quinta-feira, fevereiro 16, 2012

De Genève, Nyon e Prangins II










Espero que os "Pranginenses" tenham consciência do potencial romântico do seu município e, já agora, da "bagatelice" que são os preços dos seus combustíveis comparativamente com os que se praticam em Portugal - 1,79CHF = 1,48€. Tendo em conta que estamos a falar de um país onde o salário médio mensal ronda os 4.800 e tal euros e os meus colegas suíços, daqui da sucursal da empresa, dizem que não conhecem nenhum licenciado que receba abaixo desses valores. Não costumam dizer que quando vamos para fora é que sabemos dar o verdadeiro valor de Portugal? Ora então, o valor de Portugal, em matéria de preços de combustíveis, é uma Suíça. Só é pena que a nível de salários (e não só) sejamos um Burkina Faso.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

De Genève, Nyon e Prangins








Por alguns dias acho que estou em boas mãos: um povo acolhedor e super-protector, com um sistema de transportes que, assim que aterramos, disponibiliza um bilhete de 80 minutos grátis com acesso a toda a cidade, que faz sufrágios por dá cá aquela palha, que nos proíbe de fazer picnics nas docas (?), que nos acomoda com uma roupa de cama com um sistema anti-ácaros, que nos dá música ambiente enquanto estamos na sanita... e que tem uns “chaines espagnoles” muito pouco espanhóis, parece-me - estou a imaginar o gajo que fez esta lista de canais de TV: "ora este é só gente a falar assim de uma forma esquisita... só pode ser espanhol!"

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Volta Paco da Bandeira, que estás perdoado!


Da noite de entrega dos Grammys, entre outros acontecimentos - como Bon Iver ter recebido o prémio revelação do ano, quando o disco de 2011 já é o seu segundo LP, já para não falar nos EPs que entretanto tem editado - destacava o tão esperado regresso a esta "festa da música" do cantor que espancou a namorada, também cantora, ao ponto de ela ter ido parar ao hospital (e ele até chegou a ser condenado a cumprir trabalho comunitário)...
Isto, umas horas depois de ter sido encontrada morta na banheira de um hotel uma outra cantora, que também foi em tempos vítima de violência doméstica por parte do seu ex-marido e também cantor - também terá sido por estes tempos que terá iniciado o seu problema de dependência - que por acaso até tem o mesmo apelido do primeiro: Brown.
Moral da história: diz que as pessoas merecem todas uma segunda oportunidade, só que parece que uma outra oportunidade por vezes não chega. Por vezes só mesmo um milagre consegue recuperar vidas em progressivo declínio.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Da obsessão ao isolamento


“Shame”, de Steve McQueen, aborda a vida de Brandon, um nova-iorquino solteiro de Wall Street, com uma muito limitada vida social, que acaba por ser compensada pela sua secreta compulsão para o sexo. A vida deste homem que, simultaneamente, tem tudo e não tem nada, é-nos dada a conhecer sem quaisquer vestígios de julgamento ou de censura perante a sua dependência, mas também não propõe qualquer tipo de condescendência para com ela. Aliás, a forma crua e realista como as cenas de sexo com algumas prostitutas e engates de circunstância são reveladas, estão muito longe de querer romantizar seja lá o que for. Cenas essas que ele terá visto e copiado de um dos seus vídeos porno, da sua vasta colecção, que ocupa uma boa parte do disco rígido do seu portátil, ou directamente da janela de um dos seus vizinhos. Ninguém devia ficar surpreendido com isto. Afinal de contas, este lado irracional da vida sexual de Brandon não é assim tão diferente da vida sexual - copiada de, ou (des)inspirada em, pornografia - da maioria dos homens de hoje.

“Shame” também é um filme incómodo e perturbador não tanto porque demonstra a infelicidade da vida de alguém viciado em sexo, mas porque revela que este tipo de homens se auto-desprezam ao ponto de tornar impossível qualquer tipo de comunicação honesta com os outros. Inclusive, com a sua própria irmã, que reaparece na sua vida para baralhar toda sua vida intima e dar mais algumas pistas sobre a origem do seu “trauma”. Se bem que na prática o que interessa é o resultado final: mostrar o outro lado do homem para além da sua dependência. Isto, por si só, é algo que Mary Harron, por mais que tivesse tentado, não conseguiu revelar no seu “American Psycho” (2000).

Só um grande actor, como Michael Fassbender o é, consegue desvendar toda a verdade de um personagem assim. Fez tudo isto praticamente quase sem abrir a boca e, nos tempos mortos, ainda provoca orgasmos a senhoras desprevenidas, em plena carruagem do metro, só com o olhar. De mestre, mesmo.


Outro continente, outro filme, outra obsessão. “Skoonheid”, do sul-africano Oliver Hermanus, tem como protagonista um típico “afrikaaner”, branco, racista, chefe de família e, aparentemente, muito bem integrado numa das sociedades mais conservadoras do mundo. Portanto tinha tudo para ser feliz, mas ele, Francois, é um homem reprimido e revoltado. Isto deve-se ao facto de ser homossexual e de estar, como tantos outros homens por esse mundo fora, aprisionado a uma vida de aparências. A sua “normal” vida dupla é subitamente alterada quando conhece, numa festa de casamento, o filho de um dos seus amigos, que se vai tornar daí adiante a sua obsessão. Todo o seu lado mais sombrio revelar-se-á a partir desse momento - que, convém dizê-lo, é filmado brilhantemente.


Não deixa de ser curioso que dois dos melhores filmes que vi nos últimos tempos, retratem de uma forma muito séria a história de um segredo que obriga os seus donos a transformarem-se em seres emocionalmente isolados. E que, por outro lado, obriga a nós - quem os vai descobrindo - a pensar sobre as suas obsessões e, sobretudo, sobre as nossas. Ou seja: uma viagem de auto-descoberta que pode ser tão ou mais devastadora como a de destas duas personagens.


(Ambos os filmes ainda não estrearam em Portugal. O primeiro, devido às boas críticas internacionais, à razoável surpresa no resultado de bilheteiras nacional do filme anterior de McQueen, “Fome”, e a toda a conjuntura em torno do tamanho do pirilau do Fassbender, acredito que isso ainda seja possível. O mesmo não poderei dizer do segundo, infelizmente.)

domingo, fevereiro 05, 2012

Brains

É o novo single dos Lower Dens e é algo que não falta à organização do Festival Primavera no Porto, por os terem incluído no seu cartaz.

terça-feira, janeiro 31, 2012

Falidos mas com uma moral intocável

Metro de Lisboa recusa publicidade da rede social gay Manhunt

Mas publicidade a lingerie com meninas semi-despidas, a revistas de adultos (Penthouse, Playboy, etc), a sex shops com palavras quase explicitas e meninas em trajos menores já é permitido. Porquê? Porque esses negócios não competem directamente com os do Metropolitano de Lisboa (ML) - pelo menos, por enquanto, só nos vai fornicando a paciência e a carteira com alguns atrasos, greves e os aumentos das tarifas... Já um site internacional de engates gay é claramente uma ameaça concorrencial às casas de banho públicas do ML (entre outras). Portanto, tudo me leva a crer que esta decisão, ao contrário do que foi dito, é pura estratégia comercial.
Obrigado, ML, por colocar “as susceptibilidades” dos seus clientes acima dos seus generosos e sucessivos milhões de euros de prejuízos anuais, dando-se ao luxo de recusar contratos publicitários.

Eu também acho que as pessoas merecem sempre uma segunda oportunidade


E agora vamos ver qual vai ser o desafio que vai calhar à Sónia Brazão para a próxima semana... Arrebentar com esta merda toda!

segunda-feira, janeiro 30, 2012

O delírio é contagioso


Do you ever have that feeling where you can’t tell if something’s a memory or if it’s something you dreamed?

Muito do que Martha vê (e a aterroriza) é muito pouco nítido na perspectiva do telespectador, fazendo com que este fique quase tão paranóico quanto ela. Isso, temos que admitir, não é nada agradável, mas, por outro lado, transforma-se num dos maiores triunfos deste surpreendente e ambíguo thriller psicológico.

sexta-feira, janeiro 27, 2012

De confiança

Só o facto de saber que 50% dos Trust é 33,3(3)% dos Austra dá-me alguma “confiança” para recomendar o disco de estreia daquele duo de Toronto: “TRST”. Mas a electrónica retro, o ambiente gótico, uma orgia de sintetizadores e John Maus às cavalitas dos Crystal Castles, em doses muito generosas, cumpre ainda melhor essa função.

"Candy Walls" by Trust from Eva Michon on Vimeo.



Trust - Bulbform from Arts & Crafts on Vimeo.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Escândalo: faz-se serviço público com cartas de Tarot


As “Cartas da Maya” é o meu guilty pleasure de quase todas as manhãs. Foi a companhia que escolhi para o meu pequeno-almoço. Claro que podia ser muito melhor, mas também podia ser pior, como os noticiários pré-formatados dos canais concorrentes.

Do que já vi até hoje, ainda não presenciei nenhum caso em que ela tivesse dado indicações contrárias aquelas que um médico, um advogado ou um psicólogo pudesse dar, baseado exclusivamente nas escassas palavras do outro interlocutor. Pelo contrário, já a vi mais que uma vez a incentivar para que as pessoas recorram à medicina portuguesa, ao mesmo tempo que a elogia desmesuradamente. Também já assisti a um caso em que ela deu todas as indicações certas para que uma pessoa pudesse avançar com umas partilhas. Nos casos sentimentais, o que oiço dali é basicamente o concelho que se espera do melhor amigo ou amiga. Se alguém se vê envolvido com alguém casado, que se acabe com as ilusões e que se ganhe consciência imediatamente das reais possibilidades de tal relação; se o filho arranjou uma mulher que lhe inspira pouca confiança, que deixe o filho sair definitivamente debaixo das suas saias e que aprenda a viver sozinho os seus amores e desamores; ...

Sinceramente, acho que mais grave do que ela fornecer informações que não são da sua competência, como já foi acusada, é haver tanta gente a precisar de recorrer aos serviços de uma taróloga para se orientarem nesta sociedade. Isto pode ser um indicador de desequilíbrio destas pessoas que ligam insistentemente para aquele número de valor acrescentado para que alguém lhes diga que se tem qualquer sintoma devem ir imediatamente ao médico, ou se estão desempregados é porque devem mudar de estratégia na procura de emprego, ou procurar formação subsidiada, etc, mas também pode revelar o total descrédito, de algumas daquelas pessoas, no actual funcionalismo público.
O que será afinal verdadeiramente mais perigoso: uma previsão (previsível) em forma de concelho básico da Maya ou um primeiro-ministro que diz “se estás desempregado muda de país”?

terça-feira, janeiro 24, 2012

Voltemos a 1999


Ainda estou à espera de ouvir dizer que a economia mundial está em mau estado por causa de um gordo, tão inteligente quanto alienado, que ficou com parte dos "mega"-lucros das companhias discográficas.

Agora que se percebeu o verdadeiro potencial financeiro do download, seria esta a melhor altura para reorganizar todo o sistema de distribuição de música e torná-lo mais favorável a quem de direito: o autor/criador. Mas não, parece que vamos continuar com a guerrinha "anti-pirataria" que só pretende beneficiar quem a começou - os mesmos que achavam que a iam vencer com um CD anti-cópia.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Bibá Pipa?

Venho por este modesto meio pedir aos senhores da SOPA, da PIPA e da POPOTA que adiassem esse tão desejado armagedão cibernético para daqui a mais uns tempos. Do género: para quando fazerem um mínimo esforço para baixar os preços dos CDs, ou para quando não tivermos que esperar um ano pela estreia de um filme nas salas portuguesas (se é que chega estrear) ou esperar que um canal nacional de TV decida adquirir séries de jeito e que não as coloque às 4 da manhã. Até lá, parece-me prematuro.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Porcelain Raft

O disco de estreia da banda que vem fazer a primeira parte de M83 no próximo mês de Março ao Hard Club, no Porto, e ao Lux, em Lisboa, é uma das boas surpresas deste início de ano. "Strange Weekend" sai já para a semana e, certamente, ainda vamos ouvir falar muito dos Porcelain Raft.

Porcelain Raft - Unless You Speak From Your Heart by DOJAGSC

Afinal o desemprego tem solução

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Agora que já todos sabemos o que é a Maçonaria

... não estaria na altura de perguntar a essa malta que parece também estar muito bem representada na nossa Assembleia da República, se, no role de interesses que pretendem servir a sua irmandade, sobra algum espaço/tempo para os interesses do seu eleitorado?

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Acho que eles vão recuar uns 60 anos só para chatear a União Europeia

Um dos 27 membros da União Europeia, alterou a constituição, cerceou algumas liberdades e garantias e colocou todos lugares de influência nas mãos de amigos do primeiro-ministro Orban. A Hungria apagou a República da bandeira e explicou a Bruxelas que o não vai fundir o banco central com mercados reguladores até 2013. (...)

O primeiro-ministro da Hungria Viktor Orban e as suas mudanças regressivas está a deixar a Europa à beira de um ataque de nervos.
Tive a analisar o currículo do tal novo “Salazar” húngaro e descobri que o partido que ele criou e continua a pertencer, o Fidesz, começou por estar integrado na Internacional Liberal (rede de partidos liberais, onde se inclui o liberalérrimo Progressive Party islandês), mas nos anos 90 inverteu radicalmente de posição, tornando-se no partido conservador de centro-direita que é hoje. Isto tudo para dizer que se há pessoa que não devia ficar surpreendida, e até, quem sabe, identificar-se, com este "tornado de mudança" é o senhor presidente da comissão europeia, ex-primeiro ministro português, doutor Durão Barroso.

São muitas as alterações à constituição húngara, que até já era uma das mais conservadoras na Europa, e há várias que podia destacar, mas fico-me por uma.
Imagine que se deram ao trabalho de incluir uma lei que obriga a incluir a preparação para a vida familiar no currículo escolar! Até já estou a imaginar um bom exemplo:

(...)
Aptidões e competências sociais:
- Depois de fazer os deveres, sento-me no sofá ao lado do meu pai a ver a TV estatal, enquanto a minha mãe está na cozinha desde as 8 da manhã a preparar as refeições do dia;

Aptidões e competências técnicas:
- Já ando a treinar a copulação com a Vanessa da minha turma; também já treinei com o José, só para evitar a criação de fetos que são tão humanos quanto eu e o meu pai (já a minha mãe...) ;
(...)

terça-feira, janeiro 03, 2012

A incoerência de um certo moralismo

Nas últimas semanas o País foi invadido pela foto de um cadáver nu de uma mulher horrivelmente espancada. Em revistas, outdoors, até no exterior de autocarros todo o Portugal foi confrontado com esta imagem de terrível violência. Quem terá feito tal barbaridade à pobre senhora? Não só os golpes mas a suprema infâmia de ser exposta desta forma inqualificável?

Aquela infeliz deve ter tido uma vida difícil, sofreu morte horrível, mas nem depois de morta conseguiu o respeito mínimo devido ao ser humano, sendo vergonhosamente explorada. Com a cara visível, identificável por conhecidos, a desgraçada sofreu uma das sortes mais lastimáveis. Até nos filmes violentos os cadáveres costumam ser tapados, filmados lateralmente, ao menos com a cara coberta. Aqui a obscenidade e degradação não conheceram limites, nem sequer na divulgação. Em todo o lado e circunstância, todo o País, incluindo crianças e pessoas impressionáveis, é forçado a contemplar esta imagem sumamente repulsiva.



O que mais me surpreende é o autor deste manifesto pro-outdoors-só-com-imagens-bonitinhas, suprassumo da moralidade portuguesa e economista nas horas vagas, nunca ter escrito (pelo menos que eu tivesse lido) uma linha sobre as imagens “pouco católicas” que abundam (nunca tal palavra foi tão bem empregue) as páginas de anúncios eróticos do diário (entre outros) para qual escreve. As “crianças e as pessoas impressionáveis” não vêem as páginas centrais dos jornais ou o Código da Publicidade é mais importante que o Código Penal (Artigo 170.º - Lenocínio)?
Pensando melhor, isto não me devia surpreender assim tanto, já que “não há almoços grátis”.

terça-feira, dezembro 27, 2011

E a ANACOM vai ficar pelas habituais ameaças de processos, não vai?

Já não é novidade para ninguém que as principais operadoras de TV por cabo/satélite/fibra/e mais uns biscates (como a ZON e a MEO), desde que a "febre" do TDT começou, tentam vender os seus pacotes clássicos, como se fosse a única solução possível para ver TV a partir de Janeiro.
Recorrendo ao método da desinformação, estas operadoras escolhem a população mais idosa, com menos recursos e menos desprovida de conhecimentos sobre o assunto, como principal público-alvo para a sua campanha de angariação de novos clientes. Isto só revela o nível de ética destas empresas: da sarjeta, lado-a-lado com as suas cablagens.

Esta escova de sanita

Aquela máquina

quinta-feira, dezembro 22, 2011

É do carteiro?

Boas festas?

<a href="http://www.grapheine.com/mairie-de-paris-f43.html" title="unicase">web papeterie</a>

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Porquê?

"Mistérios de Lisboa", de Raúl Ruiz, acaba de ser eleito o melhor filme estrangeiro pela Academia da Imprensa Internacional. Isto depois de ter recebido a Concha de Prata na edição do ano passado do Festival de San Sebastián, o Prémio da Crítica na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2010) , o Prémio Louis Delluc para melhor filme (também em 2010) e mais recentemente premiado pela Associação de Críticos de Toronto, pela Associação de Críticos de Nova Iorque e, agora que o filme estreou no Reino Unido com excelentes críticas, não deve faltar muito, para que o reconhecimento se torne oficial também por aqueles lados. Em suma, “Mistérios de Lisboa” tem sido alvo de um reconhecimento internacional sem precedentes na carreira de um filme nacional.

No passado mês de Setembro, a Secretaria de Estado da Cultura escolheu para representar Portugal na corrida ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro o documentário “José e Pilar”.

Se Portugal jogasse no Euromilhões, era como eu: não acertava uma.

Kim Jong-Un levará a Coreia do Norte a uma maior abertura internacional...


... e já demonstrou algum interesse por um "produto" nacional. Nada contra, antes pelo contrário. Só se estraga um país.

sábado, dezembro 17, 2011

Tudo sobre o meu filho

Um filme que explora a (explosiva) combinação do amor incondicional com o ódio irracional, até podia resultar num argumento banal, se os seus protagonistas não fossem uma mãe e o respectivo filho!

Mas este “We Need to Talk About Kevin” tem muito mais que dois personagens complexos (convém acrescentar que nada disto resultaria tão bem se as respectivas interpretações – a de Tilda Swinton e a dos dois actores que ao longo do filme fazem de seu filho - não fossem tão fabulosas como o são). A montagem é perfeita: as ligações do presente com os flashbacks ajudam a aumentar o suspense para a inevitável "calamidade" final. Os planos fixos, acompanhados pelo silêncio como banda sonora, intensificam ainda mais toda a intensidade do drama. Os diálogos são curtos mas profundos. Há uma preocupação desmesurada pelos pequenos pormenores - um deles é a cor vermelha. Parece que a realizadora estava a tentar preparar-nos, logo desde a primeira cena na La Tomatina - com o vermelho a dominar esta conhecida festa do tomate de Buñol - para o pior. Puro engano. A chacina não é mostrada e vê-se subtilmente os seus resultados. Lembram-se de “Elephant” do Gus Van Sant? E mais não digo.

Por isto e muito mais, este filme poderá ser uma desilusão para quem o procura com expectativas de ser mais um thriller com muita acção e sangue à mistura. Aqui nem a arma do crime é convencional, quanto mais o seu móbil.

Um dos melhores filmes da temporada, sem qualquer dúvida. Portanto, provavelmente, mais um para a malta do ípsilon poupar nas estrelas.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Silêncio, que se vai ver um filme!


Um dos filmes mais premiados pela crítica norte-americana, em tempos de balanço de 2011, é uma obra muda e a preto e branco. Numa época de exaltação do 3D e aperfeiçoamento do surround, este facto só vem demonstrar que a crítica faz tudo para ser contracorrente. E ainda bem.

Call of Duty @ Via do Infante

sábado, dezembro 10, 2011

Quinze aninhos e já canta como gente grande... e indie





Birdy venceu em 2008 um concurso britânico de novos talentos e no mês passado lançou o seu primeiro álbum, onde incluiu estas e outras versões de temas de bandas indie, como os The XX e Animal Collective.

terça-feira, dezembro 06, 2011

Pois não deves ser

Há um ano atrás...

Há poucas semanas atrás a Media Markt (MM) lançou mais uma das suas campanhas de sucesso: em qualquer compra, abate directo do valor do IVA. Tal como nas edições anteriores, houve enchentes por tudo o que era superfície comercial MM (sobretudo na região de Lisboa) e filas intermináveis nas respectivas caixas de pagamento. Parece-me certo que uma boa parte daqueles sedentos consumidores deve ter ido iludida com um suposto desconto directo de 23% (IVA), quando o valor deduzido era (só) o do imposto - o que não são exactamente a mesma coisa, basta fazer as contas: num produto que custa 100 euros, um desconto de 23% daria 23 euros, mas o desconto pelo seu valor do IVA dá 18,70€ [VP*(1-1/(1+%IVA))], ou seja, 18,70%. Mas não deixa de ser um bom desconto, é certo.

Na passada sexta-feira, a MM lançou outra campanha de arromba: máquina de café Nespresso, a 22 euros por unidade! Pelo que me contaram, outro sucesso, outra enchente. Mas desta vez as filas eram só de inscrição para reservar o produto, pois consta que o fornecedor não conseguiu entregar a encomenda das máquinas a tempo (?) e estariam a adiar a entrega para o dia seguinte. Chegado a um certo número de reservas, deixaram de aceitar inscrições e aconselhavam o regresso no próximo dia, “logo às 10 da manhã”, para conseguir mais hipóteses de alcançar qualquer sobra ou desistência. Portanto, no sábado, deduzo: casa cheia outra vez!

Tudo isto faz-me questionar se a verdadeira intenção da MM é vender ou organizar multidões. Até aquele famoso slogan sugere-me dúvidas. De facto, podes até nem ser parvo, mas seguramente que és um "bocadinho" masoquista.


sexta-feira, dezembro 02, 2011

Call it what a fuck you want


A antiga Fábrica dos Cabos (Eléctricos Diogo) d’Ávila, em Alfragide, devoluta desde 1997 e classificada património industrial, actualmente, não serve só de albergue a sem-abrigo ou de centro de depósito de todo o tipo de lixo. Ao contrário do que o exterior indicia, o edifício principal e a sua imponente torre constituem, surpreendentemente, um autêntico museu do graffiti - ou "call it what a fuck you want".














quarta-feira, novembro 23, 2011

Vai um Colarzinho da Estabilidade?

Empresa das «pulseiras do equilíbrio» arrisca 42 milhões de multa

É já perguntam: “por onde andam agora os defensores das Pulseiras de Equilíbrio”?

Eu respondo. Não andam. Porque estão desequilibrados. E assim estarão, pelo menos, até eu criar o Colar da Estabilidade. Este colar vai ter três hologramas quânticos - a pulseira do outro só tinha duas, e é só por essa razão que aquilo é um embuste, porque toda a gente sabe que todos temos partes do nosso corpo com uma certa inclinação para um dos lados, logo tem que se criar um contrapeso... dah! - que achei ali para os lados da praia de Carcavelos e em que as suas frequências interagem naturalmente com o campo electromagnético do corpo humano. Alguém quer fazer já uma reserva? Aproveitem a promoção de lançamento do produto: na compra dos 100 primeiros colares, ofereço um Brinco da Harmonia*.

*Recomendo a compra de pelo menos dois colares, porque não me responsabilizo se sentirem desequilibrados com o uso de um só brinco.

Que disco do pau!