sábado, julho 23, 2011
quinta-feira, julho 21, 2011
A ouvir
A acompanhar o belo e último disco dos The Horrors, em matéria de indie pop/rock, tenho ouvido, quase de forma obsessiva, os dois discos de estreia de duas bandas americanas, definitivamente, a não perder de vista. A saber. Enquanto os Hooray for Earth poderão ser uma versão (ainda) mais afropop dos Yeasayer, os Widowspeak assumem a reencarnação perfeita dos Mazzy Star - e como é bom ouvir algo que nos faça recordar a magnífica voz de Hope Sandoval! Portanto não são portadores das "grandes novidades", mas isso não significa que em muitos momentos, quando comparados com as suas influências, não sejam até mais competentes. Antes pelo contrário.
Hooray For Earth - True Loves from Young Replicant on Vimeo.
WIDOWSPEAK - Harsh Realm from George Tanasie on Vimeo.
quarta-feira, julho 20, 2011
Mais um belo dia de Outono aqui pelos arredores de Lisboa...
A grande vantagem de quem por estes dias vai à praia, é que poupa no farnel, pois enche a barriga de areia.
domingo, julho 17, 2011
Minha saudade não larga / Certa casa abandonada. / E sinto, na boca, amarga , / Essa lágrima chorada / Quando a deixei... *
sábado, julho 16, 2011
Fórmula de sucesso para um festival de música de verão: primeiro o lazer, depois a música

Desde o ano em que a costa vicentina foi redescoberta pelos portugueses e passou a fazer parte dos principais destinos de férias de Agosto, ou pelo menos, a principal alternativa ao lotadíssimo Algarve, que associo o Festival Sudoeste a um evento mais social que musical. Mas não parece ser caso único.
Quase parece que foi ontem, mas foi em 1997, a primeira edição do Sudoeste. Memorável: jamais esquecerei, logo na primeira noite, o levantamento de pó inaugural deste festival ao som de "Song 2" dos Blur. Nesse momento pensei que este festival reunia sérias condições para ser o principal festival alternativo português. Bom na altura, também só havia o irregular Vilar de Mouros e o citadino Super Bock Super Rock, o suficiente para defini-los como verdadeiros luxos, comparativamente com a "balbúrdia escaldante e empoeirada" que é o cognome possível para a primeira edição do festival da Zambujeira.
Eu errei nas minhas previsões, o Sudoeste tornou-se no festival mainstream, por excelência. E a "Música no Coração" ganhou a aposta na isolada Herdade da Casa Branca e merece todos os louros provenientes desse facto, mas ainda assim não considero um grande feito. As belas praias da Zambujeira e arredores em sintonia com um dos primeiros fins-de-semana de férias de Agosto fazem uma fórmula mais que eficaz para transformar qualquer evento num sucesso - aliás, há que dizê-lo, uma fórmula idêntica já tinha funcionado no festival de Benicàssim, em Espanha.
Por acaso o nosso até tem The National e Kanye West mas podiam ser (só) quaisquer outros (David Guetta e Swedish House Mafia) e a enchente era a mesma.
Primeiro o lazer, depois a música. Esta característica não me parece tão nítida em alguns festivais que se realizam pela capital e arredores, mas ainda assim parece-me que até aqui este fenómeno tem vindo a desenvolver-se. Por exemplo, logo na primeira edição do Alive, só estranhei a presença de vários elementos do nosso jet set mais glamoroso, até perceber que a sua presença ali se devia menos às rimas dos Beastie Boys do que aos repórteres da Flash e da Caras (que também andavam por lá). Situação esta, repetida no ano passado, no SBSR, em nova noite de enchente, com Prince como cabeça de cartaz.
Pelo que se tem visto, safam-se o Paredes de Coura e o Milhões de Festa e pouco mais. Pelo menos até ao dia em que uma das "Pituxas" desta vida se perder de amores por uma praia fluvial nortenha e espalhar a boa nova pelo facebook.
Quase parece que foi ontem, mas foi em 1997, a primeira edição do Sudoeste. Memorável: jamais esquecerei, logo na primeira noite, o levantamento de pó inaugural deste festival ao som de "Song 2" dos Blur. Nesse momento pensei que este festival reunia sérias condições para ser o principal festival alternativo português. Bom na altura, também só havia o irregular Vilar de Mouros e o citadino Super Bock Super Rock, o suficiente para defini-los como verdadeiros luxos, comparativamente com a "balbúrdia escaldante e empoeirada" que é o cognome possível para a primeira edição do festival da Zambujeira.
Eu errei nas minhas previsões, o Sudoeste tornou-se no festival mainstream, por excelência. E a "Música no Coração" ganhou a aposta na isolada Herdade da Casa Branca e merece todos os louros provenientes desse facto, mas ainda assim não considero um grande feito. As belas praias da Zambujeira e arredores em sintonia com um dos primeiros fins-de-semana de férias de Agosto fazem uma fórmula mais que eficaz para transformar qualquer evento num sucesso - aliás, há que dizê-lo, uma fórmula idêntica já tinha funcionado no festival de Benicàssim, em Espanha.
Por acaso o nosso até tem The National e Kanye West mas podiam ser (só) quaisquer outros (David Guetta e Swedish House Mafia) e a enchente era a mesma.
Primeiro o lazer, depois a música. Esta característica não me parece tão nítida em alguns festivais que se realizam pela capital e arredores, mas ainda assim parece-me que até aqui este fenómeno tem vindo a desenvolver-se. Por exemplo, logo na primeira edição do Alive, só estranhei a presença de vários elementos do nosso jet set mais glamoroso, até perceber que a sua presença ali se devia menos às rimas dos Beastie Boys do que aos repórteres da Flash e da Caras (que também andavam por lá). Situação esta, repetida no ano passado, no SBSR, em nova noite de enchente, com Prince como cabeça de cartaz.
Pelo que se tem visto, safam-se o Paredes de Coura e o Milhões de Festa e pouco mais. Pelo menos até ao dia em que uma das "Pituxas" desta vida se perder de amores por uma praia fluvial nortenha e espalhar a boa nova pelo facebook.
quinta-feira, julho 14, 2011
quarta-feira, julho 13, 2011
My first review kind of
Uma publicação musical inglesa mandou um teenager (e estagiário) assistir a um concerto dos The Horrors e pediu-lhe para escrever uma crítica. O resultado pode ser conferido aqui e é, no mínimo, surpreendente.
(...)
My name is Hugh O’Boyle and I am 15. I have never written a review before, I have only been to two gigs in my life and I live in the not-so-glorious town of South Molton in Devon. Being a huge music fan and admirer of the big city, you could probably guess that my life can get pretty fucking boring at times.
(...)
Undoubtedly, Skying’s ‘Still Life’ goes down incredibly well with the crowd, with its trancey synth, simple snare-drum beats, slow basslines (from the one and only Rhys Webb, with his funky bobbing bass hop) and powerful lyrics. As the chorus comes about, the crowd sway back and forth, almost entirely with their eyes shut, murmuring the words, “When you wake up, when you wake up — you will find me.”
The group’s minimalistic approach on ‘Still Life’ leaves fans in a state of pure relaxation and trippy-ness. As the track finishes, Badwan warns spectators: “Watch out for the lasers, I got one in the eye earlier.”
(...)
Infelizmente nunca vi esta banda ao vivo, mas três factos podem, desde já, ser assegurados:
- "Primary Colors" é um disco fabuloso e o mais recente "Skying", parece-me que segue o mesmo caminho... ;
- "Still Life" tem de facto uma componente transcendental digna de registo - que se deve transformar ao vivo num momento mágico e verdadeiramente especial;
- Este "puto" escreve críticas mais entusiasmantes que muitos veteranos.
(...)
My name is Hugh O’Boyle and I am 15. I have never written a review before, I have only been to two gigs in my life and I live in the not-so-glorious town of South Molton in Devon. Being a huge music fan and admirer of the big city, you could probably guess that my life can get pretty fucking boring at times.
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Undoubtedly, Skying’s ‘Still Life’ goes down incredibly well with the crowd, with its trancey synth, simple snare-drum beats, slow basslines (from the one and only Rhys Webb, with his funky bobbing bass hop) and powerful lyrics. As the chorus comes about, the crowd sway back and forth, almost entirely with their eyes shut, murmuring the words, “When you wake up, when you wake up — you will find me.”
The group’s minimalistic approach on ‘Still Life’ leaves fans in a state of pure relaxation and trippy-ness. As the track finishes, Badwan warns spectators: “Watch out for the lasers, I got one in the eye earlier.”
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Infelizmente nunca vi esta banda ao vivo, mas três factos podem, desde já, ser assegurados:
- "Primary Colors" é um disco fabuloso e o mais recente "Skying", parece-me que segue o mesmo caminho... ;
- "Still Life" tem de facto uma componente transcendental digna de registo - que se deve transformar ao vivo num momento mágico e verdadeiramente especial;
- Este "puto" escreve críticas mais entusiasmantes que muitos veteranos.
segunda-feira, julho 11, 2011
Dubstepish? Também gosto.
Nas últimas semanas a colheita tem sido famosa. Por isso prevejo dias (ainda) mais difíceis para quem ainda tem pachorra para catalogar alguma da melhor actual música "bass" inglesa. Não lhes falta criatividade, do tudo ao molhe e fé no beat: Dubstep/Funky/Dancehall/Wonk-hop/Hypercrunk/Garage, ao muito expressivo: "???????".
Mas há ainda quem opte pela "simplicidade" e escolha, por exemplo, Swedish House Mafia. Pois aqui o nome não engana: são suecos, produzem House para as massas e já se dão ao luxo de ser cabeças de cartaz de um dos nossos festivais de verão. O que uma boa "Mafia" não faz?
Deadboy - HERE (Preview) by Numbers
Silhouette / Reset [AUS1134] by George FitzGerald
Ossie - Set The Tone (Hyperdub) by BOILER ROOM
Voltron - Be For Real (128 kbps) by Voltron
502:003 Teeth - Shawty/Shawty [FaltyDL Remix] by 502 Records
Mas há ainda quem opte pela "simplicidade" e escolha, por exemplo, Swedish House Mafia. Pois aqui o nome não engana: são suecos, produzem House para as massas e já se dão ao luxo de ser cabeças de cartaz de um dos nossos festivais de verão. O que uma boa "Mafia" não faz?
Deadboy - HERE (Preview) by Numbers
Silhouette / Reset [AUS1134] by George FitzGerald
Ossie - Set The Tone (Hyperdub) by BOILER ROOM
Voltron - Be For Real (128 kbps) by Voltron
502:003 Teeth - Shawty/Shawty [FaltyDL Remix] by 502 Records
sexta-feira, julho 08, 2011
quarta-feira, julho 06, 2011
As ricas ANAlogias de um cronista
terça-feira, julho 05, 2011
81-11
Os Depeche Mode têm um novo disco de remisturas. Um não, três! Olhando só para a (quase) infinita lista de 37 faixas não deve ser dos melhores incentivos para pegar neste triplo-CD, apesar de contar com a presença de nomes da "electrónica de vanguarda" dos dias de hoje. A verdade é que à medida que se vai escutando faixa-a-faixa, acaba-se por descobrir que as grandes surpresas aparecem onde menos se espera. Alguns exemplos:
A fechar o lote, esta pede o volume no máximo:
domingo, julho 03, 2011
A infidelidade manter-nos-á juntos
Mesmo não concordando com algumas opiniões deste cronista do NYT, recomendo este artigo. As infidelidades, secretas ou consentidas, serão sempre um tema polémico e interessante para reflectir.
...
In some marriages, talking honestly about our needs will forestall or obviate affairs; in other marriages, the conversation may lead to an affair, but with permission. In both cases, honesty is the best policy.
...
Treating monogamy, rather than honesty or joy or humor, as the main indicator of a successful marriage gives people unrealistic expectations of themselves and their partners. And that, Savage says, destroys more families than it saves.
...
We all have many sensitive spots, but one of the most universal is the fear of not being everything to your partner — the fear, in other words, that she might find somebody worthier. It is the fear of being alone.
...
(uma boa questão)
But for many women, and not a few men, there is no such thing as “just sex,” for their partners or for themselves. What if a woman, or a man for that matter, looks outside marriage for the other emotional satisfactions that come along with sex?
(e parte de um comentário realista)
Until the word slut has been flensed from the language, until women are not threatened by their former partners, this kind of arrangement will always be a case of male privilege in progressive clothing.
...
In some marriages, talking honestly about our needs will forestall or obviate affairs; in other marriages, the conversation may lead to an affair, but with permission. In both cases, honesty is the best policy.
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Treating monogamy, rather than honesty or joy or humor, as the main indicator of a successful marriage gives people unrealistic expectations of themselves and their partners. And that, Savage says, destroys more families than it saves.
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We all have many sensitive spots, but one of the most universal is the fear of not being everything to your partner — the fear, in other words, that she might find somebody worthier. It is the fear of being alone.
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(uma boa questão)
But for many women, and not a few men, there is no such thing as “just sex,” for their partners or for themselves. What if a woman, or a man for that matter, looks outside marriage for the other emotional satisfactions that come along with sex?
(e parte de um comentário realista)
Until the word slut has been flensed from the language, until women are not threatened by their former partners, this kind of arrangement will always be a case of male privilege in progressive clothing.
quinta-feira, junho 30, 2011
Tornamo-nos impiedosos sensores de nós próprios

Se não tivesse claras influências dos mais recentes subgéneros (re)nascidos da união perfeita entre o post-punk e a musica electrónica, sejam o synth-wave ou o lo-fi - este senhor até recentemente colaborou com Ariel Pink's Haunted Graffiti e tudo! - até diria que o novo disco de John Maus (We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves) podia ter sido criado há 30 anos atrás. O que mudou desde essa altura? Desde desses últimos dias de vida terrena de Ian Curtis? Isso: entre outras coisas, tornamo-nos impiedosos sensores de nós próprios.
John Maus - Quantum Leap by RibbonMusic
segunda-feira, junho 27, 2011
domingo, junho 26, 2011
The thin green line
A meteorologia deste fim-de-semana ditou-me que o melhor lugar para se estar é no mar, ou melhor ainda, sobre ele. Flutuando sobre a gelada água do Atlântico, simultaneamente, encarando este escaldante sol de início de verão. Ali no meio-termo, onde as sensações não podiam ser mais díspares.No fim de contas, o meu maior desafio pode ser mesmo esse: tirar o máximo prazer no contacto com os extremos, sem afundar-me.
quarta-feira, junho 22, 2011
Eu sobrevivi ao SNS!

Nas próximas linhas tento descrever a minha mais recente aventura em pleno Serviço Nacional de Saúde.Acedendo ao pedido de minha mãe, acompanhei-a a uma consulta ao URAP - Centro Oftalmológico de Lisboa no início desta semana. Facilmente localizei o edifício de oito andares onde está inserido o referido "Centro", pois apesar de passarem pouco minutos depois das oito da manha, já se concentrava junto a ele uma fila de pessoas que ultrapassava aquele quarteirão. Mais próximo do horário de abertura do edifício (8:30) aparece o segurança que começou a questionar se "é para oftalmologia?", e se a resposta fosse afirmativa entregava uma senha numerada. A minha mãe foi "sorteada" com a senha 10!? Portanto, deduzimos, tínhamos 110 pessoas à nossa frente. Isto dá uma boa noção do número de pacientes e acompanhantes que minutos depois acotovelavam-se junto a dois elevadores com capacidade limitada a 6 pessoas cada. Tinha alguma esperança que parte desta aglomeração se dispersasse pelos vários andares do edifício - os primeiros são ocupados pela especialidade de Dermatologia - mas ao chegar ao 5º andar, a desilusão não podia ser maior: uma sala de espera repleta de pessoas, os lugares sentados já totalmente ocupados e o pouco espaço livre disponível (em pé) só se encontrava junto ao balcão, que uma das empregadas que se encontrava por trás deste, fazia questão em manter: "Ao pé do balcão só fica quem eu chamar pela senha!" (ouvia-se de tempos em tempos).
A hora de ponta deste serviço era contínua, pois o número de pessoas que iam sendo vagarosamente despachadas por uma funcionária que ia confirmando (com cada uma das chamadas) a morada, o contacto telefónico, etc, estava muito longe de alcançar o número de novos pacientes que chegavam a este piso e que retiravam senha. Um determinado momento foi especialmente atribulado e até algo cómico, quando a senhora chamou um número e surgem no balcão dois pacientes com uma senha idêntica, só a letra inicial as distinguia - logo, um deles teve que esperar mais um pouco (100 pacientes) para ser atendido!
A espera foi longa até ao momento em que surge em cena uma nova funcionária a queixar-se (às duas colegas que estavam no balcão) de que uma das médicas do "7º piso" já se lamentava de estar parada à espera de pacientes... Investindo na sua destreza quase soberana, vira-se para o "povo" e pede: "Quero cinco pessoas isentas para consultas de oftalmologia já aqui depressa ao pé de mim!". E a confusão voltou a instalar-se naquela sala de espera que ainda transbordava (im)pacientes por todos os lados. O lado positivo deste episódio é que vagou alguns lugares (das pessoas que subitamente assaltaram o balcão) e finalmente consegui sentar-me. Conferi o relógio: eram 12:28. Parece que a prova de resistência física foi superada. Já a psicológica não tinha tantas certezas...
Algumas senhas depois, finalmente ouvimos o número correspondente à senha da minha mãe. Ela deslocou-se logo ao balcão. Acabei por fazer o mesmo assim que a funcionaria lhe diz: "O Dr. Henrique não está… Portanto vai ter que ir ao 7º piso… Para marcar nova consulta." Ainda calmo questionei: "E estiveram à espera que chegasse a vez da minha mãe para lhe dar a novidade?". Mesmo continuando sem repostas, não desisti das perguntas: "Para que fazem tanta questão em pedir e confirmar contactos telefónicos se não os usam?". A confusão continuava a imperar naquele local e percebi, nesse momento, que a minha exaltação não teria quaisquer efeitos práticos.
Subimos ao 7º andar. Nova sala de espera, esta praticamente vazia. Num canto, junto a uma mesa, encontrava-se uma funcionária que, por entre dúvidas de pacientes e apelos dos médicos, tentava encontrar alguma ordem nos seus papéis. Passados alguns minutos conseguimos obter a sua atenção e o diálogo que se seguiu foi o seguinte:
- Diga!
- A minha mãe tinha uma consulta marcada hoje... Para o Dr. Henrique…
- O Dr. Henrique não veio!
- Já sei.
- Então e o que quer que lhe faça? - Estas palavras ipsis verbis.
- Que alguém tivesse nos avisado? Não evitava uma viagem de mais de 100 Km mas pelo menos não se perdia mais de 4 horas de espera...
- Não fazemos isso! O Senhor Doutor tem poucos pacientes…
- Mais uma razão para nos ter avisado. Enfim… Parece que nos resta uma nova marcação… Pode ser?
- Pode. Deixe-me aqui ver…
Entretanto pega numa agenda, salta várias paginas e…
- Dia 20 de Setembro, oito e meia... Quinto piso.
Por mais estranho que deva parecer, quando alguém acede a um serviço público gratuito (ou semi-gratuito) de saúde já vai minimamente consciente dos obstáculos que vai encontrar. Deve ser essa a razão que leva as pessoas a acomodarem-se perante tanta incompetência e, pior, falta de respeito. No entanto, o sentimento de derrotismo e a infinita tristeza estampada nas caras dos idosos que passam por estes suplícios são a melhor prova de que algo está a falhar. Perante os infinitos números das listas de espera, parece que sobra muito pouco tempo para uma organização mais eficiente deste Serviço Nacional de Saúde, quanto mais para pensar na dignidade da pessoa humana.
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