domingo, maio 06, 2012

O homem que morreu duas vezes



Só agora vi “O Lado Selvagem”, “Into the Wild”, um filme de 2007, de Sean Penn. Este atraso não foi despropositado. Eu já sabia o que o filme abordava e temia sobretudo que ele se transformasse numa espécie de episódio alargado de um daqueles docudramas “homem vs. natureza selvagem” da Discovery Channel (como “A minha vida por um fio” (RTP1), ou pior). O trailer também não ajudou.
Só que, para minha surpresa, “Into the Wild” tem afinal muito pouco de manual de sobrevivência. Tem, sobretudo, uma grandiosa lição de vida.

A felicidade faz pouco sentido se não for partilhada e o perdão pode ser uma das grandes chaves para que ela, simplesmente, aconteça. O protagonista desta bonita história (baseada em factos verídicos) descobri-o tarde demais e quando pouco mais podia fazer, é certo, mas ainda assim, poucas pessoas conseguirão alcançar o nível de liberdade que aquele homem alcançou. E a liberdade é outra das grandes chaves para a felicidade, como prova disso Christopher Mccandless - o homem (real) em que esta ficção se inspirou - deixou, entre outros registos para a posteridade, a sua foto, onde ele aparece encostado aquele velho autocarro, com um sorriso puro e, diria, eterno.

What if I were smiling and running into your arms? Would you see then… what I see now?

quarta-feira, maio 02, 2012

Um dia normal

(foto retirada do Jornal de Negócios)

A PSP emitiu um comunicado via facebook onde acaba por dizer que não existiram “registos de detenções ou graves situações de alteração de ordem”. Portanto, ontem, excluindo uns problemitas pontuais por causa de mau estacionamento ou da disputa pelo último pacote de arroz, foi um dia normal de compras no Pingo Doce.

Ou seja, aquilo que mais me pareceu uma espécie de simulação de um dia apocalíptico, onde uma cadeia de supermercados aproveita-se da situação miserável (não me refiro exclusivamente ao seu perfil económico) dos seus clientes para fazer marketing estratégico e ganhar uns pontos na guerra com o Continente e Ca. – espero que ninguém tenha caído naquela da “ajuda”, pois se o PD quisesse efectivamente ajudar os portugueses, não acumulava uma megapromoção destas num único dia (e justamente num dia simbólico como o 1º de Maio), mas distribui-a proporcionalmente por todos os restantes dias do ano – para a PSP não passou de uma operação rotineira, de um dia normal, lá está.

O facto de toda aquela gente não ser malta freak, não fumar o seu charrito, nem serem fotojornalistas com a câmara em riste, entre outro tipo de gente “ameaçadora” com especial predilecção para ocupar espaços, em vez de os esvaziar, contribuiu certamente para tanta normalidade.

sábado, abril 28, 2012

Fantasma matinal



Assim que acordo e olho em direcção à janela, vejo um céu diurno escuríssimo que me começa por confundir temporalmente. Esse é um momento distinto na minha vida, um dos mais estranhos, quando eu não sei quem sou. Sinto que estou longe de casa. Estou assombrado e cansado do dia anterior, deitado numa cama que parece-me não ser a minha, só a ouvir os barulhos provocados por uma vizinhança que me é totalmente estranha e tudo isso precipita-se para essa desesperada conclusão de não saber quem eu sou - pelo menos por alguns segundos. Não estou assustado, mesmo sabendo que afinal sou outra pessoa, um estranho; mesmo que toda a minha vida seja, subitamente, assombrada por essa ideia de eu não passar de um fantasma.

sexta-feira, abril 27, 2012

sábado, abril 21, 2012

Alta fidelidade



Tem crescido em cada audição e, curiosa e extraordinariamente, tem funcionado bem melhor longe dos auscultadores. Portanto esta música dos Poliça (que, em parte, são dois dos principais colaboradores dos Gayngs) ganha toda uma nova dimensão enquanto escutada à distância num bom sistema Hi Fi. Só assim conseguiremos dar o verdadeiro valor à espantosa secção rítmica presente em cada uma das faixas deste disco de estreia. Parece-me certo que nem sempre funciona da melhor maneira, mas o que acaba por ser mais surpreendente neste "Give You the Ghost" é que - e contrariando todos os meus receios - o autotune acaba por ser uma mais-valia.

terça-feira, abril 17, 2012

Funciona!

(clicar para ampliar)

Tremam, tremam muito

Dia do julgamento

domingo, abril 08, 2012

A threat




Death and desire, an unlikely pair
Roll up in the disco, make the beat spare
Now this may be a party, but don't forget
The lovers on the dancefloor are a threat

The lovers on the dancefloor are a threat, don't forget.

quinta-feira, abril 05, 2012

A sua profissão desgasta-o? Compre uma plataforma vibratória ou... tivesse ido para futebolista!

Apesar de dois dos temas preferidos dos portugueses serem o futebol e as injustiças, nunca ouvi ninguém debruçar-se com mais afinco sobre a faceta de “profissão de desgaste rápido” (PDR) dos profissionais daquela modalidade. Certamente é porque não devem gostar de misturar amores com ódios de estimação e, de certa forma, aí eu até os compreendo muito bem.
Como se sabe, esta categoria (PDR) permite a certas profissões aproveitarem alguns benefícios fiscais, como acontece com os desportistas de alta competição, em geral, futebolistas, em especial. 

Futebolistas e mineiros, juntos pela mesma causa. Como qualquer escolha de profissão, ser futebolista passa por uma escolha consciente, onde se deve ponderar todas as vantagens e desvantagens de uma actividade que, quase por regra, manda os seus trabalhadores para o “banco”, pouco depois de passarem a barreira dos 30 anos. 
Há no entanto que ter em consideração que, na generalidade, todas as profissões que se enquadram nesta categoria são pagas acima da média e, no caso dos futebolistas, mesmo que só se mantenham no activo durante 10 anos, alguns deles auferem valores anuais  que representam aquilo que 85% da população, que não teve tanta sorte ou “queda” para o futebol, nunca ganhará em toda uma vida de trabalho – inclusive em outras PDR, sejam mineiros ou agricultores.

O que faz um mineiro e um futebolista em fim de carreira? Um mineiro limita-se a rezar para que não tenha contraído alguma doença das vias respiratórias, para que consiga gozar, com saúde, os seus anos de aposentação. E um futebolista? Continua a jogar em clubes regionais? Torna-se treinador ou elemento das equipas técnicas? Dirigente desportivo? Comentador desportivo? Vendedor de plataformas vibratórias?... Já agora, todas essas novas profissões são de que tipo de desgaste?

Em vez de perderem horas a fio a discutir se os cartões foram ou não bem aplicados ao Maxi Pereira no jogo de ontem, não seria bem mais interessante que os portugueses (o ministério das Finanças, incluído) procurassem saber qual é ao certo o nível de desgaste de um futebolista profissional? É que isso, de certa forma, é um assunto que lhes mexe mais com o bolso, que outras "injustiças" da ordem do dia.