terça-feira, agosto 09, 2011
terça-feira, agosto 02, 2011
segunda-feira, agosto 01, 2011
domingo, julho 31, 2011
Da desolação

Já todos mais ou menos sabemos as consequências económicas da política de subsidiarização do arranque de videiras que reinou, sobretudo nos anos 90, em Portugal. Mas quem viveu ou conheceu a realidade antes dessa época e vive ou conhece a actual, estará em melhores condições para perceber as grandes mudanças. Opto por meter de lado os rácios e estatísticas do antes e do depois e, simplesmente, olhar para as transformações paisagísticas.
A "Quinta do Valongo", em Abrigada, é um bom exemplo disso. Tenho algumas dúvidas se era esse o seu nome oficial, mas pelo menos era assim que o meu pai lhe chamava. Ele como chegou a trabalhar por lá, antes de se ter aventurado com o seu próprio negócio, terá a sua boa dose de credibilidade. Tenho vagas, mas boas, recordações de infância deste local, já que o meu pai, certamente com esperanças que me despertasse o gosto pela agro-pecuária (se assim for, o processo das desilusões começou cedo, coitado!), levou-me, em tempos de "férias grandes", algumas vezes consigo.
Sobretudo naquele tempo, esta quinta, pela sua dimensão e diversidade de negócios, era um mundo à parte. Havia sempre qualquer coisa a acontecer, qualquer coisa para ver e aprender. A começar nos vários currais e no estábulo, passando pelas casas principais (uma mais antiga, que se encontra hoje em ruínas, e outra mais recente) e os anexos, onde se incluía a casa dos caseiros (que também tinham a sua própria criação de animais), mais adiante, a casa dos outros empregados fixos (onde o meu pai trocava de roupa e aquecia o nosso almoço), depois, a grande adega e terminando num pavilhão, que, salvo erro, era onde se criavam aves - isto, de norte para sul. Lembro-me também da imagem das vinhas a perder de vista pelas encostas adjacentes e que começavam mesmo ali ao lado daquelas casas.
Pouco mais de 10 anos depois da empresa Avipor, SA - actual proprietária da quinta - ter aceite o subsídio aprovado pelos ministros da Agricultura da União Europeia para o "grande desenvolvimento do meio rural europeu" (?), o resultado está à vista. Fica uma amostra do que sobreviveu ao "desenvolvimento"... E a desolação.
A "Quinta do Valongo", em Abrigada, é um bom exemplo disso. Tenho algumas dúvidas se era esse o seu nome oficial, mas pelo menos era assim que o meu pai lhe chamava. Ele como chegou a trabalhar por lá, antes de se ter aventurado com o seu próprio negócio, terá a sua boa dose de credibilidade. Tenho vagas, mas boas, recordações de infância deste local, já que o meu pai, certamente com esperanças que me despertasse o gosto pela agro-pecuária (se assim for, o processo das desilusões começou cedo, coitado!), levou-me, em tempos de "férias grandes", algumas vezes consigo.
Sobretudo naquele tempo, esta quinta, pela sua dimensão e diversidade de negócios, era um mundo à parte. Havia sempre qualquer coisa a acontecer, qualquer coisa para ver e aprender. A começar nos vários currais e no estábulo, passando pelas casas principais (uma mais antiga, que se encontra hoje em ruínas, e outra mais recente) e os anexos, onde se incluía a casa dos caseiros (que também tinham a sua própria criação de animais), mais adiante, a casa dos outros empregados fixos (onde o meu pai trocava de roupa e aquecia o nosso almoço), depois, a grande adega e terminando num pavilhão, que, salvo erro, era onde se criavam aves - isto, de norte para sul. Lembro-me também da imagem das vinhas a perder de vista pelas encostas adjacentes e que começavam mesmo ali ao lado daquelas casas.
Pouco mais de 10 anos depois da empresa Avipor, SA - actual proprietária da quinta - ter aceite o subsídio aprovado pelos ministros da Agricultura da União Europeia para o "grande desenvolvimento do meio rural europeu" (?), o resultado está à vista. Fica uma amostra do que sobreviveu ao "desenvolvimento"... E a desolação.










sexta-feira, julho 29, 2011
quarta-feira, julho 27, 2011
Nostalgia com rasgos de camisa de flanela
O aniversário dos 20 anos de uma das mais importantes bandas que nasceram na geração grunge vai ser celebrado, em Setembro, com a estreia do documentário "Pearl Jam Twenty" da autoria de Cameron Crowe, realizador de "Vanilla Sky" e "Quase Famosos" (entre outros filmes mais ou menos populares).
Apesar de não ser propriamente um (grande) fã da banda, também não posso ficar indiferente a uma celebração deste calibre. Sobretudo pela importância que ela teve na minha adolescência, nos primeiros passos da minha "formação musical". Também pelas belas recordações que esses momentos me trazem, como foi descobrir o seu primeiro LP, "Ten", na companhia dos meus amigos da altura.
Há momentos na nossa vida que são tão importantes, que só fazem sentido quando associados a uma grande banda sonora... E o David Lynch quis saber como tudo começou.
Apesar de não ser propriamente um (grande) fã da banda, também não posso ficar indiferente a uma celebração deste calibre. Sobretudo pela importância que ela teve na minha adolescência, nos primeiros passos da minha "formação musical". Também pelas belas recordações que esses momentos me trazem, como foi descobrir o seu primeiro LP, "Ten", na companhia dos meus amigos da altura.
Há momentos na nossa vida que são tão importantes, que só fazem sentido quando associados a uma grande banda sonora... E o David Lynch quis saber como tudo começou.
Pearl Jam: Twenty from Victoria Taylor on Vimeo.
terça-feira, julho 26, 2011
Your pain is no credential here, it's just the shadow, shadow of my wound.
Well I stepped into an avalanche,
it covered up my soul;
when I am not this hunchback that you see,
I sleep beneath the golden hill.
You who wish to conquer pain,
you must learn, learn to serve me well.
You strike my side by accident
as you go down for your gold.
The cripple here that you clothe and feed
is neither starved nor cold;
he does not ask for your company,
not at the centre, the centre of the world.
When I am on a pedestal,
you did not raise me there.
Your laws do not compel me
to kneel grotesque and bare.
I myself am the pedestal
for this ugly hump at which you stare.
You who wish to conquer pain,
you must learn what makes me kind;
the crumbs of love that you offer me,
they're the crumbs I've left behind.
Your pain is no credential here,
it's just the shadow, shadow of my wound.
I have begun to long for you,
I who have no greed;
I have begun to ask for you,
I who have no need.
You say you've gone away from me,
but I can feel you when you breathe.
Do not dress in those rags for me,
I know you are not poor;
you don't love me quite so fiercely now
when you know that you are not sure,
it is your turn, beloved,
it is your flesh that I wear.
sábado, julho 23, 2011
quinta-feira, julho 21, 2011
A ouvir
A acompanhar o belo e último disco dos The Horrors, em matéria de indie pop/rock, tenho ouvido, quase de forma obsessiva, os dois discos de estreia de duas bandas americanas, definitivamente, a não perder de vista. A saber. Enquanto os Hooray for Earth poderão ser uma versão (ainda) mais afropop dos Yeasayer, os Widowspeak assumem a reencarnação perfeita dos Mazzy Star - e como é bom ouvir algo que nos faça recordar a magnífica voz de Hope Sandoval! Portanto não são portadores das "grandes novidades", mas isso não significa que em muitos momentos, quando comparados com as suas influências, não sejam até mais competentes. Antes pelo contrário.
Hooray For Earth - True Loves from Young Replicant on Vimeo.
WIDOWSPEAK - Harsh Realm from George Tanasie on Vimeo.
quarta-feira, julho 20, 2011
Mais um belo dia de Outono aqui pelos arredores de Lisboa...
A grande vantagem de quem por estes dias vai à praia, é que poupa no farnel, pois enche a barriga de areia.
domingo, julho 17, 2011
Minha saudade não larga / Certa casa abandonada. / E sinto, na boca, amarga , / Essa lágrima chorada / Quando a deixei... *
sábado, julho 16, 2011
Fórmula de sucesso para um festival de música de verão: primeiro o lazer, depois a música

Desde o ano em que a costa vicentina foi redescoberta pelos portugueses e passou a fazer parte dos principais destinos de férias de Agosto, ou pelo menos, a principal alternativa ao lotadíssimo Algarve, que associo o Festival Sudoeste a um evento mais social que musical. Mas não parece ser caso único.
Quase parece que foi ontem, mas foi em 1997, a primeira edição do Sudoeste. Memorável: jamais esquecerei, logo na primeira noite, o levantamento de pó inaugural deste festival ao som de "Song 2" dos Blur. Nesse momento pensei que este festival reunia sérias condições para ser o principal festival alternativo português. Bom na altura, também só havia o irregular Vilar de Mouros e o citadino Super Bock Super Rock, o suficiente para defini-los como verdadeiros luxos, comparativamente com a "balbúrdia escaldante e empoeirada" que é o cognome possível para a primeira edição do festival da Zambujeira.
Eu errei nas minhas previsões, o Sudoeste tornou-se no festival mainstream, por excelência. E a "Música no Coração" ganhou a aposta na isolada Herdade da Casa Branca e merece todos os louros provenientes desse facto, mas ainda assim não considero um grande feito. As belas praias da Zambujeira e arredores em sintonia com um dos primeiros fins-de-semana de férias de Agosto fazem uma fórmula mais que eficaz para transformar qualquer evento num sucesso - aliás, há que dizê-lo, uma fórmula idêntica já tinha funcionado no festival de Benicàssim, em Espanha.
Por acaso o nosso até tem The National e Kanye West mas podiam ser (só) quaisquer outros (David Guetta e Swedish House Mafia) e a enchente era a mesma.
Primeiro o lazer, depois a música. Esta característica não me parece tão nítida em alguns festivais que se realizam pela capital e arredores, mas ainda assim parece-me que até aqui este fenómeno tem vindo a desenvolver-se. Por exemplo, logo na primeira edição do Alive, só estranhei a presença de vários elementos do nosso jet set mais glamoroso, até perceber que a sua presença ali se devia menos às rimas dos Beastie Boys do que aos repórteres da Flash e da Caras (que também andavam por lá). Situação esta, repetida no ano passado, no SBSR, em nova noite de enchente, com Prince como cabeça de cartaz.
Pelo que se tem visto, safam-se o Paredes de Coura e o Milhões de Festa e pouco mais. Pelo menos até ao dia em que uma das "Pituxas" desta vida se perder de amores por uma praia fluvial nortenha e espalhar a boa nova pelo facebook.
Quase parece que foi ontem, mas foi em 1997, a primeira edição do Sudoeste. Memorável: jamais esquecerei, logo na primeira noite, o levantamento de pó inaugural deste festival ao som de "Song 2" dos Blur. Nesse momento pensei que este festival reunia sérias condições para ser o principal festival alternativo português. Bom na altura, também só havia o irregular Vilar de Mouros e o citadino Super Bock Super Rock, o suficiente para defini-los como verdadeiros luxos, comparativamente com a "balbúrdia escaldante e empoeirada" que é o cognome possível para a primeira edição do festival da Zambujeira.
Eu errei nas minhas previsões, o Sudoeste tornou-se no festival mainstream, por excelência. E a "Música no Coração" ganhou a aposta na isolada Herdade da Casa Branca e merece todos os louros provenientes desse facto, mas ainda assim não considero um grande feito. As belas praias da Zambujeira e arredores em sintonia com um dos primeiros fins-de-semana de férias de Agosto fazem uma fórmula mais que eficaz para transformar qualquer evento num sucesso - aliás, há que dizê-lo, uma fórmula idêntica já tinha funcionado no festival de Benicàssim, em Espanha.
Por acaso o nosso até tem The National e Kanye West mas podiam ser (só) quaisquer outros (David Guetta e Swedish House Mafia) e a enchente era a mesma.
Primeiro o lazer, depois a música. Esta característica não me parece tão nítida em alguns festivais que se realizam pela capital e arredores, mas ainda assim parece-me que até aqui este fenómeno tem vindo a desenvolver-se. Por exemplo, logo na primeira edição do Alive, só estranhei a presença de vários elementos do nosso jet set mais glamoroso, até perceber que a sua presença ali se devia menos às rimas dos Beastie Boys do que aos repórteres da Flash e da Caras (que também andavam por lá). Situação esta, repetida no ano passado, no SBSR, em nova noite de enchente, com Prince como cabeça de cartaz.
Pelo que se tem visto, safam-se o Paredes de Coura e o Milhões de Festa e pouco mais. Pelo menos até ao dia em que uma das "Pituxas" desta vida se perder de amores por uma praia fluvial nortenha e espalhar a boa nova pelo facebook.
quinta-feira, julho 14, 2011
quarta-feira, julho 13, 2011
My first review kind of
Uma publicação musical inglesa mandou um teenager (e estagiário) assistir a um concerto dos The Horrors e pediu-lhe para escrever uma crítica. O resultado pode ser conferido aqui e é, no mínimo, surpreendente.
(...)
My name is Hugh O’Boyle and I am 15. I have never written a review before, I have only been to two gigs in my life and I live in the not-so-glorious town of South Molton in Devon. Being a huge music fan and admirer of the big city, you could probably guess that my life can get pretty fucking boring at times.
(...)
Undoubtedly, Skying’s ‘Still Life’ goes down incredibly well with the crowd, with its trancey synth, simple snare-drum beats, slow basslines (from the one and only Rhys Webb, with his funky bobbing bass hop) and powerful lyrics. As the chorus comes about, the crowd sway back and forth, almost entirely with their eyes shut, murmuring the words, “When you wake up, when you wake up — you will find me.”
The group’s minimalistic approach on ‘Still Life’ leaves fans in a state of pure relaxation and trippy-ness. As the track finishes, Badwan warns spectators: “Watch out for the lasers, I got one in the eye earlier.”
(...)
Infelizmente nunca vi esta banda ao vivo, mas três factos podem, desde já, ser assegurados:
- "Primary Colors" é um disco fabuloso e o mais recente "Skying", parece-me que segue o mesmo caminho... ;
- "Still Life" tem de facto uma componente transcendental digna de registo - que se deve transformar ao vivo num momento mágico e verdadeiramente especial;
- Este "puto" escreve críticas mais entusiasmantes que muitos veteranos.
(...)
My name is Hugh O’Boyle and I am 15. I have never written a review before, I have only been to two gigs in my life and I live in the not-so-glorious town of South Molton in Devon. Being a huge music fan and admirer of the big city, you could probably guess that my life can get pretty fucking boring at times.
(...)
Undoubtedly, Skying’s ‘Still Life’ goes down incredibly well with the crowd, with its trancey synth, simple snare-drum beats, slow basslines (from the one and only Rhys Webb, with his funky bobbing bass hop) and powerful lyrics. As the chorus comes about, the crowd sway back and forth, almost entirely with their eyes shut, murmuring the words, “When you wake up, when you wake up — you will find me.”
The group’s minimalistic approach on ‘Still Life’ leaves fans in a state of pure relaxation and trippy-ness. As the track finishes, Badwan warns spectators: “Watch out for the lasers, I got one in the eye earlier.”
(...)
Infelizmente nunca vi esta banda ao vivo, mas três factos podem, desde já, ser assegurados:
- "Primary Colors" é um disco fabuloso e o mais recente "Skying", parece-me que segue o mesmo caminho... ;
- "Still Life" tem de facto uma componente transcendental digna de registo - que se deve transformar ao vivo num momento mágico e verdadeiramente especial;
- Este "puto" escreve críticas mais entusiasmantes que muitos veteranos.
segunda-feira, julho 11, 2011
Dubstepish? Também gosto.
Nas últimas semanas a colheita tem sido famosa. Por isso prevejo dias (ainda) mais difíceis para quem ainda tem pachorra para catalogar alguma da melhor actual música "bass" inglesa. Não lhes falta criatividade, do tudo ao molhe e fé no beat: Dubstep/Funky/Dancehall/Wonk-hop/Hypercrunk/Garage, ao muito expressivo: "???????".
Mas há ainda quem opte pela "simplicidade" e escolha, por exemplo, Swedish House Mafia. Pois aqui o nome não engana: são suecos, produzem House para as massas e já se dão ao luxo de ser cabeças de cartaz de um dos nossos festivais de verão. O que uma boa "Mafia" não faz?
Deadboy - HERE (Preview) by Numbers
Silhouette / Reset [AUS1134] by George FitzGerald
Ossie - Set The Tone (Hyperdub) by BOILER ROOM
Voltron - Be For Real (128 kbps) by Voltron
502:003 Teeth - Shawty/Shawty [FaltyDL Remix] by 502 Records
Mas há ainda quem opte pela "simplicidade" e escolha, por exemplo, Swedish House Mafia. Pois aqui o nome não engana: são suecos, produzem House para as massas e já se dão ao luxo de ser cabeças de cartaz de um dos nossos festivais de verão. O que uma boa "Mafia" não faz?
Deadboy - HERE (Preview) by Numbers
Silhouette / Reset [AUS1134] by George FitzGerald
Ossie - Set The Tone (Hyperdub) by BOILER ROOM
Voltron - Be For Real (128 kbps) by Voltron
502:003 Teeth - Shawty/Shawty [FaltyDL Remix] by 502 Records
sexta-feira, julho 08, 2011
quarta-feira, julho 06, 2011
As ricas ANAlogias de um cronista
terça-feira, julho 05, 2011
81-11
Os Depeche Mode têm um novo disco de remisturas. Um não, três! Olhando só para a (quase) infinita lista de 37 faixas não deve ser dos melhores incentivos para pegar neste triplo-CD, apesar de contar com a presença de nomes da "electrónica de vanguarda" dos dias de hoje. A verdade é que à medida que se vai escutando faixa-a-faixa, acaba-se por descobrir que as grandes surpresas aparecem onde menos se espera. Alguns exemplos:
A fechar o lote, esta pede o volume no máximo:
domingo, julho 03, 2011
A infidelidade manter-nos-á juntos
Mesmo não concordando com algumas opiniões deste cronista do NYT, recomendo este artigo. As infidelidades, secretas ou consentidas, serão sempre um tema polémico e interessante para reflectir.
...
In some marriages, talking honestly about our needs will forestall or obviate affairs; in other marriages, the conversation may lead to an affair, but with permission. In both cases, honesty is the best policy.
...
Treating monogamy, rather than honesty or joy or humor, as the main indicator of a successful marriage gives people unrealistic expectations of themselves and their partners. And that, Savage says, destroys more families than it saves.
...
We all have many sensitive spots, but one of the most universal is the fear of not being everything to your partner — the fear, in other words, that she might find somebody worthier. It is the fear of being alone.
...
(uma boa questão)
But for many women, and not a few men, there is no such thing as “just sex,” for their partners or for themselves. What if a woman, or a man for that matter, looks outside marriage for the other emotional satisfactions that come along with sex?
(e parte de um comentário realista)
Until the word slut has been flensed from the language, until women are not threatened by their former partners, this kind of arrangement will always be a case of male privilege in progressive clothing.
...
In some marriages, talking honestly about our needs will forestall or obviate affairs; in other marriages, the conversation may lead to an affair, but with permission. In both cases, honesty is the best policy.
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Treating monogamy, rather than honesty or joy or humor, as the main indicator of a successful marriage gives people unrealistic expectations of themselves and their partners. And that, Savage says, destroys more families than it saves.
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We all have many sensitive spots, but one of the most universal is the fear of not being everything to your partner — the fear, in other words, that she might find somebody worthier. It is the fear of being alone.
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(uma boa questão)
But for many women, and not a few men, there is no such thing as “just sex,” for their partners or for themselves. What if a woman, or a man for that matter, looks outside marriage for the other emotional satisfactions that come along with sex?
(e parte de um comentário realista)
Until the word slut has been flensed from the language, until women are not threatened by their former partners, this kind of arrangement will always be a case of male privilege in progressive clothing.
quinta-feira, junho 30, 2011
Tornamo-nos impiedosos sensores de nós próprios

Se não tivesse claras influências dos mais recentes subgéneros (re)nascidos da união perfeita entre o post-punk e a musica electrónica, sejam o synth-wave ou o lo-fi - este senhor até recentemente colaborou com Ariel Pink's Haunted Graffiti e tudo! - até diria que o novo disco de John Maus (We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves) podia ter sido criado há 30 anos atrás. O que mudou desde essa altura? Desde desses últimos dias de vida terrena de Ian Curtis? Isso: entre outras coisas, tornamo-nos impiedosos sensores de nós próprios.
John Maus - Quantum Leap by RibbonMusic
segunda-feira, junho 27, 2011
domingo, junho 26, 2011
The thin green line
A meteorologia deste fim-de-semana ditou-me que o melhor lugar para se estar é no mar, ou melhor ainda, sobre ele. Flutuando sobre a gelada água do Atlântico, simultaneamente, encarando este escaldante sol de início de verão. Ali no meio-termo, onde as sensações não podiam ser mais díspares.No fim de contas, o meu maior desafio pode ser mesmo esse: tirar o máximo prazer no contacto com os extremos, sem afundar-me.
quarta-feira, junho 22, 2011
Eu sobrevivi ao SNS!

Nas próximas linhas tento descrever a minha mais recente aventura em pleno Serviço Nacional de Saúde.Acedendo ao pedido de minha mãe, acompanhei-a a uma consulta ao URAP - Centro Oftalmológico de Lisboa no início desta semana. Facilmente localizei o edifício de oito andares onde está inserido o referido "Centro", pois apesar de passarem pouco minutos depois das oito da manha, já se concentrava junto a ele uma fila de pessoas que ultrapassava aquele quarteirão. Mais próximo do horário de abertura do edifício (8:30) aparece o segurança que começou a questionar se "é para oftalmologia?", e se a resposta fosse afirmativa entregava uma senha numerada. A minha mãe foi "sorteada" com a senha 10!? Portanto, deduzimos, tínhamos 110 pessoas à nossa frente. Isto dá uma boa noção do número de pacientes e acompanhantes que minutos depois acotovelavam-se junto a dois elevadores com capacidade limitada a 6 pessoas cada. Tinha alguma esperança que parte desta aglomeração se dispersasse pelos vários andares do edifício - os primeiros são ocupados pela especialidade de Dermatologia - mas ao chegar ao 5º andar, a desilusão não podia ser maior: uma sala de espera repleta de pessoas, os lugares sentados já totalmente ocupados e o pouco espaço livre disponível (em pé) só se encontrava junto ao balcão, que uma das empregadas que se encontrava por trás deste, fazia questão em manter: "Ao pé do balcão só fica quem eu chamar pela senha!" (ouvia-se de tempos em tempos).
A hora de ponta deste serviço era contínua, pois o número de pessoas que iam sendo vagarosamente despachadas por uma funcionária que ia confirmando (com cada uma das chamadas) a morada, o contacto telefónico, etc, estava muito longe de alcançar o número de novos pacientes que chegavam a este piso e que retiravam senha. Um determinado momento foi especialmente atribulado e até algo cómico, quando a senhora chamou um número e surgem no balcão dois pacientes com uma senha idêntica, só a letra inicial as distinguia - logo, um deles teve que esperar mais um pouco (100 pacientes) para ser atendido!
A espera foi longa até ao momento em que surge em cena uma nova funcionária a queixar-se (às duas colegas que estavam no balcão) de que uma das médicas do "7º piso" já se lamentava de estar parada à espera de pacientes... Investindo na sua destreza quase soberana, vira-se para o "povo" e pede: "Quero cinco pessoas isentas para consultas de oftalmologia já aqui depressa ao pé de mim!". E a confusão voltou a instalar-se naquela sala de espera que ainda transbordava (im)pacientes por todos os lados. O lado positivo deste episódio é que vagou alguns lugares (das pessoas que subitamente assaltaram o balcão) e finalmente consegui sentar-me. Conferi o relógio: eram 12:28. Parece que a prova de resistência física foi superada. Já a psicológica não tinha tantas certezas...
Algumas senhas depois, finalmente ouvimos o número correspondente à senha da minha mãe. Ela deslocou-se logo ao balcão. Acabei por fazer o mesmo assim que a funcionaria lhe diz: "O Dr. Henrique não está… Portanto vai ter que ir ao 7º piso… Para marcar nova consulta." Ainda calmo questionei: "E estiveram à espera que chegasse a vez da minha mãe para lhe dar a novidade?". Mesmo continuando sem repostas, não desisti das perguntas: "Para que fazem tanta questão em pedir e confirmar contactos telefónicos se não os usam?". A confusão continuava a imperar naquele local e percebi, nesse momento, que a minha exaltação não teria quaisquer efeitos práticos.
Subimos ao 7º andar. Nova sala de espera, esta praticamente vazia. Num canto, junto a uma mesa, encontrava-se uma funcionária que, por entre dúvidas de pacientes e apelos dos médicos, tentava encontrar alguma ordem nos seus papéis. Passados alguns minutos conseguimos obter a sua atenção e o diálogo que se seguiu foi o seguinte:
- Diga!
- A minha mãe tinha uma consulta marcada hoje... Para o Dr. Henrique…
- O Dr. Henrique não veio!
- Já sei.
- Então e o que quer que lhe faça? - Estas palavras ipsis verbis.
- Que alguém tivesse nos avisado? Não evitava uma viagem de mais de 100 Km mas pelo menos não se perdia mais de 4 horas de espera...
- Não fazemos isso! O Senhor Doutor tem poucos pacientes…
- Mais uma razão para nos ter avisado. Enfim… Parece que nos resta uma nova marcação… Pode ser?
- Pode. Deixe-me aqui ver…
Entretanto pega numa agenda, salta várias paginas e…
- Dia 20 de Setembro, oito e meia... Quinto piso.
Por mais estranho que deva parecer, quando alguém acede a um serviço público gratuito (ou semi-gratuito) de saúde já vai minimamente consciente dos obstáculos que vai encontrar. Deve ser essa a razão que leva as pessoas a acomodarem-se perante tanta incompetência e, pior, falta de respeito. No entanto, o sentimento de derrotismo e a infinita tristeza estampada nas caras dos idosos que passam por estes suplícios são a melhor prova de que algo está a falhar. Perante os infinitos números das listas de espera, parece que sobra muito pouco tempo para uma organização mais eficiente deste Serviço Nacional de Saúde, quanto mais para pensar na dignidade da pessoa humana.
domingo, junho 19, 2011
Do céu de Copenhaga
Os santos viram máquina mas a sua essência está toda lá. É uma das conclusões que retiro da audição de "Konkylie", o segundo álbum dos dinamarqueses When Saints Go Machine.
As vozes são angelicais e não perdem o seu poder sedutor com a introdução da electrónica ("maquina"). Pelo contrario: ganham ritmo e vigor, logo suponho que se trata de uma combinação perfeitamente planeada no céu para ser concretizada na terra.
Se a música de Antony Hegarty fosse produzida pela melhor electrónica escandinava, dos The Knife a Trentemøller, o resultado também não andaria muito longe disto.
As vozes são angelicais e não perdem o seu poder sedutor com a introdução da electrónica ("maquina"). Pelo contrario: ganham ritmo e vigor, logo suponho que se trata de uma combinação perfeitamente planeada no céu para ser concretizada na terra.
Se a música de Antony Hegarty fosse produzida pela melhor electrónica escandinava, dos The Knife a Trentemøller, o resultado também não andaria muito longe disto.
sexta-feira, junho 17, 2011
quarta-feira, junho 15, 2011
O chefe da máfia que usava batom

No seguimento do post anterior, e para tentar entender melhor esta estranha tolerância da máfia napolitana ao mundo das sexualidades alternativas, regresso a Fevereiro de 2009 para recordar uma outra captura policial. Desta vez trata-se de Ugo Gabriele, mais conhecido por "Ketty", segundo os relatos da altura: o primeiro chefe da máfia transexual. Tinha 27 anos e era responsável pela rede de prostituição e de tráfico de drogas da zona do aeroporto.
Face ao enorme peso cultural do movimento "Femminiello" em Nápoles ninguém devia ficar surpreendido. Pois no fundo, Ketty é apenas uma amostra do resultado do cruzamento das influências do transexualismo "underground" napolitano (que quase desde sempre esteve associado à prostituição) com a Camorra.
Como disse, por esses tempos, o investigador (e escritor) Luigi Romolo Carrino: "There is a lot more homosexual activity in the Mob than you think but it is very discreet." Eu acrescentava: no "Mob" e em quase todo o lado.
Face ao enorme peso cultural do movimento "Femminiello" em Nápoles ninguém devia ficar surpreendido. Pois no fundo, Ketty é apenas uma amostra do resultado do cruzamento das influências do transexualismo "underground" napolitano (que quase desde sempre esteve associado à prostituição) com a Camorra.
Como disse, por esses tempos, o investigador (e escritor) Luigi Romolo Carrino: "There is a lot more homosexual activity in the Mob than you think but it is very discreet." Eu acrescentava: no "Mob" e em quase todo o lado.
Código de honra
(...) No caminho para o carro da polícia, Salvatore d´Amico abraçou e beijou um parente na boca. O beijo íntimo sela um código de honra muito comum na máfia napolitana.
Entre outros pormenores, não deixa de ser interessante constatar a radical diferença no significado de um beijo na boca para a "velhinha" Cosa Nostra (máfia siciliana) e para os "liberais" e "modernos" mafiosos da Camorra (napolitana).
segunda-feira, junho 13, 2011
quarta-feira, junho 08, 2011
O caso do congressista que gostava de ser público qb



Anda por aí esse recente escândalo que envolve o congressista americano Anthony Weiner, um homem público com esse passatempo tão privado: o engate virtual. Este consistia na mera troca de fotos e mensagens ousadas com mulheres que não a sua. Algumas destas fotos revelam o rosto e chega mesmo a identificar-se (como cidadão com um cargo publico que é). Agora, depois de ter negado e ter inventado a enésima história do hacker muito apropriada as circunstâncias, diz-se muito surpreendido pelo caso ter vindo a público...
Portanto dá jeito ser figura publica para facturar (ainda que virtualmente) umas brasas, quando a coisa dá para o torto (conclui-se por essa última foto que ele fez mesmo questão de o mostrar, literalmente) surge automaticamente o discurso do "parem lá de dissecar a minha vidinha privada, ok?".
Portanto dá jeito ser figura publica para facturar (ainda que virtualmente) umas brasas, quando a coisa dá para o torto (conclui-se por essa última foto que ele fez mesmo questão de o mostrar, literalmente) surge automaticamente o discurso do "parem lá de dissecar a minha vidinha privada, ok?".
terça-feira, junho 07, 2011
segunda-feira, junho 06, 2011
Jamie XX
Depois do surpreendente disco de remisturas de "I'm New Here", do recentemente falecido poeta/musico Gil Scott-Heron, Jamie Smith vê finalmente editado pela Numbers um dos seus singles.
Perdemos, temporariamente, uma auspiciosa banda indie pop (The XX) e ganhamos um excelente produtor musical e, se não um dos singles do ano, dois hinos para o nosso verão. Nada mau.
Perdemos, temporariamente, uma auspiciosa banda indie pop (The XX) e ganhamos um excelente produtor musical e, se não um dos singles do ano, dois hinos para o nosso verão. Nada mau.
Jamie xx - Far Nearer (limited vinyl & download out now - http://farnearer.com) by Numbers
Jamie xx - Beat For (limited vinyl & download out now - http://farnearer.com) by Numbers
quinta-feira, junho 02, 2011
Um (Senhor) contra todos
quarta-feira, junho 01, 2011
terça-feira, maio 31, 2011
Eu ostracizo, tu ostracizas
Depois do aviso da polícia moscovita, o arraial gay de Moscovo do fim-de-semana passado já estava predestinado a dar "molho". Mas a novidade dos acontecimentos não esteve tanto na dispersão e nas detenções de manifestantes - como os media 'tugas limitaram-se a despachar em quatro ou cinco linhas - mas na parte em que afinal a polícia contou com a ajuda dos grupos de neonazis. E estes até já tinham andado a treinar recentemente... Contra os organizadores de um "flash mob"!
We witnessed a high level of fraternisation and collusion between neo-Nazis and the Moscow police. I saw neo-Nazis leave and re-enter police buses parked on Tverskaya Street by City Hall
Our suspicion is that many of the neo-Nazis were actually plainclothes police officers, who did to us what their uniformed colleagues dared not do in front of the world’s media. Either that, or the police were actively facilitating the right-wing extremists with transport to the protest.
Setenta anos depois da invasão da União Soviética por parte das tropas de Hitler, as mais altas instâncias russas dão claros sinais de que os seus antepassados, que heroicamente resistiram às investidas alemãs, estavam errados: pois parece que ser nazi é que é fixe! E esta não é a primeira vez que o Kremlin demonstra uma relação tão "confraternizadora" com a extrema-direita russa.
Entretanto, por cá, voltamos à campanha.
Durante a visita ao mercado, José Pinto Coelho queixou-se ainda que o seu partido é alvo de "ostracização" da comunicação social e acusou a RTP1 de "discriminação".
Afinal é algo bem mais perigoso que a "discriminação", é a indiferença. Seja para o JPC dizer pela enésima vez que o nosso mal está na perda da soberania nacional e que a solução está em mandar os pretos e os brasileiros para a terra deles, seja para revelar como os neonazis progridem no leste europeu. Como digo, o perigo é essa indiferença ou, melhor, reside no facto da comunicação social portuguesa não entender a distância cósmica que separa a relevância destas duas matérias jornalísticas.
Mas enfim, se a RTP1 e os media em geral são os nossos neonazis ...
We witnessed a high level of fraternisation and collusion between neo-Nazis and the Moscow police. I saw neo-Nazis leave and re-enter police buses parked on Tverskaya Street by City Hall
Our suspicion is that many of the neo-Nazis were actually plainclothes police officers, who did to us what their uniformed colleagues dared not do in front of the world’s media. Either that, or the police were actively facilitating the right-wing extremists with transport to the protest.
Setenta anos depois da invasão da União Soviética por parte das tropas de Hitler, as mais altas instâncias russas dão claros sinais de que os seus antepassados, que heroicamente resistiram às investidas alemãs, estavam errados: pois parece que ser nazi é que é fixe! E esta não é a primeira vez que o Kremlin demonstra uma relação tão "confraternizadora" com a extrema-direita russa.
Entretanto, por cá, voltamos à campanha.
Durante a visita ao mercado, José Pinto Coelho queixou-se ainda que o seu partido é alvo de "ostracização" da comunicação social e acusou a RTP1 de "discriminação".
Afinal é algo bem mais perigoso que a "discriminação", é a indiferença. Seja para o JPC dizer pela enésima vez que o nosso mal está na perda da soberania nacional e que a solução está em mandar os pretos e os brasileiros para a terra deles, seja para revelar como os neonazis progridem no leste europeu. Como digo, o perigo é essa indiferença ou, melhor, reside no facto da comunicação social portuguesa não entender a distância cósmica que separa a relevância destas duas matérias jornalísticas.
Mas enfim, se a RTP1 e os media em geral são os nossos neonazis ...
sábado, maio 28, 2011
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