domingo, setembro 09, 2012

Drave


Drave, a “aldeia mágica”, é o ex libris de um percurso pedestre da zona de Arouca, que tem o seu início na aldeia de Regoufe.


São cerca de 8 Kms (ida e volta) por um caminho algo irregular: o início é ingreme e com cascalho solto, mas para o fim o percurso já se faz por um estreito trilho de xisto. Mas pelo meio, face a tanta beleza natural envolvente, nem nos damos conta por onde pomos os pés.



Depois de percorrer alguns quilómetros sem observar vestígios de civilização, chega-se a uma encruzilhada e avista-se, bem lá no fundo do vale, uma pequena aldeia isolada e despovoada.



Isso pode servir de explicação para o seu cognome: no meio do “nada”, ela aparece, de repente, como por magia. Mas não é um truque, é pura emoção, acreditem. E depois só desejamos chegar lá o mais rápido possível, para seborear um pouco daquela realidade perdida no tempo.











No caminho de regresso apareceu uma guia muito especial.


Por fim ainda soubrou algum tempo para visitar as antigas minas de volfrâmeo de Regoufe...



Sempre muito bem acompanhado por uma das guardiãs da aldeia.

sábado, setembro 08, 2012

É um pássaro? É um avião?


Pronto, então é isso: as esperanças deste país recaem sobre os nossos super-empresários! Este anunciado desconto de cerca de seis pontos percentuais da Taxa Social Única (das empresas), vai ter de servir para aumentar o investimento e a produção e, consequentemente, tudo isso fará que haja uma súbita e sôfrega contratação de desempregados - já vimos algo assim quando reduziram a taxa do IRC, não vimos?
Já agora, e só para evitar uma hecatombezinha económica, estes também precisam de consumir mais. Muito mais. Precisam de consumir por todos os outros que já não conseguem.

quinta-feira, setembro 06, 2012

quarta-feira, agosto 29, 2012

Responsabilidade, essa palavra tão bonita para decorar dicionários





Finalmente alguém entendeu que uma irracionalidade naturalmente “perigosa” não se resolve com uma irracionalidade humanamente ainda mais perigosa. Finalmente alguém entendeu que em vez de raças de cães, se deve catalogar os donos – eu até iria mais longe: a compra de certas espécies de animais deveria estar sempre sujeita à avaliação das capacidades do respectivo dono e das condições que tem para oferecer ao animal e, posteriormente, sujeito a uma fiscalização efectiva.
Enquanto por cá a culpa também não morre solteira. Morre nos canis municipais.  E face a isso, só me ocorre uma palavra: vergonhoso.
Mas o que fazer? Parece-me congénita essa viciosa tendência para falhar o alvo da culpa, sobretudo quando há seres humanos no centro do alvo e há outros seres vivos (ou objectos) por perto (e bem mais a jeito). Há miudos a morrer às dezenas nas piscinas domésticas? Culpada: a piscina, e toca a fazer umas campanhas a alertar para os seus perigos. Há putos a cair em buracos e poços por todo o lado? Tapa-se já tudo! Continua a haver gente a circular nas estradas, depois de emborcar meio garrafão de vinho tinto e meia bagaceira, e a matar quem lhe apareça à frente? A culpa é do alcool: reduza-se a taxa legal de alcoolemia e aumente-se as multas! E, agora no verão, quem não gosta de se armar em lagarto e apanhar nos lombos meio dia de torreira? Olha um melanomazinho! A culpa é “deste” sol!...

terça-feira, agosto 14, 2012

Acho que desvendei o mistério do euromilhões






É claro que, estatisticamente, as minhas hipóteses de ganhar um jackpot no euromilhões são praticamente nulas... Mas sinto que a minha sorte pode mudar radicalmente se comer uma vaca inteira em dois dias.

terça-feira, agosto 07, 2012

Bons nomes para chamar a um atleta olímpico

Não, este post não é sobre Patrícia Mamona! Iríamos precisar de um tradutor e, portanto, nem aqui ganhamos medalhas. 
Estes sim, são os vencedores:



O pai deste também devia ser halterofilista - enquanto levantava 170 Kg, escolheu o nome para o filho. 

 

quinta-feira, agosto 02, 2012

De “Quem quiser comer o meu cu, fica com lombriga no pinto” a Francis Bacon


O nome do segundo disco dos Bonde do Rolê, a segunda banda mais internacional do Brasil dos dias de hoje (a primeira só podia ser os Cansei de Ser Sexy,?), não podia ser mais explícito: "Tropicalbacanal".
O disco é uma autêntica orgia de influências e de participações, cruzadas com a habitual irresponsabilidade, provocação e muito humor (“Oh Kanye(ê) cadê você, vem-me comer... Esse menino americano, feito gringo, chega aqui, me vira o pinto e me enche de prazer...”).
Baile funk, pop, rock , hip-hop, reggae, axé e punk. Como convidados temos à nossa disposição desde a cantora jamaicana Ce'Cile à banda punk australiana The Death Seth, passando pelo mestre Caetano Veloso ou pelo rapper Kool A.D. (Das Racist)! Tudo isto muito modernamente remisturado (por pouco que não escrevia “lubrificado”) por Diplo. O resultado é, no mínimo, curioso, mas também, como qualquer bacanal, tem momentos em que se transforma numa enorme bagunça.
Uma boa oportunidade para revisitar Francis Bacon: “a verdade surge mais facilmente do erro do que da confusão”. Infelizmente "Tropical/Bacanal" não é o “erro” que eu ansiava, mas calculo que também ainda não seja a tal “confusão” que os Bonde do Rolê desejaram.


 

Vingança da comunidade espírita elefantina?

"Pena não ter partido a tromba".

quarta-feira, agosto 01, 2012

Coisas sólidas e verdadeiras

O leitor que, à semelhança do de O'Neill, me pede a crónica que já traz engatilhada perdoar-me-á que, por uma vez, me deite no divã: estou farto de política! Eu sei que tudo é política, que, como diz Szymborska, "mesmo caminhando contra o vento/ dás passos políticos/ sobre solo político". Mas estou farto de Passos Coelho, de Seguro, de Portas, de todos eles, da 'troika', do défice, da crise, de editoriais, de analistas!

Por isso, decidi hoje falar de algo realmente importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho, sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.

Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se se perguntassem: "E estes, quem serão?"

Em breve nos abandonarão e procurarão outro território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não, nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida.

terça-feira, julho 31, 2012

quarta-feira, julho 25, 2012

O caminhante da estrada sem fim


  
Os emocionantes relatos de viagem (por África e não só) de um homem à procura de si próprio, podiam ser razão mais que suficiente para recomendar este “Um Quarto Desconhecido”, de  Damon Galgut. Só que este livro é muito, muito mais que isso.
Só uma obra assim poderia revelar este outro lado das longas caminhadas e das viagens sem data de regresso: a angústia e o desespero do viajante que ainda não conseguiu estabelecer uma relação duradoura com alguém, que o faça ficar imóvel.


(...)
Uma viagem é um gesto inscrito no espaço, desaparece à medida que vai sendo feita. Vamos de um sítio para o outro, e seguimos para outro lugar ainda, já não existindo atrás de nós vestígio da nossa presença. As estradas que percorremos no dia anterior estão agora cheias de pessoas diferentes, nenhuma delas sabe quem somos. No quarto onde dormimos a noite passada, jaz um desconhecido na cama. A poeira tapa-nos as pegadas, as nossas dedadas são limpas da porta, as provas que tenhamos deixado cair são varridas do chão e da mesa e deitadas fora para nunca mais voltarem. O próprio ar fecha-se atrás de nós como água e pouco depois a nossa presença, que parecia tão ponderosa e permanente, desapereceu por completo. As coisas só acontecem uma vez e nunca se repetem, nunca regressam. Excepto na memória.

(...)
Se eu tivesse feito aquilo, se eu tivesse dito aquilo, no fundo atormenta-nos mais aquilo que não fizemos do que aquilo que fizemos, as acções já realizadas podem sempre ao fim de um tempo ser racionalizadas, o acto negligenciado poderia ter mudado o mundo.

(...)
É possível que quando duas pessoas se encontram pela primeira vez estejam contidas nas suas diferentes naturezas todas as possíveis variações de destino. Estas duas sentir-se-ão atraídas uma pela outra, estas duas repelir-se-ão, a maior parte cruzar-se-á desviando educadamente o olhar, acelerando o passo dentro da sua solidão.
(...)

domingo, julho 15, 2012

Why so serious?

Recentemente descobri esta maravilha, um blog que revela uma outra perspectiva da realidade-tipo-"BBC Vida Selvagem". A hilariante verdade está toda ali: (ao contrário do inverso) os animais, sobretudo os gatinhos, não se podiam estar marimbar mais para a vida sexual humana. 
Isto também pode provar uma de duas coisas. Só a racionalidade permite desculpabilizar a curiosidade perante a sexualidade alheia. Ou então, atingimos um tal nível de pornografia "amadora", que nem aos irracionais interessa.

quarta-feira, julho 04, 2012

Um homem livre


No ano passado já tinha falado por aqui de Frank Ocean. Hoje volto a uma das grandes revelações do Rn'B dos tempos mais recentes, por razões "extra-artísticas". 
Frank Ocean deixou uma declaração singular na sua página do Tumblr. Algo entre um destemido desabafo e um dos mais bonitos e humildes "coming out's" que eu já tive o prazer de ler.


segunda-feira, junho 25, 2012

Uma verdade e uma mentira

(...) É engraçado como à medida que o tempo passa as pessoas se vão acostumando às mudanças, até às mais assustadoras; como até o inimaginável se pode tornar manobrável. 

(...) Temos de mentir a nós próprios para vivermos dentro da morte, ou então morreremos dentro do que nos sobrou da vida.

Dança de Família, David Leavitt

quinta-feira, junho 21, 2012

Estamos bem representados

Dois "bola de ouro" e um "político de chumbo":