segunda-feira, fevereiro 14, 2011

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Há sempre pessoas cinefilamente masoquistas



Dá sempre a vontade de perguntar: as pessoas não sabem ao que vão? É que não há resumo/sinopse/crítica de "127 Horas" onde não se fale de uma amputação de um braço!

Se tivesse igualmente no circuito comercial, já estou a imaginar a quantidade de mortes súbitas que, por exemplo, este filme provocaria:


Este "A Serbian Film" é excelente. Parte de um argumento um pouco básico: um pai de família, ex-porno star, que aceita entrar num novo filme, que também é um projecto misterioso, liderado por um realizador... Digamos, muito excêntrico. O filme vai transformando-se em algo mais complexo e acaba por ser uma metáfora de um país (Sérvia) muito traumatizado pelo seu passado. Tudo isto sempre acompanhado por uma fotografia e interpretações soberbas.
E agora a pergunta difícil: recomendo-o? Face ao que digo antes, tudo indicaria que sim. Mas é justamente o contrário. Este filme também revela, sem rodeios e sem censura, o lado mais perverso e sombrio do ser humano. Se são de alguma forma susceptíveis nem digo: não o vejam, digo: fujam dele! Tem imagens que eu jamais julgava ver em cinema. Tem imagens que eu jamais julgava ver, e, sinceramente, até preferia não ter visto.

É isto. Se o "127 Horas" é chocante, o "A Serbian Film" é mortal. Depois não digam que ninguém vos avisou.
PS - Faltou dizer que, ao contrário do negríssimo "Srpski Film", este "127 Horas" é muito recomendável. Há a tal cena violenta, mas logo no momento seguinte há uma expressão apaziguadora de James Franco que é imperdível - aliás como todos os restantes 90 minutos. Sempre pode-se fechar os olhos ou olhar para o lado durante dois minutos. Portanto, façam lá um quinto do esforço que fizeram para conseguir ver aquela enésima versão do "SAW" e pode ser que até sejam bem recompensados.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Andamos muito satisfeitas. E a tua Pfizer também.

Em época de crise os problemas parecem ainda não ter chegado debaixo dos lençóis nacionais. Quem o diz são as mulheres portuguesas, que num estudo sobre a satisfação sexual das europeias revelaram ser as mais satisfeitas com a sua atividade sexual.
No estudo "O que querem as mulheres?", levado a cabo pela consultora Strategy One e apoiado pela Pfizer , 88% das portuguesas confessaram-se realizadas sexualmente, sendo seguidas por 75% das espanholas e 74% das austríacas.(...)


Depois vem as explicações de Júlio Machado Vaz e não resisto completar uma delas:
"As portuguesas estão mais exigentes com a sua vida erótica e eles andam literalmente com credo na boca" e à Pfizer interessa-lhe que eles substituem o credo por um comprimido azul - que coincidência! - que essa farmacêutica vende e que costuma ser muito eficaz em certas situações "insatisfatórias". Agora a sério, ainda há alguém que acredita na imparcialidade destes estudos?

Um dia os impostos salvarão vidas

Sobre o caso da senhora que morreu em sua casa e só foi encontrada nove anos depois, destaco, para além da incompetência da GNR que só arromba uma porta quando "cheira mal", isto:

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Aprovado com distinção e louvor

Logo na primeira experiência a fórmula tinha resultado na perfeição:


Pois este novo EP da Beth Ditto, com a produção dos Simian Mobile Disco, mais que não é do que a confirmação. Ou a evidência.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Este programador da SIC dava um bom case study

A SIC aproveitou uma reportagem francesa sobre uma emboscada de 1969, em plena Guerra Colonial (que andou a circular pela internet há poucas semanas atrás), juntou os comentários de ex-combatentes e fez render "um peixe" de 15 minutos, por outro tanto. As imagens, anunciadas como inéditas, revelam a parte mais cruel da guerra, com soldados que tinham acabado de perder os membros, num sofrimento inexplicável, com os seus gritos de dor arrepiantes como uma prova bem audível.
Tudo isto passou poucos minutos depois das nove da noite. Este facto poderá até não surpreender o "telespectador menos susceptível", já que o noticiário (da SIC ou de qualquer outro canal português) acaba por mostrar, habitualmente, imagens quase tão violentas - o que, neste caso, fez dele um preparativo para o que vinha a seguir. Mas aposto que esse "telespectador menos sensível", que já esfregava as mãos para um serão ultra chacinante, esperava tudo menos que lá para as duas da manhã aquele canal tivesse programado o filme "Spy Kids 2".

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

:D

Sooo true.

Os Cut Copy fizeram Paste e resultou!


Fica o aviso: este Zonoscope (é mais do mesmo mas) cresce com o número de audições. Até à faixa 5 (incluída) é sempre fabuloso, sendo "Take me over" uma das músicas mais imediatas e contagiosas do disco - logo, como single é uma aposta claramente vencedora. Depois decresce um pouco o nível (até à faixa 9), mas acaba com um momento épico em forma de música com mais de 15 minutos, que faz (subitamente) lembrar que já passamos por momentos assim ao som dos LCD Soundsystem. O que é tudo, menos mau!

sábado, janeiro 29, 2011

O aprendiz e os seus mestres

Falemos de street art, não de pseudo-graffitis nem de rabiscos nonsense que alguns imberbes deixam por tudo o que é parede das nossas cidades. Não, falemos da verdadeira "arte de rua" bem pensada e bem produzida, ao ponto de ser socialmente perturbadora, politicamente incorrecta.




"Exit Through the Gift Shop" comecou por ser um documentário sobre um francês excêntrico (Thierry Guetta) obcecado por tudo o que podia filmar com a sua handycam - tinha uma especial predilecção por artistas de rua - e acabou por ser uma saborosa comédia sobre um francês excêntrico que é um autêntico falhanço enquanto realizador de documentários, mas é um potencial vencedor enquanto artista. Parece que aprendeu com os melhores que foi acompanhando nas ruas, de Space Invader ao próprio Banksy. E, este (Banksy), o realizador deste documentário, é definitivamente um dos melhores. Lembram-se daquela recente e polémica sequência de abertura dos Simpsons? E não só...


Há muitas reticências quanto à presença de Banksy, no dia 27 de Fevereiro, no Kodak Theatre para receber o "seu" Óscar, pois ele sempre preferiu conservar o anonimato... Até porque também há sérias hipóteses desse prémio escapar para as mãos de Charles Ferguson (Inside Job - A Verdade da Crise). E ninguém gosta de morrer na praia.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

As nossas crianças não devem tomar conhecimento da realidade através de capas de revistas. Bom, se for umas maluquices da Britney já podem!

A cadeia de lojas americanas Harp decidiu censurar a capa da última edição da US Weekly, onde aparece Elton John, o esposo e o novo membro da família.



Já que se fala em US Weekly, consta que esta edição também vendeu muito, também tem um bébé e não necessitou de "escudo protector à prova de criancinhas":



Qual das duas realidades é mais chocante afinal?

quarta-feira, janeiro 26, 2011

"Tenho uma vida profissional tão ocupada que não me sobra tempo para criar duas contas de anúncios"




Para os eventuais interessados (ou diria, interessadas) informo que os anúncios do Leandro continuam activos. Parece que uma compra de mestrado e um desejo de "fujir à rotina" não são coisas para se resolver a curto prazo.

Assim (re)nasce uma nova banda indie com sabor tropical

Mesmo depois de fazerem as primeiras partes dos concertos dos seus "amigos" conterrâneos Arcade Fire, os Young Galaxy nunca deixaram de ser uma banda relativamente mediana e desconhecida do público em geral - incluindo dos caçadores de novos hypes indie-rock do segundo maior país do mundo (em área total). Após alguns LPs e EPs, uma substituição de editora e de uma promessa de mudança de direcção, eis que surge duas razões que me captam atenção para esta banda. Esta tendência a concretizar-se no restante disco, permitirá concluir que este novo "Shapeshifting", até pode continuar a ser indie, mas tem um sabor a Caraíbas que lhe dá todo um novo e surpreendente prazer em ser escutado. Well done!






(Verdade seja dita, que esta semana tem sido absolutamente atípica no que toca à descoberta de novos valores musicais. O facto de ter um tempo-livre-extra pode explicar este fenómeno.)

terça-feira, janeiro 25, 2011

Your cheap to send off

Os ingleses The Joy Formidable já andam por cá há uns anitos, mas só esta semana lançaram o seu LP de estreia. Ainda não ouvi o disco, mas já vi o vídeo de "Austere" umas boas dezenas de vezes. Era só isto.

No (big) surprises

Continuo a não entender a insistência em nomear 10 filmes na categoria de "best picture", quando só há uns dois ou três potenciais vencedores.
Excluindo os filmes não nomeados para "Best … Directing" e/ou o filme de animação também nomeado na respectiva categoria, o filme independente vencedor em Sundance, a comédia politicamente incorrecta que nunca ganhará tal prémio, os filmes dos vencedores das últimas três edições, o filme para dar o Óscar a Colin Firth (e para compensá-lo da desfeita do ano passado), sobra muito pouco mais que a película que ganhou o Globo de Ouro na categoria equivalente e o "Cisne Negro". Ora, se por alguma regra, os Óscares até gostam de contrariar os Globos... :-)

Atenção: os responsáveis por esses filmes vencidos logo nas nomeações até agradecem a promoção, mas já ninguém acredita em milagres nos Óscares, senhores da Academia dos Óscares!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Com orgulho digo que ainda sou do tempo das origens do Dark Neopostpunk

The Soft Moon, "one-man project" do californiano Luis Vasquez, é gótico. Para ser mais preciso, o seu som encaixa-se entre o Post-Goth e o Dark Neopostpunk (sério, isto existe!), para ser mais prático, é a essência de uma mistura de bandas como Joy Divison+Bauhaus+Cold Cave+The Cure (da década de 80) e onde se revelam qualidades muito próprias: é misterioso, complexo e hipnótico.
O LP homónimo de The Soft Moon, ou melhor: a banda sonora perfeita para os nossos pesadelos, é uma das primeiras surpresas do meu ano musical.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Congratulo o casal Luciana & Djaló

... pela originalidade. De facto, Lyonce Viiktórya é nome que nem o travesti mais "escandalosa" do Finalmente se lembraria de chamar.

domingo, janeiro 16, 2011

O Presidente perfeito é... (IV)

... o que dá lições de autoridade à autoridade no "local do crime". É, também, o único candidato incómodo com coragem para apontar o dedo ao "criminoso" e respectivo gangue.

O Presidente perfeito é... (III)


... quem tem coragem de chamar nazis ao (pseudo-fascista) grupo parlamentar do PSD/Madeira.

sábado, janeiro 15, 2011

É sempre a mesma cantiga

Sol Música é um canal televisivo dedicado à música, produzido pela empresa Multicanal. Inicialmente, com distribuição simultânea para Portugal e Espanha, viria a ser transformado em dois canais, Sol Música Portugal e Sol Música España.

O canal Sol Música Portugal foi suspenso em Janeiro de 2005 pois tinha baixos níveis de audiências. Para justificar esse facto, os responsáveis pelo canal apontaram as seguites razões: não foram produzidos conteúdos suficientes que sustentem um canal de música portuguesa, o limitado apoio à música nacional motivado pela crise vivida pela indústria discográfica portuguesa, e os jovens portugueses demonstraram, cada vez mais, um maior interesse pela música internacional, oferta disponibilizada pelos restantes canais de música.

Com a criação de um novo canal de música pela RTP, deduzo que:
- vão ser produzidos mais conteúdos para sustentar um canal de música;
- há mais apoio à música nacional ou já não há crise na indústria discográfica portuguesa;
- os jovens portugueses demonstram cada vez mais, um menor interesse pela música internacional, que até põe em risco a sobrevivência de canais como a MTV, VH1 ou MCM; e
- a RTP, que consome poucos fundos do estado, até tinha poucos subcanais (N, Memória, Madeira, Açores, Mobile, África, I-Europa, I-Asia, I-Oceania, I-América), para além de ter as suas contas orçamentais muito bem controladas, jamais apostaria em projectos com certos riscos.

O canal Sol Música España continua as suas emissões dedicadas à música espanhola.

Este post teve o patrocínio da Wikipédia.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Paz podre

O Presidente perfeito é... (II)

a recuperação da imagem do melhor que o hip-hop nos deu no final dos anos 80. Ou seja: Public Enemy, representado aqui pelo mestre Flavor Flav.
Don't believe the hype - its a sequel*!


* Cavaco, óbvio!

O Presidente perfeito é...

o mais procurado, visto e... Suportado!

Segundo dados revelados ontem pela Marktest, das seis entrevistas conduzidas por Judite de Sousa, a do candidato madeirense foi aquela que obteve melhor 'share': 23,3%. Ou seja, Coelho foi entre todos os entrevistados aquele que conseguiu despertar a atenção do maior número de espectadores que nesse momento viam televisão. (...)
O candidato natural de Gaula protagoniza ainda outro feito. Apesar de ter menos notoriedade nacional do que outros concorrentes, conseguiu uma fidelidade do espectador superior à obtida por Cavaco Silva e mesmo por Manuel Alegre. José Manuel Coelho conseguiu um consumo por espectador de 13 minutos e meio, o que equivale a 50,3% do total da entrevista. A conversa de Judite Sousa ao actual Presidente da República proporcionou a Cavaco um melhor consumo por espectador em termos temporais, superior a 15 minutos, mas que corresponde a apenas a 46% da duração total da entrevista.

terça-feira, janeiro 11, 2011

"I had the craziest dream last night about a girl who has turned into a swan, but her prince falls for the wrong girl and she kills herself..."

Há um curioso jogo de espelhos misturado com uma história de obsessão pela perfeição que recupera o melhor de "Mulholland Drive", de David Lynch... E há uma Natalie Portman - sobretudo nos últimos quinze ou vinte minutos de filme - magnífica. Confirma-se, "Black Swan" é mesmo uma obra fascinante.
Se Darren Aronofsky fosse um (bom) comercial, não precisava de vender o seu filme com críticas, por mais favoráveis que elas fossem. Bastava-lhe mostrar algumas amostras:


Sim, "Black Swan" também é um thriller erótico.

domingo, janeiro 09, 2011

Crime, digo eu

Carlos Castro nunca foi uma personalidade que eu percepcionasse como "boa pessoa". Sempre transmitiu uma certa “imagem” de cuscuvilheiro e de uma certa futilidade. Por cá, poucos lucravam tanto com a má-lingua como ele. De qualquer forma, a soma de uma pessoa não são esses breves contactos que percepcionamos, nem as outras características acessórias (que tem servido de pretexto para fazer uma autêntica "orgia homofóbica" por tudo o que é caixa de comentários e fóruns da net), pois essas são totalmente irrelevantes perante um crime e até desviam-nos desse facto principal. É que para além da morte de um ser humano, esse deve ser o facto que nos prende a atenção e não os outros.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

ACAPOR..CARIA DE IDEIA!

Uma associação de videoclubes oficializou hoje a apresentação das primeiras mil queixas-crime contra mil portugueses que partilham conteúdos via net. E como conseguiu esse milhar de IPs? Partilhando um torrent marcado... Via net. Calma, pois o absurdo nesta caça à ilegalidade com outra ilegalidade é quase irrelevante se compararmos com essa revolta (transformada em obsessão) da ACAPOR pela infidelidade dos seus ex-clientes de cassetes VHS e DVDs riscados, que agora, diz, só terem olhos para os computadores e internet. Como qualquer obsessão, também esta peca por tanta cegueira, ao ponto de não entenderem que a verdadeira ameaça ao negócio de aluguer de filmes, não está nos seus antigos clientes, mas na sua concorrência directa e de quem faz da pirataria um negócio. Será que a ACAPOR mostaria com o mesmo desembaraço e orgulho, como mostrou hoje, os caixotes de queixas-crime, se estas fossem contra feirantes de DVDs pirateados? Ou mesmo contra alguns jogadores da selecção nacional, que confessaram, há não assim tão pouco tempo para a televisão, o hábito de piratear filmes para ver nos estágios? Ou melhor ainda, porque é que a ACAPOR não transfere toda a sua energia do "apanha-o-IP" na criação de uma alternativa mais prática e económica ao aluguer interactivo de filmes?
Não, a ACAPOR acha que faz muito mais sentido elaborar uma queixa contra o consumidor ou, mais concretamente, contra uma conta de IP. Resta saber se as nossas prisões terão capacidade suficiente para albergar famílias inteiras e respectiva vizinhança, porque nunca se vai conseguir saber qual destas 16 pessoas, que partilham uma rede wireless sem protecção, sacou o "Avatar" traidor da associação de videoclubes.
Para os dinamizar, o que os nossos tribunais estavam mesmo a necessitar era de uns bons milhares de processos inequívocos como estes.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

O trauma e a fantasia de Doris Duke


Doris Duke (1912-1993), colecionadora de arte e filantropa americana, era herdeira de um magnata do sector energético (James Buchanan Duke), passou a sua infância receando ser alvo de rapto. O seu maior medo concentrava-se na possibilidade de que o seu pai se recusasse a pagar o resgate aos raptores e, consequentemente, fosse morta.
Um psiquiatra do Havai (onde viveu já em adulta) aconselhou-a ultrapassar o trauma, enfrentando-o através de uma encenação. Ela foi mais longe, associando este trauma a uma fantasia sexual. Não só queria ser raptada, como queria ser reduzida à servidão e violada em grupo - acho que li, algures por um dos estudos publicado numa qualquer Visão ou Sábado desta vida, que esta até será uma fantasia mais comum do que se pensa entre as mulheres portuguesas!
Um dos seus amigos mais íntimos foi designado, por ela, como organizador de toda a encenação. Reuniu numa praia de Honolulu um grupo de rapazes bonitos e bastante viris, incluindo alguns marinheiros que estavam de passagem pelo cais daquela cidade - cada um destes homens recebeu 100 dólares. Nua e amarrada numa casa de praia, Doris foi repetidamente violada e frequentemente sodomizada durante três dias de prova.
Será natural, para quem sempre controlou e exerceu poder sobre os outros, desejar conhecer o outro lado, ao ponto de querer passar pelo papel de uma vítima. Segundo uma bibliografia, Doris passou a ser outra mulher depois do que se passou, não voltou a repetir a experiência e jamais abordou o tema da sua fobia de rapto.
Por aqui se conclui que isto de associar um trauma a uma fantasia pode ter tanto de lógico (Freud fê-lo desde muito cedo) como de perigoso. Pois se há fantasias que acabam com a concretização do desejo, também há outras, como foi o caso, que acabam numa cama de um hospital.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Um paraíso (quase) no centro da terra

A magia de certos lugares recônditos reside na forma como eles nos dão essa maravilhosa sensação de ocultar eternamente todos os momentos que por eles passam. São momentos transformados em segredos, de um tempo que pára naquele espaço, num espaço que parou no tempo.
Para encontrar esses lugares é preciso ter algum espírito de aventura… E alguma genica nas pernas. O acesso deste paraíso bucólico a poucos quilómetros da Nazaré, faz-se por uma longa escadaria (quase) natural (e quase) infinita que nos vai transmitindo, ao longo do seu percurso, a sensação de estarmos prestes a encontrar o núcleo da terra. A descida termina numa pequena ponte improvisada sobre um pequeno riacho que por ali passa.
Depois vem a compensação do esforço da descida: um magnífico jardim natural que dá abrigo a duas áreas de descanso independentes, separadas por uma árvore tombada. Numa dessas áreas somos ainda presenteados com um baloiço construído sobre um ramo de uma das grandes árvores que cobrem quase todo o local. Enquanto ouvimos o canto dos pássaros e o barulho da água gelada que passa pelo riacho, concluímos que afinal o céu fica no centro da terra.

(Peço desculpas pela má qualidade das fotografias, mas uma handycam não foi feita para estes propósitos - fica a boa intenção) ;)







segunda-feira, dezembro 27, 2010

É desta que o paizinho (Iglesias) vai ter um ataque cardíaco

Enrique Iglesias - Tonight (I'm Fucking You) from Data Clipe on Vimeo.



Here’s the situation
Been to every nation
Nobody’s ever made me feel the way that you do
You know my motivation
Given my reputation
Please excuse I don’t mean to be rude
But tonight I’m fucking you

sábado, dezembro 25, 2010

O melhor do pop/rock de 2010 que os críticos não quiseram saber

O cúmulo da indiezice em 2010 é meter produtores de hip-hop da moda no topo de tabelas de fim de ano. Não quer isto dizer que a música que Kanye West seja menos interessante que a dos Arcade Fire, só que quem conhece a discografia de KW sabe que ele este ano limitou-se a fazer mais um disco ao seu nível. Nada de extraordinariamente inovador, muito menos a obra-prima que lhe pintam.
O facto revelante nesta história é que, enquanto os especialistas dos templos indie (Pitchforkmedia & Ca.) andavam obcecados com o endeusamento do novo messias do hip hop, a cena indie crescia mais que nunca. E não me refiro (só) a Deerhunter.

1.Light Asylum


2.Future Islands


3.Minks


4.Wolf Parade


5.The Bridgeheads


6.The Flashbulb


7.Twin Shadow


8.Warpaint


9.Weekend


10.Gayngs

terça-feira, dezembro 21, 2010

Estou tão lá... Em pesadelos!

Isto passou-se numa recente campanha (de devolução do valor do IVA) na loja Media Markt de Alfragide, que abriu, extraordinariamente, da meia-noite às três da matina:

Agora diz que a de Sintra já anunciou que vai estar aberta toda a noite de dia 23 (para 24, do presente mês). Tem todas as compras de natal para fazer e não se quer meter em confusões (diurnas)? Depois de uma noitada na discoteca, o que lhe apetece mesmo é comparar preços de LCDs?
Quem é amiga, quem é?

terça-feira, dezembro 14, 2010

i, um jornal com menos letras (e mais acção)

Pela fotografia que associaram à notícia, deduzo que haja um erro no seu título: falta um "h", depois do "p", na palavra "podem".

quarta-feira, dezembro 08, 2010

I'm daydreaming



And oh if you knew what it meant to me,
Where the air was so clear,
Oh if you knew what it meant to me,
Anywhere but here.

domingo, dezembro 05, 2010

Lado Bosta


Ontem adormeci poucos minutos depois de ver o Lado B. No meu sonho apareceu um padre que gosta mais de mediatização que hóstias e que afirma que os homens completos, como ele, só se podem atrair por mulheres. E não é preciso ser padre para sentir uma grande tesão - foi a parte húmida do sonho - por uma actriz emergente de telenovelas, de telefilmes e de anúncios para champôs, que se fez acompanhar por um chihuahua, da família do da Paris Hilton. Quem pretende ir a Paris, de costas (mas cuidadinho para não ser despromovido da condição masculina pelo senhor prior), é um Homem-Estátua vestido de Camões, que adora sexo tântrico e de bacalhau com batatas. A parte mais agitada do sonho ocorre com o aparecimento de um pombo que solta uma enorme bosta sobre aquelas três interessantíssimas personagens. Foi pena, pois perderam uma boa demonstração de breakdance que surgiu logo de seguida.

Obrigado, Bruno Nogueira, por tornares os meus sonhos tão anti-sorumbáticos.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Um já está

Depois deste, para quando a nacionalidade inglesa de Zezé Camarinha pelas suas "intensas e profundas relações com Inglaterra"?

Estudo EMIS - 1as. conclusões

O primeiro relatório sobre o estudo EMIS está aqui e apresenta alguns resultados interessantes. Um deles prende-se com a possível relação directa entre a % de homens que assumiram a sua homossexualidade (usou-se a pirosa e habitual tradução directa americanizada: "fora do armário") perante a sociedade e o grau de satisfação com a sua vida sexual. Por aqui, destaca-se a Holanda onde, segundo este inquérito, há 81% de gays (assumidos) e 69,2% de homens realizados sexualmente. Por outro lado, na Bósnia e na Macedónia, só, respectivamente, 7,4% e 13,6% dos homens é que assumem publicamente a sua homossexualidade e nenhum destes países atinge os 50% de inquiridos, no que toca à questão da felicidade na sua vida sexual.
Portugal, caso singular, não ultrapassa os 38,4% de homens que assumiram a sua atracção por outros homens, mas onde há 65,9% de homens satisfeitos com a sua vida sexual. E, partindo deste resultado, algumas outras questões se levantariam...

quarta-feira, dezembro 01, 2010

No hard feelings, just hard times



Emile Griffith é um famoso pugilista (sobretudo na década de 60), ex-campeão do mundo, que em 18 anos de carreira profissional, ganhou 85 - 25 por KO - dos seus 112 combates. Uma dessas vitórias ficou marcada no seu currículo por uma razão que jamais esquecerá.
Emile é homossexual e segundo os relatos da altura, Benny "Kid" Paret, o seu adversário desse fatídico dia, ter-lhe-á chamado "maricon". No assalto final/fatal, Emile perde o controlo e desfere consecutivos golpes a Peret, ao ponto deste ficar em coma. Passados alguns dias, Peret morre e tal acontecimento assombrará para sempre a vida deste campeão.
"Ring of Fire" retrata a história deste grande pugilista. Mas este documentário vale sobretudo pela sua reconciliação com o passado e que atinge o seu momento mais alto, já nos últimos minutos, com o emocionante encontro entre Griffith e o filho de Paret. A tragédia invadiu a vida destes dois homens, mas este magnífico momento demonstra como ambos souberam gerir com dignidade as suas mais profundas angústias.

(É uma pena que documentários deste calibre, sabe-se lá porquê, não passem nas salas de cinema portuguesas. Felizmente há alternativas. Ilegais, dizem eles.)

sábado, novembro 27, 2010

Até parece que foi de propósito, não foi?


Através de um reality show, um canal de televisão português mostrou no Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres como, numa relação tempestuosa, o álcool é só o rastilho que provoca a violência. A pólvora chama-se insegurança.
Mesmo que constinuasse a ser (como foi aliás) provocado pelos responsáveis do programa, o resultado, se fosse encenado, não sairia tão perfeito.

Logorama





Um dos autores desta interessante "curta animada", que ganhou este ano o Oscar nessa categoria, expliccou-a através destas palavras: logotypes are used to describe an alarming universe (similar to the one that we are living in) with all the graphic signs that accompany us everyday in our lives. This over-organized universe is violently transformed by the cataclysm becoming fantastic and absurd; it shows the victory of the creative against the rational, where nature and human fantasy triumph.

quinta-feira, novembro 25, 2010

segunda-feira, novembro 22, 2010

God @ Matrix

belo + belo = perfeito

Uma das mais belas "curtas" feitas este ano, acompanhada por uma magnífica canção dos The Irrepressibles (última faixa de "Mirror Mirror", 2010):

The Irrepressibles - In This Shirt (from the movie 'The Forgotten Circus' by Shelly Love) from Jerry88Jerry on Vimeo.

domingo, novembro 21, 2010

Porquê ter, se posso estar?

Há pessoas que só se cruzam uma única vez na vida comigo. Há momentos desses tão especiais que fico quase obcecadamente a desejar que se voltem a repetir. Regresso ao mesmo local, à mesma hora, no dia seguinte, dois dias depois, na semana seguinte... Até que um dia pode mesmo acontecer mas nunca será igual.

De onde vem essa obsessão em forma de desejo de te voltar a ver? Vem do ter, porque já não chega ver. Daqui à paixão (ou ao sexo) vai um passo demasiado curto. Tão curto que irremediavelmente é confundido com o meu sentido de posse. Mas porquê ter? Se há tantas outras formas de estar bem contigo. E eu estive tão bem contigo assim, senão jamais te diria "foi um prazer...".

sexta-feira, novembro 19, 2010

quinta-feira, novembro 18, 2010

Tivemos a infelicidade


Algumas pessoas que fecham a loja para não justificar irresponsabilidades deviam ser fechadas em celas e sujeitas a experiências - sem anestesia

Esterilizações, castrações, simulações de cesarianas e anestesias. A todas estas práticas foram sujeitos animais saudáveis enviados pelo canil municipal para a Universidade de Évora e servirem de "cobaias" a alunos do curso de Medicina Veterinária. Depois, eram abatidos. (...)
"No meu primeiro ano do curso foi utilizada uma cadela para a parte da prática da disciplina de Anestesiologia. Todos os dias, de segunda a sexta-feira, aquele animal foi anestesiado e acordado. Até que no último dia foi abatido", refere uma aluna. No segundo ano, o cenário piorou, com cães a serem "abertos para aprendermos como se retira órgãos, como o baço. Por ser demasiado cruel, não voltei às aulas".
Situações confirmadas por uma ex-aluna do mesmo curso e que agora exerce numa clínica em Évora. "Cheguei a simular cesarianas em cadelas que não estavam grávidas e retirei órgãos, como o útero e os ovários". Tudo isto "em animais vivos e sem doenças". (...)
O presidente da autarquia, José Eduardo Oliveira, remeteu explicações para o veterinário municipal. Às acusações, António Flor Ferreira respondeu assim: "Estou a conduzir e a trabalhar desde as 5 da manhã. Já fechei a loja". Depois, desligou o telemóvel.

Passando à frente da parte repulsiva da história, trata-se, tal como foi dito pela senhora advogada da notícia, de ilegalidades. Ora sendo ilegal, não deveria acontecer. Acontecendo, os responsáveis devem responder por isso. Portanto, dizer que discorda e, para acalmar consciências, dizer que está a pensar (veja lá se não é muito incómodo) criar uma comissão de trabalho para "avaliar o que se está a passar em todas as instituições de ensino no país, questionando as universidade sobre que tipo de animais usam, e propor procedimentos de base para todas elas" que lá para 2020, se tudo correr bem, chegará a uma conclusão, Sra. Bastonária, sinceramente, parece-me pouco.

terça-feira, novembro 16, 2010

Portugal vai ao supermercado

Temos um défice ao nível do Banco Alimentar, para acalmar mercados e consciências, dizemos que compramos tudo no LIDL mas na verdade somos clientes do Pingo Doce, para depois querermos fazer parecer (dando-nos ao luxo de parar meia capital e arredores, por vários dias, para organizar cimeiras internacionais) que só adquirimos produtos no Club del Gourmet do El Corte Inglés.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Está quase (ups, cuidado com os penetras)

Microeconomias paralelas

Através de uma colega que vende Bimbys fico a conhecer um pouco mais da realidade social deste país. Não é que eu já não tenha sido confrontado antes com algo semelhante, mas por vezes preciso de ouvir este tipo de histórias da boca dos outros para encontrar uma melhor justificação a dar à minha revolta.

Tenho uma colega que vende Bimbys, desta vez foi fazer uma demonstração para um bairro de pequenas vivendas para os lados de Sintra. Ao ficar a saber previamente que se tratava de uma família de poucos recursos, que até auferia o Rendimento Social de Inserção, não deixou de estranhar a sua pretensão em adquirir um robot de cozinha no valor de 950 euros (em que até há a possibilidade de pagar a totalidade a pronto).

Esta admiração transformou-se em perplexidade quando a colega ficou a saber que afinal ambos os elementos do casal tinham profissões: ele era taxista e ela era engomadora. Poucos, ou quase nenhuns (sobretudo, no que diz respeito à parte da senhora) dos seus rendimentos eram declarados e isso poderá justificar a atribuição do RSI (cento e tal euros, já não me recordo bem se é o valor total ou se é por elemento do agregado familiar, mas isso para o caso até pouco importa). Os benefícios não se ficam por aqui. Ao chegar à cozinha, depara-se logo com todos os produtos, pedidos e necessários à confecção dos pratos da demonstração, em cima da mesa. Grande parte deles tinham o selo do Banco Alimentar.

Entretanto a conversa com a mulher continua a fluir para assuntos extra-domésticos, ao ponto da minha colega se inteirar melhor do estratagema financeiro da família. Os trabalhos de engoma que ela faz - ela e tanta gente por este país fora - não são declarados e prefere que os seus serviços (a maioria fixos) sejam pagos em dinheiro vivo. As contas bancárias são mantidas em saldos mínimos, pois todos os movimentos mais relevantes (transferências directas, por exemplo), que obriguem a utilização de uma conta à ordem, vão directamente para a conta de um outro familiar (não vigiado); este depois limita-se a converter o movimento em "cash" e devolvê-lo à verdadeira família beneficiária. Desta forma não há riscos da Segurança Social encontrar quaisquer rastos de negócios não declarados desta autêntica economia paralela. A denúncia é a solução, mas uma vendedora de Bimbys com uma tentadora comissão em vista, corre sempre o risco de fazer parte dela (economia paralela).

O problema deste país começa também por este chico-espertismo saloio, da falsa pobreza e das microeconomias paralelas. E o pior é que por aqui, há ainda quem ache que não teve qualquer contribuição para a falência de um estado, como ainda acha um verdadeiro escândalo ele ameaçar (por questões de austeridade) fazer uma pequena redução no seu subsídio (RSI) para o próximo ano.

sábado, novembro 13, 2010

I never was smart with love




And I never was smart with love
I let the bad ones in and the good ones go
But I'm gonna love you like I've never been hurt before
I'm gonna love you like I'm indestructible
Your love is ultra magnetic and
it's taking over
This is hardcore
And I'm indestructible