Há uma outra razão que passa pela curiosidade em ver a natural degradação dos materiais face à natureza envolvente, sem qualquer intervenção humana. É por isso que prefiro locais mais isolados e afastados dos grandes aglomerados populacionais.
Nos arredores de Castanheira do Ribatejo há uma quinta desabitada há muitos anos que sempre despertou-me alguma curiosidade. Apesar de não reunir as tais condições ideais (fica colada à EN1!), recentemente tomei a decisão de a visitar.
Ao contrario do muro que delimita toda a área, a entrada ainda se encontra intacta. Só o seu portão enferrujado revela a passagem do tempo. Ao longo do caminho que me leva as casas, vou constatando da verdadeira extensão que ocupam. Esta quinta ao longe parecia-me composta por vários edifícios e, já no local, confirmo essa tese, mas ainda assim surpreende-me o facto de eles estarem ligados entre si, na tentativa de se isolarem do exterior. Em frente à entrada daquele espaço, há um pequeno túnel que dá acesso às traseiras. Aqui encontram-se alguns anexos. Nomeadamente - só por aquilo que a vegetação deixa ver - alguns canis e um grande armazém.
O lado norte do edifício principal, seria o zona habitável. O seu interior é composto por um labiríntico sistema de quartos (e salas) que desaguam sucessivamente em mais quartos (alguns deles fechados). É muito fácil perder-me por aqui... Mas o perigo nem reside tanto nessa desorientação, mas no facto de algumas destas assoalhadas já não terem tecto/piso - por isso toda a cautela é pouca. Esta parte do edifício é constituída quase sempre por dois pisos - no largo central o piso inferior passa a cave.
Do lado oposto, alguns portões abertos permitem-me ver algo que terá sido em tempos uma adega e vários estábulos. Constato por aqui que algumas telhas já vão cedendo o seu lugar ao infinito do céu. Deve ser mesmo esta a ordem natural das coisas.
Voltando ao exterior e à zona de entrada do edifício, encontro de um lado uma fonte e do outro, um orifício que parece-me ter sido usado como forno. Face a tantos pormenores que este lugar possui, parece-me normal que aqueles tenham-me escapado à chegada. E fui-me embora com a sensação que haveria muitos outros por descobrir.




















