domingo, abril 08, 2012

A threat




Death and desire, an unlikely pair
Roll up in the disco, make the beat spare
Now this may be a party, but don't forget
The lovers on the dancefloor are a threat

The lovers on the dancefloor are a threat, don't forget.

quinta-feira, abril 05, 2012

A sua profissão desgasta-o? Compre uma plataforma vibratória ou... tivesse ido para futebolista!

Apesar de dois dos temas preferidos dos portugueses serem o futebol e as injustiças, nunca ouvi ninguém debruçar-se com mais afinco sobre a faceta de “profissão de desgaste rápido” (PDR) dos profissionais daquela modalidade. Certamente é porque não devem gostar de misturar amores com ódios de estimação e, de certa forma, aí eu até os compreendo muito bem.
Como se sabe, esta categoria (PDR) permite a certas profissões aproveitarem alguns benefícios fiscais, como acontece com os desportistas de alta competição, em geral, futebolistas, em especial. 

Futebolistas e mineiros, juntos pela mesma causa. Como qualquer escolha de profissão, ser futebolista passa por uma escolha consciente, onde se deve ponderar todas as vantagens e desvantagens de uma actividade que, quase por regra, manda os seus trabalhadores para o “banco”, pouco depois de passarem a barreira dos 30 anos. 
Há no entanto que ter em consideração que, na generalidade, todas as profissões que se enquadram nesta categoria são pagas acima da média e, no caso dos futebolistas, mesmo que só se mantenham no activo durante 10 anos, alguns deles auferem valores anuais  que representam aquilo que 85% da população, que não teve tanta sorte ou “queda” para o futebol, nunca ganhará em toda uma vida de trabalho – inclusive em outras PDR, sejam mineiros ou agricultores.

O que faz um mineiro e um futebolista em fim de carreira? Um mineiro limita-se a rezar para que não tenha contraído alguma doença das vias respiratórias, para que consiga gozar, com saúde, os seus anos de aposentação. E um futebolista? Continua a jogar em clubes regionais? Torna-se treinador ou elemento das equipas técnicas? Dirigente desportivo? Comentador desportivo? Vendedor de plataformas vibratórias?... Já agora, todas essas novas profissões são de que tipo de desgaste?

Em vez de perderem horas a fio a discutir se os cartões foram ou não bem aplicados ao Maxi Pereira no jogo de ontem, não seria bem mais interessante que os portugueses (o ministério das Finanças, incluído) procurassem saber qual é ao certo o nível de desgaste de um futebolista profissional? É que isso, de certa forma, é um assunto que lhes mexe mais com o bolso, que outras "injustiças" da ordem do dia.

sábado, março 31, 2012

Um fosso na monogamia



The Monogamy Gap - Men, Love, and the Reality of Cheating, de Eric Anderson
(Oxford University Press)





Por vezes ponho-me a pensar se alguns daqueles objectivos e metas pessoais que assolam todo o jovem quando atinge uma tal suposta maturidade, não passam de desnecessárias expectativas sociais. O casamento é uma delas. Por arrasto, a monogamia é outra.


Monogamy Gap: ser social vs. ser sexual

Um dos grandes conflitos internos de grande parte dos homens e mulheres dos dias de hoje passa pelo que muitos autores, incluindo Eric Anderson, chamam de “monogamy gap”, que eu interpreto pela disparidade e conflito entre a nossa vontade pública de portarmo-nos como seres monogâmicos e os nossos desejos mais privados irem por outros caminhos, seguindo uma vida sexual mais livre e plural. É verdade que há quem consiga combinar ambas as vias, mas dificilmente conseguirá fazê-lo sem deixar de magoar alguém com quem se “monogamicamente” comprometeu. Mesmo assim há quem prefira arriscar e continuar a viver na ilusão de que nunca será descoberto. Tal como, do outro lado da barricada, haverá quem, ainda que conhecendo a tendência promiscua do(a) parceiro(a), ache que conseguirá um dia mudar-lhe essa faceta da sua personalidade. Como disse, ilusões.


Animais racionais e muito sexuais 
 
A monogamia é um assunto muito sensível tanto do ponto de vista biológico como sociológico.
Fazemos parte da natureza e a esta é tudo menos monogâmica e se é verdade que a nossa “biologia” predispõe ambos os sexos para a variedade sexual, também não é menos verdade que algumas das melhores coisas em que nos envolvemos vão contra os nossos instintos. É esta grande capacidade racional que nos distingue dos outros animais e faz qualquer comparação com eles parecer descabida.
Aliás, usar exemplos do reino animal para justificar ou defender certos comportamentos humanos é montar e cair na nossa própria armadilha. “Se os macacos são promiscuos, como é que podem esperar que eu seja fiel?”. Há animais que matam outros só para defender o seu território, podemos passar a defender o homicídio?

Há inúmeras provas de que nós somos mais inteligentes que qualquer outro animal e temos essa capacidade de nos envolvermos de uma forma extraordinária e a longo prazo com um único ser. Mas a grande dúvida é se os nossos instintos básicos acompanham essa opção, nunca esquecendo dois pressupostos: ignorar a compulsão não a faz desaparecer e a ocasião faz a oportunidade.

A estatística não engana. De acordo com a US Pornography Industry Revenue Statistics, só no ano de 2006, a população humana deste planeta gastou qualquer coisa como 97 biliões de dólares em material pornográfico, um valor que execedeu a soma das vendas desse ano de várias super-empresas, tais como a Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo!, Apple e Netflix. Quando isto é combinado com a estimativa de centenas ou milhares de relações sexuais que cada pessoa tem por nascimento (número que poderá fazer corar qualquer chimpazé pigmeu) torna-se um pouco difícil negar o nosso lado de besta sexual.


Do affair ao recreational sex

Portanto somos um outro tipo de animal, mais evoluído, mais inteligente, ao ponto de estar habilitado de fazer certas escolhas. Só que para muita gente a monogamia nem sequer é um escolha, é uma imposição (social), o que depois torna mais óbvia a escolha consequente: a infidelidade – que é, diga-se de passagem, das escolhas mais egoístas que temos à nossa disposição. Depois diz-se: escolheste, agora assume as consequências dessa escolha. 

Em todo o tipo de relacionamentos pode haver pelo menos um elemento que revela o seu egoísmo. Acontece em muitos casos em que um elemento do casal pede mais tolerância face a um ocasional “deslize”, mas se este é confrontado com a hipótese de acontecer à outra parte, ele actuará dessa forma tão tolerante? Pode-se concluir que numa perspectiva pessoal, uma infidelidade é “só sexo”, “só físico”, quando aplicado ao outro, passa a ser algo mais complexo, sobretudo, emocional. (Pelo que me tem sido dado a conhecer, os homens têm muito mais facilidade em fazer esta separação que as mulheres.)

Isto leva-nos a uma das outras dúvidas muito comuns: o sexo recreativo é mais desculpabilizável que um “on-going affair” porque o amor continua? Se consentido pela outra parte, nada a acrescentar, siga para bingo: há inúmeras formas de sermos felizes com os outros. Se desconhecido: é possível (simultaneamente) amar e desrespeitar a mesma pessoa? É um desrespeito que chega a ser perigoso, porque numa relação extraconjugal, além da confiança, também se coloca em jogo algo tão importante como a saúde do parceiro traído.


Uma espécie monogâmica tão hipersexual

O homo sapiens sempre se revelou poligâmico mas, ao longo dos séculos, a evolução humana foi marcada por processos sociais de adaptação ao meio envolvente. Com a sedentarização, criou-se o núcleo familiar, no sentido mais restritivo de como o conhecemos hoje. Assim nasce a monogamia, que a religião se incumbiu de vigiar, tomando conta da consciência dos seus fiéis e de lhes “vender” o pecado “mortal” por excelência: o adultério.
A realidade é que somos seres humanos todos diferentes e, ao contrário do que se pensa comummente desde aqueles tempos, a monogamia é o modelo que menos funciona para grande parte dos cidadãos deste mundo. Não há prova mais realista disso do que o facto de mais de metade dos divórcios dos dias de hoje se deverem a infidelidades.

A outra realidade é que há casos de sucesso em relações poliamorosas e isso explica-se pelo facto destas regerem-se por princípios mais saudáveis e menos castradores. São relações que estão devidamente assentes nos pilares da honestidade e da responsabilidade: a sinceridade total entre os parceiros e a obrigatoriedade da prática de sexo seguro nas relações extra-conjugais. A questão é que muito pouca gente está predisposta a aceitar estas regras e há quem só as aceite devido a factores de ordem social ou, diria, do politicamente correcto: “acabar com um casamento historicamente rico e com muito amor, com os filhos pelo meio, por causa de umas quecas por fora?”. É esta a principal limitação de algum tipo de relações abertas: a hipocrisia. Ou seja, a maior parte das vezes vive-se em função do sexo, mas raramente se admite a sua importância para a estabilidade conjugal. Parece que o fundamental passa por manter sempre uma boa imagem social, o que depois na prática, torna este modelo não assim tão diferente de muitos outros onde vigoram relações menos liberais – enfim, um erro colossal.


Parece que não há modelos perfeitos. Mas há e, para grande surpresa destes novos pseudo-cientistas, até podem ser monogâmicos, lá está, basta pensar bem naquilo que verdadeiramente desejamos, fazer conscientemente a nossa própria escolha e viver em função dela.
A chave de qualquer relacionamento, mais que o auto-controlo e honrar as cláusulas explícitas e implícitas de um compromisso, é só uma: comunicação bilateral com total sinceridade.

Acredito que o futuro dos relacionamentos devia passar pela coragem de expressarmos os nossos sentimentos e seguir sempre os nossos desejos. Só assim conseguiremos ultrapassar a barreira do politicamente correcto que a sociedade parece querer nos impor, e que nem sempre nos traz aquela felicidade e a estabilidade apregoadas.

sexta-feira, março 30, 2012

Music to get in car chases



"Scavenger" dos School of Seven Bells, de 2012.
Imagens do filme "The Driver", de 1978.
Combinação perfeita.

quinta-feira, março 22, 2012

Stay open


Rhye - Open from Rhye on Vimeo.


I’m a fool for that shake in your thighs, 
I’m a fool for you’re the sound in your sighs 
I’m a fool for your belly, 
I’m a fool for your love.

Em Angeiras é que eles são assim... É bêbados, aldrabões e putelheiros!

quarta-feira, março 21, 2012

Preocupemo-nos com o acessório (enquanto o essencial continua por resolver)


Na semana passada o ministro Miguel Relvas impôs um prazo a todas as Câmaras para que elas lhe enviassem a sua "situação financeira". Ora eu, completamente leigo na matéria, até poderia questionar se tal situação já não deveria estar muito bem controlada pela administração central. Mas não, prefiro perguntar: como é que, sem se saber a “situação financeira” das autarquias, já se conhece quais são as várias dezenas de freguesias do alentejo, do interior norte e do centro do país que devem ser extintas? Outra (bem melhor): para conhecer a realidade das regiões afectadas, o ministro, deslocou-se ao local ou usou o google earth?

No dia seguinte ao pedido do ministro, a RTP, através do programa "Sexta às 9", chegou-se à frente, e deu de bandeja (ao ministro e aos restantes portugueses) dois bons exemplos do (des)controlo nas contas autárquicas.

Com toda a informação disponível e a disponibilizar, esperamos que o ministro fique um pouco mais elucidado da "situação financeira" dos seus municípios e que, sobretudo, entenda onde poderão estar os maiores desperdícios de dinheiros públicos. Por aqui, continuam as dúvidas: quanto é mesmo que vão poupar com a extinção de 27 freguesias do distrito de Beja? E isso chegará para pagar que centésima parte dos 146 milhões da dívida do município de Aveiro?

sábado, março 17, 2012

Susceptibilidades


O Metropolitano de Lisboa, que apesar do ano passado ter acumulado mais 600 milhões (uma derrapagem superior a 80% face ao ano anterior) de prejuízos dá-se ao luxo de recusar contratos publicitários com uma rede social gay, para não "ferir as susceptibilidades" dos seus utentes, é agora acusado de tratá-los (os utentes) como "sardinhas em lata". 
Portanto para o ML, os seus utentes podem viajar todos em cima uns dos outros, mas mostrar um cartaz onde um gajo tem um braço em cima do ombro de outro? Isso é que não!

quarta-feira, março 14, 2012

Já fostes!


Muito triste, mas pelo menos fica provado que nem o gajo que se safa nos ambientes mais adversos consegue sobreviver à actual realidade laboral.

domingo, março 11, 2012

Sempre o mesmo fado


Acabei por apanhar só a parte final do "Festival da Canção" e tive o "prazer" de escutar a vencedora. Tem uma base de fado exigida mas o resto é medíocre. Sinceramente, duvido que o ar cândido da cantora, a irmã-gémea-separada-à-nascença da nossa ministra da agricultura, do mar, dos continentes, dos planetas, dos sistemas solares (...), chegue para nos safar da primeira eliminatória. A malta da eurovisão costuma ser um bocadinho mais exigente que isso.

quinta-feira, março 01, 2012

Alguns minutos lusitanos



Pronto, também já me mostraram o vídeo onde podemos testemunhar a participação de José Castelo Branco numa das orgias violentas, que faz parte do processo instaurado pela ex-mulher de um empresário de Famalicão, acusando-o de a obrigar a entrar em tais “festas”.

Numa palavra: desilusão. Com uma participação especial como aquela, esperava algo mais espetacular - ficaram-se pelo “espeta”.

A grande surpresa em todo o vídeo acaba por ser o facto de JCB - para além de provar (para quem ainda tinha dúvidas, que eu apontaria para uns 99,9% da população portuguesa) que é mesmo bissexual - revela que não se adapta muito bem ao papel de passivo. Já como activo, só faltou dar umas boas tapas na senhora e chamar-lhe de vadia para cima...

De resto, tudo muito amador, soft e insonso. A única "orgia violenta" que eu assisti neste vídeo foi entre a celulite, a gordura, a flacidez e as estrias no traseiro da senhora quando ela se voltou de costas para a câmara. Senhora essa que, pode-se concluir pela sua postura ao longo de todo o vídeo, parece que foi tão obrigada a participar nesta pseudo-orgia, como deve ter sido obrigada a pôr umas maminhas novas - que são as principais protagonistas da primeira parte desta “película”. Só se estava a representar. Aí já é outro filme.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

:facepalm:


A foto da mais recente capa da edição filipina da FHM não é, por si só, demonstrativa do maior espírito tolerante do mundo. Mas o pior, ou seja, a cereja vermelhona sobre um bolo imaculado de branco, é aquele título: "STEPPING OUT OF THE SHADOWS". Tão infeliz que chega a ter piada.

domingo, fevereiro 26, 2012

A ameaça



"I felt threatened. I didn't realize that I was threatening him."

Uma das sequências de imagens televisivas mais chocantes dos últimos tempos, acaba por demonstrar que continuamos a não saber manter relações com os nossos animais e, sobretudo, a tratá-los e a respeitá-los como tal: como animais. Nem pior nem melhor, simplesmente, diferente.
Esta apresentadora estava a lidar com um Dogo Argentino como se fosse uma criança, ao mesmo tempo que ia dizendo coisas simpáticas como se ele as entendesse como tal. A conjugação disto com um ambiente ultra-stressante, provocado por todo o aparato das gravações de um programa de TV, foi fatal para aquela mulher, que entendeu da pior maneira, que o comportamento humano pode ser interpretado pelos animais de uma forma totalmente diferente.

sábado, fevereiro 25, 2012

B2a0s1s2

2012 está a ser um ano um pouco atípico a nível da qualidade dos lançamentos de discos que se inserem nas novas tendências da música electrónica.
Nem dois meses passaram e já é possível recapitular tanta coisa, de tanto valor. Algumas confirmações e muitas (boas) surpresas:



Burial, confirmadeeeeérrimo;




Benjamim Damage & Doc Daneeka, dois pioneiros do uk bass juntaram-se e fizeram um LP que tem tanto de vibrante como de coerente, que sejamos realistas: é uma combinação muito rara em álbuns de música de dança;




Mickey Pearce, uma das novas e empolgantes sensações do dubstep e mais qualquer coisa;




John Talabot, a classe e o charme transformados em música house;




BLONDES, disco delicioso de techno; não é por acaso que ele levou um 10/10 de uma publicação britânica;




Scuba, o LP sai já na próxima segunda e parece-me quase tão bom como o anterior - a investigar;




Joy O & Boddika, mais uma prova de que não se perde nada em juntar dois pequenos génios e deixar que eles partilhem boas ideias...

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

De Genève, Nyon e Prangins III





First Aid Kit - The Lion's Roar from Wichita Recordings on Vimeo.


Isto também é um “bocadinho” globalização: ouvir uma banda de duas irmãs suecas, a cantarolar umas belas melodias country, à beira do lago Léman, em Genève - até encontrei o leão, mas ele não rugiu.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

De Genève, Nyon e Prangins II










Espero que os "Pranginenses" tenham consciência do potencial romântico do seu município e, já agora, da "bagatelice" que são os preços dos seus combustíveis comparativamente com os que se praticam em Portugal - 1,79CHF = 1,48€. Tendo em conta que estamos a falar de um país onde o salário médio mensal ronda os 4.800 e tal euros e os meus colegas suíços, daqui da sucursal da empresa, dizem que não conhecem nenhum licenciado que receba abaixo desses valores. Não costumam dizer que quando vamos para fora é que sabemos dar o verdadeiro valor de Portugal? Ora então, o valor de Portugal, em matéria de preços de combustíveis, é uma Suíça. Só é pena que a nível de salários (e não só) sejamos um Burkina Faso.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

De Genève, Nyon e Prangins








Por alguns dias acho que estou em boas mãos: um povo acolhedor e super-protector, com um sistema de transportes que, assim que aterramos, disponibiliza um bilhete de 80 minutos grátis com acesso a toda a cidade, que faz sufrágios por dá cá aquela palha, que nos proíbe de fazer picnics nas docas (?), que nos acomoda com uma roupa de cama com um sistema anti-ácaros, que nos dá música ambiente enquanto estamos na sanita... e que tem uns “chaines espagnoles” muito pouco espanhóis, parece-me - estou a imaginar o gajo que fez esta lista de canais de TV: "ora este é só gente a falar assim de uma forma esquisita... só pode ser espanhol!"

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Volta Paco da Bandeira, que estás perdoado!


Da noite de entrega dos Grammys, entre outros acontecimentos - como Bon Iver ter recebido o prémio revelação do ano, quando o disco de 2011 já é o seu segundo LP, já para não falar nos EPs que entretanto tem editado - destacava o tão esperado regresso a esta "festa da música" do cantor que espancou a namorada, também cantora, ao ponto de ela ter ido parar ao hospital (e ele até chegou a ser condenado a cumprir trabalho comunitário)...
Isto, umas horas depois de ter sido encontrada morta na banheira de um hotel uma outra cantora, que também foi em tempos vítima de violência doméstica por parte do seu ex-marido e também cantor - também terá sido por estes tempos que terá iniciado o seu problema de dependência - que por acaso até tem o mesmo apelido do primeiro: Brown.
Moral da história: diz que as pessoas merecem todas uma segunda oportunidade, só que parece que uma outra oportunidade por vezes não chega. Por vezes só mesmo um milagre consegue recuperar vidas em progressivo declínio.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Da obsessão ao isolamento


“Shame”, de Steve McQueen, aborda a vida de Brandon, um nova-iorquino solteiro de Wall Street, com uma muito limitada vida social, que acaba por ser compensada pela sua secreta compulsão para o sexo. A vida deste homem que, simultaneamente, tem tudo e não tem nada, é-nos dada a conhecer sem quaisquer vestígios de julgamento ou de censura perante a sua dependência, mas também não propõe qualquer tipo de condescendência para com ela. Aliás, a forma crua e realista como as cenas de sexo com algumas prostitutas e engates de circunstância são reveladas, estão muito longe de querer romantizar seja lá o que for. Cenas essas que ele terá visto e copiado de um dos seus vídeos porno, da sua vasta colecção, que ocupa uma boa parte do disco rígido do seu portátil, ou directamente da janela de um dos seus vizinhos. Ninguém devia ficar surpreendido com isto. Afinal de contas, este lado irracional da vida sexual de Brandon não é assim tão diferente da vida sexual - copiada de, ou (des)inspirada em, pornografia - da maioria dos homens de hoje.

“Shame” também é um filme incómodo e perturbador não tanto porque demonstra a infelicidade da vida de alguém viciado em sexo, mas porque revela que este tipo de homens se auto-desprezam ao ponto de tornar impossível qualquer tipo de comunicação honesta com os outros. Inclusive, com a sua própria irmã, que reaparece na sua vida para baralhar toda sua vida intima e dar mais algumas pistas sobre a origem do seu “trauma”. Se bem que na prática o que interessa é o resultado final: mostrar o outro lado do homem para além da sua dependência. Isto, por si só, é algo que Mary Harron, por mais que tivesse tentado, não conseguiu revelar no seu “American Psycho” (2000).

Só um grande actor, como Michael Fassbender o é, consegue desvendar toda a verdade de um personagem assim. Fez tudo isto praticamente quase sem abrir a boca e, nos tempos mortos, ainda provoca orgasmos a senhoras desprevenidas, em plena carruagem do metro, só com o olhar. De mestre, mesmo.


Outro continente, outro filme, outra obsessão. “Skoonheid”, do sul-africano Oliver Hermanus, tem como protagonista um típico “afrikaaner”, branco, racista, chefe de família e, aparentemente, muito bem integrado numa das sociedades mais conservadoras do mundo. Portanto tinha tudo para ser feliz, mas ele, Francois, é um homem reprimido e revoltado. Isto deve-se ao facto de ser homossexual e de estar, como tantos outros homens por esse mundo fora, aprisionado a uma vida de aparências. A sua “normal” vida dupla é subitamente alterada quando conhece, numa festa de casamento, o filho de um dos seus amigos, que se vai tornar daí adiante a sua obsessão. Todo o seu lado mais sombrio revelar-se-á a partir desse momento - que, convém dizê-lo, é filmado brilhantemente.


Não deixa de ser curioso que dois dos melhores filmes que vi nos últimos tempos, retratem de uma forma muito séria a história de um segredo que obriga os seus donos a transformarem-se em seres emocionalmente isolados. E que, por outro lado, obriga a nós - quem os vai descobrindo - a pensar sobre as suas obsessões e, sobretudo, sobre as nossas. Ou seja: uma viagem de auto-descoberta que pode ser tão ou mais devastadora como a de destas duas personagens.


(Ambos os filmes ainda não estrearam em Portugal. O primeiro, devido às boas críticas internacionais, à razoável surpresa no resultado de bilheteiras nacional do filme anterior de McQueen, “Fome”, e a toda a conjuntura em torno do tamanho do pirilau do Fassbender, acredito que isso ainda seja possível. O mesmo não poderei dizer do segundo, infelizmente.)

domingo, fevereiro 05, 2012

Brains

É o novo single dos Lower Dens e é algo que não falta à organização do Festival Primavera no Porto, por os terem incluído no seu cartaz.

terça-feira, janeiro 31, 2012

Falidos mas com uma moral intocável

Metro de Lisboa recusa publicidade da rede social gay Manhunt

Mas publicidade a lingerie com meninas semi-despidas, a revistas de adultos (Penthouse, Playboy, etc), a sex shops com palavras quase explicitas e meninas em trajos menores já é permitido. Porquê? Porque esses negócios não competem directamente com os do Metropolitano de Lisboa (ML) - pelo menos, por enquanto, só nos vai fornicando a paciência e a carteira com alguns atrasos, greves e os aumentos das tarifas... Já um site internacional de engates gay é claramente uma ameaça concorrencial às casas de banho públicas do ML (entre outras). Portanto, tudo me leva a crer que esta decisão, ao contrário do que foi dito, é pura estratégia comercial.
Obrigado, ML, por colocar “as susceptibilidades” dos seus clientes acima dos seus generosos e sucessivos milhões de euros de prejuízos anuais, dando-se ao luxo de recusar contratos publicitários.

Eu também acho que as pessoas merecem sempre uma segunda oportunidade


E agora vamos ver qual vai ser o desafio que vai calhar à Sónia Brazão para a próxima semana... Arrebentar com esta merda toda!

segunda-feira, janeiro 30, 2012

O delírio é contagioso


Do you ever have that feeling where you can’t tell if something’s a memory or if it’s something you dreamed?

Muito do que Martha vê (e a aterroriza) é muito pouco nítido na perspectiva do telespectador, fazendo com que este fique quase tão paranóico quanto ela. Isso, temos que admitir, não é nada agradável, mas, por outro lado, transforma-se num dos maiores triunfos deste surpreendente e ambíguo thriller psicológico.

sexta-feira, janeiro 27, 2012

De confiança

Só o facto de saber que 50% dos Trust é 33,3(3)% dos Austra dá-me alguma “confiança” para recomendar o disco de estreia daquele duo de Toronto: “TRST”. Mas a electrónica retro, o ambiente gótico, uma orgia de sintetizadores e John Maus às cavalitas dos Crystal Castles, em doses muito generosas, cumpre ainda melhor essa função.

"Candy Walls" by Trust from Eva Michon on Vimeo.



Trust - Bulbform from Arts & Crafts on Vimeo.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Escândalo: faz-se serviço público com cartas de Tarot


As “Cartas da Maya” é o meu guilty pleasure de quase todas as manhãs. Foi a companhia que escolhi para o meu pequeno-almoço. Claro que podia ser muito melhor, mas também podia ser pior, como os noticiários pré-formatados dos canais concorrentes.

Do que já vi até hoje, ainda não presenciei nenhum caso em que ela tivesse dado indicações contrárias aquelas que um médico, um advogado ou um psicólogo pudesse dar, baseado exclusivamente nas escassas palavras do outro interlocutor. Pelo contrário, já a vi mais que uma vez a incentivar para que as pessoas recorram à medicina portuguesa, ao mesmo tempo que a elogia desmesuradamente. Também já assisti a um caso em que ela deu todas as indicações certas para que uma pessoa pudesse avançar com umas partilhas. Nos casos sentimentais, o que oiço dali é basicamente o concelho que se espera do melhor amigo ou amiga. Se alguém se vê envolvido com alguém casado, que se acabe com as ilusões e que se ganhe consciência imediatamente das reais possibilidades de tal relação; se o filho arranjou uma mulher que lhe inspira pouca confiança, que deixe o filho sair definitivamente debaixo das suas saias e que aprenda a viver sozinho os seus amores e desamores; ...

Sinceramente, acho que mais grave do que ela fornecer informações que não são da sua competência, como já foi acusada, é haver tanta gente a precisar de recorrer aos serviços de uma taróloga para se orientarem nesta sociedade. Isto pode ser um indicador de desequilíbrio destas pessoas que ligam insistentemente para aquele número de valor acrescentado para que alguém lhes diga que se tem qualquer sintoma devem ir imediatamente ao médico, ou se estão desempregados é porque devem mudar de estratégia na procura de emprego, ou procurar formação subsidiada, etc, mas também pode revelar o total descrédito, de algumas daquelas pessoas, no actual funcionalismo público.
O que será afinal verdadeiramente mais perigoso: uma previsão (previsível) em forma de concelho básico da Maya ou um primeiro-ministro que diz “se estás desempregado muda de país”?

terça-feira, janeiro 24, 2012

Voltemos a 1999


Ainda estou à espera de ouvir dizer que a economia mundial está em mau estado por causa de um gordo, tão inteligente quanto alienado, que ficou com parte dos "mega"-lucros das companhias discográficas.

Agora que se percebeu o verdadeiro potencial financeiro do download, seria esta a melhor altura para reorganizar todo o sistema de distribuição de música e torná-lo mais favorável a quem de direito: o autor/criador. Mas não, parece que vamos continuar com a guerrinha "anti-pirataria" que só pretende beneficiar quem a começou - os mesmos que achavam que a iam vencer com um CD anti-cópia.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Bibá Pipa?

Venho por este modesto meio pedir aos senhores da SOPA, da PIPA e da POPOTA que adiassem esse tão desejado armagedão cibernético para daqui a mais uns tempos. Do género: para quando fazerem um mínimo esforço para baixar os preços dos CDs, ou para quando não tivermos que esperar um ano pela estreia de um filme nas salas portuguesas (se é que chega estrear) ou esperar que um canal nacional de TV decida adquirir séries de jeito e que não as coloque às 4 da manhã. Até lá, parece-me prematuro.