27, 2009

Estado de graça

Na semana passada foi a rábula com o pato Donaltim vs Fátima Lopes, entre outros hilariantes momentos. Ontem ficamos a saber que a Maria João Pires foi para a floresta da Amazónia abrir uma escola de samba mas que continua descontente com a falta de apoios e ameaça mudar novamente de nacionalidade. Entretanto, sempre desapoiada, meio-contrariada e com a promessa de ser uma vez sem exemplo, lá tocou uma magnífica versão para piano de "Mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar". A imposição de um certo jornalismo espetáculo obrigou a Ministra da Saúde a fazer uma prova de corrida de sacos, para no fim o repórter exclamar: "Ohhh é só mais uma ministra deste governo que cai em directo". Ainda houve tempo para deliciarmo-nos com as personagens do sketch do papagaio desaparecido... E do debate com os dois pensadores de Portugal que também têm "uma ideia" para a Suazilândia! Em suma: "Os Contemporâneos" estão num perfeito estado de graça e, como eu previa, o melhor reforço da época é o irmão da Ana Marques.

quinta-feira, julho 16, 2009

Entretanto, ainda este ano, em Lisboa irá ocorrer uma batalha potencialmente interessante:

A. Costa + Sá Fernandes + H. Roseta
VS
Santana Lopes + PessoasComGarrafaNaKapitalENoElefanteBranco + FamíliaCâmaraPereiraEOutrosMonárquicosECentristasQueNãoGostamDeBrasileirasEUcranianasArmadasEmDifíceis + Os3PortuguesesQueVotamNoPartidoDaTerra + Pedro Granger.

terça-feira, julho 14, 2009

Estudar, lol.

Na semana passada, a Ministra responsabilizou a comunicação social pela baixa a Matemática, esta semana os Professores de Português querem que o Governo explique duplicação de negativas, para a semana, as associações de pais vão culpar as empregadas de refeitório pelos chumbos a Físico-Química.

terça-feira, julho 07, 2009

O futebol segue dentro de momentos

Quem não gosta de futebol ou simplesmente ache excessivo o "tempo de antena" despendido na mediatização das suas vedetas, encontrou no fenómeno Cristiano Ronaldo armas de sobra para as suas batalhas. Mas isto ultrapassa o lado humano da pessoa em causa e quem acha que as críticas que se fazem não se direccionam exclusivamente a este tamanho aparato mas directamente a ele, às suas humildes origens ou às suas hormonas saltitantes, está completamente iludido.
Claro que o facto de ele gostar de divertir-se com uma moça diferente, por noite, só veio ajudar à festa da mediatização. No entanto, duas coisas estão asseguradas: nunca ninguém lhe chamará de puta vadia e nunca perderá qualquer credibilidade profissional por tal razão.

sábado, julho 04, 2009

sexta-feira, julho 03, 2009

Nunca esquecer: pessoas não quererem estar presas às suas raízes quando não se revêem nelas e ser uma diva são coisas completamente diferentes

Mas qual é a novidade de a pianista Maria João Pires ter renunciado a nacionalidade portuguesa?
Esta birra já vem de longe. Recebeu milhares de euros para Belgais e dizia-se sempre agastada pela falta de apoio... Mas por falar em subsídios, onde está a evidência da sua boa gestão e respectiva apresentação de contas? Ora como é óbvio, isso fez cancelar qualquer comparticipação quer do Estado quer da autarquia local.
Por mais que tente compreender a angustia e frustração de MJP não me parece que os restantes portugueses tenham mais culpa do que ela em relação ao deplorável estado da nossa política e das nossas burocracias. E qual é a solução para isto: 'bora lá todos renunciar a nacionalidade?

sábado, junho 27, 2009

Até sempre

A morte de Michael Jackson é tão trágica como surpreendente. Acho que ainda não tomei consciência dela. Prefiro continuar a pensar que Michael Jackson não está morto. Que somente tenha deixado o corpo que sabíamos lhe era tão pouco confortável e mudou para um outro lugar onde ele possa ser a pessoa perfeita sempre que se olhe ao espelho, enfim, onde seja feliz. Por aqui ele sobreviverá para sempre na sua música e continuará, como ele fez durante a sua vida, a inspirar muita gente na música e a fazer uns passos de dança um bocadinho estranhos. Longa vida, MJ!

terça-feira, junho 23, 2009

Uau: O NUNO EIRÓ LEVOU UM TIRO!

... De pressão de ar. As vedetas estrangeiras levam com balázios de sig sauers, barettas, rifles, shotguns e o camandro e nem têm tempo para resmungar, o nosso Eiró leva com uma chumbada de pressão de ar e fazem logo capa do Correio da Manhã. Até nisto somos pobrezinhos.
Bom, a parte irónica da notícia é que ele passa meia-hora das suas manhãs a gozar com situações destas no programa da "nossa senhora".

quinta-feira, junho 18, 2009

Esta cena dos huevos rotos definitivamente não é para mim

Uma das coisas que nunca entenderei nesta vida é uma frase inteira dita pelo Vasco Pulido Valente. Outra é a gastronomia espanhola. Esta só tem a agravante de o “não ter que a gramar” ser sequer uma opção. Refiro-me a um português como eu que está em Madrid em trabalho e tem pouco tempo livre para procurar locais decentes para comer – e refiro-me aqueles que não se limitam a servir entradas ao preço de prato completo, vulgo tapas. Ok, sempre há os restaurantes para estrangeiros que não incluam os enchidos na sua dieta diária. Mas nem aqueles escapam às misturas difíceis de entranhar - às vezes mais na mente que no estômago, é certo. Ainda ontem ao jantar serviram-me uma posta de salmão grelhada com batata frita e o meu almoço foi despachado com uma sandes de atum e... pimento. Podia ter sido tomate, mas aí já não seria tão surpreendente, pois ainda nessa mesma manhã tinha visto uma madrilena a fazer de uma torrada barrada com tomate cru, e completamente ensopada em azeite, o seu pequeno-almoço.

terça-feira, junho 09, 2009

Qual nitroglicerina... o flúor é que é da cena!

Aprendi hoje que é preciso viajar de avião para ficar a saber que uma pasta dentífrica é potencialmente mais perigosa que uma lâmina de barbear. Passo a explicar. Como fiz de conta que desconhecia as novas regras aplicadas às bagagens de cabina, decidi arriscar e levar comigo os normais utensílios de higiene de viagem. Quando chego aquele momento embaraçoso de alguém do controlo de segurança chamar-me à parte para me questionar se pode “revistar o interior da mala”, eu ainda tive o cuidado de perguntar: "É a lâmina?". O segurança retira uma embalagem de pasta de dentes da minha mochila e diz: "Não, é isto!". E mostra-a ao colega do "raio-X". Olham para mim com um certo ar incriminador e um deles diz: “Tem alguém a quem deixar isto?” Fiquei confuso. Por momentos pensei na hipótese remota de ter percebido “Onde comprou isto?” ou na hipótese macabra de que eles estariam a prever que o avião, onde iria entrar uns minutos depois, teria a mesma sorte do outro da Air France e estavam a solicitar que deixasse qualquer coisa de interessante como herança. Mas, nada disso, em segundos, entendi a triste sina da minha letal pasta de dentes do LIDL.
Bom, pelo menos desta vez não tive que tirar os sapatos.

segunda-feira, junho 01, 2009

sexta-feira, maio 29, 2009

Os Miike Snow são os Cut Copy de 2009...

Mas têm momentos em que são possuídos pelos Gnarls Barkley, a mistura fica estranha e não tão genial. É a minha opinião, claro. Mesmo assim, os produtores da música mais viciante dos Século XXI, que tem pelo nome de "Toxic" (Britney Spears), fizeram um dos melhores discos Pop que ouvi este ano.

sábado, maio 16, 2009

E pronto, lá ganhou o Harry Potter norueguês!

O problema é que o Kremlin preferia a islandesa - que por acaso era lindíssima - logo, ir agora festejar para as ruas de Moscovo com uma t-shirt da D&G de número abaixo e de bracinhos no ar, é espancamento certo.
O sistema de pontuações foi alterado e Andorra acabou por dar a pontuação máxima à música espanhola, que por acaso se não acabou com esses 12 pontos, andou por lá muito perto.
Por cá, a comunidade moldava acabou de dobrar os lucros deste mês da PT.
Estão todos de parabéns, portanto.

sexta-feira, maio 15, 2009

A Petição

Parece que não fui o unico a ficar indignado com esta notícia. Para quem também acha que essa história de mudar de orientação sexual também não faz lá muito sentido, pode assinar uma petição online dirigida à Ordem dos Médicos.
Este parágrafo resume (quase) tudo o que está em debate:
Como técnicos de Saúde Mental, não ignoramos o sofrimento psicológico de muitas pessoas LGBT, mas consideramos que ele não é resultante dos seus comportamentos, afectos ou identidades, antes é determinado por um contexto social marcado pela homofobia que se revela discriminatório. Neste sentido, consideramos que esse sofrimento resulta da interiorização de mensagens sociais negativas e que cabe aos técnicos de Saúde Mental reduzir a dissonância entre o peso destas mensagens interiorizadas e os sentimentos dessas pessoas, favorecendo a auto-aceitação, afirmação e validação da sua orientação sexual e da sua identidade sexual.

quarta-feira, maio 13, 2009

Para além do futebol eu gosto de... fazer fintas, marcar cantos... e estar na baliza!

A RTP1 acabou de passar, em horário nobre, uma reportagem sobre a influência de um pai na educação futebolística dos seus dois filhos gémeos.
O incentivo à prática desportiva desde o berço não é criticável, no entanto, a manipulação e excessiva pressão sobre aquelas crianças já me parece, no mínimo, polémica.
Pais e filhos sonham com um futuro brilhante e "ronaldesco". Resta saber se um puto daquela idade, completamente influenciado e manipulado pelos objectivos do pai - o facto deste pai ser empresário de futebol e ex-jogador profissional lesionado em início de carreira pode explicar tanto - terá sonhos próprios.
E isto tanto se aplica aos pais que vêem um "génio da bola" em cada bébé com um certo jeito para dar chutos numa bola de detergente da máquina de lavar roupa, como aos outros pais que "obrigam" as suas crianças a cantarem até de madrugada, num programa de TV de caça-talentos.

sábado, maio 09, 2009

Se isto não é sinal de armagedão não sei o que seja

Acompanhem-me no raciocínio, por favor. Toda a gente sabe que a cantora Rihanna levou nas trombas do Chris Brown e que o cantor TT é o Chris Brown do R&B português. Ora agora se o Nuno Guerreiro diz que também foi vítima de violência doméstica, isto, bem deduzido, "só" faz dele a nossa Rihanna (ainda por cima o corte de cabelo é idêntico).
Mas a má notícia é revelada, também, esta semana, quando aparece pela net uma série de fotos de uma sessão privada, onde a cantora de “Umbrella” surge toda descascada e em poses sensuais. Portanto, pela sequência destas ligações e acontecimentos, nos próximos dias, podemos temer o pior.

terça-feira, maio 05, 2009

Tratamentos para alterar a mentalidade de alguns psiquiatras não são uma coisa do passado, mas bem que podiam ser do presente e do futuro

A edição do passado sábado do Público veio com uma notícia de duas páginas sobre os tratamentos para alteração da orientação sexual. O texto (“Tratamentos para alterar orientação sexual não são uma coisa do passado”) da jornalista Andreia Sanches vem acompanhado com declarações de vários terapeutas, onde todos eles debruçam-se sobre este assunto polémico. Só que no meu entender é logo aqui que reside toda a incoerência do problema: o assunto não chega a ser polémico pois é descabido, ou mesmo, absurdo. Mas, ainda assim, tento compreender as boas intenções daquelas palavras.
Dizer que há um estudo recente onde se revela que 17% dos profissionais de saúde mental britânicos assumiu já ter tentado “reorientar” lésbicas, gays e bissexuais vale tanto como dizer que há ainda por aí uma minoria de dentistas que brocam os dentes dos seus clientes sem anestesia. E porque não vamos lá todos sentir in loco se a coisa dói assim tanto? Sim, vamos lá demonstrar todos porque é que uma incompetência é uma incompetência, não vá andarmos todos enganados.
Haver “pacientes” a achar que podem mudar de orientação sexual como quem muda de camisa ou com a intervenção da terapia cognitiva comportamental ainda acho razoável, mas haver um presidente de uma Sociedade Portuguesa da Psiquiatria e Saúde Mental ou um presidente da Direcção do Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos que pensem o mesmo é que me parece mais gravoso.
(Relembre-se: desde 1973 que a Associação Americana de Psiquiatria deixou de considerar a homossexualidade como patologia. A mesma associação que, inclusive, recomenda que os seus médicos abstenham de tentar mudar a orientação sexual dos indivíduos “desorientados”.)
Com alguma ignorância e homofobia à mistura, gente supostamente responsável na especialidade de psiquiatria em Portugal debita afirmações graves. Por outro lado, há hipocrisia por não se querer ir às causas desta questão. Não seria mais proveitoso se estes psiquiatras, em vez de quererem aumentar a sua facturação e perder tempo com curas milagrosas de homossexuais arrependidos, preocupassem-se mais em integrar estas pessoas, já que o “problema” não está na homossexualidade em si mas na forma como esta sociedade a encara? Só tal justifica o facto de não haver um único registo de um heterossexual a ir ao médico a pedir para ser gay, como diz e muito bem Gabriela Moita. Aliás, tinha que vir uma psicóloga destoar, nesta peça jornalística, com o seu bom senso. É preciso ter “descaramento”! Ainda por cima, para afirmar que “não há nenhum tratamento que tenha levado algum ser humano a conseguir decidir de quem gosta ou de quem vai deixar de gostar”. Cara Gabriela: se não há, os nossos psiquiatras vão tratar já do assunto. Se a coisa não for lá com electrochoques, nada que uma ida-ao-Colombo-ver-gajas-boas não resolva.

quinta-feira, abril 30, 2009

Eu fornico, tu fornicas, ele ...

Pasmemo-nos. Há centenas de blogues, clubes e grupos orientados na vangloriarão do sexo e ninguém escreve uma linha sobre o assunto, aparece uma virgem que quer formar um clube e cria um celeuma ao nível de uma pandemia.
A integração social faz-nos seguir a corrente da maioria e automaticamente dá-nos um certo estímulo para troçarmos de quem não a segue. Pura parvoíce, quando as pessoas esquecem-se que uma sociedade torna-se mais rica pela sua pluralidade de opções e de ideais, ou quando aquelas acham que tem direito em ditar as “regras da normalidade”, para algo tão complexo e subjectivo como é o sexo e tudo o que lhe directamente diz respeito.
Sinceramente, nem sei bem se trata de uma questão de libertação dos instintos ou o tal seguimento da norma social. Só sei que em 100 anos passamos de uma ditadura da castidade supervisionada pela Igreja, que reinou até ao início do séc. XX, para uma ditadura do sexo, em que quem não fornicar como um coelho é anormal.

terça-feira, abril 28, 2009

Suínas



Ninguém vai/vem de férias em meados de Abril para Cancun! Ninguém!

sábado, abril 25, 2009

Quando uma certa despreocupação faz-me rir por momentos

Durante o dia de hoje iremos ver na TV vários comentários/filmes onde serão reconstituídos os acontecimentos de há 35 anos. Independentemente da veracidade (e fulcral importância) dos factos revelados, acho hilariante ver acontecimentos de 1974 misturados com pormenores dos tempos actuais. No interior dos edifícios vê-se rádios antigos ligados a interruptores modernos, no seu exterior, vê-se pessoas nas varandas com calças de boca-de-sino e de camisas com golas XL por debaixo de caixas de aparelhos de ar condicionado. Já cheguei a ver um chaimite a passar por um parque de estacionamento onde o carro mais antigo, que por lá se encontrava, pareceu-me ser um Golf da penúltima geração. Mas a imagem mais hilariante que a minha memória rejubila é aquela em que um dos capitães de Abril passa por uma parede onde ainda se pode ver vestígios de uma cruz suástica e da assinatura da “No Name Boys”.
Não me chamem purista, pel’ amor de Deus, só estou com vontade de me rir com tamanha despreocupação e leviandade na reconstituição de factos, supostamente, sérios.