Ainda estou à espera de ouvir dizer que a economia mundial está em mau estado por causa de um gordo, tão inteligente quanto alienado, que ficou com parte dos "mega"-lucros das companhias discográficas.
Agora que se percebeu o verdadeiro potencial financeiro do download, seria esta a melhor altura para reorganizar todo o sistema de distribuição de música e torná-lo mais favorável a quem de direito: o autor/criador. Mas não, parece que vamos continuar com a guerrinha "anti-pirataria" que só pretende beneficiar quem a começou - os mesmos que achavam que a iam vencer com um CD anti-cópia.
Venho por este modesto meio pedir aos senhores da SOPA, da PIPA e da POPOTA que adiassem esse tão desejado armagedão cibernético para daqui a mais uns tempos. Do género: para quando fazerem um mínimo esforço para baixar os preços dos CDs, ou para quando não tivermos que esperar um ano pela estreia de um filme nas salas portuguesas (se é que chega estrear) ou esperar que um canal nacional de TV decida adquirir séries de jeito e que não as coloque às 4 da manhã. Até lá, parece-me prematuro.
O disco de estreia da banda que vem fazer a primeira parte de M83 no próximo mês de Março ao Hard Club, no Porto, e ao Lux, em Lisboa, é uma das boas surpresas deste início de ano. "Strange Weekend" sai já para a semana e, certamente, ainda vamos ouvir falar muito dos Porcelain Raft.
... não estaria na altura de perguntar a essa malta que parece também estar muito bem representada na nossa Assembleia da República, se, no role de interesses que pretendem servir a sua irmandade, sobra algum espaço/tempo para os interesses do seu eleitorado?
O primeiro-ministro da Hungria Viktor Orban e as suas mudanças regressivas está a deixar a Europa à beira de um ataque de nervos. Tive a analisar o currículo do tal novo “Salazar” húngaro e descobri que o partido que ele criou e continua a pertencer, o Fidesz, começou por estar integrado na Internacional Liberal (rede de partidos liberais, onde se inclui o liberalérrimoProgressive Party islandês), mas nos anos 90 inverteu radicalmente de posição, tornando-se no partido conservador de centro-direita que é hoje. Isto tudo para dizer que se há pessoa que não devia ficar surpreendida, e até, quem sabe, identificar-se, com este "tornado de mudança" é o senhor presidente da comissão europeia, ex-primeiro ministro português, sô doutor Durão Barroso.
São muitas as alterações à constituição húngara, que até já era uma das mais conservadoras na Europa, e há várias que podia destacar, mas fico-me por uma. Imagine que se deram ao trabalho de incluir uma lei que obriga a incluir a preparação para a vida familiar no currículo escolar! Até já estou a imaginar um bom exemplo:
(...) Aptidões e competências sociais: - Depois de fazer os deveres, sento-me no sofá ao lado do meu pai a ver a TV estatal, enquanto a minha mãe está na cozinha desde as 8 da manhã a preparar as refeições do dia;
Aptidões e competências técnicas: - Já ando a treinar a copulação com a Vanessa da minha turma; também já treinei com o José, só para evitar a criação de fetos que são tão humanos quanto eu e o meu pai (já a minha mãe...) ; (...)
O que mais me surpreende é o autor deste manifesto pro-outdoors-só-com-imagens-bonitinhas, suprassumo da moralidade portuguesa e economista nas horas vagas, nunca ter escrito (pelo menos que eu tivesse lido) uma linha sobre as imagens “pouco católicas” que abundam (nunca tal palavra foi tão bem empregue) as páginas de anúncios eróticos do diário (entre outros) para qual escreve. As “crianças e as pessoas impressionáveis” não vêem as páginas centrais dos jornais ou o Código da Publicidade é mais importante que o Código Penal (Artigo 170.º - Lenocínio)? Pensando melhor, isto não me devia surpreender assim tanto, já que “não há almoços grátis”.
Já não é novidade para ninguém que as principais operadoras de TV por cabo/satélite/fibra/e mais uns biscates (como a ZON e a MEO), desde que a "febre" do TDT começou, tentam vender os seus pacotes clássicos, como se fosse a única solução possível para ver TV a partir de Janeiro. Recorrendo ao método da desinformação, estas operadoras escolhem a população mais idosa, com menos recursos e menos desprovida de conhecimentos sobre o assunto, como principal público-alvo para a sua campanha de angariação de novos clientes. Isto só revela o nível de ética destas empresas: da sarjeta, lado-a-lado com as suas cablagens.
"Mistérios de Lisboa", de Raúl Ruiz, acaba de ser eleito o melhor filme estrangeiro pela Academia da Imprensa Internacional. Isto depois de ter recebido a Concha de Prata na edição do ano passado do Festival de San Sebastián, o Prémio da Crítica na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2010) , o Prémio Louis Delluc para melhor filme (também em 2010) e mais recentemente premiado pela Associação de Críticos de Toronto, pela Associação de Críticos de Nova Iorque e, agora que o filme estreou no Reino Unido com excelentes críticas, não deve faltar muito, para que o reconhecimento se torne oficial também por aqueles lados. Em suma, “Mistérios de Lisboa” tem sido alvo de um reconhecimento internacional sem precedentes na carreira de um filme nacional.
No passado mês de Setembro, a Secretaria de Estado da Cultura escolheu para representar Portugal na corrida ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro o documentário “José e Pilar”.
Se Portugal jogasse no Euromilhões, era como eu: não acertava uma.
Um filme que explora a (explosiva) combinação do amor incondicional com o ódio irracional, até podia resultar num argumento banal, se os seus protagonistas não fossem uma mãe e o respectivo filho!
Mas este “We Need to Talk About Kevin” tem muito mais que dois personagens complexos (convém acrescentar que nada disto resultaria tão bem se as respectivas interpretações – a de Tilda Swinton e a dos dois actores que ao longo do filme fazem de seu filho - não fossem tão fabulosas como o são). A montagem é perfeita: as ligações do presente com os flashbacks ajudam a aumentar o suspense para a inevitável "calamidade" final. Os planos fixos, acompanhados pelo silêncio como banda sonora, intensificam ainda mais toda a intensidade do drama. Os diálogos são curtos mas profundos. Há uma preocupação desmesurada pelos pequenos pormenores - um deles é a cor vermelha. Parece que a realizadora estava a tentar preparar-nos, logo desde a primeira cena na La Tomatina - com o vermelho a dominar esta conhecida festa do tomate de Buñol - para o pior. Puro engano. A chacina não é mostrada e vê-se subtilmente os seus resultados. Lembram-se de “Elephant” do Gus Van Sant? E mais não digo.
Por isto e muito mais, este filme poderá ser uma desilusão para quem o procura com expectativas de ser mais um thriller com muita acção e sangue à mistura. Aqui nem a arma do crime é convencional, quanto mais o seu móbil.
Um dos melhores filmes da temporada, sem qualquer dúvida. Portanto, provavelmente, mais um para a malta do ípsilon poupar nas estrelas.
Um dos filmes mais premiados pela crítica norte-americana, em tempos de balanço de 2011, é uma obra muda e a preto e branco. Numa época de exaltação do 3D e aperfeiçoamento do surround, este facto só vem demonstrar que a crítica faz tudo para ser contracorrente. E ainda bem.
Birdy venceu em 2008 um concurso britânico de novos talentos e no mês passado lançou o seu primeiro álbum, onde incluiu estas e outras versões de temas de bandas indie, como os The XX e Animal Collective.
Há poucas semanas atrás a Media Markt (MM) lançou mais uma das suas campanhas de sucesso: em qualquer compra, abate directo do valor do IVA. Tal como nas edições anteriores, houve enchentes por tudo o que era superfície comercial MM (sobretudo na região de Lisboa) e filas intermináveis nas respectivas caixas de pagamento. Parece-me certo que uma boa parte daqueles sedentos consumidores deve ter ido iludida com um suposto desconto directo de 23% (IVA), quando o valor deduzido era (só) o do imposto - o que não são exactamente a mesma coisa, basta fazer as contas: num produto que custa 100 euros, um desconto de 23% daria 23 euros, mas o desconto pelo seu valor do IVA dá 18,70€ [VP*(1-1/(1+%IVA))], ou seja, 18,70%. Mas não deixa de ser um bom desconto, é certo.
Na passada sexta-feira, a MM lançou outra campanha de arromba: máquina de café Nespresso, a 22 euros por unidade!Pelo que me contaram, outro sucesso, outra enchente. Mas desta vez as filas eram só de inscrição para reservar o produto, pois consta que o fornecedor não conseguiu entregar a encomenda das máquinas a tempo (?) e estariam a adiar a entrega para o dia seguinte. Chegado a um certo número de reservas, deixaram de aceitar inscrições e aconselhavam o regresso no próximo dia, “logo às 10 da manhã”, para conseguir mais hipóteses de alcançar qualquer sobra ou desistência. Portanto, no sábado, deduzo: casa cheia outra vez!
Tudo isto faz-me questionar se a verdadeira intenção da MM é vender ou organizar multidões. Até aquele famoso slogan sugere-me dúvidas. De facto, podes até nem ser parvo, mas seguramente que és um "bocadinho" masoquista.
A antiga Fábrica dos Cabos (Eléctricos Diogo) d’Ávila, em Alfragide, devoluta desde 1997 e classificada património industrial, actualmente, não serve só de albergue a sem-abrigo ou de centro de depósito de todo o tipo de lixo. Ao contrário do que o exterior indicia, o edifício principal e a sua imponente torre constituem, surpreendentemente, um autêntico museu do graffiti - ou "call it what a fuck you want".
É já perguntam: “por onde andam agora os defensores das Pulseiras de Equilíbrio”?
Eu respondo. Não andam. Porque estão desequilibrados. E assim estarão, pelo menos, até eu criar o Colar da Estabilidade. Este colar vai ter três hologramas quânticos - a pulseira do outro só tinha duas, e é só por essa razão que aquilo é um embuste, porque toda a gente sabe que todos temos partes do nosso corpo com uma certa inclinação para um dos lados, logo tem que se criar um contrapeso... dah! - que achei ali para os lados da praia de Carcavelos e em que as suas frequências interagem naturalmente com o campo electromagnético do corpo humano. Alguém quer fazer já uma reserva? Aproveitem a promoção de lançamento do produto: na compra dos 100 primeiros colares, ofereço um Brinco da Harmonia*.
*Recomendo a compra de pelo menos dois colares, porque não me responsabilizo se sentirem desequilibrados com o uso de um só brinco.
Já tinha falado dele por aqui. Acabei de o ver e, desde já, posso adiantar que não desilude. Mas também não surpreende. Parte de uma ideia conceptual muito interessante (relação conflituosa entre duas irmãs, enquanto surge a ameaça de um planeta colidir com a Terra), visualmente é magnífico e a escolha musical é mesmo do outro mundo. Mas achei as interpretações pouco mais que razoáveis. A Kirsten Dunst também não precisa de se esforçar muito para se revelar, ora apática, ora melancólica e é sobretudo numa primeira parte em que ela e as suas crises existenciais (que, face às circunstâncias, até são perfeitamente justificadas) comandam todo o filme, em que este atinge o cume do aborrecimento. Ou pronto, vá, da melancolia. Mas aí a culpa nem é dela, mas de quem a orienta.
Sinceramente, não me preocupa mesmo nada um ordenado de uma deputada em início de carreira. Preocupa-me são as trafulhices que ela poderá fazer com o poder que tem ou poderá vir a ter, sem que depois ninguém a responsabilize por isso. Ou seja, as minhas preocupações começam assim que ela vier aqui para o continente e derem-lhe a pasta da economia e... passado uns anitos chega a presidente, por exemplo, de uma das maiores de empresa do sector energético. Ou então quando chegar a ministra do Equipamento Social e depois se cansa das funções públicas e é logo convidada para comandar uma das grandes construtoras nacionais, olha, como a Mota-Engil! Ou então se chega a Presidente da Câmara de uma das nossas grandes cidades e, findo o mandato, cai-lhe miraculosamente uma nomeação para administradora executiva da GALP em cima. Ou quando obter o diploma de licenciatura três dias antes de ser nomeada Administradora do banco do estado, que depois substitui com o cargo de vice-presidente de um dos outros grandes bancos ‘tugas, enquanto que vai sendo acusada pelo Ministério Público de três crimes de tráfico de influências num processo que envolve lavagem de dinheiro, corrupção política, evasão fiscal e robalos. Ou...
... Também não é de Mistério ou Terror, porque (já) ninguém fica surpreendido com o "twist" final. Devia ser Ficção mas, infelizmente, é um Drama (com as consequências bem reais que todos nós conhecemos). Ainda há esperanças de que no futuro seja recordado como uma das nossas mais inspiradoras Tragicomédias? Ou continuará a ser um Manual para as novas gerações de aspirantes a governantes?
Para além do disco de estreia dos Blouse, este era o outro disco que mais aguardava este ano. Apareceram-me os dois na mesma semana! :s O do Lynch pode ser escutado aqui. Vindo de um realizador muito especial, não posso esperar algo menos que isso.
Ou então é o auto-retrato de Duarte Lima com uma cabeleira em cima. Pura escassez de criatividade do próprio/desenhador ou algo ainda mais hilariante? Alguém parece que se divertiu com esta história e, já se sabe, que não foi a dona Rosalina.
Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo.
Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas.
Via-se metade ao espelho e achava tudo demasiado breve, precipitado, como se as coisas lhe fugissem, a esconderem-se para evitar a sua companhia. Via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios como os precipícios ou poços fundos. Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade.
Este “Work (work, work)” vem com um “press release” que o descreve mais ou menos como: "um estudo do desejo e submissão, sentimentalismo e disforia". Concordando e exemplificando, diria que esta podia ser a melhor música para se ouvir num qualquer clube mais “underground” ou em qualquer outro lugar, onde tudo o que vai acontecendo à nossa volta faz-nos facilmente perder toda a noção do tempo... Ou o disco que David Lynch - se não tivesse muito ocupado a promover o seu primeiro LP, que está prestes a sair - iria adorar descobrir... Ou o disco com que a Pitchforkmedia e a respectiva credibilidade enterraram-se ainda mais ao darem-lhe, numa escala de 0 a 10, uns míseros cinco e qualquer coisa valores.
Há muita gente que continua a achar que essa história da "crise" é um problema exclusivamente de Lisboa, e, deduzo que, estão a contar que sejam só os alfacinhas miraculosamente a resolvê-la.
Para estas coisas fazem questão em demarcar-se do resto do país. Parece que apostaram num sector (têxtil) que já teve melhores dias e acham que essa é razão mais que suficiente para lhes dar a tal excepção. Mas isso só demonstra como não conhecem - nem querem conhecer - as outras realidades do país.
Para outras, sobretudo quando a tal verba ou o subsidiozinho tarda em chegar, é vê-los, danados, a bordo do seu topo de gama a caminho da capital.