quinta-feira, abril 28, 2011

quarta-feira, abril 27, 2011

God bless America - but, please, save it first


Nessa malograda aventura de tentar entender um certo povo norte-americano muito sensível às diferenças alheias, chega-se sempre à conclusão de que a aplicação, a esses casos, de uma legislação muito específica de Crimes de Ódio faz todo o sentido.

A lei é muito simples: when a perpetrator targets a victim because of his or her perceived membership in a certain social group, usually defined by racial group, religion, sexual orientation, disability, class, ethnicity, nationality, age, gender, gender identity, social status or political affiliation.
Clarificando: um homem heterossexual católico tem uma raça, sexo, orientação sexual e religião e se ele for atacado por causa de uma destas suas características, os perpetuadores serão julgados à luz desta mesma lei. Claro como água e desengana logo quem diz que esta lei só foi criada para proteger "pessoas especiais".

Mas também há quem diga que há por aqui um "tratamento especial".

Porque não uma legislação semelhante para proteger o idoso daqueles que se aproveitam das suas fragilidades inerentes à sua idade? Se uma pessoa roubar o meu carro, ela comete um crime contra todos os proprietários de carros em geral? E se um homem dispara sobre outro homem, por o ter apanhado na cama com sua esposa, merecerá ser condenado por um Crime de Ódio?

Os crimes supracitados não aumentam o padrão da legislação de Crimes de Ódio actual porque ninguém é "socialmente" ensinado a odiar idosos ou a desdenhar proprietários de automóveis. Tal como o "cornudo" não matou o "amante" por este ser quem é, mas pelo que fez. Portanto, estes são "meros" crimes de oportunidade.
Os Crimes de Ódio são crimes contra um indivíduo, mas que se destinam a oprimir uma minoria inteira. Não tem nada a ver com tratamentos à parte ou acesso a certos direitos. Tem a ver com a punição sobre actos que intimida, vitimiza e subjuga todo um grupo de pessoas. É por isso que a respectiva pena é bem mais severa - nem é preciso pensar muito: quem rouba uma pessoa não recebe a mesma pena se tiver roubado duzentas, certo?
Link
Para estes casos não se pede "tratamento especial", quanto muito, pede-se "protecção especial". Como este, por exemplo.

I wanna watch you fade into black



(mais uma preciosidade da pequena/enorme Captured Tracks)

terça-feira, abril 26, 2011

Não há teorias que justifiquem a irracionalidade

A teoria de que as pessoas discriminam porque também foram discriminadas pode-se aplicar ao caso da transexual espancada por duas raparigas negras no McDonald’s de Baltimore, EUA?
Talvez faça mais sentido aplicá-la mais genericamente, como aos resultados do referendo sobre a Proposition 8 (que, por outras palavras, negava o acesso ao casamento civil aos casais do mesmo sexo), que foi aprovada com 52% dos votos e contou com o apoio de 2/3 dos votos da comunidade negra.
Neste caso da transexual, conseguimos ver os rostos da intolerância e parece-me tão difícil explicar tanta raiva exercida sobre um ser humano só pelo facto de ser diferente, quanto mais aplicar-lhe qualquer teoria.
Ainda assim, nunca nos podemos esquecer que as leis de Jim Craw, que excluíam de certos direitos básicos todos os "cidadãos americanos" não-brancos, vigoraram nos EUA até 1965...
Seja como for, qualquer teoria que sirva para explicar as intolerâncias de minorias perante outras minorias, só servirá mesmo para isso: explicar. Jamais pode servir de desculpa.

sexta-feira, abril 22, 2011

Clubbing parece moderning... mas é das cenas mais 1996 que conheço


A música electrónica tem vindo a conquistar cada vez mais fãs durante a última década e portanto é perfeitamente justificável que os festivais de verão portugueses (seguindo os passos dos congéneres internacionais) apostem em palcos com temáticas desta natureza.
Há no entanto a lamentar um pequeno (grande) facto, que tem escapado à generalidade das organizações dos nossos festivais: a electrónica é dos géneros musicais mais evolutivos da música popular contemporânea. O Electro-House foi e continua a ser popular, mas, ao contrário do que nos tentam vender, a música de dança não está estagnada neste estilo. Ela evoluiu para formatos até bem mais interessantes e, sobretudo, menos óbvios e repetitivos: Dubstep, UK Garage, Funky, Grime, 2Step, IDM, Minimal ...

Na Alemanha, país do Techno por excelência, a Boys Noise Records está a milhas de ser a editora que tem revelado recentemente os melhores nomes do Tech-House. Por exemplo, a milhas da Ostgut Ton, que é uma das "labels" alemãs que melhor tem sabido gerir o seu cardápio Techno e derivados: de Ben Klock à Steffi.

Não quero dizer com isto que o Nicolas Jaar não seja uma proposta muito interessante para ver no Meco ou que esteja infeliz pelo facto do Villalobos regressar pelo segundo ano consecutivo ao SBSR ou do Hawtin ter ido, este ano, parar mais a sul (Sudoeste). Nada disso. Mas há tantas e tão boas outras opções, que apostar nos mesmos nomes de sempre, se não chega a ser um erro, é pelo menos uma opção muito duvidosa, para não dizer... preguiçosa.















... E ficava aqui o resto da noite a postar vídeos... E tudo colheita 2011!

segunda-feira, abril 18, 2011

Purity Ring

Duo sensação do momento, os Purity Ring são Corin Roddick (bateria, guitarra e teclas) e Meghan James (voz). O seu primeiro single "Ungirthed", depois de andar a circular há várias semanas por tudo o que é blog musical de referência, é editado oficialmente hoje.

Convém acrescentar que, actualmente, melhor que este single, só mesmo o seu b-side, "Lofticries".

Purity Ring - Ungirthed from Ruben de Zeeuw on Vimeo.


Purity Ring- Lofticries from David Dean Burkhart on Vimeo.

Nobre @ Fcbk


quinta-feira, abril 07, 2011

Que segredos guarda uma casa solitária?

Na continuação da minha aventura por lugares recônditos e (semi)abandonados, optei desta vez por ir em busca de um local menos oculto e mais próximo das minhas origens. Já há algum tempo que tinha reparado naquela enigmática casa no ermo de uma das colinas opostas à Serra de Montejunto, não muito distante da zona onde passei os primeiros dezoito anos da minha vida. Sempre que passava por um certo ponto de uma das estradas que me levavam à minha terra, alguns dos meus sentidos desligavam-se automaticamente por segundos da condução e dirigiam-se até aquela casa.

Recentemente confirmei com familiares de que ela se encontrava abandonada e, inclusive, que ninguém consegue indicar com precisão qual foi a última família a habitá-la. Todos estes dados adensaram a minha curiosidade e fortaleceram a vontade de fazer-lhe uma visita.


Foi relativamente fácil descobrir qual dos vários caminhos que trepam por aquela colina acima dariam acesso à casa e por isso deixei o carro na berma mais larga e mais próxima do meu "ponto de partida". Já nesse local e nos primeiros metros da subida não é possível observar a casa, mas as demarcações do caminho parecem indicar que ele é o correcto. Pela altura da vegetação apercebo-me também que há muito tempo que não circula por aqui qualquer veículo a motor - se é que algum dia terá circulado. Alguns metros mais acima consigo ver o meu carro e noto que o caminho até à casa passa a ser recto e sem as curvas do percurso anterior.




A poucos metros da casa já é possível confirmar a sua opulência, é surpreendentemente maior que aquela imagem que a minha observação à distância foi construindo ao longo dos últimos tempos. Ainda assim há que descontar toda a vegetação que a rodeia e a invade lentamente ao longo das suas paredes.


Ao contorná-la pelo seu lado poente, esboço um sorriso ao verificar que uma das suas entradas encontra-se desbloqueada, o que muito facilita a minha vontade de explorar o seu interior. Mas continuo a subir e só paro no momento em que é possível contemplar toda a casa e a paisagem envolvente. Posso garantir que só este momento, vale mil subidas ao local.




A citada entrada dá acesso a uma espécie de anexo da casa. Pode ter sido uma adega, pode ter sido um curral, seja o que terá sido, vejo que permite o acesso ao piso superior da parte habitacional e isso dá-me a satisfação de poder continuar a aventura. Também constato que recentemente parece ter sido abrigo de alguém. Há uma casota improvisada para um cão, há metade de um garrafão, improvisado como seu bebedouro, uma corrente... E há muitas penas espalhadas pelo chão.



Numa superfície mais elevada encontro algo que explica a depenação: uma telha com algo que parece-me ser restos de carne, de aves… Opto por não pensar muito sobre este estranho facto e subo para o patamar superior.




O primeiro andar da casa é sobretudo composto por dois grandes quartos, onde é possível contemplar, pelas suas grandes e velhas janelas, a Serra de Montejunto em toda a sua extensão. O soalho de um dos quartos está repleto de esponja de um colchão em elevado estado de decomposição. Também nele está a prova das marcas do tempo e da chuva que vai entrando por aqueles espaços abertos para a Serra, que um dia foram janelas.





Igualmente fazendo parte do piso superior encontro a única assoalhada que já se encontra sem qualquer cobertura e onde a vegetação é rainha. É também por aqui que se encontra o acesso (interior) ao piso inferior da parte habitável. A escuridão quase infinita da escadaria intimida-me. Falta-me uma lanterna para prosseguir... Ou mais coragem? Decido sair e continuar a explorar a parte leste da casa.



Para além de mais vegetação selvagem que galga paredes acima, encontro a única porta deste lado da habitação. A quantidade de meios utilizados para mantê-la fechada é muito esclarecedor quanto ao objectivo de proibir a sua transposição. No entanto, há no topo uma rede que permite ver o que há lá dentro... É no momento em que me aproximo desta porta que oiço uns ruídos estranhos que vêm do interior da casa e que me fazem arrepiar. Identifico o som do bater das asas de aves e isso sossega-me o espírito. Do que consigo ver, do ponto onde espreito para o interior da casa, confirmo a existência de alguns pombos (ou rolas?). Ainda assim ficaram outros sons por identificar…





Acabo de contornar a casa e encontro no seu topo norte, em frente a uma das janelas fechadas, uma "instalação rudimentar" que, deduzo, servirá de poiso para os pombos. Naquela janela há um pequeno orifício por onde os pombos entrarão - continuo no plano das deduções - e sairão? Esta é a primeira de muitas questões que me surgiram repentinamente. Quem (e para quê) construiu esta "engenhoca"? Porque só os acessos ao piso inferior estão fechados (e parecem-me recente e propositadamente bem fechados)? Se os bocados de carne e as penas que tinha visto no anexo eram de um ou mais pombos, onde estão as brasas onde, supostamente, foram assados? Mas lembrei-me entretanto de que os pedaços de pombo que estavam em cima daquela telha pareciam-me crus. Então se não seriam para comer, para que servirão?... O som que saía do orifício era demasiado assustador para me aproximar dele. Continuo a ouvir os pombos, ouvia a corrente de ar que entrava e saía por aquele pequeno rectângulo negro, mas há mais qualquer coisa que continuo a não identificar. Estou ligeiramente assustado para prosseguir com a "investigação" e decido abandonar o local.



Regresso ao caminho, tiro mais umas fotos e faço, bem mais tranquilo, a minha viagem de regresso. Ainda assim, não deixo de continuar a pensar em todas as questões e possibilidades relativas aos recentes acontecimentos desta casa. São pensamentos que me sobressaltaram nas horas seguintes aquela visita e que por vezes me vêm à mente. O mesmo acontece com a magnífica vista daqueles quartos...

Os segredos parecem ser característica essencial de certas casas abandonadas. Mas esta, lá do alto da colina, tem a virtude de nem precisar deles, para ser misteriosa.


Enquanto não há novidades dos The Knife...





PS - Os The Knife são mero exemplo comparativo, sobretudo por terem uma sonoridade semelhante. Aparentemente, não há outra relação entre as duas bandas. :)

terça-feira, abril 05, 2011

Estar longe


James Blake - The Wilhelm Scream from Alexander Brown on Vimeo.


Longe de ser a notícia do ano, longe de ser o melhor lugar (Festival Optimus Alive) e altura (dia 6 de Julho, isto é: dia de enchente de famílias da linha fãs de Coldplay+RFM+Blondie+João Pedro Pais+Agosto no Algarve) para ouvir James Blake.

MotheràSec

segunda-feira, abril 04, 2011

Como é possível descer tão baixo?

Pelo que se viu massivamente hoje nos noticiários de TV, parece que, um ano depois na Grécia e alguns meses depois na Irlanda, o maior problema das intervenções do FMI é converter toda a gente em taxistas.

domingo, março 27, 2011

Como é que se sobrevive sem "Breaking Bad"?



Antes de partir nesta aventura chamada "Breaking Bad" confesso que estava muito céptico. O que diziam por aí: um subvalorizado professor de química que atravessa a sua "midlife crisis" e transforma-se num "drug dealer"? A minha tendenciosa imaginação criou logo qualquer coisa semelhante a uma versão masculina da "Weeds" e essa ideia parecia-me tudo menos atractiva. Para além de que os "Sopranos" e o "Dexter", dificilmente deixariam partilhar o meu coração com uma nova série onde se demonstra que o crime compensa (pelo menos por uns bons momentos) e que até pode ser desculpável. Ainda assim, arrisquei. E ainda bem que o fiz.



A boa surpresa, para além de constatar que a história de "Breaking Bad" é muito mais que aquele "plot", é perceber que um dos factores que à partida seria o menos apelativo, os protagonistas, revelou-se um dos pontos fortes do sucesso desta aposta da AMC (a mesma estação que também recebe hoje - justamente - todos os louros com "Mad Men"). Bryan Cranston (que já não tinha passado despercebido em "Malcom in the Middle"), partilha as suas brilhantes actuações com um grupo de actores quase desconhecido mas surpreendentemente muito profissional. Também é certo que um bom argumento ajuda a dar mais profundidade às suas personagens, mas também é verdade que sem este conjunto de artistas, "Breaking Bad" não tinha metade desse realismo desconcertante - ao ponto de facilmente nos conectarmos com qualquer uma daquelas pessoas - que a caracteriza.



Cada sequência, de cada episódio, das três épocas já emitidas são fundamentais para se entender esta série e, consequentemente, dar mais credibilidade aos seus inesperados "twist". Há então essa preocupação pelo detalhe levada ao extremo, que baralha num episódio e dá no outro (não propriamente no seguinte). Depois há os diálogos hilariantes, a fotografia irrepreensível que revelam-nos o melhor do Novo México... Já disse que o argumento é genial? "Breaking Bad" pode ser catalogada como comédia negra mas o seu assunto é sério e na perspectiva do espectador ele chega a ser moralmente ambiguo: apesar de condenarmos as suas atitudes, nunca deixamos de estar ao lado do principal protagonista desta história. Essa pode ser uma das qualidades que distingue “Breaking Bad” de parte da obra cinematográfica dos irmãos Coen e de Tarantino, que talvez seja o material de Hollywood que mais se aproxime do que se vê por aqui. Ninguém precisa de passar pela experiência de ser produtor de metanfetamina (a sua fórmula, C10H15N, não aparece logo no genérico da série por acaso...) para perceber que qualquer decisão radical que tomemos terá as suas consequências (radicais) e que precisamos de estar devidamente preparados para estar à altura de as enfrentarmos. Este sim é o verdadeiro mote de "Breaking Bad". Desengane-se quem acha que ali diz-se que a droga é "cool" e que o seu negócio é "easy, bitch"!



Torna-se também interessante constatar como a química entra no enredo, não só na sua aplicação concreta como no seu sentido mais metafórico. Quando as personagens são elementos que se ligam e reagem entre si e o resultado da energia desprendida ou absorvida durante estas relações resultam, nem mais nem menos, numa série deste calibre. Se tudo começa com um muito simples e reservado americano da classe média que após de ter-lhe sido diagnosticado cancro, transforma-se numa espécie de anti-herói no mundo do narcotráfico, parece-me completamente imprevisível saber quando e como irá parar a viagem nesta montanha russa de acontecimentos, que mais que não é do que uma espantosa aventura do autoconhecimento. Enquanto ele, Walter White, já se questiona da razoabilidade de toda esta loucura (em que se transformou a sua vida), o fã (eu, por exemplo), por seu lado, questiona como é possível viver sem ela! Depois de 33 intensos episódios e enquanto não estreia a quarta temporada, é só isso mesmo que interessa saber: como é que se (sobre)vive sem "Breaking Bad"?

sexta-feira, março 25, 2011

Não podia estar mais em desacordo

"A man should never wear shorts in the city. Flip-flops and shorts in the city are never appropriate. Shorts should only be worn on the tennis court or on the beach." - Tom Ford
Antes um "confortávelman" das cavernas que esse modern gentleman, então.


quarta-feira, março 23, 2011

Estamos tão internados

A situação política nacional actual parece um daqueles episódios do House em que o paciente tem um cancro, mas se tirarem o cancro ele morre de uma infecção que apanhou quando comeu uma manga que uma senhora no Brasil não lavou como deve ser, mas se curarem primeiro a infecção então ele morre por causa de um fungo que tem na unha do dedo mindinho do pé esquerdo... A única diferença é que não vai haver ninguém que olhe de repente para a parede e invente uma cura.

sexta-feira, março 18, 2011

Marcha de "Cidadãos Por Uma Nova Lei de Protecção dos Animais em Portugal"


... dia 9 de Abril com concentração marcada para as 14h no Campo Pequeno, em Lisboa.


Algumas das principais medidas previstas no Projecto-Lei:
- Alteração do Estatuto Jurídico dos Animais;
- Inclusão das Despesas de Alimentação e de Saúde dos Animais de Companhia no IRS;
- Controlo de Sobrepopulação de Animais Errantes;
- Criminalização dos Maus-Tratos a Animais;
- Criminalização do Abandono de Animais;
- Proibição dos Rodeios;
- Proibição das Touradas;
- Proibição do Uso de Animais em Circos;
- Proibição do Tiro aos Pombos;
- Proibição da Promoção de Lutas entre Animais e entre Animais e Humanos;
- Proibição dos Carrosséis de Póneis (ou outros animais);
- Proibição da Compra e Venda de Animais Vivos através da Internet.


Mais info aqui.

À rasca por um "prof" de Português?

terça-feira, março 15, 2011

A avaliação e a intervenção são conceitos desnecessários?


As portagens poderão ser o menor dos vossos problemas (cont.)

Sobre o assunto do post de ontem, o Ministério da Administração Interna esclarece:
Obrigado.

segunda-feira, março 14, 2011

As portagens poderão ser o menor dos vossos problemas

No início do Decreto Regulamentar n.º 2/2011, publicado este mês, pode-se ler:
O presente decreto regulamentar cria novos símbolos e sinais de informação relativos i) à cobrança electrónica de portagens em lanços e sublanços de auto -estradas e ii) aos radares de controlos de velocidades.
A introdução de portagens em auto-estradas onde actualmente se encontra instituído o regime «Sem custos para o utilizador» (SCUT) encontra -se prevista, no Programa de Estabilidade e Crescimento 2010 -2013, para obter a necessária consolidação das contas públicas e assegurar uma maior equidade e justiça social.

E para que se entenda o que está efectivamente aqui em causa, chamo a atenção para este novo sinal H43:

H43 — Velocidade instantânea: indicação de via sujeita a fiscalização de velocidade

Ou seja, o identificador VIA VERDE/DEM não se vai limitar a passar a informação relativo à cobrança de portagem...


No sítio da Via Verde lê-se o seguinte no "Objecto" desta Sociedade:


A Sociedade tem por objecto a prestação de serviços de gestão de sistemas electrónicos de cobrança, por utilização de infra-estruturas rodoviárias e de outras utilizadas por veículos automóveis, tais como Auto-estradas, pontes, viadutos, túneis, parques de estacionamento, garagens e similares. A sociedade também pode exercer quaisquer actividades que sejam instrumentais, complementares, acessórias ou conexas daquelas.


Só fica por saber onde a caç..., perdão, o controlo de velocidade se enquadra. Qualquer uma das quatro é gira e, digamos, extensiva.

domingo, março 13, 2011

Sereia

And the days all float by and the days over waves
Under sky and the weeks slowly leak into years.
The last islands are all left behind
as we silently sail
Until late some dark night a wild wind starts to wail
And our map blows away and our compasses fail
And it's out on the lost boiling black water


where I see her float out
She's so thin and so pale.
I see her rise up.
she's so fast and so fair.
My hands knead and they press to a point in the air.
Then my mouth fills with a panicking prayer
My skull fills with more color than care.
Then my heart fills with love with too much love to bear.
And I know if I stay that she'll always be there
My hands soak in cold sand seaweed swam through her hair


sexta-feira, março 11, 2011

A homossexualidade é anormal, já cobrar 110 euros por uma consulta é das coisas mais normais deste mundo

Parece-me pertinente que alguém pergunte ao senhor Bastonário da Ordem dos Médicos qual é a sua posição perante os médicos homossexuais actualmente em funções? Como é possível que ele ache "normal" alguém inscrito na sua ordem fazer essas declarações, sem as desmentir, por um lado, e permita que alguém defeituoso, anormal, portador de taras, de condutas repugnantes e de higiene degradante (tudo com aspas, obviamente) exerça uma profissão de tão elevada responsabilidade pública e social, pelo o outro?

Às tantas o senhor Bastonário é o Gilberto Madaíl da Medicina e anda convencidíssimo que não há "dessa gente" na sua classe.
E a piada que eu acho à malta que mete (conscientemente) as mãos no fogo pela vida privada dos outros?!

quarta-feira, março 09, 2011

Se fosse Deus...

... um dia destes fazia uma visita à Sociedade Portuguesa de Autores. Chegaria o momento de, também eu, efectuar umas certas cobranças de direitos autorais ou de criação.
Para os apologistas da evolução, seria o australopitecos, ou outro ser - desde que metesse a SPA a subir pelas paredes, até podia ser um chato.

terça-feira, março 08, 2011

A arte de reciclar nostalgia



Um dos méritos deste "Nostalgia, ULTRA", é relembrar quanto a "Strawberry Swing" dos Coldplay é boa. É tão boa que esta "nova" vedeta do R&B, Frank Ocean, quase nem lhe toca e incluiu-a no seu LP de estreia. Chamemos-lhes um artista consciente. Consciente no sentido de ter entendido que qualquer batida ali, transformava uma grande canção numa azeitice pegada e de ter tido o bom gosto de ter aproveitado a intensa parte final, com Chris Martin a repetir o refrão.
Quase fez o mesmo com dois "clássicos" dos Eagles e dos MGMT, mas aqui o resultado acaba por não ficar tão interessante.
Outra grande virtude deste disco chama-se "Songs for Women", desta vez sem créditos a outras "bandas de culto", Frank Ocean constrói uma canção cheia de ritmo e harmonia que se cola facilmente aos ouvidos. Boa surpresa.

quinta-feira, março 03, 2011

Mais um sinal de escassa esperança nesta humanidade

Nada disto é novidade para ninguém: certos elementos de um grupo necessitam de humilhar alguém mais fraco para reforçar a sua credibilidade e o poder nesse grupo. É o teste que qualquer iniciado passa irrepreensivelmente. Não esqueçamos que não é só no Reino Unido que há hooligans.
Esse sentimento generalizado de impunidade perante grupos desta natureza é universal, basta termos o azar de cruzar com qualquer claque a caminho de um jogo de futebol. Por isso vale a pena levantar algumas questões. A desordem é desculpável se for feita organizadamente e (supostamente) sob vigilância policial? Qual é a diferença entre um hooligan escocês embriagado e um elemento da Super Dragões lúcido mas com os bolsos cheios de pedras?
Este episódio é (ainda mais) abominável, não tanto por todas as causas e consequências sociológicas deste mundo, mas por esse grave sinal de escassa esperança nesta humanidade, que é a infinita desilusão estampada no rosto de um sem-abrigo.

Todos terão a sua história, todos terão as suas razões que os levaram a viver à margem da sociedade, sem abrigo. Poucos estão nesta condição por opção e, por isso, imagino que desejem mais uma mão para os tirar dali, do que uma que os empurre para uma - mais uma - humilhação.

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

No kinder surprise

DOGTOOTH - UK Trailer from PPC Film on Vimeo.



A entrega do Óscar para o melhor filme de língua estrangeira podia ser o momento surpresa da noite se ele não fosse atribuído a Iñárritu ("Biutiful"), tal como aconteceu, aliás.
O grande (e inesperado) acontecimento dos Óscares de 2011 poderia ser se esse prémio fosse para o magnífico e perturbante "Canino" ("Dogtooth") do grego Georgios Lanthimos - que até alcançou um discreto mas surpreendente sucesso em Portugal, sobretudo quando ganhou, há dois anos, o principal prémio do Festival de Cinema do Estoril.
Nada disto. O Óscar acabou por ir parar às mãos de uma realizadora dinamarquesa, não propriamente desconhecida lá para os lados de Hollywood. Depois do seu "In a Better world" já ter ganho o "Globo de Ouro" na mesma categoria, parece-me que, nem por aqui a academia deixou de ser previsível.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

O pedófilo que o diga

E o que muitos temiam, acabou mesmo por acontecer: Banksy já chegou a Hollywood

Parece que o artista sempre vai aparecer na festa da entrega dos Óscares... Vestido de macaco. Já deixou a sua marca pelas ruas...


terça-feira, fevereiro 22, 2011

A ascenção da Duffy portuguesa


Foi por solicitação de uma amiga que decidi ouvir esta "artista-revelação", dona do disco mais vendido em Portugal já há algumas semanas (se a memória não me falha, até "já é disco de ouro").
O soul é rei, ouve-se bem quando explora as suas raízes, mas é de fugir quando se cruza com o pop comercial. Também há a enésima versão de "Be my Baby" e uma canção onde cruza o folk de Joanna Newsom com um tema de Cabaret! Só ouvindo para acreditar. O melhor momento do álbum é mesmo o single - "Busy (for me)". É óptimo.
Ninguém duvida que a bela Aurea tenha uma grande voz, mas faltou-lhe alguma coerência na escolha dos temas para organizar o seu primeiro disco e este "soul", que consta do "cartão-de-visita", não é nada que a Duffy já não tivesse irrepreensivelmente feito, também, no seu disco de estreia, em 2008.
Há muitos LPs que sobrevivem à custa de um single e este pode ser um bom exemplo disso, mas a outra verdade é que esse feito abona muito pouco a favor de um artista.

Os três primos assados no espeto e a avó na pedra?