terça-feira, outubro 16, 2012

Sobre a reportagem que a SIC passou ontem à noite, em horário nobre









A reportagem debruça-se quase exclusivamente sobre a dura vida de um ex-empresário a poucos dias/horas de fechar a sua empresa... Mas as suas funcionárias também sabem perfeitamente o que é o "stress" de viver uma situação limite. Ninguém reclama logo "as suas horas" por acaso; ninguém come o seu almoço de marmita, na rua, sentado num tijolo, por acaso.
É legítimo que ele tenha pedido a sua dispensa por duas ou três semanas (sem salário) com uma possibilidade de voltarem a serem chamadas depois desse prazo... Tal como é legítimo que elas não aceitem tais condições e prefiram o "fundo de desemprego".
As promessas nunca mataram a fome a ninguém.

Mas não era sobre o tema da reportagem que eu queria escrever. Era só sobre a reportagem.
Tecnicamente não há outro canal de televisão nacional a fazer reportagens a este nível. Podiam-se ter exclusivamente preocupado em passar a mensagem, com um desabafo aqui, uma lamentação ali, uma declaração polémica acolá. Não, nota-se que há, sobretudo naquela equipa técnica, outras prioridades. Montagem: a ordenação e o ajuste dos planos são perfeitos (a sequência inicial do jogo de sons na alfaiataria está fabulosa); o som, vai pelo mesmo caminho; a fotografia: óptimos enquadramentos; o grafismo, bonito e vanguardista; ...
Em suma, não há assim tantas diferenças entre "isto" e qualquer documentário independente premiado no Festival de Sundance.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Porque o reset pode ser mesmo a melhor opção





De uma vez por todas, estes políticos da treta têm que entender que o aqui está em causa, não é o valor em si. Estes 210 mil euros ao lado dos milhões da dívida pública nacional são peanuts. Mas o que aqui está em causa é toda a questão moral que estes gastos levantam. Quando se pedem mais e mais sacrifícios aos portugueses, aparecerem estas notícias de mordomias que não se coadunam com o estado real do país. O que me faz pensar que esta gente vive claramente numa redoma de vidro, num outro patamar da realidade - claro que com os previlégios que têm, mais acomodados não se podem sentir e de lá tão pouco ninguém os tira. E sentem-se tão impunes que se dão ao luxo de mandar estas "piadas" (a do “Clio”, do Assis, é ainda melhor), esquecem-se é que há uma outra realidade que anda com muito pouca disposição para as receber. Repito: esta classe política está completamente desajustada da realidade, e são indivíduos como este Zorrinho, com a inteligência de um burrinho (sem ofensa para o animal irracional) e o oportunismo de um abutre, que nos governam, que não têm capacidade de entender o poder e as consequências das suas palavras e que só vem aprofundar ainda mais a divisão entre o povo e “eles”.

Se alguém ainda tinha dúvidas, aqui estão as provas. Estes políticos não prestam, são medíocres e sem vestígios de espinha vertebral. Se não fosse a grave situação económica em que o país se encontra (e das consequências ainda piores que poderiam advir de tal medida) diria que a solução estaria na dissolução da Assembleia da República feita pacíficamente pelo povo (quem mais poderia ser?) - coisa que certamente dar-me-ia o mesmo prazer que aquele que um dono do rabo tremido e requentado sente a bordo de um BMW 5 pago pelos “outros”... Ou, vá lá, de um Audi A5.
Era só isso. Era fazer um reset ao sistema político, criar uma comissão parlamentar do povo, onde fossem estabelecidas as bases para a criação de um novo sistema pluralista, assente na verdade, na transparência, na justiça, na equidade e no equilíbrio. Tudo assim, bonitinho e extra-partidário, constituído por indivíduos íntegros e de currículo não instantâneo, com uma verdadeira vontade de servir e não de se servir do sistema.

segunda-feira, outubro 08, 2012

Música para ouvir de olhos fechados



arrow from Angelos Stratis on Vimeo.

Desde os primeiros tempos que a música dos The Irrepressibles serve de banda sonora a algumas boas experiências visuais. Não precisa de ser algo muito elaborado, como é o caso. 
Aliás, para ser mais correcto, nem precisamos ver, basta ouvir, para sermos imediata e emocionalmente absorvidos por todo um certo dramatismo, único mas universal, que permite a cada ouvinte viver o seu próprio "filme".

“Nude”, o novo álbum, tem edição prevista para o dia 22 deste mês.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Sim, já é oficial, este país é um enorme FAIL!


No início das comemorações deste "5 de Outubro" a bandeira portuguesa foi hasteada ao contrário e o Presidente da República nem reparou... Este momento caricato não é mais do que o melhor reflexo de um país virado do avesso, com um presidente muito "distraído".

quarta-feira, outubro 03, 2012

Moda circuncidada

Ou fazer mesmo questão de andar com ele ao peito.



(Adquirir aqui.)

Como as webzines lidam com a arte sem prepúcio




Já a capa do primeiro disco da banda de hip-hop exprimental californiana Death Grips tinha causado alguma perplexidade, inclusive nas webzines mais indie/underground/hipster do momento.

 

No mesmo ano, acabam de lançar o segundo disco de originais com um título (“No Love Deep Web”) e respectiva capa, no mínimo, ainda mais curiosos (para não dizer espirituosos).

Boa ou má qualidade da sua música à parte, não deixa de ser interessante o modo descomplexado como apresentam os seus trabalhos: nos vídeos arcaicos, nas letras minimalistas, nestas capas... circuncidadas.

Também é digno de atenção constatar como aquelas webzines e revistas de música alternativa (vocês sabem quais são) lidam com tanta desinibição artística. O que se ouve é de obra-prima para cima; o que se vê, por vezes, tem que ser camuflado, que, em certos casos, chega a ser uma boa resposta recreativa, quase à altura da qualidade da obra original.




 

quarta-feira, setembro 26, 2012

Esta criança já é grande

 

Ainda bem que não fui o único a reparar nisso.


segunda-feira, setembro 24, 2012

Minas do Braçal


O Braçal, a Malhada e o Coval da Mó constituiram um dos mais importantes centros mineiros do norte do pais.
A descoberta nestas minas de vestígios antigos leva à conclusão de que as mesmas já existiam, provavelmente do tempo dos Romanos. De 6 de Agosto de 1836 data a emissão do decreto concedendo campo da antiga mina do Braçal a José Bernardo Michelis. Em 1840 a  concessão passou para o alemão Diéderich Mathias Fewerheerd que a explorou durante dez anos.
Em 1850 foi descoberta a mina da Malhada que dista da do Braçal cerca de 800 metros cujo poço principal o “Poço Mestre” tinha cerca de 400 metros de profundidade.
Iniciou-se uma nova fase em 1882 com a criação da Companhia Mineira e Metalurgica do Braçal, formando-se em 1898 uma Companhia Belga que se propôs revitalizar as minas e modernizá-las.
Todo o complexo mineiro é banhado pelo rio Mau que passa neste local, formando esta linda cascata da Cabreia e que na zona mineira se encontra escondido, quase sempre canalizado em túneis.
Já no século XX e durante vários anos a empresa mineira foi administrada pelo Sr. Engenheiro Gregório Pinto Rola.
Após alguns anos de paragem, a exploração mineira foi reactivada em 1942, terminando definitivamente em 1958, sendo administrador até então o Sr. Engenheiro João Oliveira Vidal.
De 1949 a 1955 chegaram a trabalhar neste complexo mineiro 742 operários, fazendo desta empresa uma das maiores do Distrito de Aveiro.
O encerramento das minas provocou um grave problema social que levou ao êxodo completo para a emigração em França e Alemanha.

In folheto informativo do “PR2 Cabreia e Minas do Braçal”.

Em alternativa a este percurso pedestre, é possível aceder ao que resta destas minas através da localidade de Fojo e Folharido (nos arredores de Sever do Vouga). Parte do caminho é feito em terra (e pedra?) batida e, em Fojo, o percurso é feito por uma curiosa estrada asfaltada que até tem uma linha descontínua que separa as duas faixas, mas em que mal cabe um carro...


Assim que se começa a ouvir as águas do rio Mau é sinal de que se está muito próximo das Minas. A flora é abundande e dá um toque muito bonito e bucólico a toda a zona: desde as margens do rio até ao interior das ruínas das Minas do Braçal.
No verão, como o caudal do rio está baixo, um passeio ao longo da sua água fresca e transparente é uma excelente alternativa ao percurso pedestre da zona (o mais completo e o que permite aceder às minas do Braçal tem mais de 10 Kms). Foi exactamente o que acabei por fazer. Trata-se de uma experiência inesquecível, garanto-vos.

(Este percurso pedestre precisa definitivamente de uma revisão...)


 







 


Quanto às Minas em si, nota-se que a sua degradação tem sido mais rápida que a perspicácia da entidade competente em a proteger. Pelo que presenciei, quase parece que a natureza assumiu esse papel...















 


 Resta saber até quando.