quarta-feira, agosto 25, 2010

Yes, I’m delighted

Trata-se de um EP, com 8 músicas e como dura, aproximadamente, 60 minutos, passaria muito bem até como um LP. Não é uma desilusão – é quase espontâneo trazer o “Illinois” à conversa e usá-lo como elemento de comparação sempre que o Sufjan faz novos discos - mas também não surpreende por aí além, excepto numa música que se extende para lá dos 17 minutos, que é sublime e até diria, se não achasse que aparentemente poderia estar a ser influenciado pelo entusiasmo precoce das primeiras audições: é uma das canções mais bonitas que já ouvi nesta vida! E se eu já ouvi tantas!

terça-feira, agosto 24, 2010

( o ) ( o )

Vários pares de maminhas à espreita depois disto, fica definitivamente provado que as decisões da Direcção de Programas da TVI estão mesmo dependentes das preocupações e dos gostos dos pais do público-alvo dos "Morangos". Já as mães não devem ter voto na matéria, para não variar.

segunda-feira, agosto 23, 2010

O amor pode ser tão simples quanto isto

Best Coast - When I'm With You from Pete Ohs on Vimeo.



The world is lazy
but you and me
We're just crazy


So when I'm with you, I have fun
Yeah when I'm with you, I have fun

Este sonho não é para mim

Passam na TV, no mesmo dia da semana e quase à mesma hora, dois concursos associados ao mundo da moda: o da RTP para estilistas, o da SIC para modelos. O primeiro, e apesar de ser minimalistamente conduzido por uma Nayma apática, parece-me ser bem mais interessante que o segundo. No entanto foi a ver o segundo que tirei a grande ilação da noite. A saber.
"À procura do sonho (Face Model Of The Year 2010)" é um concurso normalíssimo de descoberta de novos talentos para a passerelle. Há dois grupos, um de rapazes e outro de raparigas, uns com um registo de pós-adolescência mais visível que outros, mas não sobram dúvidas de que todos estão ali para procurar um "sonho", que pode virar pesadelo (recordo-me do drama da concorrente que na mesma semana ficou com um desgostoso e radical novo corte de cabelo e um passaporte para regressar a casa). Na edição de ontem, sob os desígnios da sessão fotográfica, os quatro elementos da natureza eram o mote. Para cada elemento, um fotógrafo e quatro modelos. Logo à partida, pareceu-me óbvio que a prova seria limitada, sobretudo ao profissionalismo do fotógrafo e às suas ideias e exigências. Portanto, fica provado que, até num mundo tão "objectivista" como é a moda, a sorte também é um factor a ter em conta. Que o digam os concorrentes bafejados pelo "Fogo" e pelo respectivo fotógrafo, que utilizou como único cenário o fumo artificial e era esse o único obstáculo daqueles modelos: ingerir fumo (?), já que a maquilhagem, o outfit e a pose banal fizeram o resto. Pior cenário deparou-se quem lhe calhou a prova fotográfica dentro de um tanque de água fria ("Água") ou os que tinham de saltar de uma plataforma para um colchão ("Ar"). Mas os resultados que acabaram por surtir mais efeitos negativos, foram os realizados no campo ("Terra"), não tanto devido à prova em si mas às exigências da fotógrafa. Um dos modelos não conseguiu chegar ao nível de "macho latino" solicitado pela profissional e uma das concorrentes não demonstrou grandes dotes de expressividade ao longo da sessão, aliás - tudo isto palavras da própria fotógrafa - naquela rapariga só as pernas lhe pareciam de valor. No fundo, pensei, passa-se o mesmo com certos fotógrafos: só se aproveita a máquina fotográfica.
Sessões terminadas, chegou a vez do júri fazer a sua avaliação. Naquele, reconhece-se imediatamente a Fátima Lopes (a estilista), os restantes dois elementos são-me desconhecidos - se bem que ambos captam-me a atenção, a senhora porque pareceu-me uma versão zen d'"a amiga Olga" (Cardoso) e o rapaz porque tinha uma t-shirt curiosa, criativa. Foi entrando um concorrente de cada vez e foi-lhes dito, tudo o aquilo que os fotógrafos foram desabafando ao longo das sessões. Logo, não havendo novidades, a quem correu pior a prova, foi eliminado do concurso. Curiosamente foi o que sucedeu a dois dos jovens que tinha achado que o resultado final tinha sido longamente superado e apresentaram fotos magníficas: o rapaz que não conseguiu fazer um ar "de macho-latino", que, no entanto, a nível de masculinidade (e naturalidade) teria tanto para ensinar aos que permaneceram em concurso e a rapariga "inexpressiva", que me surpreendeu... Pelo seu olhar profundo e porque é dona de umas belíssimas e longas pernas que nunca tremem sobre saltos altos (portanto, a léguas de outras finalistas que nem dois segundos aguentam sobre saltos).
Enfim, acho que todos aprenderam mais qualquer coisa. Até eu. Aprendi que, segundo estes critérios de avaliação, não percebo patavina do assunto e que devia arranjar algo mais interessante para fazer ao domingo à noite.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Nunca uma investigação de paternidade rendeu tanto em Portugal

O grupo de música popular portuguesa Chave d'Ouro acaba de ascender ao primeiro lugar do top de álbuns mais vendidos em Portugal, destronando assim The Suburbs , dos Arcade Fire . Conhecidos pelo êxito dos bailaricos de verão "O Pai da Criança (Quem Será?)" , os Chave d'Ouro já venderam 10 mil cópias (o correspondente a Disco de Ouro) do seu primeiro álbum, editado em 2009 e reeditado este ano com um novo tema, " A Mãe da Criança (Quem Será?)" , revela o Diário de Notícias. @ Blitz

10+1 cenas que nunca vou conseguir entender:


1 - Esse “jornalismo” que a SIC ocupa os últimos minutos dos seus principais noticiários, qualquer coisa entitulada “O melhor e o pior do Verão”(?);
2 – As funções de um Polícia Municipal;
3 – O acordo ortográfico, de fato;

4 – O rabo da Catarina Furtado no anúncio da CGD;
5 – Como é que, em 1971, o Elton John conseguiu entrar em Portugal para ir actuar no 1º festival de Vilar de Mouros, quando logo “desde o começo causou má impressão, com os seus modos soberbos e as suas exigências: carro de luxo para as deslocações, quartos de luxo para os acompanhantes e guarda-costas, etc.” – é o que consta do extenso relatório da PIDE sobre o festival;
6 – Enchentes de Agosto em tudo o que é praia... Os campos e as montanhas estão todos a arder, não é considerada uma argumentação válida;
7 – Conseguir ler uma crónica do Pedro Paixão inteira sem tomar previamente duas pastilhas para o enjoo;
8 – O fim dos chumbos nas escolas;
9 – A genialidade supra-suma dos The National;
10 – A franja da Constança Cunha e Sá;
E, obviamente, o LOST!

Isto é para me convencer que tenho andado a perder uma grande série?

really?!

terça-feira, agosto 17, 2010

Uma mãos-largas

Gratuito, não digo, mas se aplicassem preços especiais de viagens para as ilhas, não fariam nada que no nosso país vizinho já não faz há anos!

Não diria que é um cartaz Pessimus, mas que é assim para o Limitadus, lá isso é

Nos antípodas daquilo que nos fazem crer como sendo "a referência na área da música electrónica" (Soulwax? E haverá algum festival de música em Portugal em que os 2 Many DJ's não passem discos?) há, por exemplo, esta mixtape, que não é mais que uma selecção cronológica musical demonstrativa de que essa evolução da música electrónica deve-se muito pouco ao electro-house. Do 2-step garage ao Minimal, passando obviamente pelo Dubstep, há todo um vasto mundo por descobrir e apostar, senhores organizadores de festivais de "música electrónica de referência".

'tá armado em esquisito, o outro!

domingo, agosto 15, 2010

Um balde de água fria

Atrai-nos com os primeiros episódios das melhores séries (Mad Men, 30 Rock, Curb Your Enthusiasm ou as mais ou menos fieis Weeds e Dexter) depois vai continuando a seduzir-nos até ao fim da primeira época. A segunda temporada é a concretização de todo o entusiasmo com uma infinita tesão até ao seu último episódio. Até que chega o momento em que as substitui pela Supernatural, a Chuck ou a Bones e é sempre a descer!
No dia em que precisar de um bom exemplo para um anticlímax não me esquecerei de uma certa programação da RTP2.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Culpem a mãezinha!

Já não há mês de Agosto sem um incêndio em Belas (Sintra). Costuma ser entre os dias 21 e 23, mas desta vez antecipou-se, aproveitando a onda de calor... Falo da "mãe-natureza", claro, essa oportunista e corrupta. Dizem as más línguas que estabeleceu uma forte aliança de interesses com os responsáveis pela limpeza das matas e florestas e que tem no seu círculo de amantes: vários madeireiros, empresários de grandes empreendimentos e de construtoras.
Diz-se também por aí que essa "senhora" não é modesta a pedir presentes a quem cai nas suas graças. Entre outras oportunidades, fez-se proprietária de uma bela moradia no condomínio privado "Marina do Guincho" (também chamado "Malveira-Guincho"), construído em pleno parque natural Sintra-Cascais alguns anos depois de vários incêndios terem ocorrido na zona. Ah, malvada sejas, que já te cansaste das vistas sobre o Guincho!

quarta-feira, agosto 11, 2010

Vai ser encantador (filhadaputa da loucura)

Não deixa de ser interessante a forma como este grupo denomina os seus ciclomotores de 4 rodas: "Papa-Reformas" mas entre parênteses. Vá lá, não foi "Mata-Velhos" com um ponto de exclamação por pouco. Também convém relembrar outra das finalidades de uma concentração (um passeio, claro, mais uma vez apresentado também entre parênteses), não vá as pessoas ficarem baralhadas e pensarem que não há mais nada para além do almoço e da tixchrt.

terça-feira, agosto 10, 2010

Vestir de preconceitos

O que dizer de um senhor que - numa praia de tradição e prática naturista - acha uma provocação as pessoas irem nuas para a iágua?
A tacanhice explica que Portugal, com esta costa imensa, só tenha seis praias naturistas oficiais, segundo a respectiva Federação, todas elas localizadas na região sul. Mas não explicará certamente tudo.
Do outro lado da barricada, há a legitimidade em denunciar certos excessos. Só perdem a razão quando generalizam, é que meter tudo no mesmo saco dá muito jeito quando a intenção não é outra senão mandar pauladas a quem pense de maneira diferente.
A solução para este impasse não foge muito do habitual: mais bom senso para as partes directamente envolvidas e punho firme para o poder local. Isto para evitar que as coisas tomem proporções mais grandes, senão terei que me chatear um bocadinho, ok?

segunda-feira, agosto 09, 2010

O melhor concelho precisa de um bom conselho


O concelho de Oeiras depois de ter sido eleito o "Melhor concelho para estudar", o "Melhor Concelho para trabalhar", o "Município de excelência", entre outros prestigiados galardões, aparece agora no 2º lugar da lista dos concelhos com maior poder de compra de Portugal, segundo um estudo do INE. Ninguém fica surpreendido com o feito, tendo em conta que a partir de finais dos anos oitenta, Oeiras constituiu-se como pólo económico autónomo na Área Metropolitana de Lisboa, apostando no desenvolvimento de actividades terciárias ligadas à Ciência e Investigação e às Tecnologias de Informação e Comunicação, diz o Wikipédia. Eu confirmo e acrescento que este crescimento do número de aglomerados empresariais tem uma relação directa com o aumento da migração dos seus trabalhadores para as zonas de proximidade com o local de trabalho - segundo também o INE (dados de 2009), Oeiras já ocupa o 5º lugar da lista de concelhos portugueses com maior densidade populacional.
A questão que me parece pertinente é saber se este "Silicon Valley 'tuga" terá infraestruturas suficientes para suportar o dinamismo que um tecido empresarial deste calibre exige? Ou melhor, é importante que se diga que há aqui, de facto, várias multinacionais e grandes empresas nacionais que pagam acima da média, mas também era bom que se explicasse, a quem desconhece, que seus respectivos trabalhadores, clientes e fornecedores, para aceder às suas instalações, podem demorar um certo tempo (também) acima da média.
Este estudo aparece numa altura do ano em metade desta gente estará de férias e, quem por aqui passa hoje, não fica com a ínfima ideia do inferno que são os congestionamentos todas as manhãs e finais de tarde na "famosa" A5, nas rotundas junto aos principais parques, em Oeiras / Porto Salvo (Tagus, Lagoas e Quinta da Fonte) e Linda-a-velha (Arquiparques I e II, Duo Miraflores Premium, Edifício Monsanto), na Avenida do Forte e Outurela em Carnaxide (Parque Suécia, Holanda e Neopark), etc. A juntar a isto, também não é demais relembrar que Oeiras serve de "ponte" de acesso a um dos outros povoados concelhos do distrito de Lisboa: Cascais, e de "muleta" a parte do superpovoado concelho de Sintra, ou não fosse o tormento da A5 a tal pseudo-alternativa ao suplício do IC19.
Enfim, no dia em que Oeiras ganhar o prémio do "Melhor concelho para estudar, trabalhar… e deslocar", serei a primeiro cidadão morador deste concelho a recomendá-lo.

sexta-feira, agosto 06, 2010

quarta-feira, agosto 04, 2010

Eu e o meu casaco vs. o resto do mundo

Vamos sair daqui (e voltar aos noventas e poucos)



Há mais que nunca - é o quinto disco de originais dos Les Savy Fav - por aqui óbvias influências de bandas de culto do rock alternativo do início da década de 90. Por falar nessa. Os Pixies, que sempre foram mestres a construir canções que, simultaneamente, conseguem ser extremamente melódicas e abrasivas, deixam sob uma banda de art-punk o seu melhor legado. Qualquer coisa menos "Bossanova" e mais "Trompe le monde", talvez.

sexta-feira, julho 30, 2010

quinta-feira, julho 29, 2010

Crónica da 23ª Pescaria à Portuguesa da Revista Fuças

Coube a Joãozinho Bettencourt de Sol a melhor pesca da noite, apesar de ter por diante a mais temida corvina brava que o conceituado Cardume do Vale das Tulipas teve a honra de apresentar. O pescador teve uma pescaria muito esforçada que só não foi melhor por culpa do peixe, que logo à terceira investida revelou indícios de desorientação. Joãozinho começou com as 3 farpas compridas da praxe, para depois cravar 5 curtas com boa preparação, no peculiar estilo clássico, entusiasmando um público que encheu o Tanque do Oceanário de Lisboa. Entre alguns apeixanados famosos, constavam: Nuno da Câmara Pereira, Isabel Angelino e Cinha Jardim, que por escassos centímetros não foi atingida por uma das galochas que Joãozinho arremessou durante a sua volta de homenagem.
A jogar em casa estavam os rapazes do Grupo de Camaroeiros Amadores de Moscavide, que tiveram uma noite menos boa. Começou com o jovem Francisco Nettto, que citou bonito, mas sem mandar na investida, deixou escapar toda a pescaria apanhando somente um fruto do mar que se encontrava a boiar por erro técnico da organização. Voltou com valentia mas ao ser enganado pelo ziguezague de um carapau enraivecido, desequilibrou-se e acabou por cair do topo do tanque. Depois desta lamentável prestação, recusou a voltar, recolhendo à enfermaria. A noite prosseguiu sempre animada pela Banda de Pífaros de Aveiras de Cima.
Verdade seja dita, a tradição voltou a brilhar no Oceanário e Portugal deve-se sentir orgulhoso por querer preservar a corvina brava (e outras espécies selvagens), que necessitam de uma farpada de vez em quando para se sentirem mais vivas e apuradas que nunca.

terça-feira, julho 27, 2010

Com três letrinhas apenas

CARIBOU - Sun from Caribou on Vimeo.

Realidades paralelas

Duas jovens escapam do seu círculo de amigos e refugiam-se na casa de banho. Lá fora, o som debitado pelas colunas tornava o diálogo impossível. Cada uma, junto do seu lavatório, fala indirectamente com a imagem da outra reflectida no espelho. Disparate em disparate, a que ria mais acaba por desabafar:
"Estive com o Daniel pela primeira vez. Ele é tão lindo... Pena que na cama aquela carinha não acompanhe o resto."
A outra não esperava que a frase da amiga terminasse daquela forma e por isso não consegue deixar de franzir a testa, até a amiga continuar:
"A pila dele é tão pequenina. Pequenina como uma lata de Pepsi!".

Ali mesmo ao lado, o espaço encontra-se bem mais movimentado com a entrada e saída constante de rapazes que não perdiam tempo com "conversas de lavatório" e dirigiam-se apressadamente aos urinóis e repartimentos vagos. Havia excepções: um rapaz falava descontraidamente com outro. "… Ela era toda jeitosa e a sua performance parecia estar de acordo com o seu corpo... Estava a ser mesmo espectacular, até eu ter entrado numa espécie de Túnel do Grilo...".

segunda-feira, julho 26, 2010

Gloriosas dores de crescimento



“Os Subúrbios” são um local onde, por regra, vive-se parcialmente, momentaneamente ou em transição para outro local (não necessariamente melhor). “Os Subúrbios” também são uma fase da nossa vida. Momentos de indecisão, problemas de identidade, muitas emoções, confusões passageiras e uma escola da/para’ vida. Como alguém já escreveu sobre o disco em causa: “glorious growing pains”. Quem conseguiria, melhor que os Arcade Fire, traduzir esses sentimentos em palavras?


The summer that I broke my arm
I waited for your letter
I have no feeling for you now
Now that I know you better

Feel like I been living in
A city with no children in it
A garden left for ruin
By your millionaire inside of a private prison

When you're hiding underground
The rain can't get you wet
Do you think your righteousness can pay the interest in your debt?
I have my doubts about it

'City With No Children'

In the suburbs I, I learned to drive
And you told me we’d never survive
Grab your mother’s keys we’re leavin’

I just can’t understand,
How I want a daughter while I’m still young?
I want to hold her hand, show her some beauty
Before this damage is done, but if it’s too much to ask
If it’s too much to ask, Send me a son
‘The Suburbs’

Now you're knocking on my door
Sayin' please come out with us tonight
But I would rather be alone
Than pretend to feel alright
'Ready To Start'

Some people say we've already lost
But they're afraid to pay the cost
For what we've lost.
'Half Light II (No Celebration)'

Here
In my place and time
And here in my own skin
I can finally begin
Let the century pass me by
Standing under a night sky
Tomorrow means nothing

'Deep Blue'

I used to write
I used to write letters
I used to sign my name
I used to sleep at night
Before the flashing lights settled deep in my brain
By the time we met the times had already changed
So I never wrote a letter
I never took my true heart I never wrote it down
So when the lights cut out
I was lost standing in the wilderness downtown
'We Used To Wait'

If I could have it back
All the time that we wasted
I'd only waste it again
'The Suburbs (Continued)'

quinta-feira, julho 22, 2010

À família convencional

Uma família convencional é aquela em que os pais deixam os seus filhos ir, sem aviso prévio, para Espanha ou para França e que acham muito normal que o único sinal de vida, em dois anos, seja duas ou três SMS a sossegá-los com um: "Tá-se bem e podem mandar à vontadinha umas massas e umas comidas pelo meu amigo rei ghob que nos vai proteger a todos de um terramoto que pode destruir 76% da faixa costeira de Portugal Continental. E continuem a carregar-me o telemóvel para que eu vos possa continuar a responder, ok? Que ghob esteja convosco, amén."?

quarta-feira, julho 21, 2010

To the unconventional family!


Este filme tem tudo para ser jeitoso. Tudo.
Já estreou nos EUA. Por cá, só lá para Novembro - no cenário mais optimista – o que dá tempo mais que suficiente para a Plataforma da Cidadania, do Casamento, do Bacalhau na Ceia de Natal, dos Passeios no Colombo ao Domingo e da Panela de Pressão organizar cinco manifestações na Av. da Liberdade e dez abaixo-assinados contra a estreia do filme.

Combate de DJing do ano: Scratch Teixeira Lopes vs. Strecht Ribeiro

segunda-feira, julho 19, 2010

Um sonho no Meco

Beach House, 16 de Junho de 2010, Festival Super Bock Super Rock @ Meco

Stand beside it, we can't hide the way it makes us glow
It's no good unless it grows, feel this burning love of mine
Deep inside the ever-spinning, tell me does it feel
It's no good unless it's real, hill sides burning
Wild-eyed turning till we're running from it
I'd take care of you if you'd ask me to
In a year or two
You say swimming in the lake we'll come across a snake
It is real and then it's fake, feel it's heartbeat
Feel what you heat, far so fast it feels too late
I'd take care of you if you'd ask me to
In a year or two
I'll take care of you, take care of you, that's true...


Take Care


Ouvir várias canções do disco "Teen Dream" ao mesmo tempo que o sol se ia refugiando no horizonte, para lá do Palco (EDP) e da herdade onde ele estava instalado, foi um momento mágico partilhado por uma assistência semi-encantada. Valeu cada miligrama de pó snifado involuntariamente, este, entre outros (demasiados para enumerar) momentos memoráveis.
A organização do festival está de parabéns. Mesmo consciente das condições do espaço em causa, deseja-se melhorias para futuras edições. Sobretudo a nível de condições de campismo e acessibilidades - consta que a noite passada foi um pesadelo. Curiosamente, quando praticamente tudo começou com um sonho de adolescente...

domingo, julho 18, 2010

Uma escola de alcoviteiros(as)

O jornalismo impreciso e tendencioso que começou a reinar para os lados do Público há cerca de dez anos atrás, quando – olha, um exemplo - Inês Serra Lopes publicou várias notícias/ reportagens que alertavam para uma vaga de prostituição masculina no Estádio Nacional e só descansou no dia em que um “popular” ministro da altura mandou fechar o local, revela agora óbvia descendência no i.
Interpretar situações com base nas ideias preconcebidas de quem as denúncia (ou do próprio jornalista, pois repare-se no tipo de questionário dessa peça), sem qualquer investigação de base mais aprofundada não é jornalismo, é mexerico. E enquanto estes jornalistas continuarem a deduzir que os homens só se envolvem ocasionalmente com outros homens por interesses financeiros, nunca deixaremos de estar perante uma escola de alcoviteiros(as).

sábado, julho 17, 2010

terça-feira, julho 13, 2010

A evolução

No mesmo dia que "leakaram" duas novas canções dos Interpol e dos The Walkmen li uma análise muito interessante (e recomendável) sobre estas duas bandas nova iorquinas. A comparabilidade entre elas pareceu-me ser à partida algo despropositada, no entanto recordando o historial de ambas as bandas acabo por admitir que há vários pontos de contacto, sobretudo se o vermos numa prespectiva de uma evolução inversamente proporcional.
Hoje, do pouco que se sabe dos seus novos discos, esta análise só pode ser feita com base em três novas músicas: duas delas que nada acrescentam ao que os Interpol já fizeram no passado - infelizmente, ambas, a léguas da qualidade de "Turn on the bright lights" - e uma dos The Walkmen, que logo na primeira audição soou-me a "Red Moon", uma das canções do brilhante "You and me". Portanto, não me restam muitas dúvidas ao escolher a banda que revela mais indícios de evolução.
E, se esta lógica bater certo, ainda nos podemos vir a orgulhar muito pela nossa capital dar nome a um certo disco.

domingo, julho 11, 2010

O que será mais ridículo: um foreigner indie a fazer canções de homenagem a um clube de futebol ou adeptos grunhos a analisar a "música exprimental"?



Nao se entende uma caralho mas BENFICAAAAAAAAAA
DragonLuixao 1
week ago 3 coronelbernardes

Bem vindo, Panda. Espero que
marques muitos golos de águia ao peito e nos ajudes a conquistar troféus.

AMO-TE BENFICA******
thepoisonwhisky 1 week ago
Melo167

@MsA8me a música é experimental, daí soar estranho à maior
parte das pessoas
Melo167 1 week ago tahtry

FORÇA BENFICA
ALLEEEEEZ! vá, a musica ta fofa
tahtry 1 week ago MsA8me

Para a
próxima pode ser que saia melhor. Mas que se lixe. o que conta é a intenção.
Fora Benfica!

MsA8me 1 week ago JoaoPQ

sábado, julho 10, 2010

É tudo uma questão de tempo


I always used to tell him that only fools could possibly escape the simple truth that now isn't simply now: it's a cold reminder. One day later than yesterday, one year later than last year, and that sooner or later it will come.
George
(Colin Firth) in "A single man"

quinta-feira, julho 08, 2010

Quando outros valores se levantam


Verdade seja dita, a Playboy Entretainment rege-se por um código de conduta, no mínimo... incoerente.
Às tantas, o problema foi mesmo aparecer mais um homem na capa de uma publicação para potenciais machos - os verdadeiros não compram revistinhas, ? Esta Playboy 'tuga já andava a abusar.

quarta-feira, julho 07, 2010

Um festival de amostras

Há quem pague 50 euros só para ver Pearl Jam, há quem pague a mesma quantia para assistir a vários concertos (de preferência, inteiros), mas haverá quem pague para assistir a um "festival de amostras"? Amostras, será o que se pode ver do desastroso resultado da programação em simultâneo de bandas de calibre e géneros similares.
Serei o único a ver uma grande diferença entre pagar para ter e desfrutar, e pagar para ter e optar? Quando se compra um carro, há os elementos de série e de opção. Os primeiros estão incluídos no preço base do bem e os segundos são pagos em acréscimo. Ora, na compra de um bilhete para um festival, as bandas em cartaz são todas "de série", porque caso contrário haveria bilhetes diferentes para cada uma das variadíssimas opções. O que se propõe com este tipo de programação é o mesmo que comprar um carro com ar condicionado de série e ele ser incompatível com o leitor de CD's (também de série). Portanto, carro pago, mas depois: ou fresquinho ou musiquinha! Isto faz sentido?
Há limites para um "festivaleiro" gerir os horários de um cartaz. Ver 25 minutos de The XX, para depois ir a correr para o palco principal para assistir só à abertura de Kasabian, pois o grande Matias Aguayo (e a sua Band) começa, noutro palco, dez minutos depois, é só um exemplo, entre tantos, de que até uma boa gestão de horários não faz milagres - a não ser que o bilhete venha com o poder da ubiquidade integrado e ninguém me avisou. E isto se não houver atrasos!
Alguns festivais de música em Portugal estão de facto a apostar na quantidade e isso seria bestial se não houvesse alguma imaturidade nos critérios da distribuição das bandas e dos respectivos horários. Para além de que, bandas novatas mas em notória ascensão como The XX, La Roux, Gossip, Simian Mobile Disco, Miike Snow, etc., nunca deviam ser remetidas para um palco secundário, em concorrência directa com bandas mais populares (ou de culto) do palco principal. Não é desprestígio. É desperdício (de talento).
De facto, não se é um Coachella ou um Primavera em 4 anos, mas sempre podia-se aprender um pouco mais com a história dos festivais de música que explicam a sua evolução com o incremento de bandas em cartaz.

domingo, julho 04, 2010

CEO, a introdução

Eric Berglund = 50 % The Tough Alliance = 100% CEO e isto é "só" o prólogo e parte do conteúdo de "White Magic":

ceo - prologue from Modular People on Vimeo.



ceo - come with me from Modular People on Vimeo.

sábado, julho 03, 2010

2 em 1

Tive necessidade de rever "Mysterious Skin", não para confirmar que é um belo filme mas para entender que se trata de uma homenagem a uma banda rock que marcou o movimento shoegaze. O inconstante (realizador) Gregg Araki não se limitou a embelezar o filme com algumas músicas dos Slowdive, como usou os títulos de outras canções desta banda para dar nome aos seus personagens. Os Ride, Curve e Sigur Rós a fechar, completam o resto do serviço com distinção.

sexta-feira, julho 02, 2010

Standing room on the plane

Parece que a Ryanair sempre vai avançar com a introdução de lugares verticais na sua frota de aviões. Os testes de segurança começam já no próximo ano.
Pelo o que contam parece-me que a poupança vai ser de ambas as partes: a companhia consegue, das dez filas de lugares sentados removidas, introduzir quinze filas de "vertical seating" e com a eliminação dos dois lavatórios, no total: 50 lugares extra em cada voo; os passageiros poupam no preço da viagem (£4 + £1 por cada xixizinho + £80 por despacho de bagagem). Portanto tudo bem, menos para a malta que costuma viajar com casa atrás e que tenha uma certa facilidade em ganhar bolhas nos pés. Para os mais incontinentes (e, só para agravar, como estes sabem tão bem que essa posição não facilita a retenção dos fluídos!) também pode não compensar.

quinta-feira, julho 01, 2010

As fotos falam por ela (ele) própria(o)

Lady Gaga, sempre predisposta a incendiar rumores e se o boato estiver correcto, irá aparecer transformada em Jo Calderone (só o nome emite sensualidade) na edição de Setembro da Vogue Hommes Japan. Está mais bonita(o) que nunca.

terça-feira, junho 29, 2010

Estados de alma na despedida


O Pepe ri-se (não mostraram o Liedson), o Eduardo chora. Isto pode explicar alguma coisa.
Cristiano Ronaldo? Ridículol. Com o Mourinho o "puto maravilha" vai ter que entrar na linha... Nem que seja na linha do banco dos suplentes.

A parte boa disto é que agora acabam-se os programas bimbos de apoio à selecção e escasseiam as lições de história da Rita Marrafa de Carvalho e os directos a toda a hora para saber se está frio em Cape Town ou o que jantou o C. Ronaldo. Enfim, resta-nos o futebol das melhores selecções do Mundo.

domingo, junho 27, 2010

Da extrapolação


O título que faz a capa da revista Visão desta semana é do mais sencionalista que tenho visto nos últimos tempos. Ao contrário do que se possa pensar com tão infeliz título (e o que dizer da foto?) para uma reportagem, o culto de Osho é, como tantos outros, um agrupamento inspirado no movimento hippie dos anos 60 com uma fortíssima inspiração ecológica, e, onde entre outras características, também há liberdade sexual, o que faz com que a poligamia seja praticada por alguns dos seus membros. Disto a um grupo que se resume à “terapia” em forma de “orgias”e “para se ser membro tem de se fazer o teste da sida”, é a prova de que tomar uma parte pelo todo é uma forma pouco honesta de promover um artigo. Mais valia anunciá-lo como uma espécie de "Boom Festival para séniores", onde o trance dá lugar ao new age, e os leitores ficariam com uma ideia mais precisa do que por lá se passa. No todo, claro.

sexta-feira, junho 25, 2010

Aphrodite II

Katy Perry, 2010.

Aphrodite


Kylie Minogue, 2010.

quinta-feira, junho 24, 2010

Alive in the crowd

A Everything Is New acaba de confirmar à BLITZ que os passes de três dias para o Optimus Alive!10 estão esgotados, à semelhança dos bilhetes para dia 10 de Julho, o dia do concerto dos Pearl Jam.

Medida responsável e consciente, esta da EIN não dar ouvidos a um grupo organizado de imberbes do Facebook que pensa num festival de música como a versão humana para uma junta de gado e ter decidido estabelecer um limite de entradas para um festival de verão. Ainda assim, 45 mil pessoas naquele espaço até me parece uma restrição algo arrojada. Diz isto quem até parece que não superou a prova da (des)organização de controlo de entradas do 10º SBSR (2004), na noite de Pixies, em que conseguiram meter 60 mil num espaço muito pouco maior que o do Optimus Alive. Vejam sempre a coisa pelo lado positivo: nestas condições ninguém passa frio!

The discipline

segunda-feira, junho 21, 2010

sábado, junho 19, 2010

Nas grandes homenagens o CM, mais uma vez, bate todos!

O seu público agradece:
Para isto já não há crise! Haja Deus!
E o Sousa Lara também (quer o prémio).

Ser alien em Mart(e)

De Las Vegas, recentemente, fiquei a saber da bizarra história de um empregado temporário da Wal-Mart que ao ser questionado, pela sua supervisora, da sua homossexualidade, passou a receber um tratamento diferente.
"I was completely ignored and shunned," he wrote in a complaint to the Nevada Equal Rights Commission. "I had nothing to do all day but wander around the store wearing a yellow vest no one else had to wear, much like Jews had to wear a yellow star of David in Hitler's Germany."
Se o objectivo era que o seu subordinado tentasse dar nas vistas entre os corredores do supermercado, esta supervisora demonstrou que, para além de estúpida e homofóbica, é incompetente, por não conhecer o perfil da clientela que frequenta o espaço onde trabalha:





Mais aqui.

Desejo sinceramente que a vítima recebe uma boa indemnização... Mas para tal é preciso que os membros do júri nunca tenham colocado os pés num dos espaços pertencentes à maior (e mais estranhamente frequentada) retalhista do mundo.

quarta-feira, junho 16, 2010

Como eles crescem



Ela, com estes surpreendentes e belíssimos 12 anos, entre muitas outras participações, já foi uma das pequenas filhas do casal americano em "Babel" e ele, com 36, também já foi o tal namorado que levava a Britney ao desespero e morte no vídeoclip desta: "Everytime".
A Sofia Coppola decidiu juntar estas duas diferentes gerações no seu próximo filme.

segunda-feira, junho 14, 2010

Estudo da EMIS

Há mais de um mês fui contactado, via e-mail, pelo Ricardo Fuertes que pertence ao GAT (Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA). O Ricardo colabora num estudo europeu chamado EMIS (European Man-For-Man Internet Sex Survey) que pretende ter informação sobre comportamentos, atitudes, informação, necessidades em prevenção de VIH e outras ISTs, outras necessidades de saúde, etc, em homens que fazem sexo com homens (ou que tenham vontade em fazê-lo). Para mais fácil entendimento, faço o quote das palavras do Ricardo.
"Existem outros estudos neste âmbito mas por primeira vez vai ser lançado um questionário online em simultâneo em 31 países europeus. Trata-se de um estudo bastante sério e ambicioso, desenvolvido por entidades como GTZ e Robert Koch Institute (Alemanha), CEEISCAT (Espanha), Maastricht University (Holanda), Regione del Veneto (Itália), Sigma Research (Reino Unido), e conta com colaborações de entidades governamentais e da sociedade civil dos restantes 26 países. Os colaborados portugueses são o GAT e o Instituto de Higiene e Medicina Tropical.
O estudo vai ser divulgado a nível europeu por dois dos principais sites de contactos gays (Manhunt e Gayromeo), mas gostaria também de contar com a participação de blogs, sites e bares locais."
A partir de hoje e até ao final do mês de Agosto, há um gif instalado, neste blog, mesmo aqui ao lado, que direcciona directamente para este questionário. Não é um questionário curto, mas é seguramente um dos mais simples, directos e dos poucos que trazem a vantagem de poder acrescentar conhecimentos sobre o VIH e outras ISTs.

A melhor filosofia

domingo, junho 13, 2010

It’s nice to be appreciated :)


Ben Cohen é um dos melhores jogadores de rugby de Inglaterra. Nesta entrevista à revista Complete ele reconhece que a sua popularidade ultrapassa a sua performance desportiva. Esta tomada de consciência devia ser um exemplo a seguir e um modelo de tolerância a ser ensinado nos balneários.

COMPETE: It’s no secret that you count a large number of gay men among your fans … and you have sort of embraced that. Was there ever any hesitation about “courting” your gay fan base?
BEN: I embrace diversity more than just a gay fanbase. I think that everyone should be able to say, think and feel the way they want to as long as no one else is hurt. I don’t think we have the right to judge what is right and wrong. I am happy and content in my life and feel that everyone should have the opportunity of feeling that way and being true to themselves.

I have never really thought about whether I court a gay fanbase. I actually find it quite amazing that people are so interested in me in that way. I don’t see it myself. But it seems that my acceptance of those who like me makes a big difference to a lot of gay men. I have had numerous e-mails, mainly from young men who have been inspired by me in some way, and so have had the courage to come out to their friends and families and so live fulfilled lives. I have also been told that I have helped parents come around to the fact that their son is gay. I have no idea how I have managed to do that, I have to confess – but if my openness has done that then it seems that it is the right way to be.


COMPETE: What do you think of the term “gay icon”?
BEN: It is not something I associate with myself really. I can only go by the response I see from the Web and articles. It is flattering of course. It’s nice to be appreciated. Everyone likes that.

COMPETE: Let’s be honest – many of these fans no nothing of rugby or sports in general. They know you because of your calendars and notoriety as a sex symbol. Any problem with that?
BEN: Ha ha. Yes, I know. I see the comments on facebook and some make me blush. My friend and colleague Jill looks after that side of things for me so I don’t see too much, but she keeps me up to date with what is going on.

When I went to France to play my rugby profile dipped, as I wasn’t playing for England at that time, but we then realized that there was a whole group of people who were more interested in me as a man rather than my status as a rugby player. I still can’t get used to that because I am either a rugby player or a dad. That’s all. We do our best to keep everyone updated with what I am up to, and with facebook and twitter Jill can let everyone know what is happening on and off pitch almost instantly. It’s incredible.


COMPETE: I’ve been told before that – simply by the nature of the sport – rugby is much more tolerant and accepting of all people. Do you find this to be true?
BEN: I can’t say if it is more tolerant than other sports, although this is something that interests me. What I can say is that in my experience, there is no pressure one way or another for men to come out and say they are gay. We don’t really see it as a problem either way. You are more likely to get a hard time over dropping a catch or having a kick charged down than anything else. Rugby is pretty straight forward really and as far as I can see, there is a good deal of acceptance all round.

sábado, junho 12, 2010

Cronenberg

O “grande público” nunca amou os filmes de David Cronenberg (DC) porque ele nunca foi realizador para estipular limites no acasalamento entre o bizarro e o real ou porque fazia questão em revelar despiedosamente as obsessões dos seus personagens, por mais esquivas ou identificáveis que elas fossem – e quanto mais identificável que possa ser uma obsessão, mais repúdio ela transmite. Hoje, o "grande público" continua a não amar os filmes de DC mas por razões diferentes, pois as suas obras também são diferentes. Apesar de se basear em histórias mais comuns, há uma ênfase sobre o lado perverso das suas personagens e um lado menos convencional das suas relações e que desilude quem espera que, por exemplo, a relação entre Nicolai e Anna, em Promessas Perigosas, fosse muito mais além que aquele magnífico mas fugaz beijo final - um beijo de passagem, como aliás se define a relação deles ao longo do filme. Há finais felizes, mas tal não significa que o sinónimo de felicidade do espectador esteja em sintonia com o do argumento.

Este realizador canadiano, actualmente, pode fazer filmes que traçam tangentes ao mainstream mas nunca deixa-os isentos da sua marca própria. Portanto, até podemos já não estar perante o tal “cinema de autor” de outros tempos, mas a essência está lá. É uma questão de estar atentos aos pormenores.
Vejamos o caso do corpo humano: em constante mutação (A mosca, M. Butterfly, Festim Nu), a servir de base de uma consola de um jogo surreal (eXistenz), em confronto com o audiovisual (Videodrome), a revelar outras formas de desejo (Crash), meio de comunicação através de tatuagens (Promessas Perigosas), entre outros exemplos de como ele pode ser um dos elos de ligação de grande parte da obra cinematográfica de DC.
A chave também está na forma como ele se debruça sobre os segredos dos relacionamentos aparentemente comuns. As histórias são cada vez mais convencionais, interpretadas por personagens, (uma vez mais) aparentemente, convencionais. Mas como todos bem sabem, as aparências iludem. E a realidade é esta: não há ninguém superior a Cronenberg a filmar tais “ilusões”.

Está neste momento a filmar “A Dangerous Method”. Do pouco que se sabe desta sua última obra é que volta a contar, pela terceira vez consecutiva, com Viggo Mortensen e que este é... Sigmund Freud. Já não me devia surpreender. Sobretudo depois de já ter visto o lado mais obscuro de um chefe de família exemplar (Uma história de violência) e a faceta mais sensível e humana de um carrasco de uma família de mafiosos russos (Promessas Perigosas). Nada é previsivelmente delineado no cinema de DC e também é isso que o torna perturbador, realista e tão interessante.

So big?

quinta-feira, junho 10, 2010

Uma viagem a meio ano musical em dez temas

Inspirando-me neste útil post do João Torgal, continuo com mais umas sugestões avulso.

Começo por esta arrepiante versão de uma grande canção dos Big Star, que comete a rara proeza de ainda ficar melhor que o original:


Chamem-lhe “Dust”, “Duet”, o que quiserem, é uma das revelações de 2010 e uma das melhores formas de recuperar o trip-hop:


Menos trip mais hop, hip!


Menos hip, mais pop.


Há temas que ninguém perde nada em não conhecer, mas há remisturas desses temas que todos podem perdem tudo em não conhecer. Este é um deles:


E este é outro:


No indie rock, seria muito mais óbvio que celebrasse o regresso dos Arcade Fire. Mas, não, fico-me por estes:


E devia ser crime não mencionar um outro regresso crucial:


Comecei com uma cover, acabo com (mais) uma remix. Mas esta não é uma remix qualquer, nem o “Kid A” é um tema qualquer.


Fora-de-horas mas não fora da lista. O techno (house e) minimal já há muito tempo que deixou de ser música exclusiva para preencher after-hours.

quarta-feira, junho 09, 2010

Crucifixos? Até os como!

Se eu podia deixar o vídeo directamente por aqui? Podia, mas não era definitivamente a mesma coisa. Seguindo o link do Blitz entretemo-nos também com a polémica da mediocridade em forma de ressuscitação dos Ace of Base vs. o maior ícone da história da pop ao quarto hit. O hiperbolismo, por regra, atinge sempre os dois lados da discussão.

segunda-feira, junho 07, 2010

A BP leva muito a sério essa história da responsabilidade por derrames, não leva?

Mantenho contactos intímos com um jornal, serei virgem?


O jornal que paga uma crónica semanal à presidente do Clube das Virgens, é o mesmo jornal que a acompanhou nesta visita e, se isso não for tudo uma enorme coincidência, será o mesmo jornal que vai cobrir (perdoai-me, face ao contexto, tal inapropriada expressão) o "grande acontecimento" por ela tão esperado. O que chamar a tão intíma relação? Eles chamam-lhe contrato de exclusividade, eu chamo-lhe fornicação: a Margarida escreve meia-dúzia de banalidades e fornica o espaço e um cachet ao CM, este por outro lado, enche-se de prazer ao preencher uma página com a ida da cronista ao Salão Erótico, entre outros interessantíssimos exclusivos. Portanto, ela, diz-se: pura e inocente, envolvendo-se com um velho sabido e rassabiado como é o CM, metaforicamente, deve ser virgem, mas nas orelhas.
Mas tropos à parte, não haverá mesmo por aí nenhum caval(h)eiro montado num cavalo branco, desejoso de ter os seus três (hum...) minutos de fama e satisfazer os desejos de tão voluptuosa e atrevida princesa, que se chegue à frente?

domingo, junho 06, 2010

Votar inconscientemente em consciência

Numa entrevista que sairá hoje na revista Pública, a deputada Assunção Cristas, do PP, diz isto:

“Eu seria favorável a um casamento [entre pessoas do mesmo sexo]. O que pode parecer uma posição estranha da minha parte. Muita gente me aborda achando que sou contra; mas não sou. Curiosamente, desagradei a toda a gente. Os que concordavam comigo reclamaram, mesmo com a declaração de voto, por acharem que isso não servia de nada. E reclamaram comigo os que achavam que eu devia ser radicalmente contra e, no final, tinha feito uma declaração de voto; então, que tivesse sido contra! Fiz o que podia fazer, de acordo com a minha consciência. Dou muito valor ao contrato com o eleitorado. É mau dizer-se uma coisa e fazer-se outra. Todos cedemos um bocadinho para que fique espelhada a sensibilidade maioritária.”

Este assunto, à partida e como a deputada refere, poderia ser só justificado com um “dou muito valor ao contrato com o eleitorado” e ficava arrumado. Mas não pode. Porque este caso é mais um exemplo de como a disciplina partidária entra em conflito com a liberdade de expressão. Por alturas da tal votação, também falei sobre isso, já que provavelmente terá sucedido um fenómeno oposto com alguns deputados do partido do governo. Portanto é perfeitamente legítimo que os leitores possam questionar a publicação: “também vão fazer reportagens sobre os muitos que, sendo contra, foram obrigados pelo PS (por exemplo) a votarem a favor?” – lê-se nos comentários.
Enalteci na altura e reforço o elogio hoje: nos antípodas desta realidade, onde se cede aos bocadinhos, estão comportamentos como o do deputado José Manuel Martins (PSD), que votou favoravelmente, ao contrário dos restantes colegas de bancada, na proposta que incluía a adopção.
E o que pensa o “eleitorado” de tudo isto? Preferirá que os deputados votem em função das linhas do partido em detrimento das suas próprias convicções? Será que gostam mais de ver os seus deputados a assumir este tipo de frontalidade nos meios de comunicação em vez de uma postura mais coerente na Assembleia da República?
Bom, o que parece-me garantido é que este tipo de actos mecanizados vêem dar razão aquele desejo popular de reduzir radicalmente o número de deputados: “para afirmar as ideias do partido não é necessária tanta gente a sugar o contribuinte”. Lêem o mesmo que eu? Depois não venham com aquela de que o povo está-se a afastar da política, "ai a credibilidade nas instituições", entre outras tretas de mau-prestador-de-serviços.

terça-feira, junho 01, 2010

Muito bem e agora só falta perceber a diferença entre uma opção e uma orientação*

Cristiano Ronaldo
* Uma orientação pode ser a homossexualidade. Já uma opção é poder escolher entre ir para o trabalho de Ferrari ou de Lamborghini.

Imaginem os Beach Boys numa "cowboyada" alternada com os The Smiths e os New Order

Já o EP do ano passado, "Summertime", anunciava que vinha por aí uma espécie de renovação do surf pop. A surpresa surge ao ouvir os restantes temas que acompanham o hit "Let's go surfing" - que a Peugeot soube inteligentemente aproveitar na promoção do seu novo crossover - e quando descobrimos que a proeza dos The Drums está também na forma como transformam baladas mid-tempo deprimentes em canções fortíssimas e viciantes. Se não desistirem às primeiras tentativas, esta poderá ser mesmo uma das melhores companhias que o próximo verão (musical) vos tem para oferecer. (A conferir também ao vivo no próximo Alive!)

domingo, maio 30, 2010

También te quiero mucho, Rihanna*



* isto hoje não podia estar mais latino!

Pressãozinha boa (mas um bocadinho hipócrita)

Notícia do dia. A gay couple jailed in Malawi after getting engaged have been pardoned by President Bingu wa Mutharika.

A tal pressão internacional. Aid donors and human rights groups have been putting pressure on his government to respect the rights of minority groups.
The UK government, Malawi's biggest donor, said it was dismayed by the sentencing, and the US labelled it a step backwards for human rights.


Os EUA e o seu bem-aventurado “faz o que eu digo, mas não o que eu faço”:
The White House is pleased to learn of President Bingu wa Mutharika's pardon of Tiwonge Chimbalanga and Steven Monjeza. These individuals were not criminals and their struggle is not unique. We must all recommit ourselves to ending the persecution and criminalization of sexual orientation and gender identity. We hope that President Mutharika's pardon marks the beginning of a new dialogue which reflects the country's history of tolerance and a new day for lesbian, gay, bisexual, and transgender rights in Malawi and around the globe.

quinta-feira, maio 27, 2010

Se é bué difícil estar aí com a mão caralho porque te sujeitas a essa tarefa?



Os fãs portugueses da nova vaga indie estão a ficar cada vez mais parecidos com os congéneres espanhóis: aproveitam os concertos para meter as conversas em dia e estão-se a marimbar se há, por ali, quem prefira ouvir uma banda, para o qual – imagine-se - até pagou bilhete, em vez de participar involuntariamente na discussão do dilema existêncial de qualquer neoindie do século XXI: lasanha do lidl vs lasanha do pingo doce... Ahh espera... Olha está ali a Fátima!

quarta-feira, maio 26, 2010

A Dido e os Faithless fazem-me lembrar aqueles casais que se divorciam, mas que de vez em quando marcam uns encontros escaldantes para matar saudades

(com um vídeo caseirinho todo janota a acompanhar e tudo, hein?)




Por falar em Dido, esta nova música, para já, pode ser só uma amostra de que a banda sonora do “Sex in The City 2” (em que, entre outras participações, também podemos contar com uma versão de Lisa Minnelli do “Single ladies ...” da Beyonce , o clássico “True Colours” da Cyndi Lauper, a Erykah Badu delirar com “Window Seat” e a Natacha Atlas com “Kidda”) será quinhentas e trinta e uma vezes melhor que o respectivo filme (que por acaso até estreia esta semana nos EUA).

segunda-feira, maio 24, 2010

Em tempos de austeridade há sempre uns que austerizam mais que outros


Curiosamente na mesma semana em que todos os noticiários abriam com a revelação das novas medidas de austeridade - ora pois vem aí tempos difíceis, e pede-se muita poupança e (obrigatória) solidariedade com a causa anti-défice e pró-rating - a Sic entrava, uma vez mais via Daniel Oliveira (o amigo íntimo que qualquer jogador de futebol profissional tem de ter), na intimidade dos “incríveis” seleccionados. São tempos de crise mas, “incrivelmente”, os jogadores da selecção nacional não se fazem de modestos no que toca a mostrar como ela (a crise, qual crise?) lhes passa completamente ao lado.
Num momento ouve-se o senhor ministro das finanças anunciar que para evitar uma calamidade nos vai ter que aumentar o IVA do pão e do leite e mais um “bocadinho” na retenção de IRS do ordenado, não muitos minutos depois vê-se o Pepe a mostrar, entre desconcertantes truques de cartas, os seus mega-plasmas e a sua frota automóvel de fazer inveja um qualquer conceituado stand. Que todos aqueles bens sejam merecidíssimos, mas os telespectadores não ficam confusos?