
quarta-feira, julho 06, 2011
As ricas ANAlogias de um cronista

Ou como meter a sua vida íntima de âmbito internacional, uma empresa de gestão aeroportuária, uma transportadora e a eterna vitimização do norte em meia dúzia de linhas de artigo de opinião.
terça-feira, julho 05, 2011
81-11
Os Depeche Mode têm um novo disco de remisturas. Um não, três! Olhando só para a (quase) infinita lista de 37 faixas não deve ser dos melhores incentivos para pegar neste triplo-CD, apesar de contar com a presença de nomes da "electrónica de vanguarda" dos dias de hoje. A verdade é que à medida que se vai escutando faixa-a-faixa, acaba-se por descobrir que as grandes surpresas aparecem onde menos se espera. Alguns exemplos:
A fechar o lote, esta pede o volume no máximo:
domingo, julho 03, 2011
A infidelidade manter-nos-á juntos
Mesmo não concordando com algumas opiniões deste cronista do NYT, recomendo este artigo. As infidelidades, secretas ou consentidas, serão sempre um tema polémico e interessante para reflectir.
...
In some marriages, talking honestly about our needs will forestall or obviate affairs; in other marriages, the conversation may lead to an affair, but with permission. In both cases, honesty is the best policy.
...
Treating monogamy, rather than honesty or joy or humor, as the main indicator of a successful marriage gives people unrealistic expectations of themselves and their partners. And that, Savage says, destroys more families than it saves.
...
We all have many sensitive spots, but one of the most universal is the fear of not being everything to your partner — the fear, in other words, that she might find somebody worthier. It is the fear of being alone.
...
(uma boa questão)
But for many women, and not a few men, there is no such thing as “just sex,” for their partners or for themselves. What if a woman, or a man for that matter, looks outside marriage for the other emotional satisfactions that come along with sex?
(e parte de um comentário realista)
Until the word slut has been flensed from the language, until women are not threatened by their former partners, this kind of arrangement will always be a case of male privilege in progressive clothing.
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In some marriages, talking honestly about our needs will forestall or obviate affairs; in other marriages, the conversation may lead to an affair, but with permission. In both cases, honesty is the best policy.
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Treating monogamy, rather than honesty or joy or humor, as the main indicator of a successful marriage gives people unrealistic expectations of themselves and their partners. And that, Savage says, destroys more families than it saves.
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We all have many sensitive spots, but one of the most universal is the fear of not being everything to your partner — the fear, in other words, that she might find somebody worthier. It is the fear of being alone.
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(uma boa questão)
But for many women, and not a few men, there is no such thing as “just sex,” for their partners or for themselves. What if a woman, or a man for that matter, looks outside marriage for the other emotional satisfactions that come along with sex?
(e parte de um comentário realista)
Until the word slut has been flensed from the language, until women are not threatened by their former partners, this kind of arrangement will always be a case of male privilege in progressive clothing.
quinta-feira, junho 30, 2011
Tornamo-nos impiedosos sensores de nós próprios

Se não tivesse claras influências dos mais recentes subgéneros (re)nascidos da união perfeita entre o post-punk e a musica electrónica, sejam o synth-wave ou o lo-fi - este senhor até recentemente colaborou com Ariel Pink's Haunted Graffiti e tudo! - até diria que o novo disco de John Maus (We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves) podia ter sido criado há 30 anos atrás. O que mudou desde essa altura? Desde desses últimos dias de vida terrena de Ian Curtis? Isso: entre outras coisas, tornamo-nos impiedosos sensores de nós próprios.
John Maus - Quantum Leap by RibbonMusic
segunda-feira, junho 27, 2011
domingo, junho 26, 2011
The thin green line
A meteorologia deste fim-de-semana ditou-me que o melhor lugar para se estar é no mar, ou melhor ainda, sobre ele. Flutuando sobre a gelada água do Atlântico, simultaneamente, encarando este escaldante sol de início de verão. Ali no meio-termo, onde as sensações não podiam ser mais díspares.No fim de contas, o meu maior desafio pode ser mesmo esse: tirar o máximo prazer no contacto com os extremos, sem afundar-me.
quarta-feira, junho 22, 2011
Eu sobrevivi ao SNS!

Nas próximas linhas tento descrever a minha mais recente aventura em pleno Serviço Nacional de Saúde.Acedendo ao pedido de minha mãe, acompanhei-a a uma consulta ao URAP - Centro Oftalmológico de Lisboa no início desta semana. Facilmente localizei o edifício de oito andares onde está inserido o referido "Centro", pois apesar de passarem pouco minutos depois das oito da manha, já se concentrava junto a ele uma fila de pessoas que ultrapassava aquele quarteirão. Mais próximo do horário de abertura do edifício (8:30) aparece o segurança que começou a questionar se "é para oftalmologia?", e se a resposta fosse afirmativa entregava uma senha numerada. A minha mãe foi "sorteada" com a senha 10!? Portanto, deduzimos, tínhamos 110 pessoas à nossa frente. Isto dá uma boa noção do número de pacientes e acompanhantes que minutos depois acotovelavam-se junto a dois elevadores com capacidade limitada a 6 pessoas cada. Tinha alguma esperança que parte desta aglomeração se dispersasse pelos vários andares do edifício - os primeiros são ocupados pela especialidade de Dermatologia - mas ao chegar ao 5º andar, a desilusão não podia ser maior: uma sala de espera repleta de pessoas, os lugares sentados já totalmente ocupados e o pouco espaço livre disponível (em pé) só se encontrava junto ao balcão, que uma das empregadas que se encontrava por trás deste, fazia questão em manter: "Ao pé do balcão só fica quem eu chamar pela senha!" (ouvia-se de tempos em tempos).
A hora de ponta deste serviço era contínua, pois o número de pessoas que iam sendo vagarosamente despachadas por uma funcionária que ia confirmando (com cada uma das chamadas) a morada, o contacto telefónico, etc, estava muito longe de alcançar o número de novos pacientes que chegavam a este piso e que retiravam senha. Um determinado momento foi especialmente atribulado e até algo cómico, quando a senhora chamou um número e surgem no balcão dois pacientes com uma senha idêntica, só a letra inicial as distinguia - logo, um deles teve que esperar mais um pouco (100 pacientes) para ser atendido!
A espera foi longa até ao momento em que surge em cena uma nova funcionária a queixar-se (às duas colegas que estavam no balcão) de que uma das médicas do "7º piso" já se lamentava de estar parada à espera de pacientes... Investindo na sua destreza quase soberana, vira-se para o "povo" e pede: "Quero cinco pessoas isentas para consultas de oftalmologia já aqui depressa ao pé de mim!". E a confusão voltou a instalar-se naquela sala de espera que ainda transbordava (im)pacientes por todos os lados. O lado positivo deste episódio é que vagou alguns lugares (das pessoas que subitamente assaltaram o balcão) e finalmente consegui sentar-me. Conferi o relógio: eram 12:28. Parece que a prova de resistência física foi superada. Já a psicológica não tinha tantas certezas...
Algumas senhas depois, finalmente ouvimos o número correspondente à senha da minha mãe. Ela deslocou-se logo ao balcão. Acabei por fazer o mesmo assim que a funcionaria lhe diz: "O Dr. Henrique não está… Portanto vai ter que ir ao 7º piso… Para marcar nova consulta." Ainda calmo questionei: "E estiveram à espera que chegasse a vez da minha mãe para lhe dar a novidade?". Mesmo continuando sem repostas, não desisti das perguntas: "Para que fazem tanta questão em pedir e confirmar contactos telefónicos se não os usam?". A confusão continuava a imperar naquele local e percebi, nesse momento, que a minha exaltação não teria quaisquer efeitos práticos.
Subimos ao 7º andar. Nova sala de espera, esta praticamente vazia. Num canto, junto a uma mesa, encontrava-se uma funcionária que, por entre dúvidas de pacientes e apelos dos médicos, tentava encontrar alguma ordem nos seus papéis. Passados alguns minutos conseguimos obter a sua atenção e o diálogo que se seguiu foi o seguinte:
- Diga!
- A minha mãe tinha uma consulta marcada hoje... Para o Dr. Henrique…
- O Dr. Henrique não veio!
- Já sei.
- Então e o que quer que lhe faça? - Estas palavras ipsis verbis.
- Que alguém tivesse nos avisado? Não evitava uma viagem de mais de 100 Km mas pelo menos não se perdia mais de 4 horas de espera...
- Não fazemos isso! O Senhor Doutor tem poucos pacientes…
- Mais uma razão para nos ter avisado. Enfim… Parece que nos resta uma nova marcação… Pode ser?
- Pode. Deixe-me aqui ver…
Entretanto pega numa agenda, salta várias paginas e…
- Dia 20 de Setembro, oito e meia... Quinto piso.
Por mais estranho que deva parecer, quando alguém acede a um serviço público gratuito (ou semi-gratuito) de saúde já vai minimamente consciente dos obstáculos que vai encontrar. Deve ser essa a razão que leva as pessoas a acomodarem-se perante tanta incompetência e, pior, falta de respeito. No entanto, o sentimento de derrotismo e a infinita tristeza estampada nas caras dos idosos que passam por estes suplícios são a melhor prova de que algo está a falhar. Perante os infinitos números das listas de espera, parece que sobra muito pouco tempo para uma organização mais eficiente deste Serviço Nacional de Saúde, quanto mais para pensar na dignidade da pessoa humana.
domingo, junho 19, 2011
Do céu de Copenhaga
Os santos viram máquina mas a sua essência está toda lá. É uma das conclusões que retiro da audição de "Konkylie", o segundo álbum dos dinamarqueses When Saints Go Machine.
As vozes são angelicais e não perdem o seu poder sedutor com a introdução da electrónica ("maquina"). Pelo contrario: ganham ritmo e vigor, logo suponho que se trata de uma combinação perfeitamente planeada no céu para ser concretizada na terra.
Se a música de Antony Hegarty fosse produzida pela melhor electrónica escandinava, dos The Knife a Trentemøller, o resultado também não andaria muito longe disto.
As vozes são angelicais e não perdem o seu poder sedutor com a introdução da electrónica ("maquina"). Pelo contrario: ganham ritmo e vigor, logo suponho que se trata de uma combinação perfeitamente planeada no céu para ser concretizada na terra.
Se a música de Antony Hegarty fosse produzida pela melhor electrónica escandinava, dos The Knife a Trentemøller, o resultado também não andaria muito longe disto.
sexta-feira, junho 17, 2011
quarta-feira, junho 15, 2011
O chefe da máfia que usava batom

No seguimento do post anterior, e para tentar entender melhor esta estranha tolerância da máfia napolitana ao mundo das sexualidades alternativas, regresso a Fevereiro de 2009 para recordar uma outra captura policial. Desta vez trata-se de Ugo Gabriele, mais conhecido por "Ketty", segundo os relatos da altura: o primeiro chefe da máfia transexual. Tinha 27 anos e era responsável pela rede de prostituição e de tráfico de drogas da zona do aeroporto.
Face ao enorme peso cultural do movimento "Femminiello" em Nápoles ninguém devia ficar surpreendido. Pois no fundo, Ketty é apenas uma amostra do resultado do cruzamento das influências do transexualismo "underground" napolitano (que quase desde sempre esteve associado à prostituição) com a Camorra.
Como disse, por esses tempos, o investigador (e escritor) Luigi Romolo Carrino: "There is a lot more homosexual activity in the Mob than you think but it is very discreet." Eu acrescentava: no "Mob" e em quase todo o lado.
Face ao enorme peso cultural do movimento "Femminiello" em Nápoles ninguém devia ficar surpreendido. Pois no fundo, Ketty é apenas uma amostra do resultado do cruzamento das influências do transexualismo "underground" napolitano (que quase desde sempre esteve associado à prostituição) com a Camorra.
Como disse, por esses tempos, o investigador (e escritor) Luigi Romolo Carrino: "There is a lot more homosexual activity in the Mob than you think but it is very discreet." Eu acrescentava: no "Mob" e em quase todo o lado.
Código de honra
(...) No caminho para o carro da polícia, Salvatore d´Amico abraçou e beijou um parente na boca. O beijo íntimo sela um código de honra muito comum na máfia napolitana.
Entre outros pormenores, não deixa de ser interessante constatar a radical diferença no significado de um beijo na boca para a "velhinha" Cosa Nostra (máfia siciliana) e para os "liberais" e "modernos" mafiosos da Camorra (napolitana).
segunda-feira, junho 13, 2011
quarta-feira, junho 08, 2011
O caso do congressista que gostava de ser público qb



Anda por aí esse recente escândalo que envolve o congressista americano Anthony Weiner, um homem público com esse passatempo tão privado: o engate virtual. Este consistia na mera troca de fotos e mensagens ousadas com mulheres que não a sua. Algumas destas fotos revelam o rosto e chega mesmo a identificar-se (como cidadão com um cargo publico que é). Agora, depois de ter negado e ter inventado a enésima história do hacker muito apropriada as circunstâncias, diz-se muito surpreendido pelo caso ter vindo a público...
Portanto dá jeito ser figura publica para facturar (ainda que virtualmente) umas brasas, quando a coisa dá para o torto (conclui-se por essa última foto que ele fez mesmo questão de o mostrar, literalmente) surge automaticamente o discurso do "parem lá de dissecar a minha vidinha privada, ok?".
Portanto dá jeito ser figura publica para facturar (ainda que virtualmente) umas brasas, quando a coisa dá para o torto (conclui-se por essa última foto que ele fez mesmo questão de o mostrar, literalmente) surge automaticamente o discurso do "parem lá de dissecar a minha vidinha privada, ok?".
terça-feira, junho 07, 2011
segunda-feira, junho 06, 2011
Jamie XX
Depois do surpreendente disco de remisturas de "I'm New Here", do recentemente falecido poeta/musico Gil Scott-Heron, Jamie Smith vê finalmente editado pela Numbers um dos seus singles.
Perdemos, temporariamente, uma auspiciosa banda indie pop (The XX) e ganhamos um excelente produtor musical e, se não um dos singles do ano, dois hinos para o nosso verão. Nada mau.
Perdemos, temporariamente, uma auspiciosa banda indie pop (The XX) e ganhamos um excelente produtor musical e, se não um dos singles do ano, dois hinos para o nosso verão. Nada mau.
Jamie xx - Far Nearer (limited vinyl & download out now - http://farnearer.com) by Numbers
Jamie xx - Beat For (limited vinyl & download out now - http://farnearer.com) by Numbers
quinta-feira, junho 02, 2011
Um (Senhor) contra todos
quarta-feira, junho 01, 2011
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