sexta-feira, junho 08, 2012

Se isto não é arte...

Nos arredores de Porto Salvo (Oeiras), em pleno Tagus Park e num complexo de edifícios inacabados, descobri mais um autêntico “laboratório do graffiti”. Não fica muito distante de um outro local com características semelhantes e também já visitado com alguns amigos: a antiga Fábrica do Cabos d’ Ávila.
Só que surpreendentemente, desta vez, como poderão ver por esta amostra de fotos de débil qualidade, há algo mais que a concentração de bons graffitis. Para além de haver um interessante relacionamento entre muitos deles, neste recôndito lugar faz-se uma autêntica homenagem à cultura universal.


domingo, junho 03, 2012

R.I.P. Teen Horror Movies


Quanto menos se souber sobre este filme, melhor ele poderá ser. Portanto, a história de “The Cabin in the Woods” começa com a aventura de cinco amigos que vão passar uns dias numa “cabana” perdida no meio de uma floresta... E fico-me por aqui.

O resto podia ser o que se espera de qualquer “teen horror movie” americano, mas não é. Acrescenta-se algumas surpresas e a história muda radicalmente de rumo ao ritmo do (respectivo) twist. Nada de novo, porque, mais que não seja, não há sequela de filme deste género que não desconstrua o seu original. Só que este filme vai um pouco mais longe e tem ainda outra vertente (não inédita mas, talvez, seja aquela que melhor funciona ao longo do filme): o humor. Daqui sou assombrado pelo verdadeiro pesadelo que se chama: “Scary Movie” e as suas infinitas sequelas, mas rapidamente vejo a luz, porque, na verdade, este “The Cabin in the Woods”, para além de chegar a ter mesmo piada, tem boas ideias. Uma delas surge mesmo no final, quando percebemos qual a verdadeira intenção dos argumentistas Joss Whedon e Drew Goddard (“Lost”, “Nome de Código: Cloverfield”, “A Vingadora”, etc): enterrar um género cinematográfico que já está mais que “morto”.

Todos os limitados clichés da maioria dos filmes de terror norte-americanos já mereciam um filme (acima da sua altura) que os satirizasse e os subvertesse, mas só que com alguns buracos no argumento e outras tantas cenas previsíveis, fica-se na dúvida se o objectivo desta obra é, na verdade, um ajuste de contas ou uma homenagem. A não ser que sejam erros e limitações intencionais para que a sátira seja completa. Pois, se assim for, chegou a vez de eu lhe tirar o meu chapéu.

sexta-feira, junho 01, 2012

Como é que se escolhe


entre isto


e isto?


Não se escolhe – são, talvez, duas das mais importantes bandas da actualidade, que por acaso até editaram dois dos melhores discos de 2012. Não é uma escolha difícil, é uma escolha impossível.
Mas resta-me desejar boa sorte, para quem tiver que a fazer, de hoje a 8 dias, no Parque da Cidade no Porto (Primavera Sound).

segunda-feira, maio 28, 2012

Arrow



When you were the age 15 they shot the arrow at you
You put that arrow in
became an angel too
But you were proud to be you.

When you made a pact with him
a secret that you’d keep
That you’d forget that sin
could be so warm, so free! 
That you could find such release. 

My dear St Sebastian, in every breath we complete…

Vós tendes as palaaaaaavras... Mas não tendes agudos.

quarta-feira, maio 23, 2012

“I think I caught a cold killing a banker”*


*Expressão retirada do filme "Holy Motors", de Leos Carax, em competição no Festival de Cannes deste ano.
Se não é a "quote" do ano, andará lá perto.

domingo, maio 20, 2012

Fim-de-semana alternativo



Às vezes basta um segundo para mudar a vida de uma pessoa. Mas um fim-de-semana pode ser o espaço temporal suficiente para amadurecer essa mudança.

A vida de um rapaz citadino muda radicalmente numa sexta-feira, igual a todas as outras sextas-feiras: chega do trabalho, inicia o ritual de preparação para uma saída nocturna, segue-se um jantar na casa dos amigos e, por fim, uma ida a um bar. Conhece um gajo no bar e acabam na cama. E depois começam as interrogações (este filme está cheio delas) que se pode resumir numa: o que significou aquela noite para cada um dos seus intervenientes?

É um erro limitar “Weekend”, do semi-estreante Andrew Haigh, à categoria de “filmes gay”. Este filme é um fiel (e cruel) retrato do lado descartável das relações urbanas dos dias de hoje, sejam elas gay ou hetero. Aliás, a provar isso, há uma muito interessante cena no final da sequência da “manhã seguinte”, enquanto os rapazes, em fase de despedida, trocam números de telemóvel, no apartamento ao lado está a acontecer mais ou menos o mesmo, entre um rapaz e uma rapariga:
- Did you have a good time last night?
- Last night was sweet, yeah.

“Weekend” não é uma versão moderna ou urbana de “Brokeback Mountan”. Nem nunca pretende o ser. Aqui ambas as personagens - com as suas particularidades - estão perfeitamente conscientes da sua orientação sexual - se bem que isso não significa que estejam integradas num meio social envolvente menos hostil que o retratado no filme de Ang Lee. Ambos os filmes são muito realistas nesse sentido, mas “Weekend” é ainda mais, pois facilmente identificamos cada uma daquelas personagens secundárias do filme: o melhor amigo que consegue descobrir (só observando a nossa forma de estarmos com os outros) que estamos com um problema e que fará tudo para nos desenrascar, o gingão que gosta de contar piadas homofóbicas em locais públicos, de preferência, com as amigas por perto, e o outro que conta todos os detalhes do seu último engate de circunstância aos amigos, ou a amiga confidente que aprecia os pormenores mais sórdidos dos encontros dos outros, etc.

O filme aborda de uma forma muito simples o mistério da atracção sexual e das suas consequências. Parece algo pouco inédito, mas a verdade é que não conheço muitos outros filmes que tenham explorado tão bem e tão eficazmente o campo de atracção entre dois seres estranhos e as suas diferenças.

“Weekend” também roça tecnicamente a perfeição. O realizador/argumentista tomou a opção certa ao não ceder pela tentação voyeurista de querer mostrar tudo o que se passou na primeira noite, quando tudo começou, e preferiu transformar essas imagens em palavras, colocando-as na boca dos seus dois actores principais – que são fantásticos nos seus diálogos aparentemente improvisados.
O filme é muito emocional, mas Andrew Haigh nunca se recorre à música para o tornar hollywoodesco e lamechas. Nesse sentido, só com base em silêncios, gestos e palavras o filme eleva-se a um patamar superior.
Uma nota final para alguns soberbos planos fixos da paisagem urbana, quase sempre deserta. Parece querer simbolizar o tipo de solidão tão típico das zonas de grande concentração populacional urbana e suburbana.

Se apesar de tudo isto ainda não encontrarmos razões suficientes para considerar este pequeno e independente filme britânico uma preciosidade, que pelo menos tiremos qualquer coisa desta lição: temos mesmo que falar sobre a noite anterior, para saber como vamos estar amanhã.  

domingo, maio 06, 2012

O homem que morreu duas vezes



Só agora vi “O Lado Selvagem”, “Into the Wild”, um filme de 2007, de Sean Penn. Este atraso não foi despropositado. Eu já sabia o que o filme abordava e temia sobretudo que ele se transformasse numa espécie de episódio alargado de um daqueles docudramas “homem vs. natureza selvagem” da Discovery Channel (como “A minha vida por um fio” (RTP1), ou pior). O trailer também não ajudou.
Só que, para minha surpresa, “Into the Wild” tem afinal muito pouco de manual de sobrevivência. Tem, sobretudo, uma grandiosa lição de vida.

A felicidade faz pouco sentido se não for partilhada e o perdão pode ser uma das grandes chaves para que ela, simplesmente, aconteça. O protagonista desta bonita história (baseada em factos verídicos) descobri-o tarde demais e quando pouco mais podia fazer, é certo, mas ainda assim, poucas pessoas conseguirão alcançar o nível de liberdade que aquele homem alcançou. E a liberdade é outra das grandes chaves para a felicidade, como prova disso Christopher Mccandless - o homem (real) em que esta ficção se inspirou - deixou, entre outros registos para a posteridade, a sua foto, onde ele aparece encostado aquele velho autocarro, com um sorriso puro e, diria, eterno.

What if I were smiling and running into your arms? Would you see then… what I see now?

quarta-feira, maio 02, 2012

Um dia normal

(foto retirada do Jornal de Negócios)

A PSP emitiu um comunicado via facebook onde acaba por dizer que não existiram “registos de detenções ou graves situações de alteração de ordem”. Portanto, ontem, excluindo uns problemitas pontuais por causa de mau estacionamento ou da disputa pelo último pacote de arroz, foi um dia normal de compras no Pingo Doce.

Ou seja, aquilo que mais me pareceu uma espécie de simulação de um dia apocalíptico, onde uma cadeia de supermercados aproveita-se da situação miserável (não me refiro exclusivamente ao seu perfil económico) dos seus clientes para fazer marketing estratégico e ganhar uns pontos na guerra com o Continente e Ca. – espero que ninguém tenha caído naquela da “ajuda”, pois se o PD quisesse efectivamente ajudar os portugueses, não acumulava uma megapromoção destas num único dia (e justamente num dia simbólico como o 1º de Maio), mas distribui-a proporcionalmente por todos os restantes dias do ano – para a PSP não passou de uma operação rotineira, de um dia normal, lá está.

O facto de toda aquela gente não ser malta freak, não fumar o seu charrito, nem serem fotojornalistas com a câmara em riste, entre outro tipo de gente “ameaçadora” com especial predilecção para ocupar espaços, em vez de os esvaziar, contribuiu certamente para tanta normalidade.

sábado, abril 28, 2012

Fantasma matinal



Assim que acordo e olho em direcção à janela, vejo um céu diurno escuríssimo que me começa por confundir temporalmente. Esse é um momento distinto na minha vida, um dos mais estranhos, quando eu não sei quem sou. Sinto que estou longe de casa. Estou assombrado e cansado do dia anterior, deitado numa cama que parece-me não ser a minha, só a ouvir os barulhos provocados por uma vizinhança que me é totalmente estranha e tudo isso precipita-se para essa desesperada conclusão de não saber quem eu sou - pelo menos por alguns segundos. Não estou assustado, mesmo sabendo que afinal sou outra pessoa, um estranho; mesmo que toda a minha vida seja, subitamente, assombrada por essa ideia de eu não passar de um fantasma.

sexta-feira, abril 27, 2012

sábado, abril 21, 2012

Alta fidelidade



Tem crescido em cada audição e, curiosa e extraordinariamente, tem funcionado bem melhor longe dos auscultadores. Portanto esta música dos Poliça (que, em parte, são dois dos principais colaboradores dos Gayngs) ganha toda uma nova dimensão enquanto escutada à distância num bom sistema Hi Fi. Só assim conseguiremos dar o verdadeiro valor à espantosa secção rítmica presente em cada uma das faixas deste disco de estreia. Parece-me certo que nem sempre funciona da melhor maneira, mas o que acaba por ser mais surpreendente neste "Give You the Ghost" é que - e contrariando todos os meus receios - o autotune acaba por ser uma mais-valia.

terça-feira, abril 17, 2012

Funciona!

(clicar para ampliar)

Tremam, tremam muito

Dia do julgamento

domingo, abril 08, 2012

A threat




Death and desire, an unlikely pair
Roll up in the disco, make the beat spare
Now this may be a party, but don't forget
The lovers on the dancefloor are a threat

The lovers on the dancefloor are a threat, don't forget.

quinta-feira, abril 05, 2012

A sua profissão desgasta-o? Compre uma plataforma vibratória ou... tivesse ido para futebolista!

Apesar de dois dos temas preferidos dos portugueses serem o futebol e as injustiças, nunca ouvi ninguém debruçar-se com mais afinco sobre a faceta de “profissão de desgaste rápido” (PDR) dos profissionais daquela modalidade. Certamente é porque não devem gostar de misturar amores com ódios de estimação e, de certa forma, aí eu até os compreendo muito bem.
Como se sabe, esta categoria (PDR) permite a certas profissões aproveitarem alguns benefícios fiscais, como acontece com os desportistas de alta competição, em geral, futebolistas, em especial. 

Futebolistas e mineiros, juntos pela mesma causa. Como qualquer escolha de profissão, ser futebolista passa por uma escolha consciente, onde se deve ponderar todas as vantagens e desvantagens de uma actividade que, quase por regra, manda os seus trabalhadores para o “banco”, pouco depois de passarem a barreira dos 30 anos. 
Há no entanto que ter em consideração que, na generalidade, todas as profissões que se enquadram nesta categoria são pagas acima da média e, no caso dos futebolistas, mesmo que só se mantenham no activo durante 10 anos, alguns deles auferem valores anuais  que representam aquilo que 85% da população, que não teve tanta sorte ou “queda” para o futebol, nunca ganhará em toda uma vida de trabalho – inclusive em outras PDR, sejam mineiros ou agricultores.

O que faz um mineiro e um futebolista em fim de carreira? Um mineiro limita-se a rezar para que não tenha contraído alguma doença das vias respiratórias, para que consiga gozar, com saúde, os seus anos de aposentação. E um futebolista? Continua a jogar em clubes regionais? Torna-se treinador ou elemento das equipas técnicas? Dirigente desportivo? Comentador desportivo? Vendedor de plataformas vibratórias?... Já agora, todas essas novas profissões são de que tipo de desgaste?

Em vez de perderem horas a fio a discutir se os cartões foram ou não bem aplicados ao Maxi Pereira no jogo de ontem, não seria bem mais interessante que os portugueses (o ministério das Finanças, incluído) procurassem saber qual é ao certo o nível de desgaste de um futebolista profissional? É que isso, de certa forma, é um assunto que lhes mexe mais com o bolso, que outras "injustiças" da ordem do dia.

sábado, março 31, 2012

Um fosso na monogamia



The Monogamy Gap - Men, Love, and the Reality of Cheating, de Eric Anderson
(Oxford University Press)





Por vezes ponho-me a pensar se alguns daqueles objectivos e metas pessoais que assolam todo o jovem quando atinge uma tal suposta maturidade, não passam de desnecessárias expectativas sociais. O casamento é uma delas. Por arrasto, a monogamia é outra.


Monogamy Gap: ser social vs. ser sexual

Um dos grandes conflitos internos de grande parte dos homens e mulheres dos dias de hoje passa pelo que muitos autores, incluindo Eric Anderson, chamam de “monogamy gap”, que eu interpreto pela disparidade e conflito entre a nossa vontade pública de portarmo-nos como seres monogâmicos e os nossos desejos mais privados irem por outros caminhos, seguindo uma vida sexual mais livre e plural. É verdade que há quem consiga combinar ambas as vias, mas dificilmente conseguirá fazê-lo sem deixar de magoar alguém com quem se “monogamicamente” comprometeu. Mesmo assim há quem prefira arriscar e continuar a viver na ilusão de que nunca será descoberto. Tal como, do outro lado da barricada, haverá quem, ainda que conhecendo a tendência promiscua do(a) parceiro(a), ache que conseguirá um dia mudar-lhe essa faceta da sua personalidade. Como disse, ilusões.


Animais racionais e muito sexuais 
 
A monogamia é um assunto muito sensível tanto do ponto de vista biológico como sociológico.
Fazemos parte da natureza e a esta é tudo menos monogâmica e se é verdade que a nossa “biologia” predispõe ambos os sexos para a variedade sexual, também não é menos verdade que algumas das melhores coisas em que nos envolvemos vão contra os nossos instintos. É esta grande capacidade racional que nos distingue dos outros animais e faz qualquer comparação com eles parecer descabida.
Aliás, usar exemplos do reino animal para justificar ou defender certos comportamentos humanos é montar e cair na nossa própria armadilha. “Se os macacos são promiscuos, como é que podem esperar que eu seja fiel?”. Há animais que matam outros só para defender o seu território, podemos passar a defender o homicídio?

Há inúmeras provas de que nós somos mais inteligentes que qualquer outro animal e temos essa capacidade de nos envolvermos de uma forma extraordinária e a longo prazo com um único ser. Mas a grande dúvida é se os nossos instintos básicos acompanham essa opção, nunca esquecendo dois pressupostos: ignorar a compulsão não a faz desaparecer e a ocasião faz a oportunidade.

A estatística não engana. De acordo com a US Pornography Industry Revenue Statistics, só no ano de 2006, a população humana deste planeta gastou qualquer coisa como 97 biliões de dólares em material pornográfico, um valor que execedeu a soma das vendas desse ano de várias super-empresas, tais como a Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo!, Apple e Netflix. Quando isto é combinado com a estimativa de centenas ou milhares de relações sexuais que cada pessoa tem por nascimento (número que poderá fazer corar qualquer chimpazé pigmeu) torna-se um pouco difícil negar o nosso lado de besta sexual.


Do affair ao recreational sex

Portanto somos um outro tipo de animal, mais evoluído, mais inteligente, ao ponto de estar habilitado de fazer certas escolhas. Só que para muita gente a monogamia nem sequer é um escolha, é uma imposição (social), o que depois torna mais óbvia a escolha consequente: a infidelidade – que é, diga-se de passagem, das escolhas mais egoístas que temos à nossa disposição. Depois diz-se: escolheste, agora assume as consequências dessa escolha. 

Em todo o tipo de relacionamentos pode haver pelo menos um elemento que revela o seu egoísmo. Acontece em muitos casos em que um elemento do casal pede mais tolerância face a um ocasional “deslize”, mas se este é confrontado com a hipótese de acontecer à outra parte, ele actuará dessa forma tão tolerante? Pode-se concluir que numa perspectiva pessoal, uma infidelidade é “só sexo”, “só físico”, quando aplicado ao outro, passa a ser algo mais complexo, sobretudo, emocional. (Pelo que me tem sido dado a conhecer, os homens têm muito mais facilidade em fazer esta separação que as mulheres.)

Isto leva-nos a uma das outras dúvidas muito comuns: o sexo recreativo é mais desculpabilizável que um “on-going affair” porque o amor continua? Se consentido pela outra parte, nada a acrescentar, siga para bingo: há inúmeras formas de sermos felizes com os outros. Se desconhecido: é possível (simultaneamente) amar e desrespeitar a mesma pessoa? É um desrespeito que chega a ser perigoso, porque numa relação extraconjugal, além da confiança, também se coloca em jogo algo tão importante como a saúde do parceiro traído.


Uma espécie monogâmica tão hipersexual

O homo sapiens sempre se revelou poligâmico mas, ao longo dos séculos, a evolução humana foi marcada por processos sociais de adaptação ao meio envolvente. Com a sedentarização, criou-se o núcleo familiar, no sentido mais restritivo de como o conhecemos hoje. Assim nasce a monogamia, que a religião se incumbiu de vigiar, tomando conta da consciência dos seus fiéis e de lhes “vender” o pecado “mortal” por excelência: o adultério.
A realidade é que somos seres humanos todos diferentes e, ao contrário do que se pensa comummente desde aqueles tempos, a monogamia é o modelo que menos funciona para grande parte dos cidadãos deste mundo. Não há prova mais realista disso do que o facto de mais de metade dos divórcios dos dias de hoje se deverem a infidelidades.

A outra realidade é que há casos de sucesso em relações poliamorosas e isso explica-se pelo facto destas regerem-se por princípios mais saudáveis e menos castradores. São relações que estão devidamente assentes nos pilares da honestidade e da responsabilidade: a sinceridade total entre os parceiros e a obrigatoriedade da prática de sexo seguro nas relações extra-conjugais. A questão é que muito pouca gente está predisposta a aceitar estas regras e há quem só as aceite devido a factores de ordem social ou, diria, do politicamente correcto: “acabar com um casamento historicamente rico e com muito amor, com os filhos pelo meio, por causa de umas quecas por fora?”. É esta a principal limitação de algum tipo de relações abertas: a hipocrisia. Ou seja, a maior parte das vezes vive-se em função do sexo, mas raramente se admite a sua importância para a estabilidade conjugal. Parece que o fundamental passa por manter sempre uma boa imagem social, o que depois na prática, torna este modelo não assim tão diferente de muitos outros onde vigoram relações menos liberais – enfim, um erro colossal.


Parece que não há modelos perfeitos. Mas há e, para grande surpresa destes novos pseudo-cientistas, até podem ser monogâmicos, lá está, basta pensar bem naquilo que verdadeiramente desejamos, fazer conscientemente a nossa própria escolha e viver em função dela.
A chave de qualquer relacionamento, mais que o auto-controlo e honrar as cláusulas explícitas e implícitas de um compromisso, é só uma: comunicação bilateral com total sinceridade.

Acredito que o futuro dos relacionamentos devia passar pela coragem de expressarmos os nossos sentimentos e seguir sempre os nossos desejos. Só assim conseguiremos ultrapassar a barreira do politicamente correcto que a sociedade parece querer nos impor, e que nem sempre nos traz aquela felicidade e a estabilidade apregoadas.

sexta-feira, março 30, 2012

Music to get in car chases



"Scavenger" dos School of Seven Bells, de 2012.
Imagens do filme "The Driver", de 1978.
Combinação perfeita.

quinta-feira, março 22, 2012

Stay open


Rhye - Open from Rhye on Vimeo.


I’m a fool for that shake in your thighs, 
I’m a fool for you’re the sound in your sighs 
I’m a fool for your belly, 
I’m a fool for your love.

Em Angeiras é que eles são assim... É bêbados, aldrabões e putelheiros!

quarta-feira, março 21, 2012

Preocupemo-nos com o acessório (enquanto o essencial continua por resolver)


Na semana passada o ministro Miguel Relvas impôs um prazo a todas as Câmaras para que elas lhe enviassem a sua "situação financeira". Ora eu, completamente leigo na matéria, até poderia questionar se tal situação já não deveria estar muito bem controlada pela administração central. Mas não, prefiro perguntar: como é que, sem se saber a “situação financeira” das autarquias, já se conhece quais são as várias dezenas de freguesias do alentejo, do interior norte e do centro do país que devem ser extintas? Outra (bem melhor): para conhecer a realidade das regiões afectadas, o ministro, deslocou-se ao local ou usou o google earth?

No dia seguinte ao pedido do ministro, a RTP, através do programa "Sexta às 9", chegou-se à frente, e deu de bandeja (ao ministro e aos restantes portugueses) dois bons exemplos do (des)controlo nas contas autárquicas.

Com toda a informação disponível e a disponibilizar, esperamos que o ministro fique um pouco mais elucidado da "situação financeira" dos seus municípios e que, sobretudo, entenda onde poderão estar os maiores desperdícios de dinheiros públicos. Por aqui, continuam as dúvidas: quanto é mesmo que vão poupar com a extinção de 27 freguesias do distrito de Beja? E isso chegará para pagar que centésima parte dos 146 milhões da dívida do município de Aveiro?

sábado, março 17, 2012

Susceptibilidades


O Metropolitano de Lisboa, que apesar do ano passado ter acumulado mais 600 milhões (uma derrapagem superior a 80% face ao ano anterior) de prejuízos dá-se ao luxo de recusar contratos publicitários com uma rede social gay, para não "ferir as susceptibilidades" dos seus utentes, é agora acusado de tratá-los (os utentes) como "sardinhas em lata". 
Portanto para o ML, os seus utentes podem viajar todos em cima uns dos outros, mas mostrar um cartaz onde um gajo tem um braço em cima do ombro de outro? Isso é que não!

quarta-feira, março 14, 2012

Já fostes!


Muito triste, mas pelo menos fica provado que nem o gajo que se safa nos ambientes mais adversos consegue sobreviver à actual realidade laboral.

domingo, março 11, 2012

Sempre o mesmo fado


Acabei por apanhar só a parte final do "Festival da Canção" e tive o "prazer" de escutar a vencedora. Tem uma base de fado exigida mas o resto é medíocre. Sinceramente, duvido que o ar cândido da cantora, a irmã-gémea-separada-à-nascença da nossa ministra da agricultura, do mar, dos continentes, dos planetas, dos sistemas solares (...), chegue para nos safar da primeira eliminatória. A malta da eurovisão costuma ser um bocadinho mais exigente que isso.

quinta-feira, março 01, 2012

Alguns minutos lusitanos



Pronto, também já me mostraram o vídeo onde podemos testemunhar a participação de José Castelo Branco numa das orgias violentas, que faz parte do processo instaurado pela ex-mulher de um empresário de Famalicão, acusando-o de a obrigar a entrar em tais “festas”.

Numa palavra: desilusão. Com uma participação especial como aquela, esperava algo mais espetacular - ficaram-se pelo “espeta”.

A grande surpresa em todo o vídeo acaba por ser o facto de JCB - para além de provar (para quem ainda tinha dúvidas, que eu apontaria para uns 99,9% da população portuguesa) que é mesmo bissexual - revela que não se adapta muito bem ao papel de passivo. Já como activo, só faltou dar umas boas tapas na senhora e chamar-lhe de vadia para cima...

De resto, tudo muito amador, soft e insonso. A única "orgia violenta" que eu assisti neste vídeo foi entre a celulite, a gordura, a flacidez e as estrias no traseiro da senhora quando ela se voltou de costas para a câmara. Senhora essa que, pode-se concluir pela sua postura ao longo de todo o vídeo, parece que foi tão obrigada a participar nesta pseudo-orgia, como deve ter sido obrigada a pôr umas maminhas novas - que são as principais protagonistas da primeira parte desta “película”. Só se estava a representar. Aí já é outro filme.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

:facepalm:


A foto da mais recente capa da edição filipina da FHM não é, por si só, demonstrativa do maior espírito tolerante do mundo. Mas o pior, ou seja, a cereja vermelhona sobre um bolo imaculado de branco, é aquele título: "STEPPING OUT OF THE SHADOWS". Tão infeliz que chega a ter piada.