domingo, janeiro 27, 2013

O que (não) se aprende com os erros do passado?



As causas do mais recente flagelo numa discoteca de Santa Maria, Rio Grande do Sul (Brasil) não são muito diferentes das que provocaram idênticas tragédias em Buenos Aires (Argentina), em Perm(Rússia) ou em Rhode Island (EUA). Não é preciso ser especialista da temática para concluir que fazer "experiências" pirotécnicas em espaços fechados só pode dar “besteira”, no entanto parece que os mesmos erros sucedem-se. Nos próximos dias, certamente, muito falar-se-á das questões de segurança no locais de diversão nocturna e depois tudo ficará na mesma e daqui a uns tempos uma nova catástrofe, de maiores ou menores dimensões, ocorrerá. Ainda podíamos descartar com a desculpa de não haver imagens daqueles momentos infernais para suportar os “estudos”, mas há. E são deveras explícitas.

O incêndio que destruiu o "nightclub" The Station (Rhode Island), há praticamente dez anos, está documentado no Youtube. Talvez o que mais me surpreenda nesse vídeo seja a rapidez com que tudo aconteceu, como prova o facto da filmagem não ter interrupções. Por momentos lembra um daqueles filmes "low budget" feito de suposto "video footage" que esgotam sessões de cinema por todo lado. Parece que afinal não é preciso passar por hollywood para vermos um filme de terror "realista", filmado "amadoramente" e com cenas muito angustiantes.
Até diria que quase tudo neste "thriller" é perfeito (no sentido cinematográfico), não fosse ele real e ter revelado uma enorme tragédia. Existe essa imagem simbólica, em que o "realizador" pára e pousa a câmara. Ouve-se uns pequenos suspiros e desabafos... Mas depois opta por continuar. Essa pausa também deve ter servido para ele se conscientalizar da importância das imagens que tinha acabado de captar. No fim de contas, pergunto eu, para quê?


segunda-feira, janeiro 21, 2013

Oh Homero anda cá abaixo ver isto!



Não sei se já repararam (verificando as audiências, diria que não) mas a RTP1 há já alguns dias que inaugurou a sua nova grelha de programação. Uma nova novela/série que tem como cenário principal um hospital, ou seja, a enésima variação da “Anatomia de Grey”, um programa de entretenimento da praxe para a Catarina Furtado, outro para a Sílvia Alberto, outro para o Jorge Gabriel e Sónia Araujo, uma sitcom para o Vítor Espadinha e José Pedro Gomes, outra para o Nicolau e para o Fernando Mendes, outra para a Ana Bola, etc.. Portanto: há dinheiro para tudo isso, menos para mandar alguém à Suécia, a representar o país no Festival da Eurovisão.

Felizmente ainda sobraram alguns trocos para apostar em algo verdadeiramente interessante e original. Falo obviamente na nova série com a dupla Bruno Nogueira e Gonçalo Waddington: “Odisseia” (estreou ontem, mas quase ninguém viu porque estavam a ver se a Juliana Paes se despia pela 325ª e final no último episódio de remake da “Gabriela”, que a SIC, que já não ganhava, em matéria de audiências, um domingo há mais de um ano, decidiu passar, só para roubar alguns bons milhares espectadores a essa nova “Casa dos Segredos”, em versão “ainda mais peixarada” – ufa!).

A nível do formato (o efeito "matryoshka": uma realidade dentro da ficção que por sua vez capta a realidade e por aí a fora...) tem alguns pontos de contacto com o "Extras" do/com Ricky Gervais, mas não deixa de ter a sua originalidade, já que as personagens principais deste “Odisseia” desempenham papéis supostamente “reais”, enquanto que o Ricky nunca deixou de ser “Andy Millman”, o actor/figurante na série da BBC/HBO.
Não é um programa para todo o tipo de audiências, é certo. Mas pelo menos os fãs de Bruno Nogueira estão assegurados. De certeza que gostaram, pelo menos, daquela cena do puto que vai ao colo dele na caravana... Mas há mais que isso, muito mais que o humor nonsense e autodepreciativo que fez do “O Último a Sair” uma série de referência. Senão vejamos, neste primeiro episódio, reconstruiram uma cena musical e "sentimental" do "Vicky Cristina Barcelona" do Woody Allen, só que em vez do flamenco houve direito a um "playback" da Belle Dominique. A tal cena que antecede uma outra em que, como o Waddington diria, o Javier Bardem vai meter o seu bezigrólio no tubo de vácuo da Rebecca Hall.

“Odisseia” foi o 27º programa mais visto da TV portuguesa ao longo do dia de ontem... Não entremos em guerras de audiências, com a de Tróia já muito aprendi - diria Ulisses - mas que culpa é que o Bruno Nogueira & Ca. têm, de que os portugueses só gostem de ver “piiiii”?

sábado, janeiro 19, 2013

O ano do elefante (outra vez)




Tarangnam Style



Não há que enganar: Tarantino é sinónimo de entretenimento cool. Com este “Django Unchained”, mais uma vez, ele aborda assuntos sérios e desconfortáveis com uma ironia sem limites. No final há sempre a vingança da praxe, mas pelo meio somos servidos por vários momentos hilariantes (veja-se abaixo um exemplo). Depois há o estilo, tudo ali é cool, desde a vénia do cavalinho à banda sonora, passando pelas personagens. E que personagens! E que interpretações!



domingo, janeiro 13, 2013

Está-se sempre a aprender com uma certa esquerda

É assim um bocadinho para o ridícula esta guerra que esse conceituado "pensador" de esquerda que dá pelo nome de Daniel Oliveira anda a travar com os organizadores da petição para não abater "um cão de uma raça perigosa" que matou UMA CRIANÇA DE 18 MESES - o Daniel Oliveira usou o "bold", o Ferreira Fernandes usa-a como arma de arremesso "sentimental" para finalizar crónicas e eu uso o CAPS LOCK, que é para demonstrar também a minha sensibilidade perante todas as crianças anónimas de 18 meses, mesmo aquelas com pais irresponsáveis (como parece ser supostamente o caso). 
Ainda há pouco houve direito a tempo de antena, em horário nobre, no noticiário da SIC. Ontem, também com o patrocínio do grupo Impresa, tivemos direito a isto: "a vida do humano mais asqueroso vale mais do que a vida do animal doméstico de que mais gostamos. Sempre."
Em suma: sensatez e tolerância, parecem ser valores em vias de extinção nessa fauna selvagem que é uma certa esquerda portuguesa. Já se sabia que eles é que sabem "o que é ter um filho", agora ficou-se a conhecer que são eles que dominam a questão da hierarquia das vidas.

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Avante camarada



A presidente da Câmara de Palmela, Ana Teresa Vicente (PCP), vai reformar-se a partir do próximo mês de fevereiro, mas vai manter-se na presidência do município até final do mandato, disse hoje à agência Lusa fonte da autarquia.


Ana Teresa Vicente, de 46 anos (faz 47 a 28 de janeiro), cumpre o terceiro e último mandato como presidente da Câmara de Palmela, pelo que não poderá recandidatar-se ao cargo.
De acordo lista de reformados em fevereiro da Caixa Geral de Aposentações publicada em Diário da República de 8 de janeiro, Ana Teresa Vicente vai auferir uma reforma de 1.859,67 euros.

Comentador do Correio da Manhã : "Cambada de gatunos!... Mas ela é toda jeitosa. Comi-a..."

Pepa Xavier: "Esse ordenadozinho dá para comprar uma mala daquelas clássicas da chanel que fica bem com tudo?"

Presidente da República: "Tais valores são perfeitamente legítimos e constitucionais. Agora deixem-me escrever aqui uma tese de 29 páginas, para mandar para o TC, a explicar porque é inconstitucional cortar em reformas a sério... Como a minha."

Assunção Esteves: "47 anos? mil e oitocentos euros? Oh minha senhora: acorde para a vida!" 

sábado, janeiro 05, 2013

Serviço Público: 13 apostas para 2013


Para além de alguns nomes já mencionados e de uma muito aguardada e desejada invasão nórdica pt. II (The Knife, Röyksopp, Robyn, The Radio Dept, os novatos Kate Boy, etc), estas são as minhas 13 apostas para 2013:

13. Wildlife Control (fazem boas canções rock, no seu estilo mais "clássico")


12. The New Fabian Society (Interpol, entre outras referências ainda mais depressivas)


11. Solomon Grey (pop e eletronica, eficaz)


10. MS MR (já mui elogiados por mim aqui)


9. WIFE (ninguém vai querer saber se eu disser que é mais um retorno do trip-hop, mas se disser post-dubstep, já pode ser o começo de uma boa amizade)


8. Haim (também já são hype ou não fossem as 3 irmãs mais giras e cool da cena indie pop actual)


7. Heart-Ships (rock indie, os vídeos disponíveis do Ytube ainda não lhes fazem justiça, há que aguardar)


6. Tom Odell (voz, piano e algum ritmo, já é um sucesso)


5. Eaux (mais um início muito auspicioso em forma de EP)


4. Hookworms (também já falei deles aqui)


3. Chvrches (pop que a P4k gosta e toda a gente em geral)


2. Dan Croll (tem tudo para dar certo e ser a nova sensação indie do ano)


1. Public Service Broadcasting (God Is an Austronaut, com um impressionante trabalho de colagem de registos radiofónicos históricos - o EP do ano passado é uma obra-prima)

segunda-feira, dezembro 31, 2012

Uma espécie de mártir do punk rock



G.G. Allin is an entertainer with a message to a sick society. He makes us look at it for what we really are. The human is just another animal who is able to speak out freely, to express himself clearly. Make no mistake about it, behind what he does is a brain.
John Wayne Gacy*

Antes de se tornar internacionalmente conhecido, Todd Phillips, o realizador da saga “A Ressaca” (está a filmar a parte 3), “Starsky & Hutch” e “Road Trip”, fez um documentário sobre a vida de um dos punk rockers (e a sua banda) mais controversos da história da música. Para quem conhece os GG Allin & The Murder Junkies e os filmes de Todd Philips facilmente estabelece alguns pontos de contacto: o grotesco e o humor (a reedição de DVD de 2007 deste documentário veio acompanhado com uma tatuagem temporária idêntica a de GG Allin).


Os concertos dos GGA & TMJ ficaram conhecidos por nunca terminarem. Ou melhor, terminavam, com o seu vocalista a caminho de um hospital ou da esquadra mais próxima.
“Excessivo”, “bizarro”, “assustador”, ... Não era fácil  definir ou entender a “personagem”. Até um conhecido serial killer*, confessou ter dificuldades em lidar com ele. Ao contrário de outros artistas rock n’roll mais ou menos consagrados, GG Allin não incentivava a rebelião. Ele era a rebelião em pessoa. Neste documentário pode-se assistir a algumas cenas dos seus “espetáculos” ao vivo, onde incluia: auto-mutilação, defecação e coprofagia, agressão física contra a sua assistência, etc..
Ainda assim a banda foi sobrevivendo (e, sem ele, ainda sobrevive) aos inúmeros escândalos, peripécias e conflitos internos (Dee Dee Ramone chegou a integrar a banda).

O documentário também tenta descortinar as razões que levam um rapaz “normal” de uma vila pacata do estado de New Hampshire, se ter transformado em tão atormentado “animal”, ou melhor, “public animal no.1”, como também chegou a ser conhecido. Ele odiava a sociedade em geral, por a considerar “doente”. Acreditava que a única possível cura estaria no seu “rock n’roll”, sem limites, sem autoridade e totalmente irresponsável.

O mais irónico na história da vida de GG está no seu final. Por mais alienado e diferenciado que ele se considerasse, a sua vida não terminou de uma forma simbólica/heróica/atípica (no palco, como ele tanto prometeu; uma espécie de sacrifício em nome da salvação do rock), mas de uma “comum” overdose de heroína, como tantas outras “rock stars” que criticava.