segunda-feira, junho 25, 2012

Uma verdade e uma mentira

(...) É engraçado como à medida que o tempo passa as pessoas se vão acostumando às mudanças, até às mais assustadoras; como até o inimaginável se pode tornar manobrável. 

(...) Temos de mentir a nós próprios para vivermos dentro da morte, ou então morreremos dentro do que nos sobrou da vida.

Dança de Família, David Leavitt

quinta-feira, junho 21, 2012

Estamos bem representados

Dois "bola de ouro" e um "político de chumbo":

quarta-feira, junho 20, 2012

segunda-feira, junho 18, 2012

sexta-feira, junho 15, 2012

sexta-feira, junho 08, 2012

Se isto não é arte...

Nos arredores de Porto Salvo (Oeiras), em pleno Tagus Park e num complexo de edifícios inacabados, descobri mais um autêntico “laboratório do graffiti”. Não fica muito distante de um outro local com características semelhantes e também já visitado com alguns amigos: a antiga Fábrica do Cabos d’ Ávila.
Só que surpreendentemente, desta vez, como poderão ver por esta amostra de fotos de débil qualidade, há algo mais que a concentração de bons graffitis. Para além de haver um interessante relacionamento entre muitos deles, neste recôndito lugar faz-se uma autêntica homenagem à cultura universal.


domingo, junho 03, 2012

R.I.P. Teen Horror Movies


Quanto menos se souber sobre este filme, melhor ele poderá ser. Portanto, a história de “The Cabin in the Woods” começa com a aventura de cinco amigos que vão passar uns dias numa “cabana” perdida no meio de uma floresta... E fico-me por aqui.

O resto podia ser o que se espera de qualquer “teen horror movie” americano, mas não é. Acrescenta-se algumas surpresas e a história muda radicalmente de rumo ao ritmo do (respectivo) twist. Nada de novo, porque, mais que não seja, não há sequela de filme deste género que não desconstrua o seu original. Só que este filme vai um pouco mais longe e tem ainda outra vertente (não inédita mas, talvez, seja aquela que melhor funciona ao longo do filme): o humor. Daqui sou assombrado pelo verdadeiro pesadelo que se chama: “Scary Movie” e as suas infinitas sequelas, mas rapidamente vejo a luz, porque, na verdade, este “The Cabin in the Woods”, para além de chegar a ter mesmo piada, tem boas ideias. Uma delas surge mesmo no final, quando percebemos qual a verdadeira intenção dos argumentistas Joss Whedon e Drew Goddard (“Lost”, “Nome de Código: Cloverfield”, “A Vingadora”, etc): enterrar um género cinematográfico que já está mais que “morto”.

Todos os limitados clichés da maioria dos filmes de terror norte-americanos já mereciam um filme (acima da sua altura) que os satirizasse e os subvertesse, mas só que com alguns buracos no argumento e outras tantas cenas previsíveis, fica-se na dúvida se o objectivo desta obra é, na verdade, um ajuste de contas ou uma homenagem. A não ser que sejam erros e limitações intencionais para que a sátira seja completa. Pois, se assim for, chegou a vez de eu lhe tirar o meu chapéu.

sexta-feira, junho 01, 2012

Como é que se escolhe


entre isto


e isto?


Não se escolhe – são, talvez, duas das mais importantes bandas da actualidade, que por acaso até editaram dois dos melhores discos de 2012. Não é uma escolha difícil, é uma escolha impossível.
Mas resta-me desejar boa sorte, para quem tiver que a fazer, de hoje a 8 dias, no Parque da Cidade no Porto (Primavera Sound).

quinta-feira, maio 31, 2012

segunda-feira, maio 28, 2012

Arrow



When you were the age 15 they shot the arrow at you
You put that arrow in
became an angel too
But you were proud to be you.

When you made a pact with him
a secret that you’d keep
That you’d forget that sin
could be so warm, so free! 
That you could find such release. 

My dear St Sebastian, in every breath we complete…

Vós tendes as palaaaaaavras... Mas não tendes agudos.

domingo, maio 27, 2012

quarta-feira, maio 23, 2012

“I think I caught a cold killing a banker”*


*Expressão retirada do filme "Holy Motors", de Leos Carax, em competição no Festival de Cannes deste ano.
Se não é a "quote" do ano, andará lá perto.

domingo, maio 20, 2012

Fim-de-semana alternativo



Às vezes basta um segundo para mudar a vida de uma pessoa. Mas um fim-de-semana pode ser o espaço temporal suficiente para amadurecer essa mudança.

A vida de um rapaz citadino muda radicalmente numa sexta-feira, igual a todas as outras sextas-feiras: chega do trabalho, inicia o ritual de preparação para uma saída nocturna, segue-se um jantar na casa dos amigos e, por fim, uma ida a um bar. Conhece um gajo no bar e acabam na cama. E depois começam as interrogações (este filme está cheio delas) que se pode resumir numa: o que significou aquela noite para cada um dos seus intervenientes?

É um erro limitar “Weekend”, do semi-estreante Andrew Haigh, à categoria de “filmes gay”. Este filme é um fiel (e cruel) retrato do lado descartável das relações urbanas dos dias de hoje, sejam elas gay ou hetero. Aliás, a provar isso, há uma muito interessante cena no final da sequência da “manhã seguinte”, enquanto os rapazes, em fase de despedida, trocam números de telemóvel, no apartamento ao lado está a acontecer mais ou menos o mesmo, entre um rapaz e uma rapariga:
- Did you have a good time last night?
- Last night was sweet, yeah.

“Weekend” não é uma versão moderna ou urbana de “Brokeback Mountan”. Nem nunca pretende o ser. Aqui ambas as personagens - com as suas particularidades - estão perfeitamente conscientes da sua orientação sexual - se bem que isso não significa que estejam integradas num meio social envolvente menos hostil que o retratado no filme de Ang Lee. Ambos os filmes são muito realistas nesse sentido, mas “Weekend” é ainda mais, pois facilmente identificamos cada uma daquelas personagens secundárias do filme: o melhor amigo que consegue descobrir (só observando a nossa forma de estarmos com os outros) que estamos com um problema e que fará tudo para nos desenrascar, o gingão que gosta de contar piadas homofóbicas em locais públicos, de preferência, com as amigas por perto, e o outro que conta todos os detalhes do seu último engate de circunstância aos amigos, ou a amiga confidente que aprecia os pormenores mais sórdidos dos encontros dos outros, etc.

O filme aborda de uma forma muito simples o mistério da atracção sexual e das suas consequências. Parece algo pouco inédito, mas a verdade é que não conheço muitos outros filmes que tenham explorado tão bem e tão eficazmente o campo de atracção entre dois seres estranhos e as suas diferenças.

“Weekend” também roça tecnicamente a perfeição. O realizador/argumentista tomou a opção certa ao não ceder pela tentação voyeurista de querer mostrar tudo o que se passou na primeira noite, quando tudo começou, e preferiu transformar essas imagens em palavras, colocando-as na boca dos seus dois actores principais – que são fantásticos nos seus diálogos aparentemente improvisados.
O filme é muito emocional, mas Andrew Haigh nunca se recorre à música para o tornar hollywoodesco e lamechas. Nesse sentido, só com base em silêncios, gestos e palavras o filme eleva-se a um patamar superior.
Uma nota final para alguns soberbos planos fixos da paisagem urbana, quase sempre deserta. Parece querer simbolizar o tipo de solidão tão típico das zonas de grande concentração populacional urbana e suburbana.

Se apesar de tudo isto ainda não encontrarmos razões suficientes para considerar este pequeno e independente filme britânico uma preciosidade, que pelo menos tiremos qualquer coisa desta lição: temos mesmo que falar sobre a noite anterior, para saber como vamos estar amanhã.  

sábado, maio 19, 2012