sexta-feira, maio 27, 2011
quarta-feira, maio 25, 2011
Ver para além do choque

Qualquer filme de Gaspar Noé pode ser comparável a um percurso de montanha russa, tanto visual como sentimentalmente. Enter the Void, filme de 2009 que nunca chegou a ter estreia comercial por cá, deve ser o melhor exemplo disso.
A simples e comovente história de amor incondicional entre dois irmãos é subitamente transformada numa viagem transcendental post-mortem (do irmão que morre) pelo mundo underground de Tóquio. Noé filma tudo isto de uma forma brilhante através de travellings pelas ruas e algumas casas de "animação nocturna" daquela cidade com a sua irreverente câmara, fazendo com que este filme seja (sobretudo) uma grande experiência visual.
Mas não é perfeito. As luzes intensas e fixas são exageradas (o strobe até funciona muito bem), as repetições em algumas cenas também, excluimos isto e ficamos com, talvez, menos uma hora de filme (ele, na sua versão original, vai para além das 2 horas e meia) e com uma obra bem mais consistente, menos psicadélica, mais saudável - poupam-se uma ou duas dioptrias por cada olho.
Ok, contem também com algumas imagens chocantes - se bem que, segundo o meu "chocómetro", nenhuma delas ultrapassa a cena da violação do seu filme anterior, Irreversible, e este pôde ser visto em qualquer lado, inclusivé na TV - daí a "mega" censura a que foi alvo.
Ok, contem também com algumas imagens chocantes - se bem que, segundo o meu "chocómetro", nenhuma delas ultrapassa a cena da violação do seu filme anterior, Irreversible, e este pôde ser visto em qualquer lado, inclusivé na TV - daí a "mega" censura a que foi alvo.

Facilitaria bastante se a qualidade técnica e artística dos filmes onde se revela imagens (ou ideias) muito chocantes fosse péssima: arrasava-se e, pronto, fim da opinião! Mas não é o caso da cinematografia de Gaspar Noé, como não é o caso, para dar um exemplo ainda mais extremista, de Srpski Film (tradução inglesa: "A Serbian Film"). Por aqui a irrepreensível técnica de edição, a qualidade da fotografia e da iluminação, a atipicidade de um inteligente argumento que resume metaforicamente num filme, com cenas hardcore de infinito escalão, o estado sócio-cultural de uma nação europeia, contrastam fortemente com a crueldade de algumas imagens que assaltam subitamente o ecrã e o nosso espírito.
Há imagens que é preferível deixá-las fechadas a sete chaves no nosso subconsciente, não há? - pois também há realizadores que não se intimidam em mostrá-las.
Portanto é normal que não se consiga ver algo mais para além do chocante. E isso é bom e é mau. Ou melhor: Srpski Film é um bom filme? É um óptimo filme. Recomendá-lo-ia a alguém? Jamais, fujam dele!
segunda-feira, maio 23, 2011
Uma raça apurada

Incrível: os islandeses GusGus existem desde 1995. Desde esses tempos áureos em que o old-school house e o synth pop começavam timidamente a dar as mãos, que pouco mais se ouviu falar sobre eles. Mas o certo é que eles têm editado algum material. Pouco e, na maioria, desinteressante, mas têm.
Entretanto mudaram para a editora mais (re)conhecida no mundo techno - Kompakt - e a evolução há muito procurada parece-me evidente. Enquanto a electrónica domina e é vencedora, o acordeão e o banjo aparecem, piscam o olho a outras tendências, e erguem a taça.
Vindo de quem vem, depois de todos estes anos, a surpresa não podia ser maior ou não fosse Arabian Horse - para além de uma das mais bonitas raças de cavalos - um dos mais interessantes trabalhos que a música de dança viu nascer este ano.
Entretanto mudaram para a editora mais (re)conhecida no mundo techno - Kompakt - e a evolução há muito procurada parece-me evidente. Enquanto a electrónica domina e é vencedora, o acordeão e o banjo aparecem, piscam o olho a outras tendências, e erguem a taça.
Vindo de quem vem, depois de todos estes anos, a surpresa não podia ser maior ou não fosse Arabian Horse - para além de uma das mais bonitas raças de cavalos - um dos mais interessantes trabalhos que a música de dança viu nascer este ano.
Over
Changes Come
Blenched
sexta-feira, maio 20, 2011
A quinta dos 1001 quartos
As minhas visitas a locais abandonados são também viagens ao passado. Uma das razões que me levam a querer conhecer melhor estas casas está na hipótese de imaginar como elas eram antes de serem abandonadas. Para tal, tento registar todos os momentos por onde passo, para mais tarde essas imagens facultarem-me nesse processo de dar vida (no meu pensamento) a estes locais. (Com as devidas distancias, e comparando cinematograficamente, será tudo aquilo que James Cameron fez nas melhores partes de "Titanic".)
Há uma outra razão que passa pela curiosidade em ver a natural degradação dos materiais face à natureza envolvente, sem qualquer intervenção humana. É por isso que prefiro locais mais isolados e afastados dos grandes aglomerados populacionais.
Nos arredores de Castanheira do Ribatejo há uma quinta desabitada há muitos anos que sempre despertou-me alguma curiosidade. Apesar de não reunir as tais condições ideais (fica colada à EN1!), recentemente tomei a decisão de a visitar.
Ao contrario do muro que delimita toda a área, a entrada ainda se encontra intacta. Só o seu portão enferrujado revela a passagem do tempo. Ao longo do caminho que me leva as casas, vou constatando da verdadeira extensão que ocupam. Esta quinta ao longe parecia-me composta por vários edifícios e, já no local, confirmo essa tese, mas ainda assim surpreende-me o facto de eles estarem ligados entre si, na tentativa de se isolarem do exterior. Em frente à entrada daquele espaço, há um pequeno túnel que dá acesso às traseiras. Aqui encontram-se alguns anexos. Nomeadamente - só por aquilo que a vegetação deixa ver - alguns canis e um grande armazém.
O lado norte do edifício principal, seria o zona habitável. O seu interior é composto por um labiríntico sistema de quartos (e salas) que desaguam sucessivamente em mais quartos (alguns deles fechados). É muito fácil perder-me por aqui... Mas o perigo nem reside tanto nessa desorientação, mas no facto de algumas destas assoalhadas já não terem tecto/piso - por isso toda a cautela é pouca. Esta parte do edifício é constituída quase sempre por dois pisos - no largo central o piso inferior passa a cave.
Do lado oposto, alguns portões abertos permitem-me ver algo que terá sido em tempos uma adega e vários estábulos. Constato por aqui que algumas telhas já vão cedendo o seu lugar ao infinito do céu. Deve ser mesmo esta a ordem natural das coisas.
Voltando ao exterior e à zona de entrada do edifício, encontro de um lado uma fonte e do outro, um orifício que parece-me ter sido usado como forno. Face a tantos pormenores que este lugar possui, parece-me normal que aqueles tenham-me escapado à chegada. E fui-me embora com a sensação que haveria muitos outros por descobrir.
Há uma outra razão que passa pela curiosidade em ver a natural degradação dos materiais face à natureza envolvente, sem qualquer intervenção humana. É por isso que prefiro locais mais isolados e afastados dos grandes aglomerados populacionais.
Nos arredores de Castanheira do Ribatejo há uma quinta desabitada há muitos anos que sempre despertou-me alguma curiosidade. Apesar de não reunir as tais condições ideais (fica colada à EN1!), recentemente tomei a decisão de a visitar.
Ao contrario do muro que delimita toda a área, a entrada ainda se encontra intacta. Só o seu portão enferrujado revela a passagem do tempo. Ao longo do caminho que me leva as casas, vou constatando da verdadeira extensão que ocupam. Esta quinta ao longe parecia-me composta por vários edifícios e, já no local, confirmo essa tese, mas ainda assim surpreende-me o facto de eles estarem ligados entre si, na tentativa de se isolarem do exterior. Em frente à entrada daquele espaço, há um pequeno túnel que dá acesso às traseiras. Aqui encontram-se alguns anexos. Nomeadamente - só por aquilo que a vegetação deixa ver - alguns canis e um grande armazém.
O lado norte do edifício principal, seria o zona habitável. O seu interior é composto por um labiríntico sistema de quartos (e salas) que desaguam sucessivamente em mais quartos (alguns deles fechados). É muito fácil perder-me por aqui... Mas o perigo nem reside tanto nessa desorientação, mas no facto de algumas destas assoalhadas já não terem tecto/piso - por isso toda a cautela é pouca. Esta parte do edifício é constituída quase sempre por dois pisos - no largo central o piso inferior passa a cave.
Do lado oposto, alguns portões abertos permitem-me ver algo que terá sido em tempos uma adega e vários estábulos. Constato por aqui que algumas telhas já vão cedendo o seu lugar ao infinito do céu. Deve ser mesmo esta a ordem natural das coisas.
Voltando ao exterior e à zona de entrada do edifício, encontro de um lado uma fonte e do outro, um orifício que parece-me ter sido usado como forno. Face a tantos pormenores que este lugar possui, parece-me normal que aqueles tenham-me escapado à chegada. E fui-me embora com a sensação que haveria muitos outros por descobrir.
quinta-feira, maio 19, 2011
Parece que o responsável pelos títulos dos livros da colecção Anita mudou de área de negócio
quarta-feira, maio 11, 2011
Apocalipse indie
Não deixa de ser interessante que alguns dos mais aguardados filmes de 2011 venham com uma certa conotação apocalíptica (mesmo que seja no seu sentido mais figurado). Parece-me que estamos perante obras onde a catástrofe seja mais metafórica do que blockbusteriana e, assim sendo, poderá ser a maior das desilusões para os fãs de "2012" ou "Battle: Los Angeles" - fica desde já o aviso.


O já por aqui mencionado Melancholia, de Lars Von Trier, em estreia (e competição) no Festival de Cannes deste ano, aborda a forma como a ameaça da colisão de um planeta com a Terra afecta a relação entre duas irmãs, interpretadas - *respirar fundo* - por Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg.

Por falar no nosso planeta, e se houvesse mesmo aqui ao lado outro igualzinho, mas em que este pormenor sci-fi servisse meramente de "pano de fundo" para contar uma bela história de redenção? Convencidos? O júri do Festival de Sundance, ao atribuir-lhe o prémio Alfred P. Sloan, pelo menos, ficou. Trata-se de Another Earth (de Mike Cahill).

De Sundance também veio muito bem elogiado Take Shelter de Jeff Nichols, onde uma tempestade apocalíptica, que se aproxima, serve meramente de pretexto para camuflar uma ameaça maior, menos visível e que já se encontra dentro da casa de uma família do Ohio.

A encabeçar a lista da categoria de "catástrofes não-naturais", há Perfect Sense de David Mackenzie, em que uma epidemia que rouba às pessoas todos os seus sentidos não é impedimento para um chefe de cozinha e uma cientista viverem o amor das suas vidas.


O já por aqui mencionado Melancholia, de Lars Von Trier, em estreia (e competição) no Festival de Cannes deste ano, aborda a forma como a ameaça da colisão de um planeta com a Terra afecta a relação entre duas irmãs, interpretadas - *respirar fundo* - por Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg.

Por falar no nosso planeta, e se houvesse mesmo aqui ao lado outro igualzinho, mas em que este pormenor sci-fi servisse meramente de "pano de fundo" para contar uma bela história de redenção? Convencidos? O júri do Festival de Sundance, ao atribuir-lhe o prémio Alfred P. Sloan, pelo menos, ficou. Trata-se de Another Earth (de Mike Cahill).

De Sundance também veio muito bem elogiado Take Shelter de Jeff Nichols, onde uma tempestade apocalíptica, que se aproxima, serve meramente de pretexto para camuflar uma ameaça maior, menos visível e que já se encontra dentro da casa de uma família do Ohio.

A encabeçar a lista da categoria de "catástrofes não-naturais", há Perfect Sense de David Mackenzie, em que uma epidemia que rouba às pessoas todos os seus sentidos não é impedimento para um chefe de cozinha e uma cientista viverem o amor das suas vidas.
segunda-feira, maio 09, 2011
We break too easily
Depois da excelente surpresa que são os Austra (e o álbum a sair nos próximos dias confirma tudo aquilo que os singles indiciavam), chega agora a vez de (re)descobrir uma outra forma de encarar a música electrónica no seu lado mais negro e experimentalista.
Planningtorock ou Wanderer Janine Roston é uma multiinstrumentalista alemã que no ano passado, juntou-se aos The Knife e Mt. Sims e produziram a banda sonora da opera: "Tomorrow, In A Year" e ainda este mês lançará o seu segundo disco, "W", através da DFA records - James Murphy não dorme em serviço.
Planningtorock ou Wanderer Janine Roston é uma multiinstrumentalista alemã que no ano passado, juntou-se aos The Knife e Mt. Sims e produziram a banda sonora da opera: "Tomorrow, In A Year" e ainda este mês lançará o seu segundo disco, "W", através da DFA records - James Murphy não dorme em serviço.
THE BREAKS from planningtorock on Vimeo.
O cúmulo do choque cultural

O nosso melhor exemplo de androginia e do neo-pseudo-chiquoriquismo a tentar integrar-se numa tribo ancestral do norte da Namíbia, onde os papéis atribuídos a cada género estão muito bem definidos (por exemplo: os homens são responsáveis por caçar e matar o gado por asfixia e as mulheres recolhem a água potável para beber e para a higiene dos homens, carregam a lenha sobre a cabeça e são responsáveis por trazer o estrume de vaca para a construção das casas, mas estão proibidas de se lavar com água, dada a escassez deste elemento)?
Nem o mais inspirado (e humorado) argumentista de Hollywood se lembraria!
Nem o mais inspirado (e humorado) argumentista de Hollywood se lembraria!
sexta-feira, maio 06, 2011
A desesperança
Sobre a direita e o centrismo que nos tem governado, os resultados estão à vista. A grande surpresa, para não dizer desilusão, dos últimos tempos veio do lado de lá. Falo da esquerda que se desresponsabilizou completamente perante a situação actual do país. E eu, que até considero-me de esquerda, jamais apoiaria um partido que face a um eminente naufrágio prefere saltar do barco ao mesmo tempo que vai dizendo que não era ele que estava a comandá-lo. E não era, evidentemente, mas custava assim tanto discutir as medidas de auxílio com as únicas entidades disponíveis para o salvar?O problema político português está nas suas bases. Há na nossa política demasiada cobardia, um carreirismo desbragado, canalhices e tanta, mas tanta, gentinha rasteira. A política devia ser uma escola de carácter, mas infelizmente por cá transformou-se numa coisa próxima da pulhice. Tudo isto porque a maioria destes políticos são completamente incompetentes para andarem pelos seus próprios pés na nossa sociedade, e só conseguem progredir nela, associando-se a partidos. Como há vida depois da política - sobretudo nos altos quadros de uma empresa com relações muito próximas com o estado - para quê o esforço em ter ideias próprias ou ser útil à nação?
Enquanto persistir este tachismo em vez de uma profissionalização apartidária (ainda estou para entender porque não há concursos públicos para todos os responsáveis dos ministérios e respectivas secretarias), enquanto o compadrio prevalecer sobre o currículo, não esperem que as coisas mudem.
quarta-feira, maio 04, 2011
A esperança

Na mesma semana os americanos descobrem (e matam) o principal alvo da "guerra contra o terrorismo" e revelam que se calhar afinal houve OVNIS em Roswell. Isto pode até ser um bom presságio para o aparecimento da Maddie a comer um hamburguer no McDonalds? Ou, vá lá, da minha sweat que se perdeu para aquelas bandas?
sexta-feira, abril 29, 2011
É oficial, somos um país de "barracas" com dois submarinos à porta
Novo submarino chega amanhã a Portugal
O submarino "Arpão", o segundo novo equipamento militar do género para a Marinha portuguesa, chega a Portugal no sábado de manhã.
(Blablabla)... A aquisição dos dois submarinos custou a Portugal cerca de mil milhões de euros.
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