sexta-feira, maio 20, 2011

A quinta dos 1001 quartos

As minhas visitas a locais abandonados são também viagens ao passado. Uma das razões que me levam a querer conhecer melhor estas casas está na hipótese de imaginar como elas eram antes de serem abandonadas. Para tal, tento registar todos os momentos por onde passo, para mais tarde essas imagens facultarem-me nesse processo de dar vida (no meu pensamento) a estes locais. (Com as devidas distancias, e comparando cinematograficamente, será tudo aquilo que James Cameron fez nas melhores partes de "Titanic".)
Há uma outra razão que passa pela curiosidade em ver a natural degradação dos materiais face à natureza envolvente, sem qualquer intervenção humana. É por isso que prefiro locais mais isolados e afastados dos grandes aglomerados populacionais.

Nos arredores de Castanheira do Ribatejo há uma quinta desabitada há muitos anos que sempre despertou-me alguma curiosidade. Apesar de não reunir as tais condições ideais (fica colada à EN1!), recentemente tomei a decisão de a visitar.

Ao contrario do muro que delimita toda a área, a entrada ainda se encontra intacta. Só o seu portão enferrujado revela a passagem do tempo. Ao longo do caminho que me leva as casas, vou constatando da verdadeira extensão que ocupam. Esta quinta ao longe parecia-me composta por vários edifícios e, já no local, confirmo essa tese, mas ainda assim surpreende-me o facto de eles estarem ligados entre si, na tentativa de se isolarem do exterior. Em frente à entrada daquele espaço, há um pequeno túnel que dá acesso às traseiras. Aqui encontram-se alguns anexos. Nomeadamente - só por aquilo que a vegetação deixa ver - alguns canis e um grande armazém.

O lado norte do edifício principal, seria o zona habitável. O seu interior é composto por um labiríntico sistema de quartos (e salas) que desaguam sucessivamente em mais quartos (alguns deles fechados). É muito fácil perder-me por aqui... Mas o perigo nem reside tanto nessa desorientação, mas no facto de algumas destas assoalhadas já não terem tecto/piso - por isso toda a cautela é pouca. Esta parte do edifício é constituída quase sempre por dois pisos - no largo central o piso inferior passa a cave.
Do lado oposto, alguns portões abertos permitem-me ver algo que terá sido em tempos uma adega e vários estábulos. Constato por aqui que algumas telhas já vão cedendo o seu lugar ao infinito do céu. Deve ser mesmo esta a ordem natural das coisas.

Voltando ao exterior e à zona de entrada do edifício, encontro de um lado uma fonte e do outro, um orifício que parece-me ter sido usado como forno. Face a tantos pormenores que este lugar possui, parece-me normal que aqueles tenham-me escapado à chegada. E fui-me embora com a sensação que haveria muitos outros por descobrir.

































quinta-feira, maio 19, 2011

Parece que o responsável pelos títulos dos livros da colecção Anita mudou de área de negócio



A boa notícia cultural da semana é que, apesar de tarde, os (bons) documentários chegam às nossas salas de cinema. A má é que continuam a arranjar títulos que nem lembram ao menino Jesus.

quarta-feira, maio 11, 2011

Apocalipse indie

Não deixa de ser interessante que alguns dos mais aguardados filmes de 2011 venham com uma certa conotação apocalíptica (mesmo que seja no seu sentido mais figurado). Parece-me que estamos perante obras onde a catástrofe seja mais metafórica do que blockbusteriana e, assim sendo, poderá ser a maior das desilusões para os fãs de "2012" ou "Battle: Los Angeles" - fica desde já o aviso.



O já por aqui mencionado Melancholia, de Lars Von Trier, em estreia (e competição) no Festival de Cannes deste ano, aborda a forma como a ameaça da colisão de um planeta com a Terra afecta a relação entre duas irmãs, interpretadas - *respirar fundo* - por Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg.


Por falar no nosso planeta, e se houvesse mesmo aqui ao lado outro igualzinho, mas em que este pormenor sci-fi servisse meramente de "pano de fundo" para contar uma bela história de redenção? Convencidos? O júri do Festival de Sundance, ao atribuir-lhe o prémio Alfred P. Sloan, pelo menos, ficou. Trata-se de Another Earth (de Mike Cahill).


De Sundance também veio muito bem elogiado Take Shelter de Jeff Nichols, onde uma tempestade apocalíptica, que se aproxima, serve meramente de pretexto para camuflar uma ameaça maior, menos visível e que já se encontra dentro da casa de uma família do Ohio.


A encabeçar a lista da categoria de "catástrofes não-naturais", há Perfect Sense de David Mackenzie, em que uma epidemia que rouba às pessoas todos os seus sentidos não é impedimento para um chefe de cozinha e uma cientista viverem o amor das suas vidas.

segunda-feira, maio 09, 2011

We break too easily

Depois da excelente surpresa que são os Austra (e o álbum a sair nos próximos dias confirma tudo aquilo que os singles indiciavam), chega agora a vez de (re)descobrir uma outra forma de encarar a música electrónica no seu lado mais negro e experimentalista.
Planningtorock ou Wanderer Janine Roston é uma multiinstrumentalista alemã que no ano passado, juntou-se aos The Knife e Mt. Sims e produziram a banda sonora da opera: "Tomorrow, In A Year" e ainda este mês lançará o seu segundo disco, "W", através da DFA records - James Murphy não dorme em serviço.


THE BREAKS from planningtorock on Vimeo.

O cúmulo do choque cultural


O nosso melhor exemplo de androginia e do neo-pseudo-chiquoriquismo a tentar integrar-se numa tribo ancestral do norte da Namíbia, onde os papéis atribuídos a cada género estão muito bem definidos (por exemplo: os homens são responsáveis por caçar e matar o gado por asfixia e as mulheres recolhem a água potável para beber e para a higiene dos homens, carregam a lenha sobre a cabeça e são responsáveis por trazer o estrume de vaca para a construção das casas, mas estão proibidas de se lavar com água, dada a escassez deste elemento)?
Nem o mais inspirado (e humorado) argumentista de Hollywood se lembraria!

sexta-feira, maio 06, 2011

A desesperança

Sobre a direita e o centrismo que nos tem governado, os resultados estão à vista. A grande surpresa, para não dizer desilusão, dos últimos tempos veio do lado de lá. Falo da esquerda que se desresponsabilizou completamente perante a situação actual do país. E eu, que até considero-me de esquerda, jamais apoiaria um partido que face a um eminente naufrágio prefere saltar do barco ao mesmo tempo que vai dizendo que não era ele que estava a comandá-lo. E não era, evidentemente, mas custava assim tanto discutir as medidas de auxílio com as únicas entidades disponíveis para o salvar?

O problema político português está nas suas bases. Há na nossa política demasiada cobardia, um carreirismo desbragado, canalhices e tanta, mas tanta, gentinha rasteira. A política devia ser uma escola de carácter, mas infelizmente por cá transformou-se numa coisa próxima da pulhice. Tudo isto porque a maioria destes políticos são completamente incompetentes para andarem pelos seus próprios pés na nossa sociedade, e só conseguem progredir nela, associando-se a partidos. Como há vida depois da política - sobretudo nos altos quadros de uma empresa com relações muito próximas com o estado - para quê o esforço em ter ideias próprias ou ser útil à nação?

Enquanto persistir este tachismo em vez de uma profissionalização apartidária (ainda estou para entender porque não há concursos públicos para todos os responsáveis dos ministérios e respectivas secretarias), enquanto o compadrio prevalecer sobre o currículo, não esperem que as coisas mudem.

Smother


Os Wild Beasts, sempre que lançam um disco, têm essa virtude de nos lembrar que a simplicidade ou a singeleza também podem ser sinónimos de perfeição. Para começar basta só um piano e a voz certa. O resto vai evoluindo naturalmente.
Para acabar: "End Come Too Soon"? Tão verdade.

sexta-feira, abril 29, 2011

É oficial, somos um país de "barracas" com dois submarinos à porta

Novo submarino chega amanhã a Portugal

O submarino "Arpão", o segundo novo equipamento militar do género para a Marinha portuguesa, chega a Portugal no sábado de manhã.

(Blablabla)... A aquisição dos dois submarinos custou a Portugal cerca de mil milhões de euros.

quinta-feira, abril 28, 2011

Mais uma prova de que ser bronco em Portugal compensa financeiramente


Ou seja, a campanha Wall Street Institute / Camarinha faz escola.

quarta-feira, abril 27, 2011

God bless America - but, please, save it first


Nessa malograda aventura de tentar entender um certo povo norte-americano muito sensível às diferenças alheias, chega-se sempre à conclusão de que a aplicação, a esses casos, de uma legislação muito específica de Crimes de Ódio faz todo o sentido.

A lei é muito simples: when a perpetrator targets a victim because of his or her perceived membership in a certain social group, usually defined by racial group, religion, sexual orientation, disability, class, ethnicity, nationality, age, gender, gender identity, social status or political affiliation.
Clarificando: um homem heterossexual católico tem uma raça, sexo, orientação sexual e religião e se ele for atacado por causa de uma destas suas características, os perpetuadores serão julgados à luz desta mesma lei. Claro como água e desengana logo quem diz que esta lei só foi criada para proteger "pessoas especiais".

Mas também há quem diga que há por aqui um "tratamento especial".

Porque não uma legislação semelhante para proteger o idoso daqueles que se aproveitam das suas fragilidades inerentes à sua idade? Se uma pessoa roubar o meu carro, ela comete um crime contra todos os proprietários de carros em geral? E se um homem dispara sobre outro homem, por o ter apanhado na cama com sua esposa, merecerá ser condenado por um Crime de Ódio?

Os crimes supracitados não aumentam o padrão da legislação de Crimes de Ódio actual porque ninguém é "socialmente" ensinado a odiar idosos ou a desdenhar proprietários de automóveis. Tal como o "cornudo" não matou o "amante" por este ser quem é, mas pelo que fez. Portanto, estes são "meros" crimes de oportunidade.
Os Crimes de Ódio são crimes contra um indivíduo, mas que se destinam a oprimir uma minoria inteira. Não tem nada a ver com tratamentos à parte ou acesso a certos direitos. Tem a ver com a punição sobre actos que intimida, vitimiza e subjuga todo um grupo de pessoas. É por isso que a respectiva pena é bem mais severa - nem é preciso pensar muito: quem rouba uma pessoa não recebe a mesma pena se tiver roubado duzentas, certo?
Link
Para estes casos não se pede "tratamento especial", quanto muito, pede-se "protecção especial". Como este, por exemplo.

I wanna watch you fade into black



(mais uma preciosidade da pequena/enorme Captured Tracks)

terça-feira, abril 26, 2011

Não há teorias que justifiquem a irracionalidade

A teoria de que as pessoas discriminam porque também foram discriminadas pode-se aplicar ao caso da transexual espancada por duas raparigas negras no McDonald’s de Baltimore, EUA?
Talvez faça mais sentido aplicá-la mais genericamente, como aos resultados do referendo sobre a Proposition 8 (que, por outras palavras, negava o acesso ao casamento civil aos casais do mesmo sexo), que foi aprovada com 52% dos votos e contou com o apoio de 2/3 dos votos da comunidade negra.
Neste caso da transexual, conseguimos ver os rostos da intolerância e parece-me tão difícil explicar tanta raiva exercida sobre um ser humano só pelo facto de ser diferente, quanto mais aplicar-lhe qualquer teoria.
Ainda assim, nunca nos podemos esquecer que as leis de Jim Craw, que excluíam de certos direitos básicos todos os "cidadãos americanos" não-brancos, vigoraram nos EUA até 1965...
Seja como for, qualquer teoria que sirva para explicar as intolerâncias de minorias perante outras minorias, só servirá mesmo para isso: explicar. Jamais pode servir de desculpa.

sexta-feira, abril 22, 2011

Clubbing parece moderning... mas é das cenas mais 1996 que conheço


A música electrónica tem vindo a conquistar cada vez mais fãs durante a última década e portanto é perfeitamente justificável que os festivais de verão portugueses (seguindo os passos dos congéneres internacionais) apostem em palcos com temáticas desta natureza.
Há no entanto a lamentar um pequeno (grande) facto, que tem escapado à generalidade das organizações dos nossos festivais: a electrónica é dos géneros musicais mais evolutivos da música popular contemporânea. O Electro-House foi e continua a ser popular, mas, ao contrário do que nos tentam vender, a música de dança não está estagnada neste estilo. Ela evoluiu para formatos até bem mais interessantes e, sobretudo, menos óbvios e repetitivos: Dubstep, UK Garage, Funky, Grime, 2Step, IDM, Minimal ...

Na Alemanha, país do Techno por excelência, a Boys Noise Records está a milhas de ser a editora que tem revelado recentemente os melhores nomes do Tech-House. Por exemplo, a milhas da Ostgut Ton, que é uma das "labels" alemãs que melhor tem sabido gerir o seu cardápio Techno e derivados: de Ben Klock à Steffi.

Não quero dizer com isto que o Nicolas Jaar não seja uma proposta muito interessante para ver no Meco ou que esteja infeliz pelo facto do Villalobos regressar pelo segundo ano consecutivo ao SBSR ou do Hawtin ter ido, este ano, parar mais a sul (Sudoeste). Nada disso. Mas há tantas e tão boas outras opções, que apostar nos mesmos nomes de sempre, se não chega a ser um erro, é pelo menos uma opção muito duvidosa, para não dizer... preguiçosa.















... E ficava aqui o resto da noite a postar vídeos... E tudo colheita 2011!

segunda-feira, abril 18, 2011

Purity Ring

Duo sensação do momento, os Purity Ring são Corin Roddick (bateria, guitarra e teclas) e Meghan James (voz). O seu primeiro single "Ungirthed", depois de andar a circular há várias semanas por tudo o que é blog musical de referência, é editado oficialmente hoje.

Convém acrescentar que, actualmente, melhor que este single, só mesmo o seu b-side, "Lofticries".

Purity Ring - Ungirthed from Ruben de Zeeuw on Vimeo.


Purity Ring- Lofticries from David Dean Burkhart on Vimeo.

Nobre @ Fcbk


quinta-feira, abril 07, 2011

Que segredos guarda uma casa solitária?

Na continuação da minha aventura por lugares recônditos e (semi)abandonados, optei desta vez por ir em busca de um local menos oculto e mais próximo das minhas origens. Já há algum tempo que tinha reparado naquela enigmática casa no ermo de uma das colinas opostas à Serra de Montejunto, não muito distante da zona onde passei os primeiros dezoito anos da minha vida. Sempre que passava por um certo ponto de uma das estradas que me levavam à minha terra, alguns dos meus sentidos desligavam-se automaticamente por segundos da condução e dirigiam-se até aquela casa.

Recentemente confirmei com familiares de que ela se encontrava abandonada e, inclusive, que ninguém consegue indicar com precisão qual foi a última família a habitá-la. Todos estes dados adensaram a minha curiosidade e fortaleceram a vontade de fazer-lhe uma visita.


Foi relativamente fácil descobrir qual dos vários caminhos que trepam por aquela colina acima dariam acesso à casa e por isso deixei o carro na berma mais larga e mais próxima do meu "ponto de partida". Já nesse local e nos primeiros metros da subida não é possível observar a casa, mas as demarcações do caminho parecem indicar que ele é o correcto. Pela altura da vegetação apercebo-me também que há muito tempo que não circula por aqui qualquer veículo a motor - se é que algum dia terá circulado. Alguns metros mais acima consigo ver o meu carro e noto que o caminho até à casa passa a ser recto e sem as curvas do percurso anterior.




A poucos metros da casa já é possível confirmar a sua opulência, é surpreendentemente maior que aquela imagem que a minha observação à distância foi construindo ao longo dos últimos tempos. Ainda assim há que descontar toda a vegetação que a rodeia e a invade lentamente ao longo das suas paredes.


Ao contorná-la pelo seu lado poente, esboço um sorriso ao verificar que uma das suas entradas encontra-se desbloqueada, o que muito facilita a minha vontade de explorar o seu interior. Mas continuo a subir e só paro no momento em que é possível contemplar toda a casa e a paisagem envolvente. Posso garantir que só este momento, vale mil subidas ao local.




A citada entrada dá acesso a uma espécie de anexo da casa. Pode ter sido uma adega, pode ter sido um curral, seja o que terá sido, vejo que permite o acesso ao piso superior da parte habitacional e isso dá-me a satisfação de poder continuar a aventura. Também constato que recentemente parece ter sido abrigo de alguém. Há uma casota improvisada para um cão, há metade de um garrafão, improvisado como seu bebedouro, uma corrente... E há muitas penas espalhadas pelo chão.



Numa superfície mais elevada encontro algo que explica a depenação: uma telha com algo que parece-me ser restos de carne, de aves… Opto por não pensar muito sobre este estranho facto e subo para o patamar superior.




O primeiro andar da casa é sobretudo composto por dois grandes quartos, onde é possível contemplar, pelas suas grandes e velhas janelas, a Serra de Montejunto em toda a sua extensão. O soalho de um dos quartos está repleto de esponja de um colchão em elevado estado de decomposição. Também nele está a prova das marcas do tempo e da chuva que vai entrando por aqueles espaços abertos para a Serra, que um dia foram janelas.





Igualmente fazendo parte do piso superior encontro a única assoalhada que já se encontra sem qualquer cobertura e onde a vegetação é rainha. É também por aqui que se encontra o acesso (interior) ao piso inferior da parte habitável. A escuridão quase infinita da escadaria intimida-me. Falta-me uma lanterna para prosseguir... Ou mais coragem? Decido sair e continuar a explorar a parte leste da casa.



Para além de mais vegetação selvagem que galga paredes acima, encontro a única porta deste lado da habitação. A quantidade de meios utilizados para mantê-la fechada é muito esclarecedor quanto ao objectivo de proibir a sua transposição. No entanto, há no topo uma rede que permite ver o que há lá dentro... É no momento em que me aproximo desta porta que oiço uns ruídos estranhos que vêm do interior da casa e que me fazem arrepiar. Identifico o som do bater das asas de aves e isso sossega-me o espírito. Do que consigo ver, do ponto onde espreito para o interior da casa, confirmo a existência de alguns pombos (ou rolas?). Ainda assim ficaram outros sons por identificar…





Acabo de contornar a casa e encontro no seu topo norte, em frente a uma das janelas fechadas, uma "instalação rudimentar" que, deduzo, servirá de poiso para os pombos. Naquela janela há um pequeno orifício por onde os pombos entrarão - continuo no plano das deduções - e sairão? Esta é a primeira de muitas questões que me surgiram repentinamente. Quem (e para quê) construiu esta "engenhoca"? Porque só os acessos ao piso inferior estão fechados (e parecem-me recente e propositadamente bem fechados)? Se os bocados de carne e as penas que tinha visto no anexo eram de um ou mais pombos, onde estão as brasas onde, supostamente, foram assados? Mas lembrei-me entretanto de que os pedaços de pombo que estavam em cima daquela telha pareciam-me crus. Então se não seriam para comer, para que servirão?... O som que saía do orifício era demasiado assustador para me aproximar dele. Continuo a ouvir os pombos, ouvia a corrente de ar que entrava e saía por aquele pequeno rectângulo negro, mas há mais qualquer coisa que continuo a não identificar. Estou ligeiramente assustado para prosseguir com a "investigação" e decido abandonar o local.



Regresso ao caminho, tiro mais umas fotos e faço, bem mais tranquilo, a minha viagem de regresso. Ainda assim, não deixo de continuar a pensar em todas as questões e possibilidades relativas aos recentes acontecimentos desta casa. São pensamentos que me sobressaltaram nas horas seguintes aquela visita e que por vezes me vêm à mente. O mesmo acontece com a magnífica vista daqueles quartos...

Os segredos parecem ser característica essencial de certas casas abandonadas. Mas esta, lá do alto da colina, tem a virtude de nem precisar deles, para ser misteriosa.


Enquanto não há novidades dos The Knife...





PS - Os The Knife são mero exemplo comparativo, sobretudo por terem uma sonoridade semelhante. Aparentemente, não há outra relação entre as duas bandas. :)

terça-feira, abril 05, 2011

Estar longe


James Blake - The Wilhelm Scream from Alexander Brown on Vimeo.


Longe de ser a notícia do ano, longe de ser o melhor lugar (Festival Optimus Alive) e altura (dia 6 de Julho, isto é: dia de enchente de famílias da linha fãs de Coldplay+RFM+Blondie+João Pedro Pais+Agosto no Algarve) para ouvir James Blake.

MotheràSec