quinta-feira, janeiro 05, 2012

Acho que eles vão recuar uns 60 anos só para chatear a União Europeia

Um dos 27 membros da União Europeia, alterou a constituição, cerceou algumas liberdades e garantias e colocou todos lugares de influência nas mãos de amigos do primeiro-ministro Orban. A Hungria apagou a República da bandeira e explicou a Bruxelas que o não vai fundir o banco central com mercados reguladores até 2013. (...)

O primeiro-ministro da Hungria Viktor Orban e as suas mudanças regressivas está a deixar a Europa à beira de um ataque de nervos.
Tive a analisar o currículo do tal novo “Salazar” húngaro e descobri que o partido que ele criou e continua a pertencer, o Fidesz, começou por estar integrado na Internacional Liberal (rede de partidos liberais, onde se inclui o liberalérrimo Progressive Party islandês), mas nos anos 90 inverteu radicalmente de posição, tornando-se no partido conservador de centro-direita que é hoje. Isto tudo para dizer que se há pessoa que não devia ficar surpreendida, e até, quem sabe, identificar-se, com este "tornado de mudança" é o senhor presidente da comissão europeia, ex-primeiro ministro português, doutor Durão Barroso.

São muitas as alterações à constituição húngara, que até já era uma das mais conservadoras na Europa, e há várias que podia destacar, mas fico-me por uma.
Imagine que se deram ao trabalho de incluir uma lei que obriga a incluir a preparação para a vida familiar no currículo escolar! Até já estou a imaginar um bom exemplo:

(...)
Aptidões e competências sociais:
- Depois de fazer os deveres, sento-me no sofá ao lado do meu pai a ver a TV estatal, enquanto a minha mãe está na cozinha desde as 8 da manhã a preparar as refeições do dia;

Aptidões e competências técnicas:
- Já ando a treinar a copulação com a Vanessa da minha turma; também já treinei com o José, só para evitar a criação de fetos que são tão humanos quanto eu e o meu pai (já a minha mãe...) ;
(...)

terça-feira, janeiro 03, 2012

A incoerência de um certo moralismo

Nas últimas semanas o País foi invadido pela foto de um cadáver nu de uma mulher horrivelmente espancada. Em revistas, outdoors, até no exterior de autocarros todo o Portugal foi confrontado com esta imagem de terrível violência. Quem terá feito tal barbaridade à pobre senhora? Não só os golpes mas a suprema infâmia de ser exposta desta forma inqualificável?

Aquela infeliz deve ter tido uma vida difícil, sofreu morte horrível, mas nem depois de morta conseguiu o respeito mínimo devido ao ser humano, sendo vergonhosamente explorada. Com a cara visível, identificável por conhecidos, a desgraçada sofreu uma das sortes mais lastimáveis. Até nos filmes violentos os cadáveres costumam ser tapados, filmados lateralmente, ao menos com a cara coberta. Aqui a obscenidade e degradação não conheceram limites, nem sequer na divulgação. Em todo o lado e circunstância, todo o País, incluindo crianças e pessoas impressionáveis, é forçado a contemplar esta imagem sumamente repulsiva.



O que mais me surpreende é o autor deste manifesto pro-outdoors-só-com-imagens-bonitinhas, suprassumo da moralidade portuguesa e economista nas horas vagas, nunca ter escrito (pelo menos que eu tivesse lido) uma linha sobre as imagens “pouco católicas” que abundam (nunca tal palavra foi tão bem empregue) as páginas de anúncios eróticos do diário (entre outros) para qual escreve. As “crianças e as pessoas impressionáveis” não vêem as páginas centrais dos jornais ou o Código da Publicidade é mais importante que o Código Penal (Artigo 170.º - Lenocínio)?
Pensando melhor, isto não me devia surpreender assim tanto, já que “não há almoços grátis”.

terça-feira, dezembro 27, 2011

E a ANACOM vai ficar pelas habituais ameaças de processos, não vai?

Já não é novidade para ninguém que as principais operadoras de TV por cabo/satélite/fibra/e mais uns biscates (como a ZON e a MEO), desde que a "febre" do TDT começou, tentam vender os seus pacotes clássicos, como se fosse a única solução possível para ver TV a partir de Janeiro.
Recorrendo ao método da desinformação, estas operadoras escolhem a população mais idosa, com menos recursos e menos desprovida de conhecimentos sobre o assunto, como principal público-alvo para a sua campanha de angariação de novos clientes. Isto só revela o nível de ética destas empresas: da sarjeta, lado-a-lado com as suas cablagens.

Esta escova de sanita

Aquela máquina

quinta-feira, dezembro 22, 2011

É do carteiro?

Boas festas?

<a href="http://www.grapheine.com/mairie-de-paris-f43.html" title="unicase">web papeterie</a>

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Porquê?

"Mistérios de Lisboa", de Raúl Ruiz, acaba de ser eleito o melhor filme estrangeiro pela Academia da Imprensa Internacional. Isto depois de ter recebido a Concha de Prata na edição do ano passado do Festival de San Sebastián, o Prémio da Crítica na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2010) , o Prémio Louis Delluc para melhor filme (também em 2010) e mais recentemente premiado pela Associação de Críticos de Toronto, pela Associação de Críticos de Nova Iorque e, agora que o filme estreou no Reino Unido com excelentes críticas, não deve faltar muito, para que o reconhecimento se torne oficial também por aqueles lados. Em suma, “Mistérios de Lisboa” tem sido alvo de um reconhecimento internacional sem precedentes na carreira de um filme nacional.

No passado mês de Setembro, a Secretaria de Estado da Cultura escolheu para representar Portugal na corrida ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro o documentário “José e Pilar”.

Se Portugal jogasse no Euromilhões, era como eu: não acertava uma.

Kim Jong-Un levará a Coreia do Norte a uma maior abertura internacional...


... e já demonstrou algum interesse por um "produto" nacional. Nada contra, antes pelo contrário. Só se estraga um país.

sábado, dezembro 17, 2011

Tudo sobre o meu filho

Um filme que explora a (explosiva) combinação do amor incondicional com o ódio irracional, até podia resultar num argumento banal, se os seus protagonistas não fossem uma mãe e o respectivo filho!

Mas este “We Need to Talk About Kevin” tem muito mais que dois personagens complexos (convém acrescentar que nada disto resultaria tão bem se as respectivas interpretações – a de Tilda Swinton e a dos dois actores que ao longo do filme fazem de seu filho - não fossem tão fabulosas como o são). A montagem é perfeita: as ligações do presente com os flashbacks ajudam a aumentar o suspense para a inevitável "calamidade" final. Os planos fixos, acompanhados pelo silêncio como banda sonora, intensificam ainda mais toda a intensidade do drama. Os diálogos são curtos mas profundos. Há uma preocupação desmesurada pelos pequenos pormenores - um deles é a cor vermelha. Parece que a realizadora estava a tentar preparar-nos, logo desde a primeira cena na La Tomatina - com o vermelho a dominar esta conhecida festa do tomate de Buñol - para o pior. Puro engano. A chacina não é mostrada e vê-se subtilmente os seus resultados. Lembram-se de “Elephant” do Gus Van Sant? E mais não digo.

Por isto e muito mais, este filme poderá ser uma desilusão para quem o procura com expectativas de ser mais um thriller com muita acção e sangue à mistura. Aqui nem a arma do crime é convencional, quanto mais o seu móbil.

Um dos melhores filmes da temporada, sem qualquer dúvida. Portanto, provavelmente, mais um para a malta do ípsilon poupar nas estrelas.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Silêncio, que se vai ver um filme!


Um dos filmes mais premiados pela crítica norte-americana, em tempos de balanço de 2011, é uma obra muda e a preto e branco. Numa época de exaltação do 3D e aperfeiçoamento do surround, este facto só vem demonstrar que a crítica faz tudo para ser contracorrente. E ainda bem.

Call of Duty @ Via do Infante

sábado, dezembro 10, 2011

Quinze aninhos e já canta como gente grande... e indie





Birdy venceu em 2008 um concurso britânico de novos talentos e no mês passado lançou o seu primeiro álbum, onde incluiu estas e outras versões de temas de bandas indie, como os The XX e Animal Collective.

terça-feira, dezembro 06, 2011

Pois não deves ser

Há um ano atrás...

Há poucas semanas atrás a Media Markt (MM) lançou mais uma das suas campanhas de sucesso: em qualquer compra, abate directo do valor do IVA. Tal como nas edições anteriores, houve enchentes por tudo o que era superfície comercial MM (sobretudo na região de Lisboa) e filas intermináveis nas respectivas caixas de pagamento. Parece-me certo que uma boa parte daqueles sedentos consumidores deve ter ido iludida com um suposto desconto directo de 23% (IVA), quando o valor deduzido era (só) o do imposto - o que não são exactamente a mesma coisa, basta fazer as contas: num produto que custa 100 euros, um desconto de 23% daria 23 euros, mas o desconto pelo seu valor do IVA dá 18,70€ [VP*(1-1/(1+%IVA))], ou seja, 18,70%. Mas não deixa de ser um bom desconto, é certo.

Na passada sexta-feira, a MM lançou outra campanha de arromba: máquina de café Nespresso, a 22 euros por unidade! Pelo que me contaram, outro sucesso, outra enchente. Mas desta vez as filas eram só de inscrição para reservar o produto, pois consta que o fornecedor não conseguiu entregar a encomenda das máquinas a tempo (?) e estariam a adiar a entrega para o dia seguinte. Chegado a um certo número de reservas, deixaram de aceitar inscrições e aconselhavam o regresso no próximo dia, “logo às 10 da manhã”, para conseguir mais hipóteses de alcançar qualquer sobra ou desistência. Portanto, no sábado, deduzo: casa cheia outra vez!

Tudo isto faz-me questionar se a verdadeira intenção da MM é vender ou organizar multidões. Até aquele famoso slogan sugere-me dúvidas. De facto, podes até nem ser parvo, mas seguramente que és um "bocadinho" masoquista.