quinta-feira, abril 01, 2010

"Ou os 43 shots que marcharam já estão a fazer estragos ou este mar é mesmo bué grande?!"

Certamente que influenciado pela inconsciência que reina por estas alturas numa certa região da Catalunha, o JN, de hoje, publicou um mapa com indicações congruentes.

Mini-guia de Férias da Páscoa'2010 para os pais portugueses

Obviamente: aqui. Mas se os vossos miúdos não gostam de acampar (mas têm alguma aptidão - juro que não me passou pela cabeça escrever "queda" - para os desportos radicais) sempre há a alternativa de Lloret de Mar, que não é muito mais que a vossa Benidorm de 1997 (lembram-se?). Se eles forem mais caseirinhos, nada que um facebook.com não os mantenha ocupados.

quarta-feira, março 31, 2010

E você, trocaria um tremendo triunfo profissional por um brutal "murro" pessoal?

Sobre os recentes e díspares acontecimentos na vida de Sandra Bullock, David Brooks escreveu um recomendável artigo para o NYT. Uma das questões que levanta está no título deste post, mas esta dicotomia entre as relações interpessoais e o sucesso económico e profissional suscita muitas mais interrogações. É sobretudo importante perceber que, contradizendo os nossos dicionários, êxito não é sinónimo de felicidade e que a maior parte das vezes, tal como aconteceu com a actriz, não temos a hipótese de escolher.
O interesse do artigo prende-se igualmente com a correspondência com outras escalas: países, fases da vida, etc. Pelo meio fala-se também de confiança, de relações sociais e, sobretudo, de felicidade.

Destaco algumas partes:
Two things happened to Sandra Bullock this month. First, she won an Academy Award for best actress. Then came the news reports claiming that her husband is an adulterous jerk. So the philosophic question of the day is: Would you take that as a deal? Would you exchange a tremendous professional triumph for a severe personal blow?
...
Marital happiness is far more important than anything else in determining personal well-being. If you have a successful marriage, it doesn’t matter how many professional setbacks you endure, you will be reasonably happy. If you have an unsuccessful marriage, it doesn’t matter how many career triumphs you record, you will remain significantly unfulfilled.
...
The overall impression from this research is that economic and professional success exists on the surface of life, and that they emerge out of interpersonal relationships, which are much deeper and more important.
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The second impression is that most of us pay attention to the wrong things. Most people vastly overestimate the extent to which more money would improve our lives. Most schools and colleges spend too much time preparing students for careers and not enough preparing them to make social decisions. Most governments release a ton of data on economic trends but not enough on trust and other social conditions. In short, modern societies have developed vast institutions oriented around the things that are easy to count, not around the things that matter most. They have an affinity for material concerns and a primordial fear of moral and social ones.
...

segunda-feira, março 29, 2010

Ninguém diria

Depois de Victor de Sousa, só faltava o Ricky Martin assumir o outro lado da sua vida loca. Antes "loca" que falsa, dirá ele aos seus filhos.

O "mea culpa" já não chega, meus senhores

Lá concluíram, finalmente, que o problema dos padres pedófilos não se resolve mudando-os de paróquia. Sinceramente, face à mediatização crescente dos casos, não estava a espera de outra reacção por parte deste Papa. A muralha de silêncio já há muito que atingira o seu limite.
Lê-se por aqui alguns vestígios de lucidez, mas, como em tantos outros assuntos polémicos, continua-se a arranjar nexos de causalidade que em nada justificam o mal feito (e, muito menos, "defendem as vítimas"). É por aqui que ainda estou a tentar entender as verdadeiras intenções desta nova corrente de pensamento católico: se o objectivo é tentar desculpabilizar, servindo-se de antigas lutas internas ou de questões fracturantes, os actos em si ou se vão fazer mesmo qualquer coisa de útil e eficaz para os evitar.

sexta-feira, março 26, 2010

Seis ou mais razões que fazem do "My One Thousand Movie" um dos meus blogues favoritos de cinema

As críticas são, ao contrário da regra que domina a crítica profissional mais clássica e erudita, muito acessíveis e objectivas, não há intermináveis descrições, nem galicismos (estão a ver aquela cena do mise-en-scène? E parti pris?), nem estudos filosóficos sobre a existência humana para demonstrar que o filme pode ser até bonzinho. Pede-se, e tem-se, sem rodeios, um resumo do argumento (sem grandes spoilers) e um ou outro comentário pessoal que poderá ajudar a justificar a partilha do filme.

Por disponibilizarem o filme numa versão light, em RealMedia, o que nos só vem ajudar na poupança de espaço do disco. Fora da concorrência directa com outros blogues mais mediáticos que partilham filmes de um ou mais gigas, ripados directamente de DVD's, com alta qualidade de som e imagem, para acabar por serem visionados num PC ou numa televisão convencional.
Sinceramente não me parece que ficamos a perder no rácio qualidade/espaço mas nada como tirar as teimas e fazer uma experiência. Para além de que, o blogue não podia ser mais esclarecedor quanto ao assunto: "se gostarem dos filmes comprem-nos, porque o original é sempre melhor".

Ao contrário de alguns promotores de festivais de cinema, têm consciência de que o cinéfilo 'tuga não nasceu poliglota e disponibilizam legendas em Português (ou Inglês, em poucos casos).

Queriam mesmo rever aquele clássico de John Ford, Douglas Sirk, Samuel Fuller, Bergman, Godard, Tarkovsky, Tati, …? Encontram lá.

E aquele filme português que não é tão publicitado por não atingir, em cartaz, a fasquia dos 35.000 espectadores? É possível que também lá esteja.

Sabem aquele "hype" que ganhou alguns prémios por vários festivais internacionais e teve uma estreia modesta e passageira em Portugal, passando só pelo "King" e no "Cidade do Porto" durante 3 ou 4 semanas - excepção para os casos em que nem sequer teve direito a estreia e só pode ser adquirido via importação na Fnac mais próxima? Também pode-se ter a sorte de o ver por lá.

O serviço público e algo mais aqui.

segunda-feira, março 22, 2010

Esse estranho confronto entre as emoções e a vida quotidiana

Já não é a primeira vez que declaro por aqui que a sueca Robyn é uma das grandes revelações pop dos últimos anos. Este ano editará o segundo disco, ou melhor, para ser mais preciso: o segundo, terceiro e quarto discos. Numa entrevista que li por aqui ela confirmou que vai lançar um conjunto de músicas por cada estação que ainda nos sobra este ano. A parte ainda mais interessante da conversa chega quando lhe pedem para falar das expectativas em relação aos novos trabalhos e a uma nova música, em concreto:

“I feel like the interesting thing for me is the contrast of both touching people and being really honest and true to myself, and at the same time doing something that’s fun and smart. With pop, I think you can do that, because there’s this weird clash between the emotions and everyday life.”

“People expect things of you, like kids and like marriage, and I found myself just thinking of that a lot while making this record, so the song is about that in a way, but it’s also fun. I’m playing around with the concept of being a woman, and what it means to physically be able to carry kids, but at the same time that’s not always what you see yourself as.”

Considerem-me (ainda mais) excitado.

sábado, março 20, 2010

Em continuação do post anterior

... mais que com a publicidade enganosa, a minha estupefacção relaciona-se com o facto de, em 2010, haver ainda quem se entusiasme ao som de Technotronic. Já sei: a nostalgia faz parte do nosso ADN e isto, por sua vez, faz parte da receita de sucesso de quem aposta nesta área. Que o digam os promotores de espectáculos (em geral), alguns canais de televisão, algumas rádios como a RFM e a M80, ... São opções (estratégicas), por isso não ofendo ninguém ao afirmar que também há uma certa preguiça na descoberta de novas tendências e há uma acomodação no sucesso ultra-conhecido e, logo, garantido. Em suma, não se corre o mínimo dos riscos.
Dos Technotronic a Joy Orbison, mais que os 20 anos cronológicos que os separam, há toda uma evolução na música de dança que escapa aos mais distraídos por opção.

Imprecisões lendárias


"... pela 1ª vez em Portugal", desde a última vez que vieram à Kadoc e às Festas do Crato - Albufeira e Crato pertencem (ainda) a este país, certo?
Mas desta vez é que vai ser!

"WTF!?"


terça-feira, março 16, 2010

“A vida de bairro não é fácil. O bairro tira tudo o que dá, deu-te a vida mas também a tirou..."

R.I.P. MC Snake!
Espero que a PSP não deixe de explicar também porque um condutor de um Y10 é mandado parar na Doca de Santo Amaro e só é interceptado, mortalmente, em Benfica. Que eu tenha conhecimento, às 5h da manhã, circula-se até muito bem pelo Eixo N-S ou estavam a cumprir os limites de velocidade?

sexta-feira, março 12, 2010

O videoclip que chocou José Rodrigues dos Santos



Última notícia do Telejornal de hoje: "A Lady Gaga fez um videoclip com... cenas lésbicas”! :o
Sensual. Mas, de facto, não chega ao nível dessa "cena" de fazer uma sopa de peixe com leite de mamas humanas.

terça-feira, março 09, 2010

A ascensão dos hipócritas


Republican state Sen. Roy Ashburn said Monday he is gay, ending days of speculation that began after his arrest last week for investigation of driving under the influence.
Ashburn, who consistently voted against gay rights measures during his 14 years in the state Legislature, came out in an interview with KERN radio in Bakersfield, the area he represents.
"The best way to handle that is to be truthful and to say to my constituents and all who care that I am gay," he said. "But I don't think it's something that has affected, nor will it affect, how I do my job."
Ashburn has voted against a number of gay rights measures, including efforts to expand anti-discrimination laws and recognize out-of-state gay marriages. Last year, he opposed a bill to establish a day of recognition to honor slain gay rights activist Harvey Milk.


Ainda sou do tempo em que a revelação pública de uma orientação sexual alternativa, longe de uma questão de orgulho, reforçava a luta contra uma discriminação e, também, era uma demonstração pública de honestidade, por mais que privada fosse essa decisão. "Nesses tempos" o alarido à volta dessas revelações causava, no mínimo, estupefacção (nem que fosse pela coragem do acto em si).
Hoje em dia, este mesmo mundo (estranho) fica impávido e sereno perante casos de "coming out" em que o sujeito, enrascado com um caso de polícia, ao mesmo tempo que revela ser gay, assume que segue e seguirá, orgulhosamente (acrescento eu, deduzindo pelas palavras do próprio), uma política anti-gay.
Dos fãs do "faz o que eu digo, não faças o que eu faço" ao seguidores dos "vícios privados, virtudes públicas", este caso poderá abrir um precedente: o que não falta por aí é gente, mais ou menos pública, a querer tornar público o seu orgulho em trabalho de obstrução que vai contra a sua própria condição humana. Assim de repente, até me parece uma atitude digna de ficar no topo do cúmulo das incoerências mas parece que nos temos de habituar a conviver com malta que vive "orgulhosamente" assim.

segunda-feira, março 08, 2010

O perigo está em casa

"O próximo passo é a possibilidade de escolha. Ser ou não ser mãe, ser mãe e trabalhar, ter opções."
Isabel Stilwell, jornalista e escrtora portuguesa, actualmente directora do jornal Destak.

"Elas podem ser as suas piores inimigas, sempre que não têm a coragem de mostar o que valem."
Anke Trischler, gestora, fundou um projecto de inclusão social para mulheres imigrantes.

"Há uma evidência estatística de que as quotas para mulheres funcionam muito mais depressa do que quando se depende da chamada evolução natural. Ou seja da vontade dos homens."
Johanna Nelles, advogada, trabalha no departamento de igualdade de género do Conselho da Europa.

"Porque batem os homens nas mulheres? Porque ninguém os ensinou a negociar, porque ninguém os ensinou a resistir à frustação, e num tempo em que os papéis masculino e feminino já não estão previamente definidos, saber negociar é fundamental… Quando estamos numa relação, temos de ser capazes de tolerar o desapontamento, tolerar a diferença. Se não o consigo tolerar a um nível emocional, das duas uma, ou me isolo ou vou tentar controlar as pessoas à minha volta, a minha família… Não curamos ninguém… Quando ele diz que vai mudar para reconquistar a mulher, explicamos que tem de mudar para ser uma pessoa melhor, e não por ela, O mais certo é a mulher não querer voltar a vê-lo."
Paul Wolf-Light, psicólogo e escritor inglês; trabalha actualmente na reabilitação de homens condenados por violência doméstica.

Tudo isto e muito mais na estreia do programa Viewpoint, um talk show sobre direitos humanos, promovido pelo Conselho da Europa, hoje às 20:00 na Sic Mulher ou amanhã online em destak.pt. Adicionalmente passará pela primeira vez na TV a nova campanha do Conselho da Europa contra a violência doméstica: "O perigo está em casa".

domingo, março 07, 2010

Há cenas assim



Pronto, já temos a "nossa" Christina Aguilera e o seu compositor/pianista/jornalista em part-time - adoro este mistifório de aptidões, sério: o Augusto Madureira já há algum tempo que deixou de ser só um mero porta-voz do jornalismo de cidadania, chegou, agora, o merecido reconhecimento - na Eurovisão.
Um bem-haja a ambos e boa sorte.

sexta-feira, março 05, 2010

sábado, fevereiro 27, 2010

Ooohh, aqueles "ambientalistas chatos" tinham razão!

Fazer um campo de futebol em cima de uma ribeira? Construir grandes empreendimentos em zonas que violam claramente o PDM, como nas escarpas? Projectar rotundas em leitos de ribeiras? ...

E se eu conseguisse entrar dentro dos teus sonhos?



Consta que há influências de Ian Fleming aos irmãos Wachowski, passando, claro, por Freud. Pode ser mais um thriller mediano, mas também pode ser a primeira grande experiência metafísica hollywoodesca. Vindo de quem vem (Memento, Insomnia, ..., recentemente mais popular que nunca por ter feito uma prequela e uma sequela da série "Batman"), nunca se sabe.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Hoje está nublado,

Madeirenses, toca a despachar, porque o homem quer brilhar sozinho!

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Armas de arremesso

(foto retirada daqui)

Mais que a estranha cumplicidade entre os grupos de manifestantes, o que mais me impressionou naquela paródia do passado sábado foi terem utilizado crianças como meio de impacto, obrigando-as a envergar cartazes com causas que desconhecem ou que não têm opinião (conscientemente) formada. Tudo isto vindo de adultos que usam o argumento do "superior interesse da criança" sempre que são confrontados com algo que vá contra o seu mundo muito certinho e perfeitinho.
"Ravelstein", no livro de Saul Bellow, diz qualquer coisa assim: por vezes os jovens têm que ser curados dos equívocos desastrosos e das "irrealidades estereotipadas" que lhes foram impostas por pais mentecaptos.

domingo, fevereiro 21, 2010

A luz da desgraça

Hoje a minha vida parece ser só um encadeado de falhanços. As mulheres que não soube amar, as oportunidades que não agarrei, os momentos de felicidade que deixei fugir...
Uma corrida cujo resultado sei, sem por isso acertar no vencedor.
Estava cego e surdo, ou foi necessária a luz da desgraça para eu ver a minha verdadeira natureza?
...
Por detrás da cortina de pano esburacado, uma claridade leitosa anuncia o romper do dia. Doem-me os calcanhares, a minha cabeça ainda pesa uma tonelada, todo o meu corpo está encerrado numa espécie de escafandro.
A minha tarefa agora é escrever as inertes anotações de viagem de um náufrago nas praias da solidão.
@ O escafandro e a borboleta, Jean-Dominique Bauby

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Teresa Matos, fos-te ao ídolos, levas-te um cartaz e divertis-te!



Agora só falta conquistares o teu professor de Português... Porque arrasado já ele deve estar.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

pronto, não vou conseguir dormir nas próximas cinco noites/10

Sobretudo depois de Haute Tension, Ils, A l'íntérior e deste Martyrs, esta "nouvelle vague" do cinema de terror francês tornou-se um dos mais surpreendentes e perturbadores de sempre. Para além da sua extrema violência gráfica, contêm histórias verdadeiramente intrigantes e originais; logo, a léguas do trivial e dos remakes de quinta categoria da congénere norte-americana.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

( ( :o ) )

Comunicado exclusivo

Já está a ser preparada uma edição especial nocturna do Sol com 150 mil exemplares, depois de a segunda ter esgotado em 23 minutos. Haverá mais pormenores sobre o alegado plano para controlar a Media Capital, mais precisamente a Romântica FM, onde se revelará o estratagema que Sócrates elaborou para hipnotizar os portugueses através da transmissão continua, via rádio, da discografia completa de José Alberto Reis. O objectivo posterior seria de sugar os resquícios de inteligência dos seus ouvintes e que, inclusivé, tal efeito dará nome à primeira página desta edição: "A SANGUESSUGA".

Neste número, o director deste semanário irá desmontar, igualmente, a conspiração política que o impossibilitou de receber um prémio Nobel.

No comunicado, também há a referência ao facto de que o DVD infantil "O Grilo Feliz" será substituído pelo DVD do filme hardcore português: "As fantasias de uma engenheira". O brinde, mais uma vez, será entregue com a troca por uma providência cautelar.

A credibilidade @ the moment

A direita organiza uma manifestação pela liberdade de expressão (que lhe interessa), a Manuela Moura Guedes foi promovida a mártir da liberdade de imprensa e um jornal liderado pelo António José Saraiva bate recordes de tiragem.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

O Peru já tem o seu "Brokeback Mountain"?



Co-produção entre o Peru, a Colômbia, a França e a Alemanha, realizado, escrito e produzido pelo estreante Javier Fuentes-Leon, “Contracorriente” conta-nos uma história sobrenatural sobre um triângulo amoroso, onde os mais secretos sentimentos confrontam-se com as tradições de uma bela aldeia piscatória peruana. Sagrado vs. profano? Parece-me que é muito mais do que isto.
Vai chegar à Europa durante este ano com, entre outras, uma importante vitória: Sundance Film Festival (World Cinema Dramatic Audience Award).

terça-feira, fevereiro 09, 2010

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

A própria apresentadora, com o seu habitual registo agudo, vai servir de intermediária, poupando-se nos custos das chamadas inter-transcendentais

Era um dos segredos mais bem guardados na TVI. Até hoje. As gravações começam para a semana, mas só em Março é que Júlia Pinheiro se estreia ao lado de uma médium britânica. Anne Germain vai passar mensagens aos mortos para os principiantes interessados. @ 24 Horas

sexta-feira, janeiro 29, 2010

O evolucionismo segundo os The Knife

É um disco estranho. Tanto para quem está habituado à vertente electrónica dos The Knife, ou mesmo do projecto Fever Ray (só de Karin Dreijer Andersson) , tanto para quem espera que isto possa ser um conventual disco de Ópera.
Digo isto, porque "Tomorrow, in a Year" contem ambos os estilos, por vezes misturados entre si. Há um primeiro disco em que se realça mais o âmbito deste álbum: a banda sonora de uma Ópera, baseada na obra de Charles Darwin "A origem das espécies", com toda a componente teatral que isso pressupõe e, consequentemente, com o risco, pela ausência da parte visual da peça, que os The Knife correram ao quererem transformá-lo num objecto exclusivamente musical.
É só no segundo disco que se começa a reconhecer a marca "The Knife", quando, finalmente, entra a música electrónica minimalista para juntar-se aos sons da natureza, que já eram marca constante do primeiro disco. E é sobretudo ali, naquelas seis ou sete músicas do "Lado B" de "Tomorrow..." - onde se inclui o primeiro single, soberbo do primeiro ao último segundo - que se pode voltar a contemplar todo o puro brilhantismo deste duo sueco.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Limpeza espiritual II

Será um fantasma? Um demónio? Uma alma penada?
Não... é só a minha esposa.
:s

Limpeza espiritual


"Adolescentes rebeldes" essa incómoda enfermidade para qual parece já haver cura e que não passa por... como é que se chama aquilo que mete as crianças e os adolescentes na linha? Oh, é isso: educação. Mas para além desse "mal", a IURD promete uma solução para, entre muitos outros, casos de "Dívidas" e "Desemprego". Porque não criar um culto que prometa resolução de todos os enguiços, a que podemos estar sujeitos, por troca de um dízimozinho?

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Mas tu é que sabes

(clicar na imagem, se não tiver uma lupa à mão)

sábado, janeiro 23, 2010

Apocalypse tomorrow

A adaptação de um livro premiado com um Pulitzer em 2007, adicionando uma fotografia soberba e com, no mínimo, duas interpretações brilhantes, fazem de "The Road" ("A estrada") um dos melhores filmes sobre o apocalipse feitos até hoje. Mas é muito mais: conciso, cru e sem artifícios que pudessem desvalorizar a história do amor incondicional entre um pai e um filho. E uma superlativa prova de esforço contra a adversidade - tentando nunca perder a racionalidade, até nas mais severas das situações.
No fim, de tão realista e assombroso que é, só limitamo-nos a desejar que o futuro da humanidade não se cruze com esta "estrada".

terça-feira, janeiro 19, 2010

O mundo tal como o conhecemos

Se já muito tempo antes da catástrofe, os cruzeiros eram assim uma tão fundamental fonte de receitas para o Haiti (e não para as multinacionais que investem no turismo naquela região), porque é que este país nunca deixou de ser um dos mais pobres do mundo? Ainda assim era preciso uma razão mais coerente para conseguir justificar isto.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

The slower we move, the faster we die.



How much does your life weigh?
Imagine for a second you’re carrying a backpack. I want you to pack it with all the stuff that you have in your life. You start with the little things. The shelves, drawers, the knick-knacks. You start adding bigger stuffs. Clothes, tabletop appliances, lamps. Your TV.
The backpack should be getting pretty heavy now. You grow bigger. Your couch, your car, your home. I want you to stuff it all into that backpack.
Now, I want you to fill it with people. Start with casual acquaintances. Friends of friends. Folks around the office. And then you move into the people you trust with your most intimate secrets. Your brothers, your sisters, your children. Parents. Finally, your husband, your wife, your boyfriend, your girlfriend. Get them into that backpack.
Feel the weight of that bag. Make no mistake. Your relationships are the heaviest components of your life. All those negotiations and arguments and secrets and compromises. The slower we move, the faster we die.
Make no mistake. Moving is living.
Some animals were meant to carry each other to live symbiotically over a lifetime. Star-crossed lovers. Monogamous swans.
We are not swans. We’re sharks.

Se o planeamento de estreias de cinema não nos engana, para a semana, já se pode ver "Nas nuvens" por cá. :)

sábado, janeiro 09, 2010

A excepção


Era óbvio que os oito deputados do PS iriam aproveitar a liberdade de voto facultada e votassem a favor da proposta de legalização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo onde se incluía a adopção. Proposta esta que o nosso Partido Comunista decidiu abster-se, mesmo que ela até fosse da autoria dos seus "compadres ecológicos" (Verdes) e "radicais" (Bloco). Há certas questões demasiado fracturantes para qual o "nim" é a melhor resposta de escape e toda a gente reconhece o peso de um certo conservadorismo do PC. Na mesma medida que terá havido alguns deputados do PS a espernearem por não poder votar contra a proposta que acabou por ser aprovada. Oh, mas havia a disciplina de voto! Enfim, não há grandes novidades por aqui.
Também houve duas deputadas (independentes mas eleitas nas listas do PS) de um suposto Movimento que se define pelo "Humanismo e Democracia" mas que votaram contra uma proposta "humanamente" igualitária; aparentemente isto pode não fazer muito sentido mas não é surpreendente: é só o outro lado da "democracia".
A surpresa da votação de ontem tem um nome: José Eduardo Martins. Este deputado do PSD votou favoravelmente na proposta que incluía a adopção. Um acto de coragem transformado em ruptura total face à linha de pensamento (supostamente) imposta pelo facciosismo de um partido. Ou a prova de que afinal, onde menos se espera, há vida própria e ideias imparciais.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

We are our own devil

Massive Attack Paradise Circus from sabakan on Vimeo.

Ser feliz

E daí?
Circula por aí uma foto e um vídeo onde o Malato participa numa festa gay bear em Espanha e há quem fique pasmado: "será o fim da sua carreira?"(já tanta estupidez não tem fim). Se há algo a reter aqui é o seu lado pedagógico, em que milhares de pessoas vão ficar a conhecer mais uma faceta da cultura homossexual masculina que é a cena bear. De resto que o homem é gay, é do conhecimento público, e isto, a ser verdade, não altera em nada o facto dele ser um bom apresentador e praticar a sua sexualidade saudavelmente, e como bem entende.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Oh pra mim tão indie

No passado Natal foi-me oferecido um telemóvel Vodafone Indie. Este recente telemóvel touchscreen, onde tudo funciona dentro de um pequeno ecrã táctil de 2,4’’, parecia-me ser muito idêntico aos restantes modelos de telemóveis touchscreen disponíveis actualmente no mercado a preços superiores. A garantia de ser da marca da própria empresa multinacional de telecomunicações pareceu-me, também, ser à priori uma mais-valia para o produto. No entanto, o meu entusiasmo pelo presente foi subitamente assombrado quando vi parte do ecrã principal preenchido com uma barra negra, onde supostamente deveria aparecer, opcionalmente, a data, a hora e o nome da operadora. Inicialmente ainda tive algumas esperanças que tal barra desaparecesse com a ocultação daquelas três opções ou através de um qualquer ajuste nas configurações do aparelho. Mas não. Segundo os vários técnicos da loja da própria marca no Cascais Shopping, que consultei posteriormente, este modelo de telemóvel foi mesmo pensado e criado com uma barra escura a ocupar quase metade de um ecrã, que já por si só não é muito grande e o resultado (diria hilariante ou ridículo, dependendo dos pontos de vista) é o que se pode ver nas três imagens seguintes. E descubra-se as diferenças comparando com a publicidade que a Vodafone faz ao produto em causa. A comprovar igualmente pela imagem junta. Portanto parece-me pertinente a questão que deixo à Vodafone: para que serve um aparelho repleto de componentes multimédia, jogos, leitor de MP3, rádio, câmara, entre outros, com pouco mais de 0,6 MB de memória e com uma boa parte do seu ecrã principal indisponível?

domingo, dezembro 20, 2009

A petulância


Parece que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus de Nazaré, uma celebração cristã festejada, actualmente, com um consumismo desmedido. Tudo coisinhas que o autor adora/acredita, portanto.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Das weisse Band - Eine deutsche Kindergeschichte


Parece que vamos ter que esperar mais umas semanas pela estreia de um dos filmes do ano. Depois das festividades ficaremos a saber então mais um pouco sobre a origem da maldade humana. Dá sempre jeito nos tempos que correm.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

As iniquidades dos homens estão fazendo transbordar o cálice da ira de Deus. Portanto, apeguem-se ao Senhor de todo coração, pois Ele agirá.

Tribunal confia crianças a casal homossexual

O Tribunal de Oliveira de Azeméis entregou ontem, quarta-feira, a guarda de duas meninas a um tio que vive com outro homem. A juíza entendeu que o casal homossexual tem melhores condições para tratar das crianças do que os pais.

O resto aqui (com os habituais hilariantes comentários como bónus).

sábado, dezembro 12, 2009

Com os chifres lá bem no alto

Sempre com boas recomendações no seu cardápio, o Puto acertou mais uma vez. O belo disco dos The Antlers é uma perfeita banda sonora para estes dias frios e noites geladas.
A ouvir com moderação: não me estou a lembrar de nada mais depressivo que ouvir, por exemplo, Kettering a caminho de um funeral de um familiar. No entanto, amanhã, conto sobreviver à arrojada experiência.

O júri do Prémio Pessoa devia ler mais Pessoa

Maravilhosa gente humana que vive como os cães,
Que está abaixo de todos os sistemas morais,
Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles!
Como eu vos amo a todos, porque sois assim,
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida! (...)


"Ode Triunfal" - Fernando Pessoa/Álvaro de Campos

terça-feira, dezembro 08, 2009

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Inês no país do pop maravilha

As miúdas que chegaram à mais recente fase do concurso de novos talentos da SIC são todas muito bonitas. Mas se isto é um concurso em que o talento musical sobrepõe-se à imagem, a menos bonita acaba por ficar a milhas das outras.

Entre outras preciosidades, a nossa Lily Allen de 16 anos faz versões da Ella Fitzgerald como gente (muito) grande, que, segundo o pseudo-júri do programa, ninguém ("lá em casa") entendeu. Nem o próprio pseudo-júri.

sábado, dezembro 05, 2009

Ficas em casa até te decidires ser um bom profissional, que é para isso que te pagam!

Imaginem que têm uma empresa e recrutam alguém de uma outra concorrente. Achariam correcto se esse trabalhador, numa situação de disputa entre a "ex" e a actual empregadoras, assumisse uma postura de "estou dividido mas vou procurar fazer meu trabalho"? Ora nem mais.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Saltar à vara

Até ontem na página dos Órgãos Sociais do Millennium BCP tínhamos acesso ao currículo de Armando Vara. Para quem o desconhece aqui fica parte dele:

Armando António Martins Vara

Dados pessoais:

Data de nascimento: 27 de Março de 1954
Naturalidade: Vinhais - Bragança
Nacionalidade: Portuguesa
Cargo: Vice-Presidente do Conselho de Administração Executivo
Início de Funções: 16 de Janeiro de 2008
Mandato em Curso: 2008/2010

Formação e experiência Académica

Formação:

2005 - Licenciatura em Relações Internacionais (Universidade Independente)
2004 - Pós-Graduação em Gestão Empresarial (ISCTE)


Armando Vara deve ser um case study mundial de sucesso, pois passou em poucos anos, de caixa de banco a administrador do maior banco nacional e vice-presidente do maior banco privado nacional. Ou como diz Miguel Sousa Tavares: "é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte".
Também há essa tal hipótese de ser mais um caso de compadrio e tráfico de influências. Só que estes estão-nos tão entranhados que há comportamentos e casos de súbito sucesso que nem estranhamos, atribuindo-os a uma questão de "sorte", ou à nossa proverbial capacidade para o desenrascanço. Outra verdade, é que a maioria dos políticos portugueses é completamente incompetente para progredir na nossa sociedade pelos seus próprios pés. É sobretudo por isso que vão para a política.

quinta-feira, novembro 12, 2009

terça-feira, novembro 10, 2009

Se o parlamento podia aprovar uma lei sem ter que ouvir os bispos a anunciar a catástrofe social? Podia, mas não era mesma coisa.


Das palavras do Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, sublinho a afirmação final: esta espécie de apocalipse cromossomático e social, travestido de casamento gay, pode confundir as pessoas, ao ponto de igualarem os comportamentos às orientações sexuais. Nada mais errado. Qualquer ser racional saberá SEMPRE nitidamente distinguir entre um caso de pedófilia (comportamento) - e os dirigentes católicos sabem melhor que ninguém o que isso é - e a homossexualidade (orientação sexual).

domingo, novembro 08, 2009

A história de uma obsessão


O Ricardo teve entrada directa para o meu círculo de amigos por acréscimo, ou seja, por ser namorado de uma grande amiga. Desde essa altura que lhe reconheço os dotes de um bom investigador, sobretudo na área do desporto em geral, futebol em particular. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e tirou um mestrado em História Contemporânea pela FCSH, da Universidade Nova de Lisboa. Entretanto com mais força de vontade que apoios, apostou, também desde que o conheço, neste projecto que se concretiza agora, em parte, em livro. "O jogo de Salazar - A política e o futebol no Estado Novo" é uma análise histórica e política rigorosa de um fenómeno actual que não deixa ninguém indiferente, uma viagem obrigatória até às origens de uma certa obsessão nacional por uma modalidade desportiva.
Desde o inocente jogo de 1988 disputado entre um grupo de irmãos e amigos em Cascais até aos nossos dias, o futebol alcançou demasiado protagonismo em Portugal. O jogo em si deixou de ter tanto interesse passando a revelar-se mais importante tudo aquilo que se movimenta à sua volta. É um chorudo negócio de interesses que para alguns movimenta mais dinheiro do que paixões. E todo esse movimento acaba muitas vezes por não ser mais do que novelas de baixo nível que em nada contribuem para uma dignificação desse desporto-rei. O longo período em que Salazar esteve no poder foi determinante para a solidificação desta popularidade.
Não há muito tempo foram construídos dez estádios para o Euro 2004, em que seis deles foram financiados a 100% por fundos públicos. Tratou-se de uma questão de escolhas públicas, dirão alguns, e por vezes, mesmo que económica e financeiramente inviáveis, as escolhas públicas são legítimas. Mas, ainda que possa ter excelentes qualidades terapêuticas, um estádio de futebol nunca será equiparado a um Hospital. Este é só um pequeno exemplo da herança de uma péssima gestão de prioridades que remonta ao período a que o Ricardo se debruçou.
Ainda assim, obsessões e negociatas à parte, o Futebol, há que admiti-lo, quando é bem jogado, é dos espectáculos desportivos mais emocionantes e espectaculares que se pode assistir.