



























O Daily Mail, no meio da trapalhada (em forma de jornalismo) a que já nos habituou, acaba por conseguir uma resposta convincente:
Empresa das «pulseiras do equilíbrio» arrisca 42 milhões de multa
É já perguntam: “por onde andam agora os defensores das Pulseiras de Equilíbrio”?
Eu respondo. Não andam. Porque estão desequilibrados. E assim estarão, pelo menos, até eu criar o Colar da Estabilidade. Este colar vai ter três hologramas quânticos - a pulseira do outro só tinha duas, e é só por essa razão que aquilo é um embuste, porque toda a gente sabe que todos temos partes do nosso corpo com uma certa inclinação para um dos lados, logo tem que se criar um contrapeso... dah! - que achei ali para os lados da praia de Carcavelos e em que as suas frequências interagem naturalmente com o campo electromagnético do corpo humano. Alguém quer fazer já uma reserva? Aproveitem a promoção de lançamento do produto: na compra dos 100 primeiros colares, ofereço um Brinco da Harmonia*.
*Recomendo a compra de pelo menos dois colares, porque não me responsabilizo se sentirem desequilibrados com o uso de um só brinco.
M83 - Wait from Boris Winter on Vimeo.
Filha de Coelho com 2300 €/mês

O homem que era só metade.
Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo.
Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas.
Via-se metade ao espelho e achava tudo demasiado breve, precipitado, como se as coisas lhe fugissem, a esconderem-se para evitar a sua companhia. Via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios como os precipícios ou poços fundos. Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade.
Para dentro do homem o homem caía. (...)
Este “Work (work, work)” vem com um “press release” que o descreve mais ou menos como: "um estudo do desejo e submissão, sentimentalismo e disforia". Concordando e exemplificando, diria que esta podia ser a melhor música para se ouvir num qualquer clube mais “underground” ou em qualquer outro lugar, onde tudo o que vai acontecendo à nossa volta faz-nos facilmente perder toda a noção do tempo... Ou o disco que David Lynch - se não tivesse muito ocupado a promover o seu primeiro LP, que está prestes a sair - iria adorar descobrir... Ou o disco com que a Pitchforkmedia e a respectiva credibilidade enterraram-se ainda mais ao darem-lhe, numa escala de 0 a 10, uns míseros cinco e qualquer coisa valores.
HTRK - "Synthetik" from Ghostly International on Vimeo.
College feat. Electric Youth - A Real Hero from ozan kazandere on Vimeo.
College "She Never Came Back" featuring Electric Youth from THISTIME on Vimeo.
Câmara de Barcelos aprova manutenção dos subsídios de férias e de Natal para funcionários
Para estas coisas fazem questão em demarcar-se do resto do país. Parece que apostaram num sector (têxtil) que já teve melhores dias e acham que essa é razão mais que suficiente para lhes dar a tal excepção. Mas isso só demonstra como não conhecem - nem querem conhecer - as outras realidades do país.
Para outras, sobretudo quando a tal verba ou o subsidiozinho tarda em chegar, é vê-los, danados, a bordo do seu topo de gama a caminho da capital.
Future Islands - Give Us the Wind from Thrill Jockey Records on Vimeo.

Assumir que as nossas diferenças, desigualdades e desejos sexuais não são assentes apenas nas características fisiológicas ou do inconsciente, deslocando-os da natureza e reconhecendo-os na sociedade, demanda um exercício de revisão profunda da moralidade ocidental na qual estamos inevitavelmente submersos.
A pornografia e o grotesco evocam um prazer específico: o prazer da confusão de valores e padrões, da transgressão estética e sexual. O prazer de colocar em cena aquilo que se pressupõe que estivesse “fora de cena”*.
* “Obsceno” deriva do latim “scena”, significa o que deveria estar “fora de cena”
Isto e muito mais na edição zero da nova e interessante revista (in)visível. Este número é exclusivamente dedicado à pornografia.
Troco pelas seguintes raças
Periquitos
Canarios
Mandarins
Caturras
Roseicoilis
Ring neck adultos
Alexandrinos Adultos
Diamantes gould com muda feita
Diamantes Estrelas
Diamantes papagaios
Papagaios cinzentos de cauda vermelha

Enquanto o anterior, “In Evening Air”, apresentava vários e excelentes momentos do lado mais dançável do new-wave e synth-pop. “On the Water”, é bem mais moderado nesse lado mais físico - se bem que ainda assim tem o brilhante single “Balance” para matar algumas saudades – mas não deixa de ser um álbum (emocionalmente) contagiante. Portanto, tudo leva a crer que num ano, os Future Islands amadureceram.
Esse nítido crescimento intelectual da banda também se justifica por estarmos perante um disco mais calmo, seguro e introspectivo. E uma autêntica experiência emocional: assim que os sintetizadores chegam-nos aos ouvidos, a nostalgia vai-nos, lentamente, preenchendo a alma.
You can change your life
It just takes time
A little trust and your time




A combinação quase perfeita entre uma versão moderna da fábula d’”a rã e o escorpião”, algumas perseguições de carros que não envergonhariam Luc Besson e a música synth-pop, resultam surpreendentemente num dos melhores thrillers que vi este ano.
O melhor de “Drive” também passa pela criação de um herói (Ryan Gosling) com características invulgares. O seu carácter calmo, introspectivo,... e de palito entre os dentes, dá todo o carisma que um filme de acção em slowmotion - como este por vezes pretende ser - precisa. Depois também há uma bonita relação platónica pelo meio, onde a química resulta mais pelos olhares do que pelos escassos diálogos.
Esqueçam tudo o que viram (ou não) em produtos de temática semelhante, mas ocos na sua substância, aka “The Fast and The Furious” e afins. Aqui a tensão é mesmo real e este realizador dinamarquês soube gerir o tempo e o espaço, como raramente se vê em filmes do género. “Drive” é, sobretudo visualmente, uma obra arrebatadora.