"Pena não ter partido a tromba".
quinta-feira, agosto 02, 2012
quarta-feira, agosto 01, 2012
Coisas sólidas e verdadeiras
O leitor que, à semelhança do de O'Neill, me pede a crónica que já
traz engatilhada perdoar-me-á que, por uma vez, me deite no divã: estou
farto de política! Eu sei que tudo é política, que, como diz
Szymborska, "mesmo caminhando contra o vento/ dás passos políticos/
sobre solo político". Mas estou farto de Passos Coelho, de Seguro, de
Portas, de todos eles, da 'troika', do défice, da crise, de editoriais,
de analistas!
Por isso, decidi hoje falar de algo realmente importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho, sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.
Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se se perguntassem: "E estes, quem serão?"
Em breve nos abandonarão e procurarão outro território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não, nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida.
Por isso, decidi hoje falar de algo realmente importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho, sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.
Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se se perguntassem: "E estes, quem serão?"
Em breve nos abandonarão e procurarão outro território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não, nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida.
terça-feira, julho 31, 2012
quarta-feira, julho 25, 2012
O caminhante da estrada sem fim
Os emocionantes
relatos de viagem (por África e não só) de um homem à procura de si próprio,
podiam ser razão mais que suficiente para recomendar este “Um Quarto
Desconhecido”, de Damon Galgut.
Só que este livro é muito, muito mais que isso.
Só uma obra assim
poderia revelar este outro lado das longas caminhadas e das viagens sem data de
regresso: a angústia e o desespero do viajante que ainda não conseguiu
estabelecer uma relação duradoura com alguém, que o faça ficar imóvel.
(...)
Uma viagem é um
gesto inscrito no espaço, desaparece à medida que vai sendo feita. Vamos de um
sítio para o outro, e seguimos para outro lugar ainda, já não existindo atrás
de nós vestígio da nossa presença. As estradas que percorremos no dia anterior
estão agora cheias de pessoas diferentes, nenhuma delas sabe quem somos. No
quarto onde dormimos a noite passada, jaz um desconhecido na cama. A poeira
tapa-nos as pegadas, as nossas dedadas são limpas da porta, as provas que
tenhamos deixado cair são varridas do chão e da mesa e deitadas fora para nunca
mais voltarem. O próprio ar fecha-se atrás de nós como água e pouco depois a
nossa presença, que parecia tão ponderosa e permanente, desapereceu por
completo. As coisas só acontecem uma vez e nunca se repetem, nunca regressam.
Excepto na memória.
(...)
Se eu tivesse
feito aquilo, se eu tivesse dito aquilo, no fundo atormenta-nos mais aquilo que
não fizemos do que aquilo que fizemos, as acções já realizadas podem sempre ao
fim de um tempo ser racionalizadas, o acto negligenciado poderia ter mudado o
mundo.
(...)
É possível que
quando duas pessoas se encontram pela primeira vez estejam contidas nas suas
diferentes naturezas todas as possíveis variações de destino. Estas duas
sentir-se-ão atraídas uma pela outra, estas duas repelir-se-ão, a maior parte
cruzar-se-á desviando educadamente o olhar, acelerando o passo dentro da sua
solidão.
(...)
terça-feira, julho 24, 2012
quarta-feira, julho 18, 2012
terça-feira, julho 17, 2012
domingo, julho 15, 2012
Why so serious?
Recentemente descobri esta maravilha, um blog que revela uma outra perspectiva da realidade-tipo-"BBC Vida Selvagem". A hilariante verdade está toda ali: (ao contrário do inverso) os animais, sobretudo os gatinhos, não se podiam estar marimbar mais para a vida sexual humana.
Isto também pode provar uma de duas coisas. Só a racionalidade permite desculpabilizar a curiosidade perante a sexualidade alheia. Ou então, atingimos um tal nível de pornografia "amadora", que nem aos irracionais interessa.
terça-feira, julho 10, 2012
quarta-feira, julho 04, 2012
Um homem livre
No ano passado já tinha falado por aqui de Frank Ocean. Hoje volto a uma das grandes revelações do Rn'B dos tempos mais recentes, por razões "extra-artísticas".
Frank Ocean deixou uma declaração singular na sua página do Tumblr. Algo entre um destemido desabafo e um dos mais bonitos e humildes "coming out's" que eu já tive o prazer de ler.
terça-feira, julho 03, 2012
segunda-feira, junho 25, 2012
Uma verdade e uma mentira
(...) É engraçado como à medida que o tempo passa as pessoas se vão acostumando às mudanças, até às mais assustadoras; como até o inimaginável se pode tornar manobrável.
(...) Temos de mentir a nós próprios para vivermos dentro da morte, ou então morreremos dentro do que nos sobrou da vida.
Dança de Família, David Leavitt
quinta-feira, junho 21, 2012
quarta-feira, junho 20, 2012
segunda-feira, junho 18, 2012
Os jogadores da selecção reagem tardiamente, os adeptos festejam a vitória no Euro em antecipação
Mas há alguma coisa que este país faça no tempo certo?
sexta-feira, junho 15, 2012
segunda-feira, junho 11, 2012
sexta-feira, junho 08, 2012
Se isto não é arte...
Nos arredores de Porto Salvo (Oeiras), em pleno Tagus Park e num complexo de edifícios inacabados, descobri mais um autêntico “laboratório do graffiti”. Não fica muito distante de um outro local com características semelhantes e também já visitado com alguns amigos: a antiga Fábrica do Cabos d’ Ávila.
Só que surpreendentemente, desta vez, como poderão ver por esta amostra de fotos de débil qualidade, há algo mais que a concentração de bons graffitis. Para além de haver um interessante relacionamento entre muitos deles, neste recôndito lugar faz-se uma autêntica homenagem à cultura universal.
quarta-feira, junho 06, 2012
domingo, junho 03, 2012
R.I.P. Teen Horror Movies
Quanto menos se souber sobre este filme, melhor ele poderá ser. Portanto, a história de “The Cabin in the Woods” começa com a aventura de cinco amigos que vão passar uns dias numa “cabana” perdida no meio de uma floresta... E fico-me por aqui.
O resto podia ser o que se espera de qualquer “teen horror movie” americano, mas não é. Acrescenta-se algumas surpresas e a história muda radicalmente de rumo ao ritmo do (respectivo) twist. Nada de novo, porque, mais que não seja, não há sequela de filme deste género que não desconstrua o seu original. Só que este filme vai um pouco mais longe e tem ainda outra vertente (não inédita mas, talvez, seja aquela que melhor funciona ao longo do filme): o humor. Daqui sou assombrado pelo verdadeiro pesadelo que se chama: “Scary Movie” e as suas infinitas sequelas, mas rapidamente vejo a luz, porque, na verdade, este “The Cabin in the Woods”, para além de chegar a ter mesmo piada, tem boas ideias. Uma delas surge mesmo no final, quando percebemos qual a verdadeira intenção dos argumentistas Joss Whedon e Drew Goddard (“Lost”, “Nome de Código: Cloverfield”, “A Vingadora”, etc): enterrar um género cinematográfico que já está mais que “morto”.
Todos os limitados clichés da maioria dos filmes de terror norte-americanos já mereciam um filme (acima da sua altura) que os satirizasse e os subvertesse, mas só que com alguns buracos no argumento e outras tantas cenas previsíveis, fica-se na dúvida se o objectivo desta obra é, na verdade, um ajuste de contas ou uma homenagem. A não ser que sejam erros e limitações intencionais para que a sátira seja completa. Pois, se assim for, chegou a vez de eu lhe tirar o meu chapéu.
sexta-feira, junho 01, 2012
Como é que se escolhe
entre isto
e isto?
Não se escolhe – são, talvez, duas das mais importantes bandas da actualidade, que por acaso até editaram dois dos melhores discos de 2012. Não é uma escolha difícil, é uma escolha impossível.
Mas resta-me desejar boa sorte, para quem tiver que a fazer, de hoje a 8 dias, no Parque da Cidade no Porto (Primavera Sound).
quinta-feira, maio 31, 2012
segunda-feira, maio 28, 2012
Arrow
When you were the age 15 they shot the arrow at you
You put that arrow in
became an angel too
But you were proud to be you.
When you made a pact with him
a secret that you’d keep
That you’d forget that sin
could be so warm, so free!
That you could find such release.
My dear St Sebastian, in every breath we complete…
domingo, maio 27, 2012
sexta-feira, maio 25, 2012
quarta-feira, maio 23, 2012
“I think I caught a cold killing a banker”*
*Expressão retirada do filme "Holy Motors", de Leos Carax, em competição no Festival de Cannes deste ano.
Se não é a "quote" do ano, andará lá perto.
domingo, maio 20, 2012
Fim-de-semana alternativo
Às vezes basta um segundo para mudar a vida de uma pessoa. Mas um fim-de-semana pode ser o espaço temporal suficiente para amadurecer essa mudança.
A vida de um rapaz citadino muda radicalmente numa sexta-feira, igual a todas as outras sextas-feiras: chega do trabalho, inicia o ritual de preparação para uma saída nocturna, segue-se um jantar na casa dos amigos e, por fim, uma ida a um bar. Conhece um gajo no bar e acabam na cama. E depois começam as interrogações (este filme está cheio delas) que se pode resumir numa: o que significou aquela noite para cada um dos seus intervenientes?
É um erro limitar “Weekend”, do semi-estreante Andrew Haigh, à categoria de “filmes gay”. Este filme é um fiel (e cruel) retrato do lado descartável das relações urbanas dos dias de hoje, sejam elas gay ou hetero. Aliás, a provar isso, há uma muito interessante cena no final da sequência da “manhã seguinte”, enquanto os rapazes, em fase de despedida, trocam números de telemóvel, no apartamento ao lado está a acontecer mais ou menos o mesmo, entre um rapaz e uma rapariga:
- Did you have a good time last night?
- Last night was sweet, yeah.
“Weekend” não é uma versão moderna ou urbana de “Brokeback Mountan”. Nem nunca pretende o ser. Aqui ambas as personagens - com as suas particularidades - estão perfeitamente conscientes da sua orientação sexual - se bem que isso não significa que estejam integradas num meio social envolvente menos hostil que o retratado no filme de Ang Lee. Ambos os filmes são muito realistas nesse sentido, mas “Weekend” é ainda mais, pois facilmente identificamos cada uma daquelas personagens secundárias do filme: o melhor amigo que consegue descobrir (só observando a nossa forma de estarmos com os outros) que estamos com um problema e que fará tudo para nos desenrascar, o gingão que gosta de contar piadas homofóbicas em locais públicos, de preferência, com as amigas por perto, e o outro que conta todos os detalhes do seu último engate de circunstância aos amigos, ou a amiga confidente que aprecia os pormenores mais sórdidos dos encontros dos outros, etc.
O filme aborda de uma forma muito simples o mistério da atracção sexual e das suas consequências. Parece algo pouco inédito, mas a verdade é que não conheço muitos outros filmes que tenham explorado tão bem e tão eficazmente o campo de atracção entre dois seres estranhos e as suas diferenças.
“Weekend” também roça tecnicamente a perfeição. O realizador/argumentista tomou a opção certa ao não ceder pela tentação voyeurista de querer mostrar tudo o que se passou na primeira noite, quando tudo começou, e preferiu transformar essas imagens em palavras, colocando-as na boca dos seus dois actores principais – que são fantásticos nos seus diálogos aparentemente improvisados.
O filme é muito emocional, mas Andrew Haigh nunca se recorre à música para o tornar hollywoodesco e lamechas. Nesse sentido, só com base em silêncios, gestos e palavras o filme eleva-se a um patamar superior.
Uma nota final para alguns soberbos planos fixos da paisagem urbana, quase sempre deserta. Parece querer simbolizar o tipo de solidão tão típico das zonas de grande concentração populacional urbana e suburbana.
Se apesar de tudo isto ainda não encontrarmos razões suficientes para considerar este pequeno e independente filme britânico uma preciosidade, que pelo menos tiremos qualquer coisa desta lição: temos mesmo que falar sobre a noite anterior, para saber como vamos estar amanhã.
sábado, maio 19, 2012
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