segunda-feira, maio 24, 2010

Em tempos de austeridade há sempre uns que austerizam mais que outros


Curiosamente na mesma semana em que todos os noticiários abriam com a revelação das novas medidas de austeridade - ora pois vem aí tempos difíceis, e pede-se muita poupança e (obrigatória) solidariedade com a causa anti-défice e pró-rating - a Sic entrava, uma vez mais via Daniel Oliveira (o amigo íntimo que qualquer jogador de futebol profissional tem de ter), na intimidade dos “incríveis” seleccionados. São tempos de crise mas, “incrivelmente”, os jogadores da selecção nacional não se fazem de modestos no que toca a mostrar como ela (a crise, qual crise?) lhes passa completamente ao lado.
Num momento ouve-se o senhor ministro das finanças anunciar que para evitar uma calamidade nos vai ter que aumentar o IVA do pão e do leite e mais um “bocadinho” na retenção de IRS do ordenado, não muitos minutos depois vê-se o Pepe a mostrar, entre desconcertantes truques de cartas, os seus mega-plasmas e a sua frota automóvel de fazer inveja um qualquer conceituado stand. Que todos aqueles bens sejam merecidíssimos, mas os telespectadores não ficam confusos?

sábado, maio 22, 2010

Dizem que é uma espécie de apartheid, mas em bom


A cidade de Nova Iorque é um dos principais centros financeiros, comerciais e industriais do mundo. Somente na região metropolitana, empresas, lojas e agências governamentais fornecem cerca de sete milhões de postos de trabalho. Junta-se a estes, o facto de que é a cidade com a maior taxa de densidade populacional dos EUA. Por outro lado, também é a cidade que acolhe mais turistas: 45 milhões (em 2009) - mesmo como número anual, não deixa de impressionar. Aparentemente, pelo menos até à pouco tempo, os nova-iorquinos e os turistas “conviviam”, partilhando os mesmos espaços públicos, pacificamente.
A ruptura chegou quando se aperceberam que os passeios da 5th Avenue e da 22nd Street deixaram de ser suficientemente largas para serem frequentadas harmoniosamente por residentes/trabalhadores e turistas: os primeiros constantemente atrasados para as suas very important meetings e, oh fuck, lá estão mais uns casalinhos parados no meio do passeio a tirar fotos ou semi-perdidos de mapa na mão, quando não são excursões de japoneses... Alguém surgiu com uma ideia de os separar por uma linha e aplicaram-na, para já, às duas principais artérias da cidade.
Por mim, que não sou uma coisa nem serei outra (a curto prazo), tudo bem. Mas que estou curioso para saber até onde irá este novo ideal segregacionista dos tempos modernos, lá isso estou.

Pensava eu que era um dos milagres de Jesus

domingo, maio 16, 2010

Quando é que foi a última vez que nós tivemos um "gei" no "podeg"?

- Estão todos na oposição... Monárquica!

A entrevista exclusiva no Herman 2010 com os dois responsáveis da empresa de catering que serviu a comitiva do Papa:

sábado, maio 15, 2010

Os pais de Mirandela


Os meus coleguinhas de trabalho ficaram ontem muito revoltados com a decisão da Câmara de Mirandela, ao demitir a professora de 1º ciclo básico por se ter despido para a última edição da Playboy. Dizia alguém, que com esta professora, concordaria até com umas lições suplementares de meia-hora para os filhos e hora e meia para o próprio.
Eu solidarizo-me com a causa desta bonita e bem apetrechada professora, até à parte em que se afirma por aí, tão convictamente, de que uma “aventura” extra-profissional não influencia o desempenho da actividade principal, por fazer parte da vida privada. Só que não faz. Expor-se numa revista com uma tiragem de 120 mil exemplares ultrapassa todos os limites óbvios dessa vida e, tomada a decisão, há que esperar que as consequências possam ir além da notoriedade. O que aconteceu depois em Mirandela foi qualquer coisa tão simples como isto: alguém, soberano, achou que a “aventura” desresponsabilizava a profissão e lá terá as suas razões.
Pelo que as notícias nos deixam ver, as mães de Mirandela apoiam a decisão da Câmara, ao contrário de alguns pais, dos meus camaradas de trabalho e restante trupe de "comentadores de bancada". Como disse, em parte estou com estes últimos, sobretudo pelo princípio de solidariedade com toda a gente que me apareça à frente carenciada de roupa. Antes que resfrie, no mínimo, há que partilhar um pouco do meu calor humano.
Sobre este assunto ainda subsiste uma pequena dúvida que não posso deixar de esclarecer na segunda-feira junto dos coleguinhas: e se em vez da professora Bruna, este caso tivesse como protagonista o professor Bruno, manteriam todo esse apoio e continuariam a desejar aquelas actividades (extra) extracurriculares?

terça-feira, maio 11, 2010

Quem tem medo de analogias?

A "Proposition 8" (ou o "California Marriage Protection Act") foi a proposta de uma emenda constitucional aprovada em Novembro de 2008, no estado da Califórnia, através de referendo. A medida adicionou uma nova disposição, o ponto 7.5 da Declaração de Direitos do Homem: "Only marriage between a man and a woman is valid or recognized in California" - ao restringir a definição de casamento a casais do sexo oposto, esta cláusula anulou a anterior decisão do Supremo Tribunal de Justiça que considerava constitucional o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo.
Na altura muito se falou sobre o assunto, sobretudo no facto de cerca de 70% da comunidade negra e mais de metade da população latina ter votado a favor da proposta. Quando se trata de direitos das minorias, o progresso raramente surge na forma de um voto popular, pois até as minorias - quando o deixam de ser - também discriminam, what's new?
Na verdade, a "novidade" estava no apoio massivo de várias religiões na campanha. A Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, mais conhecida por Igreja Mórmon, foi uma das principais. "8: The Mormon Proposition" é um documentário onde se desmascara essa influência.
Foram utilizados documentos internos da igreja e registos de funcionários mórmones, para além de entrevistas com ex-membros, para se provar que com gastos na ordem dos 22 milhões de dólares, esta igreja ultrapassou os seus limites de organização religiosa sem fins lucrativos para garantir a aprovação da "Proposta 8". O filme acaba também por explorar historicamente o impacto de uma atitude intolerante desta igreja em relação aos gays, com o testemunho das tentativas de suicídio por parte de jovens mórmones, como sendo aquela, a desesperada solução para evitar os tratamentos de choque que eram sujeitos, na tentativa de "curá-los" da sua homossexualidade.
"8: The Mormon Proposition" estreia no próximo mês nos Estados Unidos, mas provavelmente, nunca será exibido por cá. Não houvesse alguém de se lembrar de fazer analogias coerentes. Ou pior, alguém pegar na ideia e desmontar os limites da influência de uma outra igreja na limitação de um direito constitucional a um grupo minoritário.

O que eu gosto de um gifzinho com gatos!

sexta-feira, maio 07, 2010

Quem ri por último, tem que rir baixinho para não acordar os vizinhos

O programa “Notícias em segunda mão” (SIC) na sua estreia, em Fevereiro, começou por passar logo a seguir ao noticiário da noite, em pleno horário nobre. Algumas semanas depois transferiram-no para depois das novelas, o que em termos práticos é algo que já vai para além da meia-noite. Umas emissões depois e já passa(va) uma hora mais tarde, depois do CSI. Portanto, hoje, os fãs da dupla Horácio e Madeira têm que esperar que passe as histórias das eternas coitadinhas chorosas (que passam a vida a lamentar-se da rica vida rica que têm) e aguardar que um grupo de investigadores descubra o culpado de um homicídio num balneário através da realização de análises de vanguarda a um vestígio de pelo púbico encontrado no chão.
Não estou a afirmar que o “Noticias...” seja melhor que os programas que o antecede, porque não está aqui em questão a qualidade do programa mas a forma como ele é tratado pelo canal de televisão que o promove. É este desrespeito perante os autores do programa e sobretudo pelo seu público que vale a pena salientar. Não é inédito e já ninguém se deixa surpreender, é certo, quando os programas de autor e/ou de humor se tornam vítimas deste constante “joguinho do share”. Por esta altura e depois do fiasco Sic Comédia, já ninguém tem dúvidas se a SIC tem ou não piada, ou ela não continuasse a fazer da guerra das audiências um assunto mesmo muito sério.




quarta-feira, maio 05, 2010

Kuniyuki Takahashi





É com prazer que partilho este projecto de Deep-House com profundas influências Jazzy ou não tivéssemos, em pleno século XXI, perante uma das primeiras provas oficiais da renovação do Chill Out. Enfim, a banda sonora perfeita para as próximas finais de tarde.

(Os eventuais interessados numa “amostra” deste disco podem solicitá-la via caixa de comentários)

terça-feira, maio 04, 2010

Oh Chely!

Para quem não sabe (ahah!), Chely Wright é uma cantora americana de música country. Também é belíssima como estas manhãs de primavera, assumiu-se como lésbica e ficou mais conhecida que antes. Tanto melhor.
Para quem ache o contrário, "AIAI os impiedosos e conservadores fãs de country!!", seis letrinhas apenas: k. d. lang.

Cenas de maxo (muito intímas)

domingo, maio 02, 2010

O Benfica vai pegar

Vandalizam-lhes casas de apoio e autocarros. As claques do outro clube continuam a lançar-lhes as habituais ameaças a quem se desloca ao Porto para assistir a "só" um jogo de futebol... O clima intimidatório não pára.
Ninguém pode parar essa onda danada? Poder, pode, Iran, mas a sua música, há que dizê-lo com toda a frontalidade, também não ajuda muito.
Os benfiquistas vão pegar, é certo. Só não se sabe bem se é o título ou se umas nódoas negras.

quinta-feira, abril 29, 2010

Aula de Economia

"... E pronto, fica assim demonstrado o corte no rating que vai lixar os portugueses em geral. Dúvidas?"

domingo, abril 25, 2010

(R)EVOLUÇÃO, sempre!

O que significa o "25 de Abril" a quem, como eu, ainda não estava por cá para o presenciar? Não será muito diferente de um "5 de Outubro" ou do "1º de Maio": um encontro de simpáticos velhinhos que o Telejornal assinala como se fosse "fait-divers". Ou, ainda melhor, um feriado que dava mais jeito que calhasse durante a semana para a malta "fazer ponte" e ir para fora.
Como se explica a falta de liberdade a quem sempre a teve? Como se explica os "direitos do trabalhadores" a quem nasceu com eles adquiridos? Por mais que se tente, não é fácil conceber o Portugal de Salazar quem nasceu no Portugal de Soares. Por isso, só trará benefícios escolher outras formas de assinalar e evocar essa mudança, que foi, de facto, uma revolução mas podia ter sido uma guerra civil ou uma transição pacífica. Para os devidos efeitos de formar consciências é um pouco indiferente, o importante é provar que valeu e valerá sempre a pena "aquilo" de que os nossos avós, pais e tios ainda falam.

sexta-feira, abril 23, 2010

Terrorismo virtual

Depois de um grupo extremista Islâmico americano ter emitido uma ameaça de morte (via YouTube!?) aos criadores de South Park, na noite passada, o canal Comedy Central censurou uma parte do polémico episódio. A origem da ameaça tem a ver com o facto do profeta Maomé aparecer vestido de "ursinho".
Independentemente de estar aqui em causa o desrespeito (ou não, pel'amor de Maomé: é só um ursinho de peluche!) de uma das doutrinas do Corão, ceder a todo o tipo de ameaças de fundamentalistas religiosos também não me parece ser a melhor política.
Revelar o medo pode ter várias interpretações e uma delas é dar a razão ao intimidador. E isso não me parece que vá tornar este mundo mais pacífico. Antes pelo contrário.

quarta-feira, abril 21, 2010

You wanted a HIT?

Então tomai, não um, não dois, nem três, nem quatro...



"This is happening" é, como não podia deixar de ser e ao contrário do que anunciava o primeiro single, uma maravilha e sai no próximo mês.

segunda-feira, abril 19, 2010

Não durma (sobre os assuntos), Senhor


Mais uns "mexericos do momento":
Kentucky: Pastor Prince Wilbert Woolfolk sentenced to 20 years for raping a teenage girl;
New York: Rabbi Baruch Lebovits sentenced to 10-32 years in prison for molesting teenage boy;
Colorado: Father Paul Montez accused of stalking teenage boy and plying him with gifts and trips;
New York: Pastor Humberto Cruz sentenced to 15 years for molesting three boys;
Texas: Pastor Curtis Otha Grant charged with 14 felony counts of molesting girls;
Colorado: Pastor James Smoker convicted of physically abusing a mentally-challenged adult in his care;
Arizona: Father Dale Fushek pleads guilty of sexual assault on teenage boy. Fushek was accused of molesting seven boys, but in return for one guilty plea, the other charges were dropped;
New York: Father James McDevitt, charged with 20 counts of child molestation, is being sued by four of his alleged victims.

É quase sempre assim

sábado, abril 17, 2010

Presidentes

Democrata por democrata, o melhor até seria o outro ficar (eternamente) por Praga e este vir aqui dar alguma formação ao próximo.

quinta-feira, abril 15, 2010

DJ Tromba d'água @ Lux


Quem assistiu diz que era difícil manter os pés no chão. "Uma rajada de talento", diz o Público; "redemoinhos de prazer para os nossos sentidos" lê-se no i; "repentina queda na pressão atmosférica, súbito aumento de adrenalina" explica um fã especialista em Djs climáticos. "É tipo Boys Noize mas mais húmido", acrescenta.

quarta-feira, abril 14, 2010

O factor macho


You are what you pretend to be, so be careful what you pretend to be.
Kurt Vonnegut, “Mother Night”


“The Butch Factor” (TBF) tanto pode ser quase hora e meia de documentário a desmantelar um estereótipo, ou uns limitados 87 minutos de documentário onde se explora o tema da masculinidade, sobretudo da sua “complicada” relação com os (homens) homossexuais.
No momento em que pouco sabia sobre ele, pensava que este TBF viesse demonstrar o que toda a gente já sabe: que a homossexualidade masculina não se resume a um determinado grupo de homens com determinadas características comportamentais estereotipadas. Para tal, este filme, contrabalançava com um ou mais grupos de homens com outras características comportamentais estereotipadas.
Por acaso até é justamente assim que o documentário começa. Há várias entrevistas com homens com o tal factor extra de masculinidade, a saber: jogadores de rugby, de baseball, de futebol americano (um deles fez questão de partilhar igualmente a sua profissão principal: construtor civil, voilà), um guarda prisional e vários cowboys (os homens americanos viris por excelência não podiam faltar). Os seus testemunhos giram à volta das dificuldades (ou nem por isso) na aceitação da sua orientação sexual e da forma como ela influenciou (ou não) a sua forma de vida.
Tenho alguma dificuldade em acreditar na veracidade de alguns subprodutos culturais norte-americanos e ao ver estas entrevistas fico com uma certa ideia de um “machismo” pouco realista, quase teatral. Mas independentemente da qualidade do documentário, o que interessa saber mesmo é se debruçamo-nos sobre uma característica inata? Não e mais adiante explicarei porquê.
Os gays reforçam a sua masculinidade, como uma forma de identificação, integração ou resposta a uma ideia preconcebida, com a mesma naturalidade com que os heterossexuais aprendem a ser - e a saber reforçar igualmente a "dose" – masculinos, observando e copiando outros modelos masculinos. Numa outra vertente, da mesma forma que os homens mais efeminados, por uma questão de provocação ou outra, reforçam o seu maneirismo. Tudo isto se deve a uma teoria: a masculinidade (e o seu antónimo), mais que um dado biológico, é uma construção ideológica.
Há uma mensagem curiosa que subliminarmente o documentário pretende passar - algo que é justamente o oposto do lema do comum das relações: “os opostos atraem-se” – estes homens “hiper-masculinos” abordados em TBF são assim, pois atraem-se (e são atraídos) por homens com as mesmas características, ou seja, parece haver aqui uma regra básica de atracção: a melhor maneira de conseguir o homem que quer, é SER o homem que quer.
O documentário, para cada um dos principais e recentes grupos instituídos à margem de uma comunidade gay cada vez mais diversificada, pretende justificar as suas causas. Portanto, a “revolução dos músculos” é sobretudo uma reacção adversa à imagem que a comunicação social mostrou do homossexual dos anos 80: o andrógino ou o debilitado pela infecção do HIV/Sida. E a recente mediatização dos “Ursos”? O movimento gay “Bear” pretendeu desde sempre ser a imagem mais realística e possível da masculinidade em estado de graça: um homem rude, de barba a crescer, peludo qb, ligeira ou totalmente descuidado com o seu físico - ao mesmo tempo que o mostra despreocupada e (quase, diria) orgulhosamente.

“What needs a man to be a man?”
A masculinidade não é um conceito fixo. A masculinidade evoluiu ao longo do tempo, mas mesmo no presente ela é variável por classes, raças, localizações, idades, etc., logo está sobretudo dependente daquilo que a cultura - onde ela está inserida - permite. Qual é o ocidental que não se surpreende com o facto de, no médio oriente, dois homens passearem na rua de mãos dadas ser um acto normalíssimo? E no Tahiti? Onde um homem para ser masculino, tem que ser obrigatoriamente terno e doce, convivendo e confundindo-se pacificamente com o sexo oposto. O que sucede então com esse mito da agressividade natural dos homens?
A grande questão não é saber se o Rambo, um ficcional herói de tantos jovens, é mais viril que o homem taitiano. A grande questão é saber qual é o que se aproxima mais dessa naturalidade, da sua natureza, que é o mesmo que dizer: o que sofreu uma menor pressão por parte do ambiente que o rodeia e da educação que teve. Em suma: o que recalcou menos uma parte de si próprio.

A masculinidade e a feminilidade, portanto, não são só categorias biologicamente opostas, são, antes de mais, uma posição, um lugar na sociedade, um papel cultural. Para um homem ser homem não lhe basta ter a fórmula de cromossomas XY, ter a dose certa de testerona e ter um pénis funcional, ele precisa de superar uma série de provações e são justamente estas demonstrações que - diferem segundo os países, as épocas, as classes sociais, as raças, a idade, etc. - caracterizam a masculinidade de um indivíduo. São justamente estes testes de virilidade que fazem toda a diferença e podem explicar porque a masculinidade de um homem é mais frequentemente posta em causa que a feminilidade de uma mulher. Seria um exercício, no mínimo, espirituoso saber que actividades dariam credibilidade à feminilidade de umas "super-mulheres"? “Não sejas gajo e levanta-me esses pés neste exercício de step? Não és mulher não és nada se não fizeres este desenho em ponto-cruz em vinte minutos? És uma sapatona ou uma boa pedicure?”...
Os excessos forçados de masculinidade (ou de feminilidade), sendo eles baseados no reflexo da sua própria interpretação de masculinidade (ou de feminilidade), curiosos ou burlescos, não trazem grandes males ao mundo – podendo, no entanto, trazer ao próprio, ao aumentar a tal distância entre aquilo que se é e aquilo que se pretende ser... Certa lacuna na sinceridade, portanto.

domingo, abril 11, 2010

A 11 de Abril foi oficialmente aberta a época balnear de 2010

primeiro banho salgado, check;
primeira enchente na praia, check;
primeiro engarrafamento nas portagens da Ponte 25 de Abril, check;
primeiro escaldão, check.

quinta-feira, abril 08, 2010

"Meus Deus, pulseiras do sexo assassinas!!"

Exclamamos nós ao ler o título desta notícia do i.


Agora um pouco mais a sério: jogos em que a verdadeira e falsa inocência adolescente podem misturar-se perigosamente, e que chegam a ser fatais - já que, face ao exposto, a teoria da mera coincidência das circunstâncias das mortes parece-me ser pouco credível.
Estas pulseiras podem ser nada mas também ser tudo. Será sobretudo da responsabilidade dos que lhes estão mais próximos (pais, outros familiares, professores, etc) o advertimento das consequências do uso das mesmas, enquanto instrumentos de socialização e de integração, como se sabe, tão essencial nesta fase da vida.

quarta-feira, abril 07, 2010

Outras perguntas para António Mexia*

Na altura foram fixados objectivos que todos reconhecem como ambiciosos e difíceis de entregar e foram claramente ultrapassados. Senão tivéssemos atingido esses objectivos, a pergunta [sobre o salário] nem se colocaria, e isso é que é pena”, acrescentou o presidente da EDP.
...
De acordo com informação enviada pela empresa à Comissão do Mercado e Valores Mobiliários, António Mexia recebeu no ano passado 700 mil euros em salários fixos e 600 mil euros em remuneração variável (que varia segundo objectivos atingidos).

A estes valores junta-se um prémio plurianual de mandato de 1,8 milhões de euros, que entra nas contas de 2009 e que corresponde a 600 mil euros por cada um dos três anos.

Assim, o CEO da eléctrica portuguesa irá receber este ano um total de 3,1 milhões de euros, quando a assembleia-geral de accionistas, marcada para 16 de Abril, aprovar as contas de 2009.
Bom, não seja por isso: no contexto nacional, esses "infímos" 700 mil euros de salário fixo anual continuam a ser inaceitáveis. Reconheço-lhe um papel fulcral na internacionalização da EDP, transformando-a numa das maiores multinacionais portuguesas, mas em que parte isso justifica 3,1 milhões de remunerações? Ou, reformulando a questão, que parte desses objectivos alcançados não são à custa da manutenção das tarifas mais caras da europa, da pré-histórica cobrança do "aluguer do contador", da concentração de preços com uma concorrência insignificante (Endesa), ...?

*Ou melhor, para os accionistas da EDP

segunda-feira, abril 05, 2010

As casas de Sócrates


Quinhentas vezes pior que o mau gosto dos projectos que Sócrates foi responsável há mais de 25 anos, só mesmo esta agenda reles do jornal Público.

Pedo.. quê?

Todo este grandioso voto de confiança era escusado, pois já todos nós sabemos que esta Igreja não tem demonstrado outra coisa que seja viver bem com a consiência pesada ou com perdas súbitas de memória. Portanto, não é mais um, dois ou dez "mexericos do momento", que tirarão o sono aos Monsenhores Sodanos deste reino:

http://www.dallasnews.com/sharedcontent/dws/news/localnews/stories/DN-pastor_03met.ART.State.Edition1.4d0427b.html
http://www.stltoday.com/stltoday/news/stories.nsf/laworder/story/7288285BEE562E28862576F800079918?OpenDocument
http://www.vancouversun.com/news/Ontario+priest+gets+months+preying+Haitian+youths/2757938/story.html
http://www.stuff.co.nz/national/crime/3531415/Destiny-scandal-prompts-inquiry
http://www.abc.net.au/news/stories/2010/04/02/2863465.htm?section=world
http://www.abpnews.com/content/view/4978/53/
http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=125420225&ps=cprs
http://www.dallasnews.com/sharedcontent/dws/dn/latestnews/stories/040110dnmetyouthpastor.3b51cbe.html
http://abcnews.go.com/Blotter/questions-pope-benedicts-role-sex-scandal/story?id=10241536
http://aftermathnews.wordpress.com/2010/04/05/child-sex-abuse-cost-us-catholic-church-3-billion-dollars/

quinta-feira, abril 01, 2010

"Ou os 43 shots que marcharam já estão a fazer estragos ou este mar é mesmo bué grande?!"

Certamente que influenciado pela inconsciência que reina por estas alturas numa certa região da Catalunha, o JN, de hoje, publicou um mapa com indicações congruentes.

Mini-guia de Férias da Páscoa'2010 para os pais portugueses

Obviamente: aqui. Mas se os vossos miúdos não gostam de acampar (mas têm alguma aptidão - juro que não me passou pela cabeça escrever "queda" - para os desportos radicais) sempre há a alternativa de Lloret de Mar, que não é muito mais que a vossa Benidorm de 1997 (lembram-se?). Se eles forem mais caseirinhos, nada que um facebook.com não os mantenha ocupados.

quarta-feira, março 31, 2010

E você, trocaria um tremendo triunfo profissional por um brutal "murro" pessoal?

Sobre os recentes e díspares acontecimentos na vida de Sandra Bullock, David Brooks escreveu um recomendável artigo para o NYT. Uma das questões que levanta está no título deste post, mas esta dicotomia entre as relações interpessoais e o sucesso económico e profissional suscita muitas mais interrogações. É sobretudo importante perceber que, contradizendo os nossos dicionários, êxito não é sinónimo de felicidade e que a maior parte das vezes, tal como aconteceu com a actriz, não temos a hipótese de escolher.
O interesse do artigo prende-se igualmente com a correspondência com outras escalas: países, fases da vida, etc. Pelo meio fala-se também de confiança, de relações sociais e, sobretudo, de felicidade.

Destaco algumas partes:
Two things happened to Sandra Bullock this month. First, she won an Academy Award for best actress. Then came the news reports claiming that her husband is an adulterous jerk. So the philosophic question of the day is: Would you take that as a deal? Would you exchange a tremendous professional triumph for a severe personal blow?
...
Marital happiness is far more important than anything else in determining personal well-being. If you have a successful marriage, it doesn’t matter how many professional setbacks you endure, you will be reasonably happy. If you have an unsuccessful marriage, it doesn’t matter how many career triumphs you record, you will remain significantly unfulfilled.
...
The overall impression from this research is that economic and professional success exists on the surface of life, and that they emerge out of interpersonal relationships, which are much deeper and more important.
...
The second impression is that most of us pay attention to the wrong things. Most people vastly overestimate the extent to which more money would improve our lives. Most schools and colleges spend too much time preparing students for careers and not enough preparing them to make social decisions. Most governments release a ton of data on economic trends but not enough on trust and other social conditions. In short, modern societies have developed vast institutions oriented around the things that are easy to count, not around the things that matter most. They have an affinity for material concerns and a primordial fear of moral and social ones.
...

segunda-feira, março 29, 2010

Ninguém diria

Depois de Victor de Sousa, só faltava o Ricky Martin assumir o outro lado da sua vida loca. Antes "loca" que falsa, dirá ele aos seus filhos.

O "mea culpa" já não chega, meus senhores

Lá concluíram, finalmente, que o problema dos padres pedófilos não se resolve mudando-os de paróquia. Sinceramente, face à mediatização crescente dos casos, não estava a espera de outra reacção por parte deste Papa. A muralha de silêncio já há muito que atingira o seu limite.
Lê-se por aqui alguns vestígios de lucidez, mas, como em tantos outros assuntos polémicos, continua-se a arranjar nexos de causalidade que em nada justificam o mal feito (e, muito menos, "defendem as vítimas"). É por aqui que ainda estou a tentar entender as verdadeiras intenções desta nova corrente de pensamento católico: se o objectivo é tentar desculpabilizar, servindo-se de antigas lutas internas ou de questões fracturantes, os actos em si ou se vão fazer mesmo qualquer coisa de útil e eficaz para os evitar.

sexta-feira, março 26, 2010

Seis ou mais razões que fazem do "My One Thousand Movie" um dos meus blogues favoritos de cinema

As críticas são, ao contrário da regra que domina a crítica profissional mais clássica e erudita, muito acessíveis e objectivas, não há intermináveis descrições, nem galicismos (estão a ver aquela cena do mise-en-scène? E parti pris?), nem estudos filosóficos sobre a existência humana para demonstrar que o filme pode ser até bonzinho. Pede-se, e tem-se, sem rodeios, um resumo do argumento (sem grandes spoilers) e um ou outro comentário pessoal que poderá ajudar a justificar a partilha do filme.

Por disponibilizarem o filme numa versão light, em RealMedia, o que nos só vem ajudar na poupança de espaço do disco. Fora da concorrência directa com outros blogues mais mediáticos que partilham filmes de um ou mais gigas, ripados directamente de DVD's, com alta qualidade de som e imagem, para acabar por serem visionados num PC ou numa televisão convencional.
Sinceramente não me parece que ficamos a perder no rácio qualidade/espaço mas nada como tirar as teimas e fazer uma experiência. Para além de que, o blogue não podia ser mais esclarecedor quanto ao assunto: "se gostarem dos filmes comprem-nos, porque o original é sempre melhor".

Ao contrário de alguns promotores de festivais de cinema, têm consciência de que o cinéfilo 'tuga não nasceu poliglota e disponibilizam legendas em Português (ou Inglês, em poucos casos).

Queriam mesmo rever aquele clássico de John Ford, Douglas Sirk, Samuel Fuller, Bergman, Godard, Tarkovsky, Tati, …? Encontram lá.

E aquele filme português que não é tão publicitado por não atingir, em cartaz, a fasquia dos 35.000 espectadores? É possível que também lá esteja.

Sabem aquele "hype" que ganhou alguns prémios por vários festivais internacionais e teve uma estreia modesta e passageira em Portugal, passando só pelo "King" e no "Cidade do Porto" durante 3 ou 4 semanas - excepção para os casos em que nem sequer teve direito a estreia e só pode ser adquirido via importação na Fnac mais próxima? Também pode-se ter a sorte de o ver por lá.

O serviço público e algo mais aqui.

segunda-feira, março 22, 2010

Esse estranho confronto entre as emoções e a vida quotidiana

Já não é a primeira vez que declaro por aqui que a sueca Robyn é uma das grandes revelações pop dos últimos anos. Este ano editará o segundo disco, ou melhor, para ser mais preciso: o segundo, terceiro e quarto discos. Numa entrevista que li por aqui ela confirmou que vai lançar um conjunto de músicas por cada estação que ainda nos sobra este ano. A parte ainda mais interessante da conversa chega quando lhe pedem para falar das expectativas em relação aos novos trabalhos e a uma nova música, em concreto:

“I feel like the interesting thing for me is the contrast of both touching people and being really honest and true to myself, and at the same time doing something that’s fun and smart. With pop, I think you can do that, because there’s this weird clash between the emotions and everyday life.”

“People expect things of you, like kids and like marriage, and I found myself just thinking of that a lot while making this record, so the song is about that in a way, but it’s also fun. I’m playing around with the concept of being a woman, and what it means to physically be able to carry kids, but at the same time that’s not always what you see yourself as.”

Considerem-me (ainda mais) excitado.

sábado, março 20, 2010

Em continuação do post anterior

... mais que com a publicidade enganosa, a minha estupefacção relaciona-se com o facto de, em 2010, haver ainda quem se entusiasme ao som de Technotronic. Já sei: a nostalgia faz parte do nosso ADN e isto, por sua vez, faz parte da receita de sucesso de quem aposta nesta área. Que o digam os promotores de espectáculos (em geral), alguns canais de televisão, algumas rádios como a RFM e a M80, ... São opções (estratégicas), por isso não ofendo ninguém ao afirmar que também há uma certa preguiça na descoberta de novas tendências e há uma acomodação no sucesso ultra-conhecido e, logo, garantido. Em suma, não se corre o mínimo dos riscos.
Dos Technotronic a Joy Orbison, mais que os 20 anos cronológicos que os separam, há toda uma evolução na música de dança que escapa aos mais distraídos por opção.

Imprecisões lendárias


"... pela 1ª vez em Portugal", desde a última vez que vieram à Kadoc e às Festas do Crato - Albufeira e Crato pertencem (ainda) a este país, certo?
Mas desta vez é que vai ser!

"WTF!?"


terça-feira, março 16, 2010

“A vida de bairro não é fácil. O bairro tira tudo o que dá, deu-te a vida mas também a tirou..."

R.I.P. MC Snake!
Espero que a PSP não deixe de explicar também porque um condutor de um Y10 é mandado parar na Doca de Santo Amaro e só é interceptado, mortalmente, em Benfica. Que eu tenha conhecimento, às 5h da manhã, circula-se até muito bem pelo Eixo N-S ou estavam a cumprir os limites de velocidade?

sexta-feira, março 12, 2010

O videoclip que chocou José Rodrigues dos Santos



Última notícia do Telejornal de hoje: "A Lady Gaga fez um videoclip com... cenas lésbicas”! :o
Sensual. Mas, de facto, não chega ao nível dessa "cena" de fazer uma sopa de peixe com leite de mamas humanas.

terça-feira, março 09, 2010

A ascensão dos hipócritas


Republican state Sen. Roy Ashburn said Monday he is gay, ending days of speculation that began after his arrest last week for investigation of driving under the influence.
Ashburn, who consistently voted against gay rights measures during his 14 years in the state Legislature, came out in an interview with KERN radio in Bakersfield, the area he represents.
"The best way to handle that is to be truthful and to say to my constituents and all who care that I am gay," he said. "But I don't think it's something that has affected, nor will it affect, how I do my job."
Ashburn has voted against a number of gay rights measures, including efforts to expand anti-discrimination laws and recognize out-of-state gay marriages. Last year, he opposed a bill to establish a day of recognition to honor slain gay rights activist Harvey Milk.


Ainda sou do tempo em que a revelação pública de uma orientação sexual alternativa, longe de uma questão de orgulho, reforçava a luta contra uma discriminação e, também, era uma demonstração pública de honestidade, por mais que privada fosse essa decisão. "Nesses tempos" o alarido à volta dessas revelações causava, no mínimo, estupefacção (nem que fosse pela coragem do acto em si).
Hoje em dia, este mesmo mundo (estranho) fica impávido e sereno perante casos de "coming out" em que o sujeito, enrascado com um caso de polícia, ao mesmo tempo que revela ser gay, assume que segue e seguirá, orgulhosamente (acrescento eu, deduzindo pelas palavras do próprio), uma política anti-gay.
Dos fãs do "faz o que eu digo, não faças o que eu faço" ao seguidores dos "vícios privados, virtudes públicas", este caso poderá abrir um precedente: o que não falta por aí é gente, mais ou menos pública, a querer tornar público o seu orgulho em trabalho de obstrução que vai contra a sua própria condição humana. Assim de repente, até me parece uma atitude digna de ficar no topo do cúmulo das incoerências mas parece que nos temos de habituar a conviver com malta que vive "orgulhosamente" assim.

segunda-feira, março 08, 2010

O perigo está em casa

"O próximo passo é a possibilidade de escolha. Ser ou não ser mãe, ser mãe e trabalhar, ter opções."
Isabel Stilwell, jornalista e escrtora portuguesa, actualmente directora do jornal Destak.

"Elas podem ser as suas piores inimigas, sempre que não têm a coragem de mostar o que valem."
Anke Trischler, gestora, fundou um projecto de inclusão social para mulheres imigrantes.

"Há uma evidência estatística de que as quotas para mulheres funcionam muito mais depressa do que quando se depende da chamada evolução natural. Ou seja da vontade dos homens."
Johanna Nelles, advogada, trabalha no departamento de igualdade de género do Conselho da Europa.

"Porque batem os homens nas mulheres? Porque ninguém os ensinou a negociar, porque ninguém os ensinou a resistir à frustação, e num tempo em que os papéis masculino e feminino já não estão previamente definidos, saber negociar é fundamental… Quando estamos numa relação, temos de ser capazes de tolerar o desapontamento, tolerar a diferença. Se não o consigo tolerar a um nível emocional, das duas uma, ou me isolo ou vou tentar controlar as pessoas à minha volta, a minha família… Não curamos ninguém… Quando ele diz que vai mudar para reconquistar a mulher, explicamos que tem de mudar para ser uma pessoa melhor, e não por ela, O mais certo é a mulher não querer voltar a vê-lo."
Paul Wolf-Light, psicólogo e escritor inglês; trabalha actualmente na reabilitação de homens condenados por violência doméstica.

Tudo isto e muito mais na estreia do programa Viewpoint, um talk show sobre direitos humanos, promovido pelo Conselho da Europa, hoje às 20:00 na Sic Mulher ou amanhã online em destak.pt. Adicionalmente passará pela primeira vez na TV a nova campanha do Conselho da Europa contra a violência doméstica: "O perigo está em casa".

domingo, março 07, 2010

Há cenas assim



Pronto, já temos a "nossa" Christina Aguilera e o seu compositor/pianista/jornalista em part-time - adoro este mistifório de aptidões, sério: o Augusto Madureira já há algum tempo que deixou de ser só um mero porta-voz do jornalismo de cidadania, chegou, agora, o merecido reconhecimento - na Eurovisão.
Um bem-haja a ambos e boa sorte.

sexta-feira, março 05, 2010

sábado, fevereiro 27, 2010

Ooohh, aqueles "ambientalistas chatos" tinham razão!

Fazer um campo de futebol em cima de uma ribeira? Construir grandes empreendimentos em zonas que violam claramente o PDM, como nas escarpas? Projectar rotundas em leitos de ribeiras? ...

E se eu conseguisse entrar dentro dos teus sonhos?



Consta que há influências de Ian Fleming aos irmãos Wachowski, passando, claro, por Freud. Pode ser mais um thriller mediano, mas também pode ser a primeira grande experiência metafísica hollywoodesca. Vindo de quem vem (Memento, Insomnia, ..., recentemente mais popular que nunca por ter feito uma prequela e uma sequela da série "Batman"), nunca se sabe.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Hoje está nublado,

Madeirenses, toca a despachar, porque o homem quer brilhar sozinho!

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Armas de arremesso

(foto retirada daqui)

Mais que a estranha cumplicidade entre os grupos de manifestantes, o que mais me impressionou naquela paródia do passado sábado foi terem utilizado crianças como meio de impacto, obrigando-as a envergar cartazes com causas que desconhecem ou que não têm opinião (conscientemente) formada. Tudo isto vindo de adultos que usam o argumento do "superior interesse da criança" sempre que são confrontados com algo que vá contra o seu mundo muito certinho e perfeitinho.
"Ravelstein", no livro de Saul Bellow, diz qualquer coisa assim: por vezes os jovens têm que ser curados dos equívocos desastrosos e das "irrealidades estereotipadas" que lhes foram impostas por pais mentecaptos.

domingo, fevereiro 21, 2010

A luz da desgraça

Hoje a minha vida parece ser só um encadeado de falhanços. As mulheres que não soube amar, as oportunidades que não agarrei, os momentos de felicidade que deixei fugir...
Uma corrida cujo resultado sei, sem por isso acertar no vencedor.
Estava cego e surdo, ou foi necessária a luz da desgraça para eu ver a minha verdadeira natureza?
...
Por detrás da cortina de pano esburacado, uma claridade leitosa anuncia o romper do dia. Doem-me os calcanhares, a minha cabeça ainda pesa uma tonelada, todo o meu corpo está encerrado numa espécie de escafandro.
A minha tarefa agora é escrever as inertes anotações de viagem de um náufrago nas praias da solidão.
@ O escafandro e a borboleta, Jean-Dominique Bauby

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Teresa Matos, fos-te ao ídolos, levas-te um cartaz e divertis-te!



Agora só falta conquistares o teu professor de Português... Porque arrasado já ele deve estar.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

pronto, não vou conseguir dormir nas próximas cinco noites/10

Sobretudo depois de Haute Tension, Ils, A l'íntérior e deste Martyrs, esta "nouvelle vague" do cinema de terror francês tornou-se um dos mais surpreendentes e perturbadores de sempre. Para além da sua extrema violência gráfica, contêm histórias verdadeiramente intrigantes e originais; logo, a léguas do trivial e dos remakes de quinta categoria da congénere norte-americana.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

( ( :o ) )

Comunicado exclusivo

Já está a ser preparada uma edição especial nocturna do Sol com 150 mil exemplares, depois de a segunda ter esgotado em 23 minutos. Haverá mais pormenores sobre o alegado plano para controlar a Media Capital, mais precisamente a Romântica FM, onde se revelará o estratagema que Sócrates elaborou para hipnotizar os portugueses através da transmissão continua, via rádio, da discografia completa de José Alberto Reis. O objectivo posterior seria de sugar os resquícios de inteligência dos seus ouvintes e que, inclusivé, tal efeito dará nome à primeira página desta edição: "A SANGUESSUGA".

Neste número, o director deste semanário irá desmontar, igualmente, a conspiração política que o impossibilitou de receber um prémio Nobel.

No comunicado, também há a referência ao facto de que o DVD infantil "O Grilo Feliz" será substituído pelo DVD do filme hardcore português: "As fantasias de uma engenheira". O brinde, mais uma vez, será entregue com a troca por uma providência cautelar.

A credibilidade @ the moment

A direita organiza uma manifestação pela liberdade de expressão (que lhe interessa), a Manuela Moura Guedes foi promovida a mártir da liberdade de imprensa e um jornal liderado pelo António José Saraiva bate recordes de tiragem.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

O Peru já tem o seu "Brokeback Mountain"?



Co-produção entre o Peru, a Colômbia, a França e a Alemanha, realizado, escrito e produzido pelo estreante Javier Fuentes-Leon, “Contracorriente” conta-nos uma história sobrenatural sobre um triângulo amoroso, onde os mais secretos sentimentos confrontam-se com as tradições de uma bela aldeia piscatória peruana. Sagrado vs. profano? Parece-me que é muito mais do que isto.
Vai chegar à Europa durante este ano com, entre outras, uma importante vitória: Sundance Film Festival (World Cinema Dramatic Audience Award).

terça-feira, fevereiro 09, 2010

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

A própria apresentadora, com o seu habitual registo agudo, vai servir de intermediária, poupando-se nos custos das chamadas inter-transcendentais

Era um dos segredos mais bem guardados na TVI. Até hoje. As gravações começam para a semana, mas só em Março é que Júlia Pinheiro se estreia ao lado de uma médium britânica. Anne Germain vai passar mensagens aos mortos para os principiantes interessados. @ 24 Horas

sexta-feira, janeiro 29, 2010

O evolucionismo segundo os The Knife

É um disco estranho. Tanto para quem está habituado à vertente electrónica dos The Knife, ou mesmo do projecto Fever Ray (só de Karin Dreijer Andersson) , tanto para quem espera que isto possa ser um conventual disco de Ópera.
Digo isto, porque "Tomorrow, in a Year" contem ambos os estilos, por vezes misturados entre si. Há um primeiro disco em que se realça mais o âmbito deste álbum: a banda sonora de uma Ópera, baseada na obra de Charles Darwin "A origem das espécies", com toda a componente teatral que isso pressupõe e, consequentemente, com o risco, pela ausência da parte visual da peça, que os The Knife correram ao quererem transformá-lo num objecto exclusivamente musical.
É só no segundo disco que se começa a reconhecer a marca "The Knife", quando, finalmente, entra a música electrónica minimalista para juntar-se aos sons da natureza, que já eram marca constante do primeiro disco. E é sobretudo ali, naquelas seis ou sete músicas do "Lado B" de "Tomorrow..." - onde se inclui o primeiro single, soberbo do primeiro ao último segundo - que se pode voltar a contemplar todo o puro brilhantismo deste duo sueco.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Limpeza espiritual II

Será um fantasma? Um demónio? Uma alma penada?
Não... é só a minha esposa.
:s

Limpeza espiritual


"Adolescentes rebeldes" essa incómoda enfermidade para qual parece já haver cura e que não passa por... como é que se chama aquilo que mete as crianças e os adolescentes na linha? Oh, é isso: educação. Mas para além desse "mal", a IURD promete uma solução para, entre muitos outros, casos de "Dívidas" e "Desemprego". Porque não criar um culto que prometa resolução de todos os enguiços, a que podemos estar sujeitos, por troca de um dízimozinho?