domingo, março 09, 2014

Future Islands - Portugal is waiting for you (but we wait seated)



Não quero tirar o mérito às contratações já anunciadas para os nossos próximos festivais de verão - sobretudo os Portishead no Marés Vivas, JT e os Arcade Fire no RiR, Erlend Øye e os Tame Impala que voltam ao SBSR, os The War on Drugs (excelente novo album), Parquet Courts, Elbow (outro belo novo disco acabadinho de sair), Daughter e mais alguns no Alive, a pop a invadir Paredes de Coura com os Chvrches e os Cut Copy e praticamente todo o cartaz do Primavera – mas eu gostava que anunciassem algo (ainda) mais arrojado. Uma banda mesmo desconhecida do grande público, mas que depois da sua actuação, ficássemos todos verdadeiramente surpreendidos e profundamente comovidos – mesmo quem já se tenha surpreendido e comovido antes com eles.
Provavelmente estou enganado e seria um completo desperdício, porque uma banda destas nunca conseguirá ser devidamente apreciada por entre copos com amigos e pelas euforias típicas de um festival de verão. Tragam então os Future Islands a uma das nossas mais modestas salas de espectáculos. Sejamos então poucos a emocionar-nos, mas emocionemo-nos em condições e deixem o Sam Herring fazer o mesmo!
A propósito, até o próprio David Letterman que apresenta quase-épicas actuações todas as semanas mas ainda assim, desta vez, a avaliar pelo seu surpreendente nível de entusiasmo, parece querer mesmo dizer: “já apresento esta merda há mais de 30 anos e finalmente apareceu-me algo genuinamente encantador!”.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Isto não é sexismo,

é arte ou, na pior das hipóteses, um quebra-nozes.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

O apuradíssimo sentido de estética do mar

Os campistas de Cortegaça, o Barbas e mais uma centena de empresários portugueses quiseram que os seus "empreendimentos" tivessem uma vista privilegiada de mar. Só que parece que este ano o mar decidiu impor alguns limites a essa vizinhança... E em alguns casos, quase aplicava o seu exigente sentido de estética. Faltou um bocadinho assim, mas haja esperanças.

Por vezes o jornalismo cheira mal mas faz bem



Há jornalismo de merda (porque nem chega a ser jornalismo, nem nada que se pareça com tal), como isto. E há “jornalismo de investigação”, que por vezes vem da mesma escola que o primeiro e, por isso, deverá ser também ele incluído nessa mesma categoria?

Provavelmente eu seria a última pessoa a defender um canal como o CMTV, ou a TVI, ou qualquer outro que mediatizou, ou posso dizer chafurdou(?) no caso das mortes no Meco. Contudo, às vezes ponho-me a pensar se não tivesse sido esse "jornalismo de investigação" em que ponto estaríamos neste momento.
Vamos imaginar que os media limitavam-se a reportar este acidente fatal e não voltam a pegar no caso. Ignorando as denúncias de rituais similares em anos anteriores, as cenas de praxe testemunhadas nesse fim-de-semana pela vizinhança, o planeamento por escrito dos rituais, as específicas e rigorosas hierarquias das praxes da Lusófona, etc. Durante mais de um mês os únicos factos noticiáveis eram aquele primeiro relatório da polícia marítima e o interminável silêncio do sobrevivente.
Dá para pôr de lado, ou mesmo esquecer, um caso destes? Seria legítimo pedir aos pais das vítimas que se acomodassem, pelo menos por “uns meses”, com a justificação de "um acidente" (em tão estranhas circunstâncias)? Teriam eles, por si só, suficientes capacidades e meios para tentar obter mais informações nesta fase inicial? Teria o Ministério Público requerido a intervenção da Polícia Judiciária, quando só passado um mês das ocorrências é que se soube da abertura de um processo pelos primeiros e, nessa altura, da Procuradoria-Geral da República pouco mais se ouviu que: "não existem, por ora, indícios de que as mortes setenham devido à prática de crime"?
 

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Top10 do "Mixórdia d' Tomat&queijo"

Para celebrar o regresso do “Mixórdias” à Comercial – ou a demonstração do excesso do meu tempo livre – organizei um top10 dos melhores momentos da última temporada. :)

10.Nini






4.King



domingo, janeiro 19, 2014

Por cada "average american male", uma "average american female"

 
(...)
“We drive down the road in complete silence for a few miles listening to 50 Cent. As soon as he tells us that he's into having sex, he ain't into making love, Casey turns the volume down and begins telling me the following information: " I love you so much. We're going to have the best life together. I can't wait." Every word she says makes me feel a little more like faking a stroke and pretending to lose all memory of who I was, but it's not until she looks me in the eye and says in all seriousness, "You're my soul mate," that I realize I am not going to marry her.”
(...)

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Brincadeiras fatais



Uma humilhação pública é uma humilhação pública seja perpetuada hoje, seja feita nos “nossos tempos”. Rebaixar e deprezar publicamente vidas humanas é submete-las à sua pior condição, da forma mais cobarde possivel – não há direito a resposta, pois aproveita-se da submissão da vítima e da exaltação da assistência. Enquanto não se eliminar definitivamente qualquer tipo de actos desta natureza dos nossos estabelicimentos de ensino, iremos continuar a assistir a homicídios involuntários em várias vertentes: morre-se (se não fisicamente, aos poucos) por vergonha da humilhação e pela revolta da injustiça, morre-se enrolado numa onda durante o planeamento do ritual, ... Para quê? - See more at: http://forum.autohoje.com/off-topic/125244-o-caso-de-nelson.html#sthash.EQLts6YL.dpuf

Uma humilhação pública não é uma brincadeira e, sobretudo quem esteja ligado directamente a àreas que envolvam crianças, adolescentes e todos os problemas relacionados com essas fases da vida, deviam saber isso melhor que ninguém. 

Rebaixar e deprezar publicamente vidas humanas é submete-las à sua pior condição, da forma mais cobarde possivel – não há direito a resposta, pois aproveita-se da submissão da vítima e da exaltação da assistência. Enquanto não se eliminar definitivamente qualquer tipo de actos desta natureza dos nossos estabelecimentos de ensino, iremos continuar a assistir a homicídios involuntários em várias vertentes: morre-se (se não fisicamente, aos poucos) por vergonha da humilhação e pela revolta da injustiça, morre-se (acidentalmente ou não - não é isso que estará aqui em causa) enrolado numa onda durante o planeamento do ritual, ... Para quê? O que a nossa sociedade ganha com esta selecção tão pouco natural entre os  fortes e os fracos?