're you talking to me?
quinta-feira, setembro 06, 2012
quarta-feira, agosto 29, 2012
Responsabilidade, essa palavra tão bonita para decorar dicionários
Finalmente alguém entendeu que uma irracionalidade naturalmente
“perigosa” não se resolve com uma irracionalidade humanamente ainda mais
perigosa. Finalmente alguém entendeu que em vez de raças de cães, se deve
catalogar os donos – eu até iria mais longe: a compra de certas espécies de
animais deveria estar sempre sujeita à avaliação das capacidades do respectivo
dono e das condições que tem para oferecer ao animal e, posteriormente, sujeito
a uma fiscalização efectiva.
Enquanto por cá a culpa também não morre solteira. Morre
nos canis municipais. E face a isso, só
me ocorre uma palavra: vergonhoso.
Mas o que fazer? Parece-me congénita essa viciosa tendência
para falhar o alvo da culpa, sobretudo quando há seres humanos no centro do
alvo e há outros seres vivos (ou objectos) por perto (e bem mais a jeito). Há miudos
a morrer às dezenas nas piscinas domésticas? Culpada: a piscina, e toca a fazer
umas campanhas a alertar para os seus perigos. Há putos a cair em buracos e
poços por todo o lado? Tapa-se já tudo! Continua a haver gente a circular nas
estradas, depois de emborcar meio garrafão de vinho tinto e meia bagaceira, e a
matar quem lhe apareça à frente? A culpa é do alcool: reduza-se a taxa legal de
alcoolemia e aumente-se as multas! E, agora no verão, quem não gosta de se
armar em lagarto e apanhar nos lombos meio dia de torreira? Olha um melanomazinho!
A culpa é “deste” sol!...
segunda-feira, agosto 27, 2012
sexta-feira, agosto 24, 2012
terça-feira, agosto 21, 2012
domingo, agosto 19, 2012
terça-feira, agosto 14, 2012
Acho que desvendei o mistério do euromilhões
É claro que, estatisticamente, as minhas hipóteses de ganhar um jackpot
no euromilhões são praticamente nulas... Mas sinto que a minha sorte pode mudar radicalmente se comer uma vaca
inteira em dois dias.
segunda-feira, agosto 13, 2012
terça-feira, agosto 07, 2012
Bons nomes para chamar a um atleta olímpico
Não, este post não é sobre Patrícia Mamona! Iríamos precisar de um tradutor e, portanto, nem aqui ganhamos medalhas.
Estes sim, são os vencedores:
O pai deste também devia ser halterofilista - enquanto levantava 170 Kg, escolheu o nome para o filho.
quinta-feira, agosto 02, 2012
De “Quem quiser comer o meu cu, fica com lombriga no pinto” a Francis Bacon
O nome do segundo
disco dos Bonde do Rolê, a segunda banda mais internacional do Brasil
dos dias de hoje (a primeira só podia ser os Cansei de Ser Sexy, né?), não
podia ser mais explícito: "Tropicalbacanal".
O disco é uma autêntica orgia de influências e de participações, cruzadas com a habitual irresponsabilidade, provocação e muito humor (“Oh Kanye(ê) cadê você, vem-me comer... Esse menino americano, feito gringo, chega aqui, me vira o pinto e me enche de prazer...”). Baile funk, pop, rock , hip-hop, reggae, axé e punk. Como convidados temos à nossa disposição desde a cantora jamaicana Ce'Cile à banda punk australiana The Death Seth, passando pelo mestre Caetano Veloso ou pelo rapper Kool A.D. (Das Racist)! Tudo isto muito modernamente remisturado (por pouco que não escrevia “lubrificado”) por Diplo. O resultado é, no mínimo, curioso, mas também, como qualquer bacanal, tem momentos em que se transforma numa enorme bagunça.
Uma boa oportunidade para revisitar Francis Bacon: “a verdade surge mais facilmente do erro do que da confusão”. Infelizmente "Tropical/Bacanal" não é o “erro” que eu ansiava, mas calculo que também ainda não seja a tal “confusão” que os Bonde do Rolê desejaram.
O disco é uma autêntica orgia de influências e de participações, cruzadas com a habitual irresponsabilidade, provocação e muito humor (“Oh Kanye(ê) cadê você, vem-me comer... Esse menino americano, feito gringo, chega aqui, me vira o pinto e me enche de prazer...”). Baile funk, pop, rock , hip-hop, reggae, axé e punk. Como convidados temos à nossa disposição desde a cantora jamaicana Ce'Cile à banda punk australiana The Death Seth, passando pelo mestre Caetano Veloso ou pelo rapper Kool A.D. (Das Racist)! Tudo isto muito modernamente remisturado (por pouco que não escrevia “lubrificado”) por Diplo. O resultado é, no mínimo, curioso, mas também, como qualquer bacanal, tem momentos em que se transforma numa enorme bagunça.
Uma boa oportunidade para revisitar Francis Bacon: “a verdade surge mais facilmente do erro do que da confusão”. Infelizmente "Tropical/Bacanal" não é o “erro” que eu ansiava, mas calculo que também ainda não seja a tal “confusão” que os Bonde do Rolê desejaram.
quarta-feira, agosto 01, 2012
Coisas sólidas e verdadeiras
O leitor que, à semelhança do de O'Neill, me pede a crónica que já
traz engatilhada perdoar-me-á que, por uma vez, me deite no divã: estou
farto de política! Eu sei que tudo é política, que, como diz
Szymborska, "mesmo caminhando contra o vento/ dás passos políticos/
sobre solo político". Mas estou farto de Passos Coelho, de Seguro, de
Portas, de todos eles, da 'troika', do défice, da crise, de editoriais,
de analistas!
Por isso, decidi hoje falar de algo realmente importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho, sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.
Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se se perguntassem: "E estes, quem serão?"
Em breve nos abandonarão e procurarão outro território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não, nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida.
Por isso, decidi hoje falar de algo realmente importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho, sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.
Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se se perguntassem: "E estes, quem serão?"
Em breve nos abandonarão e procurarão outro território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não, nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida.
terça-feira, julho 31, 2012
quarta-feira, julho 25, 2012
O caminhante da estrada sem fim
Os emocionantes
relatos de viagem (por África e não só) de um homem à procura de si próprio,
podiam ser razão mais que suficiente para recomendar este “Um Quarto
Desconhecido”, de Damon Galgut.
Só que este livro é muito, muito mais que isso.
Só uma obra assim
poderia revelar este outro lado das longas caminhadas e das viagens sem data de
regresso: a angústia e o desespero do viajante que ainda não conseguiu
estabelecer uma relação duradoura com alguém, que o faça ficar imóvel.
(...)
Uma viagem é um
gesto inscrito no espaço, desaparece à medida que vai sendo feita. Vamos de um
sítio para o outro, e seguimos para outro lugar ainda, já não existindo atrás
de nós vestígio da nossa presença. As estradas que percorremos no dia anterior
estão agora cheias de pessoas diferentes, nenhuma delas sabe quem somos. No
quarto onde dormimos a noite passada, jaz um desconhecido na cama. A poeira
tapa-nos as pegadas, as nossas dedadas são limpas da porta, as provas que
tenhamos deixado cair são varridas do chão e da mesa e deitadas fora para nunca
mais voltarem. O próprio ar fecha-se atrás de nós como água e pouco depois a
nossa presença, que parecia tão ponderosa e permanente, desapereceu por
completo. As coisas só acontecem uma vez e nunca se repetem, nunca regressam.
Excepto na memória.
(...)
Se eu tivesse
feito aquilo, se eu tivesse dito aquilo, no fundo atormenta-nos mais aquilo que
não fizemos do que aquilo que fizemos, as acções já realizadas podem sempre ao
fim de um tempo ser racionalizadas, o acto negligenciado poderia ter mudado o
mundo.
(...)
É possível que
quando duas pessoas se encontram pela primeira vez estejam contidas nas suas
diferentes naturezas todas as possíveis variações de destino. Estas duas
sentir-se-ão atraídas uma pela outra, estas duas repelir-se-ão, a maior parte
cruzar-se-á desviando educadamente o olhar, acelerando o passo dentro da sua
solidão.
(...)
terça-feira, julho 24, 2012
quarta-feira, julho 18, 2012
terça-feira, julho 17, 2012
domingo, julho 15, 2012
Why so serious?
Recentemente descobri esta maravilha, um blog que revela uma outra perspectiva da realidade-tipo-"BBC Vida Selvagem". A hilariante verdade está toda ali: (ao contrário do inverso) os animais, sobretudo os gatinhos, não se podiam estar marimbar mais para a vida sexual humana.
Isto também pode provar uma de duas coisas. Só a racionalidade permite desculpabilizar a curiosidade perante a sexualidade alheia. Ou então, atingimos um tal nível de pornografia "amadora", que nem aos irracionais interessa.
terça-feira, julho 10, 2012
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